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domingo, 5 de março de 2017

TODOS OS DIAS SÃO DELAS



O Dia Internacional da Mulher é comemorado no dia oito de março. Uma data especial para lembrar o quanto especial são aquelas a quem Deus deu o privilégio da geração da vida.

De uma forma geral, a mulher tem sido ao longo dos séculos, uma grande vítima do preconceito, da discriminação, e da violência.

Vítimas da sociedade


É notável a evolução dos direitos das mulheres nas sociedades ocidentais, mas ainda há muito a melhorar. Muitas mulheres já são exploradas na prostituição, desde a infância. Diversos são os casos de abuso infantil de mulheres, praticados pelos próprios pais ou membros da família.

Igualmente a violência doméstica é um mal que corrói as famílias brasileiras. Temendo por suas vidas, muitas nem sequer chegam a dar queixa de companheiros agressivos, que as maltratam e as escravizam por anos, sem receber punição alguma. São confinadas à impunidade muitas vezes por causa da dependência financeira, mais uma consequência do machismo que as impendem de  se desenvolverem como pessoas. Mulheres que se tornam meros objetos de homens possessivos. 

Vítimas da religião


A religião sempre as discriminou. Dentro do próprio judaísmo, a mulher era vista como incapaz de se ocupar com assuntos considerados "sérios".

As mulheres tinham o direito de apenas viver para os maridos e filhos, não podendo andar pelas ruas sem a companhia de um homem da família, muito menos de dirigir a palavra ou conversar com um homem em público.

A má interpretação das escrituras, sempre favorecia aos homens, em detrimento das mulheres. Muitos usavam, e ainda usam até hoje em algumas sociedades, da "lei" religiosa, acusando suas mulheres, para até mesmo assassiná-las, em busca de uma "justiça divina".

Era muito difícil a posição da mulher na cultura judaica do primeiro século. A mulher judia, mesmo que pertencesse a uma família rica, estava situada em um patamar inferior na sociedade.

As mulheres e os não circuncidados, não podiam participar do templo. Estavam fora do contexto religioso mais importante do judaísmo.

Um bom judeu, cuidadoso da lei e dos profetas, deveria começar o dia recitando três bençãos diárias, que constavam no Talmud da Babilônia, presentes no Tratado "Menachot". Abaixo, leia um trecho de uma dessas citações.
"Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo que não me fizeste mulher" [Tratado Menachot].
Os estudiosos do Talmud, interpretavam o texto 
"Toda a glória da filha do rei na sua casa" (Salmo 45:14), 
sob a óptica de que uma mulher de honra, deveria estar sempre em sua casa, cuidando do lar e de sua função de ter filhos.

A mulher deveria se dedicar quase que exclusivamente ao marido. Era considerada como incapaz de se ocupar com tarefas sérias ou importantes.

Elas pertenciam a seus maridos e a seus filhos. Assim a mulher passava de objeto de posse dos pais, para o marido e filhos.

Subjugada e subestimada. Por pouca coisa, uma mulher poderia ser repudiada.

Jesus e a Mulher Adúltera


"E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando" (João 8:3,4).
Assim, neste fato narrado no livro de João 8, vemos que somente a mulher adúltera é trazida ao mestre, para ser julgada. Desta forma, os fariseus começaram a sua hipócrita e machista tentativa de induzir Jesus ao erro. A lei exigia que o casal adúltero fosse apresentado. Onde estava o homem que com ela cometeu tal pecado? E mais, quem nos garante que dentre aqueles que a acusam não estavam muitos que com ela já havia se deitado?
"Também o homem que adulterar com a mulher de outro, havendo adulterado com a mulher do seu próximo, certamente morrerá o adúltero e a adúltera" (Levítico 20:10, grifo meu).
Jesus sabia que para aquela geração corrupta, a vida daquela mulher não tinha valor algum. Ninguém se importava com as condições que a levaram àquele pecado. O que faria com que uma mulher, sabendo que a pena capital de morte seria aplicada, em caso de ser pega em flagrante adultério e, ainda assim, cometesse tal ato?

