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terça-feira, 30 de junho de 2026

DIRETO AO PONTO — A IGREJA ESTÁ PREPARADA PARA RECEBER PESSOAS TRANS?

Reprodução da internet
O título desse capítulo da nossa série especial de artigos Direto ao Ponto, é uma pergunta assaz perturbadora, apesar de ter uma resposta fácil e factual:
Não, a igreja não está preparada para receber as pessoas que se declaram transgenêro!
A máxima cristã de que a igreja é um espaço de acolhimento universal choca-se, frequentemente, com as barreiras doutrinárias das instituições religiosas.

As igrejas cristãs tradicionais e conservadoras no Brasil geralmente não estão preparadas para acolher plenamente pessoas trans. Muitas impõem barreiras teológicas, rejeitam a identidade de gênero ou limitam a participação em cargos.

No cenário evangélico brasileiro, a conversão de pessoas transgênero ao evangelho tem emergido como um dos debates mais complexos da atualidade.

Esse fenômeno tensiona as estruturas eclesiásticas, evidenciando o profundo abismo existente entre o discurso de amor ao próximo e a prática pastoral conservadora.

Dessa forma, a inclusão desse grupo impõe desafios que transitam entre a rigidez teológica e a urgência de uma resposta humanizada.

Direto ao fato


Créditos: Reprodução Carta Capital
Alexya Salvador, 45 anos, é uma mulher cristã. Alexya Salvador é uma mulher trans. E, no dia 26/01/2020, Alexya Salvador foi ordenada reverenda — uma variante para pastora — da Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM), em São Paulo. E, de acordo com a própria, ela foi a primeira mulher transgênero a se tornar reverenda de uma igreja cristã da América Latina.
Natural de Mairiporã, na Grande São Paulo, ela foi criada em uma família católica e permaneceu no catolicismo até os 30 anos.

Ela ainda vivia como um homem gay, e mesmo vivenciando o conflito da sua própria identidade com aquilo que a religião católica pregava, na igreja se sentia segura, uma vez que na escola a violência era constante.

Ativa na comunidade cristã, Alexya chegou a entrar para o seminário e pretendia se tornar padre.

Sentindo que não se enquadrava, acabou desistindo do curso e abandonando a Igreja Católica quando conheceu seu futuro marido, Roberto, em 2009.

Prestes a fazer sua transição de gênero, ela achou que ali acabaria sua relação com a fé cristã.

No final daquele ano, porém, retomou a relação com a religião quando buscava uma igreja que realizasse seu casamento com Roberto e encontrou a ICM.

A igreja, criada há 50 anos nos Estados Unidos e hoje com atuação em mais de 100 países, segue uma estrutura teológica que prevê o acolhimento de pessoas LGBTs.

De acordo com informações da ICM nos EUA, atualmente entre 15 e 30 pessoas trans ou queer (aquela cuja identidade de gênero ou orientação sexual não se enquadra nos padrões tradicionais de heterossexualidade ou cisgênero) atuam como pastores e pastoras na denominação.

A informação, porém, só se refere aos que informam voluntariamente que são transgênero. Nem todas as pessoas trans que participam da igreja desejam se identificar dessa forma.
"A ICM foi uma das primeiras, se não a primeira, organização cristã a ordenar e promover pessoas trans a posições de liderança. 
Nós temos uma longa história e o compromisso de entender o gênero para além do binarismo, além de afirmar as jornadas de gênero das pessoas, uma vez que entendemos que essas jornadas também são espirituais" (grifo nosso) —
disse a reverenda Kharma Amos, da ICM dos EUA.

Além da atuação na igreja, Alexya também é professora de língua portuguesa da rede estadual de ensino há 22 anos e vice-presidente da Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (Abrafh).

Ao formar sua família, a pastora também foi pioneira, se tornando a primeira mulher trans a adotar uma criança no Brasil, em 2015.

Hoje, ela tem três filhos adotivos: Gabriel, de 20 anos, Ana Maria, de 19, e Dayse, de 14. O jovem tem necessidades especiais e as duas garotas são transgênero.

O outro lado dos fatos

Como a igreja deve agir quando receber pessoas trans em suas fileiras?


A maioria das igrejas cristãs tradicionais (como Católicas, Batistas, Presbiterianas e Assembleias de Deus) ainda enfrenta grandes desafios e não está estruturalmente ou teologicamente preparada para acolher plenamente pessoas transgênero.

Embora o discurso de "acolhimento a todos" seja comum, a prática institucional costuma impor barreiras severas à permanência e à afirmação da identidade trans.

Dessa forma, entre padres e pastores, é comum o discurso que defende a aceitação indiscriminada de fiéis LGBT e faz crítica ao uso do termo "inclusivo" para identificar essas novas igrejas, por entenderem que o Evangelho, por definição, foi enviado para todos e já é inclusivo.

Uma fala comumente repetida em igrejas conservadoras a respeito do acolhimento de transgênero (e de pessoas do espectro LGBT em geral) busca dissociar o sujeito de sua maneira de ser, no sentido de "não odiar o pecador, mas odiar o pecado". Mas nem todos abraçam esse ponto de vista. Vejamos:
  • Em primeiro lugar, o principal obstáculo reside na dogmática teológica sobre a criação humana.
A grande maioria das denominações evangélicas fundamenta sua antropologia em uma leitura literal de textos bíblicos, como o livro de Gênesis, defendendo uma binariedade de gênero estrita e imutável.

Sob essa ótica, a transição de gênero é frequentemente interpretada como um pecado ou uma rebeldia contra o design divino.

Consequentemente, muitas lideranças condicionam a conversão legítima à chamada "destransição" — a exigência de que o indivíduo retorne ao seu sexo biológico de nascimento —, um processo que desconsidera a identidade do sujeito e ignora os graves impactos psicológicos decorrentes dessa anulação forçada.
  • Além do impasse doutrinário, a convivência diária no espaço do templo revela a falta de preparo prático e institucional das comunidades.
Dilemas básicos, como o uso do nome social em detrimento do nome de registro, o acesso a banheiros e a divisão de ministérios por gênero, geram episódios de constrangimento e exclusão.

A liderança pastoral, muitas vezes carente de formação sociológica, psicológica ou teológica plural, adota uma postura ambivalente: busca atrair o novo fiel pelo discurso de salvação, mas veta sua plena comunhão através da proibição do batismo ou da participação em atividades coletivas, temendo o julgamento e o afastamento das famílias tradicionais da congregação.

