Total de visualizações de página

sábado, 28 de março de 2026

60/80: UMA GERAÇÃO RESILIENTE EM ESSÊNCIA E POR EXCELÊNCIA

Imagem gerada por IA
Reprodução da internet
Neste final de semana eu estava assistindo a um filme clássico do cinema, o espetacular "2001 — Uma Odisseia no Espaço" (EUA, 1968), do renomado diretor estadunidense, o fabuloso e enigmático Stanley Kubrick (✮1928/✞1999).

Autor de uma cinebiografia fantástica, o cineasta, fotógrafo, roteirista e produtor americano, tornou-se amplamente considerado um dos diretores mais influentes e brilhantes da história do cinema.

Conhecido por seu perfeccionismo extremo e domínio técnico, ele frequentemente exigia dezenas de tomadas para uma única cena, o que levava atores ao limite da exaustão.

Revolucionário, o longa é um épico de ficção científica que narra a evolução humana influenciada por monólitos misteriosos.

A trama segue astronautas em uma missão a Júpiter, controlada pela IA HAL 9000, que manifesta comportamento ameaçador, resultando em um confronto existencial entre homem e máquina.

Uma obra-prima da ficção científica que explora a evolução humana, a inteligência artificial e a possibilidade de vida extraterrestre.

O filme é conhecido por sua narrativa visual ambiciosa, uso mínimo de diálogos e efeitos especiais revolucionários para a época.

Enquanto eu revia o longa (pela quarta vez...) e todas as críticas sociais "proféticas" que ele traz em sua narrativa, comecei a pensar sobre como a geração que nasceu e cresceu no período compreendido entre as décadas de 1960 e 80 é diferenciada.

Diferenciada porquê?



Muito antes de celulares, GPS e agendas lotadas de atividades, crianças cresciam com um nível de liberdade que hoje parece impensável.

Era comum passar horas na rua, sem supervisão constante, voltando para casa apenas quando escurecia!

Aos 20 anos, eles eram chamados de preguiçosos, lá pelos 30 foram etiquetados como conservadores ou cínicos.

Nunca tiveram simpatia por discussões ideológicas, sempre acharam chatíssimos os baby boomers, com seu jeito incendiário de fazer política, gritando palavras de ordem em protestos intermináveis. Pois agora eles chegaram ao poder e estão irreconhecíveis.

Segundo uma análise publicada pelo portal Global English Editing, esse cenário, típico das décadas de 1960 e 1970, acabou gerando um efeito inesperado: a formação de uma das gerações mais emocionalmente resilientes da história recente. E o mais curioso? Isso não foi planejado.

Na época, pais não seguiam manuais de criação nem buscavam fóruns sobre desenvolvimento infantil.

Muitos estavam ocupados trabalhando e lidando com suas próprias dificuldades, o que fazia com que as crianças tivessem mais autonomia no dia a dia. Esse contexto acabou estimulando algo essencial: a autossuficiência.

Como resume a autora Cher Hillshetlands, especialista em pesquisas geracionais, esse cenário favoreceu a independência — uma das principais forças mentais que hoje está em falta.

Sem entretenimento constante ou supervisão rígida, crianças precisavam encontrar formas de se divertir, resolver conflitos e lidar com o tédio sozinhas.

Geração X no Brasil


Reprodução internet
No contexto nacional, esse grupo nasceu em meio ao período do Golpe Militar; à censura, aos atos institucionais que fortaleceram a ditadura, à crise na economia brasileira, com a implantação de planos econômicos para tentar conter a inflação.

E ainda ao movimento Diretas Já, que buscava garantir eleições presidenciais diretas; à promulgação da Constituição de 1988; à primeira eleição direta para presidente da república após a Ditadura Militar, que elegeu Fernando Collor de Mello, o impeachment desse presidente após denúncias de corrupção e o lançamento do plano real.

Esses foram apenas alguns dos principais acontecimentos que essa geração viveu durante sua infância, adolescência e juventude.

Talvez por isso, ou apesar disso, a geração X é comumente resistente a mudanças. Esses acontecimentos também contribuíram para que esse grupo tenha uma grande preocupação com o trabalho e se preocupem extremamente.

Geração X e a tecnologia


Reprodução internet
Embora já houvesse internet nos anos 80, seu uso só ocorria por redes bancárias e financeiras.

Foi a partir de 1990, que o físico e cientista da computação inglês Tim Berners Lee criou o sistema World Wide Web (www), que a rede de computadores se tornou navegável para a população comum.

Contudo, a internet e a informática não eram acessíveis a todos, portanto, parte da geração X não teve acesso imediato.

Além disso, a tecnologia na época estava em desenvolvimento, sendo considerada precária se comparada à de hoje.

Esse uso superficial, pelo menos a princípio, foi determinante na relação da geração X com a tecnologia.

Ao contrário dos millennials, que utilizam mais tablets e smartphones, a geração X tende a preferir o computador, por exemplo.

Enquanto a geração Y tende a se comunicar por redes sociais e aplicativos de troca de mensagens, a geração X ainda utiliza e/ou prefere o uso de e-mail e do telefone. O uso das redes costuma ser apenas para entretenimento.

Os da geração X são excelentes porque



Reprodução PUCRS
A geração X, tidos na juventude como os sem ideologia compreende os nascidos entre 1965 e 1981, durante a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial.

A vida deles não foi nada fácil, já que encontrar um emprego, após um período turbulento, era um grande desafio.

Trabalhar e produzir era sua filosofia de vida, deixando de lado o idealismo. O individualismo, a ambição e a dependência do trabalho — ou workaholic — são os valores em que os nascidos nessa geração cresceram.

Os pais dessa geração tiveram a pior parte: viveram durante o período pós-guerra.

São os já citados baby boomers — nascidos entre 1945 e 1964 — e seu nome deve-se ao fato de terem nascido durante o período do baby boom, isto é, a época em que a taxa de natalidade disparou em vários países anglo-saxônicos, sobretudo nos Estados Unidos, Canadá e Nova Zelândia, depois de a Segunda Guerra Mundial ter chegado ao fim.

Contexto cultural e histórico


Reprodução PUCRS
Trata-se de uma geração invejável, pois viveram em uma época em que todos os jovens gostariam de viver.

Viram como John Lennon (✮1940/✞1980), Paul McCartney, George Harrison (✮1943/✞2001) e Ringo Starr se uniram para formar os Beatles em 1962.

Também viveram a chegada do homem à Lua (1969), os melhores tempos dos jogadores de futebol Pelé (✮1941/✞2022) e Maradona (✮1969/✞2020) ou a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989.

Passaram por todo o período de evolução tecnológica e pelo surgimento e desenvolvimento dos meios de comunicação, além de desfrutarem de estabilidade (profissional e familiar) e estarem ativos (tanto fisicamente quanto mentalmente).

Apesar de estarem adaptados ao mundo 4.0, os baby boomers são menos dependentes do smartphone do que as gerações seguintes.

Resiliência emocional construída na prática


Reprodução internet
A lógica, segundo especialistas, é semelhante ao que acontece com o corpo.

Assim como a pele cria "calos" para se proteger de atritos constantes, o emocional também se fortalece diante de pequenas frustrações.


A psicologia diz que as gerações dos anos 60 e 70 tornaram-se mais resilientes não por melhores pais, mas por negligência benigna que obrigou as crianças a auto-regular-se e resolver problemas.

Menino aprendendo a andar de bicicleta em calçada, com mulher observando e bolsa marrom no gramado.

A geração que cresceu quando ninguém estava prestando tanta atenção


Reprodução internet
Hoje a gente vive cercado de alertas: mensagem chegando, GPS acompanhando, grupo de WhatsApp da escola, câmera na portaria.

Por isso, uma infância sem monitoramento constante parece quase ficção. Mas existiu — e, para muita gente no Brasil, era o padrão: rua até a luz baixar, bicicleta encostada no portão, e uma regra simples que valia mais do que qualquer contrato: estar em casa na hora do jantar.

Sem celular, sem app, sem "me manda quando chegar" — só o dia correndo, com uma TV ligada em algum canto fazendo barulho.

