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segunda-feira, 22 de junho de 2026

ESPECIAL — OS CASOS DE ESTUPROS REGISTRADOS NA BÍBLIA

Créditos: Reprodução da internet

🚨Este artigo expõem questões de estupro e injustiça contra as mulheres em registros no Antigo Testamento. 
Não se destina a aconselhar vítimas de agressão sexual, pois todas as abordagens a elas devem ser, impreterivelmente, realizadas por profissionais competentes. 
Enfatizamos que, qualquer tipo de assédio ou estupro deve ser denunciado nos canais que seguem disponíveis em imagens ao longo do texto. 
Nosso artigo deve ser lido e compartilhado com a sensibilidade e o respeito que o tema exige.
Neste artigo iremos provocar a reflexão sobre um assunto bastante perturbador, mas que, devido sua importância e impacto social, deve continuar sendo pautado, até que, enfim, se consiga resolvê-lo. O que não se pode, em nenhuma hipótese, é normatizá-lo: o estupro praticado contra as mulheres.
Esse grave mal social pode ser explicado, como uma atividade sexual ilícita realizada à força ou sob coação e ameaça de lesão, contra a vontade da pessoa, que é incapaz de se defender do agressor.

A violência sexual, com sua consequente morbidade não só física, mas também emocional e psicológica, é mais comum entre mulheres do que entre homens.

Uma questão de saúde pública


Créditos: Reprodução VLV Advogados, reprodução da internet
Diariamente, os casos de estupros e, muitos com proporcionalidades consideráveis, como os coletivos, trazem toda uma abundância de discussões e embates sobre a dignidade, o respeito, a liberdade e a urgência de medidas legais efetivas para punir os autores de atos bárbaros e vergonhosos.

Nessa costura de ideias e interpretações, as vítimas se veem envolvidas em um cenário bizarro de narrativas absurdamente medonhas, que muitas vezes tentam transferir a culpa dos seus algozes para elas, como se elas fossem um objeto a ser usado, descartado, sem qualquer serventia e utilidade, senão para saciar a tara monstruosa dos estupradores.

Agora, tudo isso me leva também, aos estupros em surdina nas periferias, nos condomínios de alto padrão, nas baladas regidas com substancias alucinógenas e alcoólicas, aos quais tem como autores algozes (pais, irmãos, tios, vizinhos, namorados, padrastos, esposos...).

A cultura do estupro se manifesta na naturalização, na tolerância e na culpabilização da vítima em crimes de violência sexual. 

No Brasil, esse fenômeno estrutural exige uma resposta jurídica célere, severa e, acima de tudo, preventiva. 

Embora o país tenha avançado com legislações como a Lei Maria da Penha e a tipificação da importunação sexual, os índices de violência continuam alarmantes. 

Criar e aperfeiçoar mecanismos legais específicos para desmantelar essa cultura não é apenas uma demanda jurídica, mas uma urgência humanitária e de saúde pública.

Mais do que dados estatísticos, estamos falando de vidas!


Créditos: Reprodução do Instagram
O crescimento dos índices de violência contra a mulher no Brasil — evidenciado pelo recorde de feminicídios no início de 2026 — gera um efeito cascata que desestrutura toda a sociedade. 
Esse fenômeno não se limita à dor das vítimas diretas; ele compromete a economia, a saúde pública, a segurança e o desenvolvimento das futuras gerações.
Embora sejam crimes com tipificações distintas e específicas no nosso ordenamento jurídico, o feminicídio (Lei Nº 13.104, de 9 de Março de 2015) e o estupro (artigo 213 [na redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009]) em muitos casos estão associados.

Isto porque, o desprezo pelas mulheres é o núcleo psicológico e sociológico que move a maioria dos estupradores, operando não como um impulso sexual incontrolável, mas como um ato de dominação, hostilidade e desumanização.

E o impacto do aumento no número de estupros no Brasil gera uma profunda crise humanitária, sanitária e psicológica que restringe a liberdade das mulheres e sobrecarrega o Estado. 

Com marcas históricas que ultrapassaram quase 100 mil registros anuais de estupro e estupro de vulnerável no país, esse crime representa a expressão mais brutal de dominação e violência de gênero.

E as consequências do estupro para uma mulher são devastadoras, multidimensionais e, frequentemente, duradouras.
A violência sexual não é apenas uma agressão física; é uma violação profunda da identidade, da autonomia e da integridade psíquica da vítima, cujos desdobramentos afetam todas as esferas de sua vida.

Consequências Clínicas e Físicas


Créditos: Reprodução do Instagram
Além da violência imediata, o corpo da mulher enfrenta riscos biológicos graves a curto e longo prazo:
  • Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) — Há o risco real de contágio por patógenos como HIV, sífilis, hepatites B e C e HPV, o que exige a busca imediata por atendimento médico para a administração de coquetéis profiláticos em até 72 horas.

  • Gravidez Decorrente de Estupro — A gestação forçada representa uma reiteração da violência sofrida. No Brasil, o aborto nesses casos é garantido por lei, mas o processo legal e médico impõe um desgaste emocional severo à mulher.

  • Dores Crônicas e Somatização — O estresse psicológico acumulado frequentemente se manifesta fisicamente por meio de dores pélvicas crônicas, fibromialgia, distúrbios gastrointestinais e insônia.

Impacto Social e Ruptura de Vínculos


Créditos: Reprodução do Instagram
As ramificações do estupro alteram drasticamente o papel da mulher na sociedade e sua estabilidade cotidiana:
  • Revitimização Institucional — Ao tentar buscar justiça, a mulher muitas vezes enfrenta o ceticismo e o julgamento de agentes públicos em delegacias ou tribunais, o que agrava o trauma original.

  • Abandono do Mercado e dos Estudos — Crises de pânico e depressão levam ao absenteísmo frequente, queda na produtividade e, em muitos casos, à perda do emprego ou ao trancamento de cursos universitários e escolares.

  • Destruição de Relações Íntimas — A quebra da confiança básica no ser humano dificulta o estabelecimento de novos vínculos afetivos e pode desgastar casamentos e namoros já existentes devido à incompreensão do parceiro sobre o tempo de recuperação da vítima.
Entendido a seriedade do assunto, vamos partir agora, para a análise de alguns registros bíblicos sobre essa prática abjeta do crime hediondo que é o estupro

Sim, está escrito!


Crédito: CNJ, reprodução da internet
Os registros de estupro e violência sexual na Bíblia são eventos graves, frequentemente descritos como sinais da depravação moral da época.

