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domingo, 19 de dezembro de 2021

O QUE REALMENTE A BÍBLIA SIGNIFICA PARA VOCÊ?

"Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente" (Isaías 40:8).
No último, 12 de dezembro, o segundo domingo do mês, foi comemorado o Dia da Bíblia. Infelizmente, essa data escolhida para imaginar esse maravilhoso e confrontador livro, é ignorada pela maioria esmagadora dos cristãos — em todas as suas principais vertentes (católica, protestante e espírita). Principalmente na atual geração, a devida comemoração que essa emblemática data merecia, é cada vez mais rara, exceto pelas denominações mais tradicionais, como a Metodista e a Presbiteriana, por exemplo.

Mas, independente de se ter ou não um dia para comemorar a Bíblia, o que venho propor aqui neste artigo, é uma reflexão sobre o significado que ela tem em nossa vida. Para isso, precisamos analisar como procedemos em relação ao que é considerado importante para nós. Para isso, não é preciso muita divagação. A resposta é simples: tudo o que consideramos como importante: 1) nós valorizamos e 2) nós priorizamos. E aí, meu querido, minha querida, a lista fica por conta de cada um de nós.

O significado da Bíblia


A Bíblia é a Palavra de Deus, a Sagrada Escritura, que afirma e garante nossos direitos e deveres espirituais. Trata-se de uma biblioteca completa, contendo 66 livros inspirados pelo Espírito Santo.

Em nossa jornada espiritual, a Bíblia é o mapa e a bússola que nos mostra o caminho da salvação. Em relação às obras de Deus, ela é o manual do fabricante.

A Bíblia é a carta de amor que o Senhor enviou aos homens. É o alimento e o remédio para as nossas almas. Nas batalhas contra o mal, ela é a espada. No vale da sombra da morte, é lâmpada e luz. É a fonte da sã doutrina, única regra de fé e prática.

Sobre sua produção


Sua produção envolveu aproximadamente 40 escritores durante um período de 1500 anos. Deus usou pessoas comuns e homens nobres, pescadores, poetas, profetas, sacerdotes, reis e outros tantos para produzirem o livro sagrado.

A Bíblia é o maior best-seller de todos os tempos, o livro mais traduzido e o mais vendido, uma obra incomparável, indestrutível e insuperável.

Apesar de todo o conhecimento humano, os sábios deste mundo são incapazes de produzirem um livro que se aproxime da Bíblia em todos os seus aspectos. Os livros didáticos precisam ser substituídos a cada ano, mas a Bíblia é sempre atual. Como disse Jesus:
"Os céus e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar" (Mateus 24:35).
Mas, por que acreditamos nela? Suas palavras são vivas. Suas profecias se cumprem. Entre as muitas provas de sua veracidade, podemos citar a nação de Israel e a Igreja do Senhor Jesus, que nasceram nos tempos bíblicos e continuam existindo nos nossos dias, a despeito de toda a oposição do inimigo.

Sobretudo, o poder da Palavra de Deus se manifesta nas vidas transformadas pelo evangelho.

Se a Bíblia é a Palavra de Deus, por que ela foi escrita por homens?


O Deus infinito e transcendente se revela ao homem de forma pessoal e proposicional, de modo a dar-lhe um conhecimento claro e objetivo acerca de Sua natureza, obra e vontade. Isso significa que Ele decidiu se comunicar de forma especial conosco em termos humanos e inteligíveis. Para tanto, ele escolheu certas pessoas para serem suas porta-vozes neste mundo.

Então quando falamos que a Bíblia é a Palavra de Deus, também estamos afirmando sua inspiração divina. Em outras palavras, a Bíblia só pode ser a Palavra de Deus se ela for mesmo inspirada por Deus — visto que seus escritores eram homens como nós.

Mas há inúmeras evidências dentro da própria Bíblia que atesta sua inspiração. O apóstolo Paulo, por exemplo, escreve que 
"...toda a Escritura é inspirada por Deus…" (2 Timóteo 3:16). 
A palavra "inspirada" traduz o grego theopneustos, que significa literalmente que a Escritura foi "soprada por Deus".

Então o próprio Espírito de Deus operou de forma sobrenatural na vida das pessoas que foram escolhidas por Ele para registrarem Sua Palavra. No processo de composição das Escrituras, Deus guardou essas pessoas do erro e as inspirou a registrar com perfeita precisão Sua Palavra expirada.

Porque o Dia da Bíblia?


O Dia da Bíblia é mais uma oportunidade para valorizarmos este tão maravilhoso presente que o Pai nos deu. Para que ela chegasse às nossas mãos, alto preço foi pago por escritores, copistas e tradutores.

Ela não foi feita para ser enfeite nem amuleto, mas uma fonte de conhecimento espiritual. Por isso, é fundamental a leitura e a meditação em sua mensagem sejam constantes em nossas vidas.

Você já parou para pensar no porque de tanta gente, entra ano e sai ano, insiste em tentar desacreditar a veracidade da Bíblia e/ou se levantar ferozmente contra ela? Há muitos que não perdem tempo e nem poupam esforços na tentativa de conseguir êxito nesse inglório intento.

Relatos de algumas pessoas importantes sobre a Bíblia


"Eu tenho muitos livros que não posso me sentar para ler; são na verdade, bons e sadios, mas como centavos, é preciso juntar muitos para ter ainda assim uma pequena quantia; há livros prata, e uns pouquíssimos livros ouro, mas eu tenho um livro que vale por todos eles, chama-se Bíblia!" — John Newton  (☆1725/✞1807)

"Enquanto alguns procuram erros na Bíblia e enganos nas traduções… Um homem sincero, com a Bíblia aberta, sem dúvida encontrará bem depressa o que há de errado consigo mesmo" — A. W. Tozer (☆1897/✞1963).


