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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

🗣️PAPO DE PSICANALISTA🧠 — FIM DO ANO CHEGOU, NÃO CUMPRI MINHAS METAS, E AGORA?

A mudança de calendário, naturalmente, vem acompanhada de uma atmosfera de recomeço que nos impulsiona a estabelecer metas, montar listas de objetivos e planos a serem realizados ao longo do ano que se irá iniciar. Somos inundados por diversas aspirações como consequência natural das expectativas no novo ano que virá.

Certo que, existe uma variação muito grande nestas intenções, em vários campos da vida, que vai desde as mais simples até as mais complexas ou com maior grau de dificuldade. Seja no campo afetivo, profissional, nos estudos, relações familiares e até nas finanças pessoais.

Podem ser metas de emagrecimento, mudanças de emprego, escrever um livro, casar, viajar, ter filhos, eliminar dívidas, mudar de país, entre outros.

Não importa, a verdade é que a cada ano renovamos nossas expectativas e nos enchemos de esperança de que, ao fim dos 365 dias iniciados, todas as metas estabelecidas estejam cumpridas.

Definindo os propósitos


O romancista britânico Lewis Carroll (✰1832/✞1898), autor do clássico conto "Alice no País das Maravilhas", retratou em uma fala entre a menina e o gato, um exemplo do quão saudável e importante é planejar e estabelecer metas de vida. Neste diálogo, ao encontrar o gato, Alice indaga qual o caminho ela deveria seguir.

O misterioso felino respondeu: 
"Isso depende muito do lugar onde quer chegar. Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve".
E é bem isso mesmo: as metas, estratégias e objetivos são valiosos na construção do nosso próprio equilíbrio e bem-estar.

A definição de propósitos e a busca por conquistar objetivos, são ações benéficas que contribuem para o aumento da autoestima, o fortalecimento do ego, a renovação do ânimo, a diminuição do estresse e a injeção motivacional; além de propiciar saudáveis mudanças comportamentais e promoverem o autoconhecimento do indivíduo.

Entretanto, o grande desafio é tirar os desejos do papel, eliminar a procrastinação, concretizar os sonhos e não permitir que uma meta não concluída, por qualquer que seja o motivo, se transforme em frustração, sensação de fracasso ou sofrimento.

Á vista disso, alguns cuidados devem ser tomados para que essa construção pessoal não se transforme em um pesadelo.

Definindo os limites


É muito importante definir metas concretas e tangíveis.

Objetivos reais e alcançáveis. Um dos grandes erros é não se atentar para a viabilidade do que está sendo estabelecido.

Definir metas incompatíveis com a sua realidade, pode ser um prato cheio para a frustração.

Além disso, alguns desejos podem depender também de outras pessoas, ou até mesmo de um tempo maior que 12 meses para se concretizarem.

Também não adianta fazer uma lista gigantesca de metas a serem alcançadas. Quantidade não é sinônimo de qualidade ou de perfeição. Comprometa-se com o que dará conta de ser cumprido para que seus objetivos não sejam adiados.

Desta forma, corre-se menos risco de ser atropelado por sentimentos de procrastinação que adiam decisões e buscam desculpas para impedir a sua progressão.

Passo a passo


A grande sabedoria é não permitir que as metas se transformem em peso nas costas.

Isso é muito comum, quando estabelecemos metas pessoais e, ao findar do ano percebemos que nem tudo o que foi estabelecido, foi cumprido.

Desta forma, carregamos para o novo ano "dívidas" e cobranças mentais indesejáveis.

Motivo pelo qual, devemos dar pequenos passos para encontrar caminhos funcionais. Lembrando que o que funciona para uma pessoa, nem sempre funcionará para o outro.

Afinal de contas, viver não é uma simples prática culinária onde, com a receita em mãos, obtemos um fantástico e desejável bolo.

A evolução pessoal demonstra que precisamos nos organizar, vencer nossos próprios medos, alinhar a mente e o corpo, equilibrar o desejo real do que é imaginário e, mais do que isso, rever e promover a mudança de nossas atitudes e comportamentos.

Estar em paz consigo mesmo, sem se cobrar além do limite, já é uma excelente saída para alcançar suas metas com a paz de espírito desejada. Relaxar, dando um passo de cada vez, pode também ser a chave que irá contribuir para se ter melhores ganhos físicos e mentais.

Pensando neste caso, na eliminação das doenças psicossomáticas que, se instalam e são desencadeadas para o corpo, em decorrência de traumas e neuroses construídas na psiquê.

O importante é evoluir

Muito mais do que estabelecer metas a cada virada de ano, devemos cuidar para que esse gás não se perca ao longo dos dias e meses e que não sejamos acometidos por angústias ou sensação de fracasso.

Rever as listas de anos anteriores também ajuda a enxergar e refletir sobre o que nos impede de conquistar determinados objetivos que, entra ano e sai ano, se repetem em nossa lista de metas e, consequentemente, acabam não saindo do papel.

Também é super válido identificar quais as crenças bloqueadoras precisam ser derrubadas para que novos resultados apareçam. Mas, cuidado para não transformar o estabelecimento de metas em uma competição consigo mesmo.

Seja determinado, mas não se esqueça que mudar é um processo. Não vale a pena se martirizar e perder a paz. Mais importante que conquistar é a construção e o caminho a ser percorrido e, o quanto de crescimento e aprendizado se obteve ao longo deste percurso.

Reflita sobre seus sucessos até aqui, mas não se esqueça que os fracassos também devem ser valorizados. Transforme suas frustrações em gatilhos para a obtenção de força na busca de caminhos mais assertivos.

Conclusão

Portanto, estamos por iniciar 2026. Que seja com muitas esperanças, promessas e sonhos.

Campo fértil perfeito para que se possa fazer um balanço fiel de como estamos administrando nossos desejos e emoções.

Momento de indagar: Onde queremos chegar? Por quê? Para quê? O que isso irá acrescentar em nossas vidas?

Tenha enfim, serenidade na mente e elimine a impulsividade, agindo com cautela e percebendo, cada vez mais, o que seus instintos e essência lhe dizem.

Agir sem saber gerenciar os sentimentos, pode provocar escolhas equivocadas e sem muitas expectativas de sucesso.

