Total de visualizações de página

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

REFLEXÃ💭 — A INCERTEZA DA MORTE X A CERTEZA DE VIVER

Imagem gerada por IA

A inspiração para o texto desse artigo, me veio com o acontecimento da partida repentina de uma ex-colega de trabalho, um dia após ela comemorar com muita alegria o seu aniversário (ela aniversariou na sexta-feira, 14/8 e veio a falecer no domingo, 16/8).
Há perguntas que acompanham o ser humano desde que ele tomou consciência de sua própria existência.

Entre elas, talvez nenhuma seja tão desconcertante, incômoda e, por muitos, temida quanto esta:
quando vou morrer?
Sabemos que a morte virá, mas desconhecemos o dia, a hora e as circunstâncias.

Essa espécie de ignorância, aparentemente angustiante, pode também ser uma das maiores lições que a vida nos oferece.

O que temos a aprender?

A pedagogia da morte


O livro bíblico de Eclesiastes traduz essa condição com uma simplicidade quase desconcertante:
"...ninguém sabe quando virá a sua hora..." (9:12).
Não saber quando morreremos nos lembra, paradoxalmente, de que não somos donos absolutos do tempo (apesar de não serem poucos os que ainda, mesmo apesar das evidências contrárias, acreditarem que são).
Crédito: Pinterest
Planejamos aniversários, viagens, projetos, aposentadoria, encontros para daqui a meses ou anos — mas a existência humana permanece atravessada pelo imprevisto.

  • O que nos diz a Filosofia


Na filosofia, o alemão Martin Heidegger (✰1889/✞1976) transformou essa percepção em uma reflexão sobre a própria existência.

Para ele, a morte não deveria ser compreendida apenas como um acontecimento que ocorrerá no final da vida, mas como uma possibilidade permanentemente presente.
Imagem gerada por IA
A consciência da finitude pode nos retirar da existência automática e nos devolver à responsabilidade por aquilo que fazemos com o tempo que temos.
É interessante perceber que Epicuro (✰341 a.C./✞270 a.C.) caminhou por outra direção.

Para o filósofo grego, não deveríamos transformar a morte em uma fonte permanente de sofrimento:
"quando somos, a morte não está; quando a morte está, nós não estamos".
Seu argumento não elimina a tristeza da despedida, mas questiona a angústia antecipada diante de algo que ainda não aconteceu.

  • O que diz a Psicanálise


A psicanálise acrescenta outra camada a esse debate.

Sigmund Freud (✰1856/✞1939) observou que existe, no inconsciente, uma dificuldade profunda de representar a própria morte.

Em "Reflexões para os tempos de guerra e morte", escreveu que, no inconsciente, cada pessoa se comporta como se fosse imortal.

Talvez por isso saibamos racionalmente que morreremos, mas vivamos emocionalmente como se a morte fosse sempre algo que acontece aos outros.

E há uma consequência curiosa dessa contradição: justamente porque não sabemos quando a vida terminará, cada dia ganha um valor que dificilmente teria se conhecêssemos antecipadamente a data de nossa morte.

A incerteza, nesse sentido, pode ser pedagógica.

Ela nos ensina a não adiar indefinidamente aquilo que realmente importa: pedir perdão, dizer "eu te amo", visitar alguém, reconciliar-se, abandonar ressentimentos, realizar um sonho ou simplesmente aproveitar uma manhã tranquila.

  • O que nos diz a Teologia


Para a tradição cristã, essa consciência da finitude não precisa produzir desespero.

A fé interpreta a morte à luz da esperança da ressurreição.

O Catecismo católico afirma que a lembrança da mortalidade dá "urgência" à existência, justamente porque temos um tempo limitado para realizar nossa vida.

Paulo expressa essa esperança ao afirmar: 
"...para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro..." (Filipenses 1:21).
Talvez seja justamente aí que filosofia, teologia e psicanálise possam se encontrar: a morte revela o valor da vida.
Imagem gerada por IA
A filosofia nos convida a assumir nossa finitude; a teologia nos oferece uma esperança que ultrapassa essa finitude; e a psicanálise nos ajuda a compreender por que resistimos tanto à ideia de nossa própria mortalidade.

Conclusão


No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja "quando vou morrer?", mas 
"o que estou fazendo com o tempo que tenho?".
Não conhecer o dia da morte pode parecer uma limitação, mas também é uma liberdade.

Se soubéssemos a data exata, talvez transformássemos a vida numa contagem regressiva. Como não sabemos, somos convidados a viver.

A morte permanece incerta. O tempo, entretanto, está acontecendo agora.

E talvez essa seja a grande lição:
não temos garantia de quantos dias teremos, mas temos a responsabilidade de decidir o que faremos com este dia.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário