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sábado, 20 de fevereiro de 2016

SEM CENSURA - PARTE 1: A PRÁTICA DE SEXO ANAL É PECADO?

Por mais que o mundo evolua e as pessoas se modernizem, o sexo ainda carrega muitos tabus, mitos e crendices. Quando o assunto é sexo no meio cristão então, aí é que o negócio fica feio. E, convenhamos, de feio e ruim o sexo não tem nada. O sexo é um prazeroso presente que Deus ofereceu a sua criação. Isso mesmo! O sexo NÃO É do diabo. Aliás, o diabo só tem aquilo que for dado a ele, pois criar ele não criou absolutamente nada além da mentira com a qual tem conseguido enganar a muitos desde o Éden. E tem mais, se sexo fosse assim tão ruim, ninguém gostava tanto de fazê-lo. 

Quando o assunto no meio eclesiástico é sexo e sexualidade em muitos casos aflora-se um arsenal de hipocrisia. Por exemplo, crentes que acham o sexo feio e são pais. Como conseguiram gerar? Por inseminação artificial? Por osmose? Por mais absurdo que possa parecer, ainda há denominações que ensinam que o sexo só pode ser para procriação. Há muitos crentes que acham um absurdo que a mulher tenha orgasmo (o homem pode, claro). Então, sendo assim, o ilustre vai lá, "dá uma rapidinha", vira para o canto, dorme e deixa a mulher à ver navios. Por causa dos muitos preconceitos e total falta de conhecimento sobre o assunto, muitas igrejas enumeram problemas, confusões e escândalos envolvendo membros e liderança. Muitos crentes tentam transformar algo tão belo e bom em algo podre e pecaminoso.

É óbvio que assim como tudo o que envolve a criação, o sexo também tem seus parâmetros pautados pela Bíblia Sagrada: para ser uma bênção, só no matrimônio e quando realizado entre um homem e uma mulher. E dentro deste contexto, tanto o marido quanto a esposa são livres para desfrutar de todas as delícias (e são muitas!) que o sexo pode oferecê-los e sem qualquer jugo de culpa ou condenação. Independente de quem concorde ou não, é o que determina a Palavra (Quaisquer dúvidas, leiam 1 Coríntios 7). 

Acredito que a sexualidade de um casal é de cunho pessoal dos cônjuges. Não acho que pastor, padre, bispo ou papa tenham autoridade para dar pitaco no que o casal faz debaixo de seus lençóis. À liderança da igreja cabe apenas orientar segundo o que rege as Escrituras. Entretanto, há umas questões que vira e mexe são temas de dúvidas no meio cristão. Nesta série especial de artigos vou falar sobre ele, o SEXO. Abrindo a série especial, tentarei responder sempre à luz das Escrituras algumas perguntas "picantes". A primeira delas: 

A prática de sexo anal é pecado?


Sexo entre casais cristãos frequentemente apresenta duvidas sobre o que é ou não aceito por Deus. É comum os cristãos procurarem respostas na Bíblia para questões que os afligem. Muitos homens se contorcem com as seguintes dúvidas: Devo ficar com raiva da má vontade da minha esposa para participar de sexo anal? Tenho desejo de fazer sexo anal com minha esposa; esse meu desejo é pecaminoso?

Ao descrever a decadência da sociedade gentílica, Paulo salientou que começou com uma rejeição de Deus e a substituição de Deus com os ídolos artificiais feitos à semelhança das criaturas físicas (Romanos 1:18-23).

Sem ouvir a definição de certo e errado de Deus, substituindo os seus próprios desejos em seu lugar, não é de estranhar que uma das primeiras restrições morais foi a restrição do sexo apenas para casais.

"Pelo que também Deus os entregou à imundícia, pelas concupiscências de seus corações, para desonrarem seus corpos entre si, que trocaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém!" (Romanos 1:24-25).

O problema é que após o tempo, isso se tornou um lugar comum. O homem gravita em direção a novas excitações e novos pecados.

"Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. Da mesma forma, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para os outros, homens com homens cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a merecida punição do seu erro que era devido.

E, como eles não gostam de manter Deus em seu conhecimento, Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm" (Romanos 1:26-28).

O resultado lógico da rejeição de Deus e de uma liberdade de ter o sexo como o homem aprouver é a experimentação em formas pervertidas de sexo, como a homossexualidade. Eu não uso a palavra "pervertida" de ânimo leve. Paulo aponta que o sexo entre duas mulheres ou dois homens não é natural. Em outras palavras, o corpo humano não foi concebido para o sexo homossexual. 

A nossa própria sociedade tem seguido o mesmo caminho que levou à decadência da sociedade gentílica. O slogan popular na década de 1950 entre os intelectuais foi "Deus está morto". Por volta de 1960, encontramos um forte impulso no sentido de "amor livre". Leis que proíbem vivendo juntos sem casamento foram abandonados na década de 1970.

A aceitação da homossexualidade levou à crescente prática do sexo anal


Então, no final de década de 1970 até os dias atuais, vimos um forte impulso para a aceitação da homossexualidade. Aqueles praticando a homossexualidade não podem se envolver em relações sexuais padrão desde que requer tanto um macho e parceira.

O sexo anal é visto como grosseiro e bruto na visão de quem é contra


Assim, outras formas de sexo são substituídas, como o sexo anal ou oral. Devido à crescente aceitação da homossexualidade na sociedade em geral, práticas sexuais que nunca teriam passado pela cabeça da pessoa média são agora apresentados como alternativas legítimas.

Riscos do sexo anal: com a palavra a ciência biológica


Vamos considerar o sexo anal para o momento – a inserção do pênis masculino no reto de outro – é um ato normal do sexo? De acordo com várias fontes médicas, o sexo anal é particularmente arriscado porque provoca hemorragia.

O ânus não é normalmente grande o suficiente para acomodar um pênis ereto. Além de não ter a flexibilidade e lubrificação naturais na vagina  – e tem mais, o ânus faz parte do aparelho digestivo e é um órgão excretor, ele não é um órgão sexual. Como resultado, as lágrimas da superfície da pele são forçadas com a penetração do pênis.

O revestimento do reto não é projetado para ser picado e cutucado, e assim durante o sexo, ele também fica danificado e lacrimejante. Não é preciso ser um gênio para perceber que bactérias presentes no reto não pertence a corrente sanguínea de uma pessoa. Isso sem contar que a relação anal é egoísta. O agente ativo (ou seja, o que penetra) por motivos óbvios já explicados acima (a pressão do ânus sobre o pênis), sente prazer; entretanto, o agente passivo (o que é penetrado), não sente nada mais além de dor e desconforto, pois não há no ânus nenhuma terminação nervosa que estimule o prazer.

É por isso que as doenças sexualmente transmissíveis são rapidamente transmitidas na comunidade homossexual. As feridas causadas por sexo anal dão fácil o acesso a várias doenças aos sistemas internos do corpo.

No Antigo Testamento, Deus enunciou várias coisas que deviam ser consideradas impuras. Por exemplo, entre em contato com um cadáver (necrofilia), doenças que causaram a descarga ou em decomposição da pele, certos animais, os fluxos menstruais e sêmen foram todos identificados impuros.

Muitas pessoas ficam intrigadas sobre por que essas coisas particulares foram selecionadas, mas basicamente são coisas que a maioria das pessoas acharia nojento por causa de sua aparência, cheiro, ou com o que eles entram em contato.

Acontece que, evitar muitas dessas coisas também reduz a propagação de doenças. Deus usou as leis de impureza para ilustrar como o pecado era repugnante: "Você não deve comer qualquer coisa detestável" (Deuteronômio 14:03).

Ele também colocou uma barreira entre o povo de Deus e as nações ao redor deles: 

"Você deve, portanto, fazer a distinção entre animais puros e impuros, entre as aves imundas e as limpas, e você não deve fazer-se abominável por besta ou pássaro, ou por qualquer tipo de animal que se arrasta sobre a terra, as quais coisas apartei de vós como imunda. 
E sereis para mim santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus" (Levítico 20:25-26). 

Assim, as leis da impureza teriam impedido os israelitas de adotar as práticas das nações ao redor deles.

No Novo Testamento, o termo "imundo" é emprestado e aplicado a atos pecaminosos que são repugnantes na natureza. Aqueles que praticam esses atos não estão demonstrando um desejo de viver uma vida santa, mas que chafurda na imundície do mundo.

Por causa do uso da palavra "impuro" em Romanos 1:24, a maioria dos comentaristas estão inclinados a concordar que os atos homossexuais definitivamente se enquadram na categoria de "impuros", embora não se limitando a estes atos sozinho. Outras formas pervertidas de sexo, tais como sadomasoquismo, também cairia em "impuro".

É curioso porque o marido ou a esposa desejaria uma forma distorcida de sexo quando a relação sexual é disponível gratuitamente para eles. Por que procurar uma expressão sexual que aumenta os riscos de doença ou dano?

"Deixe que sua fonte seja abençoada, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como um cervo amoroso e gazela graciosa, deixe seus seios satisfazê-lo em todos os momentos; e sempre extasiado com o seu amor" (Provérbios 5:18-19).

"Você" perguntou se era adequado para estar zangado com sua esposa quando ela não deseja participar de atos sexuais incomuns. "Você" precisa ter em mente que Paulo advertiu:

"Você tem fé? Tê-lo a si mesmo diante de Deus.
Feliz é aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque ele não faz comer de fé, pois tudo o que não é de fé é pecado" (Romanos 14:22-23).

Paulo estava discutindo sobre comida, mas o princípio permanece o mesmo. Um homem é abençoado se as coisas que ele aprova não lhe traz condenação para ir além dos mandamentos de Deus. No entanto, se uma pessoa não está certa que alguma ação é certa, então a incerteza em si é um pecado.

É impróprio para tentar servir a Deus, na esperança de que você está fazendo é certo. O serviço a Deus deve ser de confiança que você sabe que o que você está fazendo é agradável a Deus. Assim, a menos que sua esposa concorda e gosta de atos sexuais incomuns, apesar de suas dúvidas, seria pecaminoso.

Finalmente, "você" tinha perguntado se o seu desejo de certos atos sexuais estava errado. Jesus explicou que o pecado começa a partir dos desejos.

Os atos reais são apenas a confirmação de que o coração já decidiu. E Ele disse: 

"O que sai do homem, é o que contamina o homem. Porque de dentro, do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a lascívia, um olho blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos esses males vêm de dentro e contaminam o homem" (Marcos 7:20-23).

Se "você" entende e concorda que certas ações são erradas, e, em seguida, desejar essas ações de qualquer forma, também é errado.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

ANTES DE "SER" QUALQUER DENOMINAÇÃO, "SEJA" SUA FAMÍLIA

"Eu sou a...!", este é o slogan de peça publicitária de uma conhecida denominação evangélica. E o tal slogan pegou, virou mania (ganhou até página em rede social, com manifestações favoráveis e contrárias), tanto que membros de outras denominações o adotaram. 

Na referida peça publicitária, os fiéis da denominação (com a participação de anônimos, artistas e esportistas), dão depoimentos sobre suas vidas - sempre com teor que sugerem superação pessoal à base de conquistas financeiras e materiais - e dizem, orgulhosamente: “Eu sou a ...!” Desde 2014 os anúncios são exibidos durante os intervalos da programação da denominação na TV Record e em outras emissoras, além do Youtube e redes sociais. 

Em linguagem publicitária, a campanha "Eu sou a...! se vale da retórica usada para persuadir o auditório de que ele deve comprar determinado produto, confiar num determinado político ou se converter a uma certa denominação religiosa. O anúncio também tem um propósito persuasivo, com um deslocamento da ênfase do produto para o destinatário, obtendo muitas vezes um consenso emotivo. Dessa forma, tanto a retórica quanto a publicidade se utilizam da palavra e/ou dos diversos signos através dos quais se exprimem, com um fim pragmático: convencer o ouvinte, obter um consenso emotivo que se traduzirá na adesão do receptor às suas propostas. 

Mas, deixando os meandros publicitários pra lá, quero propôr uma outra reflexão:Qual que vêm em primeiro lugar? A Igreja, a denominação ou a família? 


Invertendo valores e incorrendo em erros


Neste artigo vou abordar este assunto esclarecendo o seguinte: 

  1. A Igreja é importante, pois o Senhor a instituiu, porém a mesma é composta de famílias. 
  2. A Igreja é importante, pois é através da mesma que os princípios de vida cristã são ensinados através da doutrina da Palavra de Deus, a Bíblia; Porém é na família que o alicerce deve ser lançado. 
  3. Na Igreja é onde devem estar os verdadeiros homens de Deus chamados para o ministério pastoral, porém é na família cristã é que eles nasceram seguindo o exemplo de seus pais na vida de fé. 
  4. A Igreja é o lugar da união de pessoas que se dizem cristãs, ou seja, seguidoras de Jesus Cristo, porém é na família que esta unidade deve ser ensinada e vivida. 
  5. A Igreja (templo) é o local onde as famílias vão adorar o Senhor entregando as suas vidas no altar em completo arrependimento de seus pecados, porém é na família que o altar de Deus encontra as vidas. 
É bom lembrar que a Igreja como nós a conhecemos, um templo de quatro paredes não era a prioridade na Igreja primitiva. As Igrejas se reuniam nos lares. O lar era um permanente seminário de instruções cristãs, onde os preceitos, onde os mandamentos, os ensinos do Senhor eram aprendidos para serem praticados. 

Infelizmente hoje a realidade é bem diferente. Os lares não estão cumprindo o seu papel na instrução dos verdadeiros valores de Deus. De fato alguns colocam a Igreja (a denominação) como prioridade, talvez por não sentirem a presença de Deus em suas próprias casas. Os homens como sacerdotes, não estão cumprido o seu papel de pastoreio de suas famílias. Eles precisam levá-las ao templo para que outros ministrem a elas. Os filhos não estão recebendo orientação bíblica em suas casas. Pela misericórdia de Deus quando alguns se convertem necessitam de famílias espirituais diferentes da sua de origem para receberem delas cuidado. Não deveria ser assim. 

É a partir da família que o alicerce deveria ser lançado, fundamentado. A família em torno da Palavra, dos cânticos, do testemunho, da comunhão e oração. É com pesar que constatamos que muitas Igrejas estão doentes. Doentes por que? Porque suas famílias não recebem alimento diário. Este alimento só é dado nos finais de semana. Durante a semana ficam famintas porque a leitura da Palavra e a oração estão sendo negligenciadas em seus próprios lares.

Outro dado também alarmante é o que diz respeito à família pastoral. Pastores espalhados neste mundo que têm um enorme zelo em alimentar as famílias de sua Igreja, mas que deixa a sua própria faminta. Nos cultos, nas classes de escola bíblica, transformam-se em homens santos, poderosos na oração. São mestres na hora de expulsar os demônios, porém em casa não são sacerdotes. Maltratam suas esposas, espancam os seus filhos e se transformam totalmente. Estes homens em nome de sua denominação e até em nome de Deus abrem os seus pulmões e dizem: "A Igreja vêm em primeiro lugar, depois a família e ponto final". Isto é MENTIRA! 

Famílias estão se deteriorando por causa de pais e mães que acham vantagem ficarem dia e noite enfiados em Igrejas: Esposas perdendo maridos para outras mulheres (por todos os lados estão as disponíveis); Maridos perdendo esposas para outros homens (idem); Pais perdendo os filhos para pedófilos, abusadores e traficantes. 

Amados do Senhor. A instrução que você está recebendo neste momento têm o respaldo bíblico. A Palavra de Deus nos diz: "mas se alguém não cuida dos seus e principalmente dos de sua família negou a fé e pior que o incrédulo" (1 Timóteo 5:8). Depois de Deus, a família deve vir em segundo lugar e a seguir a Igreja. A família em relação aos dogmas precisa estar na frente. Que adianta, por exemplo, eu como pastor ganhar inúmeras famílias para Cristo, e perder a minha para o diabo? 

A Igreja nada mais é a do que a extensão do meu lar. Se canto na Igreja devo cantar em meu lar, se prego na Igreja devo pregar em meu lar, se mantenho comunhão com outras famílias na Igreja, eu devo também ter comunhão com os da minha casa. Por não observar estas verdades é que vemos tantos relacionamentos frustrados, tantas famílias desunidas, longe de Deus, angustiadas, tristes e sem vida espiritual. 


Conclusão


Eu tenho o pensamento que um trabalho de evangelismo deve ter o seu ponto de partida a nossa casa. Precisamos levar os de nossa casa a Cristo urgentemente. Alguns se justificam citando a passagem bíblica em que Jesus disse: "Quem não deixar pai e mãe, irmãos, casa, campos por amor de mim, não verá o Reino de Deus" (citando descontextualizadamente Mateus 10:37) ou dizem: "Que profeta de casa não faz milagres" (fazendo alusão também descontextualizada de Marcos 4:6). Se expressam assim para poder continuar agindo em duplicidade em suas vidas. 

Amados, devemos "ser um Cristo", uma mesma pessoa na Igreja e dentro de casa. Não devemos usar mascaras. Devemos ser transparentes, devemos ser nós mesmos. 

A Igreja somos nós. A Igreja não são quatro paredes. São pessoas lavadas e remidas pelo sangue do Cordeiro. A verdadeira Igreja é composta de santos, Isto é de santificados pela Palavra do Senhor. Não são poucos obreiros por aí que gastam noites de oração em vigílias, buscando ao Senhor. São bons pregadores, expositores da Palavra, mas em seus lares parecem que são outras pessoas, se parecem com incrédulos. Eu tenho as minhas dúvidas se o Senhor os atendem. 

Que Deus nos ilumine debaixo de sua Graça, de sua unção para reconhecermos que a nossa família tem prioridade em relação ao cuidado que julgamos ter com a nossa Igreja. Deus tenha misericórdia do seu povo chamado cristão, ou seja, seguidor de Jesus Cristo. 

Temos que ser a mesma pessoa em todos os lugares que estivermos. Por que Deus habita em nosso coração. Isto quer dizer que por onde andarmos levaremos a presença de Deus conosco. Não faz sentido vivermos em duplicidade. Por isso eu quero orar para quebrar toda esta situação no seu lar. Para isso você precisa exercer fé neste momento, porque sem fé é impossível agradar a Deus. E a fé vem pelo ouvir e ouvir a Palavra Deus. 

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

VOCÊ TEM CERTEZA DA SUA SALVAÇÃO?

Certa feita, lá nos idos da década de 1990, quando fui convidado para pregar em determinada igreja como o palestrante no culto de encerramento em uma semana missionária que a comunidade promovia, testemunhei um fato inusitado. O culto seguiu a ortodoxia normal nesse tipo de evento. Antes de me passarem a palavra houve apresentações especiais de várias equipes: os jovens apresentaram uma coreografia que chamaram de profética, vestindo roupas de alguns países ainda não alcançados pelo Evangelho; o coral cantou uma canção temática e muito comovente; teve aquele convite missionário, quando muitos irmãos - a maioria jovens - foram à frente atender ao chamado missionário para as nações; teve ainda a apresentação dos homens, dos juniores... 

Quando por fim me passaram a palavra, até mesmo pelo pouquíssimo tempo que sobrou - acho um absurdo cultos onde a pregação da Palavra não é prioridade -, falei rapidamente, mas com muita clareza, ousadia e autoridade sobre a importância de termos a convicção da salvação, para que possamos apresentá-las aos outros. Me lembro bem que usei como base um dos versículos mais conhecidos pelos crentes em todos os tempos: João 3:16! 

Pois bem, após discorrer sobre o versículo, dando um rápido passeio pelas Escrituras, deixando claro o desejo, o projeto e o investimento de Deus no plano de salvação da humanidade, como a igreja estava bem cheia, eu fiz a seguinte pergunta: Alguém aqui tem certeza da sua salvação? O silêncio dentro daquele templo foi constrangedor. Sepulcral. Olhei para aquele povo e quase não acreditei no que estava acontecendo. Após tudo o que eu havia visto e ouvido antes, eu esperava que aqueles irmãos bradassem um uníssono e convicto 'Amém!', seguido de muitos 'Aleluias!' e 'Glórias a Deus!' Mas o silêncio foi incômodo, desconfortável. 

Busquei o pastor da igreja com os olhos. Ele estava ali, no altar, bem atrás de mim, com a cabeça curvada (ele e os outros que ocupavam as várias cadeiras naquele púlpito). Impulsionado pelo Espírito, fiz, então, um convite que, diante das circunstâncias, foi um tanto mais confrontador que a pergunta: Você que tem dúvidas acerca da sua salvação, saia do seu lugar e venha aqui à frente. Mais silêncio. E ninguém se moveu. Mas, afinal, qual era a daquela gente? Afinal, tinham certeza ou não da salvação? 

Quando eu já ia encerrar aquela ministração, sem saber direito que rumo as coisas tinham tomado ('Devo estar na carne', pensei.), eis que um irmãozinho corajoso foi até a frente ('Bom, pelo menos um', pensei.), mas o dito irmãozinho corajoso era ninguém menos que o líder do diaconato da igreja! O que vi a seguir me deixou ainda mais impactado: a maioria absoluta da igreja foi se espremendo lá na frente. Dentre aqueles que não tinham certeza de sua própria salvação, estavam os que cantaram, dançaram e fizeram as apresentações missionárias. Fiquei ainda mais assustado quando alguns daqueles pastores que estavam assentados no púlpito, foram aos prantos para frente da igreja.

Sinceramente, essa foi uma das ministrações que mais me marcaram em minha trajetória como pregador da Palavra. Como poderia em um culto de encerramento de uma semana missionária, as pessoas que se apresentavam como missionários não terem a certeza de sua própria salvação? Que tipo de mensagem levariam aos povos não alcançados? Olhei novamente para o pastor daquela igreja e pude ver o constrangimento corá-lo. 

Orei por aquelas pessoas, incentivando-as a tomarem posse da salvação que lhe fora conquistada por Jesus Cristo em seu sacrifício vicário na cruz do calvário. Vi pessoas caindo de joelhos aos prantos, confessando pecados, pedindo perdão e uma atmosfera insuportável de convencimento e quebrantamento enchendo aquele lugar. Irmãos consertavam entre si, se abraçavam, pediam e liberavam perdão uns aos outros. O saldo daquela noite foram algumas dezenas de pessoas que aceitaram a Cristo sob um mover sobrenatural do Espírito Santo. Fiquei muito feliz e privilegiado por ter sido o instrumento escolhido por Deus para realização daquela obra.

O motivo de eu compartilhar essa experiência aqui é para falar sobre algo muito importante: a certeza da salvação. É fato de que hoje em dia as igrejas estão lotadas de uma enorme multidão de pessoas que cantam e falam de uma salvação sobre a qual não têm a mínima convicção. 

Certeza de Salvação: Será possível?


Certeza de Salvação é possível. Vamos considerar o que 1 João 5:11-13 diz: "E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna" (Versão Almeida Revista e Atualizada - grifos meus). Deus quer que saibamos que temos a vida eterna. Estes versos explicam claramente que aqueles que têm acreditado em Jesus Cristo e aceito a Ele como seu salvador pessoal têm vida eterna. Vida eterna é o que o nome diz – eterna. 

Romanos 8:38-39 diz: "Porque estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem cousas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor." Nada pode separar um Filho de Deus do seu Pai. 

Certeza de Salvação: Por que tantos têm dúvidas?


Muitos crentes têm duvidado de sua segurança de salvação. Eles talvez estejam passando por um período de instabilidade emocional. Talvez eles tenham aberto as portas para dúvidas ou estão sendo levados pelas emoções. Talvez estejam passando por uma época de seca na vida espiritual e não estão experimentando alegria em sua caminhada espiritual. Isso também pode ser causado por pecado não confessado e talvez Satanás está tentando enganá-los e fazê-los acreditar que não são bons os suficientes para receber o perdão de Deus e a recompensa eterna. 

Tenha certeza que muitos lutam com situações assim de vez em quando. Essas sugestões podem ajudar:

  • Peça ao Senhor para lhe revelar algum pecado não confessado. Arrependa-se do seu pecado. 
  • Leia sua Bíblia diariamente. Estude versos específicos sobre salvação. 
  • Ore regularmente. Fale com Deus e peça a Ele para ajudá-lo. 
  • Confie no Senhor. Lembre-se de que Ele o ama imensamente. 
  • Repreenda qualquer dúvida em sua mente. 
  • Ofereça adoração, louvor a ações de graças a Deus. Não deixe seus sentimentos roubá-los de sua alegria da salvação. 

Conclusão

Certeza de Salvação: Compreenda o Suporte Bíblico


Jesus nos diz pessoalmente que Ele nos dá vida eterna e que nada pode tirá-la de nós: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar. Eu e o Pai somos um" (João 10: 27-30 - Grifos meus).

Salvação é um presente da graça de Deus. Efésios 2:8-9 diz: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Grifos meus.)." 

Vamos nos assegurar no fato de que "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Romanos 10:13). 

Ter esse conhecimento deve nos dar esperança. Podemos saber que Cristo vai nos reivindicar como pertencentes a Ele por toda a eternidade. "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor" (1 Tessalonicenses 4:16-17 - Grifos meus). 

Se você está lutando com dúvidas, faça uma oração parecida com esta: 

"Senhor Deus, não tenho certeza se sou Seu filho. Acredito que Seu Filho Jesus foi enviado por ti para morrer pelos meus pecados. Acredito que Ele ressuscitou dos mortos e está me oferecendo vida eterna. Eu O aceito como meu Salvador. Obrigado por me perdoar e por me dar vida eternamente contigo. Ajude-me a ter certeza de que o Senhor tem respondido a minha oração. Em nome de Jesus, amém." 

Minha conclusão 


Por mais que eu seja pecador por natureza e tenha que viver nesse mundo como se já estivesse vivendo nos céus, e isso realmente é difícil, desafiador, complicado, pois sou pecador por natureza... Quantas vezes me for perguntado se tenho certeza da salvação, minha resposta será convicta e enfaticamente: Claro que sim!!! 

Pela fé, e se tiver que pregar sobre salvação,eu pregarei tendo ênfase na palavra pois na realidade a fé é que nos mantém convictos que o que pregamos é verdade e eu não posso produzir dúvidas no povo de Deus, vamos deixar as dúvidas para o pai da mentira. Produzir dúvidas sobre um assunto tão importante como esse não é edificante para o povo que com sinceridade busca a Deus.

Porque: "A palavra está bem próxima de ti, na tua boca e no teu coração”, ou seja, a palavra da fé que estamos pregando: Se, com tua boca, confessares que Jesus é Senhor, e creres em teu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo! Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação" (Romanos 10-8-10 - Versão King James).

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

SÍNDROME DE ELI: PAIS FROUXOS, FILHOS FOLGADOS

Atualmente ficamos estarrecidos com algumas notícias que são veiculadas pela imprensa policial: o alto número de crianças e adolescentes envolvidas na criminalidade, que torna cada vez mais acalorado a discussão sobre a redução da maioridade penal (ver artigo http://circuitogeral2015.blogspot.com.br/2015/04/reducao-da-maioridade-penal.html). E não é só isso. Vemos também notícias dessas mesmas crianças e adolescentes vitimadas pela violência. Outro problema é a total inversão de valores nas famílias onde os filhos "falam mais alto (gritam, berram mesmo)" que os pais. Essa é mais uma faceta da total desestruturação familiar. E engana-se quem pensa que isso só acontece em lares não-cristãos. Há famílias ditas crentes onde estrutura e equilíbrio é algo inexistente. Mas onde estaria a raiz desse grave problema social? Neste artigo vou me ater em uma análise sobre a figura paterna como um dos fatores contribuintes do desajuste familiar.

O pai


A figura do pai tem muita importância na construção da estrutura psicológica dos filhos. Sem sua presença cotidianamente na vida dos filhos, muitas lacunas poderão ser abertas ou ficar sem o devido preenchimento. O pai não pode encarar seu papel apenas como um provedor de necessidades materiais dos filhos, pois ele transcende todas as aspirações que uma criança possa apresentar. Lugar de pai, também (e principalmente), é ao lado dos filhos. Quando isto não ocorre, eles poderão se espelhar em muitas outras figuras (escolhidas sem qualquer critério) para assumir o modelo de pai.

Muitos pais acreditam que devem se aproximar dos filhos somente quando estes cometem algo digno de punição. Chegam, muitas vezes, com estupidez e agressividade querendo mostrar para as crianças que é "mandão", o "tal", "aquele que pode corrigir os seus erros". No entanto, esquecem que deveriam ter estado perto, quando eles precisavam de direcionamento. Agredir os filhos para tentar consertar uma falta cometida é algo comum nas famílias, mas poucos percebem o quanto isto poderá levar os jovens a sentimentos de desprezo, raiva e desamor pelos pais. 

Sob o pretexto de trabalhar muito, de chegar em casa cansado e sem paciência, alguns pais colocam sobre a mãe o papel de "acalmar" os filhos para não os inquietarem. Assim, a figura paterna acaba sendo vista, por muitos filhos, como uma imagem intocável, impenetrável e inacessível. Muitos só são procurados pelos pais quando precisam receber uma bronca. E tem pai que acredita que os filhos já nascem com a capacidade de saber o que é certo e errado, sem que sejam ensinados. Fazer uma reunião diária com a esposa para conversar sobre os comportamentos dos filhos é uma dica muito valiosa.

O pai omisso coloca sobre a figura materna a responsabilidade de educar os filhos. Ele crê que sua missão restringe-se à provisão enquanto à mãe cabe apoiar, conversar e resolver os pequenos problemas. Seria uma divisão de tarefa aparentemente justa, não fosse pelos males que a distância paterna pode proporcionar. Entenda-se por omissão, também, a falta de punição, disciplina e cuidado, na hora certa.

Cada filho tem necessidades emocionais, que devem ser supridas por mães e pais. Estar presente na vida do filho não significa apenas está perto dele, mas ligado às necessidades afetivas oriundas do seu desenvolvimento. Perto do filho estão os amigos, o professor, o vizinho, o pastor, o padre, etc. Mas o pai deve ser o único a romper a barreira física da proximidade. Ele pode penetrar no coração do filho, conhecer suas carências e apoiar suas decisões. De todos os abraços que os filhos recebem, apenas o do pai pode tocar sua alma. De todas as conversas, apenas o diálogo paterno poderá edificar, sem deixar sequelas. Tudo que é posto no lugar do pai, no desenvolvimento emocional dos filhos, serve apenas como um remendo, que tenta cobrir uma falha.

Não tem autoridade (reconhecida pelos filhos), para corrigir e disciplinar, o pai omisso, que deixa para os outros a sua missão. Mesmo quando obedece ou se curva diante de um grito agressivo proferido pelo pai, o filho poderá guardar na alma a angústia de ser punido por alguém tão ausente. 

Os pais omissos são, muitas vezes, medrosos. Têm medo de estarem próximos dos filhos. Temem não serem capazes de se tornarem seus amigos. Receiam perder o "poder" sobre eles. Tais pais devem ser lembrados que o amor dedicado aos filhos, rotineiramente, constrói uma fortaleza de respeito e afinidade. Quando pais e filhos se tornam "cúmplices", o mais velho sempre será referência para as decisões do neófito.

Os pais omissos poderão perder, no futuro, a companhia dos filhos, que crescem sem tê-los por perto. É mais provável que o filho adulto prefira um final de semana na casa dos amigos (que conversam, brincam e se divertem com ele) a estarem com um pai sisudo e radical que, apesar de provedor, sempre foi desprovido de atenção, aconselhamento, afeto e presença. Alguns, ainda por questões devocionais, educacionais e culturais, assistem estes pais para não serem julgados pela sociedade. Mas tal assistência é tão pobre e mecânica que faz o pai sentir-se totalmente desprezado, pela falta de afeto.

Pais omissos não dão aos filhos um modelo de vida estruturada, que possam seguir. Eles ficam sem referencial e acabam tomando por exemplo os estranhos, ou ficam sem modelo algum. Podem crescer perdidos, duvidosos, indefesos e desajustados.

Eli, um exemplo a não ser seguido


Eli foi o 14º juiz civil em Israel e o primeiro sumo sacerdote em Siló, cerca de 16 quilômetros ao norte de Betel (1 Samuel 1:9). Teria sido o primeiro sumo sacerdote dos descendentes de Itamar (Levítico 10:1, 2, 12; 1 Reis 2:27). Eli administrou numa época de muita carnalidade e formalismo, cujos filhos Hofni e Finéas que exerciam funções sacerdotais, não procediam de acordo com o propósito divino, além de terem a conivência do pai que não os repreendia, incorrendo em sentença sobre a sua casa (1 Samuel 2:27-34).

Eli tornou-se sacerdote aos 58 anos de idade e o fato de passar 40 anos na função de magistrado e sacerdote, vem justificar que exerceu referidas funções com sabedoria e autoridade, porém o seu final foi muito comprometedor. Pelos registros bíblicos, com o passar dos anos, Eli perdeu o vigor e a autoridade e se tornou conivente com o pecado.

Seu declínio espiritual teve início quando: 


a) Fez julgamento precipitado sobre Ana, achando que estivesse embriagada enquanto ela falava com Deus (1 Samuel 1:14-17);

b) Honrava mais os filhos do que a Deus (1 Samuel 2:29b);

c) Teve também sua visão enfraquecida, mesmo que tivesse a idade avançada, porém, vê-se que perdeu também a visão espiritual (1 Samuel 3:2; 4:15);

d) Deus não falava mais com ele e podemos observar esse detalhe quando Deus falou com o jovem Samuel e ele ficou curioso para saber o que Deus lhe havia dito (1 Samuel 3:16-18);

e) Com a velhice acentuada e o peso exagerado - indicativos de má alimentação e acomodação tanto física quanto espiritual -, tinha perdido a agilidade e lhe faltava disposição para exercer a função (1 Samuel 4:18);

f) Vivia acomodado, deitado e sentado (1 Samuel 1:9; 3:2; 4:13,18).

Os reflexos da má atuação paterna de Eli refletida no caráter corrupto de seus filhos


Quanto aos seus filhos, exerciam suas funções ao lado do pai. Não temiam a Deus e nem respeitavam os homens (1 Samuel 2:15-17). Eram tidos como filhos de Belial e não conheciam o Senhor, isto é, não tinham comunhão com Deus (1 Samuel 2:12). Belial significa impiedade, perversidade e maldade (Provérbios 6:12; 2 Coríntios 6:15). Hofni e Finéas profanavam os sacrifícios, levando o povo a desprezar as ofertas do Senhor (1 Samuel 2:13-16).

Procediam contra a determinação divina quando apresentavam as oferendas, que deveriam primeiro apresentá-las a Deus e depois tomar parte delas (Levítico 3:3-5,16). Mas os filhos de Eli tomavam primeiro para si e ainda sob ameaça (1 Samuel 2:15,16). Contaminavam-se com as prostitutas e se deitavam com as mulheres na porta da tenda (1 Samuel 2:22b).

O principal pecado de Eli foi a conivência, pois ele sabia de tudo o que seus filhos praticavam e Deus o incluiu com os dois filhos como dando "coices contra o sacrifício e as ofertas de manjares" (1 Samuel 2:29). Com esta conduta, é como diz o apóstolo Pedro: "O julgamento deve começar pela casa de Deus" (1 Pe 4:17), especialmente por aqueles que estão à frente da obra, e como não soube honrar o privilégio que Deus lhe concedeu, ao contrário, tirava proveito da posição, o Senhor pela Sua misericórdia ainda o advertiu dando-lhe tempo para arrependimento, o que não ocorreu e, como paciência se esgota, Deus declarou por sentença a sua sorte e sentença bem severa, conforme se lê em 1 Samuel 2:33, 34; 3:13; 4:18-22).

O pecado só não acarreta sentença como esta, mas produz consequências terríveis, por exemplo: tempos depois, Israel foi ferido violenta e vergonhosamente diante dos filisteus, que fugiram para as suas tendas e caíram de Israel trinta mil homens de pé (1 Samuel 4:10). E daí para a frente, só má notícia porque satanás não deixa nada pela metade. Morreram os dois filhos de Eli e, além de perder a batalha, os filisteus tomaram a Arca do Concerto (1 Samuel 4:17); quando Eli soube da notícia, caiu da cadeira para trás, quebrou o pescoço e ali mesmo morreu (1 Samuel 4:18); estando sua nora, esposa de Finéas, grávida e próxima ao parto, ouvindo estas notícias, alí mesmo encurvou-se e deu à luz e, ao mesmo tempo, foi morrendo (I Samuel 4.19), mas ainda reuniu forças e deu ao recém-nascido o nome de Icabô ou "Foi-se a glória de Israel", referindo-se à Arca de Deus que foi levada presa, e ainda por causa da morte de seu sogro e de seu marido (1 Samuel 4:21, 22).

Conclusão


Esta é uma grande lição que fica para os cristãos que têm filhos e desempenham (ou não) cargos na igreja do Senhor. Tudo o que faz o cristão por conta própria, desprezando os cuidados divinos, gloriando-se em suas próprias presunções, o resultado será maligno (Tiago 4:13-16). Se o vigor espiritual estiver em declínio ou se o formalismo permite que se sirva a Deus mecanicamente, de tal maneira a se ter uma vida de conivência com as coisas que não agradam a Deus, só há dois caminhos: orar suplicando a misericórdia do Senhor para prosseguir alinhado com Deus na caminhada; ou renunciar para não se comprometer com negligência na Obra do Senhor. Nunca perseverar dominado pela vaidade e pelo orgulho porque não vai a lugar nenhum. É como diz Provérbios 16:1: "A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda". 

Preocupado com essa questão, o apóstolo Paulo aconselha antes de tudo consagração a Deus, humildade e fidelidade no uso dos dons e escreveu: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" - (Romanos 12:1).

Senhores pais que leram esse artigo, qual o exemplo e o legado que vocês estão deixando aos seus filhos? Filhos que leram esse artigo, como tem seu procedimento em relação ao seu pai?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A APARÊNCIA É NÃO TUDO! SERÁ? - PARTE 2

"Porque Narciso acha feio o que não é espelho", canta o poeta Caetano Veloso em uma de suas mais célebres canções, a famosa "Sampa ('Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruza a Ipiranga, com Avenida São João...')". No artigo anterior (http://circuitogeral2015.blogspot.com.br/2016/02/a-aparencia-nao-e-tudo-sera.html?spref=fb) falei sobre o narcisismo, um problema psíquico, onde o indivíduo tem um amor exacerbado por si próprio ou por sua imagem. Entretanto, falei pouco sobre a lenda de Narciso. Afinal, quem foi ele? 

Narciso, uma lenda da mitologia grega 


Narciso, um jovem de extrema beleza, era filho do deus-rio Cephisus e da ninfa Liriope. No entanto, apesar de atrair e despertar cobiça nas ninfas e donzelas, Narciso preferia viver só, pois não havia encontrado ninguém que julgasse merecer seu amor. E foi o seu desprezo pelos outros que o derrotou. 

Quando Narciso nasceu, sua mãe consultou o adivinho Tirésias que lhe predisse que Narciso viveria muitos anos desde que nunca conhecesse a si mesmo. Narciso cresceu tornando-se cada vez mais belo e todas as moças e ninfas queriam seu amor, mas ele desprezava a todas. 

Certo dia, enquanto Narciso descansava sob as sombras do bosque, a ninfa Eco se apaixonou por ele. Porém tendo-a rejeitado, as ninfas jogaram-lhe uma maldição: - Que Narciso ame com a mesma intensidade, sem poder possuir a pessoa amada. Nêmesis, a divindade punidora, escutou e atendeu ao pedido. 

Naquela região havia uma fonte límpida de águas cristalinas da qual ninguém havia se aproximado. Ao se inclinar para beber água da fonte, Narciso viu sua própria imagem refletida e encantou-se com sua visão. Fascinado, Narciso ficou a contemplar o lindo rosto, com aqueles belos olhos e a beleza dos lábios, apaixonou-se pela imagem sem saber que era a sua própria imagem refletida no espelho das águas. 

Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água mas inutilmente; não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Esgotado, Narciso deitou na relva e aos poucos seu corpo foi desaparecendo. No seu lugar, surgiu uma flor amarela com pétalas brancas no centro que passou a se chamar, Narciso. 

A importância da imagem nas relações pessoal, interpessoal e profissional 


Fiz esse preâmbulo sobre a história do Narciso para continuar a discorrer sobre o quão importante é a aparência. Apesar de muitos crentes afirmarem que "Deus não olha a aparência, mas o coração" - o que também foi explicado no artigo anterior, nossa aparência diz muito sobre quem somos. 

Se a "primeira impressão é a que fica", então, o cuidado com a aparência não deve ser deixado de lado. Seja no ambiente profissional, seja na esfera pessoal, é preciso lembrar que o seu visual e a sua postura diante dos outros dizem muito sobre você. 

Isso mesmo. Quantas vezes você olha para uma pessoa e já imagina como ela deve ser apenas pela forma como ela se veste ou como ela se comporta? Por isso, é importante saber qual a imagem que você quer transmitir para os outros. 

As celebridades e pessoas famosas estampam capas de revistas e portais noticiosos a todo momento. A fama já é o suficiente para a super-exposição. Mas algumas delas conseguem chamar a atenção ainda mais por suas posturas exageradas e, por vezes, desnecessárias. 

É comum que celebridades atraiam os olhares da mídia (os tais "paparazzi") durante o desfiles de moda de grifes famosas, desfiles de carnaval e outras farras glamourosas. Não bastassem os decotes, muitas artistas dispensam as roupas íntimas, como calcinha e sutiã, para completar o seus figurinos não raramente bizarros que beiram o esdrúxulo. Isto quando não estampam capas e recheios de revistas com os seios (e outras partes menos decorosas) à mostra. 

Será preciso tanta exposição para se destacar entre as câmeras e os holofotes? Ou melhor: será que é preciso chamar atenção para ser uma pessoa de destaque? Em tempos efusivos de mídias sociais, homens e mulheres se expõem sem o menor pudor. Sem o menor constrangimento. Sem um pingo de vergonha na cara. O grande problema é quando relés mortais tentam copiar esse procedimento. O problema transborda quando tal procedimento chega no ceio da Igreja. 

Quando observamos posturas assim, lembramos o quanto o nosso exterior diz muito sobre nós. O que você quer que os outros saibam ou pensem sobre você? É preciso saber comunicar aos outros o seu próprio valor. E o primeiro passo para isso é cuidando da sua aparência. 

Em texto publicado no blog da escritora Cristiane Cardoso, a palestrante Evelyn Higginbotham lembra o quanto mudou depois que passou a dar importância ao aspecto visual. "Eu passei a falar o que o meu espírito sempre quis dizer através do ato de investir tempo e esforço na minha aparência. Minha linguagem corporal mudou, minhas opiniões foram mais valorizadas e não porque eu fosse mais bonita, mas porque eu estava comunicando meu próprio valor", explica. 

Você não deve se vestir para os outros ou se arrumar para agradar alguém. Mas é indispensável pensar na impressão que quer e deseja passar. "Nós falamos através de nossa aparência e comportamento e, embora não possamos fazer nada acerca do DNA que herdamos de nossos pais, há muito o que fazer para que consigamos comunicar o que queremos através da nossa linguagem corporal, dos nossos olhares e de nossas palavras. E não é apenas o que dizemos aos outros que importa, mas sim o que dizemos a nós mesmas", completa Evelyn. 

Você sabe o que diz sua imagem? 


A comunicação é de extrema importância para o sucesso das relações pessoais, profissionais e no âmbito eclesiástico, pois através dela podemos estabelecer conexões. A imagem pessoal tem grande influência na habilidade de convencer pessoas em um primeiro momento de conexão e quando fazemos esse processo consciente, ou seja, conhecemos a mensagem que comunicamos, tornamos nossa comunicação mais assertiva 

Você sabe o que comunica a sua imagem? 


As relações se estabelecem através da comunicação. Em um primeiro momento que conhecemos alguém, em poucos segundos (de modo inconsciente) somos levados a fazer julgamentos, avaliando se a pessoa que estamos conhecendo é uma ameaça ou uma oportunidade; se a consideramos uma ameaça, nos segundos seguintes iremos através de nossos filtros mentais, buscar motivos que justifiquem nosso julgamento. 

Mas igualmente na mente desta pessoa ocorre o mesmo. Se ela considerar que somos uma oportunidade, irá tentar estabelecer conexão encontrando justificativas positivas para o seu julgamento. 

Nesse processo, a comunicação não verbal apresenta uma grande influência em provocar emoções positivas ou negativas. 

O contato visual é um dos canais não verbais mais importantes, pois o olhar dá direção, foco e significado a nossa mensagem, a região dos olhos correspondem a parte do rosto responsável pela emoção e o sorriso a segunda melhor forma de se estabelecer conexão, pois mostra o quanto receptivo estamos para nos comunicar. 

Saber qual a mensagem que estamos comunicando, e se ela está alinhada aos nossos objetivos é tão importante quanto saber aonde queremos chegar, quais os nossos objetivos. A imagem provoca reações emocionais, por isso, muito além do impacto que a nossa imagem pode ter de convencer o outro; ela participa ativamente do nosso sistema motivacional nos conduzindo ao nosso objetivo. 

Quando falo de comunicação não verbal me refiro a imagem, comportamento e atitude que deve sempre fortalecer a autoestima e tornar a comunicação assertiva. Esse entendimento nos permite ser mais conscientes e bem sucedidos pessoal e profissionalmente falando. 

Conclusão 

O desafio cristão não de ser diferente, mas de fazer a diferença


Fazer a diferença não é simplesmente ser conhecido como "evangélico", fazer a diferença é ter a postura de um cristão que anda com Deus e que reflete esse andar nos seus relacionamentos. O cristão deve, obviamente, ter uma imagem de sobriedade que o remeta à pessoa de Cristo. 

Como igreja, temos a missão de fazermos a diferença na vida das pessoas, de marcarmos a vida dos nossos familiares, dos nossos colegas de trabalho, enfim da nossa sociedade. 

Para termos igrejas fortes, abençoadas, vencendo o poder do pecado e do inimigo é preciso ter crentes fortes, vigorosos, dispostos a pagarem o preço pela santificação de suas vidas. 

A santificação na vida do cristão não vem ao acaso. E também não é coletiva, pelo contrário é individual. É gradual, é constante, é a escada em direção ao céu. 

A todos nós foi dada a ordem de sermos santos, "porque Ele é santo". (1 Pedro 1:16). Portanto, quem não está buscando a santificação para a sua vida está deixando de cumprir a Palavra de Deus. 

É necessário ter um coração voluntário para buscar "as coisas de cima" (Colossenses 3:1) e o "reino de Deus em primeiro lugar" (Mateus 6:33), deixando a "Palavra de Cristo habitar em nós abundantemente" (Colossenses 3:10), "perseverando em oração, velando com ações de graças". (4:2). 

Será que estamos fazendo a diferença onde Deus nos colocou? E se estamos que tipo de diferença estamos fazendo? Jesus nos chamou para fazermos diferença. 

A Bíblia nos fala da importância do sal, nos mostrando a sua função de temperar, preservar e limpar (Levítico 2:13; Juízes 9:45; Jó 6:6; Ezequiel 16:4). Sabemos que o sal é extremamente necessário para a conservação dos alimentos e um elemento importante em nossa alimentação. 

Jesus disse: "vocês são o sal da terra", quer dizer, somos o sal na vida das pessoas, Jesus compara a postura dos discípulos ao sal. Mas será que o nosso mundo precisa de sal (cristãos)? Com certeza, pois a cada dia que passa os níveis de violência aumentam, a quantidade de famintos aumenta, a venda e consumo de drogas alcançam números espantosos, a cada dia as famílias estão se deteriorando, os níveis de corrupção, prostituição, sequestros e destruição da natureza alcançam números recordes. 

Se estamos aqui, constituídos como igreja, reunidos para louvar e adorar ao Senhor, para estudar sua Palavra, foi porque os cristãos que viveram antes de nós fizeram a diferença em sua geração, sendo sal da terra, influenciando a vida de pessoas. Como os apóstolos, os heróis da fé, e uma multidão de anônimos. 

Jesus afirma que o sal que não salga, que não tempera, não serve para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens - Mateus 5:13. Os cristãos que não salgam caem no esquecimento da história e não são lembrados pelos homens e nem por Deus. O cristão deve salgar e não perder o seu poder de temperar (Marcos 9:50; Lucas 14:34; Colossenses 4:6). 

Muitos cristãos estão vivendo um cristianismo insípido, de fachada, que não sai do seu gueto, que não causa impacto em sua geração e que em muitos casos não se envergonham de buscar a aparência do mundo. 

Nosso grande desafio enquanto igreja, não é parecer diferentes apenas por causa da roupa que usamos e da aparência e postura que temos. Fazer a diferença é causar impacto com uma imagem que seja o reflexo do que temos em nosso interior.

Quanto à imagem, o apóstolo Paulo nos diz para sermos "cartas vivas". Ou seja, as pessoas têm que olhar para nós e associar as palavras que dissermos e escrevermos com o nosso viver. Jesus tem que ser conhecido pelas pessoas por meio das nossas atitudes, do nosso exemplo. Todos devem olhar para nós e ver novas criaturas transformadas pelo poder de Deus. "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo - (2 Coríntios 5:17)".

Que tipo de carta temos sido? O que as pessoas podem ler em nós? A imagem que passamos, refletem ou remetem ao Cristo que pregamos? Acho prudente revermos nossos conceitos antes de sair por aí vociferando que a aparência não é tudo.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

A APARÊNCIA NÃO É TUDO! SERÁ?

"Narciso" (1590), pintura de CaravaggioGalleria Nazionale d'Arte Antica, Roma.

Narcisismo é o amor de um indivíduo por si próprio ou por sua própria imagem. O termo "narcisismo" foi introduzido na psiquiatria, no final do século XIX - e viria a ser adotado no campo da psicanálise - por Havelock Ellis (1898), para descrever uma forma de sexualidade baseada no próprio corpo do indivíduo. O termo "narcisismo" vem do mito grego de Narciso, um bonito jovem e indiferente ao amor que ao se ver refletido na água apaixonou-se pela própria imagem refletida (imagem acima).

O conceito de egoísmo excessivo tem sido reconhecido ao longo da história. Na Grécia antiga, o conceito foi entendido como arrogância. É só nos últimos tempos que foi definido em termos psicológicos. O narcisismo é atualmente um conceito na teoria psicanalítica, introduzido por Sigmund Freud em seu livro Sobre o narcisismo. A Associação Americana de Psiquiatria o classifica como Transtorno de personalidade narcisista, em seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Freud acreditava que o narcisismo existe quando a libido está direcionada para si próprio. 

Muitos cristãos acreditam que a aparência não é importante, associando-a à questões de vaidade. Muitas vezes dizemos "não julgueis os outros pela sua aparência", mas quando vemos, por exemplo, alguém que não se enquadra ao que consideramos ser o padrão de um cristão (como por exemplo, homens usando brincos, pessoas tatuadas...), não poupamos os julgamentos.

É óbvio que há um padrão bíblico para o comportamento cristão em meio a sociedade em que está inserido. Esse padrão, entretanto, sempre deve ser manifestado de dentro pra fora e NUNCA de fora pra dentro. Como judeu, Jesus não se diferenciava em absolutamente nada dos demais homens de sua época, tanto, que para ser reconhecido por seus algozes, foi necessário o beijo de Judas.

É fundamental que nos lembremos de que Deus vê mais além das aparências, ou seja, mais além do que os espelhos e olhos podem mostrar. A Bíblia diz em 1 Samuel 16:7 "Mas o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque eu o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração." Este, aliás, é o texto usado pela maioria quando o assunto é aparência (muito embora, retirado de seu contexto, ele se torna frágil como base para determinadas colocações).

O nosso testemunho está associado com a nossa aparência. A Bíblia diz em 1 Timóteo 2:9-10 "Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos [ou seja, caros], mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras." 1 Pedro 3:3-4 "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos [novamente as tranças], o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranqüilo, que és, para que permaneçam as coisas" (Os grifos e adendos entre [ ] são meus).

Ou seja, se for para descontextualizar essas duas passagens (que aliás são o mote dos legalistas), tem muita igreja por aí, que apesar do aparente rigor nas questões de usos e costumes, grande parte (quiçá) a maioria das irmãzinhas "estão em pecado"!

A aparência, segundo a Bíblia


"Abstende-vos de toda aparência do mal." - 1 Tessalonicenses 5:22 

Sempre o ser humano deu importância a aparência, isto não é de hoje, veja o exemplo de Eva, ela foi atraída pela aparência (boa de comer, agradável aos olhos e desejável) Gênesis 3:6. Simplesmente hoje existem mais condições propensas para o exibicionismo, como: internet, fotos, cartazes, televisão, tudo isso de forma mais acessível e barata, além dos centros sociais, clubes e igrejas abrirem muito mais possibilidades de evidencia para as pessoas. 

No meio disso existe um paradoxo no qual a aparência e ressaltada grandemente. Por um lado alguns pregam as tais "vestes santas" usando roupas longas e não utilização de adornos e jóias, e do outro lado prega-se que a aparência não é importante, porém adotam uma atitude na qual a aparência se sobressai ainda mais, com utilização de roupas sensuais e extravagantes, jóias e adornos. Como se vê neste paradoxo todos dizem que o importante é o interior, porém mostram o contrário. Vejamos o que a Bíblia diz. 

O homem não vê com vê Deus 


"...Porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem olha para o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração - 1 Samuel 16:7b" 

É um fato bem claro que o homem julga pela aparência, veja o exemplo do profeta Samuel acima (nos mantendo dentro do contexto). Contudo, incentivamos sempre a não se fazer um julgamento pelo exterior, porém isso é praticamente impossível, a não ser, é claro, que Deus revele, como no caso de Samuel ou de Cristo que conhecia o coração dos homens; do contrario os nossos julgamentos são externos, pela aparência e no mais pela convivência.

Costumamos dizer que o que vale é a beleza interior, mas na prática fazemos o contrário! Aliás, isto fica claro quando a questão são as escolhas sentimentais. Contamos e avaliamos o que está por fora. Ou seja, os bonitos - pouco ou absolutamente nada importando os predicados espirituais - levam vantagens nos julgamentos humanos. 

O mundo em que vivemos 


Talvez você já deve ter ouvido falar de alguma seleção em que a pessoa foi dispensada pela aparência sem ter tido a chance de mostrar o seu interior ou suas habilidades (já passei por isso em uma seleção de emprego). Veja que Davi quase foi excluído pela sua aparência externamente fora dos padrões considerados ideais aos seus avaliadores - inclusive o profeta, de quem se poderia esperar a análise espiritual que a situação necessitava (1 Samuel 13:12): ele era ruivo de aspecto gentil (fraco). 

No mundo em que vivemos - principalmente hoje, com o advento das mídias sociais -, normalmente se conhece a imagem de alguém, e depois, quando acontece, a sua personalidade, e se não fosse Deus Davi não teria chance alguma, haja visto que seus irmãos eram mais bem apresentáveis: eram mais bonitos e mais fortes. Sendo assim, humanamente falando, a beleza exterior, pode ser classificada, a grosso modo, como a porta para a beleza interior. Se a porta é bonita a maioria se anima a entrar na casa, se não é, nem todos se animarão. E no mundo comercial, profissional e de certa forma, impessoal que nós vivemos, a porta está tendo um valor muito alto. 

Classificação da beleza 

A beleza pode ser classificada de duas formas 


A interior, ligada a coisas intangíveis, como a inteligência, simpatia, espiritualidade e comportamento no geral. A exterior, ligada a corpo, rosto, roupas, etc. 

Existe um velho ditado que prega o seguinte: "Quem tem dois tem um, quem tem um não tem nenhum." Esse ditado é bem aplicável a esse tema. Se uma pessoa só dispõe de beleza interior ela tem que vencer na vida se valendo única e exclusivamente dela, se a pessoa só dispõe de beleza exterior, ela terá que vencer na vida se valendo apenas dessa. Se a pessoa possui as duas, ela possui mais recursos, mais versatilidade, e com isso, mais chances de prosperar. Isso não significa que quem só dispõe de uma beleza não irá prosperar, mas, quem tem as duas terá mais facilidades. 

É claro que nesse momento estamos simplificando um conceito subjetivo em algo bipolar, tem ou não tem, mas, na verdade, a beleza esta nos olhos de quem vê, e variam de intensidade. Todavia, alguém que tenha 170cm de altura e 60Kg, tem uma chance maior de ser considerado bonito, do que alguém que tenha 170cm e 100Kg. Assim como alguém que fale corretamente e sem vícios de linguagem tenderá a ser considerado mais bonito do que alguém que a toda hora fala gírias.

Enfim, conta o que está por fora, porque quase sempre o que as pessoas conhecem de em um primeiro momento é o exterior, e por vezes, se o exterior não agrada o suficiente, não é dada a chance de se conhecer o interior. Com isso, devemos estar bem externa e internamente. Eis aí mais um desafio dele, o indispensável EQUILÍBRIO. 

Beleza como ajudante 


Quando se trata de beneficio da beleza não podemos deixar de citar o caso de Ester, que se tornou rainha do império dominante da época, pela vontade de Deus, porém cooperando a sua beleza. Veja o que está escrito: "E a moça pareceu formosa aos seus olhos, e alcançou graça perante ele; pelo que ele se apressou em dar-lhe os cosméticos e os devidos alimentos, como também sete donzelas escolhidas do palácio do rei; e a fez passar com as suas donzelas ao melhor lugar na casa das mulheres - Ester 2:9. Ester passou pelo que hoje poderíamos chamar de um "spa de luxo" (Aqueles tipo os que estampam as páginas de uma conhecida publicação brasileira - que tem como título o sinônimo de "rostos" - voltada às celebridades e aos endinheirados). 

Ester alcançava a graça de todos que a viam, ela com certeza era uma jovem muito bonita e simpática. E Deus usou estes atributos para colaborarem com a salvação do povo de Israel. 

A beleza está nos olhos 


O que a nós parece bonito em outro tempo pode até se repulsivo, veja o exemplo de Jacó, ele se enamorou por Raquel, mas, veja as característica das duas irmãs Raquel e Léia: Léia tinha os olhos enfermos (era vesga, caolha), enquanto que Raquel era formosa de porte e de semblante. Gênesis 29:17 

Raquel era forte (para os conceitos de hoje "gordinha", com muito peito e nádegas) e Léia era magra. Apesar de dizermos que o amor é cego, não parece que foi este o caso de Jacó. 

Notadamente perceba que se você gosta de arte, e examinar os quadros antigos, com pinturas de mulheres, perceba que elas são sempre bem robustas, veja a exemplo das pinturas de Eva, isso era simplesmente os conceitos de beleza feminina antiga, na qual a mulher bonita tinha de ser forte. 

A Bíblia não condena a beleza mas ressalta que ela é passageira 


Analisando o texto, agora observando-o dentro de seu contexto: "O vosso adorno não seja o enfeite exterior, como as tranças dos cabelos, o uso de jóias de ouro, ou o luxo dos vestidos, mas seja o do íntimo do coração, no incorruptível traje de um espírito manso e tranquilo, que és [num sentido de essência], para que permaneçam as coisas [internas]. Porque assim se adornavam antigamente também as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam submissas a seus maridos - 1 Pedro 3:3-8 (Os grifos e o adendo entre [ ] são meus)"

Nestes versículos acima notem que Pedro ressalta a importância do interior da pessoa, pois o interior é mais importante, ou seja, a nossa aparência é importante, porém Deus não leva isso em conta, pois Ele vê o interior. Existem comparações na Bíblia com relação a ser bonito exteriormente e por dento feio e vazio, comparações como o de sepulcros caiados (Mateus 23:27) e até como diz em Provérbios 11:22 - "Como joia de ouro em focinho de porca, assim é a mulher formosa que se aparta da discrição." 

Conclusão 


Em um mundo competitivo, desigual e superficial como o de hoje cabe a nós termos a simplicidade das pombas e a prudência das serpentes (Mateus 10:16). Precisamos cuidar da nossa aparência exterior, sermos atrativos e adequados ao testemunho de Cristo ao mesmo tempo não negligenciando a importância de nossa aparência exterior com base no que remete à ordem e decência. 

Precisamos seguir o exemplo de Ester que demonstrou beleza, porém a sua marca para historia do povo de Deus foi de submissão, oração e santidade. Não podemos nos deixar levar pelo mundo, pelos seus atrativos, e sim olhar para Cristo, para que quando Cristo olhar para nós Ele vendo o nosso interior, possa ver a verdadeira beleza, que é uma vida santa perante Ele. 

"Pois o sol se levanta em seu ardor e faz secar a erva; a sua flor cai e a beleza do seu aspecto perece; assim murchará também o rico em seus caminhos" - Tiago 1:11.

ONDE ESTÁ ESCRITO NA BÍBLIA QUE SATANÁS ESTÁ DEBAIXO DOS NOSSOS PÉS?

Frases de efeitos, bravatas espirituais e nada de Bíblia. É muito comum ouvir essa expressão: “o diabo já está debaixo dos nossos pés”. Geralmente, quando se canta algum tema sobre batalha espiritual, ouve-se exatamente isso. A frase também é dita por pregadores do evangelho triunfalista e repetido pela plateia inflamada que repete qualquer coisa que venha de púlpitos inflamados pelo fogo das emoções.

Entretanto, essa expressão implica numa vitória final e absoluta sobre o inimigo. Era uma prática dos reis vencedores colocarem os seus inimigos como tapete e pisá-los para humilhá-los. Eu gostaria de analisar essa expressão à luz das Escrituras, tentando levar-nos a pensar de uma forma crítica e levando em conta a Hermenêutica e a Exegese. Isso é importante porque se interpretarmos as Escrituras erroneamente poderemos ter consequências sérias. Afinal, Deus tem compromisso é com a sua Palavra e não com as suas distorções.

Portanto, o meu objetivo nesse texto é analisar essa expressão e as consequências de sua distorção. Pretendo analisar a posição de Satanás diante de nós na batalha espiritual, depois fazer uma análise exegética de Efésios 1:20-23 e Lucas 10:19 onde muitos se baseiam para essa expressão e, no final, o que consiste a nossa vitória sobre Satanás.

1. A posição de Satanás diante de nós


A Bíblia nos alerta que estamos diante de uma luta espiritual e ela não demonstra que esse adversário está debaixo de nossos pés, no momento presente, mas como se estivéssemos numa luta corporal frente a frente. O apóstolo Paulo ensina aos efésios:

"...porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes (Ef 6:12)."

Paulo usa o substantivo grego palë para luta na expressão "...porque a nossa luta (palë) não é contra o sangue e a carne". Segundo estudiosos do grego esta palavra era usada para uma espécie de luta corporal que um dos adversários venceria quando derrubasse o outro. O que chamamos de uma luta livre, algo como a famosa modalidade esportiva de MMA. Torna-se óbvio que a posição de Satanás não é debaixo de nossos pés, mas numa posição de uma luta que precisamos estar alertas e em vigilância.

Calvino comenta essa palavra em seu comentário de efésios demonstrando exatamente isso numa nota de rodapé:

"Plutarco nos fala, (Symp. 1. 2., Page 638,) que a luta livre era a mais hábil e sutil de todos os jogos antigos e que o nome dela palë era derivado de uma palavra que significa derrubar um homem no chão por um golpe armado e habilidade. Está claro que pessoas que praticam esse esporte precisam usar de muitas investidas, voltas e mudanças de postura, os quais eles fazem uso para vencer e derrubar seus adversários. E é com grande justiça que um estado de opressão é comparado com isso; desde que são muitas as artes, levantamento de terrores do mal mundano, o amor natural que os homens têm para vida, liberdade, fartura e os prazeres da vida por um lado; por outro lado, que o diabo faz uso de enganos e armadilhas."

Para Calvino, o texto demonstra que o diabo está em plena atividade tentando nos derrubar em suas armadilhas e investidas numa luta livre, pois é isso que o texto quer dizer. Isso demonstra que o diabo não está debaixo de nossos pés. Essa expressão demonstra um término de uma batalha em vitória. Ao contrário disso, o diabo está numa posição de luta livre conosco (palë). "Cara a cara". Não estamos numa posição de conforto contra o diabo. Se fosse assim, Paulo não aconselharia a usarmos a armadura de Deus (Efésios 6:13) e que deveríamos embraçar o escudo da fé contra as setas inflamadas do Maligno (6:16).
O apóstolo Pedro demonstra que o diabo não está debaixo dos nossos pés, mas numa posição contínua de ataque ao nosso redor como um leão:

"Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar; 9 resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo (1 Pedro 5:8,9)."

Pedro, primeiramente adverte que devemos ser sóbrios e vigilante. Ele fala o motivo por que deveríamos estar assim: o diabo, que é o nosso adversário, anda em volta (rodeando, dando voltas ao redor, exatamente como fazem os lutadores de MMA no octógamo) como um leão. O verbo grego peripateö é usado para um andar em volta. A idéia é de um animal que fica em círculos procurando uma oportunidade para o ataque. Isso quer dizer que o apóstolo Pedro afirma que estamos sendo observados por um inimigo feroz e astuto procurando uma oportunidade para o ataque.

Por isso, não estamos numa posição confortável, mas precisamos resisti-lhe firmes na fé. O verbo grego anthistëmi, traduzido para “resistir, opor-se” quer dizer novamente uma resistência em uma disputa perigosa, pois é contra alguém que ele identificou como um leão. A mesma palavra que Tiago usou para “resistir ao diabo”:

"Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tiago 4:7)."

Howard, em seu comentário exegético desse texto faz uma relação com alguns textos da LXX (Septuagita) e afirma:

A comparação de inimigo de almas a um leão é sugerido por várias passagens nos Salmos (7:2; 10:9; 22:13). A última destas é provavelmente a referência na mente do escritor, hös leön ho harpazön kai öryomenos. In peripateö nós temos uma reminiscência da descrição de Satan em Jó 1:7; 2:2.

O professor Howard demonstra que a descrição de Pedro sobre Satanás é uma relação direta aos Salmos que descrevem esses inimigos em plena atividade, assim como o diabo que está contra nós. Portanto, podemos notar pelo texto de Pedro que o diabo está em plena luta conosco como os inimigos estavam contra Davi.

Outro texto que precisamos levar em conta é que Paulo ensina que o diabo será pisado por nós no futuro. Ele escreve aos romanos:

"E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco (Romanos 16:20)."

Paulo demonstra que isso acontecerá no futuro. Tanto o adjunto adverbial en tachei (em breve) como o verbo Suntripsei (esmagará) no futuro demonstram que Satanás não está, no momento, debaixo de nossos pés, mas isso acontecerá no futuro. A ênfase está no verbo e não na preposição hypo. A preposição lidera o sentido adverbial que é regido pelo verbo. Portanto, Paulo afirma que isso acontecerá na vinda de Cristo e não agora.

2. Análise de Efésios - 1:20-23


"O qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas" [Grifos meus].

Mas o que dizer desse texto de Paulo aos efésios? Esse texto é usado para demonstrar, por essas pessoas, que Satanás está debaixo de nossos pés nesta era. Afirmam por inferência dessa interpretação: se todas as coisas estão debaixo dos pés de Cristo como os demônios, potestades e anjos, pois a expressão demonstra que são tanto seres angelicais como todo ser existente; então, estão debaixo de nossos pés também, já que somos o corpo de Cristo e ele foi dado à Igreja como foi escrito no v.22,23.

A lógica é a seguinte: se Cristo é o/a cabeça de todas as coisas e todas as coisas foram colocadas por Deus debaixo dos pés de Cristo e se somos o seu corpo, então, os demônios estão debaixo de nossos pés.
Pesa ainda nessa interpretação que estamos sentados com Cristo nas regiões celestiais conforme Paulo escreveu:

"...E, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Ef 2.6)."

Se nós estamos sentados com Cristo nas regiões celestiais, fica óbvio que os demônios estão debaixo de nossos pés, concluem alguns.

Essa interpretação tem um problema hermenêutico que, se não tivermos cuidado, poderemos entrar numa distorção séria. Por exemplo, precisamos analisar que o texto afirma que todas as coisas estão debaixo dos pés de Cristo, pois ele assumiu toda a autoridade (Mateus 28:18). O texto não afirma, em hipótese alguma, que Jesus está pisando Satanás definitivamente, embora que o venceu na cruz.
Porém, o texto não afirma isso. O texto afirma que Cristo tem o domínio absoluto e autoridade sobre todas as potestades. Mesmo assim, essa vitória completa de Cristo sobre Satanás ainda não se manifestou, embora que ele o tenha vencido uma vez por todas na cruz (Colossenses 2:14,15). Por isso o apóstolo aos Hebreus escreveu:

"Fizeste-o, por um pouco, menor que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras das tuas mãos. Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas (2:7,8)."

Esse texto explica o texto de Efésios 1:22,23. Ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas porque será no futuro, na sua vinda.

O apóstolo Paulo ensinou exatamente que será no futuro:

"...E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco (Rm 16:20)."
"E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés (1 Coríntios 15:24,25)."

Paulo ensina aos coríntios que isso acontecerá quando todo principado e toda potestade forem destruídos. No episódio da sua vinda, pois então se cumprirá o Salmos 110:1.

O apóstolo aos Hebreus ensinou a mesma coisa:

"Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, 13 aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés (10:12,13)."

Outro perigo hermenêutico que precisamos ter muito cuidado é com essa inferência de corpo de Cristo. Quando Paulo afirma que Deus colocou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo, não implica que todas essas coisas estejam da mesma forma diante da igreja, pois isso implica em total soberania e domínio. Claro que isso é um atributo somente divino. Jamais a igreja terá o domínio absoluto igual ao de Deus. Temos o privilégio de estar assentados com ele nas Regiões Celestiais, mas esse assentar-se não nos dá o atributo de soberanos.

Da mesma forma, não podemos fazer uma inferência da afirmação de Cristo: "toda autoridade me foi dada nos céus e na terra" (Mt 28:18) para afirmar que temos essa autoridade porque somos o corpo de Cristo. Com base nessa inferência, alguém poderia dizer: ora, se Cristo recebeu toda autoridade e a igreja é o corpo de Cristo, então a igreja tem toda a autoridade nos céus e na terra também.

A falácia desse silogismo está em que o corpo de Cristo é relacionado à comunhão da igreja, da identificação dos sofrimentos de Cristo e da honra na vitória de Cristo (confira: 1 Co 10:16,17; 12:26,27; Ef 4:12; Cl 1:24; 2:17; 3:15) e não nos seus atributos que só pertencem a Deus. Nenhuma passagem das Escrituras é colocada para o corpo de Cristo no sentido de usarmos os mesmos atributos de Deus.

Paulo tinha a intenção de dizer que Cristo tem o domínio e Deus deu esse Cristo à igreja. Claro que Paulo usa um pronome relativo indefinido hëtis para afirmar que de qualquer forma essa igreja é o corpo de Cristo. Na verdade a estrutura gramatical grega não faz uma relação Cristo como cabeça da igreja diretamente, embora que se possa inferir. Paulo usa o substantivo kephalë como um aposto do objeto auton, que é Cristo e afirma que Deus o deu à igreja. O objeto indireto é a igreja të ekklësia. A ênfase é que Cristo é a cabeça de todas as coisas e Deus deu esse Cristo-cabeça à igreja, que é o seu corpo.

William Hendriksen em seu comentário desse texto escreve:

Nas epístolas gêmeas – Colossenses e Efésios –, a figura cabeça-corpo surge pela primeira vez nas epístolas de Paulo, para indicar a relação entre Cristo e sua Igreja. É verdade, sem dúvida, que aqui em Ef 1:22, 23 não se diz que Cristo de fato é a cabeça da igreja, senão antes que Ele é a “cabeça, sobre todas as coisas, à igreja… seu corpo”. Porém, esta maneira de expressar-se simplesmente realça a beleza do simbolismo. A significação, pois, é esta: já que a igreja é o corpo de Cristo, com a qual Ele está organicamente unido, seu amor por ela é tão grande que faz uso de seu poder infinito para que o universo inteiro, com tudo que nele existe, coopere em benefício dela, seja de bom grado ou não.

Hendriksen demonstra exatamente que a ênfase de Paulo não é trazer uma relação direta Cabeça-corpo da igreja, mas demonstrar que o Cristo como cabeça de tudo foi dado à sua igreja. Essa igreja é o seu corpo onde ele preenche e dá sentido, cuidando e agindo em amor para com ela.

Portanto, não podemos fazer essa inferência para a igreja em Ef 1:20-23, pois o verso 23 demonstra o porquê que Paulo escreve sobre o corpo, pois Cristo o preenche e completa-o. Isso quer dizer que se Cristo é soberano e Senhor de principados e potestades, a sua igreja estará segura, mesmo que no momento ainda esses principados não estejam debaixo de seus pés totalmente. Somente no porvir (Rm 16:20; 1 Co 15:24,25; Hb 10:12,13)

3. Análise de Lucas 10:19


"Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano."

Precisamos admitir que esse texto pode levar alguém facilmente a aderir que Satanás esteja debaixo de nossos pés. Primeiro, por causa dos tempos verbais gregos "dar" e "pisar" que estão no presente didömi / patein que demonstra um tempo continuo. Esse tempo usado por Jesus nos evangelhos demonstra uma certa autoridade nas palavras.
Depois, as expressões serpentes e escorpiões demonstram que se referem aos demônios, pois na segunda parte do verso Jesus afirma sobre todo o poder do inimigo.

Portanto, temos que admitir que Jesus está dando uma promessa à sua igreja através dos seus discípulos, pois os evangelistas tinham uma intenção doutrinária ao escrever os seus evangelhos. Se alguém não aceita esse texto para igreja, fica difícil aceitar os da grande comissão, pois todos foram dirigidos aos apóstolos especificamente também.
O que precisamos notar é que esse pisar em serpentes e escorpiões não são a mesma coisa de afirmar que Satanás está debaixo dos nossos pés, pois isso acontecerá somente depois (Rm 16:20). Esse pisar significa que Jesus nos deu autoridade sobre o poder das trevas e, por isso, podemos resisti-los sem nos causar danos (Tg 4:7; 1 Pe :9). Essa expressão de Jesus precisa ser interpretada segundo o Salmo 91:11-13, onde afirma:

"Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. 12 Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra. Pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e a serpente."

Os próprios discípulos foram abatidos diante de um demônio em um jovem, mesmo recebendo a autoridade de expulsá-los:

"Tendo Jesus convocado os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios, e para efetuarem curas (Lc 9:1)."
" ...Um espírito se apodera dele, e, de repente, o menino grita, e o espírito o atira por terra, convulsiona-o até espumar; e dificilmente o deixa, depois de o ter quebrantado. Roguei aos teus discípulos que o expelissem, mas eles não puderam (9:39,40)."

Jesus ainda disse que certas castas somente saem com oração e Jejum (Mt 17:21). Isso demonstra que a batalha não é tão simples como pensamos, mas apesar de termos poder e autoridade para pisar nas investidas do maligno, precisamos entender que ele ainda está em plena batalha contra nós como um adversário num ringue e como um leão (Ef 6:12; 1 Pe 5:8).

Esse pisar não é a mesma coisa do que Cristo fará. As imagens são diferentes. Uma diz respeito a resistir os adversários e seu poder sob o poder de Deus, a outra, diz respeito a pisar o inimigo em uma batalha definitiva. Uma é temporária e que até podemos ser abatidos, a outra é definitiva e decisiva. A segunda ainda não aconteceu. Anthony Hoekema, falando dessa passagem em seu livro A Bíblia e o Futuro, escreve: "Resta dizer que essa vitória sobre Satanás, embora decisiva, ainda não é final, uma vez que Satanás continua ativo durante o ministério subseqüente de Jesus (Marcos 8:33; Lucas 22.3 e 3:1".

4. Em que consiste a nossa vitória sobre Satanás


Vem uma pergunta imediata diante do fato que Satanás ainda esteja em plena guerra conosco, frente a frente e rugindo como um leão: afinal de contas, em que consiste a nossa vitória em Cristo?
O apóstolo João afirmou por duas vezes no mesmo contexto que temos vencido o Maligno:

"Pais, eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno. Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai. Pais, eu vos escrevi, porque conheceis aquele que existe desde o princípio. Jovens, eu vos escrevi, porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós, e tendes vencido o Maligno (1 Jo 2:13,14)."

Precisamos responder essa pergunta observando nas Escrituras em que consiste a nossa vitória sobre Satanás, já que o tempo verbal para vencer nikaö usado por João é o perfeito. Portanto, tem o sentido extensivo de resultado. Isso demonstra uma vitória que aconteceu no passado e estende-se até agora. Na verdade, a nossa vitória sobre Satanás aconteceu na cruz, mas ainda não se manifestou totalmente, pois ainda temos que lutar contra o poder de Satanás. Então em que consiste a nossa vitória sobre Satanás no momento?

4.1. Não somos mais manipulados ou possuídos por ele


O apóstolo Paulo ensinou bem claro que a manipulação extensiva e a possessão são daqueles que ainda não foram redimidos.

"...Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência (Ef 2:2)."

Paulo afirma que "outrora, antes" andastes pote periepatësate – aoristo indicativo demonstrando que aconteceu uma vez por todas. Antes, tínhamos as nossas vidas segundo os demônios. Os espíritos operavam em nós que éramos chamados de "filhos da desobediência". Eles nos dominavam, seja de uma forma direta ou indireta, mas em Cristo, fomos livres dessa ação demoníaca. Embora que se tenha que admitir que Satanás possa usar ainda um crente (Mc 8:33; 2 Tm 2:25,26), mas isso não é contínuo ou que chegue à possessão, pois Paulo ensina que fomos selados pelo Espírito Santo da Promessa e que ele habita em nós (Ef 1:13; 4:30; 1 Co 6:19).

Muitos usam o texto de Ef 4:27 para comprovar a possessão de crentes, mas o substantivo grego topos quer dizer não somente lugar, mas oportunidade (At 25:16 [no original topon te apologias laboi Peri tou enklëmatos "que receba oportunidade de defesa da acusação"]; Rm 12:19; 15:23; Hb 12:17). Paulo está deixando claro que podemos dar oportunidade para que o diabo nos ataque nas áreas exortadas e sejamos abatidos na batalha, desmoralizados, desanimados ou anulados no avanço do Evangelho, pois no verso 30 Paulo afirma que fomos selados uma vez por todas esphragisthëte (aoristo passivo). Portanto, não é base para a possessão de demônios na vida de um crente.

Precisamos notar que podemos ser abatidos num determinado combate por Satanás, seja por oportunidade ao diabo que damos, seja porque estamos diante de uma situação que exigirá mais oração, jejum e perseverança.
Paulo não negou que podemos ser abatidos. Ele afirma:

"...perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos (2 Co 4:9)."

Paulo usou o verbo kataballö usado na LXX (Septuaginta) para batalha entre inimigos e povos rivais. Paulo admite que podemos ser abatidos, mas não destruídos. Notem que Paulo foi impedido de ir a determinado lugar por Satanás:

"Por isso, quisemos ir até vós (pelo menos eu, Paulo, não somente uma vez, mas duas); contudo, Satanás nos barrou o caminho (1 Ts 2:18)."

O verbo para barrar é enkoptö era usado para impedir estradas e o caminho de alguém. Paulo afirma que ele foi impedido mais de uma vez de ir a Tessalônica por Satanás. Não sabemos os detalhes e nem por que ele foi impedido, mas ele teve o discernimento e registrou isso inspirado pelo Espírito Santo. Se Satanás estivesse debaixo dos pés de Paulo, seria difícil pensar que Paulo fora abatido por Satanás e impedido por ele, principalmente que era para pregar o Evangelho.

Outro exemplo é a carta que Jesus mandou à igreja de Esmirna:

"Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida (Apocalipse 2:10)."

Quem está escrevendo é o próprio Jesus que venceu e tinha sido louvado pela sua vitória como o Cordeiro que tomou o livro e abriu os seus selos. Porém, aqui Jesus escreve que terão alguns que Satanás prenderá para serem provados e teriam uma tribulação de 10 dias.

A mesma coisa na igreja de Pérgamo:

"Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás, e que conservas o meu nome e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita (Ap 2:13)."

Antipas, apesar de ser uma fiel testemunha, por habitar no que Jesus chamou de trono de Satanás, foi morto e abatido, mas não destruído porque Jesus o recebeu depois.
Portanto, podemos ser abatidos como numa batalha, pois Satanás ainda não está destruído totalmente porque o Senhor não o pisou definitivamente. Isso acontecerá somente na sua vinda em glória e poder (1Co 15.24,25; Hb 10.12,13; 2Ts 2.8; Ap 20.10).

4.2. Suas acusações não têm mais valor por causa da redenção de Cristo


A Bíblia afirma que Satanás é o nosso acusador (Ap 12.10). O seu outro nome é chamado de diabolos, que quer dizer "aquele que lança em rosto ou aquele que acusa". Éramos, antes, escravos das acusações de Satanás devido os nossos pecados e nossa natureza. Paulo ensina que fomos livres de toda acusação e condenação.

"Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte (Rm 8:1,2)."

"Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós (Rm 8:33,34)."

4.3. Autoridade de expulsar os demônios


A vitória de Cristo nos deu autoridade de expulsar os demônios e enfrentá-los no poder do Espírito Santo. Jesus tinha dado essa autoridade aos seus discípulos:

"Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano (Lc 10:19)."

Jesus deu autoridade aos seus discípulos que se estende à sua igreja, confirmado na sua subida aos céus:

"Estes sinais hão de acompanhar aqueles que creem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas (Mc 16:17)."

Essa autoridade implica na vitória de Cristo na cruz que os despojou e os humilhou, dando-nos autoridade para expulsá-los e resisti-los em oração e jejum (Cl 2:14,15).

5. O Já e o Ainda-não do Reino


A Igreja precisa entender e viver consciente dessa grande tensão entre o que Hoekema chamou de "a tensão entre o já e ao ainda-não". Ele escreve em seu livro A Bíblia e o Futuro o seguinte:

Vimos que aquilo que caracteriza especificamente a escatologia do Novo Testamento é uma tensão subliminar entre o "já" e o "ainda-não". O crente, assim ensina o Novo Testamento, já está na era da escatológica mencionada pelos profetas do Antigo Testamento, mas ainda não está no estado final. Ele já experimenta a presença do Espírito Santo em si, mas ainda espera por seu corpo ressurreto. Ele vive nos últimos dias, mas o último dia ainda não chegou.

Hoekema demonstra essa tensão entre o Reino que se manifestou e o Reino que se consumará na vinda de Jesus Cristo. Assim também, com respeito a Satanás. Ele já foi vencido uma vez por todas na cruz, mas ainda não consumou essa vitória totalmente. Ele ainda age com sagacidade, ferocidade e ardis. A Igreja precisa entender que o diabo ainda não foi destruído totalmente que acontecerá quando Jesus vier em sua glória e poder (2 Ts 2:8).

A tensão do "Já" e o "Ainda-não" precisa ser levada a sério, porque Satanás ainda pode nos abater e deixar-nos no chão, mesmo que já sejamos vitoriosos em relação à salvação. Podemos perceber isso nos ensinos de Paulo aos coríntios:

"...Em nome do Senhor Jesus, reunidos vós e o meu espírito, com o poder de Jesus, nosso Senhor, 5 entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor Jesus (1 Co 5:4,5)."

A igreja ainda não tem Satanás debaixo dos seus pés, embora que ele já foi humilhado e derrotado por Cristo na cruz. A posição de Satanás é de linha de frente guerreando com toda a sua fúria para nos abater e frustrar os desígnios de Deus.

Conclusão


A vitória de Cristo não nos exclui da batalha diária contra a força das trevas e dos demônios que tentam nos abater lançando suas setas inflamadas.

Satanás não está ainda debaixo de nossos pés, embora que Jesus nos deus autoridade para expulsar os demônios, mas poderemos ser abatidos se dermos oportunidade topos ao diabo ou se estivermos numa situação de conflito maior com demônios como Antipas que foi morto num lugar que Jesus chamou "Trono de Satanás".

A consequência de não levarmos em conta isso é o descuido da vigilância e da batalha espiritual. Se Satanás está debaixo dos nossos pés, por que vigiar e cuidar para não ser abatido? Se ele está debaixo de nossos pés, resta-nos agora descansar, pois não temos o que temer ou vigiar.

Jesus ainda não pisou a Satanás definitivamente, como foi mostrado. Isso acontecerá somente na ocasião da sua vinda em glória e poder.

Portanto, a posição de Satanás não é debaixo de nossos pés, mas à nossa frente, pronto para nos derrubar ou como um leão pronto para nos atacar. Devemos vencê-los firmes na fé, conscientes que é maior aquele que está em nós do que aquele que está no mundo e o domínio está nas mãos do nosso Deus (1 Jo 4:4; 1 Pe 5:11).