Estimulado pelo mais puro medo de produzir um livro que não prendesse a atenção do leitor, o escritor estadunidense, William Gibson, criou "Neuromancer", uma história densa e tão revolucionária que é usada hoje como um ícone do cyberpunk, subgênero de ficção científica cujas histórias são ambientadas em um submundo tecnológico distópico — anárquico e não raro pós-apocalíptico — onde as classes dominantes são ligadas a grandes corporações privadas e boa parte da população vive em condição marginal.
A história é tão relevante que criou as ideias de cyberespaço e inteligência artificial, forneceu subsídios para filmes como o icônico "Matrix" (WB, EUA, 1999), recebeu importantes prêmios e rendeu uma aclamada trilogia. Os outros dois livros são "Count Zero" (1986) e "Mona Lisa Overdrive" (1988). É sobre este clássico do cyberpunk que falaremos hoje, neste capítulo da nossa série especial de artigos, "Estante do Léo".
Sobre o autor
William Ford Gibson nasceu nos Estados Unidos, em 1948, e mudou-se para o Canadá em 1972.
Em meados da década de 1980, criou, junto a escritores como Bruce Sterling e John Shirley, o gênero ficcional chamado de cyberpunk, que une informática e inquietações histórico-filosóficas com tramas pop cheias de ação e violência.
Em meados da década de 1980, criou, junto a escritores como Bruce Sterling e John Shirley, o gênero ficcional chamado de cyberpunk, que une informática e inquietações histórico-filosóficas com tramas pop cheias de ação e violência.
O escritor estadunidense e canadense de 74 anos entrou para o hall de nomes raros e inventivos da literatura que usa a ficção científica para ver além — enquanto aciona alertas gritantes sobre os perigos da evolução tecnológica.
As ideias e conceitos de Gibson tiveram um grande impacto na cultura pop.
Ele influenciou diretamente a famosa trilogia de filmes "Matrix", criada pelos Irmãos Wachowski.
Seu trabalho ajudou a moldar a forma como a ficção científica é vista hoje.
Seu trabalho ajudou a moldar a forma como a ficção científica é vista hoje.
Além disso, Gibson também é um dos fundadores do subgênero steampunk. Esse estilo literário apresenta realidades alternativas que misturam tecnologias do século XX com inovações do século XIX.
Por exemplo, em seu romance "A Máquina Diferencial" (Aleph, 2012, 454 páginas), escrito em parceria com Bruce Sterling, ele descreve um computador vitoriano que funciona a vapor.
Essa mistura de épocas e tecnologias é uma característica marcante de suas obras.
Por exemplo, em seu romance "A Máquina Diferencial" (Aleph, 2012, 454 páginas), escrito em parceria com Bruce Sterling, ele descreve um computador vitoriano que funciona a vapor.
Essa mistura de épocas e tecnologias é uma característica marcante de suas obras.
Para além da influência na cultura pop e na literatura, Gibson virou uma espécie de profeta dos tempos modernos.
Seus textos, por exemplo, anteciparam como seria a internet, os reality shows, a das câmeras de segurança, e também a importância que os videogames ganhariam na vida das pessoas e também no mercado.
Vale lembrar, por exemplo, que o mercado de games movimenta hoje mais dinheiro do que Hollywood.
Um visionário que, nos dias de hoje, ironicamente, foge da tecnologia.
Um visionário que, nos dias de hoje, ironicamente, foge da tecnologia.
Análise literária
Neste livro o Gibson sintetiza uma série de anseios em relação ao contexto dos anos 80, marcado nos EUA pelo governo de Ronald Reagan (✰1911/✞2004), que simboliza o retorno a uma política mais conservadora e de mudança econômica, processo da destituição do Estado de bem estar social para uma guinada ao neoliberalismo.
Assim como os últimos andamentos da Guerra Fria, que alimentam um imaginário muito forte de angústia sobre o fim do mundo.
Assim como os últimos andamentos da Guerra Fria, que alimentam um imaginário muito forte de angústia sobre o fim do mundo.
É muito presente em sua obra, uma preocupação sobre o avanço da tecnologia, e o impacto que esta terá na transformação da humanidade.
Na narrativa, acompanhamos o anti-herói Case que trabalha como Cowboy, o que nós conhecemos atualmente como hacker.
A história se inicia com Case totalmente derrotado porque foi punido com toxinas em seu fígado por ter roubado seus antigos patrões.
Essas toxinas não permitem que ele acesse a matrix: o ciberespaço, que seria uma grande rede de conexões a qual é possível acessar sobre uma representação corporal.
Essas toxinas não permitem que ele acesse a matrix: o ciberespaço, que seria uma grande rede de conexões a qual é possível acessar sobre uma representação corporal.
O personagem privado de sua única forma de sobreviver se vê enterrado em uma vida sem perspectivas afundado no consumo de drogas, onde convive com a violência da grande metrópole em que mora.
Case vive em Chiba uma super-cidade japonesa, que junto de BAMA15 formam os maiores conglomerados populacionais do futuro.
É então nesse contexto, que logo o levaria a autodestruição, que aparece Molly, uma assassina profissional que tem em seu corpo diversos implantes e modificações o que a torna uma verdadeira máquina de matar, contratada por Armitage para aliciar Case.
Armitage acena com a possibilidade de cura para que Case possa novamente acessar a matrix.
A primeira missão dos dois é roubar o construto "Dixie Flatline", que corresponde à personalidade do antigo mestre de Case, reconstruída artificialmente e que o ensinará como roubar dados na matrix.
Case vive em Chiba uma super-cidade japonesa, que junto de BAMA15 formam os maiores conglomerados populacionais do futuro.
É então nesse contexto, que logo o levaria a autodestruição, que aparece Molly, uma assassina profissional que tem em seu corpo diversos implantes e modificações o que a torna uma verdadeira máquina de matar, contratada por Armitage para aliciar Case.
Armitage acena com a possibilidade de cura para que Case possa novamente acessar a matrix.
A primeira missão dos dois é roubar o construto "Dixie Flatline", que corresponde à personalidade do antigo mestre de Case, reconstruída artificialmente e que o ensinará como roubar dados na matrix.
A segunda parte do livro mostra-nos a viagem dos dois protagonistas, unidos a Armitage até Freeland, planeta de propriedade da família Tassier-Ashpool, dona de um grande complexo industrial.
Lá eles encontram Maelcum, um rastafári da vila operária de Zion que será o guia deles pelo submundo dessa estação que orbita a Terra.
É neste planeta artificial que se encontra a inteligência artificial Neuromancer, a qual Case e Molly devem roubar para Armitage.
Este último, no entanto, se revelaria apenas um corpo controlado por outra inteligência artificial chamada de Wintermute, que deseja se fundir com Neuromancer para criar um novo super-programa de computador — uma síntese de ROM e RAM16, isto é, informação e personalidade - com o intuito de controlar o mundo.
Obviamente este breve resumo é insuficiente para detalhar todas as minúcias do universo criado por Gibson, universo que foi aprofundado e explorado nos seus outros livros anteriormente citados que encerram a trilogia, mas nos fornece uma breve noção de como era esse mundo imaginado pelo autor.
Lá eles encontram Maelcum, um rastafári da vila operária de Zion que será o guia deles pelo submundo dessa estação que orbita a Terra.
É neste planeta artificial que se encontra a inteligência artificial Neuromancer, a qual Case e Molly devem roubar para Armitage.
Este último, no entanto, se revelaria apenas um corpo controlado por outra inteligência artificial chamada de Wintermute, que deseja se fundir com Neuromancer para criar um novo super-programa de computador — uma síntese de ROM e RAM16, isto é, informação e personalidade - com o intuito de controlar o mundo.
Obviamente este breve resumo é insuficiente para detalhar todas as minúcias do universo criado por Gibson, universo que foi aprofundado e explorado nos seus outros livros anteriormente citados que encerram a trilogia, mas nos fornece uma breve noção de como era esse mundo imaginado pelo autor.
Na narrativa de Gibson, o futuro tem bastante protagonismo, porque ele serve como ferramenta para o leitor para pensar sua própria realidade, identificando certas semelhanças, que são constitutivas do nosso mundo.
Um lugar bastante marcado pela tecnologia, também há muita modificação corporal através da união entre homem e máquina, que vai mais além através da ligação mental na matrix.
Esses implantes também são parte da capacidade dos homens, por conta da tecnologia, serem mais fortes, mais poderosos mesmo fora do mundo virtual.
Um lugar bastante marcado pela tecnologia, também há muita modificação corporal através da união entre homem e máquina, que vai mais além através da ligação mental na matrix.
Esses implantes também são parte da capacidade dos homens, por conta da tecnologia, serem mais fortes, mais poderosos mesmo fora do mundo virtual.
Assim a narrativa cyberpunk se caracterizava pela fusão de um mundo onde há tecnologia de ponta e um submundo dominado pelas drogas, sexo e a violência.
Desta forma este subgênero apresentou-se como uma novidade extremamente impactante muito diferente da tradicional ficção científica, tendo características próprias e marcantes que influenciaram toda uma geração.
Desta forma este subgênero apresentou-se como uma novidade extremamente impactante muito diferente da tradicional ficção científica, tendo características próprias e marcantes que influenciaram toda uma geração.
Conclusão
Ou seja, "Neuromancer" é uma síntese de várias características dos anos 80 do que William Gibson pensava acerca de sua próprias vivências e experiências.
Portanto, as problemáticas trazidas por Gibson em "Neuromancer" tem como parte constituinte uma reflexão importante para o leitor contemporâneo sobre o quanto queremos ser dependentes ao extremo das máquinas e da tecnologia.
O que fazia muito sentido para o contexto de 1984, no desenvolvimento da informática e da comunicação, mas parece se aprofundar para nós que já presenciamos essas mudanças, principalmente porque, assim como Case, estamos nos tornando cada vez mais preocupados e dependentes da parte virtual da nossa vida.
Concluímos que a literatura distópica é uma ferramenta importante que dissemina um discurso alternativo à narrativas tradicionais no final do século XX, principalmente pelas mudanças que ocorreram na relação humana com o tempo, pela crise na ordem do tempo e mudança do regime de historicidade.
Deixando o ideal de progresso, o futuro tem uma aparência significativamente catastrófica.
Isso aparece no imaginário, que é trabalhado em "Neuromancer" por Gibson, sobre alguns temores focado na relação entre o homem e a tecnologia.
Vai receber meu carimbo de:
- [Por: Leonardo Sérgio da Silva.
- Fonte: Associação Nacional de História (ANPUH)]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
- O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.

E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário