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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

ACONTECIMENTOS – A TRAGÉDIA NO PRÉ-CARNAVAL EM BANDEIRA DO SUL (MG)

E chegou o carnaval. Milhões de pessoas já começam a lotar as cidades de todo Brasil, onde diversos blocos incendeiam os foliões de todas as idades e classes sociais, dando o tom característico do chamado "reinado de Momo". Mas, há exatos onze anos um trágico acontecimento marcou para sempre o Carnaval em uma pequena cidade do Sul de Minas Gerais. Você se lembra?

Acho difícil, já que nós temos por hábito nos esquecer rapidamente das coisas, até mesmo – ou seria principalmente? – daquelas que são ruins. Por exemplo, apesar de ser ainda bem recente, não duvido muito que daqui há alguns anos o crime do rompimento da barragem em Brumadinho cairá no esquecimento da maioria de nós, mesmo tendo sido um acontecimento sem precedentes e que deixou um trágico saldo de centenas de vítimas fatais e tendo 11 ainda desaparecidas. Nestes casos, só mesmo as pessoas diretamente envolvidas são as que não se esquecem desses acontecimentos trágicos.

A tragédia


Pois bem, o ano era 2011, há exatos onze anos. Uma tragédia acabou com o pré-carnaval da cidade de Bandeira do Sul, no Sul de Minas, município a 440 quilômetros da capital Belo Horizonte, que de acordo com o último censo do IBGE, realizado em 2010, conta com 5.340 habitantes. O acidente aconteceu no dia 26 de fevereiro daquele ano e, além das mortes, pelo menos 60 pessoas ficaram feridas. 

A festa era o tradicional "Carnaband", evento de pré-carnaval no município mineiro, que recebia turistas de diversas outras cidades e estados, mas que terminou em tragédia. Na ocasião, um cabo de alta tensão se partiu e atingiu um trio elétrico e foliões que estavam na rua, após o lançamento de serpentinas metálicas na rede elétrica culminando, assim, no rompimento de fios de alta tensão. O rompimento levou um fio energizado a cair no chão e atingir os foliões, durante o desfile de um trio elétrico do "Carnaband 2011", na tarde do domingo. 

As vítimas

Várias versões e uma verdade


No balanço divulgado pelo Corpo de Bombeiros até por volta das 22h daquele dia, pelo menos 16 pessoas tinham morrido e 60 outras ficaram feridas. Testemunhas contaram que a fiação estourou depois de o trio elétrico bater em um poste. Outra versão diz que a rede elétrica teria se rompido depois de ser atingida por um rojão. 

Dançarinos e foliões que estavam sobre o carro ficaram feridos e caíram em chamas de uma altura de pelo menos três metros. Os fios energizados ricochetearam no chão e atingiram quem brincava próximo ao carro de som, que circulava pela Praça Nossa Senhora Aparecida, no Centro da cidade.
"Vi muitas pessoas tendo convulsão, gente desmaiada e outras com o corpo em carne viva. Fui policial e tentei ajudar como pude, mas em alguns casos não havia mais o que fazer. 
A cena era de guerra: mortos espalhados pelo chão e um monte de feridos. Outros corriam em desespero, chorando muito, passando mal. Não vi se o trio bateu no poste, mas ouvi dizer que soltaram um rojão que atingiu a fiação", 
contou uma testemunha, que estava com a família na festa de carnaval antecipado.

O acidente ocorreu por volta das 18h – naquela época, ainda sob a vigência do hoje extinto Horário de Verão –, quando a banda Oba Oba se apresentava no alto do caminhão. Cerca de 5 mil pessoas seguiam o trio elétrico, que no terceiro dia de festa começou a tocar às 14h. No ano anterior, segundo a prefeitura, o evento reuniu mais de 8 mil pessoas. 

Ainda de acordo com os sobreviventes, o socorro chegou rápido, mas não foi suficiente para atender a grande quantidade de feridos. Bombeiros dos municípios de Poços de Caldas e Campestre, cidades limítrofes, seguiram para o local com ambulâncias. Policiais militares de outras unidades também reforçaram as equipes de socorro, que levaram feridos para diversos hospitais da região.
"Só quem viu de perto a tragédia entende o horror que foi. Os corpos das vítimas estavam amontoados uns sobre outros, ainda soltando fumaça e em 'carne viva'. 
Com o rompimento dos fios, a cidade ficou sem luz, sem sinal de celular e o hospital teve dificuldade em atender os feridos. Muitos precisaram ser levados para as cidades próximas. 
O acidente aconteceu por volta das 18h e a praça ficou cheia até mais de 20h, com pessoas perambulando em pânico, à procura de notícias. ", 
disseram as testemunhas e as autoridades.

