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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

📔BÍBLIA ABERTA📖 — CULTO/CAMPANHA DE LIBERTAÇÃO: FATO OU FAKE?

"Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado; permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. (...) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres..." (João 8:36; 15:3).
Neste capítulo da nossa série especial de artigos, Bíblia Aberta, vamos não apenas enfiar a mão, mas entrar nus dentro de um verdadeiro vespeiro.
Sofrimento, abandono, doença, fome, violência, dependência de drogas, mortes são uma realidade nas notícias diárias.

O avanço das ciências da saúde e da medicina, as políticas de prevenção de doenças somadas a projetos com recursos bem aplicados têm melhorado as condições de vida, o que é evidenciado com o aumento da longevidade e diminuição da taxa de mortalidade infantil.

Mas o problema do mal — incluindo as doenças e enfermidades — é mais complexo.

Sua erradicação não depende somente de planos eficientes mais localizados: o mal em grande parte subsiste num sistema perverso de dominação que mantém os pobres reféns dos ricos e poderosos.

É necessário converter também os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse na sociedade de hoje, para que aconteça uma libertação integral do ser humano.

Por causa do mal disseminado em estruturas injustas, muitos inocentes padecem.

As consequências são as variadas formas de sofrimento do povo, que se pergunta:
"O que fizemos de errado para merecer isso?" 
E quando não veem saída, é comum as pessoas assim se expressarem: 
"Só por Deus mesmo para sair dessa situação".
Na Bíblia, a história do Jó paciente reflete o conformismo nas palavras:
"Recebemos de Deus os bens, não deveríamos receber também os males?" (Jó 2:10).
Jó é figura de tantas vítimas de hoje, que não têm a quem recorrer.

Muitos se refugiam na religião, esperando uma cura miraculosa, buscam Jesus milagreiro e exorcista.

Outros buscam explicação da origem do mal num princípio negativo, que compete com as forças do bem.

Com isso, a responsabilidade do mal é descarregada sobre demônios ou espíritos do mal.

O povo sofredor é uma grande parcela da sociedade doente que clama por socorro, saúde, libertação. Cura e libertação são temas correlatos.

Cura e libertação dentro do contexto bíblico


No contexto bíblico, ser curado significa o pleno restabelecimento da pessoa, resgate de sua dignidade de ser humano, superação dos males, reintegração na comunidade e no serviço a ela.

É algo que transcende a vida presente e a projeta na vida eterna. Inspirados no cuidado de Jesus com os doentes e endemoninhados, os cristãos encontram o sentido profundo para a atenção aos doentes e à superação dos males.

A Bíblia é muita clara ao mostrar que Cristo levou sobre si toda maldição da lei e que o pecado legou à humanidade, e que agora, para os que estão unidos a Cristo mediante a fé, não há mais nenhuma condenação ou maldição:
Portanto, embora a intenção seja boa, na maioria dos casos, é um grande engano fazer campanhas de quebra de maldição familiar, financeira, ministerial etc.

E se...


Alguém pode apresentar o seguinte contra-argumento:
"mas tais campanhas visam abençoar e libertar pessoas que não são crentes e que ainda estão sob maldições".
Porém, isso é outro engano, pois a Bíblia mostra claramente que é quando alguém se converte a fé em Cristo que toda maldição é quebrada de sua vida, não havendo mais necessidade alguma de campanha disso ou daquilo outro para libertá-lá de algum mal espiritual.
Na verdade, tais campanhas, representam uma ofensa a obra redentora de Cristo, pois agem como se a obra de Cristo na cruz tivesse sido insuficiente e fosse carente de algum complemento da nossa parte.

A coletividade é algo presente na igreja de Cristo, a maioria das coisas que fazemos é no âmbito coletivo. Isso de certo modo é muito bom, o Senhor trabalha na união dos irmãos e deseja que todos nós sejamos "um".

A utilização de campanhas e correntes é um método de fazer com que o coletivo se una no mesmo propósito.

Não vemos problema no método de campanhas, mas no conteúdo e na intenção da campanha. Podemos fazer uma campanha de estudo da Palavra, uma campanha de renúncia, uma campanha do arrependimento, uma campanha de santidade, uma campanha do perdão, uma campanha da comunhão..., por exemplos.

Creio que isso seria muito bom. Podemos [e devemos] fazer campanhas de oração, isso estimula e incentiva o cristão a ter momentos de consagração ao Senhor (Embora todos nós devêssemos fazer isso sem que houvesse a necessidade de uma campanha).

Mas de modo geral, não há problema em fazer campanhas ou correntes de oração, jejum, consagração, estudo bíblico e etc.

Onde reside o problema então?


Temos dois problemas fundamentais: O conteúdo doutrinário da campanha e a intenção/motivação para se fazer a campanha.

Infelizmente, nestas igrejas que vivem de campanhas, não vemos nenhuma campanha do tipo:
"Grande Campanha do Genuíno Arrependimento", venha se arrepender dos seus pecados!
Geralmente as campanhas são de outro teor. Campanha da vitória, campanha da prosperidade, campanha do "desencapecatamento", a queda das muralhas, campanha da conquista, campanha da cura, da unção, do milagre (às vezes do milagre urgente...), etc.

Cremos que o(a) caro(a) leitor(a) já se deparou com algo parecido e sabe que o que estou relatando a mais pura verdade.

Vemos que as campanhas não estão voltadas à consagração do crente, muito menos de ajudar o cristão a se transformar na pessoa que o Senhor deseja que ele seja.

A verdade é que as campanhas são feitas para suprir as necessidades pessoais e individuais dos participantes. O principal foco é solucionar diversos problemas da vida da pessoa, como casamento, finanças, enfermidade, etc.

Dois outros problemas que vejo nessas campanhas de quebra de maldição:
  • 1. O estúpido negacionismo da ciência — Elas espiritualizam coisas que podem e precisam ser tratadas através das ciências médicas (um meio da graça de Deus para aliviar nossos sofrimentos físicos e psicológicos);
  • 2. A espetacularização do diabo — Elas transferem para o diabo coisas que têm mais a ver com a responsabilidade moral do ser humano e decisões que ele precisa tomar para que sua situação mude, dando ao inimigo um protagonismo que ele nunca teve e que nunca terá. Nesses cultos, o "diabo" dá entrevistas, dá show performático, faz gracinhas de tudo quanto é tipo, atraindo para si todas as atenções e todos os holofotes: é câmera, luz e ação!
O culto acaba mudando de sentido. O culto foi feito para entregarmos adoração a Deus, mas os homens estão fazendo cultos para que Deus entregue bênçãos à eles. Ou seja, não vou no culto entregar minha adoração, vou para buscar minha benção.

O primeiro a prometer bênçãos desde que fosse cultuado foi satanás (Mateus 4:8–11).

Por isso as igrejas que vivem de campanhas estão lotadas, e muitas vezes, as igrejas bíblicas estão mais vazias.

Na verdade estas pessoas que frequentam essas campanhas não estão atrás de Deus, mas da benção de Deus.

Não estão preocupadas com a face do Senhor, mas com suas mãos. Devemos buscar o Deus da benção, não somente a benção de Deus.

Problema doutrinário


Como já dito, um dos maiores problemas são as doutrinas pregadas nestas campanhas. Os textos são tirados de contexto sem nenhum escrúpulo.

Qualquer texto que falar sobre portas, já quer dizer portas abertas para prosperidade, qualquer texto que disser sobre chaves, já serão utilizados para falar das chaves da vitória.

Temos que entender que muitos textos não são universais, mas individuais e únicos da época em foram vivenciados.

Os exemplos mais clássicos de distorção bíblica são os textos de Josué (nas muralhas de Jericó e nas terras que ele conquistaria pisando com seu pé). 

Algumas pessoas tem usado as "sete voltas" para obter tudo o que desejam, como um ritual místico de "aquisição de bens de forma espiritual".

Gente! Lemos isso uma vez na Bíblia e foi de forma específica para Josué numa batalha direcionada pelo Senhor, em nenhum outro texto das Escrituras vemos isso se repetindo.

Mostrando que não foi um relato "normativo", mas apenas "descritivo", para que pudéssemos olhar o poder do Senhor e ver que ele estava guiando Josué em todo o tempo.

Como também já foi dito, o problema não está em fazer uma campanha, mas no resultado que os líderes querem alcançar com as mesmas.

A maioria das campanhas estão atreladas com entregas financeiras. Nestas igrejas é usado o termo "sacrifício".

Vemos nas religiões pagãs que esta prática é muito comum. Por exemplo, para que um(a) líder religioso(a), nas vertentes de raízes africanas (conhecido(a) como "Pai/Mãe de Santo") possa fazer um trabalho de macumba, é pedido um valor, um sacrifício.

Não só pelo líder, mas também pela entidade espiritual, a entidade que vai receber as oferendas também pede o que deseja receber, geralmente pinga, charuto, animais em sacrifícios e até mesmo corpos humanos.

Parece que algumas igrejas querem usar a mesma prática da macumba nas campanhas, pois o que é oferecido ao cristão é uma espécie de "barganha" com Deus.

Exemplo: Você tem que sacrificar ao Senhor alguma coisa pra que ele possa te dar o que você deseja!

A Graça de Deus é anulada com estas condutas, pois querem pagar aquilo que o Senhor fez gratuitamente.

Na verdade, a intenção de muitos é a arrecadação financeira e não que o povo seja abençoado.

Como já foi dito no tópico anterior, sobre símbolos proféticos, geralmente estes símbolos estão atrelados a valores financeiros.

A pessoa tem que comprar os objetos e assim o mesmo se torna um produto de comércio dentro dos templos.

Pergunte a estas pessoas quanto custa uma "arca da aliança", pergunte quanto custa um pingente, um Mezuzá, um tijolinho...

Você vai se espantar ao ver que milhares de reais são depositados em símbolos proféticos, que acabam se tornando patuás, amuletos nas casas de muitos cristãos.
As campanhas viraram comércio de produtos, se tornaram estratégias para arrecadação financeira. 
Deus, por certo, cobrará contas de todos estes líderes que fazem do evangelho uma forma de enriquecimento ilícito e usam as ovelhas do Senhor como fonte de lucro!

Conclusão


Enfim, tais campanhas não passam de estratégia de lideranças para atrair as pessoas e assim melhorar as arrecadações de sua igreja-negócio.

Esses líderes religiosos, mesmo não tendo boa formação bíblica e teológica, findam alcançando algum êxito por causa da linguagem piedosa que usam e por se dirigir a um público-alvo mais dado ao misticismo e a credulidade barata e que, quase sempre, se acha em alguma situação de desespero ou refém a uma fé supersticiosa (um público ainda muito grande no Brasil, tanto por razões históricas e culturais, bem como econômicas e sociais).
  • [Fonte: Teologar; Os Cinco Solas, original por Geraldo José Ferreira]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

TEOLOGANDO — A DOUTRINA DA SOBERANIA DE DEUS

“'...eu sei que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses'.” (Salmo 135:5).
Quando iniciei os estudos para o meu bacharelado em Teologia, recebi a indicação de um livro fabulo, “Deus é Soberano”,
Editora Fiel, 184 páginas, 2022
do teólogo inglês Arthur W. Pink (✰
1856/✞1952).

Nele, de forma magnífica, o autor desenvolve o tema da importante, indispensável e necessária... — entretanto, infelizmente, pouco ensinada — Doutrina da Soberania de Deus, que é também o tema deste capítulo da nossa série especial de artigos, "Teologando". 

Esse livro exerceu um grande impacto na minha vida e na maneira como passei a entender a soberania de Deus.

Qual a importância da Doutrina da Soberania de Deus?


'Nenhum Deus Como Tu' | Nívea Soares, faixa do álbum "Rio Ao Vivo" ℗2007
Ela é importante, porque trata-se de uma doutrina que se estende a todas as áreas da nossa vida. 

Para algumas pessoas, o mundo funciona como uma máquina obedecendo algumas leis da natureza, sem qualquer interferência de Deus.

Esse é o ensino do deísmo, termo que descreve a crença em um Deus ausente, que criou o mundo, estabeleceu suas leis e saiu de cena.

Nada tão longe da verdade bíblica. Dizer que Deus é soberano significa dizer que ele é supremo e tem autoridade sobre todas as coisas.

Ele é o governante supremo e nada acontece sem a sua vontade.

A doutrina da Soberania de Deus na vida do cristão


'Tu És Soberano' | Novo Som, faixa do álbum "Passaporte" ℗1992
A soberania de Deus é uma doutrina que traz enorme consolo para o crente.

Principalmente em situações desesperadoras quando nos deparamos com nossa finitude e limitações.

Ela também gera e nutre em nós outra importante doutrina: a da Dependência de Deus.

E mais, não há qualquer contradição entre soberania de Deus e responsabilidade humana.

Quanto mais conhecemos o que significa dizer que Deus é soberano, mais oramos, mais evangelizamos, mais descansamos e mais confiamos em sua sábia e providente direção.

É impressionante como às vezes nos esquecemos de que Deus controla todas as coisas — fato é que, mesmo no meio evangélico, há muitos que sequer acreditam que Deus tenha e/ou esteja mesmo no controle de tudo.

Quase sempre estamos ansiosos e perdemos o sono por problemas ou sentimentos. Esquecemos que o Senhor criou tudo e a Ele tudo pertence.

Quando somos desafiados a crer na soberania de Deus


'Nosso Deus é Soberano' Banda Universos, faixa do álbum "Clássicos Por Banda Universos" ℗2021
Alguma vez você já se perguntou: 
"Será que Deus realmente tem as coisas em Suas mãos, ou talvez a minha vida esteja escorregando para fora do controle?"
Não? Eu já!

Reconheci e a Cristo como meu Senhor e Salvador aos 28 anos, logo concluí que se eu simplesmente fizesse coisas certas o suficiente, a minha vida cristã seria uma subida constante em direção à maturidade.

Numerosos contratempos, falhas e quedas mais tarde, ainda acreditava que Deus estava no controle e tinha um propósito em tudo.

Mas quando minha vida pessoal, ministerial, relacionamentos e vida espiritual entraram numa série caótica de becos sem saída, confesso, eu não tive tanta certeza.

Talvez eu estivesse enganado. Em vez de Deus estar no controle, talvez o curso da minha vida não tivesse nenhum propósito real, afinal das contas.

Talvez os meus erros tivessem sido mais do que Deus poderia manejar. Elucubrações, divagações...

Não temos todos olhado para as nossas vidas por vezes e pensado: 
"O que pode ser feito nessa bagunça?"
Externamente, pelo menos, a vida às vezes parece sombria e caótica. Muitas vezes parecia assim para as pessoas na Bíblia.

Pense em José sentando na prisão injustamente, Davi fugindo de um rei assassino Saul, ou Ezequias enfrentando o exército assírio esmagador fora dos portões de Jerusalém. Como as coisas se tornaram tão ruins assim? Ou o plano de Deus ainda estava no lugar, ou Ele tinha saído de férias?

O dilema de Habacuque


'Ainda Que a Figueira' | Fernandinho, faixa do álbum "Uma Nova História" ℗2009 
O livro de Habacuque, embora com apenas três capítulos, mostra um profeta decepcionado e angustiado com toda a injustiça e idolatria daquela época. 

Habacuque estava vivendo um momento de grandes iniquidades, quando clamou ao Senhor:
"Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: violência! e não salvarás? 
Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? 
Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. 
Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida". 
(Habacuque 1:2-4).
A ideia que Habacuque passa nesse texto é a de que parece que Deus perdeu o controle das coisas, e que Ele não tem mais o domínio sobre nada.

Naquela ocasião havia muita violência, injustiça e nenhuma mudança acontecia. 
  • Qualquer semelhança com o que vivemos não é mera coincidência.
Assim também acontece nos dias de hoje.

Já no meio do ano, vemos pessoas cansadas, com medo, em pânico e sem querer sair do lugar. 

Muitos ficam calados, se sentem desmotivados e ficam de braços cruzados, pois não veem os resultados acontecerem.

Mas, tenho algo para te falar: Deus ainda está no controle! Nada NUNCA sai do controle d'Ele. 

Por mais que achemos que não tem jeito, que não vai ter resultado positivo ou que não terá a tão esperada melhora, o Senhor pode mudar tudo em instantes.
"O Senhor dos Exército jurou: certamente, como planejei, assim acontecerá, e, como pensei, assim será" (Isaías 14:24).
No entanto, mesmo com o agir de Deus, precisamos nos comprometer a nos levantar do lugar para mudar a situação.

Acomodar e reclamar, em nada vai adiantar. Deus pode mudar tudo, mas Ele faz em razão da nossa oração, pois ela a arma mais poderosa nesse mundo injusto que vivemos.

Deus continua assentado em Seu trono sempiterno, no controle de tudo e de todos, e essa é a nossa única esperança.

Soberania eterna e imutável


'Soberano Deus (Awesome God)' | Soraya Mores, faixa do álbum "A Presença de Deus — Adoração Ao Vivo" ℗2009
Os escritores do Novo Testamento nos asseguram de que nosso Pai celestial tem definitivamente tudo sob controle em nossas vidas.

Paulo escreveu que os crentes em Cristo foram 
"...predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade..." (Efésios 1:11).
Em outras palavras, Deus tem um plano e nada vai desfazer o Seu plano, como um todo, nem a nós individualmente.

O apóstolo reconheceu que a vida neste mundo decaído é uma bagunça frustrante (Romanos 8:20-23), mas diz que podemos ter a certeza de que Deus está usando até os menores detalhes e acontecimentos mais insignificantes para fazer Suas boas intenções em nossas vidas.

Esse propósito é que nos tornemos semelhantes a Jesus (Rm 8:28,29).

As coisas parecem caóticas olhando do lado de fora, no entanto, Deus está trabalhando por trás dos bastidores em nossas vidas para o Seu propósito eterno. 

E Ele irá realizar para a Sua glória (Ef 1:12). Até mesmo os nossos erros, embora sejam muitos, não vão frustrar o Seu plano. 
"Aquele que os chama é fiel, e fará isso" (1 Tessalonicenses 5:24, ênfase adicionada).
Como José, talvez podemos finalmente compreender nessa vida por que Deus permite que as coisas aconteçam como elas acontecem (Gênesis 50:20).

Ou, como muitos dos santos do Antigo Testamento, talvez nunca possamos juntar as peças deste lado do céu (Hebreus 15:35-40). Mas tudo bem. Nós não somos os artífices de tapeçaria. Deus é.

Neste momento vemos apenas a parte de trás do tapete em nossas vidas: um emaranhado desordenado de fios.

Quando somos tentados a duvidar de que uma bela imagem está realmente sendo criada do outro lado, aqui estão algumas coisas que podemos fazer.

Mas, se não compreendemos o poder absoluto e total de Deus sobre todas as coisas, como poderemos aprender a descansar n'Ele?

Se não entendermos a sabedoria do Pai, não conseguiremos entregar as nossas ansiedades, problemas e preocupações, que ocupam tanto o nosso coração.

Por isso, quanto mais próximos estivermos dessa compreensão, mais seguros e confiantes viveremos no Senhor.

Precisamos crer que para Deus nada é impossível. Veja o que relata o Evangelho [segundo a narrativa] de Mateus:
“Jesus olhou para eles e respondeu: para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis” (19:26).
A graça e o amor de Deus são coisas tão extraordinárias que nos constrangem.

O Senhor tem absoluta clareza sobre a nossa jornada, e por esse motivo Ele prepara sempre o melhor para nós. O tempo d'Ele nunca falha.

O que fazer?


'Awesome God' Michael W. Smith, faixa do álbum "Worship" ℗2009
  • Em primeiro lugar — permanecer na Palavra de Deus. Quando as coisas realmente ficarem ruins, inunde-se com a Palavra de Deus. É a única maneira de ver as coisas de forma consistente a partir da perspectiva de Deus, em vez de vê-las a partir de nossa perspectiva terrena.
  • Em segundo lugar — não tente ver a bola de cristal. Não tente descobrir tudo. Nós não somos bons nisso, de qualquer maneira. Além disso, quando tentamos dar sentido ao que parece não tê-lo, estamos optando por confiar no que vemos, em vez de confiar em Deus que não podemos ver. Aceite que não somos capazes de compreender as complexidades de um universo vasto.
  • Em terceiro lugar — confie em nosso Pai celestial. Confie que Ele é soberano, e de fato tem tudo sob controle. E confie que Ele é bom, que o Seu coração está cheio de amor por nós, e Ele está tecendo “uma glória eterna que pesa mais do que todos” para nós (2 Coríntios 4:17).

Conclusão



"Solta o Cabo da Nau [Hino 467 da Harpa Cristã]" | COMAADEG BAND  DrumCast #62
Diante disso, meu desejo é que possamos confiar no Senhor, em Seu poder e sabedoria.

Ele nos capacitará para vencermos todas as batalhas em dias difíceis.

Vamos nos manter firmes na graça e na vontade de Deus, sempre alertas e vigilantes contra toda a cilada do inimigo.

Vamos avançar e entender que nada acontece na força do nosso braço, mas sim na vontade plena do Senhor!
"Teus, ó Senhor, são a grandeza, o poder, a glória, a majestade e o esplendor, pois tudo o que há nos céus e na terra é Teu. Teu, ó Senhor, é o Reino; tu estás acima de tudo" (1 Coríntios 29:11).
[Fonte: IPB, por Gildásio Jesus Barbosa dos Reis | Ministério Razão de Viver | 
Revista Renascer, por Pr. João Queiros]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.


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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
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sábado, 24 de janeiro de 2026

ESPECIAL: O TRISTE FENÔMENO DA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER NA COMUNIDADE EVANGÉLICA

  • O Brasil bate recorde de agressões contra mulheres. O Fórum de Segurança Pública revela que 37,5% das brasileiras sofreram violência nos últimos 12 meses, totalizando mais de 21 milhões de vítimas.
  • Esse é o pior índice desde 2017 e representa uma realidade assustadora: uma em cada três mulheres já sofreu algum tipo de violência.
  • A pesquisa ainda revela que, após uma agressão, 47,4% das mulheres sequer buscaram ajuda. Algumas tentaram recorrer ao Estado, mas só 25,7% conseguiram ser ouvidas por órgãos oficiais. Outras pediram apoio a amigos, familiares ou lideranças religiosas, enquanto o restante desistiu antes mesmo de tentar.
O Brasil tem registrado um aumento contínuo e recorde nos casos de feminicídio, atingindo números alarmantes entre 2024 e o início de 2026.

A situação é descrita como o estágio final de uma escalada de violência doméstica, onde, em média, quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2025.

Aqui estão os principais pontos sobre o aumento do feminicídio no Brasil:

Dados Recentes e Recordes

  • Recorde em 2025 — O ano de 2025 registrou um novo recorde histórico, com ao menos 1.470 mulheres mortas, um aumento contínuo que demonstra a persistência da violência de gênero, mesmo sem dados completos de todos os estados.
  • Comparativo 2024/2025 — Houve um aumento de 0,41% entre os registros de 2024 (1.459 casos) e 2025 (1.470 casos), consolidando uma tendência de alta.
  • Aumento em uma década — Desde a tipificação do crime em 2015, os casos aumentaram significativamente, totalizando mais de 13.400 mulheres assassinadas em dez anos.
  • Estados mais afetados — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia lideram o número de registros, com 15 estados apresentando aumento no último levantamento.

Fatores do Aumento

  • Violência de Gênero — O feminicídio é o resultado final de um ciclo de violência física, psicológica, sexual e moral, enraizado na misoginia e na desigualdade de gênero.
  • Legado Histórico — Fatores como o racismo estrutural e o machismo aumentam o risco de violência fatal, especialmente contra mulheres negras.
  • Cultura da Violência — A tolerância, o silêncio ou a relativização da violência contra a mulher em comportamentos cotidianos contribuem para a escalada até o crime.

Algo mais que apenas orar!

Neste triste e trágico cenário, a violência contra a mulher praticada por pastores e líderes religiosos engloba agressões físicas, sexuais, psicológicas e patrimoniais, frequentemente ocultadas pela autoridade espiritual e pela estrutura hierárquica das igrejas.

Casos recentes no Brasil mostram que pastores têm sido presos por abuso sexual de fiéis, estupro de vulneráveis e violência doméstica, utilizando sua posição para subjugar e silenciar as vítimas. E o roteiro é sempre o mesmo:
"Quando contei ao pastor que meu marido me agredia, ele me disse: 'irmã, você está orando pouco'."
O relato acima é fictício, mas o pano de fundo da violência doméstica contra as mulheres evangélicas é sempre esse e ajudam a explicar o número revelado por um estudo recente:
  • 42,7% das evangélicas no país já sofreram violência doméstica.
E, pode ter certeza, vou afirmar sem medo de errar:
(Digo eu, não o Senhor:) Pastores [e/ou qualquer outro líder religioso] que tem esse tipo de postura, diante de um caso de violência doméstica, tem ao menos 90% de chance de vir a ser ele um iminente agressor/feminicida (Pronto, falei!)!

Os dados estatísticos X a omissão religiosa

Segundo o último Censo do IBGE, os evangélicos são o grupo religioso que mais cresce no país.

O relatório "Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil" chega à quinta edição trazendo dados inéditos sobre as distintas formas de violência contra meninas e mulheres brasileiras.

O estudo, conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e pelo Instituto Datafolha, mostra que a violência de gênero nos últimos doze meses atingiu o maior índice desde o início da série histórica, em 2016.

Apesar disso, 47,4% das mulheres vítimas de violência grave no ano passado afirmam não terem feito nada diante da agressão sofrida. Mas 6% procuraram a igreja.

O diagnóstico, feito com base em autodeclaração, levanta a discussão sobre o papel dos espaços de fé na prevenção da violência e no acolhimento às mulheres.

Ainda segundo a pesquisa, uma em cada quatro brasileiras sofreu agressão física por parte de parceiro atual ou ex-parceiro.

Dentre as entrevistadas, 42,7% das mulheres que se identificaram como evangélicas sofreram violência ao longo da vida, contra 35% das que se identificaram como católicas.

De acordo com o Boletim Especial do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mulheres chefiam 50,8% dos lares brasileiros.

Ainda assim, o discurso religioso inspira papéis de gênero definidos, em que as mulheres cumpririam funções de cuidado e os homens seriam vistos como provedores e última autoridade do lar.

Nesse arranjo, a figura feminina estaria mais frequentemente submetida ao exercício da liderança masculina, o que explicaria, por exemplo, as queixas sobre estupro conjugal.

Os pesquisadores também sugerem que a proximidade das fiéis com líderes religiosos, no caso das mulheres evangélicas, pode ser um dos fatores que representam uma oportunidade ou uma barreira ao enfrentamento da violência.

A mulher é desestimulada a fazer a denúncia, a sair do relacionamento, justamente por causa da sacralidade do matrimônio.

Ela é aconselhada a outras coisas, como a resignação e a oração para que o agressor mude seu comportamento.

São conselhos que apenas fazem com que a mulher siga na situação de violência.

Por uma questão de metodologia e de quantidade da amostragem, não foram consideradas outras vertentes religiosas nesta edição do relatório.

Feminicídios cometidos por pastores


Este cenário também revela um fenômeno em crescimento e que, não somente pelo escândalo que respinga em toda a comunidade evangélica, mas para além de causar grande comoção e instabilidade nas denominações envolvidas, revela, explicita o quanto já passou da hora de algo ser efetivamente feito: o número exponencial de pastores envolvidos em casos de feminicídios.

Recentemente escrevemos e postamos aqui no blogue Conexão Geral, uma séries especial em cinco capítulos, com enfoque justamente sobre os crimes de feminicídios cometidos por pastores.

Pastores feminicidas, uma realidade que não pode ser ignorada


O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O total supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então.

Os registros oficiais de feminicídios apontam para quatro mulheres mortas por dia no ano passado.

Sendo que, não se pode negligenciar que o Brasil, que vê o crescimento do número de evangélicos, também presencia mulheres sendo mortas por pastores.

Nas imagens que disponibilizamos, há fotos, idades e forma de execução de mulheres, vitimadas por líderes religiosos, em casos de feminicídio que chocaram a sociedade brasileira.

Entre as vítimas, há nomes conhecidos no mundo gospel como a cantora Sara Freitas (Sara de Freitas Souza Mariano) executada por um pastor conhecido como Bispo Zadoque (que seria amante de seu esposo) sendo Ederlan Mariano, cônjuge de Sara, o autor intelectual do crime macabro ocorrido em outubro de 2023.

As jovens Stefany Vitória (13), Aguida Fernandes (14), Natany Alves (20) etc. também estão entre os numerosos casos onde brasileiras foram vitimadas por líderes evangélicos.
  • No dia 25 de setembro de 2020, o pastor Gilberto Adriano de Oliveira foi condenado a 22 anos e 6 meses de prisão por matar e ocultar o corpo da esposa. O crime aconteceu em 2017, em Passos (MG).
  • No dia 31 de março de 2022, Haisalana Rodrigues de Lima, de 22 anos, foi morta a facadas pelo marido, o pastor Patrick do Espírito Santo, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. Dois meses antes, Haisalana, se separada do marido devido a frequentes episódios de agressão.
  • Na noite de 3 de maio de 2023, a pastora de 48 anos Maria Sonia Pereira foi assassinada a facadas dentro de sua casa, em Sooretama (ES) por seu marido, o pastor Wallace Sepulcro de Almeida Santos, de 36 anos, que também confessou o crime.

Conclusão


É crucial que a igreja e suas lideranças repense(m) sua abordagem em relação à violência de gênero e ao apoio às mulheres que desejam se separar. 

A transformação começa com uma análise crítica da interpretação bíblica que perpetua o machismo e a misoginia. 

Além disso, é fundamental que haja uma revisão das práticas e valores para garantir que as mulheres que enfrentam violência doméstica encontrem apoio e segurança dentro das comunidades religiosas. 

A realidade apresentada no texto deste artigo, destaca uma questão crítica que requer uma atenção séria dentro das comunidades evangélicas e, em última análise, em todas as esferas da sociedade. 
A interpretação da Bíblia, quando usada para justificar a submissão da mulher e a perpetuação da violência, precisa ser questionada e reformulada.
É imperativo que as comunidades religiosas sejam locais de apoio e segurança para as mulheres que enfrentam violência doméstica, em vez de perpetuar uma cultura que as coloca em risco.

Somente com uma mudança significativa na interpretação e práticas, a igualdade de gênero e o respeito pelas mulheres podem ser verdadeiramente promovidos.
Mulheres, fiquem alertas! Os primeiros sinais de que o homem tem tendências violentas, o que o caracteriza como um possível feminicida, pode ser visto antes mesmo do casamento. 
Portanto, saiba escolher os homens com os quais se relacionam. E você, que já está em um relacionamento abusivo, não pestaneje: DENUNCIE URGENTEMENTE! A Deus o que é de Deus e a César o que é de César! 
E, se por acaso o seu pastor e/ou líder religioso for omisso, DENUNCIE-O TAMBÉM COMO CÚMPLICE!
[Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil, texto original por Camila Caringe — jornalista que se dedica a cobrir assuntos de sustentabilidade ambiental, social e de governança no Brasil e no mundo. Congresso em Foco.]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

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E nem 1% religioso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES — "CAMILA, CAMILA", NENHUM DE NÓS

Já prestou atenção na letra da música “Camila, Camila”, da banda gaúcha Nenhum de Nós, uma das canções que embalaram os corações dos jovens nos anos 1980? 

Infelizmente, a maioria de nós não tem o hábito de fazer uma análise sobre a música que está ouvindo.

Nos deixamos envolver pelo ritmo e pela melodia sem, necessariamente, dar muita importância sobre o que estamos ouvindo e/ou cantando.
É o caso também — citando apenas mais UM, dentre muitos outros exemplos — do que acontece com as canções "Pais e Filhos", um dos maiores hits na discografia da banda Legião Urbana, cuja letra fala sobre suicídio — conforme foi dito pelo próprio Renato Russo (✰1960/✞1996), o compositor — e a cantamos como se ela fosse apenas mais uma balada romântica (ela, inclusive, chegou a fazer parte da trilha sonora das novelas "A Vida da Gente", de 2012 e "Sete Vidas", de 2015, ambas exibidas pela Rede Globo, no horário das 18h00).
O nome da protagonista dos versos, a "Camila", costuma ser cantado a pleno pulmões pelos entusiastas do rock gaúcho, mas por trás de frases misteriosas se apresenta o relato de um caso de violência doméstica.

É a história da letra dessa canção, um dos grandes clássicos do rock nacional da década de 1980, que iremos conhecer, após os parênteses abaixo, neste capítulo da nossa série especial de artigos "Canções Eternas Canções".

A importância da letra em uma composição musical


A letra em uma composição musical é crucial para transmitir mensagens, contar histórias e criar conexão emocional com o ouvinte, fornecendo contexto e significado que a melodia sozinha não consegue, embora a importância varie por artista, podendo ser o foco principal ou servir ao som e à produção, sendo um elemento essencial para a identidade e memorabilidade da canção.

A letra é, portanto, a alma verbal da música, essencial para a comunicação profunda e a arte de compor, transformando sons em histórias e emoções tangíveis para quem ouve.

A banda

Uma banda que fez o Sul chegar ao resto do Brasil


Primeira formação da banda, da esquerda para a direita: Thedy Correa (baixo e voz),
Sady Homrich (bateria e percussão), Carlos Stein (Guitarra) e João Vicente (teclados)
Formada em 1986, em Porto Alegre (RS), o Nenhum de Nós nasceu no embalo de uma geração que misturava o charme do rock inglês com a crônica urbana brasileira.

Enquanto Legião Urbana, Titãs e Paralamas traçavam seus mapas sonoros, o Nenhum colocava o vento frio da Serra Gaúcha dentro das rádios nacionais.

Com Thedy Corrêa (voz e baixo), Carlos Stein (guitarra) e Sady Homrich (bateria e percussão), posteriormente com a entrada de Veco Marques (violões e guitarras) e João Vicenti (teclados), a banda construiu uma trajetória sólida, longe dos holofotes efêmeros e perto da alma de quem ama música de verdade.

Há quatro décadas na estrada, com uma carreira ininterrupta, com a mesma base de integrantes, um marco raro na música nacional, o Nenhum de Nós é uma das principais bandas brasileiras em atividade no segmento pop rock e uma das poucas a ter ultrapassado a marca de 2 mil e trezentos shows.

Com 17 discos, 03 DVDs, 02 EPs e várias coletâneas lançadas, a banda já recebeu inúmeros prêmios, reconhecimento de público e de crítica e possui uma imensa legião de fãs no Brasil e na América Latina.

O diferencial do Nenhum de Nós reside na manutenção de sua formação original e na capacidade de compor letras poéticas que tratam de sentimentos e temas sociais com longevidade.

A Letra


O que parecia ser apenas uma música com um refrão fácil e que cantávamos a plenos pulmões era nada mais nada menos que um grito por socorro.

A letra de "Camila, Camila" trazia como tema violência doméstica, algo que infelizmente ainda é muito comum na nossa sociedade nos dias de hoje.

Quando o tema do abuso sexual de crianças e adolescentes era praticamente inexplorado no Brasil, a banda Nenhum de Nós ousou tratar desse assunto nos anos 80 por meio dessa emblemática canção, que é obrigatória em todas as boas festas e compilações da maravilhosa e marcante década de 1980,  sendo hoje, merecidamente, essa faixa considerada um clássico do cenário do rock nacional.

Em entrevistas na época, o líder vocal e autor da letra, Thedy Corrêa, disse que sentiu a necessidade de abordar um tema ainda um tanto delicado e tabu para época.

A ideia por trás da letra imprime a paisagem de conscientizar contra a violência sexual.

"Camila, Camila" foi o primeiro sucesso da banda Nenhum de Nós. A música foi responsável por inserir o grupo no rock profissional na segunda metade da década de 80, quando eles tinham apenas seis meses de formação.

Tentamos dar a nossa versão sobre a letra, sei que ela pode trazer várias visões e tal, mas esperamos que todos parem para ouvir e entender "Camila, Camila".

Camila Camila 

Nenhum de Nós


Capa do primeiro disco
'Depois da última noite de festa
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
As coisas aconteciam com alguma explicação
Com alguma explicação...
Imagina sair de casa para ir a uma festa com o namorado e voltar sabendo que aquela mínima coisa que supostamente aconteceu vai transformar a noite em mais um pesadelo, e o desejo é apenas que amanheça logo para que tudo acabe.
...Depois da última noite de chuva
Chorando e esperando amanhecer, amanhecer
Às vezes peço a ele que vá embora
Que vá embora...
Aqui se nota que a violência é constante, seja em noites depois de sair ou mesmo com chuva lá fora, e a vontade que tudo se acabe faz o grito se tornar desespero, onde o maior desejo é que o agressor vá embora.
...Camila, oh
Camila, Camila...
Um grito ecoante de dor. É como se Camila procurasse em seu nome uma saída, um achamento de si mesma.
...Eu que tenho medo até de suas mãos
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega...
Aqui a certeza que a violência não é só psicológica. Imagino o medo daquele ódio infundado de uma pessoa que deveria nos amar e só agride.
...E eu que tenho medo até do seu olhar
Mas o ódio cega e você não percebe
Mas o ódio cega...
Imagina ter medo até de olhar para a pessoa e desse olhar vir o motivo para a próxima agressão? Aqui, a protagonista usa o eu lírico para verbalizar o pavor que sentia em relação ao seu abusador.
...A lembrança do silêncio
Daquelas tardes, daquelas tardes
Da vergonha do espelho
Naquelas marcas, naquelas marcas...
O silêncio aqui se caracteriza no medo da pessoa agredida em buscar ajuda, em se sentir incapaz de gritar por socorro ao ponto de não conseguir se olhar no espelho e ver ali as marcas da agressão, se sentir até de certa maneira culpada pelo que está passando.

Esse é um dos poderes da agressão psicológica, e uma estratégia usada pelos agressores: fazer com que a vítima se sinta culpada e se responsabilize pela agressão sofrida.
...Havia algo de insano
Naqueles olhos, olhos insanos
Os olhos que passavam o dia
A me vigiar, a me vigiar...
A maneira com que ela é vigiada traz a certeza de um descontrole emocional do agressor, um ódio, um desequilíbrio mental.

Se sentir vigiado em cada passo, em cada gesto. É o doentio domínio e possessão que os abusadores acreditam ter sobre suas vítimas.
...Camila, oh
Camila, Camila
Camila, oh
Camila, Camila...
Mais gritos de desespero, de angústia, de dor, de desesperança.
...E eu que tinha apenas 17 anos
Baixava a minha cabeça pra tudo
Era assim que as coisas aconteciam
Era assim que eu via tudo acontecer.'
Ainda jovem e sentindo na pele e na alma toda a dor de um relacionamento abusivo.

Um medo que faz com que ela perca até a coragem de olhar o mundo de frente, daí a visão de olhos baixos, submissos, tristes e incapazes de pedir ajuda.

A história da música


"Camila, Camila" foi o primeiro sucesso da banda Nenhum de Nós. 

A música foi responsável por inserir o grupo no rock profissional na segunda metade da década de 80, quando eles tinham apenas seis meses de formação.

A história da música "Camila, Camila" começa antes mesmo do surgimento da banda, quando os integrantes estavam no ensino fundamental. 

Acontece que todos eles estudavam juntos na mesma escola, alguns até na mesma turma.

Foi na escola que eles conheceram a menina que inspirou a música — seu nome verdadeiro não é Camila, mas, infelizmente, a história é real.

Já com a banda formada, os cinco integrantes do grupo, Thedy Corrêa, Carlos Stein, Sady Homrich, Veco Marques e João Vicenti, costumavam se reunir para compor e escrever letras.

Em uma das reuniões, eles se lembraram da colega de escola, uma adolescente de 17 anos, que vivia um relacionamento abusivo, e foi aí que a ideia da música surgiu.

Thedy conta que a composição não foi fácil, levou bastante tempo e foi feita em etapas — eles fizeram tudo com muito cuidado e conversaram sobre cada verso.
"Sabemos que, sendo todos homens, os integrantes da banda estão fora de seu lugar de fala ao relatar o caso de uma menina que sofria violência. 
Mas foi exatamente essa empatia que objetivou a mensagem que queríamos passar. 
[...] O cara era tão violento, mas tão violento, que humilhava a garota na frente de todo mundo. E ela sentia aprisionada naquele relacionamento abusivo."
No entanto, tanto na profundidade da letra quanto nos relatos dos músicos sobre a composição, dá pra perceber que escrever "Camila..." foi um exercício verdadeiro de empatia, uma tentativa de compreender como a amiga se sentia.

Como surgiu o nome da canção?


O nome no refrão só veio mais tarde, em um dia de ensaios no estúdio.

Estava chovendo muito e o chão estava coberto de jornais para evitar que o carpete molhasse.

Em um desses jornais, Thedy viu um anúncio do filme argentino "Camila: O Símbolo de Uma Mulher", lançado em 1984.
O filme argentino "Camila" (1984), dirigido por María Luisa Bemberg, é um clássico do cinema latino-americano que narra a trágica história real de Camila O'Gorman. 
Ambientado na Buenos Aires da década de 1840, durante a ditadura de Juan Manuel de Rosas, o longa acompanha Camila (Susú Pecoraro), uma jovem da alta sociedade que desafia as convenções morais e religiosas ao se apaixonar por Ladislao Gutiérrez (Imanol Arias), um padre jesuíta. 
O romance proibido leva os dois a fugirem para o interior, onde tentam viver uma vida simples sob identidades falsas até serem descobertos.
Quando viu o nome [do filme], ele imediatamente começou a tocar as notas que já tinham composto para o refrão da música e o ritmo encaixou perfeitamente, e foi aí que a personagem da história passou a se chamar Camila.

O sucesso chegou!


Uma versão acústica da canção
Quando escreveram "Camila, Camila", os integrantes do Nenhum de Nós tinham feito apenas 8 shows com a banda formada. 

Eles tinham pouca experiência como grupo e não esperavam o sucesso naquele momento.

De acordo com Thedy, tudo começou quando Cazuza (✰1958/✞1990) ouviu a música e fez questão de gravar sua versão.

A partir daí, a gravadora [Selo Plug] viu que a canção tinha muito potencial e que precisava ser lançada imediatamente.

Os músicos mostraram certa resistência no começo, porque queriam compor mais músicas antes de lançar seu primeiro álbum. 

Por sorte, eles acabaram aceitando gravar e o álbum homônimo que, como já dito, foi lançado em 1987.

No ano seguinte, "Camila, Camila" se tornou um hit nacional e consagrou definitivamente o grupo no cenário do rock brasileiro.

Conclusão


O vocalista Thedy explicando a letra da música em uma
apresentação no programa "Altas Horas", do Serginho Groismann
"Camila, Camila" é uma forte crítica social contra os maus tratos sofrido por mulheres; é uma denúncia sobre a violência contra as mulheres. 

Apesar de fazer parte do surgimento do Rock no Brasil e ter sido cantada até sem nem mesmo se ouvir direito a letra essa música vem sendo reproduzida até hoje como um tema atual, um grito denunciante, de forma sensível e impactante, mostrando que, apesar do tempo, a temática sobre relacionamentos abusivos e violência doméstica continua tristemente atual.  

Aquela agressão que pode acontecer na casa do lado, e que nos cega. Até mesmo reparar nos detalhes da vida de outra pessoa pode ser preciso, até porque a mulher que sofre esse tipo de violência, como a protagonista da letra, precisa de ajuda e nem sempre ela consegue pedir. Daí os altos índices de Feminicídio que estampam os jornais do nosso dia a dia.

Mesmo décadas após seu lançamento, a música continua sendo um importante marco por sua mensagem atemporal sobre um problema social persistente no Brasil.
Que as "Camilas" de hoje consigam a ajuda necessária para fugir das mãos dos agressores que deviam dar amor e só dão dor. Fiquemos atentos aos sinais de toda e qualquer violência contra a mulher!

Onde denunciar casos de abuso e violência infantil ? 


  • Polícia Militar — 190: quando a criança está correndo risco imediato; 
  • Samu — 192: para pedidos de socorro urgentes; 
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres; 
  • Qualquer delegacia de polícia; 
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa; 
  • Conselho tutelar: todas as cidades possuem conselhos tutelares. São os conselheiros que vão até a casa denunciada e verificam o caso. Dependendo da situação, já podem chegar com apoio policial e pedir abertura de inquérito (Via g1).
[Fonte: Sobre — Nenhum de Nós]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.



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domingo, 18 de janeiro de 2026

EU NÃO ME ESQUECI — O CASO ELOÁ PIMENTEL E O DEBATE SOBRE A ÉTICA NO JORNALISMO

Em outubro de 2008, um episódio parou o Brasil, mobilizou as forças de segurança pública e tornou-se mais um caso emblemático sobre o desprezo às éticas do jornalismo e a má atuação da mídia na repercussão de ocorrências trágicas e polêmicas.

Quatro adolescentes foram mantidos em cárcere privado em um residencial popular em Santo André, São Paulo.

Depois de mais de 100 horas de sequestro — e uma sequência bastante questionável de atitudes da polícia e da mídia que cobria o fato — uma das vítimas acabou sendo morta pelo agressor, que foi preso em flagrante.

O trágico e emblemático desenrolar do feminicídio que vitimou Eloá Cristina Pereira Pimentel, que tinha 15 anos quando foi morta pelo namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, é o tema que trazemos em mais um capítulo da nossa série especial investigativa "Eu Não me Esqueci".

Relembre os fatos


Há 17 anos, o Brasil acompanhava o mais longo sequestro em cárcere privado já registrado em São Paulo.

Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi feita refém pelo ex-namorado, Lindemberg Alves, então com 22 anos, em seu próprio apartamento, por quatro dias.

Dinâmica dos fatos


O agressor invadiu a residência da adolescente afirmando estar inconformado pelo fim do relacionamento.

O desfecho foi o mais trágico: Eloá morreu atingida por dois tiros, um na cabeça e outro na virilha, durante a entrada da Polícia Militar no local.

Durante todo o episódio, foi notável a forma como a mídia televisiva interferiu no sequestro e atrapalhou, inclusive, as negociações da polícia.

Telejornais e programas de TV de diversas emissoras se ocuparam em fazer uma cobertura em tempo real do acontecimento.

Um episódio que até hoje inquieta a todos foi a entrevista ao vivo que a jornalista Sonia Abrão fez com Lindemberg e Eloá por telefone.
  • Lindemberg, invadiu armado o apartamento da ex-namorada Eloá, na tarde do dia 13 de outubro de 2008.
  • No local, estavam a estudante e três amigos: Nayara Rodrigues da Silva, Iago Vilera e Victor Campos, que faziam um trabalho escolar. 
  • A motivação é um dejavu: ex não aceitava o fim do relacionamento com Eloá e manteve a jovem e os amigos presos no apartamento.
  • À noite, ao notarem que os filhos não retornaram para casa, os pais dos estudantes acionaram a polícia, que foi até o local.

Libertação dos reféns


Ainda no dia 13, Lindemberg permitiu que Iago e Victor saíssem do apartamento, mas manteve Nayara e Eloá no local.

A amiga pôde sair somente no dia seguinte, mas, como parte das estratégias de negociação para a libertação de Eloá, Nayara voltou ao apartamento na manhã do dia 16.

Durante os dias do sequestro, a polícia fez um cerco na região. E, segundo relatos dos moradores, quem estava na CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) ficou impossibilitado de sair da área.

Invasão da polícia


Na noite do dia 17, após mais de cem horas de cárcere privado, policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) e da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo explodiram a porta do apartamento, alegando ter ouvido um disparo de arma de fogo no interior do local.

Em depoimento, Lindemberg disse ter acompanhado pela TV a preparação dos policiais para invadir o apartamento.

Quando viu a sombra de um dos agentes na escada, ele atirou na cabeça de Eloá.

Os policiais entraram em luta corporal com Lindemberg, que teve tempo de efetuar outros disparos em direção às reféns.

Segundo moradores, um buraco na parede do bloco 24 em frente ao apartamento de Eloá teria sido causado por um dos tiros do criminoso.

Nayara saiu do apartamento andando e segurando uma toalha ensanguentada no rosto. Ela foi atingida de raspão por um tiro no rosto.

Além do disparo na cabeça, Eloá levou um tiro na virilha. Ela saiu carregada e foi transportada inconsciente para o hospital.

A morte cerebral da jovem foi constatada no fim da noite de sábado (18).

Como está Lindemberg?

De acordo com a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), Lindemberg cumpre pena em regime semiaberto e está custodiado na Penitenciária Dr. José César Salgado, a P2 de Tremembé — conhecida por abrigar presos em casos de grande repercussão —, no interior de São Paulo.

Ele exerce atividade laborterápica no interior do presídio e tem direito a saídas temporárias, ao longo do ano, concedidas pelo Poder Judiciário.

Em fevereiro de 2012, quatro anos após o crime, Lindemberg foi condenado pelo tribunal do júri de Santo André a 98 anos e dez meses de reclusão e ao pagamento de 1.320 dias-multa, sem o direito de recorrer em liberdade.

A defesa recorreu e, em sessão realizada em 2013, a 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo reduziu a pena do réu para 39 anos e 3 meses de reclusão com início em regime fechado e ao pagamento de 16 dias-multa.

O sensacionalismo midiático



Iconografia da História — Eloá: Como a Mídia Influenciou
no Fim Trágico de Uma Garota de 15 anos
A atual sociedade brasileira tem interesse em se manter informada de quaisquer acontecimentos do país e do mundo, e tem esse direito preservado pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 — CRFB/1988.

A notícia, atualmente, percorre grandes espaços em um curto espaço de tempo incrivelmente mínimos, especialmente, com a velocidade decorrente das redes sociais e o alcance que tais informações proporcionam.

Sabe-se que a comunicação é um processo de informação, proporcionada por meio de linguagem, através de veículos como rádio, televisão e mídias sociais.

A liberdade de imprensa foi uma conquista pós-ditadura militar, onde todas as informações publicadas deveriam passar pela aprovação do governo.

O caso Eloá se tornou um espetáculo midiático. Além disso, essa cobertura excessiva evidenciou como a busca por audiência pode banalizar tragédias e desrespeitar direitos fundamentais.

Dessa forma, analisar essas práticas é fundamental para compreender os impactos negativos do sensacionalismo na sociedade.

Portanto, é essencial discutir soluções éticas para um jornalismo mais responsável e comprometido com a informação de qualidade.

A televisão, como meio de comunicação preponderante nos lares e na vida das pessoas, detém o poder de entreter e informar simultaneamente, constituindo-se em um dos mais relevantes instrumentos de comunicação global desde o seu surgimento.

Este fato revela de maneira evidente a imponência e a persuasão inerentes à programação veiculada por diversos canais, bem como as reações provocadas nos telespectadores, engendrando uma amalgama de sentimentos e opiniões que podem divergir ou aderir de maneira inequívoca ao conteúdo apresentado.

O principal veículo informativo dessa mídia é composto pelos telejornais e programas de notícias diários, sendo nesses meios que a população busca fundamentação para formar suas posições em relação aos eventos.

A problemática subjacente reside no fato de que alguns desses programas distorcem informações ou destacam aspectos que não se alinham aos princípios do bom jornalismo, carecendo de conteúdo relevante que contribua para o enriquecimento do público telespectador.

Caracteriza-se como sensacionalista esse tipo de abordagem jornalística, pautado na tentativa de comover a população, muitas vezes valendo-se de artifícios antiéticos, como a exploração do sofrimento alheio

Dia nacional de luto


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou duas leis voltadas à memória das vítimas de feminicídio e ao aprimoramento das políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. As normas foram publicadas no Diário Oficial da União na sexta-feira, 9.
A lei 15.334/26 instituiu o Dia Nacional de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio, a ser lembrado anualmente em 17 de outubro.

A data foi definida pelo Congresso Nacional a partir do PL 935/22, apresentado pela senadora Leila Barros, e busca promover homenagens e reflexões sobre a violência letal de gênero no país.

O dia escolhido remete ao caso de Eloá Cristina Pimentel, morta em 2008 após ser mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, episódio que ganhou repercussão nacional.

Na justificativa do projeto, a senadora destacou que a iniciativa também simboliza outras mulheres vítimas de feminicídio, como Ângela Diniz, Eliza Samúdio e Daniella Perez, ressaltando que esses crimes estão associados à tentativa de controle e à negação da autonomia feminina.
 

Documentários


Existem diferentes produções audiovisuais que abordam o caso de Eloá Pimentel, ocorrido em 2008. As principais opções para assistir são:
  • Documentários e Séries Documentais "Caso Eloá: Refém ao Vivo" (Netflix) — Estreado em 12 de novembro de 2025, este documentário original da Netflix revisita o sequestro focando na espetacularização da mídia e nas falhas policiais durante as 100 horas de cárcere. A produção inclui depoimentos de familiares e jornalistas.
  • "Linha Direta — O Caso Eloá" (Globoplay) — O primeiro episódio da temporada de 2023 do programa Linha Direta é dedicado ao caso. Ele reconstrói os eventos com simulações e entrevistas com sobreviventes, como Nayara Rodrigues.
  • "Quem Matou Eloá?" (Prime Video) — Um documentário que analisa a violência contra a mulher e a cobertura jornalística sensacionalista da época.
Ficção e Menções em Séries
"Tremembé" (Prime Video) — Nesta série de ficção baseada na vida de criminosos famosos presos na penitenciária de Tremembé, o personagem Lindemberg Alves (interpretado por Edu Rosa) aparece no terceiro episódio.

Conclusão


O caso Eloá, do ponto de vista jurídico, revela as complexas interseções entre direitos humanos, liberdade de imprensa e invasão de privacidade.

A cobertura midiática excessiva e sensacionalista não apenas prejudicou a integridade do processo legal, mas também influenciou o desfecho do caso, expondo as partes envolvidas a uma intensa pressão pública, revelando assim a necessidade premente de regulamentações mais rigorosas para proteger a dignidade das pessoas.

A mídia desempenhou um papel negativo ao transformar a tragédia em espetáculo, comprometendo a justiça e os direitos das pessoas envolvidas.

Esse caso ilustra vividamente a importância de salvaguardar a integridade do sistema jurídico e a dignidade de todas as partes afetadas, através da implementação de regulamentações mais estritas para controlar a exploração midiática.

Caso Eloá Pimentel, eu não me esqueci, e você?
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.


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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.