Os três principais relatos detalhados nas escrituras são:
  • O estupro de Diná (Gênesis 34) — Filha de Jacó, Diná é violentada por Siquém, um príncipe local. O crime gera uma tragédia, resultando na vingança sangrenta dos irmãos da vítima (Simeão e Levi), que matam os homens da cidade.
     
  • O estupro de Tamar (2 Samuel 13) — Tamar, meia-irmã do príncipe Amnon, é violentada por ele sob um falso pretexto de doença. O rei Davi falhou em punir o agressor, o que levou Absalão (irmão de Tamar) a assassinar Amnon e iniciar uma rebelião.
     
  • O estupro coletivo da concubina do levita (Juízes 19) — O relato mais brutal da Bíblia ocorre em Gibeá, onde homens da cidade cercam uma casa e exigem ter relações sexuais com um visitante levita (sim, eles queriam, na verdade, era sodomizar um rapaz). O dono da casa e o próprio levita entregam a concubina aos agressores, que a violentam coletivamente durante toda a noite até sua morte.

A Bíblia não esconde e muito incentiva os erros: ela os expõe!


Créditos: VLV Advogados, reprodução da internet
Sem nenhuma divagação literária, Bíblia é bem didática quando se trata de estupro. Os textos apresentados acima, esposam três mulheres submetidas a um processo de violência, de invasão, de desumanização, sem precedentes, sem nenhuma margem para clemência; afinal de contas, tão somente, valia, ali, atender os instintos, dar ênfase a libido, consumar o desejo de obter o prazer e nada mais.

Essas três mulheres tiveram a marca de humilhação, da humanidade de cada uma lançada no esgoto, como se fosse um produto desnecessário, após sua utilização.

É bem verdade, muitos ressoam a cultura da bundanização (se é que há essa palavra), da bestificação, da estupidificação, de as mulheres aceitarem as regras de um jogo, pelo qual são vistas como meios para as ânsias de uma geração submersa ao hedonismo barateado.

Mesmo assim, semelhantemente a Tamar, Diná e concubina, e tantas outras (mulheres estupradas em seus lares, quando retornam do serviço, nas faculdades) se torna permissível aceitar as mazelas de uma sociedade eticamente desordenada e conflitante para não enfrentar a questão frontalmente.

Em outras palavras, devemos aceitar uma realidade voltada a sermos meios e não fins em si mesmo, sem qualquer via ou viés do individualismo egonarcísico.

Grosso modo, fim em si mesmo, para uma leitura da vida, com utopias possíveis, ou seja, as utopias de que, por mais excitante seja observar uma mulher, até nua, na rua, isto não concede e muito menos confere o direito de a reduzir a um meio, a uma caminho para minhas temerárias paixões?
Tristemente, isso não aconteceu com Tamar, com Diná e nem com a concubina sem nome e o interessante passa e perpassa pelo modo como a Bíblia traz a tona o quão agente potenciais de posturas irrisórias podemos ser, não esconde nada, mostra os bastidores e toca o dedo na ferida do coração enganoso, enredado pelos equívocos dos homens.
Dou mais uma pincelada, qual tem sido nossa postura e proceder, com relação a maneira como orientamos nossas futuras gerações no que toca a forma de encarar o sexo que nos complementa?

Abro uma porta para observarmos o quanto ainda interpretamos textos bíblicos, segundo a ótica da mulher como submissa, ao invés de influenciarmos e impactarmos os futuros homens com a capacidade para a complementariedade, para o diálogo, para o respeito ao não.

Digo isso, porque, e aqui falo do contexto cristão, há uma inclinação para uma exigência de a mulher "estar a disposição", quer ela queira ou não.
E essa cultura machista, continua sendo disseminada como se doutrina fosse nos círculos cristão, principalmente — porém, não especificamente —, nos da vertente pentecostal. 
Ora, caso não queira, ao ser submetida essa imposição, não estamos diante de um estupro, velado, com outra roupagem, sob o manto carcomido de uma pseudo espiritualidade, mas não muda a direção?

Conclusão


Créditos: Catraca Livre, reprodução da internet
Retomando ao fio da meada, a maior intervenção a ser feita, além daquelas de ordem judicial, trilha pela mudança de visão, por uma metanóia profunda no espaço das relações humanas, ao qual carecem, sim e sim, de um resgate da alteração de papeis, dia a dia.

A violência sexual contra mulheres é um mal social global amplamente reconhecido que está devastando a sociedade em ritmo acelerado. O estupro é um dos crimes mais endêmicos cometidos por homens e, infelizmente, tem se tornado prevalente no Brasil.

O fenômeno do estupro, que ocorre diariamente, é um mal social global que causa dor às vítimas. A verdade é que ele tem um efeito psicológico e social duradouro sobre os sobreviventes.

Na verdade, a cultura do estupro é um problema universal e é considerado o tipo de trauma mais devastador, com consequências negativas para as vítimas e suas famílias. A incidência de estupro impõe um grande fardo psicológico à vítima.

A urgência de novas ferramentas legais reside no fato de que o Direito molda o comportamento social.

Quando as leis falham ou deixam lacunas que permitem a impunidade, o Estado envia uma mensagem indireta de permissividade.

Mecanismos legais robustos funcionam em duas frentes: oferecem punição exemplar que desestimula novos criminosos e constroem um ambiente de segurança jurídica que encoraja as vítimas a denunciarem, quebrando o ciclo de silêncio gerado pelo medo do julgamento social.

Créditos: VLV Advogados, reprodução da internet
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.

E nem 1% religioso.
                                                                                  

sábado, 20 de junho de 2026

📚ESTANTE DO LÉO📚 — "A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS", MICHEL DESMURGET

Reprodução Paulus Editora
Neste capítulo da nossa série especial de artigos especiais Estante do Léo, trazemos como sugestão/indicação, o excepcional e necessário livro "A Fábrica de Cretinos Digitais (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)", que convida o leitor a uma ampla reflexão sobre os impactos do uso das telas digitais no desenvolvimento infantil.

Lemos esta obra como recomendação para uso do seu conteúdo como ferramenta para os atendimentos terapêuticos e a leitura tornou-se uma edificante e gratificante imersão em dos planetas no vasto universo das Neurociências.

Sobre o autor


Reprodução da internet
Michel Desmurget (✰1965), é um dos mais prestigiados neurocientistas do mundo.
Doutorado em Neurociências, é diretor de investigação do INSERM (Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale), o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica.

Com livros traduzidos em vinte países, Desmugert, nascido de pai francês e mãe alemã, ele construiu uma carreira internacional sólida e consolidou-se como um dos pesquisadores mais prestigiados de sua área.

