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quinta-feira, 11 de junho de 2026

TRIBUTO — CLODOVIL HERNANDES: MAIS QUE UM NOME, UMA MARCA!

Reprodução Estadão
Dentro do surgimento da alta-costura no Brasil se destaca o nome de Clodovil Hernandes (✰1937/✞2009).

Tendo iniciado o seu percurso profissional ainda muito jovem, nos anos 50, ele foi um artista polivalente, tendo atuado como estilista, figurinista, ator, jurado e apresentador de programas de televisão — além de posteriormente como político.

No texto deste capítulo da nossa série especial de artigos "Tributo", vamos relembrar a trajetória desta que foi uma figura, que, além do talento e inteligência inquestionáveis, teve enorme relevância nos cenários aos quais atuou, a despeito das muitas polêmicas nas quais sempre esteve envolvido.

Nascido para brilhar


Reprodução da internet
Clodovir Hernandes, como seu nome ficou registrado na certidão de nascimento por um equívoco do cartório, nasceu em Elisiário, interior de São Paulo, no dia 17 de junho de 1937.

Ainda muito pequeno, ele foi adotado por Domingos Hernández e Isabel Sánchez Hernández, um casal de imigrantes espanhóis. Desde então, ele não teve nenhuma relação com os seus pais biológicos.

​A foto, em preto e branco, é uma das raríssimas imagens de Clodovil na infância, com os pais, e foi tirada em frente ao armazém da família, no interior de São Paulo, na década de 40.

Ela nos mostra um garoto bem magrinho, moreno, aparentando 7 anos de idade. 

Na foto, bem típica para os padrões da época, ele veste camisa branca de manga curta, bermuda com cinto, sapato de amarrar e meias brancas  o típico uniforme daquela época em que o ensino fundamental era chamado de grupo escolar.

O cabelo, repartido de lado e cortado bem rente nas laterais, deixa as orelhas mais proeminentes.

O menino encara a câmera com olhar muito sério, com uns dos braços dobrados e a mão sobre a barriga.

Do lado direito, com uma mão sobre o ombro do garoto, está uma mulher de pele bem branca, cabelos ondulados na altura do queixo e vestido escuro.

Do outro lado está um homem de cabelo engomado puxado pra trás, bigodinho fino, terno, gravata e lenço na lapela.

  • Formação

Clodovil teve uma ótima educação, estudando em um colégio interno de padres. 

Falava francês e castelhano, além do português. Formou-se como professor primário, mas não durou muito tempo nessa profissão.

Essa fluência linguística foi mencionada por várias pessoas que compartilharam da sua amizade, e o próprio Clodovil, claro, também costumava se gabar disso.

O pai de Clodovil, era um homem meio bronco, de pouco estudo. Apesar disso — ou por causa disso — ele fez questão que Clodovil tivesse uma boa formação.

  • Traumas

Além da educação esmerada, o período no colégio interno teve um fato marcante e delicado na vida do estilista: um abuso sexual sofrido aos 11 anos de idade, cometido por um dos padres da escola onde estudava.

Numa entrevista dada por Clodovil à revista "Isto é", em 2003. Aos 13 anos, ao voltar de uma missa, ele teria surpreendido o pai na cama com outro homem. E o outro homem era o irmão de sua mãe, ou seja, seu tio, fato que o teria marcado para o resto da vida.

Carreira

Reprodução FFW
Começou sua carreira nos anos 50, nessa época, ainda não existia o conceito prêt-à-porter por aqui, apenas ateliês onde se criavam roupas exclusivas e sob medida.

Tornou-se conhecido na década de 60 os primeiros croquis foram vendidos para a loja Florence Modas.

Ao longo da carreira passou pelas butiques Scarlett — onde, inclusive, também trabalhou Dener Pamplona de Abreu (✰1937/✞1978) com quem tinha uma suposta rivalidade —, e La Signorella.

Seus modelos eram os mais disputados por socialites e celebridades, o que fez com que ganhasse o prêmio Agulhas de Ouro, o mais cobiçado no mundo da moda brasileira.

Entre suas clientes estavam Cacilda Becker (✰1921/✞1969), Elis Regina (✰1945/✞1982) e as famílias Diniz e Matarazzo.

Nos tempos áureos, tinha um ateliê de alta costura em São Paulo, na famosa rua Oscar Freire — o endereço mais luxuoso e sofisticado da capital paulista, conhecida internacionalmente como um shopping a céu aberto — e sua modelo preferida era a estravagante Elke Maravilha (✰1945/✞2016), que também era atriz e foi jurada nos programas de Silvio Santos (✰1930/✞2024) e do Chacrinha (✰1917/✞1988).

  • Talento

A habilidade com desenhos e o apreço pelo métier eram uma faca de dois gumes.

De um lado era aclamado pelo talento e de outro, do outro, criticado por todos à sua volta, por não corresponder a aquilo que se esperava de um homem nos anos 1950.

As coisas começaram a mudar quando, em 1957, se mudou para São Paulo e começou a participar de concursos de costura que renderam a ele uma comparação com o costureiro francês Jacques Faith.

Em 1961, Clodovil ganhou o concurso Agulha de Ouro, vencendo Dener Pamplona, o que acirrou uma sempre comentada, porém, não comprovada, competição entre eles.

Na verdade, tudo não passava de uma estratégia de marketing. Clodovil e Dener além de dividirem os holofotes como protagonistas da chamada "alta costura brasileira" (que na verdade era moda de atelier inspirada pela moda europeia), se alfinetavam publicamente como forma de aparecer em colunas sociais – as vitrines da época.

Tanto que, mais tarde, Dener viria a alimentar a lenda de ser seu maior rival e concorrente, rendendo até enredo na televisão para a criação da novela "Ti Ti Ti" (1985 com remake em 2010), da Rede Globo.

Clodovil além da moda

Reprodução Rede Globo
Clodovil se via com alma de artista. Cantava, pintava, atuava e vestia. São incontáveis os projetos que ele fez em paralelo.

Mas a moda nunca deixou de ser uma delas, só de ser o principal meio de sustento do estilista.

De vez em quando, ele fazia roupas para clientes fiéis e amigas que imploravam por suas criações.

Ainda com um pezinho na moda, ele fez figurinos e croquis para apresentações de teatro, como seu musical autobiográfico "Ele e Ela" (2006) que abordava sua sexualidade.

Seu grande estrelato nacional foi não só em publicações de revistas de moldes, que levavam suas criações, mas também com o programa "TV Mulher", que foi ao ar na TV Globo entre 1980 e 1986.

Clodovil apresentava seu quadro de moda, um dos maiores sucessos da lendária revista eletrônica matinal, que quando não desenhava ao vivo modelo de croquis para jovens moças, respondia dicas de estilo com suas alfinetadas e humor ácido.

Mais uma vez o modista teve sucesso, capaz de gerar muita audiência à emissora, além de receber inúmeras cartas com perguntas sobre moda.

Mesmo tornando-se apresentador, não abandonou seu ateliê de Alta Costura. Fez da moda mais ampla e acessível a todas as classes sociais, independente de credo ou nível econômico.

Como se não bastasse o sucesso, tornou-se ator e fez shows em casas noturnas, além de elogiado e premiado como figurinista de teatro.

Contudo, dedicou-se à televisão, pois pensava que era a melhor forma de ajudar as pessoas.

Por se envolver em fatos polêmicos e escândalos, ficou ainda mais popular e adquiriu alguns inimigos em sua profissão como estilista.

Além disso, durante o tempo em que atuou na área da moda, ele lançou uma coleção com as cores verde e amarelo e com o nome estampado (made in Brazil) para competir com as grifes internacionais. Contudo, o fracasso foi inevitável e revoltado, afastou-se da moda.

  • Carreira televisiva

Seguindo em sua carreira na televisão, em 1992 apresentou "Clodovil Abre o Jogo", na extinta Rede Manchete.

E em 2001 esteve a frente do programa "Mulheres" da TV Gazeta, ao lado de Christina Rocha.

Alguns meses depois, com a parceria anterior desfeita, passou a apresentar um talk show na mesma emissora.

Foram quase 30 anos na televisão. Não dá pra dizer "ininterruptos", porque sempre tinha uma demissão no meio do caminho.

Mas Clodovil, sem dúvida, foi um dos apresentadores mais populares da TV brasileira, que impôs um estilo próprio, lançou bordões e alcançou uma fama que atravessou gerações.

Ao longo da carreira, ele entrevistou centenas de pessoas das mais diferentes profissões, que tiveram a coragem de encararem as perguntas diretas e retas do apresentador.

Ser entrevistado por Clodovil não era pra qualquer um, afinal, a sinceridade sem limites era a sua principal característica.

Polêmicas

Reprodução Rede Globo
Hoje lembrado pelos problemáticos comentários contra direitos básicos para a população LGBTQIA+ — certa vez, foi convidado para a Parada do Orgulho Gay, mas respondeu que não tinha orgulho nenhum de ser gay, e foi vaiado por militantes —, Clodovil foi um dos primeiros gays afeminados que falavam abertamente sobre sua sexualidade na televisão.

Em plena ditadura militar, ele foi um grande porta-voz contra os estigmas da AIDS. Quando o tema era um tabu, defendeu as pessoas da exclusão e do obscurantismo que a mídia jogava para as celebridades que contraíram a infecção.

Um fato lastimável ocorreu em 2004, quando Clodovil foi motivo de "piadas" dos integrantes do programa "Pânico na TV", no icônico quadro 'Sandálias da Humildade', sendo inclusive, perseguido e esquivando-se por duas vezes.

Na terceira investida dos integrantes do "Pânico na TV", Clodovil fez um desabafo, ao vivo, em seu programa "A Casa é Sua" (ambos eram exibidos pela Rede TV!, ou seja, Clodovil e os integrantes do Pânico eram colegas de emissora, imagine o climão), o qual apresentava desde 2003, abandonando o programa em seguida. Após dois dias, a emissora demitiu Clodovil.

Mas o polêmico apresentador ressurgiu em 2007 na TV JB com o programa "Por Excelência" onde foi novamente demitido, desta vez, por problemas de saúde.

À frente ou nos bastidores, quase todo dia tinha uma saia justa, inclusive desavenças entre Clodovil e seus entrevistados.

Política

Reprodução do YouTube
Em 2006 ingressou na carreira política e foi o terceiro deputado federal mais votado.

Tomou posse vestido à moda antiga, inspirado nos senhores de engenho da era colonial, de terno creme, sapato marrom e branco, chapéu e bengala.

Eleito Deputado Federal por São Paulo em 2006 pelo Partido Trabalhista Cristão (PTC), ele chocou o cenário nacional ao alcançar quase 494 mil votos, tornando-se o terceiro candidato mais votado do estado.

Gastou quase R$200 mil do próprio bolso reformando seu gabinete e dizia que só sabia viver no meio da beleza.

Entre as peças de decoração, uma escultura de cobra naja, sustentando a mesa de despachos, batizada pelo próprio.

Na política, não foram poucos os desafetos colecionados pelo polêmico Clodovil.

A incapacidade de controlar a sua própria língua afiada fica evidente em várias entrevistas dadas à imprensa, principalmente durante a fase em que o estilista esteve na TV.

Durante seus poucos mais de dois anos na Câmara dos Deputados, Clodovil integrou comissões importantes como a de Direitos Humanos e Minorias, Educação e Cultura, e Relações Exteriores.

