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quinta-feira, 16 de março de 2017

ÉTICA CRISTÃ - FUMAR É PECADO? NÃO, NÃO É! ENTÃO...

Hoje vemos muitas pessoas que têm o hábito de fumar. Nunca encontrei nada na Bíblia específico a respeito do tabaco. Será que a Bíblia proíbe realmente alguém de fumar? Ou podemos concluir que pelo fato dela não mencionar nada sobre o fumo não seja pecado fumar? 

O pastor e escritor Ed Renê Kivitz costuma dizer que, quem tem que pedir permissão para fazer tudo é criança, e portanto, inicialmente, não tem maturidade para compreender e não pode nada. Concordo plenamente com ele.

"Não fumarás!"


De antemão, claro: fumar ou beber não é pecado. Dizem alguns pastores, em um chavão muito conhecido que "fumar não manda ninguém para o inferno, mas deixa o fumante com o cheiro dos que lá estão."

Realmente não encontramos nada especifico o bastante a respeito do fumo na Bíblia. Não existe o décimo primeiro mandamento: "não fumarás". Porém, é muito simplista crermos que a Bíblia é apenas um livro de leis que dizem o que pode ou não pode ser feito. A Bíblia é muito mais do que isso. Ela traz princípios que nos ajudam a avaliar qualquer tipo de situação e tomarmos a melhor e mais sábia decisão em qualquer tempo da nossa vida. Assim, o fato de não constar nenhum versículo específico não faz do ato de fumar algo liberado e lícito.

Eu, antes de minha conversão, era um "fumante circunstancial", aquele tipo que quando está no meio da turma, faz algo só para ser aceito por aquela turma. Então, quando eu saia para as noitadas, comprava um maço de cigarro, o colocava sobre a mesa e acendia um ou outro, quando eu via outra pessoa fumando. Ou seja, era um perfeito imbecil! Ao me converter, não posso dizer que tive alguma dificuldade para parar de fumar, pois realmente eu não cheguei a me viciar. 

A mesma coisa era com as bebidas alcoólicas, por exemplo eu NUNCA tomei sequer uma colher de cerveja. Desconheço completamente o sabor que tal bebida tenha. Entretanto, não nutro nenhuma repulsa contra essas coisas. Creio que isso poderia confundir-me em relação a coisas e pessoas. As pessoas não são más por que bebem ou fumam, isso não é critério para análise ou juízo de valores embora saiba que esse hábito não as "qualifique" como cristãs autênticas (vale a pena lembrar que o hábito de beber com moderação em algumas denominações cristãs evangélicas é perfeitamente normal, como os presbiterianos, por exemplo).


Eu sou livre


Lembro-me de algo que aconteceu comigo certa feita. Eu estava em uma festa com alguns conhecidos e familiares. De repente veio alguém e me ofereceu um copo com uma bebida alcoólica e me disse aquela frase dos que gostam de tentar nos constranger: "pode beber, seu pastor não está vendo". Todos estavam me olhavam para ver qual seria minha atitude. Talvez esperassem que eu fizesse um discurso sobre a pecaminosidade do ato de beber, ou que dissesse aquela frase horrorosa: "minha religião não permite".

Pois bem, não fiz nem uma coisa e nem outra. Peguei aquele copo de bebida, agradeci e disse a ele: "Eu sou livre para fazer o que quiser com esse copo de bebida" - olhos fitos em mim. Fingi que levava o copo na boca e despejei toda aquela bebida no chão. Devolvi o copo a ele, agradeci e disse: "A única vontade que tenho em relação ao que você me ofereceu é essa, jogar fora". Se o ilustre fosse um avestruz, teria enfiado a cara no primeiro buraco que encontrasse.

Em outra ocasião, um colega de serviço começou a me zoar, dizendo que eu, por ser "crente", não podia fazer nada, e tirando um maço de cigarros do bolso, desafiou-me: "Você pode acender um cigarro desses e fumar tranquilamente como eu?" Eu, então, peguei um cigarro na mão, acendi sem colocá-lo na boca e após breves momentos olhando a fumaça dançar diante do rosto, pedi o maço ao colega. Ao pegá-lo, disse: "Eu posso sim, fumar se quisesse, mas não quero. E você? Pode fazer isso?"

Dizendo isso, joguei o cigarro aceso e o maço ao chão e os esmigalhei com o pé, pulando sobre o que sobrara dos cigarros, despertando a ira do colega. Então, olhei tranquilo para o fumante e completei: "Viu quem é o escravo? Eu posso ficar sem também, mas você não. Tem que manter esse produto constantemente em seu corpo, e ficar sem te deixa nesse estado... Quem não pode nada aqui é você e não eu!"