O melhor a fazer é desacelerar o pensamento e saborear o momento, mantendo o foco, o equilíbrio e cuidando de sua saúde mental para encarar, de forma equilibrada e assertiva, um novo ano e seus novos desafios.

[Fonte: Forbes; Jornal da Orla; Unicuritiba]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2025

DIRETO AO PONTO — IA: UMA PERSPECTIVA CRISTÃ

O advento da Inteligência Artificial (IA) marca um ponto crucial na história da tecnologia, oferecendo oportunidades e desafios sem precedentes.

Desde sua concepção, a IA tem o potencial de transformar vários aspectos da vida humana, desde a maneira como trabalhamos e nos comunicamos até a forma como entendemos a própria natureza da inteligência.

No entanto, com essas oportunidades é imprescindível que perguntemos como essa ferramenta afeta a forma como interagimos com o mundo ao nosso redor, levantando, assim, a importantes questões éticas.

Quem não é contra nós é por nós


O desenvolvimento tecnológico tem ocorrido em velocidade vertiginosa, causando surpresas e espantos até mesmo para pessoas que se dedicam ao estudo e à execução dessas novas tecnologias.

A cada dia, nos deparamos com situações inusitadas e acontecimentos surpreendentes que nos fazem refletir sobre qual é o limite da tecnologia e até que ponto estamos preparados para lidar com ela.

Precisamos aceitar que a tecnologia criada pelos seres humanos pode tomar um rumo inimaginado e inesperado, além da nossa capacidade atual de compreensão do estado da técnica, e nos surpreender com seu avanço.

Se mantivermos uma atitude de descrença e de alheamento diante das diversas possibilidades que se abrem diante dos nossos olhos, corremos o risco de ser ultrapassados pela realidade e nos tornar obsoletos diante dos surpreendentes avanços tecnológicos que marcam a contemporaneidade, daí esta abordagem sobre a inteligência artificial com foco nos seus dilemas metafísicos

Ignorar ou se aprofundar: qual sua escolha?


Vivemos em uma época de profundas transformações tecnológicas. A IA, que antes parecia algo distante, restrita ao campo da ficção científica, agora faz parte da nossa realidade diária.

Desde as recomendações de filmes em plataformas de streaming até a automação de processos em empresas, a IA influencia inúmeras áreas da vida. 
Diante desse cenário, surge uma questão inevitável: como a Igreja deve responder a essas mudanças?
A IA, com suas promessas e desafios, exige da comunidade cristã uma postura de reflexão e discernimento.

Não podemos ignorar o impacto dessa tecnologia na vida espiritual e comunitária. 

Assim como em outras épocas, quando a Igreja enfrentou mudanças trazidas por novas descobertas ou invenções, como a imprensa ou a internet, também agora somos chamados a buscar na Palavra de Deus orientação para responder com sabedoria aos desafios deste tempo.

A mente de Cristo


A soberania de Deus sobre toda a criação é o ponto de partida para essa reflexão. Em Atos 17:28, Paulo declara: 
"Nele vivemos, nos movemos e existimos."
Essa verdade nos dá segurança de que, mesmo em um mundo cada vez mais dominado por tecnologias, Deus continua no controle.

A IA, como qualquer outra invenção humana, é fruto da capacidade criativa que o Senhor nos deu.
C.S. Lewis (✰1898/✟1963), escritor e filósofo irlandês, observava que a criatividade humana é um reflexo da imagem divina em nós.
Assim, quando usada de maneira responsável, a IA pode ser uma ferramenta valiosa para o cumprimento da missão cristã.

A teologia da criação nos lembra que o ser humano recebeu de Deus o mandato de cuidar e desenvolver a criação.

Em Gênesis 1:28, Deus nos ordena: 
"Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a".
Esse chamado inclui a ciência e a tecnologia.
John Stott (✰1921/✟2011), um teólogo britânico comprometido com a aplicação prática do Evangelho, afirmou que o uso da tecnologia deve refletir os valores do Reino de Deus, promovendo justiça, verdade e compaixão.
No entanto, a IA não é isenta de problemas.

Entre os principais desafios estão questões éticas, como o respeito à privacidade e o uso responsável dos dados.

Em um mundo cada vez mais conectado, é fácil esquecer que, por trás dos avanços tecnológicos, estão seres humanos com fragilidades e limitações.

Como cristãos, somos chamados a agir com integridade e transparência em todas as áreas da vida, inclusive no uso da tecnologia.

Em Colossenses 3.23, somos instruídos:
"Tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens". 
Essa postura deve nortear nossas ações no ambiente digital e no uso de ferramentas de IA.

Tudo me é lícito, mas nem tudo me convém


Além das questões éticas, a IA traz oportunidades significativas para o fortalecimento da comunhão e do discipulado.

Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, muitas Igrejas passaram a utilizar plataformas digitais para manter o contato entre os membros.

Ferramentas de IA podem ir além, ajudando na organização de eventos, no acompanhamento pastoral e até na personalização de conteúdos de ensino bíblico.

Hebreus 10:24 nos exorta:
"Consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras".
A tecnologia, usada de forma sábia, pode ser um meio de cumprir essa ordem, aproximando pessoas e fortalecendo os laços de comunidade.

Outro aspecto importante é o impacto da IA na educação teológica.

Em Provérbios 22:6, lemos: 
"Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele".
Recursos tecnológicos baseados em IA podem tornar o estudo da Bíblia mais acessível, interativo e personalizado.

Imagine ferramentas que ajudam novos convertidos a compreender melhor as Escrituras ou plataformas que facilitam o aprendizado em profundidade para líderes e professores da Igreja.
A.W. Tozer (✰1897/✟1963), influente pastor, escritor e conferencista estadunidense, conhecido por seu zelo pelo conhecimento de Deus, frequentemente incentivava os cristãos a usarem todos os recursos disponíveis para aprofundar sua fé.
Entretanto, a integração da IA na vida da Igreja não deve ser feita de forma ingênua ou precipitada. Como afirma Romanos 12:2: 
"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento". 
Essa renovação exige que avaliemos cuidadosamente os impactos da tecnologia em nossa espiritualidade, garantindo que ela seja usada para glorificar a Deus e promover o bem-estar da Igreja.

Além dos usos práticos, a IA também nos desafia a refletir sobre questões profundas da fé. 

Ao lidar com sistemas que imitam a inteligência humana, somos levados a considerar o que significa ser criado à imagem e semelhança de Deus. 

Diferentemente das máquinas, que operam com base em algoritmos, o ser humano possui consciência, moralidade e a capacidade de se relacionar com o Criador. 

Esses aspectos nos tornam únicos e devem ser protegidos em um mundo cada vez mais digitalizado.

Conclusão


A Inteligência Artificial representa uma fronteira nova e desafiadora na interseção da tecnologia e da ética.

Conforme essa ferramenta se integra na vida moderna, é essencial que abordemos suas implicações éticas com uma compreensão profunda e uma visão clara dos valores que queremos promover.

Em resumo, a IA é uma realidade que não pode ser ignorada pela Igreja. Ela apresenta tanto desafios quanto oportunidades, e cabe a nós, como corpo de Cristo, discernir como utilizá-la para a glória de Deus.

Que possamos, como comunidade de fé, ser instrumentos de transformação, usando as ferramentas que Deus colocou em nossas mãos para amar, servir e edificar uns aos outros.

Que cada inovação tecnológica seja colocada sob a autoridade de Cristo, para que, em tudo, Ele seja glorificado.

Em suma, a ética cristã nos lembra que somos mais do que um valor utilitário para a sociedade; somos seres criados à imagem de Deus, com uma dignidade inerente que deve ser respeitada.

Nesta era da IA, é imperativo que as decisões éticas sejam orientadas por uma moralidade transcendente que priorize o bem-estar humano e a justiça.

Assim, podemos garantir que o desenvolvimento tecnológico sirva ao bem maior da humanidade, honrando a Deus e promovendo uma sociedade justa e coesa.


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domingo, 23 de novembro de 2025

📀GRAMOFONE📀 — "HUNTING HIGH AND LOW", A-HA


O pop internacional nos anos 80 foi marcado por ícones como Michael Jackson (✰1958/✞2009) e Madonna, a ascensão do synth-pop e da música eletrônica de dança, a fusão entre música e marketing comercial e a crescente influência do hip hop.

A década consolidou o pop como força comercial e lançou uma nova geração de artistas, diversificando os gêneros com a popularização do dance-pop e o surgimento de novas vertentes do rock.

Artistas como Prince (✰1958/✞2016), Whitney Houston (✰1963/✞2012) e George Michael (✰1963/✞2016) também dominaram as paradas, consolidando o pop como o gênero mais popular da década.

A década de 1980 viu a forte integração entre música, imagem de celebridades e marketing comercial, criando um modelo de marketing holístico que impulsionou vendas e moldou o consumo em escala global.

O lançamento da MTV em 1981 e a popularização dos videoclipes transformaram a maneira como a música era consumida. A estética visual tornou-se tão importante quanto a sonora, e o pop se adaptou a essa nova realidade.

Ou seja, em resumo, o cenário da música pop internacional na década de 1980 foi um período de grande efervescência, marcado pela ascensão de ícones globais, inovações tecnológicas como os sintetizadores e a forte influência da cultura visual, especialmente através da MTV.

Foi uma década que redefiniu a música pop e seu impacto na sociedade. Nesse contexto bem segmentado que foi lançado o álbum que será o enfoque deste novo capítulo da nossa série especial de artigos, "Gramofone".

A-Ha

A história da banda



A-ha é uma banda norueguesa de synth-pop formada em 1982 por Morten Harket (vocal), Magne Furuholmen (teclado/vocal) e Påul Waaktaar-Savoy (guitarra).

A banda alcançou sucesso internacional nos anos 1980, especialmente com o hit 'Take on Me' em 1985, impulsionado por um inovador videoclipe.

Com uma trajetória de altos e baixos, incluindo separações e reuniões, o A-ha continua a lançar álbuns e a fazer turnês, consolidando-se como um fenômeno pop duradouro.

Formação e Início


Pål Waaktaar e Magne Furuholmen já eram amigos de infância e tocavam em bandas juntos antes de se unirem a Morten Harket.

Em 1982, o trio decidiu se mudar para Londres em busca de um contrato de gravação, determinado a fazer sucesso internacional.

Após idas e vindas e muito trabalho, eles conseguiram a atenção do empresário Terry Slater, que os ajudou a assinar com a gravadora Warner Bros.

O Auge do Sucesso


O sucesso comercial do A-ha foi rápido e estrondoso, impulsionado pelo lançamento de seu álbum de estreia, "Hunting High And Low", em 1985.

O álbum incluía o single 'Take On Me', que se tornou um sucesso global, em grande parte devido ao seu revolucionário videoclipe que misturava animação em stop motion com cenas reais.

Outros sucessos notáveis da banda incluem: 'The Sun Always Shines on T.V.', 'Cry Wolf', 'The Living Daylights' (tema do filme de James Bond de 1987) e 'Crying In The Rain'.

Legado e Carreira Contínua


Embora o auge do sucesso nos Estados Unidos tenha sido concentrado nos primeiros anos, o A-Ha manteve uma base de fãs sólida e fiel em todo o mundo, especialmente na Europa e na América Latina, incluindo o Brasil, onde realizaram diversos shows memoráveis, como no Rock in Rio II em 1991.

A banda lançou vários álbuns aclamados após o sucesso inicial, mostrando maturidade e incorporando inovações tecnológicas à sua música.

O trio continuou ativo, fazendo turnês e lançando discos até hoje, com seu legado visual e sonora permanecendo relevantes na cena musical.

Em 2020, um documentário intitulado "A-Ha – The Movie" foi lançado, contando a história de como os três jovens de Oslo conquistaram o mundo.

Recentemente, o vocalista Morten Harket revelou ter sido diagnosticado com Parkinson, o que levantou dúvidas sobre o futuro de suas apresentações, mas a banda segue como um ícone da música pop dos anos 80

O álbum


No início dos anos 1980, os três garotos noruegueses, Morten, Magne e Påul, deixaram sua terra natal em direção à Inglaterra com pouco dinheiro no bolso e muito sonhos no coração.

Em busca de uma chance, a banda batizada como A-Ha gravou três fitas com algumas músicas para entregar a possíveis contatos no show bizz.

Na base da tentativa e erro, ligavam para diversos estúdios em busca de alguém que os recebesse e aceitasse ouvir o material.

Em uma dessas ocasiões, visitaram a Decca Records, que, apesar de atendê-los educadamente, não demonstrou interesse em escutar a fita já que dezenas de outros materiais, de bandas também iniciantes, aguardavam empilhados em um canto.

Como possuíam poucas cópias, os então garotos Morten, Påul e Magne decidiram não deixar uma fita e seguiram em busca de uma nova oportunidade.

Magne, por meio de uma ligação, conseguiu marcar uma reunião com uma espécie de editorial musical, a Lionheart Music, que apesar de não ser uma gravadora, era uma ponte para estabelecer contatos.

Na noite anterior ao encontro, Magne foi preso por desordem e bebedeira, enquanto tentava encontrar um táxi para duas garotas que acompanhavam ele e Morten.

Na manhã seguinte, Morten vai para a reunião enquanto Pal se dirige à delegacia na tentativa de liberar o amigo. O responsável na Lionheart demonstra gostar da fita, mas diz que precisa do aval de seu chefe para assinar um contrato, promete que dará seu melhor, mas faz uma exigência: a A-Ha não deve mostrar o material a mais ninguém.

Enquanto a resposta do chefe não chegava, a Lionheart aconselhou que a banda regravasse o material em um estúdio profissional para que as chances de conseguir um contrato aumentassem.

Os garotos encontraram o Rendezvous Studios, um dos poucos espaços que cabia em seu orçamento e que fornecia os instrumentos musicais para tocar, já que os seus tinham ficado na Noruega.

O dono do estúdio, John Ratcliff, colocou a banda em contato com Terry Slater (ex-The Everly Brothers), empresário de renome e bastante respeitado no cenário musical.

O contrato informal de exclusividade que o a-ha tinha com a Lionheart Musical obviamente foi rompido, e, graças a Slater, um novo, e dessa vez muitíssimo formal, foi assinado com a Warner Bros.

Nasce um clássico


O resultado do contrato foi o disco de estreia da banda, "Hunting High And Low", lançado em 1985.

As gravações começaram no ano anterior, em Londres, no Eel Pie Studios, cujo dono era Pete Townshend, guitarrista do The Who, e Tony Mansfield foi o produtor encarregado pela Warner de acompanhar a produção do álbum.

A experiência de Mansfield no mundo da música pop e no emprego da tecnologia da época foi essencial para compor o disco.

Um dos equipamentos por ele manipulado na ocasião foi o Fairlight, uma espécie de sintetizador que, acoplado a um teclado, gravava, reproduzia e manipulava toda espécie de som de maneira rápida e simples.

Assim, os músicos conseguiam gravar sons naturais ou de outros instrumentos, samplear e sintetizar em suas canções.

Nos anos 80, o Fairlight representou uma verdadeira revolução na música e foi amplamente utilizado por nomes como Kate Bush e Tears for Fears, tornando-se um dos responsáveis pela caracterização do estilo.

Mesmo longe de ser um daqueles álbuns de referência maior de um tempo (aqui os singles da banda falam mais alto), o disco inclui alguns episódios pop inspirados como são o caso dessas duas canções já referidas ou ainda
'The Sun Always Shines On TV', com fulgor mais intenso (e talvez sendo mesmo a melhor canção do trio), escolhida como segundo single.

Já o menos exuberante 'Train Of Thought', também editado como single, representa a evolução então mais recente de uma das primeiras canções do grupo, resultando num sucesso na época sobretudo como consequência do fenómeno de euforia teen que o grupo entretanto desencadeara.

'Take On Me'


O videoclipe de 'Take On Me', é icônico e revolucionário, conhecido principalmente por sua inovadora combinação de filmagem em live-action e animação em estilo sketch a lápis (também conhecida como rotoscoping).

O resultado, como visto acima, foi incrível para a época, logo se tornando um sucesso mundial graças (também) ao volume de veiculações na MTV.

A música alcançou o número #um na Billboard Hot 100 dos EUA, sendo a primeira música de uma banda norueguesa a atingir essa posição, e o número #dois no UK Singles Chart.

'Take On Me' pertence ao 'hall das artes eternas' cuja obra ainda será admirada por gerações.

E em qualquer festa temática, assim como em qualquer playlist que se preze da década de 1989, 'Take On Me' é presença obrigatória.

Conclusão


As demais faixas do álbum, 'The Blue Sky', 'Living a Boy’s Adventure Tale', 'And You Tell Me', 'Love Is Reason', 'I Dream Myself Alive' e 'Here I Stand And Face The Rain', que, embora não terem sido hits e nem tido repercussão radiofônica, compõem o disco perfeitamente e preservam o clima sedutor e atmosférico do new wave oitentista, seja pela liricidade ou pela qualidade sonora.

"Hunting High And Low" e sua estética de comic book preto e branco tornou-se um marco e é reproduzida em diversos outros trabalhos da banda, além de ser o maior sucesso deles.

Assim, "Hunting High And Low" continua sendo tão marcante quanto foi em seu lançamento. Um disco de valor imensurável, com composições bonitas e melodias inesquecíveis. Por tudo isso, levará meu seleto carimbo de:

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

🗣️PAPO DE PSICANALISTA🧠 — A DIFERENÇA ENTRE PLANEJAMENTO E PROCRASTINAÇÃO

Você já se pegou deslizando a timeline da rede social ou assistindo stories enquanto, na verdade, deveria estar realizando uma tarefa importante?

A verdade é que todos nós já deixamos alguma coisa para fazer depois, algum trabalho para o dia seguinte, algum relatório para o final do mês...

No conteúdo de hoje quero falar com você sobre a linha tênue existente entre os hábitos de planejar e procrastinar, sendo o segundo bastante prejudicial pois "rouba" um dos recursos mais valiosos que possuímos: nosso tempo. E porque, ainda que seja um comportamento natural, ele precisa ser combatido.

Vamos, então, a mais um capítulo da nossa série especial de artigos "Papo de Psicanalista".

Procrastinação X Planejamento


Procrastinar — que significa postergar, deixar para depois, protelar — é um traço da natureza humana que pode estar relacionado a diferentes motivos.

Um deles, por exemplo, é achar que precisa de mais tempo para tomar uma decisão ou realizar um planejamento.

O problema é quando este “deixar para depois” se torna um hábito aplicado em mais de uma esfera da vida.

Postergar decisões ou dedicar tempo demais à etapa de planejamento (sem execução, de fato) são traços que indicam uma procrastinação crônica.

Para isso, meu intuito é estabelecer o limiar que existe entre o que é planejamento — que leva, sim, tempo — e a procrastinação.

Planejar — É o processo de pensar, de organizar, sequenciar e alocar recursos (como tempo e energia) para a execução eficiente de tarefas, com uma visão clara dos objetivos e resultados a longo prazo.

É definir objetivos e traçar as ações necessárias para alcançá-los, definindo antecipadamente um conjunto de ações, metas e recursos necessários para alcançar um objetivo específico, organizando os recursos disponíveis (tempo, dinheiro, pessoas) para transformar uma situação atual em uma situação futura desejada.
Funciona como um roteiro que orienta a tomada de decisões e ações futuras, substituindo a improvisação por métodos sistemáticos e racionais. 

O planejamento é essencial em diversas áreas da vida, desde projetos pessoais, como uma viagem ou aprendizado de um idioma, até a gestão de negócios, política, economia e educação. Ele ajuda a aumentar as chances de sucesso, pois direciona esforços e recursos para os resultados esperados.
Ele envolve a análise da situação presente, a definição da situação futura, o desenvolvimento de estratégias e a alocação de recursos para executar as tarefas, servindo como um guia e ferramenta para tomar decisões mais eficientes. 

Os 3 “porquês” da procrastinação


Procrastinar é o ato de adiar, intencionalmente e sem um motivo válido, uma tarefa importante, trocando-a por outra menos importante ou mais prazerosa, mesmo estando ciente das consequências negativas desse adiamento.

Para começar, vamos desmistificar o pré-conceito que relaciona procrastinação à preguiça.

Uma conduta procrastinadora pode ter diferentes causas, inclusive físico-cognitivas. Por exemplo:
● Psicológicas — a procrastinação pode estar ligada a distúrbios como ansiedade e problemas de autoestima. 
● Fisiológicas — procrastinação também pode estar relacionada ao córtex pré-frontal. Se há algo incomum com essa área do cérebro, como uma lesão, o indivíduo pode sofrer mais com as distrações externas.
Excetuando as razões acima, que necessitam de análises e tratamentos específicos, existem 3 principais porquês comuns na procrastinação:

1. Paralisia de escolha


Acontece quando uma pessoa se vê diante de vários caminhos e não sabe por qual optar.

Na sociedade atual, esta paralisia é comum, afinal, vivemos em universos (e metaversos) repletos de possibilidades que, muitas vezes, podem confundir e levar à procrastinação.

2. Desvalorizar seu tempo


Nosso tempo é finito e deve ser aproveitado da melhor maneira possível. No entanto, nem todos possuem essa consciência.

Essas pessoas que ignoram o valor de cada momento costumam se deixar levar pela procrastinação, desperdiçando horas com atividades irrelevantes.

3. Falta de autodisciplina


Impor disciplina a si mesmo, sem precisar que um terceiro – um chefe, um cliente, um parceiro  —  faça isso, é um tremendo desafio, que exige autoconhecimento e muita consciência.

A ausência desse autocontrole leva muita gente a procrastinar quando não se sente supervisionada ou observada.

Acho importante também ressaltar que há eventos sabotadores. Muitas vezes, as pessoas usam alguma justificativa para não agir em cumprimento de uma meta estabelecida.

Vemos isso com frequência entre profissionais que usam a desculpa de que o planejamento deve ser perfeito do começo ao fim.

A questão é que obstáculos surgem durante o percurso. Uma festa infantil repleta de guloseimas é um evento sabotador que pode postergar sua dieta? Só se você decidir que sim.

Fato: é muito comum no meu trabalho de desenvolvimento de pessoas ouvir relatos de busca pelo perfeccionismo como justificativa para procrastinação. Na expectativa de ter uma tarefa executada de forma perfeita, a pessoa deixa de agir.

A principal diferença entre procrastinar e planejar reside na intenção, na ação e no resultado emocional.

Recapitulando

Procrastinar

  • Intenção — Evitar o desconforto, o estresse, o medo do fracasso ou a ansiedade associados à tarefa principal, buscando uma recompensa imediata, como o prazer momentâneo de uma distração.

  • Ação — Substituição da atividade prioritária por algo de menor valor (como redes sociais, tarefas domésticas desnecessárias, etc.) ou simplesmente não fazer nada.

  • Resultado Emocional — A sensação inicial de alívio é rapidamente seguida por sentimentos de culpa, frustração, ansiedade e estresse crônico, pois a tarefa pendente continua a gerar preocupação.

Planejar

  • Intenção — Garantir que as tarefas sejam realizadas de forma eficaz, priorizando as mais importantes e difíceis, e alcançando metas de forma estruturada.

  • Ação — Envolve a criação de um plano de ação realista, que pode incluir a divisão de grandes objetivos em pequenas etapas gerenciáveis, a definição de prazos e a consideração de imprevistos. Adiar uma tarefa pode fazer parte de um planejamento inteligente se houver uma razão estratégica para tal (por exemplo, esperar por informações necessárias ou priorizar uma emergência real).

  • Resultado Emocional — Promove um senso de controle, direção e competência. A conclusão das tarefas dentro do cronograma gera satisfação e motivação, em vez de culpa.

Conclusão


É importante notar que, em alguns casos, planejar em excesso (paralisia por análise) pode ser uma forma disfarçada de procrastinação, onde a pessoa usa o planejamento como desculpa para não iniciar a ação.

O planejamento eficaz leva à ação, enquanto a procrastinação impede a ação.

A principal diferença é que planejamento é um processo proativo de organização e definição de metas, enquanto a procrastinação é o ato de adiar tarefas importantes, mesmo ciente das consequências negativas.

O planejamento visa a ação e a eficiência, enquanto a procrastinação é um adiamento motivado por questões emocionais e falta de regulação, como o medo ou a busca por gratificação imediata, em vez de priorizar o que é essencial.

[Fonte: Felicidade Corporativa, por Ligiani Meireles]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.

