Crédito: Reprodução TGC
"Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: 'Eli, Eli, lamá sabactâni?' O que quer dizer: 'Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?'" (Mateus 27:46).
São 15 horas, e Jesus esteve na cruz durante três horas repletas de dor. De repente, a escuridão cai sobre o Calvário e "sobre toda a terra" (v. 45).
Esta escuridão sobrenatural é um símbolo do juízo de Deus sobre o pecado. A escuridão física sinaliza uma escuridão mais temível e profunda.
O grande Sumo Sacerdote (Hebreus 4:14,15) entra no Santo dos Santos do Gólgota, sem amigos ou inimigos.
O Filho de Deus (Mt 3:17, 16:16; João 1:34) está só na cruz durante as suas três horas finais, suportando algo que desafia nossa imaginação.
Ao experimentar toda a força da ira de Seu Pai, Jesus não pode ficar em silêncio. Ele grita:
O Filho de Deus (Mt 3:17, 16:16; João 1:34) está só na cruz durante as suas três horas finais, suportando algo que desafia nossa imaginação.
Ao experimentar toda a força da ira de Seu Pai, Jesus não pode ficar em silêncio. Ele grita:
"Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?"
É a luz desse lamento, que foi o cumprimento de um dos salmos compostos pelo rei Davi, que veremos neste capítulo da nossa série especial de artigos, Teologando.
O Brado na Cruz
Como o Salmo 22 decifra o momento mais profundo do Calvário
💡A expressão de desamparo de Jesus na crucificação não foi um grito de desespero, mas a chave hermenêutica que conectou a profecia davídica ao cumprimento do plano de redenção.💡
Esta frase representa o nadir, o ponto mais baixo, dos sofrimentos de Jesus.
Aqui Jesus desce à essência do inferno, o sofrimento mais extremo jamais experimentado. É um momento tão compactado, tão infinito, tão horrendo a ponto de ser incompreensível e, aparentemente, insustentável.
Aqui Jesus desce à essência do inferno, o sofrimento mais extremo jamais experimentado. É um momento tão compactado, tão infinito, tão horrendo a ponto de ser incompreensível e, aparentemente, insustentável.
Na tarde daquela sexta-feira de Páscoa, por volta das três horas, a escuridão cobria Jerusalém quando Jesus de Nazaré, prestes a expirar na cruz do Gólgota, bradou em alta voz:
"Eli, Eli, lamá sabactáni?"A frase, registrada também em Marcos 15:34 em sua forma aramaica ("Eloí, Eloí, lamá sabactáni?"), traduz-se por:
"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?".Para os espectadores casuais e soldados romanos na Judeia do século I, a exclamação parecia o colapso de um homem derrotado.
💡No entanto, para os profundos conhecedores das Escrituras Hebraicas, Jesus estava ativando uma chave exegética crucial, citando diretamente a abertura do Salmo 22 para demonstrar que o ápice de sua agonia física e espiritual era, na verdade, o cumprimento cabal do plano profético de Deus.💡
A Abordagem Hermenêutica
O clamor da Aliança
💡Para compreender o real significado do brado de Jesus, a hermenêutica bíblica exige afastar as interpretações teológicas liberais que sugerem uma ruptura real ou ontológica na Triunidade.💡O termo aramaico sabactáni e o hebraico azabtani (do Salmo 22:1) carregam o sentido jurídico e pactual de abandono temporário à jurisdição do julgamento, e não uma rejeição eterna.
O peso do pecado e a Justiça Divina
Jesus experimentou o desamparo judicial porque se fez substituto da humanidade.
O apóstolo Paulo fundamenta esse cruzamento teológico em 2 Coríntios 5:21 ao afirmar que
"àquele [Jesus] que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele [Jesus], fôssemos feitos justiça de Deus" [adendos meus].
A santidade de Deus Pai exigiu o afastamento da comunhão com o Filho no momento em que a ira contra o pecado foi derramada.
Esse aspecto é profetizado no próprio Salmo 22:3:
Esse aspecto é profetizado no próprio Salmo 22:3:
"Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel".O isolamento de Cristo cumpre o que Isaías 53:4,5 predisse séculos antes:
"...verdadeiramente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades [...] mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões".
Mas porque razão Deus feriria o seu próprio Filho (53.10)? O Pai não é caprichoso, malicioso, ou meramente didático.
O propósito real é penal; é o justo castigo pelo pecado do povo de Cristo, conforme no já citado 2 Coríntios 5:21.
O propósito real é penal; é o justo castigo pelo pecado do povo de Cristo, conforme no já citado 2 Coríntios 5:21.
Profecia aplicada
Cristo foi feito pecado por nós, queridos crentes. Entre todos os mistérios da salvação, esta pequena palavra "por" ultrapassa tudo.
Esta pequena palavra ilumina as nossas trevas e une Jesus Cristo com os pecadores. Cristo estava agindo em favor de seu povo, como seu Representante e para o seu benefício.
Esta pequena palavra ilumina as nossas trevas e une Jesus Cristo com os pecadores. Cristo estava agindo em favor de seu povo, como seu Representante e para o seu benefício.
Exegese Comparativa
O Salmo 22 escrito no Gólgota
O Salmo 22, atribuído ao rei Davi, funciona como um roteiro profético milimétrico para os eventos narrados nos Evangelhos de Mateus e Marcos.
Na tradição rabínica do período do Segundo Templo, citar o primeiro versículo de um salmo equivalia a invocar todo o seu conteúdo e o seu desfecho vitorioso.
💡O escárnio público e a zomba dos espectadores💡
💡O escárnio público e a zomba dos espectadores💡
A narrativa evangélica relata que os chefes dos sacerdotes e os escribas zombavam de Jesus na cruz. Mateus 27:43 registra o deboche:
"Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama".