"A Bíblia parece uma orquestra sinfônica, tendo o Espírito Santo como seu maestro; cada instrumento foi trazido voluntária, espontânea e criativamente para tocar suas notas exatamente como o grande maestro queria, embora nenhum dos músicos pudesse ouvir a música como um todo" — J. I. Packer (☆1926/✞2020).

Versículos que dão base para a veracidade eterna da Bíblia


• "Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho" (Salmo 119:105).
• "Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso" (Pv 30:5,6).
• "Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim" (João 5:39).
• "E que desde a tua meninice sabes as sagradas Escrituras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus. Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; Para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra" (2 Tm 3:15-17).
• "Sabendo primeiramente isto: Que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo" (2 Pedro 1:20-21).

 

A suficiência da poderosa Palavra de Deus


Algumas pessoas dizem crer no poder da Palavra de Deus, mas rejeitam a autoridade e a suficiência da Bíblia. Outros não chegam a rejeitar a autoridade da Bíblia, mas aceitam outras fontes como autoridades equiparáveis a ela. Isso obviamente é um grande erro! A própria Bíblia é a Palavra de Deus e não há nenhuma outra fonte que nos permita conhecer a Deus de forma especial além dela.

Na Carta aos Hebreus lemos que antigamente Deus falou muitas vezes e de muitas maneiras através dos profetas, 
"...mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo..." (1:2) 
O Filho é o
"...resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentado todas as coisas por sua palavra poderosa" (1:3).
Aqui alguém pode perguntar: Mas como Deus fala através do Filho hoje? A resposta não pode ser outra se não através da Bíblia. Na mesma Epístola aos Hebreus isso fica muito claro, pois o escritor bíblico cita exaustivamente as Escrituras do Antigo Testamento para falar da divindade, autoridade e superioridade de Cristo.

Em outras palavras, ele basicamente ensina que se hoje alguém quiser ouvir a voz de Deus através do Filho, então deve recorrer às Escrituras, somente a elas. Isso está de acordo com o que o próprio Cristo afirma sobre si mesmo e sobre o caráter das Escrituras. Ele diz que são as Escrituras que testificam dele (Jo 5:39).

Conclusão


Então nunca devemos tentar substituir a Palavra de Deus escrita por qualquer outro padrão de autoridade final. Lamentavelmente muitas pessoas buscam ouvir a voz de Deus de outras fontes e procuram novas revelações e direções além da Bíblia. 

Mas a verdadeira Igreja de Cristo possui apenas uma única bussola para guiá-la. A Bíblia é suficiente, é clara, é infalível, é inerrante e é a autoridade suprema de Deus que nos guia em toda verdade – ou melhor, ela mesma é a verdade absoluta (Sl 119:160; Jo 17:17).

Se a Bíblia é a Palavra de Deus, não podemos tentar melhorá-la ou acrescentar nela outras palavras. Tudo o que Deus decidiu que soubéssemos sobre Ele está revelado em Sua Palavra. Definitivamente Ele não se esqueceu de nada! Então seguramente podemos afirmar que a Palavra de Deus é poderosa e suficiente.

Entretanto, são muitos aqueles que, com seus corações endurecidos, ouvem a Palavra de Deus mas nunca entendem, vêem mas nunca enxergam (Mt 13:13-15; Marcos 8:18). Por isso sabemos que somente aqueles que recebem a iluminação do Espírito Santo é que podem estar convencidos da autoridade e do poder da Palavra de Deus (1 Coríntios 2:14).

Agradecemos a Deus, todos os dias, por nos ter dado tão precioso tesouro, de valor inestimável e efeitos eternos.


A Deus toda glória.
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E nem 1% religioso.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

ACONTECIMENTOS — OS 60 ANOS DA TRAGÉDIA NO GRAN CIRCUS: 503 MORTOS!

Toda cidade tem muitas histórias. Nem sempre a historiografia sobre as cidades reconhece essa multiplicidade e procura submeter a compreensão da história urbana a variáveis gerais e constantes que costuram a cidade e a representam como unidade de elementos complementares, num tempo linear. 

Nessa abordagem os acontecimentos da vida urbana não têm lugar e são transferidos para o plano da crônica da cidade. A historiografia sobre a cidade acompanha assim uma tendência geral da historiografia do século XX, especialmente a que se consagrou em plano internacional a partir da década de 1950 ao afirmar uma abordagem que valoriza acima de tudo uma interpretação estrutural e de caráter abrangente da história, em contraposição a uma historiografia cronológica de base factual. Instalou-se, portanto, um contexto historiográfico de negação do acontecimento.

Há exatamente 60 anos, o Brasil registrou o incêndio com maior número de vítimas da história do País. A tragédia no Gran Circus Norte-Americano provocou a morte de mais de 500 pessoas, a maioria criança, durante uma tarde quente em Niterói, Rio de Janeiro, no dia 17 de dezembro de 1961. É sobre este triste capítulo da historiografia dessa cidade do estado fluminense que iremos relembrar no texto de mais um artigo da série especial Acontecimentos.

A chegada do Gran Circus Norte-Americano no Rio de Janeiro


A equipe do Gran Circus chegou no Rio de Janeiro em 1961 uma semana antes da data prevista para sua estreia, e se instalou na Praça Expedicionário, na cidade de Niterói. 

O circo possuía cerca de 60 artistas — como palhaços, equilibristas e mágicos — 150 animais (quase todos mortos no incêndio) e 20 empregados para tomar conta de tudo.

Ao contrário do que o nome sugere, o circo não era americano e sim brasileiro. Seu proprietário era Danilo Stevanovich, era um Gaúcho natural da cidade de Cacequi, e membro de uma família com 7 irmãos.

A estreia do espetáculo do Gran Circus Norte Americano aconteceu no dia 15 de dezembro de 1961, uma sexta-feira. Neste dia o circo ultrapassou o limite de espectadores e Stevanovich teve que suspender a venda de ingressos.