Carreira


Viveu por quase oito anos nos Estados Unidos, onde conduziu pesquisas em instituições de elite como o MIT, a Universidade Emory e a Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF).

Além de diretor de pesquisa no INSERM, ele trabalha no Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod (vinculado ao CNRS e à Universidade de Lyon).

Michel Desmurget (nascido em 1965), tornou-se amplamente conhecido por suas pesquisas sobre a neurociência cognitiva e por suas críticas contundentes aos impactos negativos do uso excessivo de telas e mídias digitais no desenvolvimento infantil e na saúde mental, que lhe serviram como bases para sua obra literária, que se tornou ferramenta recomendada para uso acadêmico.

Por menos telas, por favor!


Reprodução Vecteezy
"A Fábrica de Cretinos Digitais", revela, de forma bem contundente e com argumentos incontestáveis, que a exposição excessiva a telas (smartphones, tablets, TV...) prejudica o desenvolvimento neurológico infantil.


Desmurget escreveu a obra num momento em que as atuais gerações dedicam um grande tempo de suas vidas para interações online.
Como renomado especialista na neurociência — ou seja, quem está falando não é o nenhum "Zé Mané" na fila da padaria —, o autor alerta que, pela primeira vez na história, os "nativos digitais" estão apresentando um Quociente de Inteligência (QI) médio inferior ao de seus pais.

Portanto, é um livro que instiga a pensarmos sobre a saúde física, mental e intelectual de crianças, jovens e adultos e nos provoca a aprendermos a conviver e nos relacionarmos de uma maneira saudável com as telas.

O livro também derruba o mito de que as tecnologias digitais tornam as crianças mais inteligentes ou são ferramentas inofensivas.

Dependência algorítmica

O livro ainda traz à tona a urgente reflexão sobre o uso de telas na infância.

É fato evidente que o uso de telas faz parte da infância contemporânea.

Todos (ou quase todos) os dispositivos digitais conectados na internet — ou seja: equipamentos capazes de coletar, processar e trocar dados online — estão presentes em praticamente todos os lares e, muitas vezes, tornam-se recursos para entretenimento, aprendizado e até regulação emocional das crianças.
No entanto, quando o uso deixa de ser equilibrado, surgem preocupações reais sobre dependência digital e impactos no neurodesenvolvimento infantil.
O termo tempo de tela refere-se ao período que a criança passa interagindo com dispositivos digitais, como smartphones, tablets, televisões, computadores e jogos digitais.

E esse tempo pode incluir atividades passivas, como assistir vídeos, ou ativas, como jogos e aplicativos interativos.
Os algoritmos que definem o que aparece nas telas de TikTok, Kawi, YouTube e Instagram, por exemplo, têm influenciado diretamente o comportamento de crianças e adolescentes.
Ou seja, algoritmos são conjuntos de regras usados para processar dados e tomar decisões.

No universo digital, isso significa decidir quais vídeos, produtos ou anúncios cada pessoa verá primeiro.

Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, usam essa ferramenta para reter atenção do usuário, sugerindo conteúdo baseado em preferências e histórico de navegação.

Esses sistemas, que personalizam vídeos, anúncios e sugestões de conteúdo com base no histórico de uso, podem tanto estimular o aprendizado quanto reforçar vícios digitais, padrões de consumo e até visões radicais.

O problema surge quando o uso:
  • É excessivo em relação à idade;

  • Substitui experiências essenciais, como brincar, interagir, explorar o ambiente, estudar e dormir;

  • Gera irritabilidade, ansiedade ou crises quando interrompido;

  • Compromete o desempenho escolar, o sono ou as relações sociais.
Nesses casos, fala-se em uso problemático ou dependência digital, um padrão comportamental que merece atenção e intervenção precoce.

O algoritmo não é o lobo-mau


A exposição a anúncios e sugestões de compras também merece atenção. Muitos influenciadores são usados por marcas como atrações para fomentar o consumismo no público infanto-juvenil.
Crianças podem ser levadas a consumir de forma impulsiva ou acreditar que precisam adquirir certos produtos para se sentirem incluídas. 

De acordo com o livro, é de fundamental importância que os pais usem esses momentos como oportunidades para desenvolver a educação financeira e o senso crítico nos filhos.

Por outro lado, os algoritmos também podem ser aliados no processo de descoberta de novos interesses, desde que usados com orientação.

Pais, responsáveis, com o auxílio pedagógico dos educadores, devem incentivar buscas ativas por conteúdos enriquecedores (Sim, eles existem, basta ter foco e paciência para garimpá-los!) e ensinar os pequenos a avaliar a confiabilidade das informações que consomem.

Como as telas atuam no cérebro em desenvolvimento?

Reprodução Instagram
Este é outro tópico muito bem desenvolvido no livro. O cérebro infantil passa por um período intenso de neuroplasticidade, especialmente nos primeiros anos de vida.

Isso significa que as experiências vividas moldam diretamente as conexões neurais responsáveis por atenção, linguagem, autorregulação emocional e funções executivas.

Jogos digitais e redes sociais são projetados para ativar o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina.

Esse mecanismo, quando ocorre de forma repetitiva e intensa, pode:
Imagem criada por IA
  • Favorecer a busca por gratificação imediata;

  • Dificultar o desenvolvimento da tolerância à frustração;

  • Prejudicar a capacidade de atenção sustentada;

  • Reduzir o interesse por atividades menos estimulantes, porém essenciais, como leitura, brincadeiras simbólicas e interações sociais.
O Contraste no Vale do Silício

Reprodução da Internet
Um dos argumentos mais fortes citados no livro é o paradoxo do Vale do Silício
(Silicon Valley, o original fica na região sul da Baía de São Francisco, no estado da Califórnia, Estados Unidos. Ele não é apenas uma cidade, mas um aglomerado de várias cidades voltadas para a tecnologia, como Palo Alto, Mountain View, Cupertino e San José: os grandes executivos, desenvolvedores de tecnologia e fundadores de redes sociais adotam restrições rigorosas em suas próprias casas).
Muitas vezes, eles proíbem seus próprios filhos de usar dispositivos digitais ou matriculam-nos em escolas tradicionais que restringem ou banem o uso de telas.

Desmurget, não poupou esforços para trazer em sua obra números atuais e reveladores sobre como a dinâmica que criamos com as telas influenciam em nossa vida, mais diretamente sobre a forma que aprendemos e exercitamos nossa memória.

A imersão precoce promovida pelas empresas de tecnologia focadas em busca de dados desvia nossos processos internos, direcionando para interesses pessoais e corporativos, fazendo com isso afete desde nossa cognição, nossa gestão emocional, linguagem, coordenação motora, até o distanciamento que desenvolvemos do contato, da troca, das situações que envolvam afetos. A linguagem é acessível e fluída.

O que os adultos podem fazer?

As dicas contidas na obra

Reprodução ADS Brasil
A primeira recomendação é desmistificar os algoritmos: mostrar às crianças como funcionam esses sistemas, explicando que eles usam preferências anteriores para recomendar vídeos, produtos e perfis.
Essa compreensão fortalece o pensamento crítico e evita que aceitem passivamente tudo o que veem.

Outra estratégia importante é ensinar a influenciar os próprios algoritmos, usando ferramentas como "ver menos disso" ou seguindo perfis diversos.

Isso ajuda a construir um ambiente digital mais plural e saudável.

Estabelecer limites de tempo de uso, incentivar pausas e promover atividades fora da tela são atitudes importantes para reduzir o impacto nocivo do consumo contínuo.

Ferramentas como, por exemplo, o ESET HOME Security, podem auxiliar nesse processo, com recursos de controle parental e filtragem de conteúdo.

Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com as crianças sobre o que elas veem online, por que certos conteúdos não são recomendados e incentivá-las a refletir sobre as escolhas que são práticas e que fazem a diferença.

Ou seja, é despertar o senso crítico da criança e ensiná-la a importância e as consequências oriundas de suas escolhas.

Conclusão

Reprodução da Internet
Ao contrário do que se imagina, a obra não é anti-tech, ela só nos leva ao debate de que o digital tem, sim, possibilidades positivas e que pode nos ensinar muita coisa, mas que depende de nós estarmos dispostos a exercer uma posição ativa e não passiva em relação aos conteúdos e dinâmicas promovidas pelas redes.
Pois se o foco for apenas em consumo (seja no produto, seja no serviço, ou seja na obtenção de dados), estamos fadados a um mundo onde a saúde mental estará sempre sujeita ao Outro neste processo, o que, por si só, já é motivo de angústias diversas.
Para pais e educadores, pode servir como um guia estrutural de novas formas de acolhimento, nem que seja para causar insights que possam trazer mudanças no cotidiano e estabelecer posicionamentos críticos embasados quando ao uso das telas.

Porque quanto mais nos sentimos íntimos delas, mais nos distanciamos do nosso desejo, do social, do enfrentamento da realidade.
E, como diz o livro logo em sua abertura, se os grandes gurus da tecnologia estão proibindo que seus próprios filhos usem telas quando crianças, o que essa mensagem tão óbvia está querendo nos dizer?

Ficha Técnica: 

  • A Fábrica de Cretinos Digitais — O Perigo das Telas Para Nossas Crianças (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)

  • Autor: Michel Desmurget

  • Tradutor: Mauro Pinheiro

  • Ano de publicação: 2021, 1ª Edição

  • Gênero: Psicologia

  • Editora Vestígio, 590 Páginas
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

ESPECIAL — IGREJA CRISTÃ MARANATA: SEITA?

Reprodução da internet
O filme "Midsommar: O mal não espera a noite", dirigido por Ari Aster e lançado em 2019, conta a história de um casal que viaja até a Suécia para participar de um festival de solstício e se depara com uma "seita" pagã.

O documentário "Wild, Wild Country" (Netflix, 2018) retrata a história real de um líder de "seita" indiano que tenta construir uma comunidade independente nos Estados Unidos.

O podcast O Ateliê, da Folha de São Paulo, expõe os abusos do fundador da escola de arte conhecida como Atelier do Centro e a "seita" criada pelo homem.

O horror de Jonestown


Um dos casos mais macabros, é o do suicídio coletivo dos membros do Templo do Povo em 18 de novembro de 1978, em Jonestown, Guiana, marca um dos eventos mais trágicos da história moderna, resultando na morte de mais de 900 pessoas, incluindo mais de 200 crianças.

Liderado por Jim Jones (✩1931/✞1978), o Templo do Povo foi inicialmente estabelecido como uma comunidade focada em justiça social, direitos civis e causas humanitárias.

No entanto, evoluiu para um ambiente altamente controlado, caracterizado pela liderança autoritária de Jones e extrema manipulação psicológica, incluindo práticas como "simulações de suicídio" que dessensibilizavam os membros a pensamentos de automutilação.
  • A Netflix possui um catálogo dedicado a documentários sobre o líder do culto Jim Jones e a tragédia do massacre de Jonestown.
Essas são histórias reais e ficcionais que abordam, de maneiras diferentes, o mesmo tema: grupos denominados como seitas.

Constantemente, esse assunto levanta questionamentos sobre seu funcionamento, quem são seus participantes e como podem ser identificados.

Para além das definições, a nomenclatura seita muitas vezes também é usada de forma a desqualificar um grupo religioso ou organização.

Um grupo que pertence a uma igreja evangélica pode dizer que outra igreja é uma seita, porque não concorda com suas doutrinas.

Assim, no imaginário evangélico brasileiro, as seitas seriam aquelas igrejas que, supostamente, pregam doutrinas contrárias a determinados princípios bíblicos e não seguem a ortodoxia evangelical.

Como nasceu a Igreja Cristã Maranata


Sede inaugural da Igreja Maranata em Rio Marinho, Vila Velha em 1968
N o dia 3 de janeiro de 1968, foi inaugurada em Vila Velha, no Espírito Santo, uma igreja com 73 membros, sendo que 21 deles foram batizados durante a cerimônia de inauguração.

E assim tinha início a Igreja Cristã Maranata. Maranata é a palavra usada pelo apóstolo Paulo para falar sobre a grande mensagem da igreja, que é: o Rei vem, ou seja, Jesus voltará.

O fundador foi o Pastor Gedelti Victalino Teixeira Gueiros (✩1931/✞2025). Ele esteve à frente da instituição, desde o seu início em 1968, até o seu falecimento, aos 98 anos.
"A Igreja surgiu no seio da comunidade evangélica como resultado de um acontecimento previsto para o tempo presente",
afirma o pastor Valter Babo,
"como está escrito no livro do profeta Joel 2:28".
Valter dos Santos Babo foi um líder religioso de destaque e membro do Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata, que faleceu em 26 de junho de 2024. Ele dedicou sua vida ao ministério e era conhecido por seu trabalho na coordenação de ações sociais e evangelização
Começava ali o esforço missionário da instituição, que se espalhou por todos os continentes.

A Igreja atua em países como Haiti, Cuba, Macedônia, Burkina Faso, Uganda, Uzbequistão, Paquistão, Malásia, China e Nova Zelândia.

Fatos marcantes no Brasil


No Brasil, a força da Igreja Cristã Maranata ficou visível em três ocasiões, quando foram realizados grandes encontros:
  • Em 1976, 35 000 pessoas se reuniram no Estádio Engenheiro Alencar Araripe, em Cariacica (ES).

  • Em 2006, 100 000 pessoas participaram do segundo evento, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG).

  • Em 2013, na praça de eventos da enseada de Suá, em Vitória (ES), foram 125 000 pessoas, acompanhadas por um coro de 1 200 vozes.

A instituição hoje tem grande atividade na internet, com canal e rádio nas principais plataformas.


Linha doutrinária


Ao longo dessas quase 6 décadas, a Igreja Cristã Maranata sustentou uma série de conceitos e práticas que a diferenciam.

Identifica-se como uma igreja ortodoxa e busca viver um evangelho vivo, sem contaminações por tradições religiosas que, muitas vezes, levam à apatia.

Segue uma linha teológica protestante, pentecostal e restauracionista.

Sua base de crença, conforme consta na página de apresentação do site oficia da instituição, é fortemente fundamentada na Bíblia Sagrada, considerada a única regra de fé e prática, enfatizando a salvação pela graça e a manifestação contínua dos dons espirituais, como profecias, revelações e línguas estranhas.

A liderança e o corpo ministerial são compostos por voluntários não remunerados, que realizam as atividades da igreja.

Inclui rituais específicos, como o "Clamor pelo Sangue de Jesus" (oração de proteção), a observância de orientações recebidas por revelação divina e reuniões frequentes de oração logo pela manhã.

Por que a ICM é considerada seita por alguns?



Reprodução ICM
A rotulação da Igreja Cristã Maranata (ICM) como "seita" por alguns críticos, teólogos — como o pastor Pedro Reis, Caio Modesto e Maurílio Borges, os três já falaram sobre o assunto em vídeos postados nos seus respectivos canais nas redes sociais —, e ex-membros não possui um caráter oficial ou jurídico, mas decorre de divergências teológicas e comportamentais específicas que geram debates no meio cristão tradicional.

De um lado, críticos apontam o exclusivismo religioso e o foco em revelações extrabíblicas como traços sectários. De outro, a instituição se defende afirmando seguir rigorosamente os preceitos bíblicos evangélicos.

Para que não restem dúvidas de que a Igreja Cristã Maranata é considerada uma seita religiosa, é recomendável que todos leiam o Comunicado 46 emitido pela Presidência da igreja, que foi compartilhado em todas as congregações locais da Maranata.

Neste comunicado acima, o Presbitério da Igreja Maranata deixa explícito que Jesus e o Espírito Santo são "propriedade exclusiva" da ICM, e que esta informação deve ser levada em consideração por todos os membros que cogitam sair da Maranata.

Abaixo estão os principais motivos que levam críticos e apologistas evangélicos a utilizarem esse termo:
  • Fatores que geram as críticas de "seita"
Sectarismo Religioso — Críticos apontam que a instituição frequentemente se autodenomina como "A Obra", gerando em círculos internos a percepção de que seriam o único grupo que detém a "revelação" correta dos tempos atuais.

A convivência próxima ou participação em cultos de outras denominações evangélicas já foi apontada por críticos locais como desencorajada.

Quando você é convidado insistentemente, o membro o faz pois dele é cobrado esta atitude.

Ou muitas vezes dependendo do pastor de sua unidade (ministério), o membro sente no ápice de seu fanatismo converter todos a Igreja, como se membro dela for, será salvo.

Sendo que a verdadeira salvação está somente em Jesus Cristo para quem deseja ser cristão e ler a Bíblia.

A mistura Igreja, Cristo, Espírito e Deus é tamanha, a ponto de muitos acreditarem que estão na casa do Altíssimo, ou aquela é a obra verdadeira, revelada, autentica da trindade.

Uso da "Palavra Revelada" — O grupo adota uma forte vertente teológica alegórica.

Nela, decisões administrativas, escolhas pessoais de membros e interpretações bíblicas dependem diretamente de dons proféticos (como visões, sonhos e revelações).

Teólogos tradicionais criticam essa prática por entenderem que ela coloca revelações cotidianas no mesmo nível de autoridade da Bíblia. 

Centralização e Rigidez Institucional — A liderança exercida pelo Presbitério Central (com sede em Vila Velha, ES) possui decisões altamente centralizadas.

Relatos de ex-membros na internet apontam que questionamentos à liderança ou desobediência às orientações dos pastores são por vezes tratados como "idolatria" ou falta de submissão espiritual. 

Histórico de Escândalos Judiciais — Em 2013, investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) envolvendo membros da cúpula da igreja sob acusações de estelionato, falsidade ideológica e desvio financeiros abalaram a imagem pública da instituição, alimentando críticas externas.

Os Manaains


Os Maanains são grandes centros de treinamento bíblico, retiros espirituais e convenções pertencentes à Igreja Cristã Maranata (ICM).

A palavra "Maanaim" possui origem hebraica e significa "acampamento de anjos" ou "dois acampamentos", fazendo referência à passagem bíblica de Gênesis 32:2, onde o patriarca Jacó se deparou com um exército celestial.

Quase todos os Maanains são construídos em áreas rurais ou de preservação ambiental, integrando a arquitetura local com áreas verdes e matas nativas.

A instituição utiliza esses locais para centralizar o ensino e o fortalecimento espiritual da comunidade.

O primeiro e maior complexo é o Maanaim de Domingos Martins, localizado na região serrana do Espírito Santo.
  • Propósitos Principais
Ensino Doutrinário — Realização periódica de seminários voltados para pastores, diáconos, jovens, crianças e grupos de louvor.

Comunhão e Retiro — Espaços isolados das atividades cotidianas das cidades para que os membros busquem renovo espiritual e fortalecimento da fé.

Unificação da Obra — Padronização dos ensinamentos e práticas litúrgicas adotados em todos os templos locais do Brasil e do exterior.
Existem dezenas de Maanains espalhados por diversos estados do Brasil (como o Maanaim de Belo Horizonte e o de Juiz de Fora em Minas Gerais) e também em outros países.