O Surgimento das Igrejas Inclusivas


Créditos: Reprodução Uol
Como reflexo da rejeição nos templos tradicionais, surgiram as igrejas inclusivas (como a Igreja da Comunidade Metropolitana — ICM, Igreja Cidade Refúgio e Comunidade Athos).

Essas instituições reformularam a teologia tradicional (Teologia Inclusiva) para garantir que a identidade de gênero e a orientação sexual sejam celebradas, oferecendo um espaço de fé seguro e sem julgamentos.

Inclusiva até que ponto?


Mesmo entre igrejas que se identificam como inclusivas, no entanto, pode não haver consenso quanto à aceitação dos transgênero.

Para a maioria de nós, nosso próprio senso interno de quem somos e como todos os outros nos percebem se alinha.

Tomamos essa congruência como certa e não podemos imaginar que poderia ser de outra forma para alguém.

Mas, para uma fração da família humana, essa congruência é ilusória por razões que ainda não entendemos totalmente.

Para aqueles que não são transgêneros, muitas vezes é difícil entender a profundidade do sofrimento causado por tentar ser uma pessoa que eles sabem que não são.

Isso geralmente leva à depressão, ao isolamento e a comportamentos autodestrutivos.

O cenário atual do acolhimento cristão divide-se em diferentes frentes:
  • Igrejas Inclusivas (ou Afirmativas) — Comunidades focadas em acolher o público LGBTQIAPN+ sem restrições ou exigência de mudança de identidade. Instituições como a Igreja da Comunidade Metropolitana ordenam pessoas trans ao altar , e a ICM Séphoras, localizada em São Paulo , foi um marco no protagonismo trans.

  • Igreja Católica — Embora o Vaticano permita o batismo de pessoas trans e autorize que atuem como padrinhos e testemunhas de casamento, a decisão exige "prudência pastoral" e o Catecismo ainda condena formalmente a transição, o que gera grande variação no acolhimento de paróquia para paróquia.

  • Denominações Históricas e Evangélicas Tradicionais — Geralmente exigem que a pessoa viva de acordo com o sexo atribuído ao nascer, o que causa episódios frequentes de violência religiosa ou exclusão.

Barreiras nas Igrejas Tradicionais e Conservadoras

  • Visão teológica rígida — A maioria baseia-se em uma leitura literal de Gênesis ("...homem e mulher os criou." Gênesis 1:27), interpretando a transexualidade como pecado ou rebeldia contra a criação divina.

  • Exigência de "destransição" — Muitas comunidades condicionam o batismo, a membresia ou a participação em ministérios à renúncia da identidade de gênero trans.

  • Uso de "nome morto" — É frequente a recusa em utilizar o nome social e os pronomes corretos da pessoa trans.

  • Exclusão de liderança — Pessoas trans são historicamente vetadas de cargos de liderança, pregação ou ensino nessas instituições.

Abertura Gradual em Algumas Linhas Históricas

  • Comunhão Anglicana (Episcopal) — É uma das denominações históricas mais abertas, com resoluções oficiais que apoiam a inclusão e permitem a ordenação de pessoas trans.

  • Igreja Luterana (IECLB) — Possui debates internos avançados e pastorais voltadas para a diversidade, embora o acolhimento varie de acordo com a comunidade local.

  • Igreja Católica — Apresenta um cenário ambivalente. O Vaticano emitiu documentos permitindo o batismo de pessoas trans sob certas condições, mas a encíclica Dignitas Infinita condena formalmente a transição de gênero. 

Conclusão


Diante desse cenário de rejeição e sofrimento espiritual, observam-se movimentos de resistência e reconfiguração religiosa.

O surgimento e a expansão das chamadas igrejas inclusivas representam uma resposta direta a essa exclusão, oferecendo um espaço onde a fé cristã e a identidade transgênero não são vistas como excludentes.

Por outro lado, nas igrejas tradicionais, o avanço do debate ainda é lento e tímido, restrito a pequenos grupos progressistas que tentam conciliar o acolhimento pastoral com a preservação de suas identidades denominacionais.

Conclui-se, portanto, que o acolhimento de pessoas trans que se convertem ao evangelho permanece como um nó górdio para as igrejas evangélicas.

O desafio central não reside apenas na revisão de dogmas seculares, mas na capacidade dessas instituições de exercerem uma pastoral baseada na empatia e na dignidade humana.

Enquanto a rigidez interpretativa se sobrepuser à necessidade de acolhimento, as igrejas continuarão a falhar em sua missão de serem portos seguros, perpetuando a marginalização espiritual de uma população já severamente vulnerabilizada na sociedade.
  • Por Leonardo Sérgio da Silva
  • [Fonte: O Globo]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

sábado, 27 de junho de 2026

PRONTO, FALEI! — A VIDA REAL X A VIDA POSTÁVEL

Imagem gerada por Inteligência Artificial
Quando vemos nas redes sociais fotos ou comentários dos nossos contatos, podemos pensar que a nossa vida é chata e não tem nada para oferecer, por isso fazemos o impossível para ser como o resto e publicamos milhares de fotos para contar nossas aventuras por aí.

Entretanto, são realmente tão maravilhosas as vidas dos outros como refletem as redes sociais? Vale a pena ter uma vida social "ocupada" ou tão "agitada", como sugerem as postagens nos reels e feeds?

Este capítulo da nossa série especial de artigos Pronto, Falei!, provoca a reflexão sobre esse tema que torna-se cada vez mais relevante.

O paraíso utópico da vida online


Créditos: Reprodução do Tik Tok
Embora tenha trazido muitos benefícios, permitindo-nos conectar facilmente com amigos e familiares em todo o mundo, permitindo-nos quebrar as fronteiras internacionais e as barreiras culturais, as redes sociais têm um preço, estabelecendo um impacto negativo em nossas vidas porque a combinação de isolamento e alcance global erodiu nossa cultura.

A "falsa vida nas redes sociais" é uma representação ilusória onde usuários exibem apenas seus melhores momentos, conquistas e sorrisos. Essa vitrine de positividade tóxica esconde a realidade cotidiana, gera comparações irreais e pode causar graves impactos na saúde mental, como ansiedade e baixa autoestima.

Do ponto de vista psicossocial, as redes sociais podem ser definidas como "espaços digitais", permitindo aos usuários gerenciar tanto sua rede de relacionamentos (organização, extensão, exploração e comparação) quanto sua identidade social (descrição e definição).

Além disso, as virtualizações deste mundo, permitem a criação de redes sociais híbridas, ao mesmo tempo constituídas por conexões virtuais e conexões reais que dão origem à "inter-realidade", um novo espaço social, mais maleável e dinâmico do que as redes sociais anteriores.

A mídia social também é uma maneira de expor ao público, ainda mais quando se é pessoa pública, pensamentos que se fazem necessário a sua propagação.  Pessoas públicas, que possuem fãs devem sim aceitar o fato de que fazem parte do que pode ser bom para propagar o bem na sociedade. A questão é saber usar a mídia social de maneira que não prejudique a si mesmo.

Assim, a conclusão a que chegamos é que, as pessoas que utilizam as redes sociais precisam se autoconhecer, é muito fácil criarem uma vida falsa para serem o que querem, deslocando assim o desejo do outro.

Conhecimento e/é poder


Todos nós reconhecemos essa verdade, mas poucos entendem o papel de empoderamento das mídias sociais.

Através das redes sociais, qualquer pessoa online é fortalecida por um fluxo irrestrito de informações para adicionar ao seu banco de conhecimento.

No mundo de hoje, é inegável que as mídias sociais desempenham um papel importante em impactar nossa cultura, nossa economia e nossa visão geral do mundo. 

Este mundo virtual, nos leva a um novo fórum onde as pessoas podem trocar ideias, conectar-se, relacionar-se e mobilizar-se por uma causa, procurar aconselhamento e oferecer orientação.

A Ilusão da Perfeição


Créditos: Reprodução da internet
O ambiente digital frequentemente funciona como um "comercial de margarina", onde corpos esculturais, produtividade inabalável, relações impecáveis e viagens paradisíacas são a norma.

No entanto, por trás de uma foto impecável, há inúmeras tentativas, filtros e, muitas vezes, um esforço exaustivo para parecer feliz.

Essa narrativa controlada serve para buscar relevância social, mas mascara os dias tristes e as dificuldades que todos enfrentam.

O Ciberespaço dá vazão para que o conceito da "fantasia" ocorra, quando nos deparamos com um tsunami de imagens que trazem a nossa mente situações que nos afogam de prazer ou expectativas fracassadas.

Dentro do conceito psicanalítico Freudiano, a busca pelo prazer é constante uma vez que meu inconsciente se exala à essa necessidade, porém, essa contemporaneidade pode trazer para o sujeito alguns sentimentos de angústia e desenvolver doenças que expressam as toxicomanias e os distúrbios de imagem, gerando assim a exigência de uma aprovação utópica transmitida pelo irreal, ilusório com desdobramento da pós-modernidade.

Impactos Psicológicos


O principal problema dessa dinâmica é que o cérebro humano passa a comparar sua vida real (com seus altos e baixos) com os recortes editados da vida alheia. Isso pode gerar diversos transtornos, incluindo: 
  • Frustração e Inadequação — A sensação de que "a grama do vizinho é sempre mais verde".

  • Síndrome FOMO (Fear of Missing Out, da sigla em inglês) — O medo de estar perdendo algo incrível que os outros estão vivenciando.

  • Ansiedade e Depressão — A exposição constante a ideais inatingíveis. 

Como Proteger sua Saúde Mental


Reconhecer a artificialidade da vida online é o primeiro passo para uma relação mais saudável com a tecnologia.

Algumas práticas recomendadas por especialistas incluem: 
  • Curar o seu feed — Deixar de seguir perfis que geram sentimentos de inadequação ou inferioridade.

  • Limitar o tempo de tela — Estabelecer horários longe das redes sociais para focar no presente.

  • Lembrar da realidade — Ter em mente que a internet mostra apenas os "bastidores" editados, e não a totalidade da vida de ninguém.
Apesar do benefício positivo do rápido compartilhamento de informações, as redes sociais permitem que as pessoas criem identidades falsas e conexões superficiais, que causem depressão e sejam uma ferramenta primária de recrutamento de criminosos e terroristas.

Essa tendência deve mudar e espero que este nosso texto, somado a tantos outros que trazem este tema à pauta dos debates, mesmo que tenha apenas um efeito analgésico, ajude a galvanizá-la, informando melhor os usuários em ambos os lados do argumento.

Embora a mudança seja boa, necessária e inevitável, ela sempre tem um preço. Descontar os impactos positivos não faz mal a longo prazo, quase tanto quanto os negativos. A mídia e seus impactos são constantemente avaliados com o que está acontecendo no mundo.

Finalmente, como as redes sociais são um fenômeno relativamente novo e os estudos de impacto realizados também são razoavelmente novos, é provável que as vantagens das mídias sociais são enfatizadas com bastante frequência, em oposição a seus aspectos negativos, que são muito raramente discutidos.

"Se você não estiver pagando pelo produto  você é o produto"


Créditos: Reprodução do YouTube
A fortuna de Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta, segundo o Índice de Bilionários da agência de notícias financeiras Bloomberg, é estimada em cerca de US$ 186,6 bilhões (aproximadamente R$ 1,03 trilhão), o que o coloca entre as pessoas mais ricas do mundo.

O seu patrimônio é flutuante e atrelado à cotação das ações da Meta, dona de redes sociais como Facebook, Instagram e WhatsApp. Só durante a pandemia do novo coronavírus, o fundador do Facebook teria ganhado mais de US$ 30 bilhões.

Como Zuckerberg seria capaz de oferecer serviços gratuitos e ficar cada dia mais rico?

Segundo os entrevistados do espetacular "documendrama" (produção que mescla documentário com drama) "O Dilema das Redes" (Netflix, 2020) — escrevemos artigo especificamente sobre ele, quem quiser conferir, só clicar no link), o americano e seus colegas CEOs fariam dinheiro a partir do tempo.

Eles explicam que, quanto mais horas um usuário passa conectado às suas redes sociais, mais informações detalhadas sobre hábitos, gostos e características de consumo ele acaba expondo.

Esses dados são recolhidos e organizados por algoritmos que mapeam curtidas e comentários, analisam tempos de leitura e exposição a imagens e alimentam enormes servidores (alguns deles hospedados em submarinos).

As informações sobre os usuários são então oferecidas a clientes — de marcas de cosméticos e universidades a políticos e governos — que pagam milhões de dólares para mostrarem produtos ou ideias a públicos pré-dispostos a se engajar.

A engrenagem só funciona, no entanto, se os usuários se mantiverem conectados a seus perfis e, assim, puderem ser expostos ao máximo de anúncios.

Muitas vezes, segundo o filme, isso aconteceria a qualquer preço.

O alvo seria o tempo das pessoas — uma moeda valiosa para empresas, políticos, organizações ou países que queiram vender produtos ou ideias para audiências vulneráveis e hiper-segmentadas.

Ferramentas desenhadas para viciar e manipular


O principal personagem do filme é Tristan Harris, um ex-engenheiro do Google que tentou alertar os companheiros sobre o risco de viciar usuários — e diz ter sido ignorado.

