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terça-feira, 5 de abril de 2016

MARANATA!

O teólogo reformado R. C. Sproul começa sua defesa do Preterismo moderado - que a metodologia mais popular para o exame do Apocalipse e dos Livros proféticos do Antigo Testamento entre os eruditos críticos; essa escola é também conhecida como a contemporânea-histórica; seus defensores entendem que a grande maioria das profecias (ou todas) cumpriram-se na destruição de Jerusalém (em 70 dC) - (do qual ele declaradamente é um dos adeptos) com uma citação do famigerado filósofo cético e ateu Bertrand Russell. 

Em seu livro The Last Days According to Jesus (Os Últimos Dias Segundo Jesus), Sproul parecia tentar agradar a Russell e seus seguidores com uma resposta à questão que Russel levantara sobre a divindade de Cristo. Ele tentou fazer com que a expressão “não passará esta geração sem que tudo isto aconteça” (Mt 24.33-34), se referisse à geração dos discípulos, alguns dos quais ainda eram vivos quando o exército romano (não o Anticristo, como mostra a profecia) destruiu a cidade de Jerusalém no ano 70 d.C.

Russell, que corretamente demonstrara o fato de que aqueles discípulos não viram a volta de Cristo nem o cumprimento de muitas profecias proferidas naquele sermão do monte das Oliveiras, deu então um "salto" interpretativo para chegar à conclusão errônea de que Jesus não podia ser Deus em carne humana, visto que fracassara em cumprir aquela profecia durante o tempo de vida daqueles discípulos. Ao que parece, nunca lhe ocorreu que a expressão "esta geração" não era uma referência àquela geração de discípulos do primeiro século, mas sim uma alusão à geração que veria a sequência de eventos do fim dos tempos que acontecerá conforme Jesus profetizou. 

Eu pessoalmente não acredito que Russell tenha sido movido por um forte desejo de identificar Jesus como "o profeta" que Moisés predissera ser o Messias em Deuteronômio 18:18, 19. É provável que ele tenha sido influenciado pelos céticos acerca de Jesus que viveram em sua própria geração ou pelos racionalistas alemães ou, ainda, pelos céticos franceses que o antecederam, os quais negaram a divindade de Jesus e a inspiração sobrenatural das Escrituras. O uso equivocado que ele fez de Mateus 24:32-34 foi, muito provavelmente, uma tentativa descarada - e inútil, diga-se - de tirar a credibilidade de Jesus.

O problema é que de maneira indireta, muitas igrejas evangélicas seguem a nefasta cartilha de Russell quando se omitem a pregarem sobre a iminente volta de Jesus. Parece-me que os crentes não acreditam mais nessa verdade. É muito triste contatar que ministros pregam sobre tantas coisas - algumas, aliás, absurdos anti-bíblicos - mas não pregam com veemência, insistência e ênfase sobre a volta de Jesus. 

Maranata é uma expressão de origem aramaica que, na tradução para a língua portuguesa, tem um significado semelhante a "vem, Senhor" ou "nosso Senhor vem". Portanto, é importante examinar os eventos preditos por Jesus acerca de dias obviamente futuros, a fim de constatar se Ele aludia àquela geração do primeiro século ou fazia referência aos crentes que hão de contemplar os eventos profetizados. 

Como entender a afirmação: "Jesus virá em breve"?


Vamos deixar que a própria Bíblia explique-nos através da análise de alguns textos.

O capítulo 24 de Mateus relata o diálogo entre Jesus e os discípulos, onde estes lhe perguntam sobre os sinais que antecederiam Sua vinda:
"No monte das Oliveiras, achava-se Jesus assentado, quando se aproximaram dele os discípulos, em particular, e lhe pediram: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?" - Mateus 24:3

Os versos que se seguem relatam os sinais que indicam a proximidade deste evento, e no verso 33 lemos as próprias palavras de Jesus acerca de Sua breve volta: "Assim também vós: quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas."