Conclusão

A defesa e o posicionamento da Igreja Cristã Maranata


Ausência de Pedidos de Dinheiro — Diferente de diversas vertentes neopentecostais, a Maranata não realiza coleta de ofertas ou dinheiro publicamente durante os seus cultos. 
A manutenção dos templos é feita de forma reservada por dízimos voluntários.  
Ministério Voluntário — Praticamente todos os seus pastores e obreiros são profissionais liberais (como médicos, advogados e militares) que não recebem salário da igreja, exercendo suas funções de forma estritamente voluntária.
Bom, neste artigo, vimos os dois lados. Por fim, cabe a cada um fazer o que é orientado na Palavra, pelo apóstolo Paulo:
"...mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. 
(1 Tessalonicenses 5:21, grifo meu).
  • Por Leonardo Sérgio da Silva
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.


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E nem 1% religioso.

sábado, 13 de junho de 2026

UFOLOGIA: CIÊNCIA, RELIGIÃO E UMAS COISINHAS A MAIS

Reprodução da Interner
As últimas semanas foram agitadas nos meios ufológicos. O recente retorno do debate sobre ufologia tem sido impulsionado pela desclassificação de arquivos secretos de governos, revelações de denunciantes militares no Congresso dos EUA e novas declarações de autoridades, além da forte influência da cultura pop e de investigações jornalísticas.

Assim, o debate sobre ufologia retornou com força total ao centro das discussões globais, impulsionado pela abertura de arquivos governamentais, novas menções políticas internacionais ao Brasil.

Diferente do passado, o tema agora é tratado sob a ótica da segurança nacional, transparência governamental e avanços científicos de monitoramento.

Mas, as polêmicas, as controvérsias, disse-me-disse e teorias conspiratórias, continuam, só que com uma, digamos, atualização tecnológica, para adequação à era da Inteligência Artificial (IA). 

Eferência Política e Institucional


O cenário internacional tem pressionado agências de inteligência a fornecerem maior transparência sobre os chamados Fenômenos Aéreos Não Identificados (FANI/UAP).

No Congresso norte-americano, deputados têm citado investigações envolvendo casos clássicos, como o emblemático Caso Varginha, ocorrido em Minas Gerais em 1996.

O debate também tem forte ressonância no Brasil, com audiências públicas na Câmara dos Deputados para discutir o acesso a registros e a classificação desses fenômenos sob a ótica da Lei de Acesso à Informação. 

Perspectiva Científica


A ufologia atua na análise e no registro de hipóteses e evidências sobre objetos não identificados.
Contudo, a comunidade científica trata o tema com ceticismo, exigindo que os relatos sejam submetidos a métodos de verificação empírica e refutação antes de serem aceitos como fenômenos extraordinários.
Enquanto entusiastas apontam documentos governamentais como indícios, a ciência busca explicações convencionais para a maioria dos avistamentos relatados.

Ufologia na Cultura e Entretenimento

Reprodução Rolling Stone
Além da esfera política, o assunto se mantém em alta no imaginário popular.

Filmes e produções de diretores renomados, como Steven Spielberg, e lançamentos de documentários dedicados a estudar os segredos de incidentes famosos, continuam a alimentar o interesse do público sobre a possibilidade de vida extraterrestre.

Não é de hoje...

A crença em extraterrestres e os primeiros registros modernos

Imagem gerada por IA
A crença em seres extraterrestres ganhou força a partir de 1945, no contexto da Guerra Fria e da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética.

Nesse período, jornais do mundo inteiro passaram a noticiar com frequência relatos de avistamentos de OVNIs (Objetos Voadores Não Identificados).

Caso Roswell: uma nave espacial caiu em 1947? | América: Segredos de Estado | Canal History Brasil
Um dos casos mais famosos foi o Incidente de Roswell, em 1947, quando supostamente foram recuperados destroços de um disco voador em um sítio no Novo México.

A partir daí, popularizou-se a ideia de que os OVNIs seriam aeronaves de outros planetas, tripuladas por seres que teriam como missão ajudar no desenvolvimento da Terra e na promoção da paz mundial.

Relatos de contatos com extraterrestres e o surgimento de movimentos ufológicos.

Em diversas partes do mundo, pessoas afirmaram ter tido contatos com OVNIs e seres extraterrestres.

Muitos relatavam ter sido escolhidos como porta-vozes de ensinamentos para a humanidade, com mensagens voltadas principalmente à promoção da paz mundial.

Esses indivíduos ganharam visibilidade por meio de palestras, entrevistas em rádio e televisão, além de publicações de livros que marcaram época — entre eles, o clássico "Eram os Deuses Astronautas?" (Melhoramentos, 1968) de Erich von Däniken (✰1935/2026), o suíço que ficou conhecido como o "teórico da arqueologia extraterrestre".

Com o tempo, surgiram várias organizações e religiões ufológicas, como a The Aetherius Society, a Unarius — Science of Life e a I Am Activity.

Todas permanecem ativas até hoje, reforçando a influência duradoura desses relatos e crenças.

ET de Varginha, volta aos holofotes da mídia, na era da IA

30 anos depois, médico diz ter examinado o ET de Varginha em hospital de MG | SBT Notícias
Três décadas depois de um dos episódios mais controversos da ufologia brasileira, o Caso ET de Varginha voltou ao centro do debate após uma declaração inesperada.

O diretor Steven Spielberg, um dos nomes mais influentes do cinema mundial e responsável por filmes que ajudaram a popularizar a cultura extraterrestre, afirmou conhecer uma possível resposta sobre o episódio mineiro.

A fala rapidamente ganhou repercussão porque reacende uma narrativa que acompanha o caso desde 1996: a hipótese de participação internacional na suposta captura das criaturas vistas na cidade do Sul de Minas Gerais.

Apesar do impacto das declarações, não existem documentos públicos ou confirmações oficiais que comprovem essa versão dos acontecimentos.
O que Spielberg afirmou sobre o Caso Varginha

Durante entrevista concedida ao Fantástico,na TV Globo, enquanto promovia o filme "Dia D", Spielberg comentou que conhece a história brasileira sobre o ET de Varginha.

Segundo o diretor, ele sabe do relato de que representantes do governo norte-americano teriam sido enviados ao Brasil após o episódio para retirar os seres que estariam sob custódia militar brasileira.

A declaração chamou atenção porque parte significativa da narrativa ufológica construída ao redor do caso já sugeria, há anos, uma suposta operação conjunta entre militares brasileiros e autoridades dos EUA.

Vale destacar, porém, que não existem documentos, registros oficiais ou novas evidências que sustentem a hipótese comentada pelo diretor.

Como surgiu o ET de Varginha


O episódio aconteceu em janeiro de 1996, quando moradores de Varginha relataram avistamentos de criaturas incomuns, movimentação militar intensa e supostas operações de captura.

O caso rapidamente ultrapassou o noticiário regional e se transformou em um dos maiores fenômenos ufológicos da história brasileira.

Ao longo dos anos, surgiram dezenas de versões para explicar o ocorrido. Algumas defendem contato extraterrestre; outras apontam confusão coletiva, erros de interpretação, influência midiática e relatos contraditórios acumulados ao longo do tempo.

Mesmo após décadas, nenhuma prova material conclusiva foi apresentada publicamente.

Discussões em comunidades online continuam divididas entre defensores da hipótese extraterrestre e céticos que atribuem o episódio ao contexto cultural dos anos 1990.

O misterioso caso das Máscaras de Chumbo


Reprodução History do Brasil
Há mais um caso emblemático que marcou a história da Ufologia no Brasil. Na manhã do dia 18 de agosto de 1966, um jovem chamado Paulo Cordeiro dos Santos estava soltando pipas no Morro do Vintém, no Rio de Janeiro, quando viu os corpos de dois homens no chão e avisou a 2ª DP de Niterói. Ele chegou a comentar com algumas pessoas, porém ninguém deu muita importância.

Como estava chovendo muito, a polícia e os bombeiros resolveram subir o morro só no dia seguinte. A história de que tinham dois corpos no alto do morro já havia se espalhado pela cidade, e alguns curiosos e jornalistas foram junto com as autoridades.

Os dois homens estavam deitados de costas no chão, em uma espécie de cama feita com folhas de palmeira e próximos de um marco de cimento usado para demarcação de lotes.

Os dois vestiam ternos e capas de chuva, e já estavam em avançado estado de decomposição. Vários objetos estranhos foram encontrados com eles:
  • uma garrafa de água mineral magnesiana,
  • um copo feito de papel laminado,
  • duas toalhas embrulhadas em papel,
  • um par de óculos,
  • um maço de cigarros que estava quase acabando,
  • uma aliança,
  • duas máscaras caseiras feitas de chumbo,
  • além de um lenço com as iniciais A. M. S.
  • e dois bilhetes.
O primeiro bilhete continha algumas equações de eletrônica, enquanto o segundo tinha o que parecia ser instruções:
"16,30hs esta’ local determinado.
18,30hs ingerir capsúla após efeito,
proteger metais aguardar sinal mascara".
Os dois corpos foram identificados através dos documentos que estavam com eles.

Os homens eram: Manoel Pereira da Cruz, 32, e Miguel José Viana, 34, moradores de Campos dos Goytacazes, a cerca de 260 km de Niterói.

Os dois eram técnicos em eletrônica e eram sócios em um pequeno negócio de conserto de televisores.

Além de latrocínio, o roubo qualificado com o resultado morte, outras duas hipóteses foram levantadas: a de que Miguel e Manoel estavam envolvidos na venda ilegal de material radioativo, e foram assassinados por algum comprador insatisfeito; e a de que os dois tinham um caso amoroso e acabaram se suicidando por não poderem viver o seu relacionamento por causa do forte preconceito da época. Entretanto, polícia não chegou a seguir nessas linhas de raciocínio pela falta de provas que corroboravam com elas.

Dinâmica dos acontecimentos


Saíram de Campos no dia 17, dizendo que iriam comprar material de trabalho. Um carro também estava em seus planos de compras e traziam Cr$N 2.300,00 (dois e trezentos cruzeiros novos), segundo testemunhas posteriores. O dinheiro não foi encontrado.

Todos os seus passos foram levantados pelos detetives fluminenses. Tomaram o ônibus às 9h e chegaram em Niterói às 14:30h. Compraram num armarinho as capas impermeáveis e num bar a água mineral (Casa Brasília, na rua Cel. Gomes Machado e bar São Jorge, à rua Marquês do Paraná).

A moça que os atendeu neste último estabelecimento disse que Miguel parecia muito nervoso e toda hora olhava para o relógio.

O tempo estava chuvoso e escurecia rapidamente. Dali foram direto para o local onde foram mortos. Isto no dia 17 de agosto de 66. Seus corpos só foram encontrados no dia 20.

Inicialmente a polícia pensava que eles vieram encontrar um terceiro personagem. Um dos bilhetes e o desaparecimento do dinheiro reforçavam esta hipótese, mas, as máscaras de chumbo não combinavam com nada daquilo…

Quando encontrados, os corpos apresentavam uma coloração rosada. Um dos bilhetes falava em "proteger metais e aguardar sinais máscara". As máscaras estavam lá.

Típicas para proteger os olhos contra luminosidade intensa, talvez calor exagerado ou mesmo irradiação.

Isto tudo autorizava os detetives a pensarem, inclusive, em alguma atividade extraterrena. Estavam os técnicos pensando em contatos com extraterrestres?

Declarações de moradores da região, afirmam que viram no dia 17, um disco voador sobrevoando o Morro do Vintém e que este permanecera ali por algum tempo, exatamente na hora prevista pelos peritos para a morte dos dois homens.

Que os rapazes viviam tentando contatos com seres extraterrestres, ou coisas de outro mundo, disto não se tem dúvidas. Eram dados a práticas místicas, faziam experiências estranhas e perigosas.

Apesar de ainda estar sem solução, a teoria mais aceita é de que os dois tentaram realizar uma espécie de ritual.

Os dois acabaram morrendo por overdose, mas a causa passou batida pelos problemas no IML. E quanto a luz vista pelos moradores, ela teria vindo do experimento que deu errado.

Recentemente, diversas emissoras de televisão voltaram a tratar do tema em reportagens.

Seis décadas depois do ocorrido, não houve qualquer pista esclarecedora. Embora envolto em mistério, os ufólogos afirmam haver  evidências que apontam para uma ligação com discos voadores. Mas o mistério continua até hoje…

A Física quântica explica a ufologia?

Comunicação Alienígena e a Mecânica Quântica | Canal Físico Radioativo
Física Quântica "explica" os UFOs? A ciência convencional não utiliza a física quântica para explicar UFOs (Objetos Voadores Não Identificados), pois a mecânica quântica estuda fenômenos na escala de átomos e partículas subatômicas, enquanto UFOs são objetos macroscópicos.

Autores do nicho da ufologia espiritualista costumam misturar conceitos quânticos (como o papel do observador na medição) para argumentar que a consciência humana e a manifestação de UFOs estão interligadas.