Em "O Dilema das Redes", ele descreve ferramentas que seriam criadas para manter usuários "vidrados" e "distraídos" enquanto anunciantes ganham dinheiro.

Um dos mais claros seria a rolagem automática — estratégia desenvolvida para que a experiência na rede não tenha fim e o usuário siga conectado.

As notificações, por sua vez, são descritas como uma das ferramentas mais eficazes para trazer quem está fora e manter quem já está conectado.

Já a dinâmica de curtidas e comentários com elogios ou criticas seria estimulada para manipular e tornar usuários dependentes, segundo os entrevistados.

Nas palavras de Harris, as redes treinariam
"uma geração inteira de indivíduos que, sempre que se sentem desconfortáveis, sozinhos ou amedrontados, recorrem a 'chupetas digitais' para se acalmar" (grifo nosso).
Essas "chupetas" seriam as validações recebidas por elogios e que trazem sensação de felicidade ou conquista aos usuários.
"Isso vai atrofiando nossa habilidade de lidar com as coisas",
alerta o especialista.

Conclusão


Crédito: Reprodução da internet
A vida de verdade é marcada por imperfeições, tédio e problemas cotidianos, diferindo da "vida perfeita" das redes sociais.

Na internet, as pessoas editam suas realidades, publicando apenas momentos felizes ou conquistas para impressionar os outros. Essa comparação constante pode causar insatisfação e desgaste emocional.

Compreender essa distinção ajuda a evitar o adoecimento mental e a positividade tóxica:
  • A Vida de Verdade — É composta por altos e baixos, preocupações financeiras, dias estressantes e fracassos. Momentos reais de felicidade coexistem com ansiedade, dor e tédio, que são emoções fundamentais para o desenvolvimento da resiliência e da criatividade.

  • A Vida nas Redes Sociais — Funciona como uma vitrine ou um currículo visual. As pessoas costumam exibir uma vida que gostariam de ter, impulsionadas pela busca de aceitação e gratificação instantânea. Ninguém costuma postar seus fracassos diários.
A exposição a essa vida editada pode gerar sentimentos de inadequação e comparação autodepreciativa.

Discussões sobre o assunto indicam que é perfeitamente possível viver de forma saudável sem focar excessivamente nas redes.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.

E nem 1% religioso.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

🗣️PAPO DE PSICANALISTA🧠 — A CULTURA DO EXCESSO

Créditos: Reprodução da internet
A cultura do excesso é um fenômeno social, comportamental e corporativo contemporâneo caracterizado pela busca incessante por acumular, produzir e consumir além do necessário, normalizando a sobrecarga como sinônimo de sucesso.

Fortemente impulsionada pelo capitalismo digital e pela hiperconectividade, essa mentalidade dita que "mais é sempre melhor", seja em horas trabalhadas, bens adquiridos ou informações absorvidas.

É este o tema deste capítulo da nossa série especial de artigos Papo de Psicanalista.

O 'ter' em detrimento do 'ser'


A sociedade contemporânea caracteriza-se por um consumo exacerbado e um entretenimento desenfreado, elementos centrais no capitalismo atual.

A expansão da indústria do entretenimento promove a criação e circulação de conteúdos que incentivam o consumo desenfreado, afetando comportamentos, valores e identidades individuais e coletivas.

O entretenimento, que deveria funcionar como forma de lazer e cultura, se transforma em uma mercadoria voltada à venda constante de produtos e experiências.

Dessa forma, as grandes corporações do setor mantêm uma relação simbiótica com o consumo, alimentando um ciclo de desejos e necessidades fabricados.

As plataformas digitais, redes sociais e serviços de streaming reforçam essa dinâmica, oferecendo ao público acesso contínuo a um vasto conteúdo, condicionando-o a um consumo quase que ininterrupto.

Esse fenômeno causa impactos sociais significativos, como a alienação, a perda da autonomia crítica e o enfraquecimento de laços comunitários e culturais.

A busca constante por novidades gera uma insatisfação crônica, alimentada pela rapidez com que produtos e tendências são substituídos.

Em um contexto onde o excesso é incentivado e a superficialidade é normatizada, o papel do entretenimento na sociedade capitalista suscita reflexões sobre o rumo da cultura, do consumo e do comportamento social em meio a essa lógica que prioriza o lucro em detrimento de valores mais duradouros.

Sim, o tempo está passando...


43 anos. Esse é o tempo que nós, brasileiros, passamos ocupados com atividades essenciais e responsabilidades compulsórias.

Nós dedicamos 74% da nossa vida adulta ao cumprimento de demandas, sendo:
  • cerca de 30% destinado ao sono,

  • 23% ao trabalho remunerado,

  • 15% aos cuidados com a casa e a família e

  • 7% aos deslocamentos, como no trânsito ou em transportes públicos.
Os dados são de um levantamento realizado pelo Instituto Ipsos, a pedido do Nubank, e mostra que o trabalho ocupa uma parte enorme na equação da vida adulta.

O problema é quando esse espaço, em vez de nos impulsionar, é dominado por uma lógica de excesso que ainda é confundida com alta performance.

Nos últimos anos, temos visto crescer, principalmente —porém, não especificamente — dentro dos ambientes corporativos, um discurso sobre "alta performance" que, à primeira vista, parece motivador, mas se olharmos com atenção, é possível perceber que em muitos lugares esse termo se tornou sinônimo de algo perigoso: a normalização do excesso.

Jornadas intermináveis, metas inalcançáveis, a ideia de que só é reconhecido quem se sacrifica além do limite. Essa lógica, que ainda é romantizada como virtude, está silenciosamente adoecendo pessoas e fragilizando organizações.

Como identificar se estamos na cultura do excesso?


Para identificar a chamada cultura do excesso, devemos observar se a ocupação permanente é confundida com relevância e se o esforço extremo deixou de ser pontual para se tornar a regra.

Essa dinâmica substitui a qualidade pela quantidade, transformando o senso de urgência em algo permanente. 

A cultura do excesso, portanto, é fácil de identificar, mas nem tão simples de abandonar quando se torna algo "normal", fazendo o esforço extremo passar de algo pontual para ser regra e tornando permanente o senso de urgência.

Essa lógica faz com que os trabalhadores adiem sempre a vida pessoal e, ainda assim, no trabalho, a sensação é a de nunca ser suficiente.

Perceba, aqui não estamos falando sobre uma cultura de comprometimento, mas de exaustão mascarada de produtividade.

Os impactos invisíveis do excesso


Penso que durante algum tempo, esse modelo pode até gerar entregas rápidas, mas sempre com um custo alto demais.