Essa cena é o cumprimento exato de Salmo 22:7-8:
"Todos os que me veem zombam de mim; estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo: 'Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer'".
💡A descrição física da crucificação💡
Embora a crucificação tenha sido inventada pelos persas e difundida pelos romanos centenas de anos após a morte de Davi, o Salmo 22 descreve a mecânica desse suplício com precisão anatômica:💡A descrição física da crucificação💡
Desidratação extrema —"A minha força secou-se como um caco de barro, e a língua se me apega ao paladar" (Sl 22:15),o que ecoa o João 19:28 ("Tenho sede!").
Desconjuntamento —"Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram" (Sl 22:14).
Perfuração de membros —"Transpassaram-me as mãos e os pés" (Sl 22:16),correspondendo ao ato de pregar o Messias ao madeiro.
O sorteio das vestes — Os soldados romanos dividiram as roupas de Jesus entre si, um detalhe menor na logística de uma execução, mas essencial para a validação profética. Marcos 15:24 diz:
"Repartiram as suas vestes, lançando sortes sobre elas, para saber o que cada um levaria".
O ato cumpre rigorosamente o Salmo 22:18:
"Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica".
O Desfecho Triunfante
De vítima a Vencedor
💡Uma análise hermenêutica incompleta foca apenas na dor da primeira metade do Salmo 22.
No entanto, a estrutura da composição davídica muda abruptamente de tom a partir do versículo 22, evoluindo do lamento fúnebre para o hino de vitória universal.💡
Ao citar o início do poema, Jesus apontava também para o seu final.
O Salmo 22:27 declara:
O Salmo 22:27 declara:
"Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face".O sofrimento culminaria na expansão do Reino de Deus aos gentios.
Com Jesus como nosso substituto, a ira de Deus está satisfeita e Deus pode justificar aqueles que creem em Jesus (Romanos 3:26).
O sofrimento penal de Cristo, é portanto, vicário — Ele sofreu em nosso favor.
Ele não simplesmente partilhou a nosso abandono, mas Ele nos salvou dele. Ele sofreu por nós, não conosco.
Estamos imunes à condenação (Rm 8:1) e ao anátema de Deus (Gálatas 3:13) porque Cristo suportou isso por nós nas trevas exteriores. O Golgota garantiu a nossa imunidade, não mera simpatia.
O sofrimento penal de Cristo, é portanto, vicário — Ele sofreu em nosso favor.
Ele não simplesmente partilhou a nosso abandono, mas Ele nos salvou dele. Ele sofreu por nós, não conosco.
Estamos imunes à condenação (Rm 8:1) e ao anátema de Deus (Gálatas 3:13) porque Cristo suportou isso por nós nas trevas exteriores. O Golgota garantiu a nossa imunidade, não mera simpatia.
Isto explica as horas de escuridão e o rugido de abandono.
O povo de Deus experimenta um pouco disto quando é trazido pelo Espírito Santo perante o Juiz do céu e da terra, só para vivenciar que não é consumido por causa de Cristo.
E o povo sai da escuridão confessando:
O povo de Deus experimenta um pouco disto quando é trazido pelo Espírito Santo perante o Juiz do céu e da terra, só para vivenciar que não é consumido por causa de Cristo.
E o povo sai da escuridão confessando:
"Porque Emanuel desceu ao mais profundo do inferno por nós, Deus está conosco na escuridão, sob a escuridão, ao longo da escuridão — e nós não somos consumidos!"
Quão estupendo é o amor de Deus! Verdadeiramente, nossos corações transbordam tanto de amor que nós respondemos:
"Nós amamos porque ele nos amou primeiro" (1 Jo 4:19).
Mais impressionante é o encerramento do poema no versículo 31:
"Chegarão e anunciarão a sua justiça ao povo que nascer, porquanto ele fez isto".No texto original em hebraico, a expressão final para "ele fez isto" (Asah) possui o sentido gramatical de "está consumado" — a exata expressão final de triunfo dita por Jesus em João 19:30 ("Tetelestai").
Conclusão
O clamor de Jesus em Mateus 27:46 e Marcos 15:34 não foi um colapso de fé ou uma quebra na divindade de Cristo.
A exegese e o cruzamento pactual das passagens bíblicas revelam que o Messias estava no controle total da teologia do Calvário.
💡Ao recitar o Salmo 22, Ele identificou-se como o Justo Sofredor profetizado, validou a justiça de Deus diante do pecado humano e anunciou aos seus ouvintes que a obra de redenção planejada desde a eternidade estava, naquele exato momento, perfeitamente concluída.💡
🚨Observação importante: o texto que produzi é original e não reproduz os artigos consultados.
As obras foram utilizadas como referencial teórico para fundamentar as análises teológicas.
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fontes Bibliográficas para pesquisa: Bíblia Sagrada — Versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), Versão Almeida Corrigida Fiel (ACF) e Nova Versão Internacional (NVI). CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. São Paulo — Shedd Publicações, 2010. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus e Marcos. São Paulo — Cultura Cristã, 2012. KIDNER, Derek. Salmos 1-72: Introdução e Comentário. São Paulo — Vida Nova, 1992. SPURGEON, Charles H. O Tesouro de Davi: Comentário Expositivo do Livro dos Salmos (Vol. 1). São Paulo — Shedd Publicações, 2017. STOTT, John. A Cruz de Cristo. Livraria Editora Cristã, 2019. TGC — Coalizão Pelo Evangelho, original por Dr. Joel R. Beeke é presidente e professor de teologia sistemática e homilética no Puritan Reformed Theological Seminary e pastor da Heritage Netherlands Reformed Congregation em Grand Rapids, Michigan, EUA]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualizações frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
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E nem 1% religioso.

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