Ele apresentou 55 propostas legislativas, com destaque para:
  • A proposta de criação do Dia da Mãe Adotiva (uma homenagem à sua própria história de vida).

  • Projetos voltados para o apoio e proteção a vítimas de violência.

  • Uma proposta para a redução do número de deputados no Congresso Nacional, sob a justificativa de cortar gastos públicos. 

  • Grandes Polêmicas no Plenário
O comportamento sem filtros de Clodovil levou o tom dos palcos e da TV diretamente para o debate político.
O caso Cida Diogo — Em 2007, envolveu-se em uma briga generalizada ao fazer comentários rudes sobre as mulheres contemporâneas e chamar a deputada Cida Diogo (PT-RJ) de "feia" no plenário. 
O episódio gerou grande repercussão na mídia e representações por quebra de decoro parlamentar.  
Discursos impactantes — Ao mesmo tempo em que causava tumultos, Clodovil era conhecido por sua oratória afiada. 
Em um de seus momentos mais célebres, ele conseguiu impor silêncio absoluto em um plenário barulhento ao confrontar os colegas sobre a falta de compostura e respeito com o cargo público e comparou a casa com um mercado. 
Troca de Partido — Em 2007, Clodovil trocou o PTC pelo Partido da República (PR, atual PL). 
O PTC acionou a Justiça Eleitoral exigindo a perda do mandato por infidelidade partidária, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) absolveu Clodovil em março de 2009, entendendo que ele havia sofrido discriminação na antiga legenda.

Conclusão

Os Momentos Mais Absurdos do Clodovil na TV #3 — Canal 90
Clodovil não tinha papas na língua e era, acima de tudo, verdadeiro. E foi justamente sua liberdade de expressão aliada a sua ousadia, que fizeram sua existência ser marcante na moda brasileira.

Nos inúmeros programas que ele teve na TV (Manchete, Band, Rede TV, Globo), as críticas sobre seu comportamento inadequado contrastavam com os momentos de lucidez, como quando, por exemplo, combatia a homofobia ao vivo.

Lia cartas, trazia contextos familiares e memórias de vida como forma de contextualizar o telespectador sobre respeito às diferenças, ao seu modo, claro. Controverso, mas, sem dúvidas, peça fundamental da história da moda nacional.

No dia 17 de março de 2009 o hospital Santa Lúcia, em Brasília, anunciou a morte cerebral de Clodovil Hernandes, aos 71 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral.

Clodovil não teve filhos, nem nomeou herdeiros para sua herança. O Brasil ficou de luto quando uma das figuras públicas mais queridas do país faleceu de forma repentina.

Se Clodovil Hernandes estivesse vivo hoje, ele muito provavelmente enfrentaria cancelamentos em massa e intensos debates nas redes sociais.

Suas declarações enfaticamente polêmicas, que já causavam enorme repercussão nos anos 1980, 1990 e 2000, colidiriam diretamente com as pautas progressistas de diversidade, respeito e direitos humanos da atualidade.

O fato é que Clodovil Hernandez não passou despercebido por aqui e ainda hoje, após quase duas décadas de sua morte, ele ainda é tido referência para muitas pessoas. 
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

REFLEXÃ💭— O DESAFIO DO COMBATE ÀS HERESIAS NO CEIO DA IGREJA CONTEMPORÂNEA

Imagem gerada por IA
“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da comum salvação, tive por necessidade escrever-vos e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3).
As heresias são doutrinas que se opõem aos dogmas da Igreja e ao ensino das Escrituras.

A palavra “heresia” vem do grego “hairesis”, significando “escolha”, frequentemente equivocada.

Jesus advertiu:
“Acautelai-vos do fermento dos fariseus” (Mateus 16:6).
Na Bíblia, fermento simboliza corrupção e pecado. Paulo, sob o mesmo contexto, também alertou:
“Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9).
Originalmente, a palavra ‘heresia’ significava apenas ‘fazer uma escolha’, mas passou a referir-se a uma ‘seita ou partido’.

Promover um espírito partidário dentro da igreja é uma das obras da carne (Gl 5:20).

Sempre que um membro pergunta a outro:
“Você está do meu lado ou do lado do pastor?”,
está promovendo um espírito partidário e causando divisão.

O falso mestre obriga a pessoa a escolher entre suas doutrinas e as da verdadeira fé cristã.

As heresias na atualidade


Reprodução da internet
As principais heresias da atualidade são antigas e têm suas raízes nos velhos heresiarcas da antiguidade.

Algumas delas são apresentadas com nova roupagem e outras com adaptações ou usando nova nomenclatura.

Quem conhece os fundamentos das crenças e práticas comuns no cristianismo consegue discernir, de longe, os erros doutrinários das crenças heterodoxas.

Como identificar uma heresia


Reprodução Dreamstime.org
Um ensinamento é heresia quando se opõe frontalmente às Escrituras.

No início, o Cristianismo foi considerado heresia pelo Judaísmo, mas os próprios judeus divergiam, como fariseus e saduceus (Atos 5:17; 15:5).

Durante os primeiros anos de Cristianismo, as heresias surgiram na tentativa de distorcer a doutrina a respeito da natureza de Cristo, bem como corromper a conduta de milhares de cristãos no tocante à obediência aos preceitos da Palavra de Deus.

O próprio apóstolo Paulo alertou que essa investida maligna se intensificaria após a sua partida e isso de modo cruel (At 20:29).
O desafio do combate às heresias na atualidade reside na relativização da verdade e na disseminação de ensinos que mesclam o cristianismo com filosofias seculares e materialismo. 
Para combater esses desvios, as igrejas precisam promover um ensino bíblico profundo e fortalecer a formação teológica dos fiéis.
Um aspecto importante que caracteriza a heresia é sua tentativa de criar uma nova versão do Evangelho, manifestando-se como uma nova “revelação” ou compreensão da verdade bíblica.

Atualmente, falsos mestres têm surgido e alegado que os tempos mudaram e que a igreja deve atualizar a mensagem que prega.

Como enfrentar e combater o avanço das heresias no ceio da igreja


Reprodução Shutterstock
Enfrentar o crescimento das heresias exige o fortalecimento da sã doutrina através do estudo rigoroso das Escrituras, o exercício da apologética cristã (defesa da fé), a prática do discernimento espiritual e a restauração do foco na centralidade do Evangelho. 
O combate aos falsos ensinos ocorre por meio de pilares práticos, alinhados à tradição cristã histórica, tais como:
  • Superação do Secularismo e Relativismo
Enfrentar a tendência cultural de questionar verdades absolutas e moldar os preceitos divinos à vontade individual ou à moralidade moderna.
  • Refutação da Teologia da Prosperidade
Combater o ensino de que a fé é um meio para obter riqueza material e sucesso pessoal em vez de um caminho para a graça e transformação espiritual.
  • Combate a "Heresias Modernas" (Desigreja)
Desconstruir a ideia individualista, frequentemente propagada na internet, de que o cristão não precisa congregar ou pertencer à comunidade de fé.

Ontem como hoje, hoje como ontem


Ao longo da história, a Igreja enfrentou diversas heresias:
  • O Gnosticismo
Presente na Igreja primitiva, o gnosticismo misturava filosofia grega, religiões pagãs e misticismo oriental. Negava a divindade de Cristo e exaltava conhecimentos místicos.

Foi combatido por apóstolos e apologistas, como Irineu (c. 130/202 d.C.) e Tertuliano (c. 155/220 d.C.), e superado no Concílio de Nicéia (325 d.C.), que afirmou:
Cristo é Deus e homem perfeito, formando um só com o Pai.
  • Pós-Reforma e os “ismos”
Após a Reforma, a Igreja enfrentou:
  • iluminismo — movimento filosófico e cultural do século XVIII, que defendeu o uso da razão e da ciência contra o absolutismo da Igreja —,

  • racionalismo — corrente filosófica que defende a razão humana como a principal ou única fonte confiável de conhecimento —,
  • humanismo — outra corrente filosófica, cultural e ética que coloca o ser humano e suas capacidades no centro do universo —,
  • ateísmo — fundamentalmente é a ausência de crença na existência de divindades — e
  • secularismo — princípio político e filosófico que defende a separação entre as instituições religiosas e o Estado.
No século XX, o modernismo cedeu lugar ao pós-modernismo, rejeitando a verdade absoluta e promovendo relativismo. Internamente, divisões, inovações e frieza espiritual também ameaçam a Igreja.
  • Heresias Neopentecostais
Atualmente, o neopentecostalismo introduz crendices e práticas antibíblicas, tais como: culto à prosperidade, antropocentrismo (o homem no centro), mensagens de autoajuda e espetáculos nos cultos.

A glória de Deus é substituída por entretenimento e o evangelho, por campanhas financeiras.

Isso reflete um novo gnosticismo, diminuindo Cristo e exaltando visões e misticismos.

Os Grandes Desafios no Combate

  • Redes Sociais — propagação viral de falsos ensinos.
  • Analfabetismo Bíblico — falta de leitura dos fiéis.

  • Cultura do Consumo — busca por mensagens puramente confortáveis.

  • Individualismo — rejeição à tradição e autoridade eclesiástica.

Estratégias de Enfrentamento

  • Discipulado Sólido — ensino bíblico profundo e contínuo.

  • Apologética Mansa — defesa da fé com amor.

  • Formação de Liderança — pastores bem preparados teologicamente.

  • Foco em Cristo — centralidade da cruz nas pregações.

Recapitulando

  • As Principais Heresias Modernas — Evangelho da Prosperidade: foca no materialismo.

  • Sincretismo Religioso — mistura doutrinas contraditórias.

  • Relativismo Teológico — nega verdades absolutas bíblicas.

  • Gnosticismo Moderno — busca apenas experiências místicas.

  • Hipergraça — ignora a necessidade de arrependimento.

  • Analfabetismo Bíblico — falta de leitura dos fiéis.

  • Cultura do Consumo — busca por mensagens puramente confortáveis.

  • Individualismo — rejeição à tradição e autoridade eclesiástica.

  • Formação de Liderança — pastores bem preparados teologicamente.

  • Foco em Cristo — centralidade da cruz nas pregações.
Os adeptos desses movimentos estranhos à fé cristã ortodoxa têm certeza de que estão com a verdade e que nós é que somos os hereges.

Às vezes, não querem nos ouvir, como as testemunhas de Jeová, pois acham que não têm nada mais para aprender, seu objetivo é ensinar suas cren­ças.

Elas, como seguidores de outros movimentos, acreditam que acharam coisa melhor e a maior parte delas saiu de nossas igrejas.

Estamos lidando com um assunto muito delicado, suas crenças são profundas, pois muitos abandonaram carreira profissional, emprego e até a própria família.

Por isso que precisamos ter conhecimento sobre o contexto dessas pessoas e suas crenças, além da base sólida daquilo em que cremos e praticamos e das crenças dessas pessoas e seus argumentos para responder a elas, à luz da Bíblia.

Para enfrentar o crescimento de heresias na igreja atual, a liderança e os membros devem agir em duas frentes: fortalecimento bíblico e vigilância pastoral.

O erro teológico geralmente cresce onde há falta de conhecimento prático da Palavra.

Conclusão


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Portanto, o combate às heresias na atualidade exige da Igreja discernimento teológico, fidelidade bíblica e acolhimento pastoral para proteger a sã doutrina sem afastar as pessoas.

No cenário contemporâneo, a velocidade da informação e o relativismo cultural intensificam a propagação de desvios doutrinários.

Os cinco pilares da Reforma continuam sendo a base para combater as heresias: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Sola Fide (Somente a Fé), Sola Gratia (Somente a Graça), Solus Christus (Somente Cristo) e Soli Deo Gloria (Somente a Deus a Glória).

Como Pentecostal, acrescento o sexto: Sola Spiritus (Somente o Espírito Santo), que nos guia em toda a verdade (João 16:13).

A Igreja precisa retornar ao caminho traçado por Cristo, priorizando a Palavra de Deus e buscando avivamento espiritual. Como disse Jesus:
“Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16:18).
  • Por Leonardo Sérgio da Silva
  • [Fonte: AD Belém, por Pr. Erivaldo de Jesus; Texto Áureo — Bibliografia: WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento. Santo André, SP: Geográfica Editora, 2006; SORAES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã: Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam com Nova Aparência. Rio de Janeiro: CPAD, 1º Trimestre de 2025; ENSINADOR CRISTÃO Nº 99 - 4º Trimestre de 2024. Rio de Janeiro: CPAD, 2024] 
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

terça-feira, 2 de junho de 2026

"NOVELAS DAS FRUTAS" — EPISÓDIO DE HOJE: 'A POLÊMICA'

Reprodução da internet
Você certamente passou por conteúdos deste tipo navegando nas redes sociais nos últimos meses: novelinhas geradas por inteligência artificial protagonizadas por frutas ou vegetais em corpos humanos, envolvidas em histórias sobre romances e a vida cotidiana.

Tudo, obviamente, muito atrativo, afinal, para aguçar o interesse do público alvo, o infanto-juvenil, quanto mais atrativo, melhor. A ordem é viralizar e para isso, os idealizadores e produtores deste tipo de conteúdo, não medem nenhum esforço.

O que é este fenômeno digital?

Entenda a polêmica


Reprodução da internet
Com frutas antropomorfizadas (com características humanas) e enredos polêmicos, as tais “Novelas das Frutas”, criadas por Inteligência Artificial (IA) generativa que utilizam uma estética lúdica para narrar enredos pesados e impróprios para menores, tornaram-se um fenômeno nas redes sociais, especialmente no TikTok e no YouTube Shorts, com conteúdo, em inglês, português e até espanhol.

O sucesso, no entanto, acendeu um alerta que ainda está reverberando entre especialistas, pais e educadores que questionam os possíveis impactos psicológicos desse tipo de conteúdo em crianças e jovens.

O que começa como um vídeo inofensivo de um morango ou um limão falante pode terminar em uma cena de violência doméstica ou abandono parental.

Preocupar por quê?

Reprodução da internet
Apesar do caráter aparentemente inofensivo, o consumo frequentemente desse tipo de conteúdo, principalmente para crianças e adolescentes, levanta preocupações.

O fenômeno ganha força nas redes sociais ao mesmo tempo em que o Brasil implementa o chamado ECA Digital, um conjunto de diretrizes e atualizações no Estatuto da Criança e do Adolescente para garantir a segurança de menores no ambiente virtual.
Reprodução Fundação Abrinq
O ECA Digital surge como uma legislação pioneira nas Américas para responsabilizar as empresas de tecnologia. 
Não é sobre proteger as crianças da internet, mas na internet. 
A lei exige que as plataformas facilitem a configuração de segurança para os pais e criem mecanismos eficazes de verificação de idade.
O problema das "Novelal das Frutas", é que, sob a máscara de entretenimento inofensivo, reforçam estereótipos de gênero e discursos misóginos, segundo especialistas.

Estética infantil, narrativa violenta

Reprodução Mit Technology Review Brasil

A força dessas "novelinhas" está em uma dissociação central. 
Quando esse tipo de enredo é embalado em códigos visuais associados à infância, o reconhecimento do risco fica menos imediato. 
Com repetição suficiente, o inadequado passa a circular como entretenimento banal.
A distribuição algorítmica amplia esse efeito.

Organizações como o UNICEF vêm alertando que sistemas de recomendação moldam de forma decisiva as experiências digitais de crianças e adolescentes, sugerindo vídeos, conteúdos e interações antes de qualquer avaliação crítica do usuário.

Em ambientes guiados por retenção, recorrência e engajamento, conteúdos mais intensos, emocionais e repetitivos tendem a ganhar vantagem competitiva, como aponta o documento Guidance on AI and Children, de dezembro de 2025.

Há ainda um aspecto revelador do caráter momentâneo desse fenômeno: a trend já foi apropriada por perfis institucionais, de times de futebol, como o Flamengo, a representantes da administração pública, como a Prefeitura de Salvador.

Isso indica que o formato extrapolou os perfis anônimos, deixando em segundo plano o aspecto problemático do conteúdo, e passou a funcionar também como linguagem de ocasião nas redes.

Origem


Reprodução da internet
As novelas das frutas não surgiram no Brasil. A moda veio de fora, mas é difícil traçar sua origem.

Antes mesmo das novelas, vimos a tendência das frutas e legumes falantes e irritadiços, que davam dicas de armazenamento e consumo.

Segundo reportagem do Wall Street Journal, a tendência das novelas começou a crescer com Fruit Love Island, versão com as frutas antropomórficas do reality americano Love Island.

O formato foi popularizado em perfis do TikTok como @ai.cinema021 e alcançou cerca de 10 milhões de visualizações cada na primeira semana depois do lançamento, no início de março deste ano. O perfil já passa dos 2,7 milhões de seguidores no TikTok.