Creio que essa é a essência: Não que um "crente" não possa fazer nada. Paulo dizia que podemos qualquer coisa (embora nem tudo convenha ao estilo de vida que adotamos quando nos declaramos cristãos - mais detalhes sobre esse assunto aqui). 

A vitória é saber que se pode voltar a beber, fumar e cometer muitos erros contra si mesmo, mas desfrutar das regalias de não sentir as dores de quem abdica de algo que preenchia as lacunas da alegria que faltantes, e mesmo assim, a alegria não te abandona. Isso é liberdade.

Como o Mestre prometeu: "Se o Filho, pois, vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8:36). A porta fica escancarada, e se pode passar por ela, ficar ou sair, e ninguém mais é capaz de fechá-la: "nem morte, nem vida, nem anjos ou principados, nem coisas do presente ou do porvir, nem poderes, nem alturas ou mesmo profundidade, ou qualquer outra criatura..." (Romanos 8:38,39) Nada!

Mas, enfim, fumar é ou não é pecado?


Bom, para respondermos a isso devemos analisar o que significa fumar e o que está envolvido nesse ato e confrontarmos com a Bíblia para vermos se esse ato passa pelo crivo da Palavra de Deus. Vamos lá?

  • Fumar é um vício 

Todos sabem que a nicotina presente no cigarro vicia. Existem aqueles fumantes que dizem que param quando quiserem, mas sabemos que a realidade não é bem essa. O tabaco vicia em um nível muito profundo, trazendo dependência química séria. Nesse sentido já temos um elemento contrário ao fumo. Vícios não condizem com a vida de uma nova criatura resgatada por Cristo. A meu ver o vício de fumar é contrário a busca que o cristão deve ter do domínio próprio (Gálatas 5:23).

  • Fumar faz mal a saúde 

Nunca é demais lembrar que o cigarro contém cerca de 5000 substância tóxicas e que seu uso pode resultar em câncer e diversas outras doenças graves e algumas mortais. A Bíblia é clara em apontar que nosso corpo é templo do Espírito Santo e que devemos glorificar a Deus através desse corpo: 
"Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo." (1 Coríntios 6:19,20). 
Não consigo imaginar como alguém que faz uso de uma substância tão maléfica ao organismo possa glorificar a Deus em seu corpo com essa atitude.

  • Fumar é semelhante a outros vícios condenados pela Bíblia

Alguns defendem o uso do tabaco apoiando-se no fato da Bíblia não condenar diretamente o tabaco. Mas é óbvio que as listas de pecados condenados presentes na Bíblia não são exaustivas. Se o tabaco não é mencionado, pode ser porque não era um problema na época como é hoje. Em uma de suas listas, Paulo diz o seguinte: 
"Ora, as obras da carne são conhecidas e são (…) bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas"(Gálatas 5:19,21 - grifo meu). 
Não vejo dificuldade alguma em comparar o vício do tabaco com, por exemplo, as glutonarias e bebedices citadas por Paulo. São muito semelhantes. Certamente esse vício do tabaco pode ser encaixado, associado em "coisas semelhantes a essas" se considerarmos todo o contexto que trabalhamos acima.

  • Fumar prejudica a vida do próximo 

Hoje já se sabe que mesmo as pessoas que não querem fumar, mas que ficam próximas a fumantes, também acabam colhendo os males do cigarro. São os fumantes passivos. A maioria dos fumantes em algum momento acabam cedendo ao vício e fumando próximo de alguém (alguns até próximo de seus filhos dentro de casa), prejudicando essa pessoa. Tudo isso por causa da força do vício. Apesar de todas as leis buscando "proteger" os não fumantes, sabemos que na prática as coisas não funcionam tão bem assim. Considero isso como uma atitude de violência contra o próximo, já que a pessoa prefere dizer sim ao vício a dizer sim a saúde do próximo.


Conclusão


É preciso salientar que o fator viciante do uso do tabaco pode fazer com que o seu uso vire uma doença na vida da pessoa. O vício fica tão forte que nem com muita força de vontade consegue largar. Ou seja, não podemos reduzir esse vício prejudicial apenas ao âmbito espiritual. Às vezes serão necessários medicamentos, acompanhamento psicológico e outras ajudas médicas para ajudar a pessoa a se libertar desse maldito vício. E, é claro, a indispensável ajuda espiritual.

Por isso, a igreja deve acolher essas pessoas e orientá-las corretamente a respeito dessa questão. Mas, é claro, o fator fundamental é a pessoa reconhecer o seu erro e o prejuízo dele a si mesma e aos outros. Esse é o primeiro passo para a libertação plena. Depois disso, concluo que, independente da questão de ser pecado ou não, não fumar é uma  questão de inteligência.

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