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segunda-feira, 23 de março de 2015

SUPERSTIÇÕES EVANGÉLICAS

Pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, fizeram uma série de testes para determinar até onde a prática de algumas superstições pode realmente fazer algum efeito sobre a busca de algum objetivo pessoal. Eles descobriram que as atitudes supersticiosas, indiretamente, podem realmente afetar em algumas coisas.

O primeiro tipo de experimentos era para verificar a “eficiência” de se cruzar os dedos por outra pessoa antes da atuação desta em algum teste. No primeiro, participantes tinham que acertar uma tacada de golfe. Aqueles para os quais os pesquisadores disseram que aquela bolinha dava sorte tiveram resultado melhor do que os voluntários para os quais nada foi dito.

Em outro teste, os pesquisadores diziam: “estou cruzando os dedos por você”, para alguns dos participantes, em um jogo semelhante de pontaria. Mais uma vez, aqueles para os quais se desejou sorte foram melhores.

Ainda reuniram os voluntários para fazer anagramas e testes de memória. Para alguns, foi permitido que mantivessem seus amuletos durante os testes. Os “sortudos” mais uma vez tiveram desempenho melhor do que aqueles que precisaram se desfazer do amuleto.

A teoria para este panorama, segundo os pesquisadores, é que a fé na sorte traz suas vantagens: tira um bom tanto do nervosismo que envolve uma pessoa antes de passar por um teste importante, já que ela “transfere” cegamente grande parte da responsabilidade sobre o seu desempenho para um amuleto. Além disso, torna o supersticioso mais confiante, o que tem um efeito igualmente benéfico.

Amuletos gospel


Dia desses, vi um carro que tinha uma Bíblia aberta em cima do painel. O carro certamente sofreu um acidente, pois estava amassado. Não pude deixar de observar que a presença de uma Bíblia ali não tinha adiantado de nada. Mas alguém que crê em superstições logo diria que o carro estava amassado porque a Bíblia não estava aberta no Salmo 91.

Hoje, quanta gente tem transferido a sua confiança e tranquilidade para amuletos como sementes de romãs, pular ondas, ferraduras, pés de coelhos, ferraduras, trevos de quatro folhas e congêneres, e superstições como o hábito de não passar por baixo de escada? Quebrar um espelho ou cruzar com gato preto, então, dá sete anos de azar. Já para espantar o azar existe a carranca, muito usada naquelas barcas do rio São Francisco.

No meio evangélico, muitos tratam pejorativamente essas crendices, mas nós, crentes, também temos nossos amuletos e superstições: copo de água ou lenço que podem receber a bênção da da oração de algum "sacerdote" - quer seja ele apóstolo (este está na moda), bispo, pastor... semideus -, jejum, para dobrar a vontade de Deus. Vale até adesivo no carro com versículo bíblico ou com alguma frase de "poder", o que, na prática, tem o mesmo efeito da carranca.

Talvez, alguém possa me tratar com descaso, afirmando que estou esquecendo o significado simbólico e o imaginário que está por trás desses rituais e objetos religiosos; mas, neste momento, estou preocupado não com o que tudo isso significa para o indivíduo, mas o seu significado teológico e bíblico. Na verdade, queremos um Deus que funcione segundo nossa vontade, que faça a nossa vida dar certo,, que autentique um projeto de vida boa. Não estamos preocupados com uma mudança radical de vida, olhando a nossa existência do ponto de vista de Deus.

Tratar a vida espiritual achando que a coisa deve funcionar como um remédio é fácil. Tome a água abençoada, ou ponha o lenço na cabeça, e Deus vai fazer a coisa dar certo. Esquecemos que Deus nos deu o atributo chamado liberdade, para que muita coisa dependa de nós também. Por isso, precisamos pedir-lhe sabedoria para agir corretamente.

De nada adiantará você colocar um adesivo no carro com os dizeres "Propriedade de Jesus", se for imprudente ao volante. De nada vale fazer jejum pedindo um emprego para Deus, se você é preguiçoso, incompetente ou trata mal o chefe e os colegas de trabalho. Talvez sejam esses os motivos por que esteja desempregado.

Em vez de alimentarmos crendices e transferirmos nossa responsabilidade para objetos "sagrados", vamos assumir o risco de construir nossa história com dignidade, pedindo sabedoria a Deus e buscando os referenciais seguros em sua Palavra, para que nossas decisões sigam o caminho da prudência. No que não depender de nós, vamos confiar que Deus cuidará. Vamos crer em milagres, mas no momento e do jeito que o Senhor quiser fazê-los.

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