Imagem criada com recursos da IA
Acredito que assim como eu, você já ouviu e entoou esta canção, tanto em seus momentos de cultos pessoais, quanto nos coletivos congregacionais:'Derrama Tua Shekináh', Fernandinho, faixa do álbum "Faz Chover", ℗2004, Faz Chover Produções
E esta também:
'Shekináh', faixa original do álbum "Em Nome do Senhor", ℗2005 e do EP "Aba Pai",
com a participação de Eli Soares, ℗2019, ambos lançados pela MK Music
com a participação de Eli Soares, ℗2019, ambos lançados pela MK Music
Ambas, são, sem dúvida, duas belíssimas canções, além de terem sido hits radiofônicos no circuito mercadológico gospel, tanto que ainda hoje fazem parte das famosas listinhas das equipes de louvores em várias congregações Brasil afora.
E estas não são as únicas canções do cancioneiro gospel contemporâneo que usam a "shekináh" como temática central.
E estas não são as únicas canções do cancioneiro gospel contemporâneo que usam a "shekináh" como temática central.
A "doutrina da shekináh"
Além das canções, também é normal ouvir em nossos cultos, congressos, seminários, a palavra "shekináh".
Desde de o início da minha conversão, em 1993, ouço esta palavra na igreja. Pregadores a usam com frequência.
Os ditos "ministros do louvor" têm o hábito de usá-la. E temos também os cânticos conhecidos assim como outros tantos não citados.
Desde de o início da minha conversão, em 1993, ouço esta palavra na igreja. Pregadores a usam com frequência.
Os ditos "ministros do louvor" têm o hábito de usá-la. E temos também os cânticos conhecidos assim como outros tantos não citados.
Agora pergunto: De onde tiramos a palavra "shekináh"? O que significa esta palavra? Será "shekináh" uma expressão encontrada nas Escrituras?
Começando pela última pergunta, a palavra "shekináh" não é encontrada em nenhum lugar das Escrituras!
Penso que você neste momento pode estar perplexo (e talvez, até mesmo me repreendo).
Mas é o que iremos explicar no texto deste capítulo da nossa série especial "Teologando", portanto, aguce sua curiosidade e leia até o fim..
Mas é o que iremos explicar no texto deste capítulo da nossa série especial "Teologando", portanto, aguce sua curiosidade e leia até o fim..
Origem na Cabala Judaica
Deus como "ela"
Há algum tempo, eu escrevi um texto [se quiser ler, clique no link] no qual eu digo não ter gostado do ovacionado e aclamado livro "A Cabana", que se tornou o livro de cabeceira (quase um substituto da Bíblia) para muitos cristãos, assim como o filme homônimo [se quiser ler, clique no link], ambos, na minha opinião, famigerados e desprezíveis, quando passados pelo crivo teológico.
Pois bem, esse tal livro foi escrito não com base essencial na Bíblia, mas sim com mesclas de conceitos oriundos da Cabala Judaica, que é frontalmente oposto aos pilares que dão base de sustentação à fé cristã.
De acordo com a concepção cabalística e do ramo hassidísmo do judaísmo, a "Shekinah" é uma energia cósmica poderosíssima, que habita no "interior" do Universo e vivifica-o, sendo a sua "alma" ou "espírito".
Shechinah שכינה (também grafado Shekhináh) deriva da palavra shochen שכן, "habitar dentro".
A Shechinah, de acordo com a cultura da Cabala Judaica, é Deus, pois Deus habita dentro. Na cabalística judaica, a Shechinah é descrita como "A Presença Divina".
Segundo o livro cabalístico Zohar, a evolução do homem é o processo em que o pólo feminino do Divino (shekináh), presente potencialmente na criação e no homem (malkuth), se une ao pólo masculino da divindade (kether).
Tal reunião é apresentada na tradição "rosacruz" pelas Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreutz (✩1378/✟1484). Segundo a tradição da cabala, a reunião dos dois polos da divindade resulta em uma consciência cósmica ou crística, de união do homem e do divino, resultando no "Homem-Deus ou Cristo".
Tal estado de consciência é equivalente na Yoga, ao Samadhi, a consciência produto de quando Shakti, o polo feminino do divino, presente no Chakra da base Muladhara, se une a Shiva, o polo masculino do divino presente no chakra sahasrara, no topo da cabeça, resultando no Avatar, a encarnação humana do divino, do cósmico.
Na tradição esotérica egípcia, o equivalente é a união entre Ísis e Osíris, resultando em Hórus, o Homem-Deus. Tal união é em muitas tradições, a iluminação, a iniciação.
Pois bem, esse tal livro foi escrito não com base essencial na Bíblia, mas sim com mesclas de conceitos oriundos da Cabala Judaica, que é frontalmente oposto aos pilares que dão base de sustentação à fé cristã.
De acordo com a concepção cabalística e do ramo hassidísmo do judaísmo, a "Shekinah" é uma energia cósmica poderosíssima, que habita no "interior" do Universo e vivifica-o, sendo a sua "alma" ou "espírito".
Shechinah שכינה (também grafado Shekhináh) deriva da palavra shochen שכן, "habitar dentro".
A Shechinah, de acordo com a cultura da Cabala Judaica, é Deus, pois Deus habita dentro. Na cabalística judaica, a Shechinah é descrita como "A Presença Divina".
A palavra "Shechinah" é feminina, e por isso, quando os seguidores da cabala judaica se referem a Deus como Shechinah, estão dizendo "Ela".
Mesmo sendo um "deus ela" eles creem estar se referindo ao mesmo Deus Único, apenas em uma "modalidade diferente", ou seja, é um eles creem em um "deus transgênero".
Mesmo sendo um "deus ela" eles creem estar se referindo ao mesmo Deus Único, apenas em uma "modalidade diferente", ou seja, é um eles creem em um "deus transgênero".
Para dar base às suas crenças, os cabalísticos judaicos afirmam que não acreditam em "um ser limitado por qualquer forma — certamente não de um corpo que possa ser identificado como masculino ou feminino".
"Mas considere isto: assim que começamos a nos referir a Deus, já comprometemos Sua unicidade. Porque já criamos uma dualidade — existe nós e existe Deus.
Nessa dualidade, assumimos o papel feminino, de modo que Ele nos chama de Ela e nós O chamamos de Ele. Então fazemos tudo o que podemos para sanar a cisão entre nós e retornar à unidade" (Tzvi Freeman é o autor de "Bringing Heaven Down to Earth" e, mais recentemente, de "Wisdom to Heal the Earth").Em resumo, na cabala esotérica, "shekináh" é a essência do "Ain Soph" que, emanado, ficou preso ou enroscado em Malkuth, sendo correspondente à Shakti ou Kundalini na tradição esotérica oriental da Yoga.
Segundo o livro cabalístico Zohar, a evolução do homem é o processo em que o pólo feminino do Divino (shekináh), presente potencialmente na criação e no homem (malkuth), se une ao pólo masculino da divindade (kether).
Shekináh na Rosa Cruz
Tal reunião é apresentada na tradição "rosacruz" pelas Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreutz (✩1378/✟1484). Segundo a tradição da cabala, a reunião dos dois polos da divindade resulta em uma consciência cósmica ou crística, de união do homem e do divino, resultando no "Homem-Deus ou Cristo".
Tal estado de consciência é equivalente na Yoga, ao Samadhi, a consciência produto de quando Shakti, o polo feminino do divino, presente no Chakra da base Muladhara, se une a Shiva, o polo masculino do divino presente no chakra sahasrara, no topo da cabeça, resultando no Avatar, a encarnação humana do divino, do cósmico.
Na tradição esotérica egípcia, o equivalente é a união entre Ísis e Osíris, resultando em Hórus, o Homem-Deus. Tal união é em muitas tradições, a iluminação, a iniciação.
A Shekináh dos crentes
A maioria dos cristãos, também convencionou traduzir ou entender que o termo "shekináh" é ou se refere a "glória de Deus manifesta".
Porém, eles próprios reconhecem que esta expressão não está na Bíblia. Outros sugerem que a "shekináh" é o equivalente judaico mais próximo do Espírito Santo, o que não parece ser correto.
Afinal, o termo é extra-bíblico, aparecendo nos Targuns e sendo utilizado no Talmude.
Porém, eles próprios reconhecem que esta expressão não está na Bíblia. Outros sugerem que a "shekináh" é o equivalente judaico mais próximo do Espírito Santo, o que não parece ser correto.
Afinal, o termo é extra-bíblico, aparecendo nos Targuns e sendo utilizado no Talmude.
Exatamente aqui reside nosso problema. Nós ouvimos os "grandes pregadores" falarem, e aceitamos tudo.
Não procuramos pesquisar, averiguar, perscrutar. Tudo o que é novidade, e é falada por alguém de "peso", nós aceitamos e logo começamos a falar.
Não procuramos pesquisar, averiguar, perscrutar. Tudo o que é novidade, e é falada por alguém de "peso", nós aceitamos e logo começamos a falar.
Falta em nosso meio, cristão bereanos, chamados por Lucas de "nobres", que analisam a cada dia as Escrituras, para verem se está correto (Atos 17:11).
Notemos que era Paulo que estava pregando! Homem de cultura invulgar, conhecedor de toda lei judaica, e acima de tudo, um dos maiores pregadores que o mundo conheceu.
Ora, se Paulo teve que passar no crivo dos bereanos, o que dizer de nossos pregadores? Serão estes — por mais ilustres que sejam, por mais seguidores que tenham — maiores que Paulo?
Não está na Bíblia!
O vocábulo hebraico "shekináh" não aparece na Bíblia. O verbo "shakan", por sua vez, é utilizado em muitos lugares e pode ser traduzido como "habitar, morar ou residir".
