Total de visualizações de página

sábado, 15 de abril de 2023

ESTANTE DO LÉO — "O DIA DO CHACAL", DE FREDERICK FORSYTH


Fachada da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais
Um dos locais preferidos por mim aqui na minha cidade, a grande Belo Horizonte, é a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais

Fundada em 1954, ela é uma das principais do Estado e popularmente chamada de "Biblioteca da Praça da Liberdade", justamente por estar localizada nesse icônico endereço da capital mineira, um dos seus grandes marcos turísticos, onde funciona um monumental circuito cultural.

Eu, em uma de minhas visitas à biblioteca pública
Infelizmente, muito por causa do emburrecimento coletivo nacional, gerado pela popularização da internet, em suas mídias/redes digitais/sociais, que fez com que uma população que já não gostava de ler, se tornasse ainda mais avessa à leitura de um texto que tenha mais que uma lauda, tornando-se uma geração de zumbis viciados em videozinhos ridículos, postados nos famigerados Tik Tok e Kwai, as visitas à biblioteca pública, com seu magnífico acervo, foram se encolhendo com o passar dos anos, seguindo uma linha contrária a evolução natural das coisas.

Ao invés de ir crescendo e se aprimorando, ela foi encolhendo e perdendo atrativos, até ficar reduzida a espaço quase "piquitico" e desconhecido pela maioria dos belorizontinos. Cara, quem não conhece a biblioteca pública, não sabe o que está perdendo.

Tanto o prédio que a abriga, quanto seu estonteante acervo, são a coisa mais linda que existe e uma verdadeira "nave", capaz de nos levar "em viagens" inimagináveis, sem precisar comprar passagem, tirar passaporte ou sequer sair do lugar. O sonho de todos os leitores.

Bom, mas porque essa meu preâmbulo sobre a biblioteca pública? É por que foi nela que conheci o livro sobre o qual irei falar em mais um capítulo da minha série especial de artigos "Estante do Léo".

Sobre o autor


Frederick Forsyth, é um dos maiores escritores de thrillers políticos, na minha opinião.

Nascido na Inglaterra, em 1938, o escritor iniciou sua carreira como jornalista e obteve notoriedade a partir de seu trabalho como correspondente estrangeiro, que lhe possibilitou conhecer profundamente os meandros da política internacional. 

Após dois anos cobrindo a guerra civil em Biafra, na Nigéria, Forsyth decidiu escrever seu primeiro livro de ficção: "O Dia do Chacal (The Day of Jackal)", publicado em 1971. 

Sua especialidade são os romances que envolvem espionagem e política internacional, consequência do jornalismo investigativo que se reflete em toda sua obra. 

Usando sua experiência como jornalista e correspondente diplomático, foi muito preciso e detalhista nas tramas que escreve ao mesmo tempo em que consegue criar uma atmosfera tensa que coloca o leitor imerso na história. 

Lembro-me que a primeira vez em que li "O Dia do Chacal", até perdia a noção do tempo, de tão mergulhado que eu estava na leitura.

Sobre o livro


Em junho de 1958, Charles de Gaulle (✰1890/✞︎1970) retornava ao posto de primeiro-ministro da França. O país atravessava um grave crise moral e política, e gradualmente tornou-se claro que, entre as medidas para sanear a República, De Gaulle pretendia retirar as tropas francesas da Argélia, resquício insustentável do Colonialismo. 

No entanto, alguns oficiais dos que lutaram, anteriormente, na Indochina, e depois na Argélia, não se conformaram. 

Não esqueciam seus homens que haviam morrido em combate, nem que tinham sepultado os corpos mutilados dos que tiveram a infelicidade de ser capturados vivos. 

Esses oficiais formaram a Organização do Exército Secreto (OES), cujo objetivo era assassinar De Gaulle e tomar o poder num golpe de Estado. Vários atentados foram praticados contra o presidente, mas aos poucos a inteligência francesa desbaratou a Organização. Os dirigentes que restavam se exilaram, para pôr em prática um último e desesperado plano: A operação Chacal. 

Como já dito, Forsyth é um mestre na carpintaria do thriller. A narrativa se desloca com agilidade do roubo dos passaportes de dois inocentes turistas em Londres para a reunião da cúpula da OES, num hotel em Roma, e mais tantas outras peças, cuja montagem desafia o leitor. 

O suspense é irresistível. E, no primeiro plano, um assassino que parece ter recursos ilimitados, uma sombra que penetra em qualquer esquema de segurança. E que vai chegar, literalmente, a um centímetro de assassinar De Gaulle, o que poderia mudar a história mundial.

Qualquer semelhança com fatos reais, não é mera coincidência


O romance é baseado em um fato real: a tentativa de assassinar o presidente francês Charles de Gaulle, que aconteceu em 1963, por obra de Jean Bastien-Thiry (✰1927/✞︎1963). O carro onde estava De Gaulle chegou a ser metralhado. 

Thiry era um funcionário público francês insatisfeito em perder seu cargo na Argélia, em virtude da independência do país promovida por De Gaulle.

Forsyth "agarrou" esse fato para compor a sua trama, com algumas modificações, é obvio. A principal delas foi trocar um funcionário publico insatisfeito por um mercenário misterioso contratado com a missão de eliminar o presidente francês.

"O Dia do Chacal" teve a sua primeira publicação lançada em 1971, mas depois devido ao sucesso da obra, que projetaria o nome do Forsyth mundialmente, muitas outras edições passaram a ser lançadas.

No livro, o "Chacal" é contratado por uma organização do exército francês, inimiga da independência da Argélia, para dar cabo do presidente De Gaulle. O mercenário bonito, carismático, com gestos refinados e sem identidade definida mata, friamente, todos aqueles que se colocam em seu caminho para cumprir a missão de eliminar De Gaulle.

O livro é dividido em três partes: "Anatomia de um Complô", "Anatomia de uma Caçada Humana" e "Anatomia de um Assassinato". A primeira parte destaca os detalhes perfeccionistas de como o Chacal planeja o assassinato. A segunda, tem início no momento em que as forças policiais passam a procurar o Chacal. "Anatomia de um Assassinato" é a mais curta e se refere ao desfecho da trama.

Minhas considerações pessoais

Eu recomendo porque...


O "Chacal' e Claude Lebel, são os dois personagens que foram os responsáveis por me prender à leitura dessa verdadeira obra prima da literatura de suspense. Pois bem, estas duas pessoas — quer dizer — estes dois personagens me encantaram quando li o livro.

Ora, torcia para o sujeito contratado para matar Charles De Gaulle; ora, torcia para o cara que tinha a missão de impedir esse ato terrorista. O Chacal idealizado por Forsyth, apesar de ser considerado vilão, tem o poder de seduzir o leitor (a mim, ele seduziu). 

O autor compôs um personagem tão inteligente e detalhista que em certos momentos da trama, sem perceber, você se vê torcendo por ele. Então, entra em cena Label, tão inteligente e detalhista quanto o Chacal, aí lá vai você trocar de lado em sua torcida. 

Este vai e vem na "preferência popular" — bandido-mocinho, mocinho-bandido — para descobrir quem leva a melhor no final é constante. O carisma de Chacal e Label é algo que realmente fascina o leitor. Por isso e por toda sua trama envolvente, eu super recomendo a leitura desse magnífico livro. "O Dia do Chacal", como toda boa obra literária, ganhou uma versão cinematográfica.