O medo do repúdio e do estigma, assombravam as mulheres do primeiro século. Era um certificado de péssima esposa. Qual homem, decente, com posses e considerado casaria com uma repudiada?

O repúdio, para a mulher, mesmo que legalizado, era quase que ser "jogada no vento". Assim alguns homens judeus da época, usavam e consumiam a juventude de suas mulheres. Quando já não suportavam mais, repudiavam-na por qualquer motivo e procuravam outra mulher mais nova.

Por isso, mesmo com amargura no olhar e sofrimento no rosto, o medo fazia com que uma mulher desprezada por seu marido, já sem receber a devida atenção e carinho, continuasse a suportar o casamento.

Ninguém sabe quais foram as promessas que o homem adúltero fez para aquela mulher. Muitas vezes palavras doces e bonitas, tudo que não ouvia em casa, carinho, atenção e cuidado que seu marido já não mais a dedicava.

O coração falou mais forte, entregou-se ao que parecia uma paixão, enganou-se num amor que nunca tinha vivido de verdade.

E ali ela estava diante de Jesus. Abandonada, envergonhada, desiludida, enganada e xingada por todos aqueles homens insensíveis, próxima da morte. Vítima da vida. Quanta incompreensão.

A Mulher Adúltera: "Vai e não peques mais!"

O grande mestre que tudo discernia, abaixou-se a escrever no solo, dando tempo para que aqueles homens refletissem suas atitudes. Jesus estava dando tempo para que eles examinassem suas consciências primeiro.
"Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra"
(João 8:6).
Um cego não pode guiar outro cego. Quantas vezes aqueles homens tinham desejado a mulher do próximo. Quantos adúlteros não estavam entre eles?
"Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela" (Mateus 5:28).
"E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela" (João 8:7)
Que grande ensinamento! Aquela mulher pôde experimentar do grande amor de Cristo. Em sua íntima compaixão, Deus se importa com cada detalhe de nossas vidas. Ele sabe as dificuldades que cada um de nós enfrentamos. Inclusive na área sentimental.

E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? João 8:10
E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais. João 8:11

Esta era a graça de Deus derramada por seu filho Jesus. Perdão sem cobrar nada por isso. Prova que Deus conhece e entende as dificuldades humanas.

Ainda há países em que as mulheres são submetidas à leis religiosas, que as oprimem fortemente. Praticamente seus lares se transformam em um tipo de prisão, e se forem às ruas, tem de usar suas "mini-prisões" particulares, a burca.

E, vergonhosamente, nos círculos cristãos, ainda persiste uma discriminação absurda, onde as mulheres não têm o seu chamado ministerial reconhecido, aceito e são resumidas  a "esposa (ou filha) do pastor", em muitos "sem nome", sem expressão, sem representatividade diante da comunidade congregacional. Esse "fenômeno" é facilmente observado na quantidade superior de itens proibitivos às mulheres na extensa lista dos usos e costumes de muitas denominações.

Jesus e a Mulher Samaritana


Uma das passagens mais belas do evangelho é esta que fala da Samaritana e Jesus. É impossível ministrar algo sobre adoração sem citá-la. A Paisagem em que se achava o nosso Mestre, era das mais lindas de toda a Palestina.

Entre os montes Gerizim e o monte Ebal, começa um estreito vale, onde está hoje a cidade de Naplusa, a antiga Siquém ou Sicar.

Esta aldeia se funde a estas duas gigantescas montanhas. Na primavera há um explendor verde neste pequeno vale regado por várias fontes.

Há divergências sobre a localização correta de Sicar, mas a maioria dos historiadores a reconhecem na humilde aldeia de Ascar, a dez minutos do poço de Jacó, ao pé do monte Ebal.

Este é o ponto central onde ocorre o encontro de Jesus com a Samaritana. O poço de Jacó está localizado perto do caminho que vai de Jerusalém a Naplusa.

Jesus que vinha de Jerusalém, onde a rivalidade com os fariseus se fazia muito forte, fez uma retirada pontual, partindo para a Galiléia, ao norte do país. O mestre percorreria cerca de 175km para chegar ao seu destino.

Um Judeu a caminho da Galiléia, costumava dar uma considerável volta, para evitar ataques que lhe reservavam os samaritanos. Mas Jesus muda o seu trajeto e chega, com seus discípulos, ao poço que há muitos séculos, Jacó tinha dado a José, seu filho.

Jesus e a Mulher Samaritana no Poço de Jacó.
O poço de Jacó possui uma abertura circular que apresenta muitas estrias causadas pela corda usada para se retirar água. Sua profundidade é de vinte e cinco metros. Jacó teve muita dificuldade em abrir aquele poço em um solo calcário. A água é excelente!

Os Judeus e os Samaritanos estavam envolvidos em uma disputa secular de ódio, preconceito e discriminação.

Este conflito remonta do episódio após a morte do rei Salomão, quando aconteceu a revolta das tribos de Israel, conhecido como Cisma. O reino foi dividido em duas partes. O reino de Judá, mais ao sul sob o comando de Roboão (filho de Salomão) e o reino de Israel ao norte comandado por Jeroboão.

O reino do norte, reino de Israel que englobava dez tribos, foi posteriormente invadido pelos assírios. Os assírios tinham como tática miscigenar a população conquistada através de casamentos, diminuindo o seu sentimento nacionalista e evitando possíveis revoltas por independência.

Isso fez com que os habitantes do reino do norte fossem considerados como pagãos pelos demais Judeus.

A adoração e o culto de divindades dos assírios ajudaram a aumentar ainda mais essa divisão.

Diversas crises políticas e religiosas acabam levando à decadência dos dois reinos. O reino de Israel é destruído pelos assírios, enquanto o reino de Judá é destruído pelos babilônios.

De sorte que após a volta da Babilônia, estabeleceu-se esta separação odiosa entre Judeus e Samaritanos. A hostilidade era tanta que um Judeu, a caminho da Galiléia, não passava por Samaria.

O caminho natural para a Galiléia que Jesus e seus discípulos fariam (cerca de 175Km), seria pelo vale do Jordão, mais ventilado e seguro, ainda que Jesus julgava necessário passar por Samaria.

Era hora sexta, por volta de meio-dia, quando o mestre inicia o diálogo com a mulher samaritana.

Interessante constatar que ao meio-dia não era o horário normal de retirar água do poço de Jacó, naquela região. O clima quente e seco, o sol no explendor de sua força, fazia com que as mulheres buscassem água em outra hora.

Percebemos que aquela mulher, tinha uma vida moralmente duvidável. Ela era mal vista pela comunidade samaritana e evitada por outras mulheres. Era um mau exemplo naquela sociedade, era uma pecadora.

Assim a Mulher Samaritana veio em uma hora em que as outras estariam preparando o almoço, cuidando de suas famílias, podendo assim evitá-las.

Ela sofria preconceito por ser mulher, discriminação dos Judeus por ser samaritana e dentro da própria comunidade, por ser considerada uma pecadora imoral.

A Mulher Samaritana só não sabia que aquele quem falava com ela não discriminava a ninguém e nem fazia acepção de pessoas. E Jesus estava ali, oferecendo da água viva.

Quando Jesus oferece da "água viva" ele falava do que é espiritual, entretanto a mulher samaritana ainda sem compreender, pensava na materialidade das palavras.
"Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?" João 4:11.
Água viva que a samaritana conhecia era aquela que estava no mais profundo do poço, que era tirada diretamente da fonte.
"Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (João 4:13-14).
Samaria de Siquem
Disse-lhe a mulher: 
"Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la" (João 4:15). 
A samaritana novamente pensa no material e pensa na comodidade. Era cômodo não precisar mais voltar a retirar água do poço.

Mas o grande mestre não estava a anunciar um evangelho de comodidades materiais e passageiras. Jesus pregava o verdadeiro e único evangelho, a fonte que jorra para a vida eterna.

Jesus completa então com a revelação da vida que a mulher samaritana levava. Queria mostrá-la que ele tinha a água para saciar a sede que ela possuía. Sede esta que a fez procurar saciar-se em vários relacionamentos fracassados.

Era uma busca que nem ela mesmo tinha consciência. De homem em homem, procurando aliviar essa sede. Esta busca terminou no dia em que encontrou com o mestre e pôde beber da verdadeira água viva.

