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quinta-feira, 4 de junho de 2015

O CONTRATO DE DEUS


"Estando mortos devido ao pecado que dominava a vossa vida, Deus vos deu uma nova vida juntamente com Cristo, perdoando ­vos todos os pecados. O nosso cadastro, que nos servia de acusação, foi como que apagado, com todo o rol das nossas transgressões da lei de Deus, e foi pregado na cruz. E aí as forças e os poderes foram despojados e foram denunciados perante o mundo inteiro. Cristo, por si mesmo, triunfou sobre eles." 
Colossenses 2:13-15, versão Gateway

Quando estávamos presos ao jugo do pecado, nas garras de satanás, sob o domínio do pecado, havia um cadastro de condenação. Um contrato assinado nas trevas que determinava nossa morte eterna. Um escrito de dívidas que seriam impagáveis por nós mesmos. Estas eram as garantias do contrato do diabo. Os detalhes, as cláusulas que regiam o contrato dele estão registrados em Romanos 1:21-32, mas podem ser resumidas no no capítulo 6, versículo 23a: "Porque o salário do pecado é a morte." Essa era a nossa realidade. Isto era o que estava determinado a nós. 

Entretanto, Jesus, com sua morte na cruz do calvário e com sua ressurreição, cancelou este cadastro, anulou esse contrato, impugnou essa escritura assinada com a iniquidade. Ele, então, escreveu, registrou e validou assinando com seu próprio sangue (ou seja, sua própria vida) um novo contrato. O Contrato de Deus. Um contrato de amor, perdão e vida eterna. Um cadastro de libertação, de cura, de prosperidade. Este sem letras miúdas, que são quase ilegíveis e, propositalmente, cheias de armadilhas para o contratante. 

Este novo contrato tem suas cláusulas muito bem definidas e de fácil entendimento. Todas cláusulas que regem esse contrato de vida encontram-se muito bem expostas e podem ser lidas, entendidas e compreendidas por quem quiser lê-lo. Jesus, seu autor, o denominou de Nova Aliança. Podemos ver claramente essas cláusulas sendo referidas no texto de Mateus 5:3-12:

"Bem-aventurados os pobres em espírito, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados. Bem-aventurados os humildes, pois eles receberão a terra por herança. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos. Bem-aventurados os misericordiosos, pois obterão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, pois verão a Deus. Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos céus. Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa, os insultarem, os perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a sua recompensa nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês."

Entendendo as cláusulas do "Contrato de Deus"


Cláusula primeira - Ser pobre [= humilde, quebrantado] de espírito - 5:3
O humilde de espírito reconhece a sua condição de pecador e anseia por alguém que possa livrá-lo. Ele concede a Deus um lugar privilegiado em sua vida e deposita nEle toda sua dependência (Is 57:15, Sl 51:17);

Cláusula segunda - Ser quebrantado [= sensível] - 5:4
Um coração quebrantado é um coração que não está endurecido, que foi transformado por Deus. É ser sensível ao Espírito Santo e a tudo o que O alegra e também ao que O entristeça (Sl 34:18; Ef 4:30);

Cláusula terceira - Ser humilde [= pacificador, manso] - 5:5
Mansidão aqui nada tem a ver com covardia, frouxidão. É a renuncia absoluta á batalha pelas nossas opiniões e a crença de que Deus lutará em nosso favor. A mansidão é o oposto da agressividade e do egoísmo. Tem origem na confiança, na bondade e controle dEle sobre a situação. Então no mais verdadeiro sentido, uma pessoa mansa é alguém que morreu para o EU, e isso requer fé, coragem, e perseverança, que pra nós, isso não é fraqueza, e sim, sinal de muita força (Sl 37:11, Mt 11;29);

Cláusula quarta - Ser justo - 5:6
Jesus veio justamente para reconciliar o homem com Deus. Para trazer o perdão e tirar toda a culpa “para que nele fôssemos feitos justiça de Deus ”(2 Coríntios 5.21). Essa é a essência do evangelho: Jesus Cristo, o Salvador, sem culpa alguma, sem nenhum pecado, tomou sobre si todos os nossos pecados para que pudéssemos não apenas ter, mas SER a justiça de Deus.

Cláusula quinta - Ser misericordioso - 5:7
Misericórdia é lançar o coração na miséria do outro e estar pronto em qualquer tempo para aliviar a sua dor. A palavra hebraica para misericórdia é chesed: “é a capacidade de entrar em outra pessoa até que praticamente podemos ver com os seus olhos, pensar com sua mente e sentir com o seu coração. É mais do que sentir piedade por alguém" (Lc 7:11-16, Jesus e o filho da viúva de Naim).

Cláusula sexta - Ser limpo de coração [limpo = pureza, santidade; coração = interior]
A palavra ‘limpos’, em sua etimologia grega e hebraica pode se referir ao ato de lavar as mãos ou nosso corpo quando tomamos banhos. Também pode se referir ao ato cerimonial que o sacerdote fazia antes de oferecer sacrifício ao Senhor. Ou quando o Senhor exigia a purificação do povo antes das guerras, ou antes, de alguma festa. Mas, o sentido que Jesus fala aqui é num sentido espiritual ou ético. Pois fala do homem com pureza de pensamentos, atos e sinceridade em seu relacionamento com Deus. O coração do adorador deve estar puro em sua adoração.

Cláusula sétima - ser pacificador - 5:9
Existem 400 referências à paz na Bíblia. As Escrituras começam com paz no Jardim do Éden e termina com paz na eternidade. O pecado do homem interrompeu a paz no Jardim. Na cruz, Cristo se tornou a nossa paz e um dia, ele virá para estabelecer o seu Reino de paz. O pacificador está em paz com Deus, anuncia o evangelho da paz, tem o ministério da reconciliação e é um embaixador de Deus, rogando aos homens que se reconciliem com Deus (2 Co 5:18-20). O pacificador é aquele ama os seus inimigos, abençoa aqueles que lhe maldizem, ora por aqueles que lhe perseguem (Mt 5:45). Jesus ordena: “Tende paz uns com os outros” (Mc 9:50). Paulo diz: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12:18);

Conclusão


As quatro primeiras cláusulas (bem-aventuranças) tratam da nossa relação diante de Deus. A palavra grega traduzida por "bem-aventurado" significa "bem-estar e prosperidade espiritual". É uma palavra que se refere à alegria profunda da alma. Aqueles que experimentam a primeira parte de uma bem-aventurança (os pobres, os que choram, os mansos, os com fome de justiça, os misericordiosos, os puros, os pacíficos e os perseguidos) também experimentarão a segunda parte da bem-aventurança (reino dos céus, conforto, herdarão a terra, saciados, misericórdia, verão a Deus, chamados filhos de Deus, herdarão o reino dos céus). 

Os bem-aventurados têm uma parte na salvação e têm entrado no reino de Deus, experimentando um pouco do céu. Uma outra possível versão de cada bem-aventurança é uma exclamação de "Oh, quão felizes os..." As bem-aventuranças descrevem o discípulo ideal e sua recompensa tanto no presente quanto no futuro. A pessoa que Jesus descreve nesta passagem tem uma qualidade diferente em seu caráter e estilo de vida daqueles que ainda estão "fora do reino". 

Como uma forma literária, a bem-aventurança também é encontrada no Antigo Testamento, especialmente nos Salmos (1:1; 34:8; 65:4; 128:1) e em outros lugares no Novo Testamento (João 20:29; 14:22; Tiago 1:12, Apocalipse 14:13). Enquanto prosseguimos sob as garantias do Contrato de Deus, estamos em um progresso paulatino rumo à estatura ideal de varão perfeito, para nos tornarmos cada vez mais semelhantes a Jesus. Nos cabe apenas perseverar e não quebrar as regras desse maravilhoso Contrato (5:12).

Nota: Esse artigo é adaptação do esboço de uma mensagem ministrada por mim no culto dominical realizado em 20 de outubro de 2013, no Ministério Evangélico Gilgal, minha igreja local.

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