Dirigido por Fred Zinnemann, o longa, protagonizado por Edward Fox ("Chacal") e Terence Alexander (Lloyd), foi lançado nas telonas em 1973, tornando-se um dos grandes títulos do gênero na sétima arte. Mas, sobre o filme, eu falo em uma outra oportunidade, numa outra série especial de artigos.

Conclusão


O livro começa lento, com muitos personagens e trechos descritivos, mas depois, com o virar das páginas, a "coisa" vai engrenando. 

À partir da segunda parte, quando começa o jogo de gato e rato entre o Chacal e o detetive Label, o enredo se torna eletrizante.

Cara, resumindo, um livro que vale a leitura e muito! Tanto é que apesar de décadas passadas, os detalhes da trama ainda continuam "fresquinhos" em minha memória, por isso, sem mais delongas, deixo o meu carimbo de:
[Fonte: Livros e Opiniões, por José Antônio jornalista e radialista]

Ao Deus Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.

domingo, 2 de abril de 2023

PRONTO, FALEI! — DEUS NÃO CHAMOU NINGUÉM PARA SER FAMOSO!

"Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-lo para o proclamarem rei, retirou-se novamente, sozinho, para o monte" (João 6:15).
"No futuro, todos terão seus 15 minutos de fama"
afirmou Andy Warhol (✰1928/✞︎1987) na década de 1960, enquanto criava seus retratos silk screens baseados com rostos de celebridades, acidentes automobilísticos e objetos do dia a dia — expressões do movimento chamado pop art.

Com o advento da popularização da internet e suas plataformas de mídias digitais, essa "previsão profética" de Warhol estava certa, porém — e, em casos semelhantes a esse, digo, infelizmente — foi potencializada em um tempo maior.

Enxergo nesse uso desenfreado das redes sociais e nos mecanismos midiáticos a projeção de Narciso. A disseminação da filosofia — do pensamento crítico e da ideia de confrontação do status quo — por meio dos instrumentos de comunicação de massa é uma espécie de manada de Cavalos de Tróia da era digital (Não confundir com os vírus, por favor!), em um descontrolado e desastroso galope. Lamentável!
O que a fama tem de tão perigosa que até o próprio Cristo conscientemente a evitava? Quero compartilhar neste texto o resultado de minhas reflexões.

Mais um escândalo envolvendo os nomes de um casal de líderes de uma conhecida denominação evangélica, com sede no Rio de Janeiro e que tem igrejas espalhadas por outros estados, capitais — inclusive aqui em Belo Horizonte — e cidades no Brasil e também no exterior, veio à palta essa semana nas passarelas das redes sociais, com a mesma projeção midiática da tal denominação que tem em suas fileiras de membros e frequentadores, várias celebridades, tanto do segmento gospel, quanto do secular. 

Este acontecimento, triste sob todos os aspectos, além de expor o que acontece nos bastidores de muitas dessas grandes e famosos igrejas, que absolutamente nada tem do glamour que ostentam, me serviu de inspiração para o texto desse artigo, mais um capítulo da minha série especial "Pronto, falei!".

Mais luzes, por favor!


Recentemente o filósofo Mário Sérgio Cortella expressou que muitos querem ser famosos, mas o que realmente faz diferença é sermos importantes. Gostei da ideia e fui verificar na Bíblia para ver se ela vem de Deus (aliás, essa é uma boa prática para cada ideia que gostamos...). 

Fico feliz em perceber que este tema percorre todo o texto bíblico. Na verdade, o próprio satanás era um anjo de grande importância, mas ele quis fama, quis ser igual a Deus e, por isso, caiu. 
Perseguir a fama é uma das grandes e mais perigosas tentações de nossos dias. 
Na verdade, muitos importantes se tornam famosos, mas infelizmente há muitas pessoas famosas que realmente não têm importância real. Quando isso acontece, estas pessoas precisam continuar fazendo barulho para preservar sua fama, mas continuam fazendo pouca diferença a longo prazo.

A partir desta reflexão comecei a observar homens na Bíblia que foram importantes, na verdade fundamentais no plano eterno de Deus, mas que não atingiram a fama. Um deles, sobre o qual o Espírito Santo muito me tem falado ultimamente, é aquele tangedor anônimo, cuja única menção — porém de uma importância incontestável —, foi em 2 Reis 3:15

Essa é a realidade da grande maioria dos servos de Deus. Podemos almejar e trabalhar para termos impacto, deixar um legado abençoador (sermos importantes), mas somente Deus pode determinar se seremos famosos.
A grande maioria dos servos de Deus foi importante para o seu plano eterno, mas não atingiu a fama.
Neste artigo gostaria de fazer algumas considerações sobre um outro homem que foi de enorme importância, mas que, apesar de ser mencionado na Bíblia, nunca foi tão famoso quanto outros ao seu redor:

José, o "Barnabé"


Seu nome era José — não o carpinteiro (assim como Maria, Simão, Judas, dentre outros, José, também era um nome muito comum à época) —, mas o que era levita e tinha propriedades. Cresceu fora de Jerusalém, inclusive fora da terra de Israel, e isso era um ponto a menos para sua fama. 

Foi um discípulo de Cristo, mentor de líderes e sua característica pessoal mais forte era o encorajamento, tanto que os demais discípulos lhe deram o apelido de Barnabé, "filho da consolação" (Atos 4:36,37).

Barnabé é mencionado novamente quando toma a iniciativa de apoiar, até mesmo afiançar, um novo e polêmico discípulo, Saulo (Ele mesmo!). Este ex-perseguidor era evitado pelos demais discípulos, mas José (Barnabé) intercedeu por ele e arriscou a sua própria reputação ao testemunhar de sua conversão (ver Atos 9:27).

A próxima vez que Barnabé reaparece é quando surgiu um novo fenômeno: uma igreja não judaica. Com o início da igreja em Antioquia, os apóstolos de Jerusalém o enviam para esclarecer o que ocorria. Ele, chegando ali, viu a graça de Deus e os desafiou a permanecerem fiéis. Percebendo que ele mesmo não tinha os dons e talentos necessários, foi buscar a Saulo e juntos ensinaram aquela igreja tão necessitada (ver Atos 11:19-26).

Em Atos 13 vemos a igreja de Antioquia já estabelecida e com uma equipe de profetas e mestres que vinham das mais diferentes origens. Ali Deus chamou Barnabé e Saulo para a primeira viagem missionária. No decorrer da viagem Saulo virou Paulo, mas também se transformou no líder da equipe. Este fato não parece ter incomodado Barnabé, pois continuaram ministrando juntos, sem se importar com a inversão de papéis.

Nem tudo na vida de Barnabé era perfeito. Em um evento, uma vez mais em Antioquia, ele parece ter caído no erro de Pedro ao afastar-se da comunhão com os gentios (ver Gálatas 2:13). Isso ocorreu em vista do ensino de mestres vindos de Jerusalém que afirmavam que não bastava a fé em Jesus, mas era também necessário cumprir a lei. 

Seu antigo discípulo Paulo confrontou Pedro e aqueles que deixaram a comunhão. Uma vez entendido seu erro, encontramos Barnabé junto com Paulo defendendo a salvação pela fé sem obras no Concílio de Jerusalém (ver Atos 15:12).

