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domingo, 15 de fevereiro de 2026

CASO EPSTEIN: ABERRAÇÃO PODEROSA, INSTITUCIONAL E SISTÊMICA

  • Este artigo é em atendimento à sugestão de alguns seguidores do blogue Conexão Geral.
Os últimos dias circula, intenso fluxo de informações nas redes sociais, blogues, podcasts, TVs, rádios e portais, sobre o escândalo envolvendo o magnata do mercado financeiro Jeffrey Epstein.

O nome de Epstein dominou as manchetes da mídia depois que um tribunal de Nova York divulgou uma lista de celebridades supostamente envolvidas com o empresário.

Sua morte na prisão também teve grande repercussão, já que ele tirou a própria vida em sua cela em agosto de 2019, meses antes de seu julgamento por tráfico sexual e exploração de menores .
O chamado Caso Epstein é considerado um dos maiores escândalos envolvendo uma rede de tráfico de pessoas para exploração sexual de corpos infantis, adolescentes e mulheres dos últimos tempos.
Tratado por muitos veículos como escândalo sexual, pelas dimensões de sua sordidez, de sua hediondez, eu o considero como algo mais além. Este é um escândalo político.

Isto porque trata-se da prática sistemática de violação de corpos de crianças e mulheres no centro do poder econômico, de lideranças políticas, religiosas e figuras ilustres do campo do entretenimento.
Cabe ressaltar que os nomes dos atores, modelos, apresentadores de TV e outros não implicam culpa, visto que incluem todo tipo de informação proveniente da extensa investigação, como depoimentos, declarações e e-mails.

Quem era Epstein


Antes de se tornar a figura central de um caso de tráfico sexual de grande repercussão, Jeffrey Epstein foi professor de matemática e um influente financista em Nova York.

Cortejando ricos e famosos com jatos particulares e festas luxuosas nos anos 1980, os negócios de Epstein cresceram até administrar centenas de milhões de dólares em ativos de clientes.

Entre as celebridades com quem ele socializava estavam o então presidente dos EUA, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e Andrew Mountbatten-Windsor, antes príncipe Andrew.
"Conheço o Jeff há 15 anos. Cara excelente",
disse Trump à revista New York em 2002. Só que não!

Em 2005, os pais de uma garota de 14 anos disseram à polícia da Flórida que Epstein havia molestado sua filha em sua casa em Palm Beach.

Ele evitou acusações federais e, em vez disso, recebeu uma sentença de 18 meses de prisão.

Desde 2008, Epstein estava listado como nível três no registro de criminosos sexuais do estado de Nova York.

Era uma designação vitalícia que significava um alto risco de reincidência.

Em julho de 2019, ele foi preso em Nova York por acusações de tráfico sexual, acusado de comandar "uma vasta rede" de meninas menores de idade para exploração sexual.

Após ter fiança negada, ele foi mantido no Metropolitan Correctional Center, em Nova York, onde foi encontrado morto em sua cela meses depois.

A partir daí muitos são os rumos de uma história que precisa ser passada a limpo.

Podridão elitizada

O que tem sido muito comum depois da liberação seletiva de 23 mil páginas de documentos é a tendência de tratar esse fato gravíssimo como reality show.

E o surgimento de temas como cortinas de fumaça para desviar o foco das questões a serem esclarecidas e enfrentadas.

Além da ênfase por parte de alguns meios na visibilização das vítimas, o que incide em mais violações.

O silenciamento e a opacidade dos fatos parece-me sempre uma estratégia eficiente de manutenção das formas abusivas de poder.

Um abuso sexual, a exploração de crianças, adolescentes e mulheres reflete uma relação de poder.

Dentro ou fora de casa, na igreja, na escola, no Congresso Nacional, enfim, onde quer que aconteça.

A notoriedade das pessoas envolvidas e a amplitude da rede de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual do Caso Epstein tem intensificado o agendamento midiático sobre o tema.

Porém, é preciso que todas as pessoas reflitam mais profundamente sobre os valores que sustentam as práticas abusivas, com olhar atento para o quê o que conservadorismo protege como segredo.

Os 'arquivos Epstein'

O escabroso arquivo de Epstein, tornou-se uma verdadeira bomba que, com certeza, está colocando em perigo muita gente poderosa, mesmo que blindadas em suas potências financeiras.  Ao todo, três milhões da páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos foram publicados no dia 30/1/2026.
A divulgação aconteceu seis semanas depois do departamento perder o prazo legal assinado pelo presidente Donald Trump, que exigia que todos os documentos relacionados a Epstein fossem tornados públicos.
"A divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas",
disse o vice-procurador-geral Todd Blanche.
Nomes de brasileiros que
estão nos Arquivos Epstein.
Além das imagens e conversas de Andrew, os arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Jeffrey Epstein na prisão — incluindo um relatório psicológico — e sua morte enquanto estava encarcerado, juntamente com registros de investigação sobre Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade.

Eles também incluem e-mails entre Epstein e outras figuras públicas influentes.

Além do que a mídia possa [ou queira] mostrar

Todo escândalo possui uma anatomia. Talvez seja por isso a necessidade de mergulhar fundo, sair da superfície dos fatos que acabam por nutrir uma indústria da informação.

A midiatização de um acontecimento social é um aspecto relevante em torno de um problema tão grave como a formação de uma rede de tráfico de pessoas para fins de abuso e exploração sexual, e por isto é relevante discutir neste quesito:
  • a cultura que protege pedófilos,
  • a educação para a desigualdade,
  • a cultura do estupro,
  • a exploração sexual como um jogo perverso de poder normatizado, sobretudo por muitos homens. Ou por um tipo de ordem e lógica masculina de governança.
É um escândalo político que fala sobre a nossa vida cotidiana dentro e fora de casa.

A instauração no Brasil de um Pacto Nacional de Enfretamento ao Feminicídio, nos últimos dias, é uma decisão no centro de uma gestão pública dada a crise instalada na sociedade brasileira, mas para funcionar as medidas precisam ser entendidas e adotadas por todas as pessoas e instituições.

Um dos pontos importantes inclusive foi colocar os homens no centro do compromisso social para o enfrentamento as diferentes formas de violência contras meninas e mulheres, contra crianças. A começar pelo conteúdo das campanhas em torno do tema.

A luxuosa e aconchegante ilha do terror

Deputados democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos divulgaram no dia 3/12/25 fotos e vídeos que mostram como era uma das ilhas privadas de Jeffrey Epstein, um dos locais onde ele seus comparsas de alta estirpe cometiam seus crimes sexuais (essa ilha, inclusive, foi apelidada de 'ilha da pedofilia", para aqueles que sabiam todo o horror que acontecia lá).

As imagens, registradas por autoridades das Ilhas Virgens Americanas — um arquipélago no Caribe pertencente aos EUA — mostram quartos, banheiros, salas de massagem e um telefone fixo com nomes escritos nos botões de discagem rápida.

Em meio a todo o luxo e requinte do espaço, há também um quadro negro onde estão escritas palavras como "power" (poder) e "deception" (que pode significar fraude, farsa ou engano).

Conclusão


Prevenir, proteger, responsabilizar, educar, comunicar são atos de grande relevância para efetiva ruptura da violência estrutural contra crianças e mulheres.

A cooperação entre instituições torna-se base importante diante de um grave problema.

Uma das coisas igualmente violentas que o Caso Epstein joga na cara de todos e todas nós, é a proteção aos algozes, cujos nomes, em sua maioria, estão sob sigilo. O pacto com o segredo protege quem viola e massacra ainda mais as vítimas.

Por fim, enfatizamos a responsabilidade dos meios de comunicação no debate público, por seu papel no sistema político e a mediação que exerce.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

🧠PAPO DE PSICANALISTA🛋️ — FOLIA NO DIVÃ: O QUE NOS DIZEM AS MÁSCARAS CARNAVALESCAS?

E então, chegou o Carnaval: há quem o ame e também quem o odeia (e faço parte do segundo grupo).

O Carnaval está presente nas origens gregas de nossa civilização ocidental. 

Era uma festa profana de culto a fertilidade, comemorada com orgia sexual e muito vinho, em reverência ao deus Dionísio.

O espetáculo carnavalesco carrega consigo uma história, traz na bagagem máscaras e fantasias de um mundo subjetivo que se revelam e ganham expressão nessa manifestação cultural, com o lema
"tudo é permitido, o carnaval é de todos, e para todos!"
E é exatamente aqui que é possível fazer uma leitura psicanalítica de toda a subjetividade que se manifesta através das máscaras e fantasias carnavalescas. 

Neste texto, proponho uma reflexão psicanalítica sobre o uso da máscara no Carnaval e insisto: ela esconde ou revela?

Há algo bem mais profundo do que apenas a diversão dos foliões. É o que veremos em mais um capítulo da nossa série especial "Papo de Psicanalista".

Terapia foliã


Certamente a pergunta feita é: afinal, o que tem a ver psicanálise com o Carnaval? A resposta direta é: TUDO!

Há dois equívocos teóricos recorrentes quando se pensa um objetivo da análise: aquele que entende que a psicanálise seria um hedonismo ingênuo, uma liberação das pulsões e dos desejos; e outro, de que a psicanálise buscaria "delimitar o gozo".

Soaria como se estivéssemos propondo uma moral hedonista ou ascética, um movimento dionisíaco ou uma renúncia cristã ao prazer.

Não se trata disso. A psicanálise não é uma pedagogia do prazer ou da abstinência. Ao contrário, ela busca distinguir gozos.

E, justamente por distingui-los, aposta que é possível passar de um tipo de gozo a outro.

O carnaval provoca uma quebra na ordem social e permite uma inversão de papéis e valores. 

Esse período é representado pela mistura de cores, classes sociais, diversão e cultura.

Mais sobre a característica psíquica do Carnaval


O Carnaval é uma festa que, à primeira vista, pode parecer apenas um momento de celebração, diversão e descontração. 

Mas, se olharmos com mais atenção, veremos que ele carrega camadas profundas de significados psíquicos e sociais.

A Psicanálise, ao longo do tempo, se debruçou sobre diversas expressões culturais, como Shakespeare (✰1564/✞1616) e a música clássica, mas ainda parece ter explorado pouco essa riquíssima experiência do Carnaval.
 
Por exemplo, se perguntarmos
"o que uma máscara faz?",
a resposta imediata pode ser: "Ela esconde".

Esconde o rosto, a identidade, quem realmente somos.

Mas, e se for o oposto? E se a máscara ao ser escolhida, ao invés de ocultar, permitir que algo autêntico venha à tona?

Na Psicanálise, sabemos que o sujeito está sempre em conflito entre o que ele quer mostrar e o que precisa esconder. 

Vivemos equilibrando desejos inconscientes e regras sociais. No Carnaval, essa tensão é liberada:
  • O tímido se torna extrovertido.
  • O discreto se veste de maneira exuberante.
  • O formal se transforma em palhaço...
Freud (✰1856/✞1939) nos ensina que o inconsciente se expressa indiretamente, através dos sonhos, lapsos e atos falhos.

No Carnaval, ele ganha um novo canal: a fantasia. Escolher uma fantasia não é aleatório; pode expressar desejos nem sempre tão aparentes.
  • Por exemplo, vestir-se de super-herói pode indicar um desejo de potência.  
  • Homens que se vestem de mulher, podem estar projetando desejos homossexuais recalcados (ou seja, reprimidos). 
  • Optar por um vilão pode ser um flerte com algum tipo de agressividade. O que está por trás de cada escolha?
Brincando com as instâncias psíquicas, poderíamos dizer que o Id se solta. 

Arromba a porta do porão, salta pra fora e vai pra folia, arrastando consigo o Ego, que num primeiro momento resiste, mas depois acaba aderindo a festa.

Psicose: 

O Mundo Literal

Imagem criada com recursos da IA
Na psicanálise, psicose e perversão são estruturas clínicas distintas que organizam o psiquismo de formas singulares, diferindo da neurose na maneira como lidam com a lei, a realidade e a castração.
  • Psicose — A psicose se caracteriza pela foraclusão. Trata-se de um termo no âmbito jurídico para se referir ao processo prescrito, que não existe mais legalmente e sobre o qual não se pode mais falar. Não se pode mais falar! Ou seja, o psicótico tem uma lacuna de simbolização na linguagem. Tudo é muito literal. E como o Carnaval é um fenômeno simbólico por excelência, não cabe aqui uma análise aprofundada dessa estrutura dentro dessa festa — ao menos neste momento.
  • Perversão — A Transgressão Como Regra. O perverso não recalca, ele denega a castração. Um dos tipos de perversão, inclusive, é o fetiche. Fetiche, da palavra feitiço. Como mágica, o perverso faz sumir toda aquela situação desagradável da castração e inserção da Lei. Assim, o Carnaval pode ser visto, para ele, como um espaço onde as regras sociais são desafiadas, onde se expõe aquilo que deveria ficar oculto.

Fantasias, expressão das personas


  • Persona — de acordo com a psicologia junguiana é uma funcionalidade psíquica adaptada à vida social e às necessidades externas. São as máscaras sociais que usamos para nos adaptarmos aos vários papéis que vivemos em sociedade. Criada entre a infância e a adolescência, a persona é em vários momentos um mecanismo de defesa que nos permite encenar no palco da vida os nossos mais variados papéis, com grande versatilidade.
  • Personalidaderefere-se aos padrões de pensamento, comportamentos e sentimentos característicos que tornam um indivíduo único. A personalidade surge dentro do indivíduo e permanece consistente ao longo de sua vida. Alguns exemplos de personalidade podem ser encontrados na maneira como você descreve as características de outras pessoas.
A festa do carnaval é considerada a manifestação popular por excelência e o lugar privilegiado da expressão do realismo grotesco.

Na percepção carnavalesca assiste-se uma subversão das fronteiras entre o real e a fantasia.

Dentre os elementos explorados na festa, encontramos o riso.

O riso é festivo, universal, todos riem e permitem rir-se de tudo e de todos. 

O riso grotesco exalta o "tempo alegre", que participa no espírito da festa, mas também carrega o tempo da metamorfose, soberano, onipotente e mensageiro da morte.

No regime alegre carnavalesco, tudo é transitório, os corpos estão em permanente transformação flertando com o perigo e o proibido. 

O prazer entra em cena, marcando a satisfação do desejo, contrapondo à dor e ao tédio.

O carnaval parece ser uma licença poética, folclórica e cultural do comportamento, um escapismo. 

Nesse momento as fantasias dão asas aos actings outs (atuações, representações), parecendo tudo justificado pelo clima dionisíco do carnaval.

Tomemos outro cenário: o "kit" de bebedeiras e drogas, a programação frenética de festas, a combinação de substâncias, os aplicativos de pegação, o chemsex, o tadala, a violência sexual...

Slavoj Žižek, ao criticar certas formas contemporâneas de carnavalização, falou de uma "orgia opressiva", uma exigência de gozar que se torna, ela mesma, um imperativo sufocante que mantém intactas as estruturas de poder que nos oprimem.
✷Influente filósofo, psicanalista e crítico cultural esloveno, conhecido como um dos pensadores contemporâneos mais provocativos. Misturando marxismo, psicanálise lacaniana e filosofia hegeliana, ele analisa a cultura popular, cinema e política para criticar o capitalismo, o liberalismo e o "politicamente correto" (Editora Vozes).
Sob este entendimento, portanto, a fantasia e a máscara estão longe de ser apenas um adorno de carnaval, ela tem um valor catártico.

É um extravasamento, uma liberdade durante os dias de festividade, das rotinas cotidianas e da estagnação habitual.

Ainda no clima de brincadeira com as instâncias psíquicas, vou chamar o Superego que, embora tenha se deixado levar aos exageros dos companheiros Id e Ego nesses dias de folia, renascerá das cinzas e, com um olhar de superioridade, confirmará que voltaremos a sambar ao som das angústias do cotidiano nos próximos meses.

Conclusão

O Carnaval como Sublimação

Se pensarmos o Carnaval como um espaço de expressão cultural e simbólica, podemos entendê-lo também como um fenômeno de sublimação.
Sublimar, na psicanálise, é transformar impulsos primitivos em expressões culturalmente aceitas. 
O Carnaval, com sua arte, suas músicas, sua estética, é um grande movimento sublimatório.
Afinal, a máscara no Carnaval esconde ou revela? A resposta é: ambas.

Ela permite que o sujeito expresse aspectos seus que, no dia a dia, estão reprimidos.

Ela libera o desejo ao mesmo tempo em que protege, pois, por trás da fantasia, há sempre um retorno seguro à ordem social.

Talvez a grande lição do Carnaval seja esta: a identidade é fluida, mutável e simbólica.

Talvez a grande lição seja a ambiguidade à qual a Psicanálise sempre se agarrou com unhas e dentes.

E, nesse jogo entre esconder e revelar, encontramos pistas importantes sobre quem realmente somos.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
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E nem 1% religioso.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

PRONTO, FALEI! — TÁ NA MODA "SER EVANGÉLICO"

Recentemente, os dados censitários confirmam o estudo Nota Técnica Crescimento dos estabelecimentos evangélicos no Brasil nas últimas décadas, de Fernanda Negri e outros, que revela o crescimento dos estabelecimentos religiosos no Brasil nos últimos 20 anos.

Os dados estatísticos são, digamos, bem do jeito que muitos gostam, indicativos de uma grande multidão de crentes no Brasil, formada em tempo recorde.

Entre os 124.529 estabelecimentos existentes no país em 2021, 52% são evangélicos pentecostais ou neopentecostais, liderando o resultado, seguidos por 19% evangélicos tradicionais e 11% de católicos (Ipea, 2023).

Entre os evangélicos pentecostais, a Assembleia de Deus é a que possui o maior número de estabelecimentos, 14%.

Apenas 8% dos estabelecimentos não puderam ser identificados, pois grande parte é composta por associações comunitárias, beneficentes ou educacionais.

O estudo destaca uma notável tendência de crescimento, tanto em números absolutos quanto na dispersão geográfica em todo o território brasileiro.

O avanço tem sido especialmente marcante no interior do país nos últimos anos, representando uma mudança significativa em relação ao crescimento anterior concentrado nas grandes cidades (Ipea, 2023).

Como podemos ver, os dados são, de fato, animadores, mas, toda essa explosão numérica reflete na qualidade espiritual da igreja evangélica atual? 

É o que veremos em mais um capítulo da nossa série especial de artigos, Pronto, Falei!

Crescimento ou enchimento?

A única agência transformadora de vidas hoje, neste mundo secularizado, é (ou deveria ser) a Igreja.

Mas, ao que parece esta se institucionalizou. Eu não estou falando da ICAR, IEAD, IBB, IBN, IPB, etc. etc. Isso tudo são siglas denominacionais evangélicas ou não, não passa de siglas.

Fico imaginando, o que aconteceu, com nossas Igrejas, é muito triste o que vemos no cenário nacional, já parou para observar o comportamento das igrejas evangélicas no Brasil?

Dizem que somos o povo do avivamento, que o Brasil é um celeiro de cristãos, com um potencial enorme para evangelizar o mundo! Será?

Como vimos na introdução do artigo, realmente, o Brasil é uma das nações onde as igrejas evangélicas mais crescem, mas crescem em qualidade ou em quantidade?

Síndrome de Laodiceia  


São números impressionantes, como dizem alguns, "números Evangelásticos", e de fato impressiona, a forma como cresceu e cresce a igreja evangélica em nosso País, mais infelizmente, o que muito me entristece, é constatar que quanto mais cresce em números, menor é a qualidade de nossas igrejas e consequentemente dos nossos irmãos que seguem cada vez mais.

Igrejas pobres e desnutridas espiritualmente, templos muitas vezes riquíssimos belos e imponentes, mais espiritualmente doentes, consequentemente, geram crentes débeis, limitados e doentes também.

Não quero ser pessimista, mas é o que enxergo quando olho para o quadro em que se encontram nossas igrejas — 
dando aqui a merecida ênfase às raríssimas exceções
—, de um lado vemos, igrejas Neopentecostais e algumas Pentecostais pregando uma prosperidade louca, que gera um monte de cristãos egoístas, insensíveis, correndo em um galope descontrolado em busca de uma utópica riqueza material, que se não alcançam, logo abandonam a fé, frustrados por não conseguir o que buscavam, muitas das vezes taxados por culpados por seus lideres, que afirmam; se não conseguiu "é porque não tem fé".

