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domingo, 18 de setembro de 2016

PERSONALIDADE RELIGIOSA - IRMÃ DULCE

Irmã Dulce nasceu no dia 26 de maio de 1914, na cidade de Salvador, na Bahia. Foi a segunda filha de Augusto Lopes Pontes, dentista e professor universitário de Odontologia, e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes. Maria Rita foi uma menina alegre, gostava de bonecas, de empinar pipa e de futebol. Torcia pelo Esporte Clube Ypiranga, time dos trabalhadores e dos pobres.

Em 1921, com apenas 7 anos, Maria Rita perdeu a mãe, que só tinha 26. Em 1922, juntamente com os irmãos Augusto e Dulcinha, recebeu pela primeira vez o Sacramento da Eucaristia (doutrina católica), na paróquia de Santo Antônio.

A vocação da Irmã Dulce


Sua vocação para trabalhar com pessoas pobres e carentes vem de berço, pelo exemplo do pai. Ela e sua irmã Dulcinha seguiram este exemplo. Assim, com apenas 13 anos de idade ela começa a acolher os doentes e mendigos, transformando sua casa num verdadeiro posto de atendimento, tanto que a casa passou a ser conhecida como A Portaria de São Francisco. Foi quando ela começou a manifestar a vontade de entrar para a vida religiosa.

Maria Rita estudou e se formou professora em 1933. Nesse ano ela entrou na Congregação das Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, com sede em São Cristóvão, no Estado de Sergipe. Passado um ano, no dia 15 de agosto do ano de 1934, com apenas 20 anos, fez os votos perpétuos e recebeu o nome que a marcou para sempre, Irmã Dulce, uma homenagem feita à querida mãe.

Missão


Sua primeira missão como religiosa foi a de ser professora num colégio da congregação, na capital baiana. Mas ela queria mesmo era trabalhar com os mais pobres. Por isso, em 1935, Irmã Dulce começou a trabalhar com os pobres de Alagados, uma comunidade paupérrima que vivia em palafitas, em Itapagipe, um bairro da cidade. 

Em seguida ela começa a dar assistência aos operários do bairro, criando e organizando um posto médico. Ela funda, em 1936, a União Operária São Francisco, a primeira organização de operários da igreja católica do Estado. Daí nasceu o Círculo Operário da Bahia, fundado pela Irmã Dulce e pelo Frei Hildebrando Kruthaup, em 1936. 

O grupo se mantinha com doações e com a verba arrecadada dos cinemas Roma, Plataforma e São Caetano. No mês de maio de 1939, ela inaugurou um Colégio que chamou de Santo Antônio, um colégio feito para os operários e seus filhos.

Socorro aos doentes


Nesse mesmo ano, vendo o sofrimento de vários doentes que não tinham onde se abrigar, Irmã Dulce invadiu cinco casas situadas na Ilha chamada dos Ratos. Lá, ela abrigava os doentes recolhidos na rua. Logo, porém, foi expulsa da invasão. 

Então, ela perambulou com esses doentes por locais diferentes e distantes de tudo, até que no ano de 1949, ela recebeu autorização para ocupar um galinheiro contíguo ao convento, abrigando 70 doentes. Por esse gesto, ela ficou conhecida pelos baianos como a freira que construiu o maior hospital do Estado da Bahia a partir de um pequeno galinheiro.

Expansão e Reconhecimento


Em 1959 foi criada a Associação Obras Sociais Irmã Dulce. Em 1960 ela inaugura o Albergue Santo Antônio. Os baianos, os brasileiros de outros estados e até personalidades de outros países deram força para que Irmã Dulce construísse suas obras. Em julho de 1980, Irmã Dulce foi incentivada pelo Papa João Paulo II para dar continuidade aos seus trabalhos. Em 1988 ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

Segundo encontro de Irmã Dulce com o Papa


No dia 20 de outubro de 1991, ela se encontrou novamente com o Papa João Paulo II, em sua segunda visita ao Brasil. O Papa quebrou os protocolos e foi visitar irmã Dulce no Convento Santo Antônio. Ela estava acamada, bastante doente.

