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terça-feira, 7 de julho de 2015

RECONHECENDO AS RAÍZES SEM PERDER A GRAÇA

Estudando a epístola do apóstolo Paulo aos Gálatas - grupo de igrejas cristãs localizadas na região da Galácia [Os Gálatas eram um povo celta da Antiguidade que habitava uma região montanhosa na Anatólia central, hoje na Turquia. O país era limitado em parte pela Capadócia, ao Leste, pela Bitínia e Ponto, ao Norte, pela Ásia Menor, ao Oeste, e pela Panfília, ao Sul. Situa-se num planalto entre os Montes Tauro, ao Sul, e os Montes da Paflagônia, ao Norte. Na sua parte norte-central, ficava a cidade de Ancira, agora chamada Ancara, capital da Turquia. Os romanos também chamavam a região de Gália do Oriente, em contraposição à Gália do Ocidente (França atual).], mais especificamente nas cidades de Antioquia da Psídia, Icônio, Listra e Derbe -, observamos que o maior desafio do apóstolo foi enfrentar os conceitos doutrinários equivocados que sendo disseminados aos crentes gálatas, introduzido com falsos ensinamentos, aos quais Paulo chamou de "outro evangelho" e o classificou como anátema (maldito, amaldiçoado).

O ponto forte de tais doutrinas, que, inclusive era incentivado
até mesmo por outro apóstolo, Pedro, era a prática dos ritos judaicos baseados na Lei de Moisés, tal como a circuncisão. Os irmãos gálatas aceitaram e absorveram tais ensinamentos, cujas práticas ritualísticas se chocavam frontalmente com os benefícios conquistados pelo sacrifício vicário de Jesus Cristo em sua morte de cruz e sua espetacular ressurreição: a graça. O efeito colateral desta opção preferencial pelos gentios é a reação mais contundente dos cristão-judeus que passam a exigir que os convertidos gentios se submetam aos ritos judaicos, principalmente a circuncisão. Depois de um inicio de debates duros em Antioquia a discussão vai para Jerusalém e ali juntamente com os apóstolos a tese gentílica de Paulo e Barnabé sai vitoriosa e os cristãos gentios ficam livres dos ritos judaicos (Atos 15).

Os judaizantes modernos


Como vemos, o problema judaizante vem sendo enfrentado desde os primórdios da igreja cristã. Paulo escreveu aos Gálatas (c. 49 d.C) para, entre outros propósitos, condenar a prática judaizante. Muitos judeus tinham se convertido ao cristianismo e queriam impor a lei mosaica sobre os cristãos gentios. Estas pessoas passaram a ser conhecidas como os "judaizantes". Esta questão entre judaísmo e cristianismo percorre o Novo Testamento e ainda encontra espaço na igreja atual. Os judaizantes modernos ensinam que os crentes devem guardar as festas judaicas como a festa dos tabernáculos, ler a Torah e guardar o sábado. É comum ver alguns usando as (o correto é no feminino) kipás [O significado da palavra kipá é "arco", que fica compreensível quando pensamos em seu formato. Na cultura judaica o uso da kipá é um lembrete constante da presença de D'us. Relembra o homem de que existe alguém acima dele, de que há Alguém Maior que o está acompanhando em todos os lugares e está sempre o protegendo, como o arco, e o guiando. Onde quer que vá, o judeu estará sempre acompanhado de D'us.], buscando ligações genealógicas com o povo israelita para que possam obter nacionalidade judia, entre outras coisas. Até mesmo nos cultos de algumas igrejas, músicas e danças judaicas foram inseridas. Cada vez mais, cantores, “ministros de louvor” e conjuntos diversos se intitulam como “levitas do Senhor” em referência ao sacerdócio Levítico da Antiga Aliança.

Em nome de suposto amor a Israel a bandeira da nação é colocada em destaque na igreja, o shofar é tocado e promovem-se as festas com a promessa de uma nova unção sobre a vida de quem participa de tais celebrações. Há igrejas onde as pessoas não podem adentrar ao templo de sandálias ou sapatos e são orientadas a tirar os calçados, pois, segundo ensinam, irão pisar terra santa. O candelabro, a arca da aliança e outros utensílios do tabernáculo são ostentados nos cultos e considerados objetos “sagrados”. Há um fetichismo com terra santa, areia santa, água santa, sal santo, folha de oliveira santa, etc. No cristianismo as pessoas são santas, mas as coisas não. Desta forma a prática judaizante caminha paralelamente com a superstição e feitiçaria. É parente da paganização. Tudo isto é produto de uma hermenêutica defeituosa, que não compreende as distinções entre os dois Testamentos. Os critérios para interpretá-los são diferentes. A pompa e a liturgia do judaísmo deram lugar à desburocratização no cristianismo. A palavra final de Deus foi dada em Jesus Cristo.

Paulo ensinou aos Gálatas que voltar às práticas e aos cerimoniais da Lei era decair da graça (Gl 5:1-10). O concílio apostólico de Jerusalém, cuja menção histórica se acha no capítulo quinze do livro de Atos dos Apóstolos, decidiu que os costumes judaicos não eram obrigatórios para os cristãos. A circuncisão, a guarda do Sábado, os cerimoniais e as festas judaicas, por exemplo, foram abolidas tanto para judeus como para gentios, por não fazerem parte da dispensação do evangelho. No entanto, estas práticas entram sutilmente na liturgia do culto e precisam ser erradicadas. Espera-se dos líderes que sejam firmes na defesa da fé cristã. É necessário promover estudos bíblicos acerca da salvação pela graça. Os púlpitos das igrejas não podem ser cedidos para cantores ou pregadores adeptos de tais modismos. O líder que permite ou autoriza práticas judaizantes na igreja iguala-se aos que invalidam a cruz de Cristo (1 Co 1:17).

Reconhecendo e respeitando as raízes - o outro lado da história


Considerando a controvérsia da inserção de práticas judaizantes na igreja contemporânea, agora eu quero fazer uma análise sobre o outro lado dessa história. O judaísmo e o cristianismo estão literalmente ligados e enraizados, embora as controvérsias religiosas deram um novo rumo a sua história. Conforme a Bíblia, Jesus nasceu em Belém de Judá e viveu em pleno estilo judeu durante a sua passagem na terra, bem como seus apóstolos e todos os posteriores discípulos. A Igreja Primitiva iniciou-se em Israel, mas com a intrusão romana na Judeia e a larga aceitação dos gentios pela nova religião, o "cristianismo judaico" tornou-se comprometido. Antes da da primeira revolta judaica, em 66 d.C., o cristianismo era uma ramificação do judaísmo, como os saduceus, os fariseus e os essênios. Os cristãos eram conhecidos como "os do caminho" ou nazarenos. Até o ano 70 d.C., havia mais judeus cristão do que gentios. A partir de então, no período pós-paulatiano, o número de gentios passou a ser maior que o número de judeus crentes. Por isso e importante lembrar que ao longo da história sempre existiram judeus crentes, ou como são chamados hoje: "Messiânicos".

A quebra dos laços entre cristianismo e judaísmo ocorreu por muitos motivos, entre eles, podemos citar a grande perseguição ao povo judeu. Com as Cruzadas da idade média, a Inquisição de Roma, os inúmeros Éditos e as Encíclicas Papais [A Encíclica é uma Carta Solene, dogmática ou doutrinária, dirigida pelo Papa aos bispos de todo o mundo, ou de algumas regiões e por meio deles a todos os fiéis. Através destes Documentos Pontifícios os Papas conduzem a "Santa Madre Igreja"], como o Concílio de Niceia (325 d.C.) e a passividade do meio cristão no período do holocausto, os novos cristão gentílicos trouxeram para o judeu a acusação de que eles haviam matado o Cristo, e por isso tinham que ser exterminados ou extraditados do país.

Contudo, os judeus passaram a abnegar o Cristianismo e aqueles que acreditavam em Jesus adotaram esta conotação: Messiânico. Para quem não sabe, o povo brasileiro tem em seus laços sanguíneos, traços e influências judaicas. A história nos mostra que vários navios chegaram ao Brasil com judeus, chamados "cristãos novos", que eram obrigados a professar a fé católica, ou teriam um fim trágico na fogueira. Com isso, milhares de judeus vieram para o país e nomes conhecidos como Miranda, Azevedo, Pinto, Oliveira, Almeida, Cardoso, Rodrigues entre outros, são de origem hebraicas.

Movimento Messiânico


O movimento Judaico-Messiânico retoma as suas forças na atual conjuntura, e desde o ano de 1967, tem conquistado um grande avivamento. Só em Israel existem mais de 10 mil judeus messiânicos e o grande reduto do messianismo está nos Estados Unidos, principalmente em Dallas, Califórnia, Flórida e Nova Iorque. No Brasil, o fluxo da população judaica está perto 500 mil judeus diretos, e o percentual de crentes é semelhante a 4%. Em alguns Estados do país, já existem igrejas do Ministério Ensinando de Sião [O Ministério Ensinando de Sião (AMES, Brasil) é uma instituição de ensino bíblico, composta por não-judeus, descendentes de judeus e judeus. Apregoam o ensino e a obediência aos Escritos judaicos da Torá (Pentateuco), dos Neviim (Profetas), dos Ketuvim (escritos) e da Brit Chadashá (Nova Aliança – Jr 31:31). Com base em tais Escritos, crêem ser Yeshua haMashiach (Jesus Cristo, o Messias) o Messias de Israel e veículo da redenção do Eterno (Deus), sendo primeiramente enviado há 2000 anos como “Mashiach Ben Yossef”, mas que em breve voltará trazendo redenção e paz para os da Casa de Israel e para todas as nações como “Mashiach Ben David”.], inclusive no Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Minas Gerais. Sabe-se que em Isaías 43 está escrito que Deus reunirá todo o seu "povo" disperso pelo mundo. 

