Total de visualizações de página

sábado, 20 de junho de 2026

📚ESTANTE DO LÉO📚 — "A FÁBRICA DE CRETINOS DIGITAIS", MICHEL DESMURGET

Reprodução Paulus Editora
Neste capítulo da nossa série especial de artigos especiais Estante do Léo, trazemos como sugestão/indicação, o excepcional e necessário livro "A Fábrica de Cretinos Digitais (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)", que convida o leitor a uma ampla reflexão sobre os impactos do uso das telas digitais no desenvolvimento infantil.

Lemos esta obra como recomendação para uso do seu conteúdo como ferramenta para os atendimentos terapêuticos e a leitura tornou-se uma edificante e gratificante imersão em dos planetas no vasto universo das Neurociências.

Sobre o autor


Reprodução da internet
Michel Desmurget (✰1965), é um dos mais prestigiados neurocientistas do mundo.
Doutorado em Neurociências, é diretor de investigação do INSERM (Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale), o Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica.

Com livros traduzidos em vinte países, Desmugert, nascido de pai francês e mãe alemã, ele construiu uma carreira internacional sólida e consolidou-se como um dos pesquisadores mais prestigiados de sua área.

Carreira


Viveu por quase oito anos nos Estados Unidos, onde conduziu pesquisas em instituições de elite como o MIT, a Universidade Emory e a Universidade da Califórnia, San Francisco (UCSF).

Além de diretor de pesquisa no INSERM, ele trabalha no Instituto de Ciências Cognitivas Marc Jeannerod (vinculado ao CNRS e à Universidade de Lyon).

Michel Desmurget (nascido em 1965), tornou-se amplamente conhecido por suas pesquisas sobre a neurociência cognitiva e por suas críticas contundentes aos impactos negativos do uso excessivo de telas e mídias digitais no desenvolvimento infantil e na saúde mental, que lhe serviram como bases para sua obra literária, que se tornou ferramenta recomendada para uso acadêmico.

Por menos telas, por favor!


Reprodução Vecteezy
"A Fábrica de Cretinos Digitais", revela, de forma bem contundente e com argumentos incontestáveis, que a exposição excessiva a telas (smartphones, tablets, TV...) prejudica o desenvolvimento neurológico infantil.


Desmurget escreveu a obra num momento em que as atuais gerações dedicam um grande tempo de suas vidas para interações online.
Como renomado especialista na neurociência — ou seja, quem está falando não é o nenhum "Zé Mané" na fila da padaria —, o autor alerta que, pela primeira vez na história, os "nativos digitais" estão apresentando um Quociente de Inteligência (QI) médio inferior ao de seus pais.

Portanto, é um livro que instiga a pensarmos sobre a saúde física, mental e intelectual de crianças, jovens e adultos e nos provoca a aprendermos a conviver e nos relacionarmos de uma maneira saudável com as telas.

O livro também derruba o mito de que as tecnologias digitais tornam as crianças mais inteligentes ou são ferramentas inofensivas.

Dependência algorítmica

O livro ainda traz à tona a urgente reflexão sobre o uso de telas na infância.

É fato evidente que o uso de telas faz parte da infância contemporânea.

Todos (ou quase todos) os dispositivos digitais conectados na internet — ou seja: equipamentos capazes de coletar, processar e trocar dados online — estão presentes em praticamente todos os lares e, muitas vezes, tornam-se recursos para entretenimento, aprendizado e até regulação emocional das crianças.
No entanto, quando o uso deixa de ser equilibrado, surgem preocupações reais sobre dependência digital e impactos no neurodesenvolvimento infantil.
O termo tempo de tela refere-se ao período que a criança passa interagindo com dispositivos digitais, como smartphones, tablets, televisões, computadores e jogos digitais.

E esse tempo pode incluir atividades passivas, como assistir vídeos, ou ativas, como jogos e aplicativos interativos.
Os algoritmos que definem o que aparece nas telas de TikTok, Kawi, YouTube e Instagram, por exemplo, têm influenciado diretamente o comportamento de crianças e adolescentes.
Ou seja, algoritmos são conjuntos de regras usados para processar dados e tomar decisões.

No universo digital, isso significa decidir quais vídeos, produtos ou anúncios cada pessoa verá primeiro.

Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, por exemplo, usam essa ferramenta para reter atenção do usuário, sugerindo conteúdo baseado em preferências e histórico de navegação.

Esses sistemas, que personalizam vídeos, anúncios e sugestões de conteúdo com base no histórico de uso, podem tanto estimular o aprendizado quanto reforçar vícios digitais, padrões de consumo e até visões radicais.

O problema surge quando o uso:
  • É excessivo em relação à idade;

  • Substitui experiências essenciais, como brincar, interagir, explorar o ambiente, estudar e dormir;

  • Gera irritabilidade, ansiedade ou crises quando interrompido;

  • Compromete o desempenho escolar, o sono ou as relações sociais.
Nesses casos, fala-se em uso problemático ou dependência digital, um padrão comportamental que merece atenção e intervenção precoce.

O algoritmo não é o lobo-mau


A exposição a anúncios e sugestões de compras também merece atenção. Muitos influenciadores são usados por marcas como atrações para fomentar o consumismo no público infanto-juvenil.
Crianças podem ser levadas a consumir de forma impulsiva ou acreditar que precisam adquirir certos produtos para se sentirem incluídas. 

De acordo com o livro, é de fundamental importância que os pais usem esses momentos como oportunidades para desenvolver a educação financeira e o senso crítico nos filhos.