A última menção de Barnabé em Atos é outro evento triste, mas revelador do caráter deste homem. Ao se preparar para a próxima viagem, ele e Paulo discordaram sobre levar ou não o jovem Marcos, que os havia abandonado na primeira viagem. 

A dissenção foi tamanha que ambos se separaram (ver Atos 15:36-41). Mais tarde, Paulo se refere a Barnabé como um colega no ministério (ver 1 Coríntios 9:6) e no final da vida reconhece que Marcos lhe é "útil para o ministério" (2 Timóteo 4:11).
Certamente Barnabé não se compara a Paulo em fama. Nem sequer sabemos por certo as circunstâncias de sua morte.
No entanto, observando sua vida e seu impacto na vida de Paulo e também de outros, podemos afirmar que ele foi alguém importante. Deixe-me alistar, a partir da vida de Barnabé, algumas características nas quais você e eu podemos investir se quisermos fazer diferença, se quisermos importar...

Os benefícios da fama


• Generosidade Ousada — Ele era um homem generoso. Vendeu seu campo e doou à igreja mesmo que isso não lhe fosse pedido ou exigido. Como temos usado nossos recursos? Temos sido ousados em generosidade ou contribuímos apenas aquilo que não nos faz falta?

Barnabé aparentemente se alegrava em ver outros se destacarem. Como reagimos quando outros se destacam, quando somos deixados em segundo plano?

• Fé nos Improváveis — Ele acreditou primeiro em Paulo e mais tarde em Marcos, mesmo quando as evidências não eram as melhores. Creio que é seguro dizer que fez o mesmo com outros, mesmo sem ser mencionado na Bíblia. Como temos visto pessoas que precisam de investimento? Só investimos naqueles que são "promessas de sucesso"?

• Cuidado Gracioso — Mesmo em uma igreja ainda imatura ele percebeu a graça de Deus; ao mesmo tempo, não ignorou que aquele povo precisava permanecer fiel e precisava de ensino. Como temos reagido àqueles que recém chegaram à fé? Somos críticos de sua imaturidade ou preocupados o suficiente para exortar e ensinar?

• Espiritualidade Bondosa — Em Antioquia, Barnabé foi reconhecido como um homem bom e cheio do Espírito. Como você e eu somos vistos? As pessoas nos descreveriam como pessoas boas e cheias do Espírito?

• Humildade Corajosa — Por fim, Barnabé não precisava liderar ou estar à frente. Ele aparentemente se alegrava em ver outros se destacarem. Como você e eu reagimos quando outros se destacam, quando somos deixados em segundo plano?

O outro lado da fama


Pessoas de sucesso são admiradas e inspiram muitos a buscá-lo. O valor atribuído ao sucesso pode ser dimensionado no ato de cumprimentar alguém desejando-lhe êxito na profissão e na vida, particularmente na entrada do novo ano. Os meios de comunicação costumam dar destaque a pessoas famosas, detentoras de riqueza ou que obtiveram conquistas valorizadas pela sociedade.

Para nortear essa reflexão, levantamos algumas questões importantes: O sucesso é sempre positivo? É justo que alguns se destaquem e outros ocupem um lugar comum? Almejar fama e fortuna não representa um traço egoísta? O que significa "sucesso/fama" para o cristão? Quando um(a) pastor(a) é bem-sucedido(a) no seu trabalho?

Perfil de sucesso


Ser uma pessoa de sucesso implica destacar-se numa área. Identifica alguém que atingiu a fama, detém prestígio, obteve uma vitória, alcançou felicidade ou construiu um grande patrimônio. Pode, também, significar a realização de um sonho.

O sucesso tem como pré-requisitos a competência, a motivação e a oportunidade. Não basta ao indivíduo apresentar uma das condições referidas, pois as três são absolutamente necessárias e interdependentes.

A motivação para o sucesso pressupõe gostar do que se faz, buscar intensamente e, às vezes, sacrificar-se para atingir um objetivo.

A competência envolve aptidão que, por sua vez, exige o desenvolvimento de habilidades correspondentes à área.

A oportunidade compreende um momento próprio para a realização ou portas que se abrem ao sujeito, mas ele precisa estar atento e perceber tal momento especial. O gaúcho costuma referir-se a isso explicando que 
"o cavalo está passando encilhado".
Vivemos numa sociedade competitiva, e só aquele que supera os demais tem realmente valor.

Sucesso como realização de um sonho


Costuma-se identificar a juventude como uma fase em que o indivíduo constrói um projeto de futuro. Nesse sonho aparece uma profissão, uma vida em família (casar, ter filhos...) e a construção de um patrimônio: casa própria, carro e dinheiro para adquirir outros bens e satisfazer suas necessidades.

Na medida em que a pessoa vai alcançando, na fase adulta, os objetivos pré-estabelecidos, ela avalia que sua vida está sendo exitosa. Porém, se com o passar do tempo a trajetória de vida do sujeito o mantém distante do sonho adolescente, por volta dos 40, 50 anos, isso pode representar um importante fator desencadeador da chamada crise da meia idade.

O êxito em relação aos sonhos da juventude depende, obviamente, da viabilidade dos mesmos, já que alguns sonhos são possíveis e outros impossíveis.

A procura do sucesso


O sucesso adquire diferentes significados e varia de acordo com o tipo de motivação que mobiliza um indivíduo.

Um importante psicanalista identifica, numa pessoa adulta, três tipos de motivação: realização, poder e afiliação. Logo, algumas pessoas avaliam o triunfo pelo desempenho em atividades desafiadoras que lhes permitem exercer bem as tarefas e superar metas anteriormente definidas. 

Outras medem seu sucesso pelo grau de influência (poder) exercido sobre pessoas ou organizações. E, outras, consideram sucesso alcançar um relacionamento cordial e afetuoso, ter amigos.

Em psicanálise, existe também a teoria que explica o sucesso considerando uma hierarquia de necessidades básicas, que se manifestam progressivamente no desenvolvimento do ser humano. Um bebê está mobilizado pelas necessidades primárias e, na medida em que estas vão sendo atendidas, ele atingiu o sucesso. 

Quando a percepção de realidade da criança vai se ampliando, ela busca segurança e proteção. Se os pais e as demais pessoas que a cercam lhe passam tal percepção, de novo temos o êxito. Na fase de socialização, a criança aprende a competir, a cooperar e a formar as primeiras amizades. 

Se esses objetivos são alcançados, temos outra vez o sucesso garantido. No final da infância e no início da adolescência, o indivíduo entra numa fase de narcisismo. Se ele estabelecer um processo saudável de identificação e responder intimamente a questão "Quem sou eu?", com todas as implicações profissionais, sexuais e valorativas, isto é sucesso. E, por fim, atingir progressivamente objetivos que o próprio sujeito estabelece para si, dá a ele a percepção constante de conquista.

Nesses casos, o sucesso depende muito da fase da vida em que se encontra uma pessoa e, também, do nível de maturidade obtida.

Avaliação do sucesso


Se os bens materiais e a vida de ostentação têm muito valor para alguém, então isto lhe garante o destaque esperado. Mas, uma pessoa madura/sadia buscará outros valores e motivações (como, por exemplo, a motivação para a realização ou para a afiliação); para ela, riqueza e ostentação carecem de significado.

A condição de sucesso tende a ser avaliada de um modo particular pela própria pessoa, mas os outros dispõem de parâmetros diferenciados para dimensioná-la, sem que haja coincidência nos critérios. Nesse sentido, eu avalio que obtive êxito, mas os outros (pais, amigos, sociedade) podem considerar-me um fracassado.

É importante destacar que se uma conquista satisfaz ao sujeito, ele alcançou sucesso.

O sucesso pode ser fatal


Talvez muitos imaginem que pessoas de sucesso são extremamente felizes e realizadas. Porém, a história nos oferece vários exemplos de indivíduos que tiveram êxito no passado ou em período mais recente, mas não souberam tirar proveito da situação.

Na área dos esportes é comum a síndrome do sucesso, na qual o esportista consegue destaque e reconhecimento num momento da carreira e, logo após, passa a ter desempenho medíocre.

Na área artística, todos conhecem casos de pessoas que conquistaram fama e riqueza, mas tornaram-se indivíduos infelizes que, por vezes, abusaram das drogas e, em outras, optaram pelo suicídio. Nesse perfil esteve incluído até um psiquiatra de renome internacional.

Significado do sucesso para o cristão


Jesus (Marcos 8:36,37) pergunta: 
"Que vantagem terá alguém se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?"
Não há nada que poderá pagar para ter de novo a sua vida. Para Deus, cada ser humano tem maior valor do que toda a riqueza que pode ser acumulada pela humanidade. A Bíblia nos mostra que Salomão pediu sabedoria, e Deus lhe acrescentou a riqueza.

Alcançar a fortuna representa, às vezes, uma bênção, e como tal deve ser percebida pelo cristão. Essa, porém, não deve afastá-lo de Deus ou transformar-se num deus.

O Evangelho nos ensina que é mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha (Lucas 18:25). 
Isso quer dizer que o Altíssimo é contra as riquezas? Obviamente que não! 
Porém, é uma advertência à propensão do ser humano, em sua natureza caída, fazer da riqueza a sua deusa.

Se sucesso é encontrar um significado para a vida, e se alguém encontrou vida e salvação em Cristo, então isto representa a verdadeira e maior conquista.

Se um(a) pastor(a) atendeu à ordem de Cristo: 
"...vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo" (Mt 28:19), 
ele certamente avaliará como "sucesso" cada pessoa trazida para o Reino de Deus, como também cada ovelha mantida no aprisco.

Minhas considerações finais


Tenho assistido em minha trajetória cristã de já quase quatro décadas, uma sucessão de quedas de grandes homens que se embaraçaram nos cordéis da fama. Creio que nós humanos temos um fascínio por ela. Parece que, quando bate à nossa porta, procuramos agarrá-la com todas as forças. 

Isso me lembra uma certa leitura de como certos macacos eram facilmente capturados por uma armadilha muito eficiente. Dentro de uma cumbuca, era colocado uma pedra brilhante. Aquela armadilha era deixada para atraí-los. Depois que agarrava o objeto de seu desejo, não conseguia mais se soltar, entregava sua liberdade por ela.

A fama pode levar um cristão ao desvario. Ao receber para si a glória que é de Deus, ele fica à mercê do diabo. É público o testemunho que dou. Certos pastores no afã de fazer publicidade de "suas" igrejas associam curas e milagres de seus ministérios aos nomes de suas igrejas. 

Uma vez isto feito, seus discípulos repercutem aquele erro. Quando vejo algum pregador ou pastor em grande destaque, principalmente na mídia nacional, preocupo-me. O sucesso dele faz com que suas atitudes, acentuação de voz e até "as línguas estranhas" que fala, sejam amplamente copiados. 

Por exemplo: já perdi a conta de quantos "charabacandas" tenho ouvido de pregadores, sempre acompanhados de pulos e rodopios, marca registrada de certo pregador pentecostal, que também se enveredou na política (esse mesmo aí, que te veio à mente).

A fama costuma produzir uma falsa sensação da aprovação total de Deus. Como na parábola do rico e do Lázaro (Lc 12:16-21) proferida por Jesus, em que o rico acreditava que sua prosperidade era a garantia de uma vida que agradava a Deus. 

Em nossos dias a leitura de Romanos 12:16: 
"Sede unânimes entre vós; não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos" (grifo meu), 
soa assustadoramente "antiquada". 

Da mesma forma, a ditadura da "lei de Gerson" — potencializada a níveis estratosféricos, com o advento da popularização da internet — vem associando virtude a comportamento de "trouxas", pois o mundo é dos "espertos." 

O arcabouço dos príncípios morais e éticos cristãos, principalmente entre o povo evangélico aluí-se. E o diabo tem derrubado e, infelizmente, ainda vai derrubar grandes líderes e os melhores príncipes da palavra de nossos púlpitos.

Conclusão

Mesmo sabendo-se que, em princípio, não comete pecado quem obtém prosperidade financeira, não é essa que mede o sucesso do cristão.
A busca da perfeição também não constitui parâmetro de sucesso na vida do cristão. A fé nos é concedida pela ação do Espírito Santo. Logo, a vitória não depende de méritos pessoais, mas é graça de Deus.

O apóstolo Paulo ensina que 
"....se Cristo vive em vocês, então, embora o corpo de vocês vá morrer por causa do pecado, o Espírito de Deus é vida para vocês porque vocês foram aceitos por Deus" (Rm 8:10). 
Saber que somos especiais para Deus nos dá percepção de sucesso.

Triunfar é fazer a vontade de Deus; isso exige amadurecimento. Cristo nos aponta o caminho em Mateus 5:38-48 e Lucas 6:27-38.

O cristão mede seu sucesso através do sentimento de tristeza quando cai em pecado, através da alegria, pelo perdão, e pela paz que só Cristo nos dá.

Sei que este artigo não vai mudar o entendimento de quem já tomou a decisão de usar a publicidade em todas as oportunidades que tiver, para "pregar" o Evangelho. Mesmo naquelas em que o Senhor não aprove. 

Saiba definitivamente que notoriedade e a fama não eram perseguidas pelo Mestre. Porque orava e consultava ao Pai antes de qualquer decisão ele sabia quais portas estavam abertas e quais deveria esperar ou evitar. 

Se você ultrapassar o limite e saltar o "muro", Deus não será mais responsável pelos seus atos nem pela sua ruína. Medite bem: 
"Pois que aproveitaria o homem ganhar o todo o mundo e perder a sua alma?"
Sem mencionar o nome de ninguém, 
"Aquele, pois, que cuida estar de pé, olhe não caia" (1 Co 10:12).
Minha sincera oração por mim por você e por mim é que nos comprometamos em ser pessoas que importam, que fazem a diferença. Se, além disso, Deus quiser nos fazer famosos, tudo bem; se não, que estejamos felizes em sermos servos fiéis.

[Fonte: Chamada, por Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) — serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. IELB.Org, por Bruno Edgar Ries Pedagogo — com habilitação em Psicologia da Educação.]

Ao Deus Perfeito Criador, toda glória.

Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.

sábado, 25 de março de 2023

PAPO RETO — O CRISTÃO E O DESAFIO NO USO DAS MÍDIAS DIGITAIS

"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai... 
...'Tudo me é permitido', mas nem tudo convém. 'Tudo me é permitido', mas eu não deixarei que nada me domine" (Filipenses 4:8; 1 Coríntios 6:12).
Os jovens da atualidade fazem parte da chamada "geração ponto-com". Nascidos após o surgimento da web, eles têm uma intensa relação com a internet, e mais especialmente com as redes/mídias sociais/digitais. Vivem plugados e conectados a todo instante e gostam de interagir com outras pessoas através dos novos aplicativos de compartilhamento de textos, imagens e vídeos. 

