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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SAIA DESSA TENDA!

O texto deste artigo é baseado na mensagem que preguei no culto realizado pelos jovens do Ministério Evangélico Gilgal, no sábado, 03. 

Mateus 17:1-8. Esta é uma daquelas passagens bíblicas bem, digamos, "emblemáticas" que dão margem para um leque de interpretações (cada uma mais esquizofrênica que a outra). Por isso, sobram equívocos e até mesmo absurdas heresias acerca do episódio envolvendo Jesus e os seus discípulos Pedro, Tiago e João, lá no chamado monte da transfiguração. Mas o propósito da mensagem não é suscitar essa ou aquela polêmica e sim ater-se, submeter-se à simplicidade e clareza do que o Senhor Jesus nos revelou nessa maravilhosa experiência espiritual à qual privilegiou aos 3 discípulos viverem juntamente com ele. 

"Passados seis dias, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte. Ali Ele foi transfigurado na presença deles. Sua face resplandeceu como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a luz. De repente, surgiram à sua frente Moisés e Elias, conversando com Jesus. Expressando-se Pedro, disse a Jesus: 'Senhor, é bom estarmos aqui. Se desejares, farei aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias'."  - Mateus 17.1-4 [Versão King James]

Nunca as igrejas tiveram tantos recursos para anunciar o evangelho. Contudo a evangelização está muito aquém do que é necessário. Parece que a maioria das igrejas começa bem o seu propósito e depois se acomodam.

Quando Jesus subiu ao monte com seus três companheiros Pedro, Tiago e João, certamente desejava proporcionar-lhes uma experiência com Deus que os levasse a descer para a cidade e cumprir sua missão. Entretanto Pedro achou que estava ‘tão bom’ ali que propôs fazer três tendas para ficarem mais tempo. Felizmente sua proposta não teve atenção e Jesus continuou seu ministério firmemente.

Qual o significado das tendas?


A tenda serve de abrigo e conforto. Muitos cristãos e suas igrejas estão vivendo momentos de contemplação da glória de Deus. Ficam somente nisto, construindo ‘tendas’ que os levam ao comodismo ao invés do desafio evangelístico e missionário.

O que tem nos impedido de cumprir o nosso chamado e fazer a obra de Deus? Em uma análise contextual, vamos comparar as três tendas com três coisas que impedem as igrejas de cumprir sua missão.

1 - Tenda de Moisés - Lei, religiosidade

A tenda de Moisés é comparada com a Lei, porque ele foi um legislador do povo de Deus na Antiga Aliança. Moisés organizou o povo como nação dando-lhes estatutos que antes não tinham como escravos. Esta lei tinha direitos e deveres, bem como consequências dos mesmos. Com o tempo os seguidores de Moisés começaram a ser cada vez mais rígidos com seus ensinamentos de maneira que a lei se tornou pesada demais. Quando Jesus veio, cumpriu toda lei e nos trouxe um novo tempo “pois não estais debaixo da lei, e sim da graça” - Romanos 6:14.

O legalismo é representado pela tenda de Moisés, onde se acomodam aqueles que dizem fazer tudo certinho: são demasiadamente 'santos', demasiadamente 'crentes', demasiadamente 'corretos'... mas não cumprem o IDE do Mestre assim como muitas de suas atitudes se opõem aos discursos que bravateiam. Muitas igrejas criam regras e estatutos tão rígidos que impedem a entrada de novas vidas. 

Tais legislações são tão imperiosas que não permitem o ingresso de possíveis novos convertidos porque primeiro devem cumprir uma série de exigências. O legalismo é cômodo porque traz o conforto de sentir que tudo está certo, mesmo se o propósito de ganhar vidas não estiver sendo cumprido. 

Temos nos escondido na tenda da Lei? Deixemos o legalismo, a religiosidade e façamos a obra de Deus!

2 - Tenda de Elias - dependência "profética"

A tenda de Elias é comparada com a Profecia, porque ele foi um dos primeiros e principais profetas bíblicos. O profeta Elias foi o precursor de um tempo em que Deus levantou vários profetas, um após o outro. Contudo, poucos homens de Deus foram tão cheios de autoridade como Elias. Muitos milagres foram realizados em seu ministério e ele foi arrebatado ao céu sem passar pela morte (2 Reis 2:1-4). Desde seu sucessor Eliseu e o restante dos profetas que se levantaram até João Batista, todos se espelharam no ministério de Elias como voz profética para o povo de Deus que esperava seu retorno (Mateus 11:14, 17:11). 

A profecia é representada pela tenda de Elias que traz aos crentes o comodismo de ouvir uma revelação para sua vida ao invés de buscar pessoalmente a direção de Deus. Realmente muitos cristãos estão buscando revelação do que devem fazer. Mas isso é muito fácil e não conduz a um compromisso com Deus. Quem busca adivinhação está sempre procurando um profeta diferente para lhe anunciar o futuro e não constrói um relacionamento de intimidade com Deus suficiente para ouvir a voz do Senhor. 