Por outro lado, os algoritmos também podem ser aliados no processo de descoberta de novos interesses, desde que usados com orientação.

Pais, responsáveis, com o auxílio pedagógico dos educadores, devem incentivar buscas ativas por conteúdos enriquecedores (Sim, eles existem, basta ter foco e paciência para garimpá-los!) e ensinar os pequenos a avaliar a confiabilidade das informações que consomem.

Como as telas atuam no cérebro em desenvolvimento?

Reprodução Instagram
Este é outro tópico muito bem desenvolvido no livro. O cérebro infantil passa por um período intenso de neuroplasticidade, especialmente nos primeiros anos de vida.

Isso significa que as experiências vividas moldam diretamente as conexões neurais responsáveis por atenção, linguagem, autorregulação emocional e funções executivas.

Jogos digitais e redes sociais são projetados para ativar o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a liberação de dopamina.

Esse mecanismo, quando ocorre de forma repetitiva e intensa, pode:
Imagem criada por IA
  • Favorecer a busca por gratificação imediata;

  • Dificultar o desenvolvimento da tolerância à frustração;

  • Prejudicar a capacidade de atenção sustentada;

  • Reduzir o interesse por atividades menos estimulantes, porém essenciais, como leitura, brincadeiras simbólicas e interações sociais.
O Contraste no Vale do Silício

Reprodução da Internet
Um dos argumentos mais fortes citados no livro é o paradoxo do Vale do Silício
(Silicon Valley, o original fica na região sul da Baía de São Francisco, no estado da Califórnia, Estados Unidos. Ele não é apenas uma cidade, mas um aglomerado de várias cidades voltadas para a tecnologia, como Palo Alto, Mountain View, Cupertino e San José: os grandes executivos, desenvolvedores de tecnologia e fundadores de redes sociais adotam restrições rigorosas em suas próprias casas).
Muitas vezes, eles proíbem seus próprios filhos de usar dispositivos digitais ou matriculam-nos em escolas tradicionais que restringem ou banem o uso de telas.

Desmurget, não poupou esforços para trazer em sua obra números atuais e reveladores sobre como a dinâmica que criamos com as telas influenciam em nossa vida, mais diretamente sobre a forma que aprendemos e exercitamos nossa memória.

A imersão precoce promovida pelas empresas de tecnologia focadas em busca de dados desvia nossos processos internos, direcionando para interesses pessoais e corporativos, fazendo com isso afete desde nossa cognição, nossa gestão emocional, linguagem, coordenação motora, até o distanciamento que desenvolvemos do contato, da troca, das situações que envolvam afetos. A linguagem é acessível e fluída.

O que os adultos podem fazer?

As dicas contidas na obra

Reprodução ADS Brasil
A primeira recomendação é desmistificar os algoritmos: mostrar às crianças como funcionam esses sistemas, explicando que eles usam preferências anteriores para recomendar vídeos, produtos e perfis.
Essa compreensão fortalece o pensamento crítico e evita que aceitem passivamente tudo o que veem.

Outra estratégia importante é ensinar a influenciar os próprios algoritmos, usando ferramentas como "ver menos disso" ou seguindo perfis diversos.

Isso ajuda a construir um ambiente digital mais plural e saudável.

Estabelecer limites de tempo de uso, incentivar pausas e promover atividades fora da tela são atitudes importantes para reduzir o impacto nocivo do consumo contínuo.

Ferramentas como, por exemplo, o ESET HOME Security, podem auxiliar nesse processo, com recursos de controle parental e filtragem de conteúdo.

Por fim, manter o diálogo aberto é essencial. Conversar com as crianças sobre o que elas veem online, por que certos conteúdos não são recomendados e incentivá-las a refletir sobre as escolhas que são práticas e que fazem a diferença.

Ou seja, é despertar o senso crítico da criança e ensiná-la a importância e as consequências oriundas de suas escolhas.

Conclusão

Reprodução da Internet
Ao contrário do que se imagina, a obra não é anti-tech, ela só nos leva ao debate de que o digital tem, sim, possibilidades positivas e que pode nos ensinar muita coisa, mas que depende de nós estarmos dispostos a exercer uma posição ativa e não passiva em relação aos conteúdos e dinâmicas promovidas pelas redes.
Pois se o foco for apenas em consumo (seja no produto, seja no serviço, ou seja na obtenção de dados), estamos fadados a um mundo onde a saúde mental estará sempre sujeita ao Outro neste processo, o que, por si só, já é motivo de angústias diversas.
Para pais e educadores, pode servir como um guia estrutural de novas formas de acolhimento, nem que seja para causar insights que possam trazer mudanças no cotidiano e estabelecer posicionamentos críticos embasados quando ao uso das telas.

Porque quanto mais nos sentimos íntimos delas, mais nos distanciamos do nosso desejo, do social, do enfrentamento da realidade.
E, como diz o livro logo em sua abertura, se os grandes gurus da tecnologia estão proibindo que seus próprios filhos usem telas quando crianças, o que essa mensagem tão óbvia está querendo nos dizer?

Ficha Técnica: 

  • A Fábrica de Cretinos Digitais — O Perigo das Telas Para Nossas Crianças (La fabrique du crétin digital : Les dangers des écrans pour nos enfants)

  • Autor: Michel Desmurget

  • Tradutor: Mauro Pinheiro

  • Ano de publicação: 2021, 1ª Edição

  • Gênero: Psicologia

  • Editora Vestígio, 590 Páginas
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário