Reprodução internet
Eu não me considero um cinéfilo declarado, porém, principalmente por ser um blogueiro e, portanto, formador de opinião, tento me manter atualizado sobre o que anda movimentando o mundo ao meu redor.
Quando fiquei sabendo da sequência do filme "O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada)", exatas duas décadas após o lançamento do primeiro, me despertou a atenção e já me colocou uma colônia de pulgas atrás das orelhas, pois, é rara a vez em que as sequências dão certo, principalmente de clássicos.
Eu ainda não fui ver a sequência, "O Diabo Veste Prada 2", antes, resolvi rever mais uma vez a versão original, de 2006
(Eu já assisti a este longa, pelo menos, umas 6 vezes, em circunstâncias distintas e para objetivos específicos.).
Fui visitar os arquivos de minhas postagens aqui no Conexão Geral e me certifiquei que ainda não havia escrito nada sobre esta obra-prima cult da sétima arte.
Não tive dúvida, portanto, de que chegou o momento certo de fazê-lo.
Eis, então, que nasceu a inspiração para mais um capítulo da nossa série especial de artigos, Contém Spoilers. Bora lá?
Eis, então, que nasceu a inspiração para mais um capítulo da nossa série especial de artigos, Contém Spoilers. Bora lá?
É marcante porque...
Créditos: Adoro Cinema
Assim como muitas coisas na vida, tem alguns filmes que marcam história e fazem com que a gente se apaixone e, volta e meia, vamos lá dar uma olhadinha novamente.
O que ocorre com filmes desse padrão é que nunca é mais do mesmo.
Assim como vamos ganhando novas experiências, a cada nova assistida há um filme novo passando com os mesmos personagens, mesmas cenas e mesmo título.
O que mudou com certeza foi o espectador!
Resumão
Créditos: Cinema de Buteco
Sabe aquele tipo de filme que até uma pessoa que nem gosta tanto de cinema já viu? "O Diabo Veste Prada" é um desses.
Pode não ser exatamente um clássico absoluto da crítica, mas sem dúvida marcou uma geração.
Em síntese, o longa dirigido por David Frankel, com roteiro baseado no livro homônimo escrito pela norte-americana, Laura Weisberg, fala sobre pressão profissional e abuso psicológico, mas de um jeito leve e divertido.
É um filme que pode não ser espetacular (e realmente não é), mas tem um grande potencial de te prender na tela.
O enredo em si é simples, e se posiciona dentro de um esquema comum: a aprendiz que precisa descobrir como vencer na vida seguindo o caminho tortuoso proposto pela mestre.
Créditos Rolling Stone
No caso, estamos falando de Andrea (Andy) Sachs (Anne Hathaway), uma jornalista em início de carreira que consegue por acaso, apenas respondendo a um anúncio no jornal, um emprego como assistente da principal editora da mais importante e influente revista de moda do mundo.
A garota, vai dedicar um ano de sua vida a atender às exigências estapafúrdias e tentar cumprir as tarefas impossíveis da poderosa Miranda Priestly (Meryl Streep).
Créditos Pure People
Envolvente, mágico e ao mesmo tempo impiedoso, ganha relevância por se tratar de um enredo muito próximo da realidade.
No ambiente extremamente superficial, ela PRECISOU chamar atenção pela aparência para ter sua competência reconhecida.
Quem foi que disse que a aparência não importa?
Crédito: Adoro Cinema
A primeira lição que aprendi com "O Diabo Veste Prada" e trouxe para minha vivência, é que (ao contrário do que muitos pensam) aparência importa sim. E muito!
O tempo todo nos comunicamos: o gestual, a postura, as expressões faciais e também a nossa vestimenta falam muito mais por nós do que nossas palavras.
A nossa aparência é o nosso cartão de visitas. Uma das ferramentas para comunicar a nossa marca pessoal é a nossa imagem.
Temos uma fração de segundos para criar uma boa primeira impressão, e a forma como nos vestimos, como cuidamos do visual e escolhemos os acessórios, diz muito mais do que imaginamos.
No filme, Andrea e seu total desconhecimento do mundo da moda somado ao seu jeito desleixado contrasta imediatamente com os valores do novo trabalho.
Precisando se encaixar naquele espaço a protagonista passa por diversos conflitos internos e externos.
Mãos à obra
Crédito IMDb
Ao assistir ao longa também podemos entender melhor sobre como construir uma carreira é igual subir uma escada.
Acontece de degrau em degrau. É em pequenos passos que a gente vai fazendo o nosso caminho e o nosso nome.
O filme termina com uma decisão madura de Andrea: ela simplesmente abandona o emprego abusivo após comparar a sua personalidade com a de Miranda.
De fato o filme apresenta um confronto de valores. Andrea não se identificou com a competitividade agressiva e a todo custo de Miranda — apesar desta ter se comparado com a assistente. Sendo assim, sua presença ali não faria mais sentido.
Há de fato uma certa glamourização do assédio moral, contando um final feliz que definitivamente não é o que ocorre na maioria esmagadora dos casos reais dentro das empresas.
Geralmente os "rompimentos" são mais traumáticos, após um dos lados (geralmente o lado mais fraco do trabalhador) desenvolver um estresse tal que o faça ter perdas pessoais e profissionais significativas.
Apesar dessa falha compreensível para um filme hollywoodiano, ele é extremamente proveitoso para levantar as questões ocultas nos corredores corporativos, nos ajudando a criar caminhos mais construtivos para um relacionamento psiquicamente saudável com esse forte símbolo que é o trabalho.
Aprendemos que...
Olhar psicanalítico
| Crédito: Adoro Cinema |
Do ponto de vista da psicanálise e da psicologia organizacional, aprendemos lições fundamentais sobre o comportamento humano.
Sob a lente da psicanálise, o filme "O Diabo Veste Prada" funciona como um vasto laboratório sobre o desejo, a constituição da identidade e as complexas relações de poder.
A obra ilustra como as instituições moldam subjetividades e como o sujeito pode se perder (ou se encontrar) ao confrontar o "Ideal do Eu".
A dinâmica entre as protagonistas pode ser lida através do conceito de transferência.
Andrea inicialmente despreza o mundo da moda, mas gradualmente sucumbe à necessidade de ser reconhecida por Miranda.
Andrea inicialmente despreza o mundo da moda, mas gradualmente sucumbe à necessidade de ser reconhecida por Miranda.
- O Desejo do Outro
Andy passa a desejar o que Miranda valoriza (status, perfeição, roupas de grife) para ocupar um lugar de importância no olhar da chefe.
- Miranda como Ideal do Eu
Miranda Priestly representa uma figura de autoridade inalcançável que dita o que é "certo" ou "errado".
Andy molda sua identidade para se aproximar desse ideal, sacrificando sua "mesmidade" e seus valores prévios.
Andy molda sua identidade para se aproximar desse ideal, sacrificando sua "mesmidade" e seus valores prévios.
Narcisismo e Poder
O filme é um estudo de caso sobre o narcisismo, tanto o patológico quanto o funcional para a sobrevivência em ambientes competitivos.
- Liderança narcisista
- Grandiosidade e Fragilidade
Escolha e Renúncia
- O Conflito Ético
Uma das maiores lições psicanalíticas do filme é que "para cada escolha há uma renúncia".
Andrea vive o conflito entre quem ela era (a jornalista séria e desleixada) e quem ela se tornou (a assistente impecável).
Esse "tiro no pé" acontece quando ela coloca a carreira acima de seus laços afetivos fundamentais.
Andrea vive o conflito entre quem ela era (a jornalista séria e desleixada) e quem ela se tornou (a assistente impecável).
Esse "tiro no pé" acontece quando ela coloca a carreira acima de seus laços afetivos fundamentais.
O aprendizado final ocorre quando Andy percebe que a vida de Miranda não é um destino inevitável, mas uma escolha.
Ao jogar o celular na fonte em Paris, ela rompe com o imperativo de gozo daquela estrutura e retoma sua autonomia subjetiva.
Ao jogar o celular na fonte em Paris, ela rompe com o imperativo de gozo daquela estrutura e retoma sua autonomia subjetiva.
Reprodução YouTube
O Ambiente "Paranogênico" e a Saúde Mental
O filme ilustra como o ambiente de trabalho pode se tornar paranogênico (gerador de paranoia).
A chegada de Miranda à redação desencadeia um comportamento de "luta ou fuga" imediato (troca de sapatos, retoque de maquiagem), demonstrando como o medo do julgamento do Outro pode anular a espontaneidade do sujeito.
O processo de Andrea é descrito por alguns analistas como uma "morte" no trabalho, onde ela deixa de existir como sujeito singular para se tornar uma extensão das vontades de Miranda.
Conclusão
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A análise psicológica do filme "O Diabo Veste Prada", nos traz, portanto, inúmeros insights sobre o impacto do ambiente de trabalho na saúde mental em nossa sociedade.
Por conseguinte, um dos motivos do filme ter feito tanto sucesso e ter se transformado em base para inúmeros ensaios acadêmicos (li alguns, para composição do texto deste artigo, deixo este como referência: Estudo de Caso do Filme O Diabo Veste Prada, Pós Fasipe, 2016) é devido ao fato de que nosso trabalho é um dos principais eixos ao redor do qual orientamos nossas vidas.
Nossas amizades, sonhos, autoestima, cultura e até nossa identidade são impactadas diretamente pelo que o trabalho simboliza para nós.
Tanta energia aplicada nessa relação gera uma enorme expectativa desde muito cedo nas histórias de vida das pessoas.
Bom, agora sim, posso ir assistir a sequência e, quem sabe, talvez, nasça inspiração para outro capítulo da nossa série especial, né?
Bom, agora sim, posso ir assistir a sequência e, quem sabe, talvez, nasça inspiração para outro capítulo da nossa série especial, né?
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fonte: LinkedIn - por Lays Albuquerque, Felipe Augusto Amaral, Carlos Miguel Moraes da Siva; Saúde Interior, por Alex Carnier]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.