Devoção a Irmã Dulce


Por causa de um enfisema pulmonar, Irmã Dulce viveu os últimos 30 anos da sua vida com a saúde abalada seriamente – tinha 70% da capacidade respiratória comprometida e chegou a pesar 38 quilos. Entretanto, nem mesmo a doença a impediu de construir e manter uma das maiores e mais respeitadas instituições filantrópicas do país.

Irmã Dulce faleceu em 13 de março de 1992, pouco tempo antes de completar 78 anos. Nos últimos 30 anos de sua vida, ela tinha 70% da capacidade respiratória comprometida. Os baianos choraram na despedida do Anjo Bom da Bahia, como ela era conhecida. Seu velório aconteceu na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Uma multidão incontável compareceu à sua despedida.

Todos choravam e queriam prestar sua última homenagem àquela que dera sua vida pelos doentes e pelos mais pobres.  No velório, cerca de 50 pessoas desmaiaram e o cenário se dividiu entre pobres e grandes personalidades do país.

Quando ainda em vida, Irmã Dulce já era chamada de santa por causa da evidente santidade de sua vida. A Igreja também reconheceu a santidade de Irmã Dulce declarando-a beata no dia 22 de março de 2011. A declaração foi oficializada pelo Papa Bento XVI. A festa de Irmã Dulce dos pobres é celebrada no dia 13 de agosto.

Na exumação do seu corpo, em junho de 2010, os representantes do Vaticano e pessoas presentes se mostraram impressionados com a mumificação natural do corpo, 18 anos após a morte da religiosa. A exumação é a penúltima etapa do processo de beatificação. "A roupa estava conservada mesmo após 18 anos, apesar de um pouco escura. O semblante dela é muito sereno, não há odor", disse a sobrinha e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce, Maria Rita Pontes, em entrevista à imprensa na época. No dia 22 de maio de 2014, Irmã Dulce foi a terceira religiosa, natural do Brasil, a ser beatificada.

Conclusão


Um excelente filme brasileiro sobre a vida da beata chegou às telas no final de 2015. "Irmã Dulce" teve a grande virtude de fazer uma radiografia da vida de uma brasileira que fez boas coisas para o povo de nosso país. Nós, que estamos saturados de ver muitos de nossos compatriotas cometendo os famosos "malfeitos", nos emocionamos profundamente quando vemos uma brasileira de coração puro lutando por uma causa justa e nobre. Uma brasileira que era capaz de encarar de frente todas as adversidades para fazer o bem.

O filme é uma interessante cinebiografia, cheia de emoção, que se pauta totalmente na personalidade de Irmã Dulce e sua história, contada de uma forma emocionante. A encenação da trajetória da freira ainda é reforçada por tocantes imagens de arquivo ao final, aumentando ainda mais a qualidade do filme, que tem um excelente elenco.

Além de Bianca Comparato, Regina Braga também interpreta Irmã Dulce, na casa de seus quarenta e cinco anos. Temos ainda as presenças de Glória Pires, como a mãe de Irmã Dulce, a ótima interpretação de Gracindo Jr. como o pai da freira, Zezé Polessa, como a irmã da protagonista, Irene Ravache, como a Madre Provincial e Luís Carlos Vasconcelos como Dom Eugênio Sales.

Dessa forma, "Irmã Dulce" é uma bonita homenagem a essa grande figura brasileira, tendo inclusive sido indicada para o Prêmio Nobel da Paz de 1988. É um filme para ver, se emocionar e conhecer melhor essa grande figura humana. Um bom filme brasileiro, definitivamente, que vale a pena ser assistido independente de seu credo religioso.

[Fonte: Rede Canção Nova; Rede Vida; "Irmã Dulce, o Anjo Bom da Bahia", Gaetano Passareli, Ed. Paulinas e Record, 2003, 272 pg ]

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