Conforme acreditam os judeus messiânicos, este cumprimento profético tem despertado os evangélicos para a eminente volta de Cristo. Os judeus estão voltando para Israel e se convertendo, afirmam. O messiânico se destaca no cenário mundial não apenas como aquele que se torna crente, mas como judeus que procuram adequar à nova cresça, as antigas raízes de seu povo. De acordo com o pastor Marcelo, mesmo na graça, o judeu não deixa de ser judeu e nem abandona seu estilo de vida ditado pela Torá e pelas tradições bíblicas. Ele já crê nas sagradas escrituras, o Antigo Testamento (Tanach) e quando ele se converte, o Novo Testamento e a pessoa de Jesus passam a ser o epicentro de sua vida. Muitos judeus estão se convertendo e aceitando Jesus como o verdadeiro Messias, mas mesmo assim, a sua evangelização não é uma tarefa fácil.

Segundo líderes messiânicos, o grande erro do catolicismo e do protestantismo foi tentar converter o povo hebreu pela força, fazendo-o largar a seus ritos religiosos e origens. Se o judeu já crê no Antigo Testamento, ele não tem que largar-lo ou deixá-lo, ele precisa somente crer no Novo Testamento e ser orientado que os registros vero-testamentário são apenas sombra proféticas que, do Gênesis à Malaquias, apontava para a pessoa de Jesus Cristo e sua obra redentora na cruz do calvário. Para evangelizar um judeu é preciso fazer uma análise, pois existem dois tipos de judeus: o incrédulo, que basta evangelizar como a qualquer gentio; e aquele que é religioso. Para este, o processo de evangelismo é mais complexo, pois ele vive o Antigo Testamento, ou seja, sob o regime da Lei.

O que é viver messianicamente?


Muitos não entendem o viver de um messiânico, e fazem acusações infundadas ao seu ministério. Alguns argumentam que eles estão trazendo mudanças à essência do evangelho, através da introdução dos costumes judaicos, ou melhor, estão "judaizando". No dicionário da língua portuguesa encontramos a definição de "judaizar", que quer dizer praticar ritos e leis judaicas, total ou parcialmente. Ao tomarmos este conceito ao pé da letra, não estaria toda a igreja contemporânea judaizando? Sabe-se que os dízimos, o batismo, a ceia e as leis acerca do casamento, são preceitos judaicos vividos até hoje pelos cristãos. Com isso, o errado não seria questionar os messiânicos na observação das tradições do Antigo Testamento, pois, para eles que são judeus, por questões não só espirituais, mas, eu diria, principalmente, culturais a observância dos ritos são coerentes, o que não se pode dizer dos cristãos ocidentais.

O Antigo Testamento não traz por si só a salvação, mas produz a qualidade de vida. E este estilo ditado pela filosofia das escrituras antigas, baseia-se no vestir, comer, trabalhar, pensar e no hábito de estudar a Palavra de Deus. Por isso, os judeus messiânicos adotaram os costumes e tradições judaicos vivenciando nelas, a pessoa do Messias que é Jesus. O judaísmo bíblico não é pecado, porque ele é a base do cristianismo. Ele ressalta ainda que existem diversas promessas bíblicas que incluem a unidade de costumes entre os gentios e judeus crentes. A igreja tem a seiva no judaísmo e pode participar de todas as bênçãos do Antigo Testamento. Desmistificando os falsos comentários, precisamos enfatizar que a Igreja Messiânica possui adeptos judeus e não judeus, e cada um deles tem o direito de escolha. Se eles, por questões culturais, quiserem praticar as tradições antigas, são livres para fazê-lo ou se não, é tão livre quanto.

Conclusão


Jesus veio ao mundo para cumprir toda a lei e fundar a igreja, no dia de Pentecostes o Senhor apresenta o que seria um grande mistério. Como seria a igreja? O edifício preparado para os cultos, lugar de adoração, de orações ao Senhor, como Jesus não estaria mais em carne as pessoas precisariam de um lugar para se comungar com o Senhor sendo acompanhados pelo Espírito, ao homem foram revelados os fundamentos da igreja, os discípulos tinham a função de continuar o que Jesus havia começado, pregando o evangelho da salvação e com eles seguiam sinais, ensinar as pessoas sobre a nova vida, levar boas notícias e esperança para o povo que estava perdido no mundo dos pecados, função de ensinar a perseverar, deixar isso como um princípio para que o homem passasse de geração para geração. A gente sabe que espiritualmente a igreja somos nós, como membros do corpo de Cristo e que por meio dela o Espírito de Deus se move e traz sustento espiritual e natural para o homem nascido de novo, mas não vamos deixar tudo por conta do Espírito, porque o Senhor nos chama para uma missão poderosa, nos convocando para uma dispensação, que é fazer com que todos venham congregar em Cristo. Efésios, 1 Efésios 3, Gálatas 1.


CONTRASTES ENTRE A LEI/MOISÉS E GRAÇA/JESUS/CRUZ
Mostra o pecado
Perdoa o pecado
Enfatiza a carne
Enfatiza o espírito
Traz condenação, prisão e morte
Traz libertação e vida
Infância
Maturidade
Traz maldição
Leva a maldição
Aponta para Cristo
Conduz ao Pai

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