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sexta-feira, 7 de abril de 2017

ACONTECIMENTOS - EDIÇÃO ESPECIAL: 6 ANOS DA BARBÁRIE EM REALENGO

Monumento em homenagem às vítimas do massacre em Realengo
7 de abril de 2011, há exatos 6 anos o Brasil era palco da tragédia que marcaria para sempre a história da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste  Rio de Janeiro, assim como o de muitas vidas, um dia triste, o massacre de 12 alunos, entra para história brasileira.

Era uma vez, uma manhã como outra qualquer...


Manhã de 7 de abril de 2011. São 8h20 de mais um dia que parecia tranquilo na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Mas o psicopata que bate à porta da sala 4 do segundo andar está prestes a mudar a rotina de estudantes e professores, que festejam os 40 anos do colégio.


Assim como os alunos, professores e funcionários da escola, Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, saiu de sua casa em Sepetiba, também na Zona Oeste do Rio. Levou cerca de uma hora para chegar a Realengo, bairro onde estudou, morou e ainda vivia parte de sua família. Vestia calça social preta e camisa verde de mangas longas, além de sapato fechado. Levava uma bolsa.

Cinco dias antes, havia cortado a barba longa que ostentava nos últimos meses. Chegou à escola Tasso da Silveira depois das 8 horas e, como ex-aluno, não teve dificuldade em passar pela entrada. Subiu do térreo para o 1º andar, entrou na sala de leitura e pediu seu histórico escolar à professora Dorotéia, de 68 anos, há 38 trabalhando no colégio. Ela o reconheceu. Reparou que ele estava bem-vestido. Mas informou que não poderia ajudá-lo naquele momento, pois estava ocupada com outra atividade. Dali, Wellington foi direto para uma sala de aula. A professora Leila Maria ensinava português aos alunos do 8º ano.
"Estou aqui para dar uma palestra",
disse Wellington.

Pouco depois das 8h30 da quinta-feira, as meninas Vitória e Milena, o ex-aluno Wellington e o sargento Márcio se encontraram nos corredores da escola Tasso da Silveira. As garotas na condição de vítimas, Wellington como algoz e Márcio como herói de uma atrocidade inédita na vida brasileira.

O terror


O monstro assassino
Mal terminou de se apresentar à professora Leila Maria, Wellington virou-se de costas para a turma e depositou uma bolsa – aquela bolsa – em cima da mesa da professora. De dentro dela, sacou dois revólveres, um de calibre 38 e outro 32. Com uma arma em cada mão, começou a atirar. Contra as crianças, apenas. 
"Ele só atirou em alunos", 
disse atônita a professora. 
"Eu estava perto, mas ele nem me olhou." 
A garota Milena morreu com um tiro na cabeça.

O que os alunos da Escola Municipal Tasso da Silveira experimentaram nos dez minutos seguintes foi uma espécie de loucura homicida que os brasileiros só conheciam pelos filmes e pelo noticiário estrangeiro. O assassino disparava, saía da sala para carregar as armas e voltava, com mórbida eficiência. 

Movia-se com pressa, mas sem afobação – ignorava o terror já instaurado nas dependências da escola. Renovava a munição das armas com carregadores rápidos que trazia no cinto, chamados de speed loaders. Wellington parecia escolher suas vítimas e as meninas eram o alvo preferencial. 
Jornal da época com matéria sobre o massacre
"Nelas, o tiro era na cabeça, para matar. Nos meninos, era só para machucar, nos braços ou nas pernas", 
disse o aluno Mateus Moraes, então com 13 anos, que foi poupado. A estudante Jady Ramos de Araújo, à época com 12 anos, lembrou que o assassino repetia a frase
"não adianta fugir, eu vou matar vocês" 
– e mandava as crianças se virar para a parede antes de alvejá-las.

Na escola, a situação é de caos. Enquanto crianças correm – algumas se arrastam, feridas –, moradores chegam para prestar socorro. PMs vasculham o prédio, pois havia a informação da presença de outro atirador. São mais cinco minutos de pânico e apreensão. Em seguida, começa o desespero e o horror das famílias.

A notícia se alastra pelo bairro. Parentes correm para a escola em busca de notícias. O motorista de uma Kombi para em solidariedade. Ele parte rumo ao Hospital Albert Schweitzer, no mesmo bairro, com seis crianças na caçamba, quase todas com tiros na cabeça ou tórax.

Transtornado, o assassino atacou alunos de duas turmas do 8º ano (1.801 e 1.802), antiga 7ª série. As cenas de terror só terminam com a chegada de três policiais militares. No momento em que remuniciava dois revólveres pela terceira vez, o assassino é surpreendido por um sargento antes de chegar ao terceiro andar da escola. O tiro de fuzil na barriga obriga Wellington a parar. No fim da subida, ele pega uma de suas armas e atira contra a própria cabeça.


O psicopata


Wellington, que arrasou com a vida de tantas famílias, era solitário. Segundo parentes, jamais teve amigos e passava os dias na Internet ou lendo livros sobre a religião islâmica. Naquela mesma escola, entre 1999 e 2002, período em que lá estudou, foi alvo de "brincadeiras" humilhantes de colegas, que chegaram a jogá-lo na lata de lixo do pátio.

A carta encontrada dentro da bolsa do assassino tenta explicar o inexplicável. Fala em pureza, mostra uma incrível raiva das mulheres – dez dos 12 mortos eram meninas – e pede para ser enrolado num lençol branco que levou para o prédio do massacre. O menino que não falava com ninguém deixou seu macabro recado marcado com sangue de inocentes estudantes de Realengo.
Reprodução da carta que o assassino deixou escrita
Esse tipo de cenário e o comportamento, que só pode ser descrito como malévolo, são conhecidos por policiais e psiquiatras forenses. Eles repetem o que aconteceu no Instituto Columbine, nos Estados Unidos, onde, em 20 de abril de 1999, dois estudantes entraram na escola em que estudavam e mataram 13 pessoas. Lembram os eventos da faculdade Virginia Tech, também nos Estados Unidos, onde em 2007 um estudante sul-coreano abriu fogo e matou 32 pessoas antes de se suicidar. No ano de 2010, a barbárie aconteceu numa escola da província de Hanzhong, na China. Sete crianças e dois adultos foram mortos


