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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PERSONAGENS BÍBLICOS: MARTA E MARIA, ILUSTRAÇÃO DA LEI E DA GRAÇA


Retornando à nossa série especial Personagens Bíblicos, neste capítulo vou trazer o perfil de duas das mais conhecidas e citadas personagens femininas do Novo Testamento na Bíblia: Marta e Maria, de Betânia, as irmã de Lázaro, aquele a quem Jesus ressuscitou. 

É difícil que você nunca, ao menos uma vez na vida, tenha ouvido um sermão sobre a história dessas duas irmãs. Neste artigo vamos conhecer mais alguns detalhes dessas duas importantes personagens bíblicas, registrada em Lucas 10:38-42.

Análise contextual da história


O encontro de Jesus com Marta e Maria acontece na cidade de Betânia. Betânia estava localizada cerca de três quilômetros do Monte das Oliveiras em Jerusalém. Era uma aldeia em que o Mestre diversas vezes se hospedara. Logo a família de Lázaro, Marta e Maria ocupariam um lugar cativo no coração de Jesus.

Jesus volta a sua jornada, após ter contado a Parábola do Bom Samaritano, e se dirige para Betânia (a 6 Km de Jerusalém, atual Palestina), onde é recebido por Marta e Maria. Ao lidar com o Mestre, o comportamento das duas irmãs encerra visões diferentes sobre o servir a Deus de forma sincera.

Definindo a adoração


Como deveria ser a adoração ao Senhor? Será que buscar a Deus com toda sinceridade de coração envolve algum tipo de sacrifício? Aqui, vamos abordar o entendimento de cada uma dessas personagens, e ver qual foi a orientação de Jesus, o que o Mestre deixou de ensinamento para nós.
"E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa. E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra" (38, 39).
Os rabinos ensinavam, e o talmude afirmava que a mulher que servisse a um profeta, ajudando-o, realizava uma obra que equivalia a oferecer um sacrifício no templo dos judeus:
"Qualquer que receber em sua casa um discípulo dos sábios, alimentando-o, dando-lhe de beber e oferecendo-lhe seus bens, realizara uma obra tão boa como se estivesse ofertando um sacrifício diário" (Talmude Judaico).

Marta estava fadigada com muito trabalho; Maria ouve a Graça de Deus


Sacrificar no templo era um dos pontos mais altos e magníficos da religião judaica. Algo que até hoje os judeus aspiram por voltar a praticar. E a mulher, devido a discriminação religiosa, pouco participava do culto judaico e dos sacrifícios no templo.

O trabalho de Marta era motivado pela presença de um hóspede especial. Querer fazer uma refeição diferente, a melhor refeição, a melhor arrumação, representava o sacrifício que Marta sempre sonhou em oferecer a Deus. Mas para uma só pessoa, tudo aquilo se tornava pesado, estava além das forças de Marta. E ela começa a se fadigar.
"Marta, porém andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: 'Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude...' 'E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada'" (40, 42).
Maria conseguiu compreender que o amor de Deus estava ali, diante dela, em pessoa. E suas doces palavras transmitiam todo esse amor, que doava a própria vida por seus amigos.

O próprio Criador encarnado havia entrado por aquelas portas e estava sentado, ensinando como que em uma conversa entre amigos. Era Ele, o Senhor Majestoso, o Rei do Universo, e Maria não se conteve, não poderia perder tão rara e preciosa oportunidade. Quantos profetas e patriarcas não desejariam ter tido esta mesma chance de Marta e Maria!

Até Abraão, Moisés, Isaque, Jacó certamente, em seu íntimo, desejaram muito ter tido tal chance de estarem com o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.
"Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se" (João 8:56).
Certamente Maria ao se aproximar do Mestre, ouvindo suas palavras de vida, ficou tão compenetrada com seus divinos ensinamentos e largou tudo, sentou-se e não pôde mais deixá-lo, pois suas palavras eram espírito e vida. Isso já havia acontecido com muitos outros que de Jesus se aproximaram com sinceridade de coração.

Maria parou para ouvir Jesus porque o amor supera em muito o sacrifício; o conhecimento de Deus é maior que os holocaustos. Foi por amor que Deus havia enviado o seu único filho Jesus, para resgatar a humanidade.
"Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos" (Oséias 6:6)
Marta porém, ainda pensava com as categorias de sua religiosidade, de que podia de alguma maneira ajudar a Jesus. Porém em seu excesso de trabalho enfadante, se distanciava desperdiçando daquela sublime visita.

Marta não se achava merecedora da presença de Jesus na sua casa; e buscava trabalhar, queria merecer, por meio de um sacrifício. E estava assim cheia de enfado, cansada, porque o sacrifício, a religião cansa mesmo, enfada, é cheia de pormenores e de detalhes.

E Jesus a convida carinhosamente, ainda que com uma santa energia, a deixar as formalidades da religião e passar à comunhão simples e sincera de uma filha para com seu Papai celeste.
"E respondendo Jesus, disse-lhe: 'Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária'..." (Lc 10:41)
Igualmente, no trato com o próximo, é preciso ver além das circunstâncias. É necessário compreender a causa da infelicidade alheia, e ter uma santa percepção daquilo que pode estar atrapalhando a perfeita comunhão com nosso Pai.

É necessário aproveitar a presença ilustre do Espírito Santo em nossas vidas, e livrar-se logo do adiar desse encontro sublime, quando ficamos numa espera sem fim, por fazer algo que nos torne melhores.

O tempo de oferecer holocaustos já passou, mas muitos ainda têm a mente permeada por oferecer sacrifícios. Querem de alguma forma sacrificar, acham que tem que sacrificar algo, para se tornarem merecedores da atenção divina. 

Mas não é por obra meritória, é por fé e graça. É imerecido mesmo. É de graça e pela graça, pois Ele nos chamou sendo nós ainda pecadores. Ainda que você não se ache merecedor dessa graça e desse perdão, uma coisa sei, o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado!

O sacrifício eterno foi oferecido de uma vez por todas, para todo sempre. Aceite a graça do Pai, lave-se nesse sangue, e pacifique o seu ser, em Jesus.
"Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã" (Isaías 1:18).  
"Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado" (1 João 1:7).

Análise pessoal e aplicativa da história


Como vimos, Jesus estava a caminho de Jerusalém. Muitos discípulos com Ele. Ao chegarem na aldeia de Betânia as pessoas se agitam. Correm para vê-lO. Muitos ali já conheciam o Mestre. Haviam presenciado milagres, testemunhos de curas e transformações que faziam de Jesus um visitante muito aguardado. Mas, era na casa de Lázaro que Ele costumava passar mais vezes. Tinha se tornado, amigo da família. Marta, a mais velha, era a primeira a recebê-lO.

Maria, embora ansiosa por Sua chegada, não se adiantava, à porta. Ao ver Jesus, tudo em Maria mudava. Seu rosto se tornava mais alegre. Seus gestos, transmitiam amor e carinho. Maria, anelava por aquela presença. Certa feita, ungiu a Jesus, com unguento precioso. Os longos cabelos de Maria, deslizavam nos pés do Mestre. O perfume, podia ser sentido de longe (João 12:3). 

Quanta gratidão havia em Maria. Quanta devoção. Quanto amor. Maria, representa, os verdadeiros adoradores. Os que encontram felicidade na presença de Jesus. Os que se entregam sem medida, na certeza de uma nova vida. Maria, prioriza o Reino de Deus. Ele, em primeiro lugar. Jesus, se alegrava com Maria.

Marta, não desfrutava da presença de Seu anfitrião. com muita disposição, servia água e comida para todos. Jesus, sentado. Os discípulos, a Seus pés. Ali também, Maria. Todos O ouviam. Marta, entrava e saia do recinto. Ocupada e afadigada. Por que deveria fazer tudo sozinha? Será que Jesus não via que enquanto ela trabalhava, Maria nada fazia? Para Marta, ficar aos pés de Jesus, não era tão importante, quanto agradar os visitantes.
"E respondendo Jesus, disse-lhe: 'Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária'..." (Lc 10:41)
Marta não esperava ouvir isto de Jesus. O erro não seria de Maria, que não a ajudava? Marta tinha o dom de servir. Em João 12:2, lê-se: 
"Fizeram-lhe pois, ali uma ceia, e Marta servia." 
Trabalhadora e providente, sua casa era bem cuidada. Seus irmãos também. Porém, algo em Marta, precisaria ser mudado. Sua vida. Suas prioridades. Marta, é o exemplo da preocupação com o exterior, enquanto, Maria, representa o interior, o coração.

Marta, se parece muito, com os fariseus e com muitos de nós: esperam alcançar o Reino, através das obras. Acreditam na justificação pelas obras. São obras, sem fé. Sem direção. O que ela fazia era importante? É claro que era. Jesus, não estava dizendo para Marta que ela não deveria servir o próximo. Mas que ela deveria buscar O reino. Isto, era o mais importante. Marta, precisaria conhecer a vontade de Jesus, para sua vida. Como agradá-lO. Como atrair seus elogios. Como ter uma vida tranquila e produtiva.

O que aprendemos com essas duas mulheres?


Se estamos ocupados com muitas coisas, no dia a dia. Priorizando o secular. Negligenciando o relacionamento com Deus. Precisamos parar. Retomar a direção. Fadiga, ansiedade e murmuração, nos conduzem à carnalidade. Isso acontece, até mesmo, com os que servem ministerialmente na igreja. Receberam Jesus, em suas casas. Porém, estão envolvidos em tantas atividades que não há tempo para investir em um relacionamento íntimo e profundo com Jesus. A história de Marta e Maria, nos convida a uma vida equilibrada. Tendo Jesus como o Centro.
"'Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada'" (Lc 10:42).

Conclusão


Costumo me perguntar: Estou agindo como Marta ou como Maria? Se acordo pensando em mil coisas. Apressado para iniciar as atividades cotidianas. Dou uma parada. Me tranco no quarto, corro para os pés de Jesus (Mateus 6:6). Sei que as coisas, seguem de forma diferente após falar com Jesus. Falo com Ele, Ele comigo. Através da oração e leitura da Palavra se estabelece inesquecíveis, indispensáveis e fundamentais momentos de intimidade com Deus.

Que possamos ter a disposição de Marta, adorando como Maria. Que Cristo Jesus, seja O Centro de nossas vidas. Amém.


A Deus toda glória.
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E nem 1% religioso.


Um comentário:

  1. Muito bom esse palavra. Não tinha visto Bessa visão.
    Meus parabéns

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