Conclusão


Vídeo em homenagem às vítimas fatais da tragédia 

A tragédia, que cancelou o Carnaval da cidade nos dois anos posteriores, ainda levou à proibição das vendas de serpentina metálica, após o lançamento de uma lei. Em 2012, a empresa Cemig – Companhia Energética de Minas Gerais – havia sido condenada pela Justiça a indenizar as famílias de 27 vítimas em R$ 255 mil cada. Entretanto, em 2014, o recurso da Cemig foi julgado em segunda instância e a empresa foi isentada de responsabilidade pelo acidente.

O inquérito sobre o acidente que matou as 16 pessoas foi concluído e entregue à Justiça. A polícia concluiu que a ocorrência foi de fato um acidente e que não poderia ter sido prevista. Não houve, portanto, indiciados. A Cemig apontou como causa do acidente uma serpentina metalizada, que foi jogada em um cabo transmissor de energia. O ramal entrou em curto, caiu no chão e atingiu o trio elétrico e as pessoas que estavam no local. 

Segundo os peritos, o acidente não foi responsabilidade de ninguém e o inquérito foi arquivado no Fórum de Campestre, na Comarca de Bandeira do Sul. Até hoje o Ministério Público não decidiu se denunciará alguém pelo caso, mas dois outros laudos periciais de institutos paulistas confirmaram o que foi levantado pela polícia mineira. De acordo com os documentos, o sistema de proteção da rede elétrica, que desativa a energia dos fios, demorou cerca de dois segundos para desligar, tempo suficiente para a tragédia. 

Quanto o Carnaval em Bandeira do Sul, dois anos após a tragédia, aos poucos foi voltando ao normal e hoje já é comemorado normalmente, como se nada tivesse acontecido, afinal, para os que ficaram, é vida que segue, né?


A Deus toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://circuitogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

PAPO RETO – CUIDADO: TEU EGO TE FAZ DE PATETA AO TE FAZER SE SENTIR UM SUPER-HERÓI

* EGO – sm (lat ego) Psicol – Experiência que o indivíduo possui de si mesmo, ou concepção que faz de sua personalidade.
"Tende em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou por usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz" (Filipenses 2:5-8).
Neste artigo vou tratar de um assunto espinhoso: o ego. A Palavra de Deus condena o culto aos ídolos, ao que chamamos de idolatria. Nenhum crente teria em sua casa uma imagem de "santo" à qual dirigiria petições e/ou prestaria cultos. 

É óbvio que não! Mas há um sem número de crentes que têm não em suas residências, mas dentro de si próprios altares erigidos ao ego, fazendo dele, portanto, seu deus. É a "egolatria". Veja abaixo as características de um "ególatra" e veja se há alguma em você. Caso tenha uma que seja, não demore, corra para Deus.

Características do "ególatra"


1] Estar sempre em evidência – o ególatra não suporta e nem aceita a ascensão de outrem. Ele quer sempre estar no centro das atenções. Considerar que alguém pode realizar algo melhor do que ele é uma tortura mortal, pois em sua mente doentia, não existe ninguém que seja melhor do que ele. Absolutamente tudo o que se refira ao ególatra é sempre melhor do que o de qualquer outra pessoa.

2] Perfeccionismo – o perfeccionismo pode ser uma virtude ou um defeito. Sob o contexto do ególatra é um defeito, pois ele se acha perfeito em todos os níveis. Acredita que nunca comete erros e está sempre subestimando os feitos alheios e superestimando os seus. Seu pseudo-perfeccionismo é uma das muletas que usa para sustentar seu ego. Tirando essa muleta ele vai ao chão e descobre ser tão imperfeito como todos os mortais.

3] Estar sempre com a razão – o ególatra quer sempre ter e dar a primeira e a última palavra. Tente confrontar um ególatra e conquistará um inimigo. Ele é sempre inflexível em seus conceitos e não se submete a absolutamente nada que vá contra a "suas verdades absolutas".