Em face a esse contexto, que, certamente, é um fato irreversível e com propensão de ser cada vez mais potencializado, o educador cristão possui a nobre — e ao mesmo tempo difícil — responsabilidade de preparar seus aprendizes para que encontrem o equilíbrio comportamental adequado, de modo a usufruir dessa cultura digital, sem confrontar os limites bíblicos. 

Em meio a tantas informações que se multiplicam velozmente nas redes sociais, o povo de Deus é chamado a ter discernimento, a fim de usar sabiamente essas novas ferramentas e rejeitar, quando necessário, tudo aquilo que prejudica a vida cristã. É sobre isso, o texto deste artigo, mais um capítulo da série especial "Papo Reto".

I – O FENÔMENO DAS REDES SOCIAIS E SEUS BENEFÍCIOS


Inegavelmente, as novas plataformas de comunicação e interação online são o ponto alto da cultural digital neste Século XXI, alterando até mesmo a forma como interagimos. Pesquisas indicam que pelo menos 70% dos usuários da internet usam algum tipo de rede social. 

Mas, como ocorre com os demais tipos de mídia, os sites de mídia social também podem ser usados para o bem ou para o mal; estão cheios de perigos, mas também podem servir como oportunidade pelos crentes para glorificar o nome do Senhor. Vejamos.

1. A explosão das redes sociais


Nos últimos anos, as redes sociais se transformaram na principal forma de comunicação e troca de informações entre as pessoas. Sites e aplicativos (apps) como Facebook, Twitter, Instagran, WhatsApp Tik Tok (citando aqui os mais populares) e outros, por exemplo, são usados para conectar pessoas e compartilhar informações, ideias e imagens na web. Em nossos dias, elas são tão utilizadas que em alguns círculos é quase incompreensível uma pessoa não possuir uma conta em pelo menos um desses canais. Quem não têm WhatsApp, então, é quase considerado um ser de outro planeta!

2. Os benefícios das redes sociais


Usadas de maneira correta e com sabedoria, as redes/mídias sociais/digitais podem proporcionar vários benefícios. Manter contato com amigos e parentes; criar uma rede de contato profissional; atualizar- se com informações e notícias do dia a dia; adquirir conhecimento; produzir conteúdo e divulgar as ideias para outras pessoas são alguns exemplos de como tais plataformas digitais podem servir como bênção para a vida das pessoas.
Pense! Quando a rede é lançada na direção determinada pelo Mestre, o resultado sempre é positivo. Ponto Importante: usadas de maneira correta e com sabedoria, as mídias sociais podem proporcionar vários benefícios.

II – OS PERIGOS DAS REDES SOCIAIS


Se por um lado as redes sociais apresentam vários fatores positivos, por outro também podem ser nocivas, a depender da forma como são administradas. Vejamos alguns dos seus perigos:

1. Vício digital


Várias pesquisas sérias sobre o tema, são unânimes em afirmar que o vício no uso das redes sociais é uma realidade e tem prejudicado a vida de milhares de jovens e adolescentes da "geração ponto-com". A utilização por horas ininterruptas da internet é um claro sinal de tal compulsão digital. 

Rapazes e moças dependentes que desenvolveram dependência das atividades online não conseguem vencer a tentação de acessar seus dispositivos para acompanhar as publicações de seus contatos. Suas vidas tornam-se dependentes das quantidades de seguidores, de visualizações e compartilhamentos dos conteúdos que postam quase que de forma insana em seus perfis nas plataformas de mídias digitais.

Normalmente, demonstram, como sintomas, desinteresse pelas demais atividades da vida real e sensação de ansiedade e angústia quando não estão conectadas, em momento de abstinência. 
Isso se chama nomofobia! Caso esteja acontecendo com você, é hora de buscar ajuda para libertar-se desse vício (Já escrevi artigo específico sobre esse assunto, aqui ➫ "Nomofóbico: Tavez Você Seja Um e Não Sabe")!
A vigilância e a oração são hábitos espirituais essenciais para o crente vencer a dependência cibernética (Marcos 14:38). Entretanto, afora ajuda espiritual, não é descartada a necessidade de uma ajuda médica.

2. Uso inadequado do tempo


Graças ao poder de interatividade das mídias sociais, há quem passe horas e mais horas conectadas aos seus equipamentos digitais consumindo tempo nas atividades do mundo virtual, seja no decorrer do dia, da noite e até mesmo durante as madrugadas. 

Isso resulta em ociosidade, atrasos e pouco (ou quase nenhum) tempo para estudo, leitura das Escrituras, interação com as pessoas do mundo real e para outras atividades importantes. Já dizia, com a sabedoria do alto, o proverbista Salomão
"Há tempo para todas as coisas debaixo do céu..." (Eclesiastes 3:1) 
e, contextualizando, podemos presumir que há tempo de estar conectado e tempo de estar desconectado das mídias sociais. 

Afinal, somos aconselhados a aproveitar o tempo pois os dias são maus (Efésios 5:15,16). Se você não tem mais tempo para orar e desfrutar de períodos devocionais com o Senhor, em virtude do tempo gasto na internet, então, parafraseando Marcos 1:18, é necessário deixar as redes sociais para estar com Jesus!

3. Pornografia na rede


As mídias sociais também abrem várias possibilidades de acesso à pornografia e conteúdos imorais que aguçam a concupiscência da carne e a concupiscência dos olhos. Pesquisa realizada pelo Instituto Barna apontou que a nova realidade tecnológica dos smartphones e da internet de alta velocidade mudaram fundamentalmente a paisagem da pornografia e a introduziram na cultura atual, passando a ser cada vez mais aceita. Davi caiu em um momento de descuido em sua vida, que o levou ao adultério (2 Samuel 11:1,2).
Tome cuidado com as páginas que você acessa na internet; um clique errado pode ser fatal para sua integridade moral e espiritual.
A recomendação bíblica em 1 Coríntios 6:12, também se aplica aos bate-papos virtuais e às conversas eletrônicas, que às vezes podem conduzir para a troca de conteúdos inadequados. Seja fiel a Deus, ainda que as pessoas não estejam vendo o que você faz!

4. Perigo da superexposição


A exposição exagerada é outro perigo real na utilização das mídias sociais. O compartilhamento indiscriminado e impulsivo de opiniões, imagens e acontecimentos da vida particular expõe indevidamente a imagem de alguém. 

Em muitos casos, essa busca de "curtidas" representa certa fuga da realidade e desejo de aprovação social. Seguindo o exemplo de Cristo, devemos nos afastar da cultura de fama e celebridade instantânea, com modéstia e singeleza de coração. 

A melhor maneira de exposição do crente na sociedade é por meio do brilho de Cristo, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual precisamos resplandecer como astros no mundo (Fp 2:15).

5. Amizades instantâneas e descartáveis


Na maior parte das vezes, os "amigos" das redes sociais não são verdadeiros amigos. Não raro, as amizades são instantâneas e descartáveis. O amigo real é aquele que é mais chegado que irmão (Provérbios 18:24).
Pense! Desconecte-se do mundo virtual e redescubra a alegria de estar fisicamente com amigos e familiares. Ponto Importante: Se você não tem mais tempo para orar e desfrutar de períodos devocionais com o Senhor, em virtude do tempo gasto na internet, então, de novo, parafraseando Marcos 1:18, é necessário deixar as redes sociais para estar com Jesus!

III – USANDO AS REDES SOCIAIS PARA A GLÓRIA DE DEUS


Seja como for, podemos aproveitar as plataformas sociais como uma grande oportunidade para glorificar o nome do Senhor.

1. Glorificando a Deus em tudo


Consideremos o que está escrito em 1 Coríntios 10.31: 
"Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus".
Todas as nossas ações, inclusive aquelas que consideramos mais simples, como acessar a internet, devem glorificar ao Criador. Quando o nosso coração está voltado para a majestade divina, não existem coisas ordinárias; tudo é extraordinário, pois se voltam para a glória de Deus. Reflita se você está usando as redes sociais com o propósito de glorificar a Deus ou simplesmente como passatempo e entretenimento.

O filtro ideal para saber se você tem usado as redes sociais de modo a engrandecer a Cristo está registrado em Filipenses 4:8. Assim, para saber se está usando adequadamente tais mídias pergunte a si mesmo: 
O que estou fazendo é verdadeiro? É honesto? É justo? É puro? É amável? É de boa fama? Há alguma virtude? Deus está sendo louvado? Se as respostas forem positivas, então não há com o que se preocupar.

2. Testemunho no mundo virtual


As Escrituras afirmam que as pessoas davam bom testemunho de Timóteo (Atos 16:1,2). Ou seja, enxergavam nele as evidências, as marcas de um verdadeiro cristão. Igualmente, ao imitarem o proceder de Paulo, os tessalonicenses foram exemplos dos fiéis na Macedônia e Acaia (1 Tessalonicenses 1:6-8). 

Lembre-se, jovem (e também os não tão jovens assim...) de que, no ambiente virtual, você também é avaliado, seja por meio das palavras ou imagens que posta, e pelo modo como interage com os outros. 

Evitar discussões inúteis, proceder com respeito e cordialidade com aqueles que pensam diferente e produzir conteúdo de qualidade são algumas boas maneiras de salgar e iluminar as redes sociais.

Evangelização nas redes


As redes sociais são ambientes propícios para a pregação do evangelho (Mc 16:15), ante a grande quantidade de pessoas que acessam tais plataformas. Nesse ambiente, é importante ter criatividade e usar pontos de contato para atrair a atenção dos descrentes, assim como Paulo fez no Areópago (At 17:23). 

Para tanto, não devemos confundir evangelismo com proselitismo religioso. Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação eclesiástica, de forma altiva e às vezes autoritária, o evangelismo genuíno é realizado com amor e humildade, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo.

As redes sociais estão influenciando nossa sociedade e nossa família. Concordam?


Eu que sou de uma geração [bem] mais velha [com muito orgulho, diga-se], tipo oldschool saca? (risos), pude notar essa mudança claramente. Quantos de vocês usaram a "internet discada" (e aquele barulhinho estridente, à época, irritante e que hoje me soa como um delicioso saudosismo)? O saudoso e inesquecível Orkut? ICQ?... Antes você se conectava, agora você já está conectado 24h. 

Temos a facilidade de acessibilidade e tecnologia na palma de nossas mãos. Vejam só os celulares. O máximo que os celulares tinham na minha época — isso se alguém tinha condição de comprar um celular — era o jogo da cobrinha. Hoje os celulares são melhores (e, em muitos casos, substitutos) até que muitos computadores.

E qual o impacto das mídias sócias hoje? Observe as pessoas nas ruas, a maioria delas não se olham mais, estão sempre de cabeças baixas mexendo em seus celulares. E as famílias? Não se interagem mais. Nem mesmo os ambientes de cultos estão isentos do frenesi pelo acesso aos celulares.

Li certa vez (e não me lembro onde...) a seguinte frase: 
"As redes sociais unem os de longe e afastam os de perto" [Anônimo]. 
Na mosca. Simples, mas, sem dúvida alguma, acertiva!

As redes sociais são uma realidade, não tem como fugirmos delas, a pergunta que nos resta fazer é: Como cristãos, como podemos lidar com ela?

Compartilho com vocês uma postagem do reverendo dr. Augustus Nicodemus Lopes, da Igreja Presbiteriana, sobre os 7 desafios das redes sociais para os cristãos. O desafio maior é manter estas posturas:
• Domínio próprio — para não desperdiçar tempo demais com as mídias sociais.
• Uma mente pura — para não se deleitar e nem compartilhar notícias, vídeos, postagens, e fotos que promovem a impureza.
• Sensatez — para não dar crédito a tudo que lê e vê – há muita desinformação e notícias falsas propositadamente plantados nestas redes de relacionamentos.
• Sobriedade  para não desnudar sua vida e de sua família em público, trazendo online para dentro de sua casa e de sua intimidade pessoas que você não conhece.
• Paciência — para lidar com comentários, opiniões e críticas de pessoas que não têm educação, bom senso, semancômetro ou qualquer condição de manter um diálogo ou participar de um debate de forma inteligente e cortês. 
• Sabedoria — para não se precipitar em responder e reagir à provocações. Não há fim pacífico para brigas compradas com insensatos e contenciosos.
• Humildade — para entender que apesar do livre acesso à internet permitir que todos escrevam textos e comentem o que quiserem, que isto não faz de você um teólogo, um bom escritor ou um sábio em seus pronunciamentos.

Conclusão


Pense!
"Considerando que Deus é o Ser mais criativo do universo, os cristãos deveriam estar na vanguarda da criatividade que explora as novas tecnologias de comunicação como meios de propagar ideias, elaborar mensagens e comunicar a verdade" (Terrence Lindvall e Matthew Melton).
• Ponto Importante — Não devemos confundir evangelismo com proselitismo religioso. Enquanto o proselitismo dá ênfase excessiva à religiosidade e à denominação eclesiástica, de forma altiva e às vezes autoritária, o evangelismo genuíno é realizado com amor e humildade, a fim de oferecer a salvação proporcionada por Cristo.
A tecnologia impõe uma nova cultura da competição, da performance, da simulação, do imediatismo, culto ao corpo e a crise de identidade. Dentre as muitas faces da tecnologia, o Mundo Virtual tem sido o mais nocivo, em especial aos jovens. 

O conceito básico do Mundo Virtual fundamenta-se em algo que não é físico, que ainda não é realizado, não concreto e não palpável, tornando-o extremamente prejudicial e perigoso. 

Como sabemos, existem coisas que não são boas e nem ruins, pois são simplesmente coisas, isto é, seus efeitos são determinados pela forma como são usadas, determinada ela disposição do coração da pessoa que as utiliza, e o Mundo Virtual é uma delas. É possível identificar quando o Mundo Virtual está sendo benéfico ou maléfico aos seus usuários, especialmente (mas, não especificamente) aos jovens. O Mundo Virtual tem que ser visto como prejudicial quando:

• O tempo na rede é demasiado;
• Estar na rede é mais atraente do que estar com amigos e familiares;
• Para usá-lo é preciso usar de engano;
• O que é essencial é substituído pelo Mundo Virtual.

Gostaria de finalizar este artigo dizendo que nós cristãos, tementes a Deus, precisamos nos policiar e nos esforçar para usar as redes sociais para glória de Deus. Uma pergunta que podemos sempre nos fazer é: Isso que estou postando, curtindo, vendo e fazendo nas redes sociais glorifica a Deus?

Você precisa ser honesto consigo mesmo (caso queira honrar a Deus), e para isso duas perguntas em síntese são necessárias: 
Temos  usado o Mundo Virtual com quem, para quê e de que forma?

Você se considera uma pessoa dependente das redes/mídias sociais/digitais? 

Dicas de sobrevivência na internet

Não use o computador depois que o resto da família estiver na cama. Assim como as ruas da cidade, a Internet é mais perigosa quando atravessada no escuro.

Seja sábio. Isso é particularmente verdade na Internet: Não fale com estranhos.

Proteja a privacidade de sua família. Nunca divulgue o seu nome, endereço, número de telefone ou qualquer outra informação pessoal na Web.

Nunca vá conhecer alguém pessoalmente sozinho. Se você descobrir alguém na rede com quem queira se encontrar no mundo real, tenha certeza de que seus pais estão com você e certifique-se que o encontro aconteça em local público.

Nunca acesse sites pornográficos. Satanás tentará lhe falar o contrário, especialmente no calor do momento, mas tais sites são perigosos para a sua alma e seu futuro matrimônio.

Ouça sua mãe e seu pai. Quando eles lhe pedirem para se desconectar, faça-o.

Socialize-se. Faça pelo menos uma atividade social não relacionada com computador com pessoas reais
A suma do que estudamos neste artigo é a seguinte: 
Use a internet para glorificar a Deus! Isso ocorrerá se você mantiver a sua identidade cristã no mundo virtual, sem desprezar as atividades da vida real. Usemos as mídias sociais com sabedoria e equilíbrio!

• Escrevi mais sobre este tema nos seguintes artigos:  


Ao Deus Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.

sábado, 18 de março de 2023

CONTÉM SPOILERS — "PSICOSE", DE ALFRED HITCHCOCK

O objetivo dessa série especial de artigos, é falar de filmes aos quais assisti, que mesmo quem não assistiu já ouviu falar de alguma forma, e, que possuem significados por trás de tudo, até mesmo nos pequenos detalhes. 

Hoje, como graduando em Psicanálise, é praticamente impossível de ver algum filme, sem que também tente "encontrar" as técnicas utilizadas pelo diretor para evidenciar o comportamento de seus personagens, bem como expor que a psicanálise quase sempre será conduzida de maneira simplificada pelo cinema.

Acabei de rever este filme e vou aqui, com base no que tenho estudado, fazer um leitura mais analítica desse filme, considerado um clássico do terror da sétima arte e, na minha opinião, sem dúvida o melhor de todos na cinebiografia do espetacular cineasta Alfred Hitchcock (1899/1980).

Quero dizer quem fazendo juz ao título da série, esse artigo contém mesmo alguns spoilers, mas creio que você irá assistir ou pesquisar sobre o filme antes mesmo de terminar de ler esse texto, então se prepare! Não vou entrar em detalhes, pois assim como o título, pretendo focar no personagem Norman Bates. Afinal, poucos desconhecem a história do filme, o que faria disso só mais uma resenha como as inúmeras já postadas na internet (basta você "dar um google" e verá).

Detalhes sobre o filme


Bom, já viu aquela famosa cena de uma loira sendo esfaqueada no chuveiro com aquela trilha sonora marcante — que você já ouviu pelo menos uma vez na vida? 

Não é à toa que o filme "Psicose ('Phycho')", de 1960, entrou para a história do cinema como uma obra de suspense audacioso e revolucionário para sua época. 

Baseado na novela do americano Robert Alfred Bloch (✩1917/✞1994) e dirigido pelo majestoso Hitchcock, um dos maiores diretores da categoria, todo o custo de produção do filme foi financiado, inclusive o salários dos atores principais, pois a distribuidora Paramount recusou o projeto, totalizado em US$ 800 mil dólares.

Marion Crane (Janet Leight — ✩1927/✞2004) trabalha como secretária em uma imobiliária, onde possui a tarefa de depositar uma alta quantia na conta de um cliente. 

Crane, ao deparar-se com tanto dinheiro, cai em tentação e foge com todo o dinheiro. Começa a dirigir sem destino e vários acontecimentos atrapalham seu percurso, o que acaba levantando algumas suspeitas. 
Cansada e enfrentando uma enorme tempestade, Marion se hospeda no Bates Motel, único lugar disponível e aberto tarde da noite. O lugar era decadente e solitário, quase à falência pela criação da autoestrada e pelo baixo movimento.

Com o desaparecimento de Marion, sua irmã Lila (Vera Miles) começa uma busca para encontrá-la. Sam (John Gavin —  ✩1931/✞2018), namorado de Marion, e o detetive contratado, Arbogast (Martin Balsam — ✩1919/✞1996) começam a procura. 

A busca é iniciada e logo o Bates Motel é cogitado como um possível esconderijo. O detetive começa uma inspeção no local e considera Norman muito suspeito. Por sua vez, Arbogast informa Lila por telefone de suas suspeitas, e sua intenção de interrogar a mãe de Bates. De repente, o detetive também acaba assassinado por alguém que aparentemente é a mãe de Bates.

A morte de Marion Crane


Essa sequência é, claro, a famosa sequência do assassinato de Marion Crane no chuveiro, a coisa mais chocante e memorável do livro de Bloch, na minha opinião medíocre, por assumir uma situação totalmente inesperada que causa grande impacto no leitor. Ao ser levada para as telas pelo brilhantismo preciso da claquete de Hichcock, faz com a intensidade do que se lê se torne ainda mais pertubador.

Em torno dessa sequência, Hitchcock compôs o que ele mesmo considerou seu maior jogo com o público. Um filme que custou R$ 4.076.720,00 e acabou se tornando seu maior sucesso, bem como o filme mais lembrado de sua extensa filmografia.
Vejam só: O bonachão e debochado Hitchcock afirmou mais de uma vez que as motivações dos personagens, suas ações, não importavam nada para ele, o que importava para ele era conseguir algo através da técnica, que inclusive ele conseguiu fazer. O tiro de Hitchock, ainda bem, saiu pela culatra.
Ademais, o jogo de câmera termina com aquele olhar no final de Perkins para o espectador e então para a foto do carro de Marion sendo resgatado do pântano.

Do suspense ao terror


E esse filme faz um joguinho com o espectador, que consiste em enganá-los com base nas mudanças de rumo da trama. Aliás, a princípio, "Psicose" foi posado como uma comédia.

Na verdade, o primeiro terço do filme é construído sobre a premissa de que o espectador conhece e o personagem não sabe. Sendo assim, indo do suspense ao terror.

Uma análise de Norman Bates


Quando assisti "Psicose" pela primeira vez, em uma fita de VHS, num aparelho de videocasste
(sim, querido(a), sou da época do icônico e hoje já extinto aparelho doméstico de exibição de vídeos, que, então, era um luxo para poucos privilegiados...)
tive uma incrível curiosidade (como sempre) em conhecer mais sobre a história e o contexto que existe atrás da história dos personagens e descobri algumas coisas interessantes, principalmente sobre Norman.

Não tinha conhecimento, mas o caso real de um tal de Ed Gein (✩1906/✞1984) foi inspiração para a criação do personagem. 

Gein foi um homicida americano, condenado pelo assassinato de duas pessoas e o desaparecimento de outras cinco. Seus crimes ganharam destaque, pois costumava exumar cadáveres de cemitérios, fazendo uma espécie de troféu com eles. 