A médio e longo prazo, o preço é o adoecimento físico e emocional das pessoas, o aumento do burnout, a desmotivação e a perda de talentos valiosos.

E, quando isso acontece, a empresa também perde: cai a produtividade, aumenta a rotatividade e o clima organizacional se desgasta.

Recentemente, acompanhamos no Brasil um episódio emblemático: uma grande companhia promoveu demissões em massa, justificando "baixa produtividade" com base em dados como número de cliques no computador, tempo de tela ativa e janelas abertas.

De acordo com o que vem sendo noticiado, não foram consideradas metas batidas, os tais dos feedbacks de gestores ou qualidade de entregas, mas sim uma régua algorítmica que decidiu quem fica e quem sai.

Esse tipo de prática escancara o risco de confundir controle com performance e tecnologia com gestão humana.

Quando reduzimos pessoas a métricas de atividade, deixamos de enxergar o que considero essencial: o valor humano que sustenta qualquer organização.

O excesso não fortalece, enfraquece, pois mina a energia, a criatividade e o engajamento, justamente os elementos que deveriam sustentar uma verdadeira alta performance.

Pois bem, vamos ao divã!


Isto posto, vamos ver essa questão da cultura do excesso sob o prisma psicanalítico.

Na perspectiva lacaniana, o ser humano é constituído por uma falta estrutural. 

Nascemos na linguagem, e esse corte nos afasta de uma mítica plenitude total. É essa falta que nos move, que faz circular o desejo.

O problema surge quando o vazio assusta. Diante do abismo da falta, o sujeito tenta tamponá-la com o excesso: comida, trabalho, consumo, telas, substâncias...

Uma tentativa voraz de responder à angústia. O excesso é, na verdade, uma denúncia.

Onde há um comportamento hiperbólico, há um eco de um vazio que se recusa a ser nomeado.

O adulto que consome em excesso muitas vezes carrega o desamparo de um sujeito infantilizado, buscando no Outro um objeto que dê conta de uma satisfação plena que, estruturalmente, não existe.

Sustentar a falta (em vez de tentar anestesiá-la com o excesso) é o passo fundamental para que o desejo possa, finalmente, fluir.

Gritamos no excesso aquilo que nos falta na palavra. O excesso é sintoma. É a tentativa de tamponar o vazio constitutivo com objetos do mundo capitalista ou com comportamentos compulsivos.

Para [Jacques] Lacan (✰1901/✞1981) — psicanalista e psiquiatra francês, considerado um dos maiores pensadores da psicanálise após [Sigmund] Freud (✰1856/✞1939) —, portanto o desejo é sempre desejo de outra coisa.

Quando tentamos fixá-lo em um objeto único (na bebida, no acúmulo, no controle), caímos na armadilha do excesso.

O excesso tenta esconder que, no fundo, não sabemos o que fazer com o nosso próprio vazio.

O processo de uma análise não é sobre "reprimir" o excesso, mas sim sobre investigar a falta que ele tenta, desesperadamente, traduzir.

O excesso é a fantasia que o sujeito cria para não ter que se deparar com a própria nudez da falta.

Conclusão


Maria Homem: Vivemos na Era dos Excessos
Corremos, consumimos, acumulamos e nos intoxicamos na tentativa ilusória de nos sentirmos completos.

Mas a verdade clínica é implacável: o objeto que preencheria perfeitamente a nossa falta não existe. Ele é, por definição, perdido.

Por trás de toda postura de autossuficiência ou de busca frenética por satisfação, reside o desamparo original de quem ainda espera ser totalmente preenchido pelo Outro.

Dar lugar à falta, aceitar o vazio como o motor do nosso desejo (e não como um erro a ser corrigido), é o que nos liberta do peso dos excessos.

Que possamos falar da falta, para não precisar atuar no excesso.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

ESPECIAL — OS CASOS DE ESTUPROS REGISTRADOS NA BÍBLIA

Créditos: Reprodução da internet

🚨Este artigo expõem questões de estupro e injustiça contra as mulheres em registros no Antigo Testamento. 
Não se destina a aconselhar vítimas de agressão sexual, pois todas as abordagens a elas devem ser, impreterivelmente, realizadas por profissionais competentes. 
Enfatizamos que, qualquer tipo de assédio ou estupro deve ser denunciado nos canais que seguem disponíveis em imagens ao longo do texto. 
Nosso artigo deve ser lido e compartilhado com a sensibilidade e o respeito que o tema exige.
Neste artigo iremos provocar a reflexão sobre um assunto bastante perturbador, mas que, devido sua importância e impacto social, deve continuar sendo pautado, até que, enfim, se consiga resolvê-lo. O que não se pode, em nenhuma hipótese, é normatizá-lo: o estupro praticado contra as mulheres.
Esse grave mal social pode ser explicado, como uma atividade sexual ilícita realizada à força ou sob coação e ameaça de lesão, contra a vontade da pessoa, que é incapaz de se defender do agressor.

A violência sexual, com sua consequente morbidade não só física, mas também emocional e psicológica, é mais comum entre mulheres do que entre homens.

Uma questão de saúde pública


Créditos: Reprodução VLV Advogados, reprodução da internet
Diariamente, os casos de estupros e, muitos com proporcionalidades consideráveis, como os coletivos, trazem toda uma abundância de discussões e embates sobre a dignidade, o respeito, a liberdade e a urgência de medidas legais efetivas para punir os autores de atos bárbaros e vergonhosos.

Nessa costura de ideias e interpretações, as vítimas se veem envolvidas em um cenário bizarro de narrativas absurdamente medonhas, que muitas vezes tentam transferir a culpa dos seus algozes para elas, como se elas fossem um objeto a ser usado, descartado, sem qualquer serventia e utilidade, senão para saciar a tara monstruosa dos estupradores.

Agora, tudo isso me leva também, aos estupros em surdina nas periferias, nos condomínios de alto padrão, nas baladas regidas com substancias alucinógenas e alcoólicas, aos quais tem como autores algozes (pais, irmãos, tios, vizinhos, namorados, padrastos, esposos...).

A cultura do estupro se manifesta na naturalização, na tolerância e na culpabilização da vítima em crimes de violência sexual. 

No Brasil, esse fenômeno estrutural exige uma resposta jurídica célere, severa e, acima de tudo, preventiva. 

Embora o país tenha avançado com legislações como a Lei Maria da Penha e a tipificação da importunação sexual, os índices de violência continuam alarmantes. 

Criar e aperfeiçoar mecanismos legais específicos para desmantelar essa cultura não é apenas uma demanda jurídica, mas uma urgência humanitária e de saúde pública.