4] Acha-se incomparável, insubstituível, extremamente necessário – por ser achar o melhor de todos – ainda que não o seja -, o ególatra, consequentemente se considera necessário para que o universo continue seu curso. Expressões semelhantes a "se eu não estiver presente, nada acontece" ou "se eu sair daqui, essa empresa (ou qualquer outra instituição que seja...) fecha", são comuns aos ególatras. 

5] São auto-confiantes – os ególatras são seguros de si mesmos em extremo e nem sequer consideram a possibilidade de riscos em suas ações. Eles não só se sentem, mas se veem como insuperáveis, megas, máximos, super...

6] Vaidade extrema – são vaidosos, mas em caso extremo chegam ao "narcisismo". A lenda diz que Narciso era um formoso jovem que todos os dias iam contemplar sua própria beleza em um lago. Estava tão fascinado consigo mesmo que um dia caiu dentro do lago e morreu afogado. No lugar onde caiu nasceu uma flor, a que chamaram narciso.

7] Sentem-se atrativos (não necessariamente no aspecto físico) – creem piamente que são as pessoas mais interessantes (em todos os aspectos) do universo. Creem que seu corpo é o mais belo. Creem que impressiona a qualquer pessoa que o conheça. Creem que são os mais inteligentes. Gostam que o elogiem. E não admitem ser criticados em nenhuma hipótese.

8] São megalômanos – querem ter o melhor em roupa, perfume e objetos materiais – tendo ou não condições. São ostensivos.

9] São egoístas – amam-se de forma doentia, avassaladora, mas só a si próprios. O universo deles gravita em torno da circunferência umbilical.

O "antídoto" à egolatria


Eis o ególatra. Como vimos, egolatria é pecado, pois vai contra os princípios bíblicos (vide o texto base). Mas, como se libertar da egolatria? Esvaziando-se de si mesmo.

Esvaziar-se de si mesmo é:
  • 1] Deixar as nossas vontades em último lugar, preferindo a vontade de Deus.
  • 2] Valorizar mais a Deus do que as coisas que as pessoas julgam ter mais importância (dinheiro, fama, beleza, religião, amizades, relacionamentos amorosos etc.).
  • 3] Amar ao próximo da mesma forma que eu me amo, preferindo-o em honra. 
  • 4] Humilhar-se, pois aos humilhados Deus exalta.
  • 5] Ser humilde, abandonar o orgulho, aprender a depender de Deus e nunca desejar estar longe dEle.
  • 6] Amar a Deus acima de tudo e de todos, encher-se de Seu amor.
  • 7] Ser em tudo dependente de Deus.
  • 8] Construir relacionamentos.
  • 9] Ser obediente à vontade de Deus, em detrimento da nossa. 
  • 10] Renunciar, viver, não para si mesmo, e sim para Deus.
Como vemos, não dá para servir a Deus e ao Ego, pois um dos dois ficará insatisfeito por se oporem frontal e essencialmente um ao outro.

A Bíblia vs. o Ego


Gálatas 2:20
"Logo, já não sou eu quem vive, mas cristo vive em mim; e esse viver que, agora, vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim".
Efésios 5:17
"Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor."
Romanos 2:11; 12:10
"Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas."
"Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros."
Filipenses 2.13-11
"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. 
Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. 
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. 
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome. 
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra. E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai."

Conclusão


Preciso falar mais alguma coisa?

A Deus toda glória.
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

LENDA URBANA – O OPALA PRETO

Sem dúvida essa é uma das lendas urbanas mais conhecidas do imaginário popular. Vira e mexe, ela reaparece, sempre com uma nova versão mais mirabolante, causando um grande temor, ainda que por mais fantasiosa que seja. E, agora, em tempos da popularização cada vez mais crescente das redes/mídias sociais/digitais, espalhar – ou, em termo peculiar, viralizar – essa (e outras tantas) lendas se tornou ainda mais fácil e rápido. 

A história, independente de suas versões, tem o mesmo roteiro: um homem num Opala preto sequestrando crianças para retirada e venda de órgãos humanos. Mas se engana quem pense que essa lenda é atual. 

É o que veremos neste primeiro capítulo em 2020 da nossa série especial de artigos sobre as Lendas Urbanas. É uma lenda do Brasil, então sentem, peguem a pipoca e leiam até o final (se possível é claro).