Outros em busca de um milagre urgente em igrejas que vivem de explorar o desespero das pessoas que sofrem a dor de uma doença, muitas das vezes desenganadas pela medicina.
E DEUS realmente cura, ele é misericordioso e cura a pessoa independentemente de quem está orando por ela, o nosso Deus realmente cura. Frise-se isso!
O problema é que certos pastores — verdadeiros charlatões, exploradores da fé e da ingenuidade de fiéis incautos (Esses camaradas deveriam estar é na cadeia!)— que tentam levar a fama de curandeiros, esquecem que DEUS não divide a glória dEle com ninguém, e que o evangelho que deve ser pregado é o evangelho da salvação, e não o da cura (até mesmo porque, esse evangelho não existe).

Neste cenário de exposição midiática, onde tais senhores e senhoras se promovem como influencers gospel, ai de Deus se Ele não curar e não operar milagres em baciadas, no feirão da fé. Pois se por algum motivo DEUS não curar o indivíduo ele nunca mais volta na igreja e toda aquela "fé" antes demonstrada, se transforma em lamúrias, murmurações e críticas. 

De outro lado vemos as igrejas pentecostais enfatizando demais a busca do inacreditável, emocionante e sobrenatural, é óbvio que o sobrenatural acontecerá sempre em nosso meio.

Contudo, o sobrenatural não pode ser o principal motivo de nosso culto, não da maneira que estamos querendo que seja, afinal, o culto é ao Senhor, somos apenas súditos em seu Reino.

Inversão de valores


Nossos cultos hoje são pura emoção e pouca salvação, pastores mais parecendo coaches motivacionais,  que ficam inflando egos em pregações com a profundidade espiritual de água num pires e tão com extensão emocional oceânica.

Não dá para viver um evangelho assim, no culto pentecostal geralmente, os crentes se preocupam demais, em ver o sobrenatural, ser arrebatado, entregar ou buscar uma profecia, falar em línguas, sapatear, pular, fazer aviãozinho e outras bizarrices que fazem com o culto mais se pareça com um espetáculo digno de um circo de horrores. E ainda ousam chamar essa patacoada de "mover/unção do Espírito", fazendo sempre alusão ao evento do Dia de Pentecoste, registrado em Atos 2.

Ou seja, queremos um culto extraordinário, que nos satisfaça e nos encha de paz e alegria, para sairmos renovados, nada contra, mas estamos fazendo culto antropocêntrico, ou seja, voltado para o homem, para os crentes. Igrejas que mais parecem guetos, clubes privados da "elite espiritual evangélica". E os perdidos, como ficam? Parafraseando o apóstolo Paulo, "como ouvirão se não há quem pregue" (Romanos 10:12-15)?

E o que dizer das igrejas históricas e tradicionais — que, sem dúvida, crescem bem menos que as pentecostais e neopentecostais —, que em busca de um "avivamento", na maioria das vezes, não têm nada de espiritual, estão se perdendo também nesse cenário evangélico da atualidade?

O problema é que a igreja, seja ela Reformada, Histórica, Tradicional, Pentecostal, Neopentecostal ou o que for, precisa saber, que o papel da igreja, é a anunciação do Reino de Deus, onde apenas Jesus é Senhor e de sua justiça, através da pregação do genuíno evangelho.

O problema é que em todos os exemplos que citei acima, em nenhum deles, se prega o verdadeiro evangelho de JESUS CRISTO, se enfatiza muito o financeiro, ou a cura, ou as bênçãos, ou á emoção, ou o entretenimento.

Estão esquecendo-se de dizer que só JESUS CRISTO SALVA, não estão pregando o evangelho da salvação, porque pensam eles: "não dá ibope", não é atrativo para angariar seguidores, não enche igrejas...

Os pregadores de hoje, estão querendo dizer o que o povo quer ouvir, e não o que o povo precisa ouvir, estão pregando um evangelho barato, que muitas vezes sai caro mesmo é pros seguidores deles.

Precisamos pregar o evangelho, que transforma, que confronta direto com o pecador, que faz o homem reconhecer o seu estado original, de pecador, se arrepender de seus pecados e entregar sua vida a CRISTO.

É simples, é só falar do pecado da justiça e do juízo, dizer ao homem que ele é pecador, mais que CRISTO, morreu para o salvar, que basta ele se arrepender, e CRISTO o salvará!

O resto pode deixar com JEOVÁ, quem, através do ESPIRITO SANTO pois Ele é o responsável pelo ministério da reconciliação e do convencimento.

Ele é o Agente ativo e essencial no ministério da reconciliação, aplicando na vida dos crentes a obra que Jesus Cristo realizou na cruz.

Não é preciso fórmulas mirabolantes, invencionices, sincretismos... 

Viram como é simples, é só descer do pináculos dos templos, apagar as luzes dos holofotes midiáticos e deixar a glória de Deus brilhar.

É se lembrar que o trabalho de conversão pertence a Deus e que nós somos apenas vasos de barros, fragilíssimos, nas mãos do Oleiro.

O grande problema, é que esse tipo de pregação, salva o perdido, mas não dá muito retorno financeiro (como o tal famigerado evangelho da prosperidade por exemplo), não gera engajamento em redes sociais, não movimenta algoritmos!

E muitos pastores, preferem seguir o segundo caminho, mesmo conhecendo os perigos que estes representam.

Conclusão


A institucionalização da igreja petrificou-se no coração dos crentes, e das lideranças, principalmente: estas estão preocupadas em serem bispos, apóstolos, megapastores e por aí vai (a criatividade nos títulos ostentativos são de causar inveja em qualquer marketeiro).

Que evangelização que nada!!! E antes que alguém me detone por uma frase, para defender quem quer que seja… Não sou contra se eles almejam somente as coisas terrenas, afinal cada um dará conta de si (e no caso da liderança, dará conta das ovelhas — as perdidas e as amontoadas, inutilizadas).

Se eles esperam Cristo somente nesta vida, azar o deles; não são crianças e sabem muito bem o que estão fazendo  — e para o Reino é que não é.

Neste caso, eu me refiro é que estes que querem ser aclamados como os "monstros sagrados" da Igreja, deveriam investir este poder (poucos o fazem), esta oportunidade que eles estão tendo para realizar algo realmente grande, mas ao Reino de Deus, algo realmente impactante para resgatar a função da igreja como agência transformadora de vida.

É preciso retornar aos princípios bíblicos (Não é de costumes e culturas locais que estou falando!), de um evangelho mais simples.

Bom seria se estes "grandes" e "ilustres", com a estrutura midiática e as condições financeiras que têm pudessem equipar os mais humildes, aqueles que não têm muitos recursos (nem que seja com uma funda e cinco pedrinhas).

Será que é pedir de mais? É uma quimera? Não precisa de eventos, super-hiper-mega-blaster-eventos (agora, está moda os tais "festivais" de música gospel, que lotam estádios e arenas em grandes capitais), aonde a maioria do nosso povo simples não vai, e muitos dos que recebem a instrução não saem com a visão de impactar, de transformar, pelo menos é o que se tem observado quanto aos resultados imediatos, de explosão…

Por fim, é preciso urgentemente que as lideranças evangélicas reavaliem seus conceitos, de buscar e estudar novas estratégias, novas alternativas, de aproximar eclesiologias e "botar o bloco na rua" (Se é que me entendem!!!).

Quando sairmos do templo "para batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Judas 3,4), então a Igreja retomará o seu papel agencial de transformação e libertação, e nesse contexto a GRAÇA VAI SUPERABUNDAR e AVIVAMENTO SE CONCRETIZARÁ.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

ESTANTE DO LÉO — "NEUROMANCER", WILLIAM GIBSON

Estimulado pelo mais puro medo de produzir um livro que não prendesse a atenção do leitor, o escritor estadunidense, William Gibson, criou "Neuromancer", uma história densa e tão revolucionária que é usada hoje como um ícone do cyberpunk, subgênero de ficção científica cujas histórias são ambientadas em um submundo tecnológico distópico — anárquico e não raro pós-apocalíptico — onde as classes dominantes são ligadas a grandes corporações privadas e boa parte da população vive em condição marginal.

A história é tão relevante que criou as ideias de cyberespaço e inteligência artificial, forneceu subsídios para filmes como o icônico "Matrix" (WB, EUA, 1999), recebeu importantes prêmios e rendeu uma aclamada trilogia. Os outros dois livros são "Count Zero" (1986) e "Mona Lisa Overdrive" (1988). É sobre este clássico do cyberpunk que falaremos hoje, neste capítulo da nossa série especial de artigos, "Estante do Léo".

Sobre o autor

William Ford Gibson nasceu nos Estados Unidos, em 1948, e mudou-se para o Canadá em 1972.

Em meados da década de 1980, criou, junto a escritores como Bruce Sterling e John Shirley, o gênero ficcional chamado de cyberpunk, que une informática e inquietações histórico-filosóficas com tramas pop cheias de ação e violência.

O escritor estadunidense e canadense de 74 anos entrou para o hall de nomes raros e inventivos da literatura que usa a ficção científica para ver além — enquanto aciona alertas gritantes sobre os perigos da evolução tecnológica.

As ideias e conceitos de Gibson tiveram um grande impacto na cultura pop. 

Ele influenciou diretamente a famosa trilogia de filmes "Matrix", criada pelos Irmãos Wachowski.

Seu trabalho ajudou a moldar a forma como a ficção científica é vista hoje.

Além disso, Gibson também é um dos fundadores do subgênero steampunk. Esse estilo literário apresenta realidades alternativas que misturam tecnologias do século XX com inovações do século XIX.

Por exemplo, em seu romance "A Máquina Diferencial" (Aleph, 2012, 454 páginas), escrito em parceria com Bruce Sterling, ele descreve um computador vitoriano que funciona a vapor.

Essa mistura de épocas e tecnologias é uma característica marcante de suas obras.

Para além da influência na cultura pop e na literatura, Gibson virou uma espécie de profeta dos tempos modernos. 
Seus textos, por exemplo, anteciparam como seria a internet, os reality shows, a das câmeras de segurança, e também a importância que os videogames ganhariam na vida das pessoas e também no mercado.
Vale lembrar, por exemplo, que o mercado de games movimenta hoje mais dinheiro do que Hollywood.

Um visionário que, nos dias de hoje, ironicamente, foge da tecnologia.

Análise literária


Neste livro o Gibson sintetiza uma série de anseios em relação ao contexto dos anos 80, marcado nos EUA pelo governo de Ronald Reagan (✰1911/✞2004), que simboliza o retorno a uma política mais conservadora e de mudança econômica, processo da destituição do Estado de bem estar social para uma guinada ao neoliberalismo.

Assim como os últimos andamentos da Guerra Fria, que alimentam um imaginário muito forte de angústia sobre o fim do mundo. 

É muito presente em sua obra, uma preocupação sobre o avanço da tecnologia, e o impacto que esta terá na transformação da humanidade. 

Na narrativa, acompanhamos o anti-herói Case que trabalha como Cowboy, o que nós conhecemos atualmente como hacker

A história se inicia com Case totalmente derrotado porque foi punido com toxinas em seu fígado por ter roubado seus antigos patrões.

Essas toxinas não permitem que ele acesse a matrix: o ciberespaço, que seria uma grande rede de conexões a qual é possível acessar sobre uma representação corporal.

O personagem privado de sua única forma de sobreviver se vê enterrado em uma vida sem perspectivas afundado no consumo de drogas, onde convive com a violência da grande metrópole em que mora.

Case vive em Chiba uma super-cidade japonesa, que junto de BAMA15 formam os maiores conglomerados populacionais do futuro.

É então nesse contexto, que logo o levaria a autodestruição, que aparece Molly, uma assassina profissional que tem em seu corpo diversos implantes e modificações o que a torna uma verdadeira máquina de matar, contratada por Armitage para aliciar Case.

Armitage acena com a possibilidade de cura para que Case possa novamente acessar a matrix.

A primeira missão dos dois é roubar o construto "Dixie Flatline", que corresponde à personalidade do antigo mestre de Case, reconstruída artificialmente e que o ensinará como roubar dados na matrix.

A segunda parte do livro mostra-nos a viagem dos dois protagonistas, unidos a Armitage até Freeland, planeta de propriedade da família Tassier-Ashpool, dona de um grande complexo industrial.

Lá eles encontram Maelcum, um rastafári da vila operária de Zion que será o guia deles pelo submundo dessa estação que orbita a Terra.

É neste planeta artificial que se encontra a inteligência artificial Neuromancer, a qual Case e Molly devem roubar para Armitage.

Este último, no entanto, se revelaria apenas um corpo controlado por outra inteligência artificial chamada de Wintermute, que deseja se fundir com Neuromancer para criar um novo super-programa de computador — uma síntese de ROM e RAM16, isto é, informação e personalidade - com o intuito de controlar o mundo.

Obviamente este breve resumo é insuficiente para detalhar todas as minúcias do universo criado por Gibson, universo que foi aprofundado e explorado nos seus outros livros anteriormente citados que encerram a trilogia, mas nos fornece uma breve noção de como era esse mundo imaginado pelo autor.

Na narrativa de Gibson, o futuro tem bastante protagonismo, porque ele serve como ferramenta para o leitor para pensar sua própria realidade, identificando certas semelhanças, que são constitutivas do nosso mundo.

Um lugar bastante marcado pela tecnologia, também há muita modificação corporal através da união entre homem e máquina, que vai mais além através da ligação mental na matrix.

Esses implantes também são parte da capacidade dos homens, por conta da tecnologia, serem mais fortes, mais poderosos mesmo fora do mundo virtual.

Assim a narrativa cyberpunk se caracterizava pela fusão de um mundo onde há tecnologia de ponta e um submundo dominado pelas drogas, sexo e a violência.

Desta forma este subgênero apresentou-se como uma novidade extremamente impactante muito diferente da tradicional ficção científica, tendo características próprias e marcantes que influenciaram toda uma geração.

Conclusão


Ou seja, "Neuromancer" é uma síntese de várias características dos anos 80 do que William Gibson pensava acerca de sua próprias vivências e experiências.

Portanto, as problemáticas trazidas por Gibson em "Neuromancer" tem como parte constituinte uma reflexão importante para o leitor contemporâneo sobre o quanto queremos ser dependentes ao extremo das máquinas e da tecnologia. 

O que fazia muito sentido para o contexto de 1984, no desenvolvimento da informática e da comunicação, mas parece se aprofundar para nós que já presenciamos essas mudanças, principalmente porque, assim como Case, estamos nos tornando cada vez mais preocupados e dependentes da parte virtual da nossa vida. 

Concluímos que a literatura distópica é uma ferramenta importante que dissemina um discurso alternativo à narrativas tradicionais no final do século XX, principalmente pelas mudanças que ocorreram na relação humana com o tempo, pela crise na ordem do tempo e mudança do regime de historicidade. 

Deixando o ideal de progresso, o futuro tem uma aparência significativamente catastrófica. 

Isso aparece no imaginário, que é trabalhado em "Neuromancer" por Gibson, sobre alguns temores focado na relação entre o homem e a tecnologia.

Vai receber meu carimbo de: 
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

DIRETO AO PONTO — COSMOVISÃO ESQUERDISTA VS. COSMOVISÃO CRISTÃ

Jesus foi um comunista?
A resposta curta é não, pois o comunismo é uma ideologia moderna, mas a discussão é complexa devido a semelhanças superficiais entre a ética cristã e ideais coletivistas.
Afirmar que Jesus foi comunista é um equívoco anacrônico, pois ele viveu 2000 anos antes do surgimento do comunismo.
Embora Jesus defendesse fortemente a partilha, a assistência aos pobres e criticasse o acúmulo de riquezas, sua mensagem era espiritual, voluntária e focada na mudança do coração, diferindo do materialismo e coerção estatal típicos do comunismo moderno.
Classificar Jesus como comunista é considerado uma simplificação política, pois sua mensagem transcendia rótulos ideológicos, focando na alma e no amor radical, e não em sistemas políticos.

Então, o "Jesus comunista" é o senhor dos crentes que se identificam com a cosmovisão da esquerda.

Neste capítulo da nossa série especial de artigos, Direto ao Ponto, veremos a incompatibilidade entre a cosmovisão esquerdista e a cosmovisão sob a perspectiva do cristianismo.

De qual lado você está?


Atualmente está na moda ser — ou se dizer —  de esquerda. Isso ocorre tanto na Europa e nos Estados Unidos quanto na América Latina.

Essa posição é a predileta entre os intelectuais, acadêmicos e artistas latino-americanos.

Até um tempo atrás, a defesa dos pobres oprimidos era a principal bandeira da esquerda. Hoje o foco se ampliou para incluir as minorias em geral, como os homossexuais, bem como a legalização do aborto e outras agendas.

Muitos cristãos se consideram de esquerda. Isso é problemático por causa de certas conotações que esse conceito possui e das manifestações concretas que envolve as pautas defendidas pela esquerda que vão, essencialmente, de encontro aos princípios balizadores da genuína fé cristã.

Ecumenismo ideológico


A compatibilidade entre a cosmovisão esquerdista e o cristianismo é um tema de intenso debate, variando conforme a vertente política (moderada ou radical) e a tradição teológica consultada.

A análise sobre a relação entre a cosmovisão esquerdista (particularmente em suas vertentes marxistas ou progressistas radicais) e o cristianismo indica, na maioria das análises conservadoras, uma incompatibilidade fundamental devido a divergências ontológicas, éticas e morais. 

Argumenta-se que a esquerda, ao buscar a transformação social através do estado e do materialismo, colide com os princípios de transcendência e moralidade absoluta do cristianismo.

Abaixo, os principais pontos de contraste baseados em fontes e análises de cosmovisões:

Principais Pontos de Incompatibilidade

  • Materialismo vs. Transcendência — A cosmovisão esquerdista, com raízes no marxismo, é frequentemente materialista, vendo a religião como uma estrutura que aliena o homem ("ópio do povo"). O cristianismo, por outro lado, foca em um Deus transcendental e na salvação espiritual que transcende a ordem material.
  • O Estado como Agente de Salvação  —  A esquerda tende a colocar o Estado como o agente de transformação e provisão, enquanto o cristianismo coloca Deus como o provedor e a salvação no plano espiritual e individual.
  • Moralidade e Valores Familiares — Pautas comuns da esquerda, como a defesa do aborto, casamento homoafetivo e a ideologia de gênero, são consideradas contrárias à doutrina cristã sobre a família, a vida e a sexualidade.
  • Antropologia e Salvação — Enquanto o cristianismo foca no pecado individual e na necessidade de redenção por meio de Cristo, muitas correntes de esquerda focam na opressão estrutural e na libertação social, buscando a igualdade através de meios políticos. As alas mais radicais da esquerda, sequer acredita na existência de céu e inferno, uma vez que seu foco é essencialmente materialista.
  • Visão da Propriedade e Coerção — A abordagem de esquerda frequentemente favorece a redistribuição de riqueza via coerção estatal, enquanto a ética cristã enfatiza a caridade voluntária e a mordomia.

Nuances e Perspectivas


Apesar das incompatibilidades fundamentais, existem visões distintas:
  • 1️⃣Cristianismo de Esquerda/Progressista — Alguns teólogos e fiéis, como na Teologia da Libertação, tentam conciliar a fé com a luta por justiça social, focando na "opção preferencial pelos pobres" e interpretando o Evangelho através de lentes de transformação social.
  • 2️⃣Rejeição da Conciliação — Por outro lado, muitos líderes religiosos argumentam que a união de marxismo e cristianismo é insustentável, chamando-as de "doutrinas concorrentes".
Em resumo, a cosmovisão esquerdista, ao materializar a esperança humana no Estado e rejeitar valores morais tradicionais, é considerada por grande parte da teologia cristã conservadora como anticristã em sua essência.

Perspectivas de Convergência ou Diálogo


Por outro lado, grupos que se identificam como a "esquerda cristã" argumentam que:
  • Justiça Social — Há uma forte ênfase bíblica no cuidado com os pobres, órfãos e viúvas, o que alinharia cristãos a movimentos de combate à desigualdade e à pobreza.
  • Comunidade de Bens — Passagens como Atos 2:44,45, onde os primeiros cristãos tinham "tudo em comum", são frequentemente citadas por defensores do Socialismo Cristão — obviamente, de forma isolada de seu contexto e, portanto, submetida às interpretações subjetivas e equivocadas  — como um modelo de vida comunitária.
  • Teologia da Libertação — Este movimento busca ler o Evangelho a partir da perspectiva dos oprimidos, integrando a análise social à missão da igreja.
Foram órgãos católicos e agências protestantes paraeclesiásticas, atuando à margem da igreja — e muitas vezes contra ela —, que tentaram, por meio de seus líderes, normatizar as relações entre o esquerdismo e a fé cristã, num esforço deliberado de infiltração na Igreja e perversão da fé e tradição cristã.

Mas, em linhas gerais, fica claro com esses exemplos que os principais ramos da igreja cristã, seja católica, protestante ou pentecostal, rejeitam totalmente qualquer associação entre a cosmovisão cristã histórica com o arcabouço comunista da cosmovisão esquerdista e suas derivações recentes.

Conclusão



Síntese Acadêmica


Estudos indicam que, no Brasil, a maioria dos eleitores e líderes religiosos com identidade explicitada em urnas tende a se filiar a partidos de direita ou centro-direita.

Contudo, especialistas sugerem que a possibilidade de conciliação depende se o cristão busca apenas "momentos de verdade" (como a busca por equidade) em ideologias seculares ou se tenta realizar uma síntese estrutural, o que é visto por muitos teólogos como uma antítese radical à fé.

Como Raymond Aron (✩1905/✞19831) — Um dos mais influentes filósofos, sociólogos, cientistas políticos e jornalistas franceses do século XX. Conhecido por seu pensamento liberal e crítico, ele foi um dos principais opositores intelectuais do marxismo e do existencialismo de seu contemporâneo Jean-Paul Sartre (✩1905/✞1980). — escreveu em 1955, somente o comunismo criou no homem uma "ilusão da onipotência", tornando-se assim "o ópio dos intelectuais".

Ele considerava o comunismo "uma versão aviltada da mensagem cristã", pois, segundo ele, o comunismo
"sacrifica o que foi e continua sendo a alma da aventura humana definitiva: a liberdade de pesquisa, a liberdade de controvérsia, a liberdade de crítica e de voto do cidadão. 
Submete o desenvolvimento da economia a um planejamento rigoroso e a edificação socialista a uma ortodoxia de Estado".
Portanto, Aron corretamente entendeu que 
"o cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista não pode crer em Deus, porque a religião secular, animada por um ateísmo fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra. O cristão progressista esconde de si mesmo essa incompatibilidade".
Por fim, a incompatibilidade entre a cosmovisão de esquerda (frequentemente associada ao progressismo e ao marxismo cultural) e a cosmovisão cristã reside no fato de que, para muitos cristãos, a fé em Deus e Sua Palavra exige uma cosmovisão que não pode ser totalmente assimilada por ideologias seculares que questionam ou negam essa autoridade.
  • [Por: Leonardo Sérgio da Silva]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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domingo, 8 de fevereiro de 2026

TODO "AUÊ" SERÁ CASTIGADO?

'...Desculpe o auê, eu não queria magoar você...' (trecho da música 'Desculpe o Auê', da autoria de Rita Lee [✰1947/✞2023] e Roberto de Carvalho — faixa do álbum "Bombom", 1983, Som Livre).
Creio que muitos estão acompanhando a polêmica em torno da canção intitulada "Auê (A Fé Ganhou)", de Marco Telles & Coletivo Candiero. 

Para não ter visto o auê que essa tal música — que, sim, melodicamente a musiquinha é até interessante, de ritmo envolvente, do tipo que a galera mais, digamos, progressista gosta — só estando não apenas navegando, mas habitando, submerso no oceano do Espírito.

Então, o quiproquó gerado por essa música — com o envolvimento de personalidades do mainstream gospel, como o pragmático Marco Feliciano, dentre outros —, me fez lembrar da fala do apóstolo Paulo, registrada em sua carta aos filipenses. Ele foi, como sempre, direto e duro:
"Cuidado com os cães" (3:2).

Jesus: Use-o sem moderação!


Nem todo líder espiritual leva você para Jesus! Alguns usam o nome de Jesus, falam de Jesus, vestem Jesus, postam Jesus… mas não conduzem a Cristo.

Usam Jesus como ferramenta para manipular, controlar e angariar seguidores.

Isso não acontece só dentro da igreja. Acontece na política, nas redes, nos palcos motivacionais. Jesus virou slogan, amuleto, coach motivacional, argumento de autoridade.

É citado para legitimar discursos, justificar projetos pessoais e blindar ambições. O nome é santo, mas a intenção é humana. E quando isso acontece, pessoas são feridas em nome de Deus.

Ficar atento é questão de sobrevivência espiritual. Entenda de uma vez por todas: 
nem toda voz que cita Jesus serve a Jesus. 
E o mais interessante, é que desde a era apostólica isso acontecia, comprove:
"É verdade que alguns pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade. 
Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho. 
Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que podem aumentar a minha aflição na prisão. 
Mas que importa? O importante é que, de qualquer forma, seja por motivos falsos, seja por motivos verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar‑me" (Filipenses 1:15-18 — NVI, grifos acrescentados).
Observe o fruto, não o discurso. Onde há culto à personalidade, promessas de salvação humana, messias políticos ou ideológicos, ódio ao “outro lado”, medo constante, culpa crônica, dependência emocional e devoção incondicional, Cristo não está no centro.
O evangelho nunca sequestra a consciência. Ele a desperta. Jesus não manipula, não oprime, não constrange pela culpa, não governa pelo medo, não divide pessoas em inimigos, não inflama o ódio, não infla o ego de ninguém.

Ele não usa feridas para controlar, nem a fé para enriquecer, nem o sagrado para dominar. Jesus não constrói impérios pessoais.
Ele forma discípulos livres e conscientes não só dos direitos — espirituais, constituídos a eles na Cruz do Calvário, como os sociais, garantidos pela Constituição —, como, na mesma proporção, dos seus deveres e responsabilidades.

Por isso, cuidado quando Jesus vira isca. Quando Ele é usado para atrair, mas não para transformar. 

Quando é citado, mas não seguido. Quando serve a projetos humanos, e não ao Reino. Jesus não é ferramenta de controle nem escudo para abusos.
Se não conduz à cruz, não vem de Cristo. Se não tem VERDADE COM AMOR, não é Jesus! 
Se não gera arrependimento com graça, não é evangelho. 
Se não produz liberdade, restauração e vida, pode ter o nome de Jesus, mas não tem o coração dEle.
E Paulo continua ecoando para nós hoje, com a mesma urgência: cuidado.

Isto posto, vamos então, especificamente, à música da discórdia.

"Auê (A Fé Ganhou)"

Marco Telles & Coletivo Candiero feat. Ana Heloysa e Filipe da Guia

Pode entrar, eu ouvi
Alagou o olhar
Quando o lustre tá no chão
Onde os meus estão?
Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Auê (auê-auê, auê-ah, auê-auê)
(Auê-ah, auê-auê, auê-ah, auê-auê)

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar e diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu 
Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu (mas o céu coloriu)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu (que te abriu) as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora (e agora), e agora (e agora)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê (emolêbamemoê-ê-ê)
Dança na ciranda da fé (emolêbamemoê-ê-ê)
Que te abriu, abriu as portas (abriu as portas)
Auê, solta tua criança até
Explodir em (explodir) glória (emalêbamemoê-ê-ê

Um "auê" ou um "aleluia"?

