"Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. (...) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres..." (João 8:36; 15:3).
Neste capítulo da nossa série especial de artigos, Bíblia Aberta, vamos não apenas enfiar a mão, mas entrar nus dentro de um verdadeiro vespeiro.
Sofrimento, abandono, doença, fome, violência, dependência de drogas, mortes são uma realidade nas notícias diárias.
O avanço das ciências da saúde e da medicina, as políticas de prevenção de doenças somadas a projetos com recursos bem aplicados têm melhorado as condições de vida, o que é evidenciado com o aumento da longevidade e diminuição da taxa de mortalidade infantil.
O avanço das ciências da saúde e da medicina, as políticas de prevenção de doenças somadas a projetos com recursos bem aplicados têm melhorado as condições de vida, o que é evidenciado com o aumento da longevidade e diminuição da taxa de mortalidade infantil.
Mas o problema do mal — incluindo as doenças e enfermidades — é mais complexo.
Sua erradicação não depende somente de planos eficientes mais localizados: o mal em grande parte subsiste num sistema perverso de dominação que mantém os pobres reféns dos ricos e poderosos.
É necessário converter também os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse na sociedade de hoje, para que aconteça uma libertação integral do ser humano.
Por causa do mal disseminado em estruturas injustas, muitos inocentes padecem.
Sua erradicação não depende somente de planos eficientes mais localizados: o mal em grande parte subsiste num sistema perverso de dominação que mantém os pobres reféns dos ricos e poderosos.
É necessário converter também os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse na sociedade de hoje, para que aconteça uma libertação integral do ser humano.
Por causa do mal disseminado em estruturas injustas, muitos inocentes padecem.
As consequências são as variadas formas de sofrimento do povo, que se pergunta:
"O que fizemos de errado para merecer isso?"
E quando não veem saída, é comum as pessoas assim se expressarem:
"Só por Deus mesmo para sair dessa situação".Na Bíblia, a história do Jó paciente reflete o conformismo nas palavras:
"Recebemos de Deus os bens, não deveríamos receber também os males?" (Jó 2:10).Jó é figura de tantas vítimas de hoje, que não têm a quem recorrer.
Muitos se refugiam na religião, esperando uma cura miraculosa, buscam Jesus milagreiro e exorcista.
Outros buscam explicação da origem do mal num princípio negativo, que compete com as forças do bem.
Com isso, a responsabilidade do mal é descarregada sobre demônios ou espíritos do mal.
O povo sofredor é uma grande parcela da sociedade doente que clama por socorro, saúde, libertação. Cura e libertação são temas correlatos.
Cura e libertação dentro do contexto bíblico
No contexto bíblico, ser curado significa o pleno restabelecimento da pessoa, resgate de sua dignidade de ser humano, superação dos males, reintegração na comunidade e no serviço a ela.
É algo que transcende a vida presente e a projeta na vida eterna. Inspirados no cuidado de Jesus com os doentes e endemoninhados, os cristãos encontram o sentido profundo para a atenção aos doentes e à superação dos males.
É algo que transcende a vida presente e a projeta na vida eterna. Inspirados no cuidado de Jesus com os doentes e endemoninhados, os cristãos encontram o sentido profundo para a atenção aos doentes e à superação dos males.
A Bíblia é muita clara ao mostrar que Cristo levou sobre si toda maldição da lei e que o pecado legou à humanidade, e que agora, para os que estão unidos a Cristo mediante a fé, não há mais nenhuma condenação ou maldição:
Portanto, embora a intenção seja boa, na maioria dos casos, é um grande engano fazer campanhas de quebra de maldição familiar, financeira, ministerial etc.
E se...
Alguém pode apresentar o seguinte contra-argumento:
"mas tais campanhas visam abençoar e libertar pessoas que não são crentes e que ainda estão sob maldições".
Porém, isso é outro engano, pois a Bíblia mostra claramente que é quando alguém se converte a fé em Cristo que toda maldição é quebrada de sua vida, não havendo mais necessidade alguma de campanha disso ou daquilo outro para libertá-lá de algum mal espiritual.
Na verdade, tais campanhas, representam uma ofensa a obra redentora de Cristo, pois agem como se a obra de Cristo na cruz tivesse sido insuficiente e fosse carente de algum complemento da nossa parte.
A coletividade é algo presente na igreja de Cristo, a maioria das coisas que fazemos é no âmbito coletivo. Isso de certo modo é muito bom, o Senhor trabalha na união dos irmãos e deseja que todos nós sejamos "um".
A utilização de campanhas e correntes é um método de fazer com que o coletivo se una no mesmo propósito.
A utilização de campanhas e correntes é um método de fazer com que o coletivo se una no mesmo propósito.
Não vemos problema no método de campanhas, mas no conteúdo e na intenção da campanha. Podemos fazer uma campanha de estudo da Palavra, uma campanha de renúncia, uma campanha do arrependimento, uma campanha de santidade, uma campanha do perdão, uma campanha da comunhão..., por exemplos.
Creio que isso seria muito bom. Podemos [e devemos] fazer campanhas de oração, isso estimula e incentiva o cristão a ter momentos de consagração ao Senhor (Embora todos nós devêssemos fazer isso sem que houvesse a necessidade de uma campanha).
Mas de modo geral, não há problema em fazer campanhas ou correntes de oração, jejum, consagração, estudo bíblico e etc.
Creio que isso seria muito bom. Podemos [e devemos] fazer campanhas de oração, isso estimula e incentiva o cristão a ter momentos de consagração ao Senhor (Embora todos nós devêssemos fazer isso sem que houvesse a necessidade de uma campanha).
Mas de modo geral, não há problema em fazer campanhas ou correntes de oração, jejum, consagração, estudo bíblico e etc.
Onde reside o problema então?
Temos dois problemas fundamentais: O conteúdo doutrinário da campanha e a intenção/motivação para se fazer a campanha.
Infelizmente, nestas igrejas que vivem de campanhas, não vemos nenhuma campanha do tipo:
"Grande Campanha do Genuíno Arrependimento", venha se arrepender dos seus pecados!
Geralmente as campanhas são de outro teor. Campanha da vitória, campanha da prosperidade, campanha do "desencapecatamento", a queda das muralhas, campanha da conquista, campanha da cura, da unção, do milagre (às vezes do milagre urgente...), etc.
Cremos que o(a) caro(a) leitor(a) já se deparou com algo parecido e sabe que o que estou relatando a mais pura verdade.
Cremos que o(a) caro(a) leitor(a) já se deparou com algo parecido e sabe que o que estou relatando a mais pura verdade.
Vemos que as campanhas não estão voltadas à consagração do crente, muito menos de ajudar o cristão a se transformar na pessoa que o Senhor deseja que ele seja.
A verdade é que as campanhas são feitas para suprir as necessidades pessoais e individuais dos participantes. O principal foco é solucionar diversos problemas da vida da pessoa, como casamento, finanças, enfermidade, etc.
A verdade é que as campanhas são feitas para suprir as necessidades pessoais e individuais dos participantes. O principal foco é solucionar diversos problemas da vida da pessoa, como casamento, finanças, enfermidade, etc.
Dois outros problemas que vejo nessas campanhas de quebra de maldição:
- 1. O estúpido negacionismo da ciência — Elas espiritualizam coisas que podem e precisam ser tratadas através das ciências médicas (um meio da graça de Deus para aliviar nossos sofrimentos físicos e psicológicos);
- 2. A espetacularização do diabo — Elas transferem para o diabo coisas que têm mais a ver com a responsabilidade moral do ser humano e decisões que ele precisa tomar para que sua situação mude, dando ao inimigo um protagonismo que ele nunca teve e que nunca terá. Nesses cultos, o "diabo" dá entrevistas, dá show performático, faz gracinhas de tudo quanto é tipo, atraindo para si todas as atenções e todos os holofotes: é câmera, luz e ação!
O culto acaba mudando de sentido. O culto foi feito para entregarmos adoração a Deus, mas os homens estão fazendo cultos para que Deus entregue bênçãos à eles. Ou seja, não vou no culto entregar minha adoração, vou para buscar minha benção.
O primeiro a prometer bênçãos desde que fosse cultuado foi satanás (Mateus 4:8–11).
Por isso as igrejas que vivem de campanhas estão lotadas, e muitas vezes, as igrejas bíblicas estão mais vazias.
Na verdade estas pessoas que frequentam essas campanhas não estão atrás de Deus, mas da benção de Deus.
Não estão preocupadas com a face do Senhor, mas com suas mãos. Devemos buscar o Deus da benção, não somente a benção de Deus.
Por isso as igrejas que vivem de campanhas estão lotadas, e muitas vezes, as igrejas bíblicas estão mais vazias.
Na verdade estas pessoas que frequentam essas campanhas não estão atrás de Deus, mas da benção de Deus.
Não estão preocupadas com a face do Senhor, mas com suas mãos. Devemos buscar o Deus da benção, não somente a benção de Deus.
Problema doutrinário
Como já dito, um dos maiores problemas são as doutrinas pregadas nestas campanhas. Os textos são tirados de contexto sem nenhum escrúpulo.
Qualquer texto que falar sobre portas, já quer dizer portas abertas para prosperidade, qualquer texto que disser sobre chaves, já serão utilizados para falar das chaves da vitória.
Temos que entender que muitos textos não são universais, mas individuais e únicos da época em foram vivenciados.
Qualquer texto que falar sobre portas, já quer dizer portas abertas para prosperidade, qualquer texto que disser sobre chaves, já serão utilizados para falar das chaves da vitória.
Temos que entender que muitos textos não são universais, mas individuais e únicos da época em foram vivenciados.
Os exemplos mais clássicos de distorção bíblica são os textos de Josué (nas muralhas de Jericó e nas terras que ele conquistaria pisando com seu pé).
Algumas pessoas tem usado as "sete voltas" para obter tudo o que desejam, como um ritual místico de "aquisição de bens de forma espiritual".
Gente! Lemos isso uma vez na Bíblia e foi de forma específica para Josué numa batalha direcionada pelo Senhor, em nenhum outro texto das Escrituras vemos isso se repetindo.
Mostrando que não foi um relato "normativo", mas apenas "descritivo", para que pudéssemos olhar o poder do Senhor e ver que ele estava guiando Josué em todo o tempo.
Gente! Lemos isso uma vez na Bíblia e foi de forma específica para Josué numa batalha direcionada pelo Senhor, em nenhum outro texto das Escrituras vemos isso se repetindo.
Mostrando que não foi um relato "normativo", mas apenas "descritivo", para que pudéssemos olhar o poder do Senhor e ver que ele estava guiando Josué em todo o tempo.
Como também já foi dito, o problema não está em fazer uma campanha, mas no resultado que os líderes querem alcançar com as mesmas.
A maioria das campanhas estão atreladas com entregas financeiras. Nestas igrejas é usado o termo "sacrifício".
Vemos nas religiões pagãs que esta prática é muito comum. Por exemplo, para que um(a) líder religioso(a), nas vertentes de raízes africanas (conhecido(a) como "Pai/Mãe de Santo") possa fazer um trabalho de macumba, é pedido um valor, um sacrifício.
Não só pelo líder, mas também pela entidade espiritual, a entidade que vai receber as oferendas também pede o que deseja receber, geralmente pinga, charuto, animais em sacrifícios e até mesmo corpos humanos.
Não só pelo líder, mas também pela entidade espiritual, a entidade que vai receber as oferendas também pede o que deseja receber, geralmente pinga, charuto, animais em sacrifícios e até mesmo corpos humanos.
Parece que algumas igrejas querem usar a mesma prática da macumba nas campanhas, pois o que é oferecido ao cristão é uma espécie de "barganha" com Deus.
Exemplo: Você tem que sacrificar ao Senhor alguma coisa pra que ele possa te dar o que você deseja!
Exemplo: Você tem que sacrificar ao Senhor alguma coisa pra que ele possa te dar o que você deseja!
A Graça de Deus é anulada com estas condutas, pois querem pagar aquilo que o Senhor fez gratuitamente.
Na verdade, a intenção de muitos é a arrecadação financeira e não que o povo seja abençoado.
Na verdade, a intenção de muitos é a arrecadação financeira e não que o povo seja abençoado.
Como já foi dito no tópico anterior, sobre símbolos proféticos, geralmente estes símbolos estão atrelados a valores financeiros.
A pessoa tem que comprar os objetos e assim o mesmo se torna um produto de comércio dentro dos templos.
Pergunte a estas pessoas quanto custa uma "arca da aliança", pergunte quanto custa um pingente, um Mezuzá, um tijolinho...
Você vai se espantar ao ver que milhares de reais são depositados em símbolos proféticos, que acabam se tornando patuás, amuletos nas casas de muitos cristãos.
A pessoa tem que comprar os objetos e assim o mesmo se torna um produto de comércio dentro dos templos.
Pergunte a estas pessoas quanto custa uma "arca da aliança", pergunte quanto custa um pingente, um Mezuzá, um tijolinho...
Você vai se espantar ao ver que milhares de reais são depositados em símbolos proféticos, que acabam se tornando patuás, amuletos nas casas de muitos cristãos.
As campanhas viraram comércio de produtos, se tornaram estratégias para arrecadação financeira.
Deus, por certo, cobrará contas de todos estes líderes que fazem do evangelho uma forma de enriquecimento ilícito e usam as ovelhas do Senhor como fonte de lucro!
Conclusão
Enfim, tais campanhas não passam de estratégia de lideranças para atrair as pessoas e assim melhorar as arrecadações de sua igreja-negócio.
Esses líderes religiosos, mesmo não tendo boa formação bíblica e teológica, findam alcançando algum êxito por causa da linguagem piedosa que usam e por se dirigir a um público-alvo mais dado ao misticismo e a credulidade barata e que, quase sempre, se acha em alguma situação de desespero ou refém a uma fé supersticiosa (um público ainda muito grande no Brasil, tanto por razões históricas e culturais, bem como econômicas e sociais).
Esses líderes religiosos, mesmo não tendo boa formação bíblica e teológica, findam alcançando algum êxito por causa da linguagem piedosa que usam e por se dirigir a um público-alvo mais dado ao misticismo e a credulidade barata e que, quase sempre, se acha em alguma situação de desespero ou refém a uma fé supersticiosa (um público ainda muito grande no Brasil, tanto por razões históricas e culturais, bem como econômicas e sociais).
- [Fonte: Teologar; Os Cinco Solas, original por Geraldo José Ferreira]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.