Uma breve história do Opala


O Chevrolet Opala foi um modelo de automóvel fabricado pela General Motors do Brasil. Foi o primeiro automóvel de passeio fabricado pela montadora no país, tendo sido produzido de 1968 a 1992. O Opala foi apresentado ao público brasileiro no Salão do Automóvel de 1968. 

A carroceria do modelo da General Motors foi inspirada no alemão Opel Rekord, mas com estilo e potência parecidas com a do modelo americano Impala, também fabricado pela marca. O nome Opala veio da junção de Opel + Impala. Em um curto período de vendas, houve grande aceitação pelo público, tornando-se um modelo consagrado. 

Fabricado até 1992, o Opala teve diversos usos, como táxis,
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veículos oficiais (veja o detalhe da placa – foto abaixo, à esquerda). Inclusive, o ex-presidente (1956/1951) Juscelino Kubitschek (✰1902/✞1972) e motorista dele, Geraldo Ribeiro, viajavam à bordo de um modelo Opala quando morreram em um grave acidente de automóvel, ocorrido no quilômetro 165, da Rodovia Presidente Dutra, próximo a Resende (RJ – foto abaixo, à direita). 
Resultado de imagem para veículo oficial opalaO carro de Juscelino Kubitschek após o acidente que tirou sua vida
estando na garagem da população comum, 
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além de se tornar viatura de polícia (Caravan)
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dentre outras utilidades, como ambulâncias e carros fúnebres.
Após mais de vinte anos do fim de sua fabricação, o modelo ainda é utilizado como carro diário, também atingindo status de veículo de coleção.

A primeira versão da lenda


Na década de 70, um bandido muito procurado chamado Ubiratã Carlos de Jesus Chavez após ter roubado um Opala preto, morreu em uma colisão com outro carro, após passar no túnel Rebouças (situado no Rio de Janeiro) em uma alucinante fuga da policia. 

No outro carro – que seria um Fusca, da Wolkswagen, outro modelo muito popular na época – havia uma família que voltava de um aniversário. Todos envolvidos no acidente morreram e desde então criou uma lenda que na madrugada um Opala preto aparecia neste mesmo túnel perseguindo o seu carro até causar um acidente e o carro só perderia a velocidade se você lembrasse das almas e rezasse por elas.

A segunda versão


Essa é uma outra super diferente, diria que não tem absolutamente nada haver com a primeira, se não fosse o carro, sendo também a mais popular. Conta a lenda que nos anos 90 um Opala preto, alguns contam somente carro preto (já nem sabemos o modelo) passava e sequestrava crianças que estavam saindo da escola, oferecendo doces com a finalidade de atrai-las para dentro do carro, e por fim as vendiam para o mercado negro, para o tráfico de órgãos. Reza essa versão da lenda que naquela época várias crianças ficaram desaparecidas e outras várias foram encontradas sem órgãos. 

Terceira versão


Em março de 2008 um estranho boato causou confusão em Manaus, na melhor junção Loira do Banheiro (escrevi sobre esta lenda ➫ aqui) e Opala Preto. Conta que em Manaus (AM) o mito de uma mulher, loira, andava pela cidade em um carro preto, acompanhada por um homem e em busca de crianças para "roubar" os órgãos das mesmas.

A confusão ocorreu no dia 12 de Março daquele ano (12 anos atrás), em uma delegacia do bairro Novo Israel. Ao saber que uma mulher, loira, dirigindo um Fox preto, havia sido presa, junto com um homem após perseguição policial pelas ruas da cidade, uma multidão se dirigiu ao 18º Distrito Policial de Manaus para conhecer, de perto, a mulher de quem a lenda falava.

Alguns queriam linchá-la e os policiais militares tiveram de cercar a delegacia para impedir as agressões. Quando os suspeitos chegaram à delegacia, cerca de mil pessoas já estavam na frente do distrito para "pegar" a suposta ladra de órgãos, segundo as autoridades. A multidão, entretanto, havia se enganado de loira. A mulher que acabava de ser detida era suspeita de tráfico de drogas, e não de órgãos. 

No local, um menino de seis anos, levado pelos pais, aguardava a pessoa que, segundo o garoto, havia tentado levá-lo dias atrás. Ao ver chegar a suspeita, disse que a reconhecia. Em seguida, mudou a versão. A loira e o homem não chegaram a ser detidos e, como não houve flagrante, foram liberados em seguida, após os policiais dispersarem a multidão, ao dizerem que o alvo da investigação não tinha relação com tráfico de órgãos. A suspeita era investigada por envolvimento com o tráfico de drogas.

A verdade


De acordo com a Secretaria da Segurança do Amazonas, o que aconteceu não passou de uma "confusão". A assessoria da Polícia Civil informou que as pessoas foram "incitadas" por programas policiais da televisão local que, no início do ano, começaram a veicular reportagens sobre um esquema de tráfico de órgãos em Manaus, comandado por uma mulher loira que dirigia um carro preto pela cidade e arrancava os órgãos de crianças. 

Desde então, diz a assessoria da polícia, a cidade ficou "vidrada" na história. Delegacias recebiam ligações de pessoas em busca de informações sobre o esquema, o que se revelou apenas uma lenda urbana.

Conclusão


Em 2012, não sei se vocês lembram, essa lenda acabou voltando a ter uma repercussão após um boato de um carro preto tentar sequestrar uma criança. E bem mais recentemente, em 2017, ela estava de volta, com a mesma história, só que dessa vez, impulsionada por e-mails e mensagens de WhatsApp. Teve até escolas que chegaram a enviar alertas aos pais sobre os boatos de sumiços de crianças associados ao tal carro preto.
 
E, como em toda Lenda Urbana, essa também tem alguém que "prove por a + b" a veracidade dos acontecimentos. Sempre tem quem conheça uma pessoa, que conheceu uma outra pessoa, que ouviu falar que o filho da vizinha de uma outra pessoa quase foi vítima do sequestrador de crianças em um carro preto, mesmo que, oficialmente, não tenha absolutamente nenhum dado registrado que comprove o suposto ocorrido. É o que sempre digo, todos somos livres para acreditar ou não no que bem quiser. Até mesmo em duendes furta-cores alados.

E você, meu caro leitor, já ouviu alguma versão da Lenda do Opala preto?

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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

MUNDO CÃO: O CASO FAMÍLIA GONÇALVES

Foto: Reprodução Facebook

Em 2002, o Brasil foi impactado pelo assassinato brutal do casal Manfred Albert e Marísia von Richthofen. Na manhã do dia 01 de novembro, os noticiários já repercutiam que os corpos do casal haviam sido encontrados no quarto deles, no interior da residência, uma mansão localizada no bairro do Campo Belo, no Brooklin, zona sul de São Paulo.

Tudo indicava mais um caso de latrocínio, roubo seguido de morte. Eles foram atacados por golpes de ferro na cabeça. De acordo com as investigações, a cena do crime era estarrecedora: ambos com severas lesões na cabeça, havia respingos de sangue no chão, na cama e na parede. No interior da boca da mulher havia sido enfiada uma toalha. 

Apenas o quarto e mais um cômodo da mansão estavam revirados, e, no chão, ao lado do corpo do homem, havia uma arma com somente um cartucho deflagrado. Manfred teve morte instantânea, mas Marísia não morreu na hora, sendo, então, sufocada com um saco na cabeça e em seguida, estrangulada. O crime por si só chocava por sua violência. Mas o pior ainda estava por vir. 

Não demorou muito tempo para que as investigações trouxessem à tona o lado mais surpreendente e estarrecedor do crime. Os autores eram os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos e a mentora intelectual da barbárie - ou seja, o crime tinha sido planejado e comandado pela filha do casal -, a bela Suzane von Richthofen, que na época dos fatos tinha apenas 18 anos de idade. O crime que ficou conhecido como "O Caso Richthofen", teve repercussão internacional e durante meses foi a principal manchete nos órgãos de imprensa.

O homicídio fora movido pela seguinte razão: a família von Richthofen não aprovava o relacionamento amoroso entre Suzana (rica e culta) e Daniel (mais humilde e menos culto). A solução adotada pelo casal foi pragmática, ceifar a vida dos pais de Suzane. Para execução do plano, eles contaram com o bad boy Cristian, irmão mais velho de Daniel.

Tendo como patriarca um engenheiro alemão, naturalizado brasileiro, e matriarca uma renomada psiquiatra, a base familiar dos Richthofen era constituída de uma educação rígida. Pelos relatos dos vizinhos, a família era muito discreta, dificilmente faziam festas na residência. Suzane, aos 18 anos, cursava Direito e falava três idiomas. A família ainda tinha outro integrante, Andreas, na época com 15 anos de idade, que foi poupado pelos criminosos.

