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domingo, 1 de março de 2026

PAPO DE PSICANALISTA — PSICANÁLISE NÃO É AUTOAJUDA (E VICE-VERSA)

Imagem criada com recursos da IA
Simpática a alguns, antipática a outros, a autoajuda, como a encontrada nesta categoria de livros, tem eficácia questionada porque as pessoas são diferentes.

Eu, particularmente, abomino completamente TODOS os livros de autoajuda, os quais, penso eu, são completamente ineficazes em seus objetivos e servem mais como placebos emocionais.

Porque penso assim? É o que veremos no texto deste artigo, mais um capítulo da nossa série especial "Papo de Psicanalista".

Se somos únicos e diferentes em nossa unicidade, como pode haver metodologias uniformes para nos nortear?


Reprodução da internet
A autoajuda é frequentemente criticada por oferecer soluções superficiais, simplistas e comercializadas que não substituem terapia profissional, podendo gerar ansiedade, individualismo e falsa sensação de produtividade.
Especialistas alertam que conteúdos sem base científica podem atrapalhar, induzir ao narcisismo e desvalorizar a necessidade de ajuda especializada.

Muitos conteúdos de autoajuda oferecem conselhos genéricos que não consideram as circunstâncias individuais dos sujeitos.

Ignoram a subjetividade, estilo de vida, limitações das pessoas, tentando encaixar ela em moldes já estabelecidos, além de não serem baseados em pesquisas científicas rigorosas, o que pode comprometer a eficácia dos resultados oferecidos.

É preciso compreender as diferenças entre os indivíduos para verificar que, enquanto algumas pessoas utilizam o conteúdo e veem benefícios, outras não o aprovam.

Assim, não existe "certo ou errado", mas formas diferentes de desenvolvimento, formas de existir diferentes e não existe uma melhor que a outra.

Então, o que torna esses conteúdos tão atrativos?


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A pesquisadora da área de Psicologia em Saúde e Desenvolvimento da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Geovana Figueira Gomes, disse em entrevista ao Jornal da USP, que
"Vivemos um momento muito acelerado, que exige que sejamos rápidos e espertos, que acompanhemos esse fluxo e que existem várias outras pressões."
No entanto, avalia Geovana, os conteúdos de autoajuda oferecidos nesses materiais entregam a mesma "receita" para todas as pessoas tipo aquelas famigeradas e ineficientes regrinhas do "... passos para...".

Para a psicóloga, essas "receitas" devem ser mais bem observadas pelo público consumidor, já que
"é preciso procurar por conteúdos adaptáveis à realidade, aos limites e padrões de vida de cada um"
para que seja possível aplicar as ferramentas fornecidas por esses materiais.

O que torna esses materiais tão atrativos é a oferta de soluções para os problemas vividos no mundo contemporâneo.

Eles podem criar expectativas irreais sobre o quão rápido e fácil é mudar comportamentos e hábitos.

Criam na pessoa uma sensação de poder, esperança, transformação, mas isso dura até a pessoa a se deparar com os problemas da vida real e perceber que não consegue aplicar aquilo.

Conteúdos de autoajuda dizem o que as pessoas querem escutar. Isso tem relação principalmente em gerar um sentimento de satisfação na pessoa e também aumentar as vendas.

Mas o que a pessoa quer escutar, não é necessariamente o que ela precisa pra resolver o problema, pelo contrário.

Overdose de positividade utópica X os desafios da realidade


Também há um foco excessivo no positivismo ou seja, a ênfase exagerada no pensamento positivo pode ignorar a necessidade de enfrentar e resolver emoções negativas de maneira saudável.

Além disso, muitos conteúdos de autoajuda se baseiam em histórias pessoais do autor, que podem não ser aplicáveis as pessoas, ao não considerar as realidades específicas dos contextos.

Vale quanto custa?

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Muitos conteúdos — quiçá, a maioria deles — são escritos mais com o objetivo de vender do que de realmente ajudar, resultando em conteúdo superficial, genérico e apelativo emocional.

Apesar dessas críticas, alguns leitores relatam benefícios em livros focados em problemas específicos, desde que consumidos com ceticismo e não como solução mágica.

Livro de autoajuda são repetitivos, você pode encontrar vários títulos com nomes semelhantes falando praticamente as mesmas coisas.

Sem consenso, no entanto, não quer dizer público menor.

Autoajuda foi a categoria mais vendida entre os livros no período da quarentena no Brasil.

Pesquisa feita pela Nielsen, sob encomenda do jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que, dos 15 títulos mais comprados entre 23 de março e 12 de julho de 2020, dez pertencem a essa categoria, principalmente na área financeira.

E quem tem experiências positivas, consumindo conteúdos de autoajuda, como contou a psicóloga Geovana, reforça esses números.

Pontos Principais sobre a Crítica à Autoajuda

  • Falta de Rigor — Muitos conteúdos carecem de base científica, oferecendo regras genéricas que não funcionam para todos e podem causar sentimentos de falha.
  • Foco no Narcisismo — A ênfase excessiva em "focar em si mesmo" pode fomentar o individualismo e reduzir a empatia.
  • Substituição Proibida — Livros de autoajuda não substituem tratamento terapêutico licenciado.
  • Indústria de Lucro — Frequentemente, a autoajuda beneficia mais o autor (financeiramente) do que o leitor, focando em "vencer" em vez de lidar com a complexidade da vida.
  • Efeito Rebote — O consumo exagerado pode aumentar a ansiedade e o estresse, em vez de diminuí-los.

Conclusão


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Tenha cautela com esse tipo de conteúdo, com promessas muito mirabolantes. Resultados rápidos, mudanças bruscas.

De qualquer forma, a ciência ainda não se debruçou sobre os efeitos dos conteúdos de autoajuda no cérebro.

São poucas as investigações sobre o assunto, conta Geovana, que acredita que muitos dos materiais disponíveis na internet, por exemplo, sejam produzidos a partir de algumas informações obtidas em pesquisas da área de neurociência.
Sim, conteúdos de autoajuda podem, com critério, especificidade, acompanhamento e moderação, até servir de forma auxiliar ao processo terapêutico (lembrando que psicanalista não é coach), mas é recomendável sempre consultar um profissional em caso de dúvidas. Valha-se do benefício da dúvida
Ainda, conteúdos de autoajuda:
  • Não possuem capacidade de curar transtornos mentais, eles servem para situações mais simples da vida.
  • Nenhum livro, vídeo ou técnica de autoajuda substitui um tratamento profissional, procure ajuda especializada.

Referências Bibliográficas sobre o tema abordado

Reprodução da internet, 
https://www.dreamstime.com/

  • 1) Geovana Figueira Gomes — Psicóloga e pesquisadora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, que destaca a importância de conteúdos adaptáveis à realidade individual e alerta que livros de autoajuda não substituem ajuda profissional.
  • 2) Rosen, G. M. (1987). "Self-help treatment books and the commercialization of psychotherapy." American Psychologist, 42(1), 46-51. Este artigo discute a comercialização dos livros de autoajuda e a falta de regulamentação na qualidade dos conteúdos oferecidos.
  • 3) Bridges, K. R., & Harnish, R. J. (2010). "Role of irrational beliefs in depression and anxiety: A review." Health, 2(8), 862-877. Este artigo revisa a relação entre crenças irracionais promovidas por alguns livros de autoajuda e sintomas de depressão e ansiedade.
  • 4) Coyne, J. C., & Tennen, H. (2010). "Positive psychology in cancer care: Bad science, exaggerated claims, and unproven medicine.” Annals of Behavioral Medicine, 39(1), 16-26. Este artigo discute a ênfase exagerada no pensamento positivo em alguns livros de autoajuda e suas implicações para a saúde mental.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
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E nem 1% religioso.

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