Vou ser bem sincero: não suporto mais o período chamado de louvor e adoração, na liturgia do culto de certas igrejas.
Primeiro pela teologia rasa nas letras da maioria das músicas entoadas.
A impressão que fica, é que os tais "ministros de louvor", ao invés de orarem ao Senhor, buscando direção sobre os cânticos que deverão ser entoados (afinal, a princípio, o louvor e a adoração é para Ele, logo, ninguém melhor do que Ele para saber o que quer ouvir), eles vão é pesquisar quais são os hits gospel do momento, para montarem aquelas famigeradas listinhas.
Primeiro pela teologia rasa nas letras da maioria das músicas entoadas.
A impressão que fica, é que os tais "ministros de louvor", ao invés de orarem ao Senhor, buscando direção sobre os cânticos que deverão ser entoados (afinal, a princípio, o louvor e a adoração é para Ele, logo, ninguém melhor do que Ele para saber o que quer ouvir), eles vão é pesquisar quais são os hits gospel do momento, para montarem aquelas famigeradas listinhas.
Segundo que são músicas teologicamente risíveis, composições musicais rasas, melodicamente enfadonhas e em que o foco das letras recai sobre o ser humano, suas necessidades, conquistas e sentimentos, em vez de focar exclusivamente na natureza ou na glória de Deus.
É muita parafernália tecnológica, muita técnica, muita performance e nenhuma unção.
É muita parafernália tecnológica, muita técnica, muita performance e nenhuma unção.
Essas músicas horríveis, medonhas, pavorosas mais parecem mantras hindus, trilha de relaxamento para sessão de yoga e têm refrões que se repetem infinitamente. Suas principais características são:
- Foco no "Eu" — As letras costumam ser centradas nas vitórias, na superação de problemas pessoais ou na exaltação do indivíduo perante seus "inimigos".
- Deus como Coadjuvante — Deus é frequentemente apresentado como um "gênio da lâmpada", um garantidor de bênçãos materiais ou alguém servil, que trabalha para satisfazer os desejos e o bem-estar do fiel.
- Teologia da Prosperidade — Muitas vezes está associado a canções que enfatizam o sucesso financeiro, a saúde física e o triunfo terreno como sinais de fé.
- Linguagem de Autoajuda — O conteúdo aproxima-se de discursos motivacionais, massageador de egos, visando elevar a autoestima do ouvinte em vez de promover a adoração ou o arrependimento.
- Repetição Temática (Modismos) — A impressão que fica é que essa gente não tem absolutamente nenhuma criatividade (o que prova não ser o Espírito Santo a fonte de inspiração), pois, há temas que viralizam como fake news. Cito o exemplo de algo ocorrido num passado recente com o caso da "chuva".
Adoração ou manipulação?
Estarão esses tais "ministros de louvor" manipulando as pessoas que os assistem, que cantam e ouvem? Estarão usando a música para gerar uma resposta emocional na multidão?
A resposta curta e enfática é sim, estão. A música de adoração pode comover e manipular emoções, e até mesmo moldar crenças.
A adoração coletiva é neurológica e fisiológica. O teólogo alemão Martinho Lutero (✰1483/✞1546) insistia no fato de que a capacidade de comover e manipular fazia da música um dom divino singular.
A adoração coletiva é neurológica e fisiológica. O teólogo alemão Martinho Lutero (✰1483/✞1546) insistia no fato de que a capacidade de comover e manipular fazia da música um dom divino singular.
"Depois da Palavra de Deus",escreveu Lutero,
"somente a música merece ser exaltada como senhora e governanta dos sentimentos do coração humano. […] Até o Espírito Santo honra a música como uma ferramenta de trabalho."
Compositores e líderes de adoração usam mudanças de ritmo e de dinâmica, modulação e instrumentação variada para deixar a música de adoração contemporânea envolvente, imersiva e, sim, emocionalmente comovente.
Como adoradores, podemos sentir isso.
Músicas com longos interlúdios lentamente constroem uma expectativa rumo a um refrão familiar. Ou a banda sai para que as vozes cantem, quando o refrão toca.
Músicas com longos interlúdios lentamente constroem uma expectativa rumo a um refrão familiar. Ou a banda sai para que as vozes cantem, quando o refrão toca.
Além disso, as próprias letras podem ser uma deixa para nosso comportamento
('...I’ll stand with arms high and heart abandoned...' ['...Ficarei em pé com os braços levantados e o coração abandonado...'] — Trecho da música "The Stand", Hillsong United]).
Adoração pop
Existem questões válidas e interessantes sobre as particularidades que dão repercussão à música de adoração contemporânea — convenções emprestadas de canções de amor "seculares" (ou seja, não sacras) e de baladas pop ou associações com a estética de shows de rock de artistas "messiânicos", como U2 e Coldplay, feitos em arenas gigantes com milhares de pessoas, por exemplo.
Mas as preocupações atuais sobre o poder manipulador da música de adoração parecem ter menos a ver com estilo e gosto musical do que com as pessoas e as instituições envolvidas na produção e na execução dela.
Então, talvez a pergunta que deveria ser feita não é se a música gospel da atualidade é manipuladora, mas se os responsáveis pelo contexto da adoração, são mordomos — acho o termo "mordomo" (1 Coríntios 4:1,2; 1 Pedro 4:10), mais apropriado ao contexto do que "ministro" — e líderes confiáveis daquela experiência.
A adoração coletiva nos convida a nos abrirmos à direção espiritual e emocional. Essa abertura parece vulnerável, e de fato é.
E à medida que a adoração se torna uma produção maior em igrejas e eventos denominacionais — como esses festivais de música gospel que têm acontecido em ginásios esportivos —, um coro crescente — do qual faz parte este que vos escreve — tem questionado se nossas emoções estão em boas mãos.
E à medida que a adoração se torna uma produção maior em igrejas e eventos denominacionais — como esses festivais de música gospel que têm acontecido em ginásios esportivos —, um coro crescente — do qual faz parte este que vos escreve — tem questionado se nossas emoções estão em boas mãos.
"Essa é a parte complicada sobre as emoções. [Na adoração com música] algo acontece dentro de você que é voluntário e involuntário ao mesmo tempo",disse a etnomusicóloga ("Etnomusicólogo" é o acadêmico que estuda a música em seus contextos cultural, social, histórico e sobre seus fenômenos psíquicos), Monique Ingalls, que dirige programas de pós-graduação e pesquisa em música sacra, na Baylor University, em Wako, no Texas, EUA.
Adoração em espírito e verdade
Os adoradores têm participação; eles decidem o quanto se abrem à direção das emoções.
Mesmo exemplos extremos de propaganda musical requerem receptividade por parte do ouvinte.
A propaganda musical é mais eficaz quando a música é usada para aumentar a devoção — para edificar nossa fé — e não para mudar ou alterar crenças.
Contudo, uma vez que haja confiança e aceitação, uma manipulação emocional perigosa e exploradora é possível.
"A manipulação emocional em um culto de adoração é como um pastor que conduz as pessoas a certos pastos sem saber o porquê",
escreveu Zac Hicks, autor de "The Worship Pastor —
A Call to Ministry for Worship Leaders and Teams" (editora Zondervan, 215 páginas, 2016 — sem tradução no português), sobre a questão da "manipulação versus pastoreio".
"A manipulação, na melhor das hipóteses, é um 'pastoreio sem propósito' ou um 'pastoreio parcial'",
escreveu Hicks.
"Uma pessoa-ovelha que desperta da névoa da manipulação geralmente exclama primeiro: 'Espere aí, por que estou aqui?'"
Manifestações emocionais X o mover do Espírito Santo
Em vez de um líder de adoração ver a resposta emocional da multidão — mãos levantadas, olhos fechados ou lágrimas (dentre outras) — como um sinal de sucesso, Hicks argumentou que um pastor sério usará o que ele chama de "contornos emocionais do evangelho" ("a glória de Deus", "a gravidade do pecado" e "a grandeza da graça") para moldar a adoração musical e evitar a manipulação.
Mas quando os genuínos adoradores suspeitam que a atenção aos contornos do evangelho foi substituída por outras influências, a confiança começa a se desgastar.
- 1. O líder de louvor à frente da igreja parece estar mais preocupado em cultivar uma imagem em particular do que em servir em um papel pastoral?
- 2. Os momentos emocionais muito intensos parecem se tornar aberturas para levantar dinheiro?
Os adoradores temem a manipulação quando têm motivos para duvidar das intenções de um líder ou de uma instituição.
"É fácil confundir manipulação emocional com um mover de Deus, certo?",
disse a jornalista e autora Kelsey McKinney, no documentário de 2022 "Hillsong: A Megachurch Exposed ("Hillsong — O Escândalo Por Trás da Megaigreja", Discoverey+)":
"Você está chorando porque o Senhor está operando algum tipo de intervenção em sua vida ou está chorando porque a estrutura de acordes foi feita para fazer você chorar?"
A suspeita de que uma estrutura de acordes possa ser "feita para fazer você chorar" é uma simplificação exagerada da relação entre música e emoção.
A música não atua simplesmente sobre o ouvinte; há uma dialética entre indivíduo e música pela qual cada parte influencia e reage à outra.
A música não atua simplesmente sobre o ouvinte; há uma dialética entre indivíduo e música pela qual cada parte influencia e reage à outra.
Mas o medo de ser levado a perceber uma música cuidadosamente elaborada como um encontro espiritual é compreensível, quando parece que pessoas poderosas, que estão no comando de megaigrejas, estão usando música impactante para cultivar lealdade e devoção — não apenas a Deus, mas também à marca delas.
Escândalos como os que atormentaram a Hillsong nos últimos anos, bem como sinais de que a música de adoração contemporânea está cada vez mais moldada por interesses financeiros estão alimentando o ceticismo.
Uma parcela crescente da música de adoração tocada nas igrejas vem de um pequeno mas poderoso grupo de compositores e intérpretes que a maioria de nós nunca verá pessoalmente.
Uma parcela crescente da música de adoração tocada nas igrejas vem de um pequeno mas poderoso grupo de compositores e intérpretes que a maioria de nós nunca verá pessoalmente.
Quando se trata de pastoreio emocional, Ingalls vê a confiança e a autenticidade como primordiais — duas coisas difíceis de manter em um relacionamento entre fãs e celebridades.
"Acho que o medo da manipulação, a pergunta 'Posso confiar nessa pessoa?' está totalmente envolvida no debate da autenticidade",disse Ingalls.
Fenômeno antigo
Mas as preocupações com a manipulação emocional são muito anteriores à Hillsong e aos mega-artistas de adoração dos últimos 20 anos.
Uma capa da revista Christianity Today de 1977, intitulada "A música deve manipular nossa adoração?", questionava novas expressões marcadas por
"uma batida forte e um tom emocional alto",
de bandas de "rock gospel" com ritmo musical acelerado.
Os estilos musicais mudaram, mas a condução oferecida continua relevante para hoje:
Se a igreja evangélica deve responder com maturidade aos padrões de expressão musical em rápida mudança, precisamos de "ministros de louvor" treinados e preocupados, que possam nos guiar para além das armadilhas tanto do esteticismo (a adoração da beleza) quanto do hedonismo (a adoração do prazer).
Precisamos de músicos que sejam primeiramente mordomos.
Eles devem entender as necessidades espirituais, emocionais e estéticas das pessoas comuns e ajudar a liderar uma igreja em sua busca pela verdadeira Palavra e por uma expressão criativa, autêntica e plena de sua fé.
Eles devem entender as necessidades espirituais, emocionais e estéticas das pessoas comuns e ajudar a liderar uma igreja em sua busca pela verdadeira Palavra e por uma expressão criativa, autêntica e plena de sua fé.
Este tipo de ministério está mais preocupado em treinar participantes do que em entreter espectadores.
Meio imperfeito, pastores imperfeitos
O teólogo britânico C. S. Lewis (✰1898/✞1963), embora não fosse músico, professava a crença de que a música poderia ser
"uma preparação ou mesmo um meio para encontrar Deus",
fazendo a ressalva de que poderia facilmente se transformar em distração ou ídolo.
O musicólogo John MacInnis observou que a exposição de Lewis à música de Beethoven (✰1770/✞1827) e de Wagner (✰1813/✞1883) foi um portal espiritual.
Lewis considerava momentos musicais transcendentes em sua vida como sinais, e olharia em retrospectiva, após sua conversão ao cristianismo, e os veria como encontros que lhe moveram o coração e a mente em direção a Deus.
Mas Lewis reconhecia a imperfeição da música como modo de adoração ou meditação devocional.
"O efeito emocional da música pode ser não apenas uma distração (para algumas pessoas, em alguns momentos), mas uma ilusão: por exemplo, ao sentir certas emoções na igreja, eles as confundem com emoções espirituais, quando podem ser totalmente naturais."
Lewis não entendia sua reação ao ciclo do Anel de Wagner como adoração, mas sentia que ele o levou a alguma forma de transcendência, a um encontro sublime e avassalador.
Buscar o equilíbrio elimina o risco dos extremos
Ao falar sobre o culto — tanto no contexto pessoal, quanto no coletivo —, o apóstolo Paulo acenou para importância do equilíbrio, ao dizer que ele deve ser racional (Romanos 12:1,2).
Os ouvintes impressionados com o espetáculo visual e sonoro de um show da Taylor Swift, da Lady Gaga ou da Madonna podem sentir uma euforia que, de fato, supera o escopo usual de suas emoções.
A música e seus contextos podem nos levar ao ápice de nossas capacidades emocionais.
A música e seus contextos podem nos levar ao ápice de nossas capacidades emocionais.
Podemos ficar impressionados com sua beleza ou seu poder, com a mídia visual que a acompanha, com uma lembrança que só ela pode ativar com precisão e potência.
Como Lewis, talvez todos possamos nos beneficiar ao nos deixarmos dominar pela música fora do santuário, de vez em quando.
Pode ser que entender nossa capacidade de sermos tocados pela música nos ajude a transitar pela nossa abertura emocional na adoração.
Conclusão
A exata atuação da música sobre as emoções é algo inescrutável, mesmo com as novas pesquisas neurológicas que exploram ainda mais os efeitos da música no cérebro.
Por trás do medo de sermos manipulados emocionalmente, para a maioria de nós, existe um medo de estarmos sendo coagidos a fazer ou a crer.
Tememos que nossas emoções estejam apenas respondendo à música, e não ao Espírito Santo; tememos que aquilo que percebemos como um encontro espiritual seja falso, fabricado por músicos habilidosos, uma equipe de produção e um refrão bem escrito.
A transparência pode ser um antídoto. Para músicos e líderes de adoração, pode ser útil simplesmente serem mais abertos sobre as maneiras como programam música ou sobre qual pode ser o propósito de uma seleção musical específica.
Um líder pode prefaciar uma música meditativa com letra comovente, encorajando a congregação a refletir sobre uma passagem das Escrituras.
O simples fato de reconhecer o peso emocional do momento indica autoconsciência e cuidado por parte do líder.
Ingalls sugere avaliar as experiências emocionais de adoração musical em uma igreja ou em ministério específico pela observação do fruto dessa adoração fora do ambiente eclesiástico.
"Quando estivermos avaliando as emoções na adoração, podemos perguntar: 'O que os adoradores que têm essas intensas experiências emocionais estão fazendo lá fora?'"
Se aceitarmos que nossos momentos comoventes, às vezes lacrimosos, em uma congregação que louva são quase sempre causados por uma espécie de cooperação entre Deus em nós e a música ao redor de nós, podemos ficar de olho no trabalho de nossos pastores contemplando o pasto em que nos encontramos do outro lado.
"O que está sendo feito no solo" —Ingalls sugere que perguntemos —
"para trazer a paz de Deus a este mundo? Para restaurar relacionamentos quebrados com Deus, com os outros e com a terra?"
Fica a dica para nossa reflexão.
[Fonte: Christianity Today, por Kelsey Kramer McGinnis é correspondente de música de adoração da CT. Ela é musicóloga, educadora e escritora, e pesquisa música em comunidades cristãs.]
- Indicação
| Imperdível documentário da Discovery+, disponível em várias plataformas de streaming. |
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

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