Após a execução do plano, os criminosos resolveram simular um latrocínio, pois, dessa forma, sem a presença dos pais, Suzane poderia viver com seu namorado e, além disso, ganharia parte da valiosa herança deixada pelos seus pais.
 

Da vida real para o cinema


"A menina que matou os pais" e "O menino que matou meus pais". Os dois esperados longas vão contar a história do caso Suzane von Richthofen, divididos nas versões dela e do namorado, Daniel Cravinhos (veja o trailer acima).

Nas produções, Carla Diaz interpreta a criminosa Suzane von Richthofen e Leonardo Bittencourt dá vida ao papel de Daniel Cravinhos. A ideia de lançar dois filmes para contar as versões diferentes foi tomada para deixar o material o mais fiel possível, levando em conta o que foi narrado pela dupla nos depoimentos.

Com estreia marcada para dia 2 de abril, ambos filmes serão exibidos em sessões de cinema alternadas nas mesmas salas.
  • Escrevi artigo completo sobre este caso ➫ aqui.

2002/2020 – 18 anos depois, a história se repete

Da vida real para a realidade


Romuyuki, Flaviana e Juan

Pois é, quem dera essa história macabra tivesse ficado apenas nos registros policiais ou nas telas dos cinemas. São Paulo, na madrugada de 28 de janeiro, os bombeiros encontraram corpos carbonizados de três pessoas de uma mesma família em um carro em chamas na área rural de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

As vítimas são os empresários Romuyuki Veras Gonçalves, 43 anos, Flaviana de Meneses Gonçalves, 40 anos – que era proprietária de duas perfumarias – e o filho adolescente deles, Juan Victor Gonçalves, 15 anos. Os três foram torturados e mortos, em decorrência de pauladas, segundo a investigação.

Exames feitos pela polícia indicaram a presença de sangue na casa da família. Segundo a investigação, o reagente químico Luminol apontou a existência de manchas de sangue humano nas escadas, roupas e máquina de lavar da residência. 

A família morava em um condomínio fechado em Santo André. Ainda de acordo com as investigações, Romuyuki e Juan foram torturados e assassinados dentro de casa. Flaviana foi levada ainda com vida, amarrada e amordaçada no banco traseiro de seu veículo importado, com os corpos do marido e do filho no porta-malas, sendo executada no local onde o carro foi incendiado.

Uma das linhas da investigação indicavam que os investigados e procurados queriam assaltar a casa da família Gonçalves. E que lá dentro mataram o empresário e o filho caçula com pancadas nas cabeças e depois os levaram no porta-malas do carro da família para um matagal, onde o veículo e os corpos foram encontrados carbonizados. 

O ponto estarrecedor nessa história, é o fato de a filha mais velha e a namorada serem investigadas por suspeita de terem planejado o crime.

De acordo com o que familiares das vítimas disseram, parentes estiveram no imóvel e disseram que ele estava "revirado e com manchas de sangue" em diferentes cômodos. À princípio, a polícia não comentou essas declarações, mas depois ouviu essas pessoas.

Desdobramento


Carina Ramos, 31 anos e Ana Flávia Menezes Gonçalves, 24 anos, foto: reprodução Instagram

O desfecho desse caso é tão – ou mais – estarrecedor que o do primeiro. As responsáveis pelo triplo homicídio são, de acordo com as investigações, a própria filha do casal, Ana Flávia e a companheira dela, Carina. Segundo a Polícia Civil, elas são suspeitas porque entraram em contradição nos depoimentos que deram e, além disso, câmeras de segurança mostram a entrada de saída dos carros de Ana Flávia e dos pais dela do condomínio em Santo André.

Os vídeos também gravaram Carina no local. Ela entra a pé no residencial com o rosto escondido pelo capuz da blusa que vestia. Os investigadores informaram que as namoradas passaram mais de seis horas no condomínio onde os pais e o irmão moravam.

Ainda de acordo com a polícia, as duas elaboraram o plano para matar a mãe, o pai de Ana Flávia e o irmão dela, e teriam contado com a ajuda de pelo menos mais três homens. A motivação do crime ainda não foi esclarecida pela polícia. 