Quem viveu isso hoje está ali pelos 50, 60 e poucos anos. E é comum que carreguem uma espécie de resistência discreta que as gerações mais novas tanto admiram quanto, às vezes, invejam: parecem menos desestabilizados por demissões, separações, turbulência política ou pela sequência diária de microcrises, caracterizando a atual geração, a Alpha, como mimizenta.

Psicólogos começaram a dar nome ao que antes era apenas sensação. Essa firmeza não surgiu de uma parentalidade mais "evoluída". Surgiu, muitas vezes, de terem sido deixadas em paz.

Pergunte a alguém que foi criança no fim dos anos 60 ou nos anos 70 como era a infância e a resposta costuma vir com um dar de ombros:
"A gente simplesmente… vivia."
Lembram de verões sem fim, com adultos como pano de fundo — não como gerentes de cada passo.

Acordava-se, beliscava-se qualquer coisa, saía-se de bicicleta, e os pais não tinham a menor ideia de onde você estava por oito horas seguidas.

Visto de 2024, isso parece quase imprudência. Na época, era só um dia normal da semana.

Sem querer, aquele período virou um tipo de treinamento psicológico. Não porque os pais fossem especialmente atentos, mas porque estavam ocupados, distraídos, trabalhando ou simplesmente inseridos numa cultura em que se esperava que criança aprendesse cedo a se virar.

Imagine uma criança de 9 anos em 1974 com o pneu da bicicleta furado, a três bairros de casa. Sem celular. Sem "compartilhar localização". Só um problema e um corpo pequeno, suado, preso no meio dele.

Essa criança empurrava a bicicleta, achava um posto, falava com algum funcionário entediado, talvez ouvisse um comentário atravessado, talvez aprendesse a usar a bomba de ar.

Errava uma vez, depois de novo, e ainda assim voltava para casa com o pneu meio vazio — mas voltava. Nenhum adulto fazia uma co-regulação cuidadosa das emoções. Ninguém chamava aquilo de "oportunidade de aprendizado".

Era apenas o que se fazia. E nesse desconforto comum havia uma repetição poderosa: prática constante de resistência emocional.

Conclusão


Reprodução internet
Hoje, psicólogos usam a expressão "negligência benigna" — não abuso, não trauma, apenas um certo grau de indiferença leve que dá espaço para a criança se virar sozinha.

Os anos 60 e 70 estavam cheios disso.

Os pais eram menos disponíveis, menos vigiados no trabalho e, culturalmente, se cobrava menos que "processassem" cada emoção dos filhos.

Com isso, as crianças precisavam se autorregular em tempo real.

Tinham de aguentar o tédio sem telas, resolver brigas sem juiz adulto, engolir pequenas humilhações sem pai ou mãe mandando e-mail para a coordenação.

Esse gotejamento contínuo de dificuldades sem supervisão foi criando o que alguns pesquisadores chamam de "calos emocionais".

A infância moderna ganhou segurança, vocabulário para saúde mental e mais consciência. Mas também perdeu, aos poucos, essas microfricções do dia a dia que ensinavam as crianças a dobrar sem quebrar.

Eles não são extravagantes. Não são barulhentos. Mas a Geração X está silenciosamente moldando tudo, desde finanças e tecnologia até bem-estar e fidelização de marcas.

À medida que se aproximam do auge de suas carreiras, sua influência só aumenta. Se você os está ignorando em sua estratégia de marketing, agora é a hora de analisá-los com mais atenção.

Indicação literária


"A Geração X chegou chegando!", uma jornada de autoconhecimento e reflexão sobre uma geração única, muitas vezes mal compreendida.

Nascidos entre 1965 e 1980, crescemos em um mundo marcado por mudanças intensas — Guerra Fria, revoluções tecnológicas e transformações sociais.

Este livro é um convite à reflexão e à ação, para que a Geração X ocupe seu lugar de protagonismo na construção de um amanhã mais saudável e inclusivo: olhando para o futuro, como desejamos envelhecer? Que legado deixaremos?
  • Ano: 2025
  • Autor: Jenilson de Cirqueira
  • Selo: Dialética
  • ISBN: 9786527076254
  • Páginas: 108
  • Capa: Flexível 
  • Por Leonardo Sérgio da Silva, resiliente em essência e por excelência.
  • [Fonte: Portal Terra, PUCRS; R7; ]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário