Nenhum compositor/intérprete do início dos anos 70 combinou facilidade melódica com letras sensíveis e comoventes como David Gates, do Bread.
Um de seus maiores sucessos foi o single "Everything I Own", de 1972. Ela é um clássico da música internacional que muitos interpretam como uma canção de amor, e de fato o é, embora marcada por uma grande perda.
Um de seus maiores sucessos foi o single "Everything I Own", de 1972. Ela é um clássico da música internacional que muitos interpretam como uma canção de amor, e de fato o é, embora marcada por uma grande perda.
Sobre o que é a música? A quem Gates se referia? E o que o inspirou a escrevê-la? Vamos revisitar todos os detalhes de "Everything I Own", desde sua criação até seu significado, no texto deste artigo, novo capítulo da nossa especial, "Canções Eternas Canções".
Vamos conhecer a banda?
Seus membros fundadores incluíam o talentoso vocalista e guitarrista David Gates, o guitarrista James Griffin, o tecladista Larry Knechtel, o baixista Robb Royer e o baterista Mike Botts.
A proposta do grupo refletia a ideia de um som suave e agradável, alinhado ao estilo musical emergente do soft rock.
Liderada por um compositor já consagrado como David Gates, a banda Bread explorou diversos tipos de pop-rock nos anos 70 — mas, de alguma forma, foram sempre as baladas características de Gates, que levaram a melancolia do soft rock a níveis épicos, que pareceram ficar por mais tempo nos corações e nas paradas de sucesso.
A capacidade da banda de criar baladas românticas e introspectivas, muitas vezes escritas por David Gates, conquistou fãs em todo o mundo.
Outros grandes sucessos desse período incluem as belíssimas "If", "Baby I'm-a Want You" e "Guitar Man" — todas as canções chegaram ao topo das paradas e do sucesso comercial.
Com uma mistura de letras emotivas e arranjos suaves, a Bread era constantemente tocada nas estações de rádio e nas paradas musicais.
Os primeiros anos da banda foram marcados pelo lançamento de seu álbum de estreia homônimo, "Bread" (1969), que continha músicas que se tornariam clássicas, como "Dismal Day" e "It Don't Matter to Me".
A voz suave de Gates, aliada às harmonias impecáveis da banda, marcavam o tom melódico que se tornou sua principal característica.
A virada para a década de 1970 marcou o auge da popularidade do Bread, com o lançamento de álbuns que emplacaram a banda no cenário musical. "On the Waters" (1970) e "Manna" (1971) foram álbuns que contribuíram para a ascensão meteórica da banda.
A canção "Make It with You", do álbum "On the Waters", tornou-se um sucesso instantâneo, alcançando o topo das paradas e garantindo ao Bread seu primeiro single número um.
O cansaço das constantes gravações e turnês se instalou, apesar do sucesso da banda; os relacionamentos pessoais começaram a ficar tensos e o grupo separou-se em 1976, reunindo-se algumas vezes ao longo dos anos para turnês.
Em 2005, Griffin e Botts morreram vítimas de câncer, aos 61 anos.
Em agosto de 2009, Knechtel faleceu de ataque cardíaco, aos 69 anos, deixando Gates e Royer como os únicos membros sobreviventes.
Royer continua envolvido com música, inicialmente trabalhando em seu estúdio, Nashfilms, no Tennessee, e Gates optou por se aposentar da música.
Vamos conhecer a história da canção?
"Everything I Own"
- Uma homenagem ao papai
Muitos ouvintes interpretam "Everything I Own" como uma canção de amor romântico, mas David Gates, vocalista e líder do Bread, escreveu a música como uma homenagem ao seu pai, que faleceu antes de ele alcançar o sucesso.
É comum as pessoas ouvirem "Everything I Own" como uma espécie de testemunho do que alguém faria para estar com a pessoa amada.
Talvez seja por isso que ela tenha se tornado um tema tão recorrente em covers.
No Reino Unido, a música chegou ao primeiro lugar nas vozes do cantor de reggae Ken Boothe e de Boy George, do Culture Club.
Talvez seja por isso que ela tenha se tornado um tema tão recorrente em covers.
No Reino Unido, a música chegou ao primeiro lugar nas vozes do cantor de reggae Ken Boothe e de Boy George, do Culture Club.
No entanto, Gates não tinha o romance em mente quando escreveu a música.
O pai de Gates havia falecido justamente quando sua carreira musical estava começando.
E, como ele contou ao The Guardian, "Everything I Own" foi sua maneira de homenagear o pai e a poderosa influência que ele exerceu.
Como nasceu a canção
O pai de Gates havia falecido justamente quando sua carreira musical estava começando.
E, como ele contou ao The Guardian, "Everything I Own" foi sua maneira de homenagear o pai e a poderosa influência que ele exerceu.
"Meu pai faleceu em 1963 e eu queria escrever uma música em sua memória.
Ele viveu para ver alguns dos meus primeiros passos rumo ao sucesso, mas não os grandes sucessos ou o estrelato com o Bread.
Como em todas as minhas músicas, a música me guiou e a letra tentou acompanhá-la, mas surgiu muito rapidamente.
Escrevi a letra — '...Eu daria tudo o que tenho só para te ter de volta...' — para que pudesse ser interpretada como uma canção de amor, mas quando a toquei para minha esposa, ela soube imediatamente que era sobre meu pai. Ela chorou."
Isso dá um novo significado a versos como
"...You sheltered me from harm / Kept me warm, kept me warm..."que expressam gratidão e reconhecimento pelo cuidado paterno.
(...Você me protegeu do perigo / Me manteve aquecido, me manteve aquecido...),
O refrão, onde Gates diz que daria tudo o que tem, até mesmo sua vida, para ter o pai de volta, mostra a intensidade da saudade e do amor filial presentes na música.
Qual o significado de "Everything I Own" ("Tudo que eu possuo")"?
Como Gates explicou na citação acima, ele conseguiu manter o conteúdo emocional de "Everything I Own" suficientemente geral para que pudesse se aplicar a todos os tipos de relacionamentos.
Ele não usa meias palavras
Ele não usa meias palavras
(...Você me deu a vida / Me libertou, me libertou...),
mas também demonstra um pouco de descontração com a linguagem para evitar que as coisas fiquem muito sombrias
("...Você me ensinou a amar / Do que se trata, do que se trata...").
Gates faz um trabalho maravilhoso ao encontrar maneiras únicas de expressar a perda:
"...Ninguém mais jamais poderia saber / A parte de mim que não consegue deixar ir..."
Na ponte, qualquer pretensão de que esta seja de alguma forma uma canção sobre um caso de amor ainda em curso cai por terra quando Gates dá conselhos ao seu público sobre dizer às pessoas que as ama enquanto ainda podem:
"...Você pode perdê-las um dia / Alguém as leva embora / E elas não ouvem as palavras que você anseia dizer..."
Nesse ponto, "Everything I Own" retorna com força total ao refrão, com Gates explicando o que faria para ter o pai de volta.
O fato de a música funcionar tanto como poema de amor quanto como elogio fúnebre é uma prova do que o compositor conseguiu nesta, uma das canções mais impactantes e emotivas do Bread.
O fato de a música funcionar tanto como poema de amor quanto como elogio fúnebre é uma prova do que o compositor conseguiu nesta, uma das canções mais impactantes e emotivas do Bread.
A letra também traz um alerta sobre a importância de valorizar as pessoas enquanto ainda estão por perto.No trecho
"...Is there someone you know / You're loving them so / But taking them all for granted?...
(...Existe alguém que você conhece / Que você ama tanto / Mas não valoriza como deveria?...)",
Gates destaca o risco de só percebermos o valor de alguém depois da perda.
Essa mensagem universal, aliada à simplicidade e sinceridade da composição, faz de "Everything I Own" uma reflexão sensível sobre gratidão, perda e a importância dos laços familiares. Por isso ela está aqui, por isso ela é uma canção eterna canção.
Conclusão
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fonte: Songwhriter (tradução: Leonardo Sérgio da Silva); Letras]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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