Esta prática excessiva acomoda a Igreja dentro de quatro paredes ou em montes e ‘casas de profeta’ ao invés de anunciar que a Salvação já foi revelada por Deus ao mundo através do Senhor Jesus (Hebreus 1:1-3). Válido salientar que nada tenho contra o ministério profético e sim contra a maneira errada do uso desse dom espiritual, tanto por parte de alguns 'profetas' e 'profetizas' - que em alguns lugares são praticamente 'semi-deuses' - quanto por parte vai em busca dessa 'prestação de serviços' espirituais. 

Temos nos acomodado na tenda da profecia? Saibamos que somos profetas e temos o dever de revelar ao mundo que Jesus é o Senhor!

3 - Tenda de Jesus - sinais e maravilhas: as mãos de Deus

A tenda de Jesus é comparada com os sinais porque o Mestre operou grandes maravilhas e ordenou que fizéssemos coisas maiores também (João 14:12). Os milagres de Jesus foram tantos que o apóstolo João deixa claro que não seria possível descrever tudo (João 20:20,21; 21:25). Principalmente porque Jesus prometeu que “sinais hão de acompanhar aqueles que creem” - Marcos 16:17, tornando-se algo que deveria ser natural na vida dos cristãos.

O misticismo em torno de Sinais e milagres é representado pela tenda de Jesus, que foi o fundador deste movimento chamado Igreja. Hoje grandes templos e catedrais são inaugurados todos os dias prometendo realizar milagres, contudo ‘insistindo’ em pedir ofertas e contribuições como prova de fé para então ser abençoado. Quer ver um templo abarrotado de gente? Coloque lá alguém realizando curas. 

Não há nada de errado com a manifestação dos sinais e das maravilhas, conforme eu disse, eles deveriam ser algo natural na vida do cristão. É o agir sobrenatural do Espírito Santo no meio da Igreja. Entretanto, muitas dessas igrejas com ênfase nos sinais, têm pouco (quase nenhum) espaço para a exposição da Palavra. E os evangelhos nos deixam claro que a ênfase no ministério de Jesus foi o ensinamento, a pregação da Palavra com a qual Ele próprio foi identificado (João 1:1, 2) e não os sinais. Estes eram a consequência e não a causa da obra realizada pelo Mestre.

Por outro lado podemos testemunhar que o Espírito Santo tem realmente operado maravilhas no meio do seu povo e por isso o evangelho tem crescido a cada dia mais. Contudo, percebemos em muitas igrejas que elas se fecham em si mesmas, embora divulguem massivamente suas obras para que as multidões venham encher seus templos. Este também é um sintoma de comodismo que faz a igreja deixar de ir para que as almas venham em sua direção. Existem muitas vidas que nunca irão a uma igreja e precisam que o povo de Deus os encontre pelas ruas, hospitais, cadeias, escolas, etc.

Estamos acomodados na tenda dos sinais? Saiamos em busca daqueles que estão precisando de um milagre! Não nos acomodemos!

Conclusão 


"Enquanto ele ainda estava falando, uma nuvem resplandecente os envolveu, e dela emanou uma voz dizendo: 'Este é o meu Filho amado em quem me regozijo: a Ele atendei!' Ao ouvirem isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e ficaram atemorizados. Então Jesus, aproximando-se deles, tocou-os e disse: 'Levantai-vos, e não temais!' Ao erguer os olhos, a ninguém mais viram, senão somente a Jesus." - Mateus 17.5-8 [Versão King James]

Após a proposta de Pedro para fazer as três tendas, sua fala foi interrompida pela nuvem da glória de Deus, em seguida pela voz do Senhor ordenando que ouvissem a Jesus e depois pelo toque de Jesus dizendo para não terem medo. Quando se despertaram de tudo que aconteceu parecendo um sonho, “a ninguém viram, senão Jesus” (v. 8). Foi então que voltaram para a realidade que era continuar o seu ministério em busca de vidas olhando não para a lei [Moisés], profecias [Elias] ou mesmo para as maravilhas que contemplaram no monte ao redor de Jesus.

Quantas vezes em nossas reuniões de liderança da igreja propomos fazer tendas que nos levem ao comodismo. Estabelecemos leis, profetizamos e até realizamos maravilhas, mas não podemos deixar de descer o monte para ganhar almas para o Senhor. Organize sua Igreja, busque revelação e milagres de Deus, mas nunca se acomode parando de pregar o evangelho.

Em Gênesis 15:3-5, na sequência dos acontecimentos desenrolados após o chamamento do patriarca Abraão, tem um fato que nos revela o quanto a comodidade do interior de uma tenda pode limitar nossa visão e entendimento do plano de Deus para nós: "Então o SENHOR conduziu Abrão para fora da tenda e orientou-o: 'Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes'. E prometeu: 'Será assim a tua posteridade!'"  

Ou seja, de dentro da tenda, se Abrão olhasse para o céu, só iria conseguir ver a cobertura da tenda. Se olhasse para os lados, só conseguiria ver os limites da tenda. Nada mais que isso. Para que ele visualizasse a imensidão do que Deus tinha para ele, foi necessário que o Altíssimo o conduzisse para fora da tenda. Medite nisso e que o Senhor fale ao seu coração. Ouçamos a orientação do Pai: 'Saia dessa tenda, ó filho meu!'

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