Mais do que dados estatísticos, estamos falando de vidas!


Créditos: Reprodução do Instagram
O crescimento dos índices de violência contra a mulher no Brasil — evidenciado pelo recorde de feminicídios no início de 2026 — gera um efeito cascata que desestrutura toda a sociedade. 
Esse fenômeno não se limita à dor das vítimas diretas; ele compromete a economia, a saúde pública, a segurança e o desenvolvimento das futuras gerações.
Embora sejam crimes com tipificações distintas e específicas no nosso ordenamento jurídico, o feminicídio (Lei Nº 13.104, de 9 de Março de 2015) e o estupro (artigo 213 [na redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009]) em muitos casos estão associados.

Isto porque, o desprezo pelas mulheres é o núcleo psicológico e sociológico que move a maioria dos estupradores, operando não como um impulso sexual incontrolável, mas como um ato de dominação, hostilidade e desumanização.

E o impacto do aumento no número de estupros no Brasil gera uma profunda crise humanitária, sanitária e psicológica que restringe a liberdade das mulheres e sobrecarrega o Estado. 

Com marcas históricas que ultrapassaram quase 100 mil registros anuais de estupro e estupro de vulnerável no país, esse crime representa a expressão mais brutal de dominação e violência de gênero.

E as consequências do estupro para uma mulher são devastadoras, multidimensionais e, frequentemente, duradouras.
A violência sexual não é apenas uma agressão física; é uma violação profunda da identidade, da autonomia e da integridade psíquica da vítima, cujos desdobramentos afetam todas as esferas de sua vida.

Consequências Clínicas e Físicas


Créditos: Reprodução do Instagram
Além da violência imediata, o corpo da mulher enfrenta riscos biológicos graves a curto e longo prazo:
  • Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) — Há o risco real de contágio por patógenos como HIV, sífilis, hepatites B e C e HPV, o que exige a busca imediata por atendimento médico para a administração de coquetéis profiláticos em até 72 horas.

  • Gravidez Decorrente de Estupro — A gestação forçada representa uma reiteração da violência sofrida. No Brasil, o aborto nesses casos é garantido por lei, mas o processo legal e médico impõe um desgaste emocional severo à mulher.

  • Dores Crônicas e Somatização — O estresse psicológico acumulado frequentemente se manifesta fisicamente por meio de dores pélvicas crônicas, fibromialgia, distúrbios gastrointestinais e insônia.

Impacto Social e Ruptura de Vínculos


Créditos: Reprodução do Instagram
As ramificações do estupro alteram drasticamente o papel da mulher na sociedade e sua estabilidade cotidiana:
  • Revitimização Institucional — Ao tentar buscar justiça, a mulher muitas vezes enfrenta o ceticismo e o julgamento de agentes públicos em delegacias ou tribunais, o que agrava o trauma original.

  • Abandono do Mercado e dos Estudos — Crises de pânico e depressão levam ao absenteísmo frequente, queda na produtividade e, em muitos casos, à perda do emprego ou ao trancamento de cursos universitários e escolares.

  • Destruição de Relações Íntimas — A quebra da confiança básica no ser humano dificulta o estabelecimento de novos vínculos afetivos e pode desgastar casamentos e namoros já existentes devido à incompreensão do parceiro sobre o tempo de recuperação da vítima.
Entendido a seriedade do assunto, vamos partir agora, para a análise de alguns registros bíblicos sobre essa prática abjeta do crime hediondo que é o estupro

Sim, está escrito!


Crédito: CNJ, reprodução da internet
Os registros de estupro e violência sexual na Bíblia são eventos graves, frequentemente descritos como sinais da depravação moral da época.

Os três principais relatos detalhados nas escrituras são:
  • O estupro de Diná (Gênesis 34) — Filha de Jacó, Diná é violentada por Siquém, um príncipe local. O crime gera uma tragédia, resultando na vingança sangrenta dos irmãos da vítima (Simeão e Levi), que matam os homens da cidade.
     
  • O estupro de Tamar (2 Samuel 13) — Tamar, meia-irmã do príncipe Amnon, é violentada por ele sob um falso pretexto de doença. O rei Davi falhou em punir o agressor, o que levou Absalão (irmão de Tamar) a assassinar Amnon e iniciar uma rebelião.
     
  • O estupro coletivo da concubina do levita (Juízes 19) — O relato mais brutal da Bíblia ocorre em Gibeá, onde homens da cidade cercam uma casa e exigem ter relações sexuais com um visitante levita (sim, eles queriam, na verdade, era sodomizar um rapaz). O dono da casa e o próprio levita entregam a concubina aos agressores, que a violentam coletivamente durante toda a noite até sua morte.

A Bíblia não esconde e muito incentiva os erros: ela os expõe!


Créditos: VLV Advogados, reprodução da internet
Sem nenhuma divagação literária, Bíblia é bem didática quando se trata de estupro. Os textos apresentados acima, esposam três mulheres submetidas a um processo de violência, de invasão, de desumanização, sem precedentes, sem nenhuma margem para clemência; afinal de contas, tão somente, valia, ali, atender os instintos, dar ênfase a libido, consumar o desejo de obter o prazer e nada mais.

Essas três mulheres tiveram a marca de humilhação, da humanidade de cada uma lançada no esgoto, como se fosse um produto desnecessário, após sua utilização.

É bem verdade, muitos ressoam a cultura da bundanização (se é que há essa palavra), da bestificação, da estupidificação, de as mulheres aceitarem as regras de um jogo, pelo qual são vistas como meios para as ânsias de uma geração submersa ao hedonismo barateado.

Mesmo assim, semelhantemente a Tamar, Diná e concubina, e tantas outras (mulheres estupradas em seus lares, quando retornam do serviço, nas faculdades) se torna permissível aceitar as mazelas de uma sociedade eticamente desordenada e conflitante para não enfrentar a questão frontalmente.

Em outras palavras, devemos aceitar uma realidade voltada a sermos meios e não fins em si mesmo, sem qualquer via ou viés do individualismo egonarcísico.

Grosso modo, fim em si mesmo, para uma leitura da vida, com utopias possíveis, ou seja, as utopias de que, por mais excitante seja observar uma mulher, até nua, na rua, isto não concede e muito menos confere o direito de a reduzir a um meio, a uma caminho para minhas temerárias paixões?
Tristemente, isso não aconteceu com Tamar, com Diná e nem com a concubina sem nome e o interessante passa e perpassa pelo modo como a Bíblia traz a tona o quão agente potenciais de posturas irrisórias podemos ser, não esconde nada, mostra os bastidores e toca o dedo na ferida do coração enganoso, enredado pelos equívocos dos homens.
Dou mais uma pincelada, qual tem sido nossa postura e proceder, com relação a maneira como orientamos nossas futuras gerações no que toca a forma de encarar o sexo que nos complementa?