As vítimas


  • 1 – Ana Carolina Pacheco da Silva, 13 anos
Brincalhona, Ana fazia a alegria das colegas de classe durante os recreios. Em casa, dedicava boa parte do tempo ao canto e à dança. Segundo amigas, os pais não a deixavam sair à noite para festas.
  • 2 – Bianca Rocha Tavares, 13 anos
Caseira, Bianca gostava de navegar na internet e de ajudar a avó a arrumar a casa. Sua irmã gêmea, Brenda, também ficou ferida no massacre.
  • 3 – Géssica Guedes Pereira, 15 anos
A mãe a definiu como muito alegre. Ela estava no 7º ano e sonhava em seguir carreira na Marinha. A mãe soube da barbárie pela TV e, ao chegar ao hospital Albert Schweitzer, reconheceu a foto do corpo de sua filha.
  • 4 – Igor Moraes da Silva, 13 anos
Era brincalhão e estudioso. Familiares tentaram doar seus órgãos. Não foi possível, porque os pais precisavam assinar os papéis, e a família não conseguiu localizar o pai.
  • 5 – Karine Lorraine Chagas de Oliveira, 14 anos
Sonhava em ser atleta profissional. A família soube pela TV do ataque e tentou ligar para o celular dela, até que um aluno atendeu e disse que havia encontrado o aparelho no chão. Ela já estava morta.
  • 6 – Larissa dos Santos Atanázio, 13 anos
Sonhava em ser modelo e já havia se apresentado em desfiles pequenos. Gostava de tirar fotos e postar no Orkut (extinta rede social). O irmão Alex, de 13 anos, também foi ferido. Ela era muito alegre e dedicada aos estudos.
  • 7 – Laryssa Silva Martins, 13 anos
Era muito caseira e gostava de internet. Segundo parentes, Laryssa era obstinada e muito estudiosa. Na Escola Municipal Tasso da Silveira, ela vivia cercada de amigas.
  • 8 – Luiza Paula da Silveira Machado, 14 anos
Faria 15 anos em setembro de 2011 e estava animada com os preparativos da festa. Era fã da cantora baiana Ivete Sangalo e queria ser modelo. Luiza, que estava no 8º ano, fazia curso de inglês e também gostava de postar fotos no Orkut.
  • 9 – Mariana Rocha de Souza, 12 anos
O irmão dela, Eduardo, de nove anos, também estudava na escola e estava em um andar acima quando ouviu os tiros. Ela sonhava em se tornar modelo e era muito vaidosa.
  • 10 – Milena dos Santos Nascimento, 14 anos
Aluna do 6º ano, estudava na escola desde a 1ª série. Era estudiosa e alegre. O pai, que tinha mais duas filhas na escola, disse que não deixaria que elas voltassem a estudar lá.
  • 11 – Rafael Pereira da Silva, 14 anos
Foi adotado duas vezes. Quando sua primeira mãe adotiva morreu, Rafael foi adotado pelo genro dela. O menino estava no 7º ano da Escola Municipal Tasso da Silveira.
  • 12 – Samira Pires Ribeiro, 13 anos
Entrou naquele ano na escola e ficou muito amiga de Larissa Atanázio, que também morreu. As duas se tratavam como irmãs. Seus corpos foram encontrados lado a lado. Morreram juntas.

Conclusão


O corpo de Wellington Menezes de Oliveira, foi enterrado, no Cemitério do Caju, 15 dias após o massacre. O prazo limite para que alguém da família fosse até o Instituto Médico Legal (IML) fazer o reconhecimento terminara na noite anterior. O sepultamento foi autorizado pela Justiça. Ninguém apareceu.

Nenhum parente do atirador foi ao enterro, que ocorreu por volta de 8h30 – mesmo horário em que ele deu início à matança. Apenas por três coveiros e dois funcionários do IML acompanharam os cerca de 40 segundos da descida do caixão para uma cova rasa – a de número 7708, quadra 49 do cemitério.
"É o meu trabalho, não tenho escolha. Mas pessoalmente não gostaria de estar lá. Esse foi o primeiro enterro que mexeu comigo, senti revolta", 
revelou o coveiro Leandro Silva, então com 25 anos. Morador de Realengo há 15, ele contou que ficou abatido com a chacina na escola e que trocava mensagens pela Internet com duas das vítimas.

Outro funcionário do cemitério, André Luiz de Oliveira, então com 31 anos, também lamentou estar no enterro. 
"Espero que ele não descanse nunca. Já sou coveiro há 12 anos e posso dizer que Wellington foi a pior pessoa que enterrei. Acredito que ainda vou trabalhar mais uns 35 e não vou enterrar ninguém pior. O que ele fez é atitude de monstro. Espero que ele não descanse nunca", 
desabafou. 

Outro coveiro, que não quis se identificar, demonstrou ainda mais revolta com Wellington. 
"Foi um prazer ter a certeza que este animal morreu e foi enterrado. O que ele fez foi muita crueldade e covardia. E se alguém vier aqui rezar no túmulo dele vamos expulsá-lo", 
prometeu. Não foi preciso cumprir a promessa. Ninguém nunca apareceu lá.

Após três anos enterrado no local, o corpo foi removido, a ossada, cremada e as cinzas, descartadas. Wellington foi sepultado como corpo não reclamado (quando a família não aparece para requerê-lo).

[Fonte: Publicações na internet]


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