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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

BLACK FRIDAY? VIGIA, CRENTE!

A tendência natural de todos nós é seguir aquilo que amamos e desejar aquilo que nos agrada. Porém, se não nos precavermos, corremos o risco de cultivar em nós desejos que são desordenados e fora dos limites estabelecidos por Deus. 

No Brasil todos sabemos da crise que se alastra há anos. Desde que em 2008 foi chamada de "marolinha" pelo então presidente da república Luis Inácio Lula da Silva, a crise - que não se limita na área financeira, mas também na política e, consequentemente na social -, tem sido mais devastadora do que um tsunami. Como cristãos, é válido aqui recorrermos à inequívoca Palavra de Deus que nos adverte:
"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (...) "Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida..." - Gálatas 5:16; 1 João 2:16 

Quando o excesso do bom pode ser ruim


Tenho afirmado constantemente em minhas ministrações que "o excesso de coisas boas trazem resultados ruins e pecaminosos" e muitos, por não observarem este excesso, têm-se entregado aos seus desejos venenosos, traindo a si mesmos, a Deus e ao próximo. O texto de 1 João 2:16 traz, com muita precisão, três destes desejos mais peçonhentos.

  • A concupiscência da carne


Concupiscência da carne é marcada por práticas desvirtuadas em busca de satisfação do apetite sexual. São as imoralidades e toda espécie de perversões que se possa imaginar.

Uma vida realmente desregrada, sem limites. O indivíduo passa a ser escravo de si mesmo. É como se houvesse um monstro dentro dele, mais forte do que ele, convencendo-o constantemente a continuar satisfazendo seus apetites carnais que não possuem fronteiras.

Os prejuízos são enormes, além da perda da reputação, do pudor e do caráter, perde-se a salvação, a presença do Espírito Santo que deve habitar no homem. Enfim, é um pecado que conduz a alma para o inferno (Romanos 8:8; 13:14; Apocalipse 21:8). 

  • A concupiscência dos olhos


Concupiscência dos olhos é desejo intenso de aquisição de bens materiais, de desfrutar do gozo material. É o desejo de possuir, desejo de adquirir coisas, de acumular. Surge mediante a contemplação das vantagens terrenas, como riquezas, famas e prazeres. O indivíduo corre desenfreadamente atrás daquilo que ele não trouxe para este mundo (1 Timóteo 6:7).

Este desejo é também conhecido como "avareza". O avarento se apega demasiadamente às coisas materiais, esquecendo-se de Deus. Seus olhos não veem o vertical, de onde vem sua redenção; somente veem o horizontal, o mundo e as coisas que nele há.

O primeiro grande mandamento é "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração..." Marcos 12:30). Quem deseja possuir, adquirir desta forma os bens desta vida está incapacitado de amar a Deus. Os seus olhos estão saturados, voltados tão somente para os elementos materiais, a riqueza, a economia, de tal forma que não conseguem mais ver Deus em seu caminho (1 Tm 6:10). 

  • A soberba da vida


A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Tudo que faz é só para se promover, para que seu ego seja massageado através dos elogios, dos parabéns, dos cargos que possui, das funções que exerce, da formação que tem, etc. Se tudo é necessário, mas se não for bem administrado pode ser um veneno mortífero para aqueles que almejam posições.

Há quem diga que "o poder pode embriagar". De fato, isso pode ocorrer, se não for canalizado de forma correta. Uma grande virtude em nossas vidas é quando "sentimos que somos o maior de todos os pecadores e o menor de todos os santos". Quando temos o próximo sempre superior a nós. Isto é uma bênção. Que Deus nos salve de nós mesmos e que nossos desejos sejam controlados pelo Espírito Santo.

E a Black Friday, onde entra nesse papo?


Entra agora. Nessa quinta feira é comemorado o Thanksgiving nos EUA, ou dia de Ação de Graças. Mas o feriado acabou sendo mais conhecido pelo dia seguinte, a Black Friday, ou sexta feira negra. Mas, seja sincero. Você sabe o que realmente significa essa data e qual sua origem?

  • Black Friday - o que é? 


Um pouco da historia dessa tradição. Após um ano com uma safra bem ruim, em 1621 a agricultura na região da Nova Inglaterra apresentou uma produção razoavelmente boa. Para agradecer a colheita a população resolveu dar uma festa de agradecimento e convidou os índios nativos para participar do banquete. Assim foi criado o feriado que é considerado o mais familiar dos Estados Unidos, é no Thanksgiving, mais do que no Natal, que as famílias se reúnem em torno de uma mesa farta para agradecer as bençãos que tiveram durante o ano.

Mas a tradição de Thanksgiving não chegou ao Brasil. Na verdade o então presidente Gaspar Dutra tendou instituir o feriado e a tradição no Brasil em 1949, mas a data não pegou.

Se o Thanksgiving não pegou, o mesmo não se pode falar da Black Friday. O dia das compras enlouquecidas. A origem do Black Friday, como pode-se esperar é bem menos nobre do que do Thanksgiving.

O termo foi criado provavelmente na década de 60 e era usado por policiais da Filadélfia para designar o caos que acontecia na cidade no dia após o Thanksgiving, que juntava o pessoal saindo para fazer as compras de natal com uma galera que ia assistir jogos de futebol americano na cidade. Como vocês podem imaginar não era um dia muito querido pelos policiais e ainda não é.

Mas a sede pelo lucro não para por aí. Os grandes varejistas competem em quem abre as suas lojas primeiro, o que acabou, como era de se esperar chegando até o dia do Thanksgiving em si. Uma das poucas datas em que o comércio fecha (ou fechava) nos EUA, fora isso só no Natal e no Ano Novo. Todos os outros dias do ano as lojas abrem normalmente.

Assim, o que era para ser um momento de agradecimento virou uma corrida para ver quem compra mais. Corrida não, guerra! Observou a inversão essencial dos valores? No dia da gratidão as pessoas se pegam a tapa para comprar uma televisão ou um computador novo. É vergonhoso.

  • Black Friday verde e amarelo


Como não existe promoção de verdade no Brasil e consumista que é consumista não quer ficar fora da festa, já existem excursões de brasileiros indo para os EUA para aproveitar a Black Friday por lá. É aquele momento que se um extraterrestre aterrizasse na Terra eu teria vergonha de dizer que faço parte da raça humana.

É tempo de comprar. Todo ano é a mesma coisa: ao se aproximar o final de novembro, a Black Friday abre a época das compras, dos presentes e dos gastos (muitas vezes do que não se tem). É sempre um alvoroço, com grandes filas formadas por pessoas "felizes" por estarem comprando o que tanto queriam, realizando seus "sonhos". 

As mídias fazem a farra. Sites congestionados, sistemas de mediação financeira travados, reclamações nas redes sociais, lamentos de pessoas que não conseguiram comprar o que tanto queriam pois os estoques acabaram. Comprar, comprar, comprar… Pode ser apenas um evento promovido pelo comércio para "aquecer as vendas", mas podemos fazer algumas leituras através dele.

O que me intriga é onde as pessoas tem colocado sua alegria e satisfação. Elas estão mais felizes por conseguir comprar algo, do que passar um tempo com alguém. Quanto de toda essa verba não poderia ser direcionado para viagens familiares (cada vez mais raras) ou para ver algum amigo que longe reside? Ou melhor (e mais urgente), quanto desse dinheiro não poderia ser usado para diminuir a miséria de quem não tem dinheiro, sequer, pra comer dignamente? 

Por favor, não me entenda mal, nem ache que estou defendendo que não possamos comprar coisas, tampouco quero que meu discurso seja interpretado como alguma visão "comunista" (que tenho aversão, diga-se de passagem). Jamais! Meu ponto é mais profundo, pois o buraco é mais embaixo. Minha reflexão está na motivação de tudo isso. Me impressiono (e entristeço) principalmente com a quantidade de cristãos, sendo eu um deles, aderindo cegamente essa data e encarando-a como "grande oportunidade". Não que não seja, mas essa postura é recorrente, constante. 

O quão consumistas não temos sido? Consumimos tudo. Consumimos objetos, maquiagens, roupas, tempo, eletrônicos e, fatalmente, consumimos até as pessoas. A Black Friday não é o problema, pois o problema somos nós, nossas prioridades. Elas revelam onde está nosso coração e, consequentemente, o que consideramos valioso (Mateus 6:21).

O ter em detrimento do ser


O livro Viva a Simplicidade, da Comissão Lausanne, fala do compromisso que o cristão deve (ou ao menos deveria) ter com um estilo de vida simples, tanto para melhorar o acesso das pessoas a eles (você acha que um pobre mal vestido se sente bem e à vontade para se aproximar de alguém que mantem uma postura altiva, ostentando bens?), quanto para aplicar de forma adequada nosso dinheiro. 

Ao lê-lo e ao olhar para a situação da igreja evangélica no Brasil em seu "crescimento" (ou inchaço?) acelerado, podemos nos perguntar: Por que a corrupção, fome, pobreza, desigualdade social, imoralidade, pecado, etc., não diminuíram? Que diferença os cristãos, que deveriam ser encarnação dos princípios de vida que Cristo ensinou na terra, estão fazendo? Que tipo de "boas novas" tem sido pregadas e disseminadas nos templos evangélicos, em sua grande maioria?

Como cristãos, é possível que estejamos deixando de cumprir com nossos compromissos diante de Deus ao "buscar os tesouros desse mundo", vivendo em uma vida despreocupada e de luxo, desconsiderando os milhões de pessoas que vivem em condições sub-humanas. O evangelho tem a mensagem de salvação e libertação para o ser humano como um todo, isso inclui sua alma, assim, como seu corpo. Ignorar qualquer um desses aspectos é transmitir um evangelho parcial, incompleto, que não contempla uma perspectiva antropologicamente bíblica. 

Quero ressaltar que não faço apologia à miséria, muito pelo contrário, mas resisto veementemente à peçonhenta teologia da prosperidade. Contudo, podemos viver confortavelmente, sim, porém o questionamento é: a que custo? O meu excesso de dinheiro, meu aumento de salário, não é para me "mudar de classe", nem para aumentar meu padrão. É, sim, para diminuir a miséria do meu próximo. Enquanto comemos do bom e melhor, vivemos "seguros" em condomínios fechados, há pessoas passando fome e sem moradia, e se isso não compungir nossos corações, há algo errado com o cristianismo que temos vivido. Generosidade e complacência devem ser uma de nossas marcas.

Conclusão


Uma pena. Vários estudos indicam que exercer a gratidão é uma das ações mais poderosas para encontrarmos mais felicidade no nosso dia a dia. Já o preto, da Black Friday, significa, na linguagem contábil transformar um prejuízo (em vermelho) em lucro. Pense nisso, quando achar que é você que está levando grande vantagem comprando nesse dia.

Creio ser impossível proclamar, com integridade, a salvação de Cristo, se ele, evidentemente não nos livrou da cobiça; é impossível proclamar com credibilidade, o senhorio e a soberania de Cristo se não somos bons mordomos de nossas posses; e não podemos proclamar o Seu amor com autenticidade se fechamos nossos corações para os necessitados. O Senhor Jesus, sendo rico, se fez pobre para que por meio de sua pobreza nos tornássemos ricos (2 Co 8:9) e assim, a Seu exemplo, devemos viver.

Um comentário:

  1. Estou boquiaberta com esse texto e essa forma de pensar (riquíssima!). Difícil eu achar algo verdadeiramente interessante assim.
    Parabéns e muito obrigada por compartilhar algo tão maravilhoso.
    Continue servindo ao Senhor com alegria e prazer. Que Deus continue te abencoando.

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