Antes de fazer qualquer consideração sobre essa polêmica, que, na minha opinião, já está ultrapassando a linha limítrofe entre o exagero e a hipocrisia, fiz questão absoluta de ouvir todo o álbum "O Grande Banquete", para basear minha opinião não em achismos, recortes ou réplicas das opiniões alheias. Ser "papagaio de pirata", graças a Deus, não é o meu forte.
Penso que a problemática da tal canção 'Auê...' não está na estética musical ou na brasilidade cultural expressada no projeto. Vejo uma outra questão bem séria e já irei abordá-la.

Particularmente achei a estética linda: a disposição do público em volta do palco num formato arquibancada, com muita alegria, vigor e sinceridade nas expressões de louvor. O povo cantou como quem ama forte.

Os músicos em sinergia com toda expressividade do ambiente. E a musicalidade é linda! Não temos dificuldade com a brasilidade.

Está tão belo, com tantos temperos e camadas que dá dó ver que, terem colocado provocações, obviamente sabendo que a igreja iria polemizar (não acredito que os responsáveis pela produção dessa canção ignorassem — fazendo um trocadilho contextual — o auê que ela causaria), fez-se pouco notado tantos outros valores que o grupo carrega.

E para mim, o problema está aí. A igreja não tem dificuldade com brasilidade. 

Acho que a galera da MPB tem mais resistência com a tendência sonora e estética britânica na cena musical dos louvores das igrejas do que a própria turma do — penso eu, também assaz questionável — "worship".

Não vejo o pessoal do worship afetado pela brasilidade dos irmãos que louvam com forró.

Como ia dizendo, o problema está, ao meu ver, do Coletivo Candiero escolher o caminho da provocação, que, sabidamente daria discórdia e sentimentos facciosos e levaria irmãos a pecar utilizando réguas de julgamentos e ignorância que já estamos vendo na repercussão da polêmica canção 'Auê...'.

Só acho que poderia ser diferente. Marco Telles acertou em cheio na embalagem e conteúdo de "Colossenses e Suas Linhas de Amor" em parceria com FHOP.

Comunicou boa teologia, musicalidade original e congregacional (ao mesmo tempo), estética regionalista, sotaque brazuca com centralidade de Cristo.

Todos olharam para a essência, Cristo, e se deliciaram com a musicalidade e temperos compartilhados pelo Marco.

A análise da letra me levou a algumas perguntas:
  • Com quem eu aprendo a cair?
  • Quem estende a mão para me levantar da queda?
  • Quem é o Zé que entrou e todo mundo viu?
  • Onde o Zé entrou e como entrou?
  • E por que todo mundo riu?
  • Quem é a Maria que sambou e sua saia balançou?
  • Qual a cor que ela mostrou e ninguém se incomodou?
  • Que porta foi aberta pela ciranda da fé?
  • O que é a ciranda da fé?
  • Que criança deve ser solta até explodir em glória?
Quando uma canção que se pretende ser cristã levanta tantas perguntas, alguma coisa está errada.

Não existe nenhuma alusão a Deus, a Jesus ou ao Espírito Santo, nem mesmo indireta. Não existe nenhum elogio ao caráter e à natureza de Deus. 

Não existe absolutamente nada relacionado às obras do Deus Triúno da Bíblia. 

Portanto, a primeira conclusão a que podemos chegar é que não se trata de uma canção de louvor a Deus.

Pelo vocabulário do poeta, me pareceu mais uma canção de entretenimento que revela um sincretismo religioso bastante claro, particularmente ressaltando conceitos dos cultos de matriz africana praticados no Brasil.

Baseado no meu conhecimento bíblico e teológico, além da minha experiência pastoral de décadas, afirmo que esta canção não é absolutamente recomendável num culto cristão.

A música tem causado um auê tremendo!


Mas agora virou um problema, lacração ideológica, sutil tendência esquerdista, segregação, oposição e distanciamento de quem o grupo precisa trazer para perto.

Cristo saiu do centro e a cultura (não me refiro a brasilidade) da lacração a preço da divisão entre irmãos recebeu maior destaque.

Quem produziu sabe no que daria.

Acredito que o alvo foi alcançado, só não sei dizer se Cristo foi glorificado (se é pelos frutos que conhecemos a árvore, acredito poder afirmar que não).

Estourando bolhas


Não quero dar uma de profeta do caos, contudo, esse episódio da música, não deve ser encarado como um fato isolado ou que não mereça a devida atenção, pois sinaliza algo maior. 

Mas precisamos ser honestos. Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis da história recente da igreja evangélica brasileira.

Há uma barragem prestes a estourar. E não é surpresa. São anos de má teologia acumulada. 

Um evangelho reduzido, raso, diluído, misturado com legalismo, ideologias e interesses que nunca deveriam ter ocupado o centro.

Uma teologia fast food que é tão saudável quanto uma dieta rica em macarrão instantâneo com molho de salsichas.

O resultado é devastador. E os sinais estão por toda parte.

Qualquer fala vira munição. Tudo é arrancado do contexto, lido por lentes ideológicas e não bíblicas. Igrejas são julgadas superficialmente.

Vídeos são postados com acusações sem qualquer compromisso com a verdade.

O importante é alarmar, lacrar, monetizar, ganhar engajamento, atrair quadrilhões de seguidores, preferencialmente ignorantes úteis, não precisa nem ter neurônios, basta ter agilidade motora na hora dos likes.

Pastores viram inimigos. Todo mundo vira especialista. Rápidos para falar, postar e condenar. Lentíssimos para ouvir, compreender e discernir.

Em vez de buscar reconciliação, praticar a comunicação direta e lidar biblicamente com conflitos, muitos preferem a exposição pública. 

Não para restaurar, mas para parecerem melhores que os outros. Velho farisaísmo com estética digital.

O mais preocupante é que boa parte da massa cristã perdeu a capacidade de pensar biblicamente. Falta critério. Falta filtro. Falta maturidade espiritual para analisar o que está acontecendo à luz das Escrituras, e não dos algoritmos.

Pior do que um país dividido é uma igreja dividida.

O que fazer diante desse cenário?

  • 1. Encontre uma igreja local saudável e viva a fé nela — A vida cristã não foi desenhada para ser vivida no Instagram. É local, comunitária, encarnada. É pertencer, servir, amar, se importar, congregar.
  • 2. Busque profundidade real na sua relação com Cristo  — por meio da Palavra (Colossenses 2:6,7). Saia da superficialidade. Menos influencers. Mais Bíblia.
  • 3. Resgate uma vida de oração   Como disse Spurgeon (✰1934/✞1892), viver sem oração é viver sem Cristo.

Conclusão


Talvez esse momento esteja expondo o que realmente somos. Não para nos destruir, mas para nos confrontar. 

O caminho não será mais barulho, nem mais eventos. 

Será arrependimento, maturidade e retorno ao essencial:
  • Cristo no centro.
  • A Palavra como filtro.
  • A igreja local como lugar de formação.
  • Menos reação.
  • Mais ação.
  • Mais testemunhos (ou seja, vivência do Evangelho puro e simples).
  • Menos discursos.
  • Mais discernimento.
  • Menos palco. 
  • Mais cruz.
Tudo é lícito... Mas nem tudo é conveniente.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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