Considerado mentalmente incapaz não foi condenado, devido a sua insanidade. Talvez sua condenação também seja uma relação com os desfechos do filme.

No caso do personagem Norman, é visível a semelhança com Ed Gein. Por sua vez, Bates também assassinou pessoas, incluindo Marion, e transformou uma de suas vítimas  — sua própria mãe  — em "troféu".

Outro fator desencadeador para a personalidade conturbada do personagem é a relação com a mãe. A figura materna, por vezes, é insensata ao ponto de interferir na percepção de mundo do filho, influenciando-o de forma negativa.

O complexo de Édipo é determinante para que a psicose se alastre, nesse caso. Norman era fixado por sua mãe, uma mulher dominadora e fanaticamente religiosa. O fascínio era tanto que Bates assumia a personalidade da mãe, chegando até a vestir-se igual a ela, mas logo sofria de um surto de amnésia. 

Ele acreditava que sua mãe era uma velha e que precisava de amor, sendo sua obrigação cuidar dela. As falas da mãe também insinuam o ódio por todas as mulheres que possam a vir se relacionar com Norman.

Outro importante detalhe é o fato de que o quarto de Norman foi decorado com brinquedos e artefatos infantis, mostrando que não possuía maturidade suficiente para levar a vida por si só, além de sua personalidade quieta e estranha. 

Nota-se também sua solidão, Bates vivia com uma única aparente companhia, a mãe. Seu motel, cada vez mais pacato, não lhe dava outra escolha senão realizar hobbies exóticos como a taxidermia (empalhar animais), sendo esse, aliás, o ponto máximo de sua psicose.

Apesar de todos esses fatores que causariam estranheza a qualquer um que os notasse em um gerente de motel, Bates não parecia suspeito. Mantinha aparências de um jovem correto e visualmente apresentável, estratégia do diretor para causar espanto ainda maior no público. Como o próprio Bates disse no final do filme, 
"Eu não poderia fazer mal a uma mosca".
A partir do momento que se tomou conhecimento do estudo do inconsciente pela psicanálise, essa tornou-se parte primordial para a crítica literária e artística. 

Ao analisar o filme "Psicose", com base na teoria freudiana do complexo de Édipo, é possível mais do que explicar o comportamento de Norman Bates como resultado de um diálogo com sua infância, mas como a fixação materna dele serviu de combustível para sua psicose.

A Psicanálise segundo Hitchcock

Hitchcock e a criação do seu filme


O que imagino sobre "Psicose", não é uma mensagem que intrigou o público, que comoveu, não é um romance de prestígio que cativou o público. O que anima o público é o cinema puro.

Essa é a frase do Hitchcock, que estava muito convicto do que disse a François Truffaut (✩1932/✞1984), na famosa entrevista recolhida em forma de livro quando se refere ao seu filme mais famoso, "Psicose".

Nasceu do interesse do realizador britânico em fazer um pequeno filme, quase uma série. O livro de Robert Bloch foi lido por Hitchcock quando ele viajava, e uma cena foi decisiva para a decisão de fazer a adaptação.

Minha análise psicanalítica despretenciosa sobre "Psicose"


Neste filme podemos ver vários princípios freudianos que se destacam. Por exemplo, podemos diferenciar os níveis da psicanálise de Freud (✩1856/✞1939) simbolizados pela casa em que Norman Bates mora.

Observamos que o primeiro andar, onde se encontrava sua mãe, equivaleria ao superego que são os valores da sociedade, no filme são as normas parentais. O andar térreo seria o Self, o lugar onde Norman vive como uma pessoa aparentemente normal.

Finalmente, o porão corresponde ao Elo, local ao qual Norman decide confinar sua mãe, e que, ao mesmo tempo, é a conexão entre os outros níveis.

Novamente esta mesma teoria é representada na cena em que Norman aparece vestido como sua mãe, seu perfil psicopático finalmente vindo à tona e o cadáver de sua mãe é descoberto. A luta do id e do self pode ser apreciada aqui.

O id (ou princípio do prazer) não aceita as normas sociais e a realidade imposta pelo self. Aplicado ao personagem, vemos como Norman não aceita a morte de sua mãe, por isso se recusa a se desfazer do cadáver, mantendo assim diálogos com ele.

Outra visão é que a mãe de Norman toma um lugar psíquico muito grande dentro dele e o faz ficar/viver dentro de seus próprios delírios, que o faz se tornar uma pessoa delirante.

"Psicose" e o Complexo de Édipo


Por outro lado, outra teoria freudiana que se destaca claramente neste filme é o complexo de Édipo. Freud descreveu sua teoria como o desejo inconsciente de ter um relacionamento com a mãe.

O complexo de Édipo ocorre em bebês do sexo masculino e o complexo de Electra em mulheres. Para eliminar o complexo de Édipo é preciso que uma série de eventos aconteçam na infância da criança mediante o carinho excessivo do filho pela mãe.

Por exemplo, no nascimento de um irmão mais novo, pois com isso a criança aprende a aceitar que sua mãe deve ser compartilhada, também quando a ela começa a reconhecer que o pai é o "dono" da mãe e que ele deve procurar uma substituta.

Relacionando este estudo de Freud a Norman, percebe-se que o jovem nunca teve com quem compartilhar sua mãe, pois ele não tinha irmãos.

Por não enfrentar adequadamente o complexo de Édipo, Norman Bates se encarregará de tudo conforme o seu gosto e dará origem a uma série de acontecimentos que surpreenderão todos os espectadores.

Conclusão


Em suma, Hitchcock fez o filme "Psicose", que de acordo com a visão psicanalista, está diretamente relacionado com o Complexo de Édipo e Id, o princípio do prazer no indivíduo.

Análise psicanalítica a parte, no entanto, Hitchcock foi surpreendentemente capaz de capturar fotos muito boas que chamaram nossa atenção. Além disso, as voltas e reviravoltas inesperadas do filme trouxeram sentimento de frustração e intriga à superfície

Acho melhor parar por aqui. Para quem não assistiu, repito, garanto que esse é um dos melhores filmes do Hitchock. Mais um pouco e eu teria contado o final do filme (eu até queria fazer isso). Contudo, deixo para vocês tirarem suas próprias conclusões quando assistirem. 

Como disse, não queria fazer apenas uma resenha, e sim uma análise diferente de Norman Bates, justamente pelo fato de que o filme já possui sua grandiosidade e reconhecimento.
  • O longa de 1960 teve uma refilmagem homônima, em 1998, sob a direção de  Gus Van Sant. Na minha opinião, foi um remake tão medíocre, que nem merece ser mencionado. Também teve uma série de streaming, baseada no filme de Hitchcock, chamada de "Motel Bates", exibida originalmente, entre 2013 e 2017, pela GloboPlay, da qual não posso nem falar, pois, nunca assisti a uma temporada sequer (não sou chegado à séries, mas, quem sabe agora eu até veja à tal série...). A única coisa que sei sobre ela, é que foi estrelada pelo mesmo ator que protagoniza outra produção famosa, também da GloboPlay, "O Bom Doutor ('The Good Doctor')", Freddie Highmore, que, de acordo com a crítica, esteve excelente no papel do conturbado Norman Bates o que teria garantido a ele o papel do médico autista.
[Fonte: Fapcom, Por Juliana Oliveira; Psicanálise Clínica; Filmov]

Ao Deus Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.