No reality original em questão, diversos jovens solteiros vão para uma ilha luxuosa e precisam competir por amor e dinheiro. O objetivo é formar casais e enfrentar os desafios em busca do prêmio final.

Na versão gerada por IA, acontece praticamente a mesma coisa. A diferença é que os competidores são frutas como banana, morango, uva e abacaxi, que se beijam, flertam, choram e traem.

Embora já tenham se espalhado para além deste perfil inicial, a identidade de quem está por trás das novelas de IA — e, portanto, de quem está lucrando com isso — ainda é um mistério.

Formato brasileiro


Reprodução da internet
Se nos Estados Unidos o formato ganhou força na estilização de um reality, a versão nacional assume suas próprias particularidades, incluindo gírias locais e dilemas comuns em novelas tradicionais.

A embalagem colorida ajudou a popularizar os vídeos curtos, embora seus conteúdos nem sempre sejam tão corriqueiros assim.

Como já dito, as frutas reproduzem lógicas misóginas e estereótipos de superioridade masculina, enquanto as frutas femininas são normalmente interesseiras e infiéis.

O termo "Brain Rot" (apodrecimento cerebral, em tradução livre) tem sido usado para descrever conteúdos ultrarrápidos e bizarros que buscam capturar a atenção a qualquer custo.
Reprodução Colégio Rio Branco
Doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutorado ¹sanduíche com bolsa PDSE da CAPES na Universidade de Paris V e na EHESS (2014), mestre em Gestão e Desenvolvimento Social pelo CIAGS - UFBA e graduado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista - UNESP.
O especialista em Educação Digital pelo Instituto Alana, Rodrigo Nejm lista três grandes prejuízos desse consumo:
  • Uso compulsivo: O design é feito para manter a criança "vidrada", prejudicando a fala e a interação social.
  • Adutização precoce: A exposição a dilemas adultos (como divórcios conflituosos e erotismo implícito) acelera o fim da infância.
  • Hiperestimulação: A velocidade dos vídeos dificulta que a criança consiga, futuramente, se concentrar em atividades mais lentas, como ler um livro ou assistir a um filme longo.

Conclusão

A "Dieta Digital"



Reprodução CNN
A orientação dos especialistas não é a punição, mas o diálogo e a construção de uma "dieta digital".

Assim como os pais cuidam da alimentação, escolhendo o que é saudável para cada fase, o acesso à rede deve ser dosado.
"Os pais precisam entender, tem produtos na internet que fazem mal. 
Só que diferente de uma cólica, de uma dor de barriga, de uma diarreia ou de uma cárie no dente, os produtos digitais, como esses videozinhos que parecem fofos, mas são maliciosos, eles podem prejudicar o desenvolvimento cognitivo dessa criança. 
Eles podem prejudicar a saúde mental da criança. Eles podem prejudicar a forma como essa criança vê o próprio corpo, a autoimagem dela. 
Então, como os danos são muito mais abstratos, às vezes invisíveis, do que os danos de uma comida processada, a gente tem que pelo menos entender também na internet",
explica Rodrigo.

Assim, o Ministério dos Direitos Humanos acionou formalmente órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), devido a potenciais violações das diretrizes de proteção à infância no ambiente digital.

A repercussão do caso foi tão expressiva que motivou notas técnicas do governo federal, servindo como um dos estopins para o endurecimento e revisão das regras de classificação indicativa de conteúdos em plataformas como o YouTube no Brasil.

Devido à onda de denúncias e à violação de diretrizes sobre segurança infantil, diversas contas de criadores tiveram episódios inteiros derrubados ou censurados pelas redes sociais.

  • Nota: Não é censura, é prevenção!

Embora fonte de preocupações, a inteligência artificial não deve ser encarada apenas como algo maléfico para a formação da personalidade de jovens.

Se usadas com consciência para promover discursos de inclusão e conscientização, podem ser úteis para incentivar o pensamento crítico.
"Os adultos podem usar as IAs de uma maneira que promova a tolerância, a inclusão e a democracia, ao mesmo tempo em que mitigam os usos desfavoráveis e desalinhados. 
Dessa forma, com essa promoção e a experiência de confiabilidade, os jovens poderão utilizar todo o potencial da IA para promover a ciência, o crescimento coletivo e o alinhamento moral, buscando um uso mais criativo e ético possível",
ressaltou o Dr. Cândido Fontan Barros, médico psiquiatra e e doutor pelo Instituto de Psicologia da USP, em entrevista à CNN Brasil/Saúde.

Fica aí a reflexão. Que ela sirva para que deixemos sempre ativado o botão do discernimento, para usá-lo em conjunto com o do bom senso.
  • ¹O doutorado sanduíche é um programa em que o estudante cursa parte do seu doutorado no Brasil e outra parte em uma instituição no exterior (ou em outra cidade brasileira). O termo "sanduíche" faz alusão ao formato: a pesquisa é iniciada no Brasil (primeira fatia do pão), seguida pelo período fora (o recheio) e finalizada no Brasil (a última fatia). 
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

sábado, 30 de maio de 2026

EU NÃO ME ESQUECI — CASO ENCOL: O MAIOR GOLPE IMOBILIÁRIO DO BRASIL

Reprodução da internet — imagem adaptada
O sonho da casa própria é uma das maiores aspirações financeiras e pessoais dos brasileiros. Ele representa segurança, estabilidade e a liberdade para adaptar o espaço ao seu estilo de vida.

No entanto, a conquista exige planejamento rigoroso, especialmente para lidar com as condições do mercado atual e as altas taxas de juros.

E mesmo com todo o desafio financeiro, o sonho da casa própria continua sendo a maior prioridade de 93% dos brasileiros que vivem de aluguel ou moradia cedida.

