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Estamos em mais um ano de pleito eleitoral, quando, em outubro, mais de 150 milhões de brasileiras e brasileiros voltarão às urnas eletrônicas para escolher o presidente da República, governadores e senadores, bem como deputados federais, estaduais e distritais.
Nicolau Maquiavel (nascido Niccolò di Bernardo dei Machiavelli — ✮1469/✞1527), importante filósofo, teórico, pensador político, historiador, diplomata, músico e escritor do Renascimento, na obra "O Príncipe", escrita entre 1513 e 1516, se propõe a tratar do problema do poder.
Mais especificamente, de como alcançá-lo e de como mantê-lo, conforme resume seu subtítulo.
Pelos últimos capítulos de seu livro, apreende-se que o objetivo a curto prazo de Maquiavel, era contribuir para a unificação e libertação da Itália, já que os primeiros Estados modernos já começavam a aparecer pela Europa, enquanto que a Itália ainda se encontrava fragmentada e em conflitos.
Mais especificamente, de como alcançá-lo e de como mantê-lo, conforme resume seu subtítulo.
Pelos últimos capítulos de seu livro, apreende-se que o objetivo a curto prazo de Maquiavel, era contribuir para a unificação e libertação da Itália, já que os primeiros Estados modernos já começavam a aparecer pela Europa, enquanto que a Itália ainda se encontrava fragmentada e em conflitos.
A primeira vez que li este livro, foi quando estava na faculdade, para realização de um trabalho acadêmico.
Confesso que essa primeira leitura, foi bem superficial e "forçada", já que meu interesse era somente fazer o tal trabalho da faculdade.
Porém, inspirado pela turbulência que há tempos tem sido a principal característica no cenário político atual, resolvi relê-lo, agora, fazendo uma leitura expositiva e bem mais aprofundada.
Porém, inspirado pela turbulência que há tempos tem sido a principal característica no cenário político atual, resolvi relê-lo, agora, fazendo uma leitura expositiva e bem mais aprofundada.
Sobre o autor
| Reprodução O Cafezinho |
Em vez de formular teorias sobre como o estado ou o governante ideal deveria ser, dedicou-se a dissecar a realidade.
Ao fazê-lo, há quem diga que criou um manual com estratégias e métodos sobre como os governantes deveriam se comportar para manter e expandir o poder.
Mas há também quem considere que ele, na realidade, alertou o povo sobre os perigos da tirania.
Utilizando-se de sua experiência de homem de Estado, Maquiavel, após ser liberto do encarceramento que lhe sobreveio por intrigas políticas, resolve compilar todo o seu conhecimento sobre o assunto nesta pequena, mas valiosíssima obra, a qual tem sido lida por chefes de Estado e homens de poder de todos os tempos desde então.
Ele se refere ao fato de muitos já terem imaginado Estados que nunca existiram, fazendo uma referência a pensadores como Platão (✮428 a.C./✞347 a.C.), por exemplo, e mostra que seu pensamento tem outro ponto de partida: a experiência concreta, o mundo da forma como ele é, da forma como ele existe aqui e agora.
Em verdade, Maquiavel era um entusiasta das ideias republicanas, e um filósofo político de primeira grandeza, dotado de uma moral impecável.
Mas ele foi diferente, de fato, de outros moralistas antigos, porque inaugurou uma abordagem franca, objetiva, pragmática, dos problemas políticos.
Essa originalidade, que será distorcida (ou caluniada, ao ser confundida com cinismo) nos séculos seguintes pelo mesmo tipo de hipocrisia que ele havia combatido, é o que lhe confere o mérito de ser um dos fundadores não apenas da ciência política, mas da própria política moderna.
Sobre a obra
Um dos principais temas apresentados por Maquiavel em "O Príncipe" é a separação entre Ética e Política. Daí talvez a razão do termo "maquiavélico" ter atingido hoje a presente conotação no senso comum.
Maquiavel não se preocupa com o ser "bom", mas com o "parecer bom" e com aquilo que "funciona". De fato, quando investigando sobre se o príncipe deve cumprir seus compromissos e honrar suas palavras, ele afirma que
"...um príncipe sagaz não deve cumprir seus compromissos, quando isso não estiver de acordo com seus interesses equando as causas que o levaram a comprometer sua palavra não existam mais" (MAQUIAVEL, p. 173).
E ainda:
"...é necessário que um príncipe saiba muito bem disfarçar sua índole e ser um grande hipócrita e dissimulador..." (p. 174),pois
"...os seres humanos, de uma maneira geral, julgam mais pelo que veem e ouvem do que pelo que sentem. Todos veem o que pareces ser, mas poucos realmente sentem o que és" (Ibid., p. 176).
De fato,
"...as pessoas comuns são sempre levadas pelas aparências e pelos resultados e é a massa vulgar que constitui o mundo" (Ibid., p. 176).
Entenda melhor o pensamento de Maquiavel em 5 pontos:
- 1 — Os fins justificam os meios
À primeira vista, a frase erroneamente atribuída a Maquiavel (ela não aparece em "O Príncipe" e em nenhum outro texto do filósofo) é a que melhor parece resumir seus pensamentos.
- 2 — Virtude é mais importante que sorte
Um dos pontos mais centrais do pensamento de Maquiavel é a dicotomia entre virtude e sorte, ou "fortuna".
- 3 — Crueldade bem usada
Sobrepor a virtude à sorte pode significar também ter sabedoria para ser mau quando necessário: Maquiavel defendia que, para salvar o Estado, um governante deveria saber "não ser bom", mentindo ou parecendo piedoso se a situação exigisse, de modo a manter a segurança e o bem-estar de seu povo. A crueldade, nesses casos, seria justificável e bem usada.
- 4 — É preferível ser temido que amado
O amor é um sentimento inconstante, visto que as pessoas são naturalmente egoístas e podem alterar sua lealdade quando bem entenderem — ou, nas palavras do próprio Maquiavel, o amor é mantido por vínculos de gratidão que se rompem quando deixam de ser necessários. Já o temor em ser castigado não pode ser ignorado com tanta facilidade e, portanto, não falha.
- 5 — Razão de Estado
Todas as observações de Maquiavel tinham, no fundo, a intenção de mostrar que o objetivo da política era manter a estabilidade social e do governo a todo custo. Cabe lembrar que o contexto em que vivia era de guerras e disputas, em uma Itália fragmentada e com o poder muito ditado pela Igreja.
Relevância contextual
Assim, a sua obra, que às vezes nos lembra um "manual prático", é pautada por aquilo que objetivamente "funciona" para alcançar e manter o poder, no mundo como ele é agora, e não como deveria ser.
Logo no início eles nos aconselha que
"...os homens ou precisam ser adulados ou esmagados, pois se vingarão dos pequenos erros e não dos graves. O dano que causar a um homem deve ser tal que não preciseis temer sua vingança" (Ibid., p. 55).
Assim ele ensina sobre a crueldade. Ela pode ser bem aplicada ou mal aplicada, mas ambas
"...devem ser feitas todas de uma vez, pois, dessa forma, elas serão menos sentidas.
Os benefícios, por outro lado, devem ser concedidos um de cada vez, pois assim serão melhor apreciados" (Ibid., p. 114).Na verdade, um príncipe
"...não deve se importar se o considerarem cruel quando, por causa disso, puder manter seus súditos unidos e leais" (Ibid., p. 164).É a polêmica questão se os fins justificam os meios.
De especial relevância em sua obra é a questão da guerra. A verdadeira especialidade do príncipe, a ocupação que convém a quem governa é
"...a arte da guerra, sua regulamentação e a disciplina do exército" (Ibid., p. 148).
E assim ele discorre sobre as diferentes tropas que um príncipe pode possuir, e adverte: deve-se evitar as tropas mercenárias, e as tropas auxiliares são piores ainda que aquelas.
De fato, quando o príncipe se utiliza de outros exércitos que não o seu próprio, ele se coloca em uma situação delicada, a qual nos remete ao exemplo bíblico de Davi versus Golias: Davi rejeitou a armadura de Saul por lhe ser muito pesada. É assim que o príncipe deve se comportar.
De fato, quando o príncipe se utiliza de outros exércitos que não o seu próprio, ele se coloca em uma situação delicada, a qual nos remete ao exemplo bíblico de Davi versus Golias: Davi rejeitou a armadura de Saul por lhe ser muito pesada. É assim que o príncipe deve se comportar.
Na célebre questão sobre se é melhor ser amado ou temido, Maquiavel afirma que o desejável é que se pudesse ser ambos,
"... mas como é difícil que isso aconteça ao mesmo tempo, então, é muito mais seguro ser temido que amado, quando se tem que escolher entre os dois" (Ibid., p. 166).
Algumas das razões para isso é que
"...os homens hesitam menos em ofender aquele que se faz amar do que aquele que se faz temer", e que "...o medo, mantido pelo temor de punição, nunca deixa o homem" (Ibid., p. 166).
O príncipe deve também atuar como raposa e como leão: ele deve evitar descuidar de sua dignidade perante a plebe e evitar mostrar sua origem humilde, quando for o caso, para não ser desprezado.
Evitar ser odiado, no entanto, não é tudo. O príncipe deve também fazer de tudo que puder para ser estimado.
Algumas das melhores maneiras de se conseguir isso são: realizar grandes empreendimentos e exibir grandes virtudes; dar exemplos notáveis de sua administração interna; se mostrar sempre a favor ou contra alguém, nunca neutro; divertir o povo com festividades e espetáculos; estar sempre presente em assembleias de corporações e classes sociais, dando exemplo de afabilidade e magnificência, mas sempre preservando sua majestade e dignidade, etc.
Algumas das melhores maneiras de se conseguir isso são: realizar grandes empreendimentos e exibir grandes virtudes; dar exemplos notáveis de sua administração interna; se mostrar sempre a favor ou contra alguém, nunca neutro; divertir o povo com festividades e espetáculos; estar sempre presente em assembleias de corporações e classes sociais, dando exemplo de afabilidade e magnificência, mas sempre preservando sua majestade e dignidade, etc.
Mas o príncipe não governa sozinho. Ele deve saber ouvir seus conselheiros para tomar sempre as melhores decisões. E quanto aos conselheiros, Maquiavel afirma que
"...do caráter das pessoas que o príncipe se faz rodear depende a primeira impressão que é formada sobre sua própria habilidade" (Ibid., p. 214).
E entre as pessoas que se encontram próximas do príncipe há sempre os aduladores, dos quais o príncipe deve se proteger.
Para tal, são necessárias pelo menos três atitudes de sua parte: fazer as pessoas entenderem que ele não se se sentirá ofendido se lhe for dito a verdade; autorizá-las a falar exclusivamente sobre o que lhe for perguntado, e nada mais; e desencorajá-las a dar conselhos quando não lhes for solicitado.
Para tal, são necessárias pelo menos três atitudes de sua parte: fazer as pessoas entenderem que ele não se se sentirá ofendido se lhe for dito a verdade; autorizá-las a falar exclusivamente sobre o que lhe for perguntado, e nada mais; e desencorajá-las a dar conselhos quando não lhes for solicitado.
Conclusão
Essas são algumas das características que o príncipe deve possuir ou desenvolver para conquistar e manter o poder.
Esta obra, a qual tem demonstrado e confirmado seu valor através do tempo, tem sido o livro de cabeceira de muitos homens de Estado ao longo dos séculos.
Enquanto que a Ética e a Política, para Aristóteles (✮384 a.C./✞322 a.C.), são indissociáveis, pois têm como diferença apenas o escopo do bem que cada uma almeja (a Ética está para o indivíduo assim como a Política está para a pólis), Maquiavel separa as duas e mostra que a ciência política é uma arte a ser aprendida.
Esta obra, a qual tem demonstrado e confirmado seu valor através do tempo, tem sido o livro de cabeceira de muitos homens de Estado ao longo dos séculos.
Enquanto que a Ética e a Política, para Aristóteles (✮384 a.C./✞322 a.C.), são indissociáveis, pois têm como diferença apenas o escopo do bem que cada uma almeja (a Ética está para o indivíduo assim como a Política está para a pólis), Maquiavel separa as duas e mostra que a ciência política é uma arte a ser aprendida.
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fonte: Galileu, original por Marília Marasciulo; Jusweek - Direito, Sociedade e Geopolítica, original por Douglas Marques; O Cafezinho, original por Miguel do Rosário]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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