Cientificamente, porém, o "efeito do observador" refere-se estritamente à interferência de aparelhos físicos de medição, e não ao pensamento humano.

Não se pode negar que a física quântica é fascinante e explica os blocos de construção do nosso universo, mas o mistério sobre a propulsão e a origem dos UFOs ainda reside na busca por uma teoria unificada (a gravidade quântica) que a ciência moderna ainda tenta decifrar.

É importante destacar que a comunidade científica ortodoxa trata essas abordagens com ceticismo. Astrônomos e físicos apontam que a astronomia não pode desconsiderar o rigor matemático e as restrições impostas pela velocidade da luz.

Contudo, a Física quântica virou uma espécie de mantra esotérico usado para justificar qualquer coisa, o que só reforça o distanciamento da ufologia em relação ao método científico.

Religiões ufológicas

Ets: anjos ou demônios?


Confirmado a existência dos Alienígenas? Sabe o que a Bíblia relata? 
Pode soar estranho, mas muitos especialistas afirmam que sim. Esses movimentos ou instituições são considerados religiões porque reconhecem o sagrado em algo sobre-humano — característica presente em praticamente todas as definições de religião.

Além disso, possuem sistemas de crenças e regras voltados para a paz e o bem da humanidade, reforçando seu caráter espiritual e social.

Por Que Muitos Acreditam Nessas Religiões?


O antropólogo PhD José Jorge de Carvalho, no livro "Misticismo e Novas Religiões" (Vozes, 1994), aponta razões para a adesão às religiões ufológicas.

Segundo ele, um dos fatores é o choque entre as religiões tradicionais (abraâmicas) e as religiões indígenas e africanas, somado ao impacto do Kardecismo (século XIX) e da Teosofia (século XX).

Essa diversidade de cosmovisões abriu caminho para novas formas de crenças espíritas e esotéricas, influenciando o campo religioso.

Outro motivo seria o anseio espiritual das pessoas, que buscam crenças fora das instituições tradicionais, motivadas pelo desejo de espiritualidade livre e independente, não restrita a religiões antigas ou controladas.

Ao longo do tempo, muitas instituições religiosas ligadas à ufologia surgiram. Algumas perderam força ou foram desmoralizadas após previsões não concretizadas.

Outras, porém, seguem vivas e continuam reunindo milhares de seguidores em todo o mundo. Entre as mais conhecidas, destacam-se:
Ritual - I Am Activity


  • I Am Activity — Considerada uma das mais antigas religiões ufológicas, a I AM Activity teve início em 1930, fundada por Guy Ballard.
     
  • Unarius Academia de Ciências — Foi fundada em 1954 na cidade de San Diego nos EUA pelo casal Ernest e Ruth Norman.
     
  • Outler Dimencional Forces (ODF - Forças Dimensionais Exteriores) — Fundada por Orville T. Gordon em 1963 após seu dito contato com extraterrestres.
     
  • One World Family Commune — Surgiu em 1967 na Califórnia, EUA, sendo fundada pelo pintor Allen Noonam.

  • Fundação Urântia — Organização muito famosa fundada em 1950. Promove o "Livro de Urântia", uma espécie de bíblia, sobre o qual, se diz, que foi escrito por uma comissão de alienígenas. A Fundação possui uma comunidade no Brasil em Curitiba/PR, a qual promove estudos sobre o tal do  "Livro de Urântia".

  • Sociedade Aetherius — Movimento religioso fundado em 1958 por George King, como resultado de seus contatos com seres extraterrestres por ele chamados de "Mestres Cósmicos". 

Existem religiões ufológicas no Brasil?


Sim, e como nas demais descritas, foram fundadas por pessoas que disseram ter algum tipo de contato com seres extraterrestres.

Além da Fundação Urântia como citado, duas outras organizações religiosas se evidenciam:
  • Cultura Racional — Fundada no Rio de Janeiro em 1935 pelo médium umbandista Manoel Jacinto Coelho. Atualmente, sua sede é na cidade de Nova Iguaçu/RJ. Sua fundamentação é baseada na coleção de 1.000 livros denominados "Universo em Desencanto", sendo eles, fonte de seus ensinamentos, mostrando o caminho para a salvação. Teve o apoio de 2 famosos artistas brasileiros, Tim Maia (✰1942/1998) que gravou dois álbuns com os nomes Tim Maia Racional Vol. 1 e Vol.2, e também Jackson do Pandeiro (✰1919/✞1982).

  • CEEAS (Centro de Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran) — Fundada em Salvador em 1973 por Paulo Antonio Landulfo Fernandes. É uma instituição sem fins lucrativos. Sua linha é filosófica-científico-espiritualista. Seu comandante era Ashtar Sheran que teria a missão de manter a segurança na Terra.

Conclusão

Reprodução O Globo

Apesar do ganho de seriedade institucional, a comunidade científica convencional e instituições de ceticismo mantêm forte resistência.

Críticos e cientistas apontam que a maior parte das audiências políticas falha em apresentar evidências físicas ou biológicas conclusivas, frequentemente baseando-se apenas em relatos visuais que carecem de validação laboratorial rigorosa.

Em 16 de setembro, a Câmara dos Deputados realizou audiência pública para discutir ufologia e a Lei de Acesso à Informação.

O evento foi convocado pelo deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) e, como era de se esperar, causou controvérsia.

Afinal, o Brasil enfrenta inúmeros problemas urgentes e, para muitos, pode parecer (com razão, eu diria) um desperdício de tempo e recursos dedicar espaço legislativo a relatos de discos voadores, ou à suposta conspiração mundial para esconder o "fato" de que estamos sendo visitados por seres de outros planetas.

Discutir ufologia no Congresso pode parecer perda de tempo, mas também é um retrato do interesse público.

Cabe aos céticos e cientistas aproveitarem essas oportunidades para levar informação de qualidade ao debate.

Há uma ironia quase poética nisso tudo. Durante dias, multidões discutiram extraterrestres, conspirações governamentais e tecnologias impossíveis.

A resposta, ao que tudo indica, estava parada no mesmo lugar o tempo todo, presa ao chão e incapaz de realizar voos rasantes.

Porém, talvez a lição mais importante seja outra. O episódio revelou o quanto algumas pessoas desejam acreditar.

Bastaram luzes distantes, um "criativo" influenciador com um Iphone de última geração na mão, uma narrativa emocionalmente carregada e a gravação de um punhado de vídeos ambíguos para que a hipótese extraterrestre fosse abraçada por milhares.

A investigação veio depois. A crença veio primeiro. Uma inversão perversa, mas muito comum!
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