Abro uma porta para observarmos o quanto ainda interpretamos textos bíblicos, segundo a ótica da mulher como submissa, ao invés de influenciarmos e impactarmos os futuros homens com a capacidade para a complementariedade, para o diálogo, para o respeito ao não.

Digo isso, porque, e aqui falo do contexto cristão, há uma inclinação para uma exigência de a mulher "estar a disposição", quer ela queira ou não.
E essa cultura machista, continua sendo disseminada como se doutrina fosse nos círculos cristão, principalmente — porém, não especificamente —, nos da vertente pentecostal. 
Ora, caso não queira, ao ser submetida essa imposição, não estamos diante de um estupro, velado, com outra roupagem, sob o manto carcomido de uma pseudo espiritualidade, mas não muda a direção?

Conclusão


Créditos: Catraca Livre, reprodução da internet
Retomando ao fio da meada, a maior intervenção a ser feita, além daquelas de ordem judicial, trilha pela mudança de visão, por uma metanóia profunda no espaço das relações humanas, ao qual carecem, sim e sim, de um resgate da alteração de papeis, dia a dia.

A violência sexual contra mulheres é um mal social global amplamente reconhecido que está devastando a sociedade em ritmo acelerado. O estupro é um dos crimes mais endêmicos cometidos por homens e, infelizmente, tem se tornado prevalente no Brasil.

O fenômeno do estupro, que ocorre diariamente, é um mal social global que causa dor às vítimas. A verdade é que ele tem um efeito psicológico e social duradouro sobre os sobreviventes.

Na verdade, a cultura do estupro é um problema universal e é considerado o tipo de trauma mais devastador, com consequências negativas para as vítimas e suas famílias. A incidência de estupro impõe um grande fardo psicológico à vítima.

A urgência de novas ferramentas legais reside no fato de que o Direito molda o comportamento social.

Quando as leis falham ou deixam lacunas que permitem a impunidade, o Estado envia uma mensagem indireta de permissividade.

Mecanismos legais robustos funcionam em duas frentes: oferecem punição exemplar que desestimula novos criminosos e constroem um ambiente de segurança jurídica que encoraja as vítimas a denunciarem, quebrando o ciclo de silêncio gerado pelo medo do julgamento social.

Créditos: VLV Advogados, reprodução da internet
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.
                                                                                  

sábado, 20 de junho de 2026

📚ESTANTE DO LÉO📚 — "A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS", MICHEL DESMURGET

Reprodução Paulus Editora
Neste capítulo da nossa série especial de artigos especiais Estante do Léo, trazemos como sugestão/indicação, o excepcional e necessário livro "A Fábrica de Cretinos Digitais (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)", que convida o leitor a uma ampla reflexão sobre os impactos do uso das telas digitais no desenvolvimento infantil.

Lemos esta obra como recomendação para uso do seu conteúdo como ferramenta para os atendimentos terapêuticos e a leitura tornou-se uma edificante e gratificante imersão em dos planetas no vasto universo das Neurociências.

Sobre o autor


Reprodução da internet
Michel Desmurget (✰1965), é um dos mais prestigiados neurocientistas do mundo.
Doutorado em Neurociências, é diretor de investigação do INSERM (Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale), o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica.

Com livros traduzidos em vinte países, Desmugert, nascido de pai francês e mãe alemã, ele construiu uma carreira internacional sólida e consolidou-se como um dos pesquisadores mais prestigiados de sua área.

Carreira


Viveu por quase oito anos nos Estados Unidos, onde conduziu pesquisas em instituições de elite como o MIT, a Universidade Emory e a Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF).

Além de diretor de pesquisa no INSERM, ele trabalha no Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod (vinculado ao CNRS e à Universidade de Lyon).

Michel Desmurget (nascido em 1965), tornou-se amplamente conhecido por suas pesquisas sobre a neurociência cognitiva e por suas críticas contundentes aos impactos negativos do uso excessivo de telas e mídias digitais no desenvolvimento infantil e na saúde mental, que lhe serviram como bases para sua obra literária, que se tornou ferramenta recomendada para uso acadêmico.

Por menos telas, por favor!


Reprodução Vecteezy
"A Fábrica de Cretinos Digitais", revela, de forma bem contundente e com argumentos incontestáveis, que a exposição excessiva a telas (smartphones, tablets, TV...) prejudica o desenvolvimento neurológico infantil.


Desmurget escreveu a obra num momento em que as atuais gerações dedicam um grande tempo de suas vidas para interações online.
Como renomado especialista na neurociência — ou seja, quem está falando não é o nenhum "Zé Mané" na fila da padaria —, o autor alerta que, pela primeira vez na história, os "nativos digitais" estão apresentando um Quociente de Inteligência (QI) médio inferior ao de seus pais.

Portanto, é um livro que instiga a pensarmos sobre a saúde física, mental e intelectual de crianças, jovens e adultos e nos provoca a aprendermos a conviver e nos relacionarmos de uma maneira saudável com as telas.

O livro também derruba o mito de que as tecnologias digitais tornam as crianças mais inteligentes ou são ferramentas inofensivas.

Dependência algorítmica

O livro ainda traz à tona a urgente reflexão sobre o uso de telas na infância.

É fato evidente que o uso de telas faz parte da infância contemporânea.

Todos (ou quase todos) os dispositivos digitais conectados na internet — ou seja: equipamentos capazes de coletar, processar e trocar dados online — estão presentes em praticamente todos os lares e, muitas vezes, tornam-se recursos para entretenimento, aprendizado e até regulação emocional das crianças.
No entanto, quando o uso deixa de ser equilibrado, surgem preocupações reais sobre dependência digital e impactos no neurodesenvolvimento infantil.
O termo tempo de tela refere-se ao período que a criança passa interagindo com dispositivos digitais, como smartphones, tablets, televisões, computadores e jogos digitais.

E esse tempo pode incluir atividades passivas, como assistir vídeos, ou ativas, como jogos e aplicativos interativos.
Os algoritmos que definem o que aparece nas telas de TikTok, Kawi, YouTube e Instagram, por exemplo, têm influenciado diretamente o comportamento de crianças e adolescentes.
Ou seja, algoritmos são conjuntos de regras usados para processar dados e tomar decisões.

No universo digital, isso significa decidir quais vídeos, produtos ou anúncios cada pessoa verá primeiro.

Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, usam essa ferramenta para reter atenção do usuário, sugerindo conteúdo baseado em preferências e histórico de navegação.

Esses sistemas, que personalizam vídeos, anúncios e sugestões de conteúdo com base no histórico de uso, podem tanto estimular o aprendizado quanto reforçar vícios digitais, padrões de consumo e até visões radicais.

O problema surge quando o uso:
  • É excessivo em relação à idade;

  • Substitui experiências essenciais, como brincar, interagir, explorar o ambiente, estudar e dormir;

  • Gera irritabilidade, ansiedade ou crises quando interrompido;

  • Compromete o desempenho escolar, o sono ou as relações sociais.
Nesses casos, fala-se em uso problemático ou dependência digital, um padrão comportamental que merece atenção e intervenção precoce.

O algoritmo não é o lobo-mau


A exposição a anúncios e sugestões de compras também merece atenção. Muitos influenciadores são usados por marcas como atrações para fomentar o consumismo no público infanto-juvenil.
Crianças podem ser levadas a consumir de forma impulsiva ou acreditar que precisam adquirir certos produtos para se sentirem incluídas. 

De acordo com o livro, é de fundamental importância que os pais usem esses momentos como oportunidades para desenvolver a educação financeira e o senso crítico nos filhos.

Por outro lado, os algoritmos também podem ser aliados no processo de descoberta de novos interesses, desde que usados com orientação.

Pais, responsáveis, com o auxílio pedagógico dos educadores, devem incentivar buscas ativas por conteúdos enriquecedores (Sim, eles existem, basta ter foco e paciência para garimpá-los!) e ensinar os pequenos a avaliar a confiabilidade das informações que consomem.

Como as telas atuam no cérebro em desenvolvimento?

Reprodução Instagram
Este é outro tópico muito bem desenvolvido no livro. O cérebro infantil passa por um período intenso de neuroplasticidade, especialmente nos primeiros anos de vida.

Isso significa que as experiências vividas moldam diretamente as conexões neurais responsáveis por atenção, linguagem, autorregulação emocional e funções executivas.

Jogos digitais e redes sociais são projetados para ativar o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina.

Esse mecanismo, quando ocorre de forma repetitiva e intensa, pode:
Imagem criada por IA
  • Favorecer a busca por gratificação imediata;

  • Dificultar o desenvolvimento da tolerância à frustração;

  • Prejudicar a capacidade de atenção sustentada;

  • Reduzir o interesse por atividades menos estimulantes, porém essenciais, como leitura, brincadeiras simbólicas e interações sociais.
O Contraste no Vale do Silício

Reprodução da Internet
Um dos argumentos mais fortes citados no livro é o paradoxo do Vale do Silício
(Silicon Valley, o original fica na região sul da Baía de São Francisco, no estado da Califórnia, Estados Unidos. Ele não é apenas uma cidade, mas um aglomerado de várias cidades voltadas para a tecnologia, como Palo Alto, Mountain View, Cupertino e San José: os grandes executivos, desenvolvedores de tecnologia e fundadores de redes sociais adotam restrições rigorosas em suas próprias casas).
Muitas vezes, eles proíbem seus próprios filhos de usar dispositivos digitais ou matriculam-nos em escolas tradicionais que restringem ou banem o uso de telas.

Desmurget, não poupou esforços para trazer em sua obra números atuais e reveladores sobre como a dinâmica que criamos com as telas influenciam em nossa vida, mais diretamente sobre a forma que aprendemos e exercitamos nossa memória.

A imersão precoce promovida pelas empresas de tecnologia focadas em busca de dados desvia nossos processos internos, direcionando para interesses pessoais e corporativos, fazendo com isso afete desde nossa cognição, nossa gestão emocional, linguagem, coordenação motora, até o distanciamento que desenvolvemos do contato, da troca, das situações que envolvam afetos. A linguagem é acessível e fluída.

O que os adultos podem fazer?

As dicas contidas na obra

Reprodução ADS Brasil
A primeira recomendação é desmistificar os algoritmos: mostrar às crianças como funcionam esses sistemas, explicando que eles usam preferências anteriores para recomendar vídeos, produtos e perfis.
Essa compreensão fortalece o pensamento crítico e evita que aceitem passivamente tudo o que veem.

Outra estratégia importante é ensinar a influenciar os próprios algoritmos, usando ferramentas como "ver menos disso" ou seguindo perfis diversos.

Isso ajuda a construir um ambiente digital mais plural e saudável.

Estabelecer limites de tempo de uso, incentivar pausas e promover atividades fora da tela são atitudes importantes para reduzir o impacto nocivo do consumo contínuo.

Ferramentas como, por exemplo, o ESET HOME Security, podem auxiliar nesse processo, com recursos de controle parental e filtragem de conteúdo.

Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com as crianças sobre o que elas veem online, por que certos conteúdos não são recomendados e incentivá-las a refletir sobre as escolhas que são práticas e que fazem a diferença.

Ou seja, é despertar o senso crítico da criança e ensiná-la a importância e as consequências oriundas de suas escolhas.

Conclusão

Reprodução da Internet
Ao contrário do que se imagina, a obra não é anti-tech, ela só nos leva ao debate de que o digital tem, sim, possibilidades positivas e que pode nos ensinar muita coisa, mas que depende de nós estarmos dispostos a exercer uma posição ativa e não passiva em relação aos conteúdos e dinâmicas promovidas pelas redes.
Pois se o foco for apenas em consumo (seja no produto, seja no serviço, ou seja na obtenção de dados), estamos fadados a um mundo onde a saúde mental estará sempre sujeita ao Outro neste processo, o que, por si só, já é motivo de angústias diversas.
Para pais e educadores, pode servir como um guia estrutural de novas formas de acolhimento, nem que seja para causar insights que possam trazer mudanças no cotidiano e estabelecer posicionamentos críticos embasados quando ao uso das telas.

Porque quanto mais nos sentimos íntimos delas, mais nos distanciamos do nosso desejo, do social, do enfrentamento da realidade.
E, como diz o livro logo em sua abertura, se os grandes gurus da tecnologia estão proibindo que seus próprios filhos usem telas quando crianças, o que essa mensagem tão óbvia está querendo nos dizer?

Ficha Técnica: 

  • A Fábrica de Cretinos Digitais — O Perigo das Telas Para Nossas Crianças (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)

  • Autor: Michel Desmurget

  • Tradutor: Mauro Pinheiro

  • Ano de publicação: 2021, 1ª Edição

  • Gênero: Psicologia

  • Editora Vestígio, 590 Páginas
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.