CONTÉM SPOILERS — "CLICK"

Você já se perguntou como os filmes podem refletir complexidades psicológicas profundas e influenciar nossa percepção sobre a vida e as escolhas que fazemos?

É o caso dessa comédia estrelada pelo Adam Sandler. Aliás, eu devo até confessar que não gosto desse ator. Acho ele extremamente sem graça e seu humor um tanto quanto forçado, mas vi o filme para um propósito específico: análise psicanalítica.

Pois é, vamos ao filme. "Click" estreou em 2006 e se tornou um fenômeno. Mas, por trás das risadas e situações engraçadas, o filme aborda temas profundos como morte e escolhas de vida. 

Por isso, trouxemos para você essa análise mais psicológica do filme "Click" em mais um capítulo da nossa série "Contém Spoilers"!

O que há além das situações cômicas


Neste texto, vamos explorar a jornada do protagonista e desvendar as mensagens que o enredo nos traz sobre a importância de encontrar equilíbrio e definir prioridades.

Ao mergulharmos na análise psicológica do filme "Click", abordaremos temas como o desejo humano por controle, a relação intrínseca entre tempo e saúde mental, e como nossas escolhas automáticas podem ter um impacto emocional duradouro.

Mas, o que esses elementos revelam sobre nós mesmos e sobre a sociedade em que vivemos? E quais ferramentas a terapia para gerenciar ansiedades que esses temas podem despertar?

Sinopse do filme


A história se concentra na vida de Michael Newman (Sandler), um arquiteto workaholic de meia idade muito preocupado com sua profissão.

Assim, como sua maior motivação é o trabalho, negligencia momentos em família e entra em brigas constantes com a esposa.

Após uma dessas brigas, Michael sai para comprar um controle remoto universal.

Ao chegar em casa, descobre que o aparelho tem a capacidade de controlar a sua vida: pausar, avançar e voltar no tempo. E é a partir daí que a história se desenvolve.

Michael descobre que seu controle sobre o tempo vem com consequências inesperadas e muitas vezes indesejadas.

Essa é uma metáfora poderosa para as armadilhas de tentar controlar demais nossas vidas.
Muitas vezes, a busca por controle pode levar a um ciclo de ansiedade e exaustão, à medida que lutamos para gerenciar todos os aspectos de nossas vidas.

O desejo e a busca pelo prazer

(Princípio do prazer)

"Click" é um filme que, sob a superfície de uma comédia, oferece uma rica oportunidade para uma análise psicanalítica profunda sobre o desejo, o inconsciente e o arrependimento humano.

A história de Michael Newman, que ganha um controle remoto universal para sua vida, ilustra vários conceitos psicanalíticos.

A busca por controle é um tema central no filme "Click" e reflete um desejo humano universal.

Michael, o protagonista, deseja controlar o tempo para gerenciar sua vida agitada e equilibrar suas responsabilidades profissionais e familiares.

Essa busca por controle é uma metáfora poderosa para a nossa própria busca por ordem e previsibilidade em um mundo caótico e imprevisível.

Michael, inicialmente usa o controle remoto para pular momentos que considera desagradáveis ou tediosos (brigas com a esposa, doenças dos filhos, conversas longas).

Isso reflete a busca incessante por gratificação imediata e a evitação da dor, características do princípio do prazer, que rege o Id na teoria freudiana.

Ele deseja o sucesso profissional rápido, sem o "esforço" do processo.

Ansiedade exacerbada

A ansiedade e o estresse muitas vezes surgem da sensação de perda de controle sobre nossas vidas.

A ansiedade é uma resposta natural do nosso corpo a situações estressantes ou desconhecidas. 

No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva ou persistente, ela pode interferir negativamente na nossa qualidade de vida. 

Apesar de ter o controle, o que ele conseguia controlar? 

Apesar de parecer, Michael não tinha o controle do que acontecia ao longo da sua vida. Sua única opção era vivenciar os eventos ou não.

Até porque, depois de um tempo, Michael sequer controlava o que queria avançar, porque o controle já tinha guardado suas preferências e avançava sem que ele quisesse.

Nós, como seres humanos, tendemos a buscar padrões e previsibilidade para nos sentirmos seguros e em controle.

No entanto, a vida raramente segue um roteiro previsível e aí que vem a origem de muitas frustrações e a sensação de impotência, que são gatilhos para a depressão.

Tentativa de controlar a vida pra ter o que quer


É interessante notar que a possibilidade de controlar os eventos da vida faz com que Michael passe a avançar momentos desagradáveis, como doenças e discussões.

Isso mostra a nossa dificuldade de lidar com o desconforto, e o desejo de simplesmente não ter que passar por aquilo.

A lição que aprendemos aqui é tomar cuidado com o desejo de acelerar a vida, retendo só o que é bom e evitando o que é ruim.
Quantas vezes não entramos no piloto automático igual ao Michael, só esperando que algo acabe logo?
Porém a verdade é que emoções, sentimentos e situações desconfortáveis também são de extrema importância para nossa vida.

Afinal, são nesses momentos que aprendemos mais sobre resiliência e ganhamos repertório para lidar melhor com situações futuras.

O filme também nos lembra de que não podemos controlar os eventos que acontecem na vida.

A morte do pai, o divórcio e as doenças são alguns exemplos que Michael vivenciou independente da sua preferência.

Dessa forma, podemos aprender a abrir mão daquilo que não está em nossas mãos e a focar no que podemos fazer de melhor com as oportunidades que temos aqui e agora.

Ele sabia definir prioridades e equilibrar a vida?


Escolher apenas o prestígio profissional fez Michael se esquecer de sua família e de sua saúde.

Portanto, não saber definir prioridades trouxe muito sofrimento ao personagem.

Por isso, precisamos pensar com cuidado no que é importante de verdade, para que nossa atenção seja voltada para as coisas que valorizamos.

É necessário, assim, praticar o autoconhecimento e entender o que faz sentido para você, quais são seus valores inegociáveis e como colocar isso em prática.

O impacto emocional das escolhas automáticas é um tema crucial em "Click", e uma reflexão sobre como nossas ações e decisões podem ter consequências profundas e duradouras em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam.

Michael, o protagonista, descobre da maneira mais difícil que suas escolhas automáticas, aquelas feitas sem pensar nas consequências, podem levar a resultados devastadores.

  • Vida profissional

O filme deixa muito claro que a vida de Michael foi dedicada exclusivamente à sua profissão, e que no final não valeu a pena.

Veja, não significa que não devemos focar no nosso crescimento profissional. Isto é muito importante.

Mas o que o filme ensina é que apenas a conquista do emprego dos sonhos e a riqueza pode não ser suficiente para uma vida que vale a pena ser vivida.

Dessa forma, é importante lembrar que o trabalho é apenas parte da sua vida e não ela toda.

  • Casamento e família

O filme também nos mostra que as relações familiares precisam ser cuidadas, por mais difícil que seja. 

Isto significa que é importante dedicar tempo e energia com as pessoas que amamos.

Permanecer sempre no automático sem dar atenção às necessidades de nossos entes queridos é um grande passo para perdê-los.

É importante ter tempo de qualidade, conversar, fazer um passeio e várias outras opções que geram laços familiares mais fortes.

Por que na hora da morte ele se arrepende?


Michael se lamenta por perceber tarde demais que perseguir o cargo mais alto da empresa não trouxe felicidade, afinal, custou sua família e sua saúde.

Permanecer no piloto automático por tanto tempo fez com que ele perdesse a criação dos filhos, a morte do pai e a esposa.
No final das contas, o personagem percebe que os momentos em família que negligenciou eram os mais valiosos.


A Realidade e as Consequências

Princípio da Realidade

O controle remoto, no entanto, começa a se "autoprogramar" com base em seus comandos repetidos de pular a vida real.

Isso introduz o princípio da realidade, que é a função do Ego. 

O controle atua como um mecanismo de defesa patológico que, ao ignorar a realidade e as complexidades da vida, acaba por fazê-lo perder o controle sobre sua própria existência, automatizando-a.
  • O Inconsciente e o Arrependimento
Ao avançar automaticamente por anos de sua vida, Michael perde momentos cruciais: a infância dos filhos, a morte de seu pai e o distanciamento de sua esposa. O filme sugere que, ao reprimir ou pular essas experiências (evitando o confronto com a realidade), esses eventos e sentimentos "pulados" retornam simbolicamente como profundo arrependimento e miséria. O inconsciente mostra a ele, de forma devastadora, o que ele negligenciou.
  • A Culpa e o Superego
O sofrimento e o luto que Michael sente ao perceber tarde demais o valor do tempo e da família são manifestações do Superego, a instância psíquica responsável pela moral e pela culpa.

A dor emocional intensa serve como uma punição por suas escolhas egoístas e sua negligência em relação aos valores humanos fundamentais, como o amor e a família.
  • A Experiência de Quase Morte/Alucinação
Algumas interpretações sugerem que toda a experiência com o controle pode ser uma experiência de quase morte ou uma alucinação, onde Michael é forçado a uma autorreflexão profunda para reavaliar suas prioridades.

Morty (Chirstopher Walken), o vendedor do controle (que pode ser interpretado como o Anjo da Morte), guia Michael através dessa jornada de autoconhecimento forçado.
  • Simbolismo do Controle
O controle remoto em si é um símbolo do desejo de onipotência e controle absoluto sobre o destino, uma fantasia infantil de poder que, na realidade adulta, leva ao desastre e à perda da humanidade.

Conclusão

Qual a lição do filme click?


Por fim, a grande lição que podemos aprender com "Click" é que o tempo passa e precisamos aprender a valorizá-lo, vivenciando a vida como ela se apresenta.

Sem desejar pular as fases difíceis e equilibrando as áreas da vida.

Além disso, o filme nos lembra como certos eventos e decisões influenciam a nossa vida toda.

Por isso, é importante pensar com clareza em como estamos levando nossas vidas, se nossas escolhas estão sendo conscientes e se estamos dando valor aos pequenos momentos do dia a dia que podem fazer falta depois.

Em suma, "Click" utiliza elementos de fantasia e comédia para explorar o drama da condição humana moderna, que muitas vezes prioriza o sucesso material em detrimento das relações interpessoais e do "viver o agora", servindo como um alerta contundente sobre o que realmente importa na vida.
[Fonte: Eurekka]

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segunda-feira, 17 de novembro de 2025

REDENÇÃO, A IMPORTANTE MISSÃO DE CRISTO QUE NÃO PODE SER ESQUECIDA

Minha intenção, com esta breve análise sobre a obra de Jesus Cristo como base de nossa salvação, é apenas a de destacar a importância e a necessidade de ampliarmos nossa visão e nossa reflexão a respeito da salvação.

Uma doutrina da salvação baseada apenas na "cruz" de Cristo corre o risco de tornar a fé e a vida cristãs apenas questões de assentimento doutrinário e da vida privada, da vida do indivíduo com Deus.

Nesta reflexão, gostaria, portanto, de apontar brevemente os aspectos salvíficos principais da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo.

Além do mais, este é um tema que precisamos ter latente em nós todos os dias e não apenas ser lembrado no período da Páscoa.

Libertos da escravidão do pecado


A Escritura repetidas vezes afirma que a humanidade vive debaixo da escravidão, por exemplo:
"Mas a Escritura sujeitou tudo ao pecado num cativeiro comum, a fim de que, pela fé de Jesus Cristo, a promessa fosse cumprida para os que creem. Antes da chegada da fé, nós éramos mantidos em cativeiro, sob a lei, em vista da fé que devia ser revelada..." [...] "E nós, igualmente, quando éramos crianças sujeitas aos elementos do mundo, éramos escravos..." [...] "...outrora, quando não conhecíeis a Deus, estáveis escravizados a deuses que, por sua própria natureza, não o são…" (Gálatas 3:22s; 4:3,8).
A condição humana de escravidão é de tal natureza que não nenhum ser humano pode se auto-libertar, precisando, portanto, de um Libertador ou Redentor — que nos outorgue o resgate, a alforria, a própria liberdade.

Jesus Cristo, o Filho de Deus, eternamente entregue em nosso benefício (Efésios 1:4; 1 Pedro 1:18-20), assumiu a condição humana a fim de nos libertar (João 1:1-18; Filipenses 2:5-11) e nos fazer retornar à comunhão e submissão ao Pai Eterno.

Foi da vontade e decisão de Deus que o Libertador vivesse uma vida plenamente humana e consagrada ao Pai (Hebreus 2:5 18), de forma a revelar não só o amor do Pai, como também a plena humanidade desejada pelo Criador.

A vida de Cristo no contexto da Redenção


A vida de Cristo é o ponto central do plano de redenção de Deus para a humanidade, que significa ser resgatado do poder do pecado e da morte e restaurado para um relacionamento com Deus.
Toda a vida de Jesus — Seu nascimento, ensinamentos, morte e ressurreição — é parte integral desse processo.

O Plano da Redenção em Etapas

  • Nascimento e Vida Humilde
O nascimento de Jesus na manjedoura demonstra Sua humildade e esvaziamento de Sua glória divina, um exemplo de como os crentes devem viver.

Sua vida de obediência perfeita à lei de Deus, vivida sem pecado, O qualificou como o sacrifício imaculado necessário para a expiação, algo que a humanidade caída era incapaz de fazer por si mesma.
  • Ensinamentos e Ministério
Os ensinamentos de Jesus trouxeram o Reino de Deus à Terra, instruindo sobre o amor a Deus e ao próximo, o perdão e o serviço.

Seu ministério demonstrou o poder de Deus sobre o pecado, a doença e a morte, apontando para a restauração completa que a redenção traria.
  • Morte sacrificial (Expiação)
A morte de Jesus na cruz é o núcleo da redenção. Funcionou como o preço de resgate pago para libertar a humanidade da escravidão do pecado e da culpa.

Através do Seu sangue, a remissão dos pecados é possível, e a humanidade é reconciliada com Deus, que antes era inimiga devido ao pecado.

A cruz satisfaz a justiça de Deus e demonstra Seu imenso amor.
  • Ressurreição e Vitória
A ressurreição de Cristo confirma a eficácia do Seu sacrifício e a vitória sobre a morte. Ela garante a justificação, a regeneração e a vida eterna para aqueles que creem.

A ressurreição é a prova final de que o plano de redenção foi cumprido com sucesso e que a morte não tem mais poder sobre os crentes.

Em suma, a vida de Cristo, culminando em Sua morte e ressurreição, não é apenas um conjunto de ensinamentos morais, mas o próprio método divino pelo qual a humanidade é resgatada e tem a oportunidade de um novo começo e de restauração do relacionamento com Deus.

Características fundamentais da Redenção

  • 1. A Necessidade de Redenção
Antes de explorarmos a obra de redenção de Cristo na cruz, precisamos entender a necessidade de redenção.

Como seres humanos, todos nascemos sob o domínio do pecado e alienados de Deus.

Nossas transgressões nos separaram do nosso Criador e nos colocaram em um estado de condenação espiritual.

A Bíblia afirma claramente que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Mas Deus, em Sua infinita misericórdia e amor, providenciou uma solução através de Jesus Cristo.
  • 2. A Cruz: O Ápice da Redenção
A cruz é o ápice da obra de redenção de Jesus Cristo. Nela, vemos o cumprimento dos propósitos de Deus para a salvação da humanidade. 

Jesus, o Filho de Deus, voluntariamente se entregou à morte na cruz, carregando sobre Si mesmo os nossos pecados e pagando o preço que não poderíamos pagar. 

Na cruz, o sacrifício perfeito foi oferecido, e o sangue de Jesus foi derramado como o remédio divino para a nossa pecaminosidade.

Através da fé na obra de Cristo na cruz, somos justificados diante de Deus. A justiça de Cristo é imputada a nós, e nossos pecados são perdoados. 

Somos reconciliados com o Pai e recebemos a vida eterna. 

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

A cruz é o lugar onde o amor de Deus e a justiça divina se encontram, proporcionando-nos a salvação eterna.
  • 3. A Salvação pela Graça mediante a Fé
A obra de redenção de Cristo é oferecida a todos aqueles que creem.

A salvação não é alcançada por mérito humano, mas pela graça de Deus mediante a fé.

É um presente gratuito que recebemos ao colocar nossa confiança em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador pessoal. 
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus" (Ef 2:8).
Nossa resposta de fé à obra de redenção de Cristo nos permite experimentar o perdão, a reconciliação e a transformação que vêm somente por meio d’Ele.

Assim, a redenção é conferida à humanidade mediante a integralidade da vida, morte e ressurreição de Cristo. 

Devido ao hábito de falarmos da morte salvífica de Jesus Cristo na cruz, comumente negligenciamos o caráter salvífico de toda a carreira terrena de Jesus. 

Conclusão


O objetivo imediato é a justificação dos homens, mas o objetivo superior é a justificação de Deus; o objetivo comum consiste na justificação recíproca de Deus e dos homens e em sua vida comum em justiça.
"Com o ressuscitamento do Cristo assassinado por crucificação por Deus começa um processo universal de teodiceia que pode ser consumado pelo ressuscitamento escatológico de todos os mortos e pela destruição do poder da morte e, portanto, pela nova criação de todas as coisas. 
Então esse processo de teodiceia se transforma em doxologia cósmica universal" (MOLTMANN, J. O caminho de Jesus Cristo. Cristologia em dimensões messiânicas, Petrópolis, Vozes, 1993, p. 250.)
A obra de redenção de Jesus Cristo na cruz é o maior ato de amor e misericórdia que já foi realizado.

Nela, encontramos a esperança, o perdão e a vida eterna. A obra realizada na cruz é o centro da nossa fé e o fundamento da nossa salvação.

Ela nos lembra do sacrifício inigualável de Cristo e da necessidade de colocarmos nossa fé Nele.

A fé cristã e a vida cristã afetam a totalidade de nossa vida, pessoal, social, econômica, cultural, política.

Ampliando a nossa visão, crescerá o nosso discernimento.

Maior discernimento, maior será a eficácia de nosso testemunho pessoal e ministerial. Maior será, então, a glorificação de Deus através de nossas vidas!

[Fonte: Faculdade Teológica Sul Americana, por Julio Paulo Tavares Zabatiero — Doutor em Teologia — Escola Superior de Teologia (Sâo Leopoldo, Professor nas áreas de Bíblia e Teologia Pública na FTSA, Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil; ADA Madureira - Anápolis GO, por Pr. Bertiê Magalhães]

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