Em depoimentos de familiares foi informado que houve uma briga familiar por causa da transferência de um carro, que teria gerado uma discussão acalorada da família dias antes das três mortes. Os investigadores encontraram a casa revirada e disseram que, quem matou também levou embora eletrodomésticos, joias e dinheiro – R$ 8 mil em moeda nacional e estrangeira. 

Também foi levada uma arma antiga quebrada, que pertenceu ao avô da suspeita, Ana Flávia. Familiares das vítimas disseram à polícia que as namoradas Ana Flávia e Carina tinham um relacionamento conturbado com o casal Romuyuki e Flaviana.

Carina, inclusive, teria sido proibida de frequentar a casa dos sogros. Ela namora Ana Flávia há dois anos e as duas viviam separadas da família, numa comunidade, também em Santo André.

O pai de Ana Flávia não aceitava o relacionamento entre as duas. O motivo não seria homofobia, – os pais, inclusive, já haviam sido os padrinhos do casamento da filha com uma outra mulher – mas desavenças com Carina. Apesar das evidências, Ana Flávia e Carina negam o crime, segundo a defesa delas.

Quem são os suspeitos do crime

  • Ana Flávia Martins Meneses Gonçalves, de 24 anos – filha do casal Flaviana e Romuyuki e irmã de Juan Victor, está detida no estão detidas no 7º Distrito Policial (DP) desde 29 de janeiro; ela nega participação no crime.
  • Carina Ramos de Abreu, de 26 anos – namorada de Ana Flávia há 2 anos, também está detida desde 29 de janeiro e nega participação no crime.
  • Juliano de Oliveira Ramos Júnior, de 22 anos – primo de Carina, foi detido em 3 de fevereiro e está em uma cadeia para presos provisórios em São Caetano do Sul; em depoimento, confessou envolvimento nas mortes e acusou de participação tanto Ana Flávia quanto Carina. Juliano tem passagem por roubo.
  • Guilherme Ramos da Silva – comparsa citado em depoimento por Juliano, também é conhecido como Lipe ou Massa, segundo a polícia; está preso.
  • Michael Robert dos Santos dos Anjos – comparsa citado em depoimento por Juliano, também conhecido como Marco, segundo a polícia; está preso.
Segundo a polícia, em depoimento em 4 de fevereiro, Juliano confessou envolvimento na morte e acusou a Ana Flávia e Carina de participação no crime. Ele disse que os três e mais dois comparsas se reuniram dois dias antes do crime para planejar o roubo à casa da família.

O grupo, segundo Juliano, sabia que havia no imóvel R$ 85 mil. Como não acharam o dinheiro no cofre da residência, torturaram a família. Carina e Ana Flávia teriam concordado com o grupo em matar as vítimas. De acordo com o depoimento de Juliano, Carina foi quem matou Flaviana. Ainda de acordo com ele, durante a sessão de tortura de pai e filho, ela teria sussurrado no ouvido do Juan que ele iria morrer.

Relatou ainda que o roubo de R$ 85 mil foi planejado junto com Carina e Ana Flávia e outros dois homens. O grupo, segundo Juliano, não localizou o dinheiro no cofre da residência. Até a postagem deste artigo, a polícia tentava identificar quem é o sexto suspeito.

Conclusão

Quem foi o senhor Romuyuki Gonçalves?


Sobre esse crime bárbaro ocorrido em São Bernardo do Campo, em que a filha planejou a morte dos pais e do irmão, a cada revelação das investigações a gente fica mais perplexo. 

Desde o início desse caso eu tentava e não conseguia entender o nome do chefe da família. Resolvi pesquisar e li: Romuyuki Gonçalves. Um nome diferente. E quem é esse pai que tudo fez e tudo ofereceu para essa filha ingrata?

Pelo currículo, tratava-se de uma pessoa muito inteligente e batalhadora. Um piauiense arretado mesmo, que estudou muito, trabalhou muito e até escreveu um livro. Inaceitável esse crime. Eu daria prisão perpétua para ela e os demais envolvidos. Até quando iremos continuar vendo tantas ocorrências tão medonhas quanto essa? Até onde irá a irracionalidade do ser humano? 
  • Se alguém quiser conhecer mais sobre Romuyuki, aqui vão dois links: 
  1. o currículo dele; 
  2. o livro dele.
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