O que causou o incêndio do Gran Circus em Niterói?


Por ter poucos funcionários para a montagem do circo, que demorava muito e exigia muita mão de obra, Danilo Stevanovich teve que contratar por volta de 50 funcionários temporários. 

Um dos contratados apresentava problemas mentais e já tinha passagem na polícia por furtos, seu nome era Adílson Marcelino Alves, mais conhecido como "Dequinha".

Por conta de seu comportamento, acabou sendo demitido. Dequinha ficou inconformado com sua dispensa e passou a rodear as imediações do circo nos dias seguintes. No dia da estreia Dequinha tentou entrar escondido no circo, mas foi impedido por Edimílson Juvêncio, o treinador de elefantes.

No dia seguinte a estreia, 16 de dezembro, houve uma discussão entre Dequinha e o arrumador Maciel Felizardo nas imediações do Gran Circus Norte-Americano. Isso por que Dequinha acreditava que Maciel era o grande culpado por sua demissão. Dequinha foi agredido, reagiu e jurou vingança.

O plano de Dequinha para atear fogo no Gran Circus Norte-Americano


Com a intenção de implementar sua vingança, no dia 17 de dezembro de 1961 Dequinha se reuniu com dois comparsas, a fim de atear fogo no circo. 

José dos Santos, o "Pardal" que cumpria 10 anos de prisão por furto, mas havia obtido uma licença do diretor do presídio e Walter Rosa dos Santos, o "Bigode", um morador de rua e alcoólatra.

Os 3 juntamente as companheiras de Pardal e Bigode, Dirce Siqueira de Assis e Regina Maria da Conceição respectivamente, se encontraram no Ponto de Cem Réis na região central da cidade.

A caminho do circo Bigode comprou de um posto de combustível, 1 litro de gasolina por 20 cruzeiros. Enquanto Dequinha e Bigode entram sem pagar, Pardal e as mulheres ficaram bebendo do lado de fora. Quase no final do espetáculo Dequinha teria percebido que Maciel Felizardo o havia notado. Teria dito então a Bigode, que estava na hora.

Mesmo sendo advertido por Bigode da grande lotação, Dequinha estava decidido a seguir com sua vingança. Os dois saíram do circo e chamaram Pardal e as mulheres. Bigode jogou a gasolina e Dequinha ateou fogo.

Um crime sórdido


O governador do Rio de Janeiro na época, Celso Peçanha, protagonizou um interrogatório dos suspeitos durante a apresentação deles à imprensa. 

Na ocasião, assim como já o efetuara na delegacia, Dequinha confessou o crime, ao contrário de Bigode, que em um primeiro momento se declarou inocente. 

Somente após um depoimento realizado na Delegacia de Ordem Política e Social (Dops), órgão notório por suas torturas, se declarou culpado.

Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão e mais 6 anos em um manicômio judiciário. Pardal recebeu 14 anos de prisão e mais 2 em uma colônia agrícola. A condenação de Bigode foi de 16 anos de prisão e mais 1 em colônia agrícola.

Dirce Siqueira de Assis e Regina Maria da Conceição chegaram a serem detidas mas foram absolvidas.

O incêndio no Gran Circus Norte Americano


Não se sabe ao certo em que horas os 2 atearam fogo na lona do circo, mas a 20 minutos de acabar o espetáculo, às 15h45 o fogo foi notado. 

A primeira pessoa a notá-lo foi a trapezista Antonietta Stevanovich, que era irmã de Danilo, dono do circo e apresentava a atração final ao lado de Vicente Sanches e Santiago Grotto.

O desespero se instalou, muitas pessoas morreram pisoteadas na tentativa desesperada de sair daquele inferno. Os corpos empilhados impediam a passagem de outros enquanto o derretimento da lona parafinada, segundo testemunhas, fazia chover labaredas entre as pessoas.

Em poucos minutos o Gran Circus Norte-Americano, com pouco mais de 3.000 mil espectadores foi completamente tomado pelas chamas. Morreram de imediato, 372 pessoas, número que foi crescendo até chegar a 503 nos dias seguintes. Foram mais de 800 pessoas feridas. 70% dos mortos foram de crianças, fato que causou revolta e muita tristeza em toda a população.

A tragédia poderia ter sido ainda pior no número de mortos se não fosse pelo elefante fêmea chamada Sema. No meio do pânico ela escapou de sua jaula e arrebentou a lona do circo, abrindo caminho para que muitos pudessem se salvar.

O material de que era feita a lona do Gran Circus, foi um dos fatores agravantes no incêndio. Feita de algodão e revestida de parafina era altamente inflamável e com certeza ajudou o fogo a se propagar de forma muito mais rápida.

Atendimento às vítimas do Gran Circus


Como se o incêndio já não fosse tragédia suficiente, naquele dia 17, a população teve que arrombar a porta do Hospital Antônio Pedro, o maior de Niterói na época. 

O Hospital estava inativo havia 20 dias, devido a uma greve de acadêmicos que defendiam melhores condições de atendimento aos pacientes.

O exército convocou os médicos grevistas através do rádio, teatros e cinemas de Niterói e cidades vizinhas interromperem seus espetáculos a fim de descobrir se havia médicos na plateia.

A dimensão da catástrofe foi tão grande que padres tiveram que ser chamados às pressas, para dar a extrema-unção às vítimas sem esperança. Marcou também, a chegada ao local do então Presidente da República, João Goulart, que foi dar apoio as vítimas e acompanhar o desenrolar da tragédia.

A presença do Presidente mostra como foi uma catástrofe sem precedentes, que chocou o Brasil e o mundo. Até hoje, 60 anos depois, este ainda é o incêndio com maior número de mortos da história do Brasil e é considerada a maior tragédia na história circense.

Com cerca de 60 artistas, 20 empregados e 150 animais, o circo chegou à cidade de Niterói uma semana antes da estreia e escolheu a praça Expedicionário, na avenida Feliciano Sodré, no Centro, para se instalar.

A montagem da estrutura demandava tempo e mão-de-obra. Cerca de 50 trabalhadores avulsos foram contratados para colocar o Norte-Americano de pé. Entre os temporários estava Adílson Marcelino Alves, conhecido por Dequinha, que possuía passagem por furto e supostamente tinha algum transtorno mental.

Após tomar os depoimentos de funcionários do Gran Circus Norte Americano, a polícia ficou sabendo das ameaças de Dequinha e acabou capturando-o cinco dias após o ato criminoso, no morro Boa Vista. Pardal e Bigode, os cúmplices também foram detidos pelo polícia.

Comoção Nacional e Mundial com a tragédia do Gran Circus Norte Americano


Não fosse o trabalho e a doação de sangue e materiais de voluntários, o número de mortos poderia ter sido ainda maior do que foi. 

Doações chegaram de vários lugares do Brasil e do exterior. A Argentina contribuiu com medicamentos e uma equipe composta por cirurgiões e enfermeiras para trabalhar no Instituto Nacional de Queimados. 

Os Estados Unidos enviaram uma série de materiais médicos e medicamentos. Chile, Uruguai e outros países também fizeram doações e manifestações de pêsames e apoio as vítimas.

Celso Peçanha, que na época era Governador do Estado do Rio de Janeiro, utilizou presos considerados de bom comportamento, na abertura de sepulturas no cemitério de Maruí. Além disso, convocou todos os marceneiros e carpinteiros da cidade para construir caixões.

O Papa João XXIII mandou rezar uma missa em homenagem aos mortos e ainda doou boa quantia de dinheiro para auxiliar no tratamento das vítimas que haviam sobrevivido. 

Após visitar o hospital e ver os queimados o Presidente Jango, acompanhado de seu primeiro ministro Tancredo Neves, disse ter visto "o espetáculo mais triste" de sua vida e isolado em um canto, chorou.

Ato de vingança ou relapso do proprietário do Gran Circus


Apesar da história atribuir a tragédia a um ato criminoso, existem pessoas que creem em outra tese, a de falta de segurança contra incêndio adequada nas instalações do circo. 

Segundo declarações de Stevanovich, "só mesmo um crime" poderia justificar a tragédia que aconteceu ali. Lógico que essa era a melhor saída para ele, caso contrário, seria responsabilizado.

Vale ressaltar que dois circos de propriedade de Danilo, Búfalo-Bill e o Shangri-lá, também pegaram fogo em 1951 e 1952. Ele continuou na atividade até sua morte em 2001.

Um dos artistas do circo, o palhaço Doracy Campos, conhecido como Treme-Treme passou anos declarando que as instalações elétricas eram inadequadas.

Na época a imprensa noticiou problemas que havia no circo, como:
  • Instalações Elétricas precárias;
  • Falta de extintores;
  • Falta de saída de emergência.
Opositores do Governador Celso Peçanha o acusavam de encobrir os verdadeiros fatos para não ser responsabilizado. Pois o circo tinha sido autorizado a funcionar, mesmo que não apresentasse as condições necessárias.

A atuação do renomado Médico Cirurgião Ivo Pitanguy


Na época o jovem Pitanguy ainda não tinha a fama que tem hoje, e era professor na PUC-RJ. Naquele dia estava a caminho do trabalho quando escutou as notícias no rádio. Prontamente dirigiu-se até o Iate Clube do Rio, onde ficava sua lancha particular. 

De lá atravessou a Baía de Guanabara para chegar até Niterói e auxiliar as vítimas. Durante muito tempo Pitanguy continuou a tratar as vítimas da tragédia do Gran Circus Norte-Americano na Santa Casa, em São Paulo.

Este episódio exigiu dos médicos criatividade e busca de novas técnicas no tratamento. Isso colocou o Brasil na liderança da cirurgia plástica no mundo e propiciou um dos casos pioneiros de uso de pele liofilizada.

Avanço da medicina


Além dos mortos, muitas vítimas tiveram partes dos corpos queimadas e precisaram de atendimento médico. Devido ao elevado número de pacientes, voluntários e médicos de todo o País e do mundo se dirigiram ao Rio de Janeiro para auxiliar nos tratamentos.

Argentina e Estados Unidos foram algumas das nações que enviaram suprimentos médicos e alguns cirurgiões para ajudar no socorro às vítimas.

Homenagem do palhaço Carequinha as vítimas do Gran Circus Norte-Americano


O cemitério de Maruí, em Niterói, por seu tamanho, não tinha como comportar os mais de 500 mortos. Foi então que George Savalla Gomes, mais conhecido como palhaço Carequinha, ajudou a financiar do próprio bolso a construção de um cemitério na cidade de São Gonçalo, vizinha de Niterói. 
Após sua morte em abril de 2006, carequinha foi enterrado neste mesmo cemitério.

Conclusão


Oficialmente, 503 indivíduos faleceram devido ao incêndio. No entanto, o número é contestado: alguns acreditam que a quantidade de vítima pode ser, pelo menos, o dobro do informado pelas autoridades da época.

A hipótese de acidente foi levantada por peritos, que declaram à imprensa que 
"o circo não tinha condições de funcionar"
devido às irregulares presentes no local. No entanto, tanto o Corpo de Bombeiros quanto o diretor do Serviço de Censura do Estado do Rio sustentaram que o estabelecimento estava em boas condições.

A Polícia optou por sustentar a tese de incêndio criminoso e evitou atribuir alguma culpa ao dono do local, que afirmava que "só mesmo um crime” poderia justificar a tragédia.

Em outubro de 1962, Dequinha foi condenado a 16 anos de prisão, além de seis anos de internação em um manicômio judiciário. Bigode também foi sentenciado a 16 anos, mas com um ano em colônia agrícola. Já Pardal recebeu a pena de 14 anos de prisão, sendo dois anos em colônia agrícola.