Em Êxodo 3:22 e Rute 4:17 o verbo "shaken" é traduzido por "vizinho". Nesse sentido, é estranho enfatizar que o termo seja usado para a habitação de Deus na coluna de fogo e sua glória manifesta no Monte Sinai, no Propiciatório (entre os querubins), no Tabernáculo, no Templo.
Bom, todas essas expressões no hebraico têm outras palavras que a designam. Vejamos quatro exemplos principais:
- Coluna de Fogo — amud esh
- Glória de Deus — kabod yahweh
- Coluna de Nuvem — amud hamud
- Fumaça — hasan
Entenda: se alguém definir "shekináh" como a manifestação visível da glória de Deus não está descrevendo a "shekináh", mas sim "teofanias", que possuem várias formas e propósitos.
Mas voltando ao assunto da palavra "shekináh", este vocábulo não aparece na Bíblia Judaica [Tanakh] nem no Novo Testamento, sendo uma palavra derivada da raiz hebraica -?-? -?(sh-k-n), cujo significado é "habitar", "fazer morada".
Então, quando cantamos:
"...Derrama tua "shekináh" aqui...", estamos dizendo: "Derrama a tua habitação aqui."
Soa estranho, não? Pedir para o Eterno derramar a habitação dEle sobre nós? Não consigo entender! Pois Ele já habita em nós, através da pessoa do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19).
Se perguntarmos a qualquer irmão, o que significa esta palavra, todos dirão: a glória de Deus, presença de Deus. Acontece que, "shekináh" não significa nada disso!O vocábulo "glória" no hebraico é "kavód" — o peso da glória de Deus.
Então, quando cantamos:
"...Derrama tua "shekináh" aqui...", estamos dizendo: "Derrama a tua habitação aqui."
Soa estranho, não? Pedir para o Eterno derramar a habitação dEle sobre nós? Não consigo entender! Pois Ele já habita em nós, através da pessoa do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19).
Há vários problemas ao redor da temática. Como já visto acima, o termo tem uso esotérico, por exemplo.
Outro problema é o uso judaico do termo "shekináh", ainda que menos do que o parágrafo anterior.
O termo aparece no meio de, pelo menos, um "minyan" de adoradores quando eles oram na congregação, e de dois ou mais judeus quando eles se ocupam no estudo da Torah, ou em um homem quando ele recita o Shema.
Dentro deste conceito da cultura judaica, não relacionado à cabalística judaica, "shekináh" habita no puro, no benevolente, no hospitaleiro e no marido e esposa quando eles vivem em paz e harmonia.
Outro problema é o uso judaico do termo "shekináh", ainda que menos do que o parágrafo anterior.
O termo aparece no meio de, pelo menos, um "minyan" de adoradores quando eles oram na congregação, e de dois ou mais judeus quando eles se ocupam no estudo da Torah, ou em um homem quando ele recita o Shema.
Dentro deste conceito da cultura judaica, não relacionado à cabalística judaica, "shekináh" habita no puro, no benevolente, no hospitaleiro e no marido e esposa quando eles vivem em paz e harmonia.
Conclusão
Bom, se "shekináh" representa a presença majestosa de Deus e sua decisão de "habitar" (shakan) entre os homens, podemos aceitá-la, relevá-la como poesia, mas não como doutrina.
Essa expressão foi tomada das passagens que dizem respeito à presença de Deus na qualidade de residente no Tabernáculo terrestre entre o povo de Israel (Êx 5:8; 29:45,46; Números 5:3, 35:34; 1 Reis 6:13; Ezequiel 43:9; Zacarias 2:4).
Teriam os cristãos este discernimento? Portanto, seria irrelevante usá-la visto que a habitação máxima de Deus em nós, hoje, é feita pelo Espírito Santo e não mais por meio das figuras do Antigo Testamento.
Vimos por meio deste singelo estudo que a palavra "shekináh" não está nas Sagradas Escrituras.
Aprendemos também que "shekináh" não significa: glória, presença de Deus.
Ela vem da raiz "shakhan" que significa — habitar, fazer morada.
Esta ideia de "skekináh" aparece somente na literatura rabínica, onde os judeus cabalistas começaram a usá-la a partir do século XIII.
Por fim, o intuito deste texto foi o de nos trazer conhecimento, que, além de não ocupar espaço, de acordo com o próprio Deus, através do profeta Oséias (4:6) — e seguido com nobreza pelos bereanos — nos previne de perecer.
Devemos estar sempre prontos a aprender e não ir além da Escritura.
Foi o que Lutero (✩1483/✟1546) disse para Erasmo (Erasmo de Roterdã [✩1466/✟1536] foi um célebre humanista, teólogo e filósofo holandês, considerado o maior erudito do Renascimento nórdico.):
"A única diferença entre mim [Lutero] e você [Erasmo] é que eu me coloco debaixo da autoridade das Escrituras, e você se coloca acima dela".
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fonte: Davar Elohim, por Pr. Marcelo Oliveira; Ultimato, por Rv. Ângelo Vieira da Silva; Chabad.org]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.

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