A samaritana voltou à cidade com sua fonte interior cheia, completa, saciada, jorrando água viva. Não pode se conter e anunciou aos homens que conhecia. Eles foram imediatamente ter com Jesus. E creram e também saciaram a sua sede de salvação.

Agora, os Samaritanos não dependiam mais de templo, monte, ou lugar algum, porque
"os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem" (João 4:23).
Jesus que havia mudado o caminho por onde passaria, fez um grande esforço andando muito, por amor de uma única alma: UMA MULHER. E através dessa alma desprezada e pecadora, ganhou uma cidade inteira. Que lição maravilhosa de evangelismo e missões.
"Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa" (João 4:35).
Diferente da cultura do milho, que levava quatro meses do plantio até a colheita, o mestre nos avisa que já é o tempo da ceifa. Não havia nenhum indicador especial ocorrendo nas terras de Samaria naquela época.

Os samaritanos eram vistos como sempre foram. Eram considerados pecadores. Mas o filho do homem veio para os pecadores. Veio para libertar do pecado. E a portadora dessa Boa Nova seria, para a glória de Deus, UMA MULHER.

Jesus quebrou o jugo imposto sobre as mulheres


Jesus em seu trato com as mulheres, causava revoluções, quebrava paradigmas. O Mestre trazia a verdadeira e correta interpretação da lei, e seus discípulos, imersos na religiosidade, se escandalizavam ao ver o bom pastor conversando em público com a samaritana.
"E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?" João 4:27 
Jesus rompeu com estas "prisões" em que os orientais haviam encerrado as mulheres. O Mestre demonstrou um profundo amor por essas almas tão desprezadas por aquela sociedade discriminatória.
"E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele" (Lucas 8:1,2).
Jesus não as desprezava e nem fazia acepção de pessoas. O Mestre sempre as tratou como filhas. Na comitiva de Jesus, havia mulheres que foram curadas de espíritos malignos e de enfermidades. Estavam pois elas, agradecidas e desejosas de demonstrarem o seu reconhecimento ao Salvador.
"E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios" (Lucas 8:2).
Junto com Jesus e seus discípulos, iam a curta distância, essas piedosas e santas mulheres. Levavam cestas com provisões e se revezavam na tarefa de servir ao Mestre e seus apóstolos.
"E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens" (Lucas 8:3).
Jesus pois em seu ministério, resgatou o papel da mulher na sociedade. O Mestre trazia consigo homens e mulheres, andando lado a lado, conforme no princípio, quando Ele mesmo formou a mulher, da costela de Adão, ou seja em princípio de igualdade.
"Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar" (Gênesis 2:21).
Uma simbologia que indica que a mulher e o homem devem estar lado a lado, pois do lado foi tomada. Assim o Mestre os trazia em seu ministério, lado a lado, em harmonia, sem preconceitos religiosos, sem discriminação.

Jesus sempre ouviu as mulheres que o pediram. E as resgatou de situações desonrosas, para as transformar em mulheres santas. Ele nunca as discriminou.
"Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela" (Efésios 5:25).
E se somos de Deus, devemos refletir o caráter de Cristo. Portanto vós homens, amai as vossas mulheres, respeitai as vossas filhas, para que possais experimentar do grande amor de Deus, que se entregou na cruz, também por aquelas a quem Ele sempre chamou de filhas.

Conclusão


Apesar dos avanços - e aqui não me refiro aos excessos pregados pelo feminismo, mas, sim da conquista dos valores e princípios bíblicos -, é triste observarmos que, infelizmente, as mulheres não têm muito o que comemorar. Contudo, biblicamente, todos somos iguais. Todos pecamos, porém alguns insistem em pensar que são mais santos ou melhores que outros. Jesus nos ensina que devemos amar a todos. E perdoar. Se acharmos alguém em dificuldade espiritual - independente de sua classe social, etnia ou sexo -, não devemos condená-lo. Devemos experimentar a força do perdão, com união e simplicidade de coração. Deus abençoe as mulheres! Deus nos abençoe a todos! Deus tenha misericórdia dos machistas travestidos de crentes!

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