Ter um imóvel próprio, portanto, representa estabilidade financeira, autonomia para reformar e a construção de um patrimônio para o futuro.

Para impulsionar o desempenho por meio de recursos externos, muitas empresas adotam a alavancagem financeira como estratégia de crescimento.

No setor da construção civil, onde os investimentos iniciais são elevados e os ciclos de retorno são longos, essa prática é especialmente comum e, muitas vezes, necessária para viabilizar grandes projetos.

Contudo, o uso excessivo e descontrolado da alavancagem pode expor as empresas a riscos significativos, principalmente em cenários de instabilidade econômica, elevação das taxas de juros ou crises de confiança no mercado.

Este artigo, mais um capítulo da nossa série especial Eu Não Me Esqueci, tem foco no estudo do caso da falência da Encol S.A. — que chegou a ser considerada a maior no segmento da construção civil no Brasil — e suas repercussões para o setor e a legislação brasileira.

Para tanto, fizemos uma análise documental e levantamento de registros históricos e jornalísticos (pesquisamos em várias reportagens da época e artigos acadêmicos sobre o assunto, estando todas as fontes disponíveis na internet).

Relembre (ou conheça) o caso


Pedro Paulo Souza, ex-dono da Encol, reprodução Veja
Quem tem mais de 30 anos certamente já deve ter ouvido falar no nome "Encol" por aí.

Esta empresa estampou anúncios nos maiores e mais diversos meios de comunicação em todo o Brasil, tendo também feito merchan em novelas da Rede Globo, como em "Vale Tudo", exibida às 20h, no então horário nobre, em 1989 e acabou por se tornar a maior empresa do mercado imobiliário em todo o país.

Entretanto, o império da Encol acabou por desabar e o resultado foi catastrófico:
milhares de mutuários que já haviam pagado por seus imóveis acabaram ficando no prejuízo.
No entanto, este caso deixou lições valiosas para o mercado imobiliário e até mesmo para a Legislação Brasileira no que tange a compra de imóveis.

O que foi a  Encol?


Reprodução da internet
A Encol era uma construtora e incorporadora de imóveis que surgiu em Goiânia na década de 1960.

Foi responsável pela construção de mais de 100 mil imóveis em todo o Brasil, e tinha como característica o foco na elaboração de moradias mais populares, para a classe média de e quem tivesse uma renda menor.

A fórmula da ascensão e do sucesso da empresa envolviam uma série de facilidades no pagamento, como parcelamentos generosos, a possibilidade de utilizar carros, imóveis e até mesmo a linha telefônica (que na época era muito valiosa) como forma de pagamento.

No entanto, a Encol também era gerida com métodos pouco eficientes e lucrativos (um modelo de gestão de empresas pequenas adaptado para uma companhia gigantesca), e isso fez com que ela perdesse muito dinheiro.

Como se não bastasse a ingerência interna da empresa, ela era saqueada por esquemas de sonegação de impostos e outros desvios de dinheiro que acabaram com a saúde financeira dos negócios, uma vez que os esquemas foram descobertos pelas autoridades.

Com dívidas declaradas de aproximadamente R$ 1 bilhão e um patrimônio líquido recuperável de apenas R$ 304 milhões, estimativas permitem calcular um índice de alavancagem de cerca de 3,3, ou seja, para cada R$ 1 de capital próprio, havia mais de R$ 3 em obrigações financeiras.

De acordo com os especialistas na área econômica, esse nível de endividamento é insustentável para empresas que operam em segmentos de ciclo longo e alta exposição a variações de demanda, como é o caso da construção civil, uma vez que ele compromete a capacidade de absorver choques no fluxo de caixa e manter a solvência ao longo do tempo.

Antes da falência da empresa, ainda no fim da década de 1990, mais de 30 bancos se reuniram para discutir formas de salvar a Encol, mas não houve jeito. 
A companhia faliu deixando 2 bilhões de reais em dívidas e mais de 40 mil clientes sem imóveis, no completo prejuízo.

Deu tudo errado


É inegável a importância da Revolução Industrial na história da economia mundial.

Esse movimento impulsionou o surgimento de novas tecnologias e métodos produtivos maciços, além da consolidação do sistema conhecido hoje como o capitalista.

Surgiram também transformações nas relações de trabalho e a demanda crescente por infraestrutura urbana e industrial.

O caso da Encol ilustra de forma contundente os perigos associados ao crescimento acelerado sustentado por altos níveis de endividamento, fragilidade nos controles internos e práticas financeiras inadequadas.

Além disso, evidenciou a necessidade de mudanças regulatórias no mercado imobiliário, contribuindo para a criação de instrumentos legais como o Patrimônio de Afetação, que aumentaram a proteção ao consumidor e trouxeram maior segurança jurídica às operações do setor.

O que o caso Encol ensinou ao mercado imobiliário?


Reprodução da internet
A análise do caso Encol evidencia, de maneira contundente, os efeitos da alavancagem financeira descontrolada em empresas do setor da construção civil.

Durante a década de 1990, a Encol S.A. se destacou como a maior construtora do Brasil.
A empresa chegou a lançar mais de 30 mil unidades habitacionais por ano, atuava em 16 estados e mantinha mais de 200 canteiros de obras em funcionamento ao mesmo tempo.
No entanto, como vimos, todo esse crescimento acelerado não veio acompanhado de um modelo financeiro saudável e sustentável.

Uma das lições mais valiosas que o mercado aprendeu sobre a Encol serviu tanto para compradores como para incorporadoras: a saúde financeira de uma empresa não pode estar associada à saúde financeira do empreendimento, porque isso oferece risco de grandes prejuízos a todos.

Pensando nisso, até mesmo a legislação se adequou, com a consolidação da Afetação como um instrumento legal.
A Lei de Afetação obriga que, na construção de novos empreendimentos imobiliários, a incorporadora crie uma conta e uma pessoa jurídica especialmente para o empreendimento, completamente apartada do patrimônio da companhia, oferecendo mais segurança financeira e jurídica aos adquirentes.
Os mutuários também aprenderam que precisam conhecer muito bem a empresa na qual estão confiando, seus processos e seu modelo de gestão.

Administrações criminosas acabam colocando a existência de grandes empresas em xeque, junto ao dinheiro e os sonhos de milhares de pessoas que apenas querem seu imóvel próprio, e pagaram por ele.

O que se aprendeu


Reprodução Exame
O colapso da Encol agravou a situação do mercado imobiliário nacional, abalando a confiança de consumidores, investidores e instituições financeiras, e contribuindo para uma retração significativa no crédito imobiliário nos anos subsequentes.

O caso Encol deixa lições valiosas para a gestão financeira no setor da construção civil e em outros segmentos igualmente intensivos em capital.

Em primeiro lugar, destaca-se a importância de um planejamento financeiro robusto, que considere cenários adversos e que evite a dependência excessiva de capital de terceiros, especialmente de curto prazo.

A busca pelo crescimento não pode se sobrepor à sustentabilidade financeira.

Empresas que expandem agressivamente sem considerar a solidez de sua estrutura de capital tornam-se altamente vulneráveis a choques econômicos e à perda de confiança do mercado.

Síntese


Linha do tempo:
  • 🚀 A Ascensão da Gigante
Fundação — Criada em 1961 pelo engenheiro Pedro Paulo de Souza em Goiânia. 
Fórmula do Sucesso — Focou na moradia popular e para a classe média baixa. 
Facilidades — Aceitava carros, outros imóveis e até linhas telefônicas como pagamento. 
Tamanho — Tornou-se a maior construtora da América Latina, erguendo mais de 100 mil apartamentos.
  • 📉 O Modelo de "Bomba-Relógio" e a Queda
A Encol operava usando o dinheiro dos novos lançamentos para cobrir e finalizar os prédios antigos que já estavam em construção.
O Impacto do Plano Real — Esse modelo dependia do cenário de altíssima inflação das décadas de 1980 e início de 1990. Com a estabilização econômica trazida pelo Plano Real em 1994, o mecanismo travou. 
Desvios e Irregularidades — Auditorias apontaram uma gestão temerária, sonegação fiscal, desvio de dinheiro e remessas ilegais para o exterior. 
O Fim — Sem crédito nos bancos, a empresa entrou em concordata em 1997 e teve a sua falência decretada em 1999. 
  • 💔 Os Números do Impacto
O colapso da construtora desestruturou o mercado nacional na época, gerando estatísticas alarmantes:
42.000 famílias ficaram sem os apartamentos comprados e perderam o dinheiro investido.
710 obras foram abandonadas totalmente inacabadas pelo Brasil. 
23.000 funcionários foram demitidos sumariamente. 
  • ⚖️ O Legado Jurídico: O Patrimônio de Afetação
A maior lição prática deixada pelo desastre da Encol foi a criação da lei do Patrimônio de Afetação (Lei nº 10.931/2004) — Antes dessa lei, os recursos de todos os prédios de uma construtora iam para um caixa único. 
Se a empresa quebrasse, todas as obras paravam. Com a nova lei, a contabilidade e o terreno de cada prédio são completamente separados do patrimônio geral da construtora. 
Se a empresa falir hoje, o dinheiro daquele prédio específico está salvo, permitindo que os próprios moradores assumam a gestão e finalizem a obra. 
  • ⏳ Situação dos Envolvidos
O dono — Pedro Paulo de Souza chegou a ser condenado e preso temporariamente por crimes contra o sistema financeiro, mas seus processos criminais acabaram prescrevendo devido à demora da Justiça. 
Os compradores — A maioria assumiu prejuízos pesados e criou associações independentes para tentar terminar os prédios por conta própria.  
A massa falida — O processo corre na Justiça de Goiás há décadas. Recentemente, entre 2023 e o início de 2026, a Justiça liberou centenas de milhões de reais arrecadados em leilões para o pagamento prioritário de indenizações a milhares de ex-trabalhadores da empresa. 

Conclusão


ENCOL: O Maior GOLPE Imobiliário do Brasil! | Doc 90 — Canal 90 por Noggy
O caso da Encol S.A. ilustrou, de forma contundente, como o crescimento acelerado sustentado por dívidas e a ausência de práticas sólidas de governança podem levar uma empresa à insolvência.

A análise revelou que a empresa manteve uma estrutura de capital desequilibrada, com níveis de endividamento incompatíveis com a sua capacidade operacional e com as particularidades do setor.

A gestão ineficiente dos fluxos de caixa, o descumprimento de prazos e o uso inadequado de sociedades de propósito específico (SPEs) agravaram a situação, criando um cenário de insustentabilidade que culminou na falência.

Apesar de a falência da construtora ter ocorrido em 1999, durante o processo de concordata, que se iniciou em 1997, muitas ações contra a Encol foram apresentadas no fórum de Goiânia, onde se desenrola o caso.

Em síntese, a trajetória da Encol não apenas exemplifica os riscos da alavancagem financeira descontrolada, mas também oferece valiosas lições sobre a necessidade de equilíbrio, transparência, governança e responsabilidade na gestão empresarial.

Adotar políticas financeiras prudentes, com adequada análise de riscos e estrita observância dos princípios éticos e legais, é essencial para garantir a sustentabilidade das organizações e proteger o mercado e a sociedade de crises que, como demonstrado, podem ter impactos profundos e duradouros.
Ao sentir dúvidas sobre seus negócios imobiliários, converse com seu advogado!

Indicação literária


Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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