Após mais de uma década encarcerado, Dequinha fugiu, mas foi assassinado menos de um mês depois. Ele foi encontrado com 13 tiros no alto do morro Boa Vista, em Niterói, próximo a torres de transmissão. 

A Polícia não conseguiu achar o autor do homicídio. Após cumprirem pena e serem soltos, Bigode e Pardal desapareceram, segundo o jornalista Mauro Ventura, autor do livro "O Espetáculo Mais Triste da Terra — O incêndio do Gran Circo Norte-Americano" (Companhia das Letras, 352 páginas, 2011).

[Fonte: Diário do Nordeste;  Ofos, por Vítor Fernandes — Diretor na OFOS com mais de 10 anos de experiência no mercado de prevenção e combate a incêndios; Jornais Folha de São Paulo (acervo digital), O Estado de São Paulo (acervo digital), O Globo (acervo digital); Portais Terra, Aventuras na História, globo.com, A Tribuna RJ; Revista Super Interessante; Programa de TV Linha Direta da Globo]

A Deus toda glória.
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

QUAL O LEGADO QUE ESSA ATUAL GERAÇÃO DE CRISTÃOS DEIXARÁ?

 
"Não remova os marcos antigos que os seus pais colocaram" (Provérbios 22:28).
Legado é um termo normalmente usado na área jurídica. É o conjunto de ações que alguém deixa por escrito para uma ou várias pessoas. Esta ação é colocada em prática através de um documento ou testamento pelo qual são estabelecidos os bens e pertences deixados para uma pessoa, no caso o legatário juridicamente falando.

A ideia de legado vai além da esfera jurídica. Na verdade, utiliza-se também para indicar tradições, instituições, ideais ou valores que tenham sido herdados por parte de uma comunidade.

Cada população tem seu próprio legado histórico e cultural. É transmitido de geração em geração e não é necessariamente algo material, uma vez que a mentalidade e certos costumes fazem parte do legado recebido.

Se tomarmos como referência o mundo ocidental, seu legado tem uma origem precisa. Por um lado, o Direito Romano já mencionado, embora também haja o pensamento grego (mais particularmente através da filosofia, da arte e da cultura em geral), assim como os valores do cristianismo, da liberdade política e dos direitos sociais.

O legado em seu sentido histórico nos permite entender que o presente é a consequência lógica do passado e que nossa realidade tem raízes profundas. Inclusive nossos ideais não são normalmente próprios, pois a maiorias das avaliações pessoais fazem parte do legado compartilhado.

Legado Espíritual


Na Bíblia existem versículos que tratam sobre transmitir à próxima geração, anunciar à próxima geração, os feitos do Senhor, o caráter do nosso Deus. Em Deuteronômio repete-se muito sobre encucar a Palavra de Deus nos filhos, na casa. 

A Igreja tem uma missão, mas também é uma missão dos pais, não é só da Igreja, a Igreja não pode fazer só, a família também não pode fazer só e podemos dizer que uma mão ajuda a outra. Para que? Para manter os nossos filhos no caminho do Senhor.

Paulo, além de escrever e ter zelo com várias igrejas, ele também teve o cuidado individual sobre vidas. Ele tinha quatro "pupilos", quatro jovens que ele investiu pesadamente: Timóteo, Tito, Filemon e Onésimo. Foram homens para os quais Paulo transmitiu coisas do coração dele e, isso fez com que eles pudessem retransmitir aspectos que Paulo tinha na sua própria vida — como homem e ministro de Deus que exercia uma paternidade espiritual.

Entendido o conceito de legado, prossigamos.

Mergulhar na Bíblia ou em uma banheira de creme de avelã?


Como nos distanciamos daquele padrão excelente do cristianismo nascedouro. Quão empobrecido tornou-se o zelo e fervor pelo avanço do Reino de Deus pela pregação do evangelho. Quando vou aos livros de história da Igreja, sou levado a um profundo entristecimento e extrema vergonha, pelo fato de que, através deles, descubro que faço parte da pior geração de Cristãos que já pisou este solo. 

Os registros dos três primeiros séculos da era cristã me consomem ao ponto de às vezes questionar-me se realmente posso ser chamado cristão. Partindo dos discípulos e apóstolos do senhor Jesus Cristo, há uma extensa lista de homens que selaram com sangue as verdades que lhes foram confiadas por Cristo, pelo seu santo evangelho.

Vale lembrar que Saulo, antes de sua conversão, era um vil assassino de crentes . Entrava nas casas e arrastava os crentes para a prisão e morte . Era impiedoso e mal, não poupava ninguém, antes incitava que maltratassem os que decidiram servir a Cristo (Atos 8:3, 22:4; 1 Timóteo 1:13,13). Ele que segurou as roupas daqueles que apedrejaram Estevão, o primeiro mártir (At 7:58). 

Quando teve o encontro com Cristo, Saulo estava com cartas nas mãos que o autorizavam a barbarizar os que fossem do "Caminho" (At 9). Depois de convertido, as coisas não ficaram melhores para o, agora, Paulo. Ele foi preso por diversas vezes, levou chicotadas, foi apedrejado e teve de se fingir de morto. O perseguidor agora era perseguido e glorificava a Deus por isso!

O legado da Igreja Primitiva


Quem já estudou, ainda que superficialmente, a história da Igreja, sabe o que nossos irmãos passaram para terem o privilégio de servir a Deus. O livro de Atos ilustra em detalhes o que os primeiros cristãos sofreram para que a Igreja tivesse continuidade. Vejamos:
  • Estevão  — foi expulso da cidade e apedrejado até à morte.
  • Tiago, filho de Zebedeu  — foi morto quando Herodes Agripa chegou como governador da Judeia.
  • Filipe  — foi açoitado, lançado na prisão e depois crucificado (cerca de 54 d.C.).
  • Mateus  — sofreu o martírio pela espada (cerca de 60 d.C.).
  • Matias  — foi apedrejado em Jerusalém e decapitado.
  • André  — ao chegar a Edessa, foi preso e crucificado numa cruz, duas extremidades da qual foram fixadas transversalmente no chão.
  • Marcos  — foi arrastado aos pedaços pelo povo de Alexandria, diante de Serapis, ídolo dos pagãos.
  • Pedro  — foi condenado à morte e crucificado em Roma.
  • Paulo  — foi levado a um lugar privado fora da cidade onde foi decapitado pela espada.
  • Judas  — foi crucificado em Edessa cerca de 72 d.C.
  • Bartolomeu  — foi cruelmente espancado e crucificado pelos idólatras de lá.
  • Tomé — foi morto por sacerdotes pagãos com uma lança que lhe atravessou o corpo.
  • Lucas — foi supostamente enforcado numa oliveira pelos sacerdotes idólatras da Grécia.

O legado apostólico


Os apóstolos foram mortos pelos seus perseguidores e não negaram o nome de Cristo. Quase todos provaram de uma morte violenta e dolorosa (com exceção de João que foi enviado para uma prisão perpétua na Ilha de Patmos), mas consideraram isso um ganho, visto que agora herdaram a Vida. A morte para eles era a ida para a Casa. O reencontro com Cristo, agora glorificado!

Já no segundo século Inácio de Antioquia foi lançado às feras do Coliseu, Policarpo foi queimado vivo, Justino Mártir e tantos outros milhares de crentes em Cristo foram decapitados, devorados pelas feras na arena, queimados vivos, apedrejados e outras inúmeras outras formas de martírios sofridos por homens que entenderam a mensagem do evangelho de Cristo e por ela deram suas vidas, a maioria, jamais saberemos seus nomes. 

Homens e mulheres que ardiam pelo testemunho fiel do evangelho que receberam e não tiveram suas vidas por mais importante que esse testemunho. Homens que a terra não era digna. Viviam para glória de Deus.

Muita coisa mudou no percurso da história cristã. Conquistamos muitas coisas supérfluas, frívolas e perdemos por demais as vitais. Queria estar equivocado, mas meus olhos e ouvidos atestam a triste realidade do que nos tornamos. Falo principalmente pela realidade eclesiástica brasileira, que não sofre nem a casquinha da perseguição que a igreja dos primeiros séculos sofreu, e ainda assim se vende aos baldes. 

Não suportam correção, são amantes de prazeres, viciadas em si, desprovidas de amor pelas almas, rebeldes e arrogantes. Ainda existe alguns boçais dizendo que isso é anacronismo, que não posso interpretar um tempo pelo outro, que isso ficou lá e estamos em outro tempo. Me pergunto o que essas pessoas ainda fazem dentro da igreja. Essa mensagem moderna gerada pela mente desses fariseus modernizados só podem produzir frutos podres, iguais ou piores que eles mesmo.

Jesus nos deu o modelo da sã doutrina pela qual devemos empenhar toda nossa vida em cumpri-la. Se não olharmos para o bom fruto da igreja primitiva e para os que dentro de seus contextos ao longo da história, procuraram viver piedosamente aos moldes daquele padrão, para onde olharemos? Quais serão nossos modelos? Essa geração confusa? Creio que não!

Os apóstolos cumpriram seu legado guardando esse modelo, e morreram por isso. Seus discípulos fizeram o mesmo e morreram. Os que amaram esse evangelho, provaram do mesmo cálice e andaram pelo mesmo caminho. Como eu posso desejar ser diferente do modelo que o meu senhor me deixou apenas para ser agradável e poupar minha vida ou para ser bem visto pela cultura eclesiástica prostituída atual? 

Seria estranho para mim se fosse amado pela tal. Chamaram Paulo de tagarela, chamaram os apóstolos de idiotas sem instruções. Chamaram meu Jesus de louco, o que posso esperar sendo servo dEle? Se me chamam de fundamentalista, fico imensamente feliz em saber que não estou em consonância com essa geração creme de avelã que aí está. Tínhamos tudo para ser a igreja mais forte de todos os tempos, contudo, somos a mais fraca e mimada.

Legado?

 

Somos uma geração que tem envergonhado de forma recorrente o Evangelho. No Brasil somos mais de 50 milhões de Evangélicos e isso não representa absolutamente nenhuma mudança no país. Pelo contrário, nossa nação vai de mal a pior!

Uma geração que não crê na Bíblia


Há quem pense que eu exagero nesse ponto, mas prefiro ir aos fatos. A maior prova de que os cristãos da nossa geração não crêem na Bíblia é que ela tem sido desprezada. 

A grande maioria dos crentes não tem o hábito de leitura, claro que isso se reflete na sua meditação bíblica. Preferimos caixinhas de promessas à Bíblia; culto da vitória com a irmã Doquinha, aquela que revela o RG à escola dominical ou ao discipulado; eventos à pregação. A Bíblia, que deveria ser, a nossa única regra de fé e prática foi renegada do meio dos crentes.

Existe crentes que defendam que estudar a Bíblia mata a fé, porque a letra mata. Me pergunto como essas pessoas conhecem a Jesus, se não pela palavra de Deus (João 5:39)?!

Somos uma geração mimada


Enquanto há poucas décadas a preocupação dos cristãos era viver uma vida digna do chamado de Cristo e, pela graça de Deus, alcançar os perdidos, demonstrando o amor de Cristo por eles, atualmente queremos mostrar para os perdidos que somos abençoados e que Deus dá carro zero, casa em condomínio fechado e empresas. 

O conceito de benção agora é quase que unicamente material. Se está passando por dificuldades, sejam quais forem, é porque Deus não está abençoando. A igreja primitiva pensava exatamente o contrário, que as dificuldades aperfeiçoaram a fé e davam a oportunidade de testemunhar a Cristo com seu sangue.

Temos medo da morte!


"Ave Maria dos Crentes!" Deus me livre de morrer! Infelizmente esse é o pensamento de muitos crentes. É óbvio que ninguém deve desejar a morte, a não ser que ela seja e meio para estar com Cristo pela eternidade. O problema é que a maioria tem medo de morrer porque sua família ficará desamparada ou porque não tem certeza de sua salvação. Em ambos os casos, isso pode ser resumido como falta de fé!
  • No primeiro caso, do medo de sua família passar necessidade — o sujeito crê que quem promove o sustento de sua família é ele e não Deus. Se realmente tivesse fé que é Deus quem o sustenta, não se preocuparia com sua falta, porque Deus continua com sua família, mesmo após sua partida.
  • No caso da incerteza da salvação — a falta de fé no sangue purificador de Cristo e sua graça. Como ensinado em muitas igrejas, o sacrifício de Cristo não foi suficiente e é você quem se salva, por suas boas obras. Alguém que se diz salvo e vive como um ímpio tem fortes indícios de nunca ter sido salvo.

Conclusão


A menos que consideremos nosso passado e voltemos as bases de onde nunca deveríamos ter saído, não poderemos progredir de forma segura se nos apegarmos aos conceitos modernos de cristianismo e desconsiderarmos nossas bases estruturais. 

Não posso ter essa geração atual como modelo, tendo conhecimento da geração de Estêvão, Paulo, Pedro, Inácio, Policarpo e outros tantos… Há uma necessidade de reconsiderarmos nossa atual concepção de cristianismo, pois, cristianismo sem Cristo é paganismo!

[Fonte: Profes, por Fernando M. — Professor de Teologia Sistemática Reformada; Pregando a Verdade; Conceitos.com]

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES — "LOVE OF MY LIFE", QUEEN

Muitas músicas nos marcam apenas por sua melodia, outras nos marcam pela profundidade e intensidade de sua letra, poucas são as que nos marcam por ambas. É o caso da belíssima canção 'Love of my Life', da icônica banda britânica Queen.

Embora seja difícil, a pessoa pode até não gostar do Queen, não considerar o Freddie Mercury (☆1946/✞1991 — escrevi artigo sobre ele ➫ aqui) o intérprete tão acima da média como é dito pela maioria, mas, independente disso, é quase improvável haver quem não goste de 'Love of my Life'.

Em mais um capítulo de nossa série especial de artigos Canções Eternas Canções, vamos conhecer como surgiu essa que se tornou uma das músicas românticas mais famosas e conhecidas na discografia da banda Queen. A história não é nova, mas é válido sim o registro.

Letra e tradução

'Love of My Life ('Amor da minha vida')'
Queen (Composição: Freddie Mercury)

Love of my life, you've hurt me
Amor da minha vida você me machucou
You've broken my heart
Você quebrou meu coração
And now you leave me
E agora você me deixa

Love of my life, can't you see?
Amor da minha vida, você não vê?
Bring it back, bring it back
Traga de volta, traga de volta
Don't take it away from me
Não tire isso de mim

Because you don't know
Porque você não sabe
What it means to me
O que isso significa para mim

Love of my life, don't leave me
Amor da minha vida, não me deixe
You've taken my love
Voce pegou meu amor
And now desert me
E agora me abandone

Love of my life, can't you see?
Amor da minha vida, você não vê?
Bring it back, bring it back
Traga de volta, traga de volta

Don't take it away from me
Não tire isso de mim
Because you don't know
Porque você não sabe

What it means to me
O que isso significa para mim
You will remember
Você se lembrará

When this is blown over
Quando isso acabar
And everything's all by the way
E tudo por certo

When I grow older
Quando eu crescer
I will be there at your side
Estarei ai ao seu lado
To remind you how I still love you
Para te lembrar como eu ainda te amo

I still love you
ainda te amo
Back, hurry back
Volte, volte rápido
Please, bring it back home to me
Por favor, traga de volta para casa para mim

Because you don't know
Porque você não sabe
What it means to me
O que isso significa para mim

Love of my life
Amor da minha vida
Love of my life
Amor da minha vida

Uma uma história, uma amor, uma canção, uma musa


A banda Queen lançou, em 1975, uma música que só estouraria depois, na gravação ao vivo feita em 1979: 'Love of my Life'. 

A música (cujo título significa 'Amor da minha vida') foi escrita pelo vocalista Freddie Mercury em homenagem a Mary Austin, com quem ele teve um longo relacionamento nos anos 70 e que manteve uma forte amizade até a sua morte, em 1991. 

Sim, a versão original da canção 'Love of my Life', foi lançada no 4º álbum da banda, o emblemático "A Night The Opera", em 1975, mas, não chamou muito a atenção, já que o carro chefe foi outro grande hit da banda, 'Bohemian Rhapsody' (escrevi artigo sobre ela ➫ aqui).

Uma linda história de amor


Mary Austin tinha somente 19 anos quando conheceu Freddie Mercury, que tinha 23, numa loja de roupas muito famosa na Londres de 1970. Brian May, Paul McCartney e Mick Jagger eram clientes da loja — iam muito lá para apreciar as belas jovens que frequentavam o local. Os pais de Mary eram deficientes auditivos e viviam uma vida simples.

Um dado curioso é que Brian May saiu algumas vezes com Mary, que evitava as investidas de Freddie. May reclamava que aquelas saídas entre ele e a moça nunca avançavam. Freddie foi insistindo até que, no seu aniversário de 24 anos, ela aceitou sair com ele.

Freddie ainda não era famoso e ainda tinha pouco dinheiro nesta época. Portanto, seus convites para sair com Mary nunca eram extravagantes. Mas Mary se apaixonou pelo cantor.

Segundo ela em entrevista, descobriu isso no dia em que o grupo se reuniu para escolher o nome da banda. Freddie insistiu muito que o nome fosse Queen e depois de muita discussão, convenceu a todos. Foi então que Freddie diz à Mary:
"a partir de hoje somos Queen e King, você e eu!".
Brian May sempre disse que, apesar de terem sido educados de forma diferente, Mary e Freddie sempre se entenderam bem. Reservados pareciam serem feitos um para o outro. 

Segundo Mary, quando ela foi assistir um show da banda a primeira vez, muitas pessoas rodeavam Freddie após a apresentação e ela resolveu ir embora, pois entendia que aquele era o momento dele. 

Freddie se desvencilhou da multidão, correu e segurou Mary, pedindo que ela ficasse. Mary entendeu ali que ele queria que ela fizesse parte daquilo tudo que estava acontecendo. Os dois então viveram 6 anos de um relacionamento aparentemente exemplar no mundo da música, ainda mais em tempos de amor livre.

A bissexualidade


Na turnê americana de 1976, Freddie teve um caso com o executivo da gravadora Elektra. Ao voltar para Londres, resolveu contar para Mary, tendo coragem de lhe revelar que era bissexual na verdade. 

Mary lidou bem com a revelação, mas decidiu que não queria mais viver aquele relacionamento. Freddie teve certa dificuldade para entender as motivações de Mary, e não a queria longe dele. Como já tinha ganho muito dinheiro àquela altura, comprou-lhe um apartamento e a convenceu a morar ali. 

Freddie a contrata para ser sua secretária e matriarca da família Queen. Mary era tudo em uma só pessoa: mãe, secretária, pessoa de confiança, confidente. E conselheira principalmente, por causa dos excessos da mente intranquila de Freddie.

Doença e morte


Mary com Mercury e Jin Hutton (no centro), seu último companheiro
Mary foi a primeira pessoa a saber da doença de Freddie (que era soropositivo) e cuidou dele até seus últimos instantes. 

Um dia Freddie decidiu enfrentar a morte e recusou-se a tomar a medicação, por saber que seu fim estava próximo, como nunca antes. 

A qualidade de sua vida tinha mudado tão drasticamente e ele estava sofrendo mais dores todos os dias. Ele estava perdendo a visão. Seu corpo cada vez mais fraco, enquanto que sofria com pequenos espasmos.

Momento icônico eternizado no Brasil


Uma das apresentações mais icônicas da história é, certamente, o show do Queen na primeira edição do Rock in Rio, em 1985. 

A banda liderada por Freddie Mercury se apresentou — nos dias 11 e 18 de janeiro  e o primeiro dia teve recorde de público: 300 mil pessoas.

Há exatos 36 anos, em 11 de janeiro de 1985 o Queen não sabia, mas o show transformaria os eventos musicais do Brasil, além de consolidar ainda mais o grupo, mostrando a capacidade de Mercury se conectar à plateia de uma forma única.

O dia foi marcado por exigências de Freddie Mercury, além do clima tenso entre os integrantes do Queen, que estavam brigados na época e pediram camarins separados. Mesmo assim — e apesar das duas horas de atraso da banda — o que ficou, definitivamente, na história, foi o show.

O setlist do grupo incluiu os maiores sucessos, como: 'Love of my Life', 'We Will Rock You', 'We Are the Champions', 'I Want to Break Free' e 'Bohemian Rhapsody'. Inclusive, o momento icônico do público cantando 'Love of my Life' ficou para a história — e foi eternizado pelo filme "Bohemian Rhapsody" (escrevi artigo sobre ele ➫ aqui).

A plateia ficou totalmente conectada com os músicos — que também se emocionaram com o público. Em 'Radio Gaga', as palmas acompanharam a canção com sintonia, e Mercury também fez o público brasileiro repetir os agudos surpreendentes.

Mesmo com muita chuva e lama, o show do Queen é considerado o mais icônico da história do festival — e isso elevou o nível do evento. Afinal, as próximas edições deveriam ser tão boas quanto (só que não, né?). Dessa forma, o Rock in Rio se estabeleceu como o grande festival de música do país, e teve a realização da segunda edição do evento, feita no estádio Maracanã em 1991.

Conclusão


Quando Freddie morreu, Mary herdou metade da sua fortuna, por sua vontade expressa em testamento, bem como ficou incumbida de guardar suas cinzas- que Mary jamais revelou onde estão.

Polêmicas sobre a fortuna Freddie deixou para a mulher boa parte de seus bens, começando pela mansão no estilo georgiano em que o cantor passou seus últimos anos em Garden Lodge (avaliada atualmente em quase R$ 100 milhões) e metade de sua fortuna, além dos futuros dividendos de direitos autorais. 

Freddie dividiu a outra metade do testamento com o companheiro Jim Hutton; seu assistente pessoal, Peter Freestone; e seu cozinheiro, Joe Fanelli. O restante do patrimônio foi rachado por igual entre a irmã e os pais. 

Mary seguiu sua vida pessoal após o término do relacionamento com Freddie. Ela teve dois filhos com o pintor Piers Cameron, sendo Freddie o padrinho de seu primogênito. Anos depois, se casou com o empresário Nick Holford e o relacionamento durou cinco anos.

Da para entender o porque de Mary ter sido a inspiração para esse grande sucesso do Queen, com essa linda história que foi tão bem traduzida em uma letra romântica, mas triste, embalada por uma melodia tão emocionante.
  • Curiosidade: Em 2001, a banda alemã Scorpions também fez sua versão da música, gravada em álbum acústico, ao vivo, em uma irretocável interpretação do vocalista Klaus Meine.
[Fonte: Memória do Rock, por Ivan da Luz (Whiplash.Net); Uol - Entretenimento, por Rodolfo Vicentini]

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