Em Marcos 13:20, 28 e 29 lemos:
"E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos escolhidos que escolheu, abreviou aqueles dias. Jesus disse ainda: Aprendam a lição que a figueira ensina. Quando os seus ramos ficam verdes, e as folhas começam a brotar, vocês sabem que está chegando o verão. Assim também, quando virem acontecer essas coisas, fiquem sabendo que o tempo está perto, pronto para começar."

O apóstolo Paulo em sua carta aos filipenses escreveu: "Sejam amáveis com todos. O Senhor virá logo." - Fl 4:5 (NTLH)

Na carta do escritor anônimo aos hebreus também encontramos outra declaração: "Pois, como ele diz nas Escrituras Sagradas:“Um pouco mais de tempo, um pouco mesmo, e virá aquele que tem de vir; ele não vai demorar." - Hb 10:37

E ainda em Apocalipse 22, versos 7,12 e 20: "Escutem! — diz Jesus. —Eu venho logo! Felizes os que obedecem às palavras proféticas deste livro! Escutem! — diz Jesus. — Eu venho logo! Vou trazer comigo as minhas recompensas, para dá-las a cada um de acordo com o que tem feito. Aquele que dá testemunho de tudo isso diz: — Certamente venho logo! Amém! Vem, Senhor Jesus!"

Assim, vemos que a afirmação "Jesus virá em breve" trata da iminente volta de Jesus, pois os sinais de Sua vinda estão se cumprindo perante nossos olhos!

Entretanto, alguns perguntam o porquê de Jesus ainda não ter vindo, se a promessa é de que Ele voltará em breve (muitos, aliás, dizem já ouvir tal afirmação desde que eram crianças...). 2 Pedro 3:8 e 9 responde: "Meus queridos amigos, não esqueçam isto: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. O Senhor não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, ele tem paciência com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados."

O tempo kairós e o tempo kronos


  • Kairós - é uma palavra de origem grega, que significa "momento certo" ou "oportuno", relativo a uma antiga noção que os gregos tinham do tempo. A noção de tempo representada pelo termo kairós teria surgido a partir de um personagem da mitologia grega.
  • Kronos - é o tempo mensurado, com dias, meses e anos. É finito, metódico, controlado, igual para todos. É o tempo linear, que cobramos aos outros e do qual dizemos que "tempo é dinheiro". É o tempo do calendário, o tempo do relógio.

O tempo divino é diferente do nosso, e o desejo de Deus é que todos sejam salvos; por isso, Ele dá a oportunidade de salvação a todos, e espera com amor e paciência por aqueles que ainda não O aceitaram. Este é um dos motivos pelos quais Jesus não voltou ainda. É por causa do amor que Ele sente por você e por mim que está a esperar.

Se Ele voltasse hoje quantos seriam salvos? Estaríamos nós preparados? Hoje é um dia a menos para o seu breve retorno, e uma oportunidade a mais para nos prepararmos! Amém!

Que possamos expressar nossa gratidão a Deus hoje pelo dom da salvação demonstrando em nosso viver o quanto O amamos! E que o amor de Jesus seja a grande motivação da sua vida. 

Conclusão


A geração que, conforme os versículos 32-34, contemplará todas essas coisas, de modo nenhum podia ser a geração de discípulos que viveu no primeiro século. Infelizmente, até onde se sabe, Bertrand Russell morreu e foi sepultado com a enganosa concepção de que Jesus cometeu um erro ao profetizar que Sua geração veria a Segunda Vinda dEle, concluindo, assim, que as palavras de Cristo não eram confiáveis. Na verdade, Jesus se referia à geração acerca da qual os discípulos indagaram ao perguntarem: "que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século?". Cristo descreveu "esta geração" como aquela que estará viva no momento em que "sucederão todas estas coisas". 

Visto que muitos sinais, ao que parece, já começaram a se cumprir, todos nós deveríamos orar e trabalhar a fim de advertir as pessoas para que não percam a oportunidade de encontrá-lO na Sua Vinda para buscar a Igreja, por ocasião do Arrebatamento. Tenho certeza de que eu e você temos o mesmo desejo de que muitos não sejam deixados para trás!

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