Total de visualizações de página

domingo, 15 de fevereiro de 2026

CASO EPSTEIN: ABERRAÇÃO PODEROSA, INSTITUCIONAL E SISTÊMICA

  • Este artigo é em atendimento à sugestão de alguns seguidores do blogue Conexão Geral.
Os últimos dias circula, intenso fluxo de informações nas redes sociais, blogues, podcasts, TVs, rádios e portais, sobre o escândalo envolvendo o magnata do mercado financeiro Jeffrey Epstein.

O nome de Epstein dominou as manchetes da mídia depois que um tribunal de Nova York divulgou uma lista de celebridades supostamente envolvidas com o empresário.

Sua morte na prisão também teve grande repercussão, já que ele tirou a própria vida em sua cela em agosto de 2019, meses antes de seu julgamento por tráfico sexual e exploração de menores .
O chamado Caso Epstein é considerado um dos maiores escândalos envolvendo uma rede de tráfico de pessoas para exploração sexual de corpos infantis, adolescentes e mulheres dos últimos tempos.
Tratado por muitos veículos como escândalo sexual, pelas dimensões de sua sordidez, de sua hediondez, eu o considero como algo mais além. Este é um escândalo político.

Isto porque trata-se da prática sistemática de violação de corpos de crianças e mulheres no centro do poder econômico, de lideranças políticas, religiosas e figuras ilustres do campo do entretenimento.
Cabe ressaltar que os nomes dos atores, modelos, apresentadores de TV e outros não implicam culpa, visto que incluem todo tipo de informação proveniente da extensa investigação, como depoimentos, declarações e e-mails.

Quem era Epstein


Antes de se tornar a figura central de um caso de tráfico sexual de grande repercussão, Jeffrey Epstein foi professor de matemática e um influente financista em Nova York.

Cortejando ricos e famosos com jatos particulares e festas luxuosas nos anos 1980, os negócios de Epstein cresceram até administrar centenas de milhões de dólares em ativos de clientes.

Entre as celebridades com quem ele socializava estavam o então presidente dos EUA, Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e Andrew Mountbatten-Windsor, antes príncipe Andrew.
"Conheço o Jeff há 15 anos. Cara excelente",
disse Trump à revista New York em 2002. Só que não!

Em 2005, os pais de uma garota de 14 anos disseram à polícia da Flórida que Epstein havia molestado sua filha em sua casa em Palm Beach.

Ele evitou acusações federais e, em vez disso, recebeu uma sentença de 18 meses de prisão.

Desde 2008, Epstein estava listado como nível três no registro de criminosos sexuais do estado de Nova York.

Era uma designação vitalícia que significava um alto risco de reincidência.

Em julho de 2019, ele foi preso em Nova York por acusações de tráfico sexual, acusado de comandar "uma vasta rede" de meninas menores de idade para exploração sexual.

Após ter fiança negada, ele foi mantido no Metropolitan Correctional Center, em Nova York, onde foi encontrado morto em sua cela meses depois.

A partir daí muitos são os rumos de uma história que precisa ser passada a limpo.

Podridão elitizada

O que tem sido muito comum depois da liberação seletiva de 23 mil páginas de documentos é a tendência de tratar esse fato gravíssimo como reality show.

E o surgimento de temas como cortinas de fumaça para desviar o foco das questões a serem esclarecidas e enfrentadas.

Além da ênfase por parte de alguns meios na visibilização das vítimas, o que incide em mais violações.

O silenciamento e a opacidade dos fatos parece-me sempre uma estratégia eficiente de manutenção das formas abusivas de poder.

Um abuso sexual, a exploração de crianças, adolescentes e mulheres reflete uma relação de poder.

Dentro ou fora de casa, na igreja, na escola, no Congresso Nacional, enfim, onde quer que aconteça.

A notoriedade das pessoas envolvidas e a amplitude da rede de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual do Caso Epstein tem intensificado o agendamento midiático sobre o tema.

Porém, é preciso que todas as pessoas reflitam mais profundamente sobre os valores que sustentam as práticas abusivas, com olhar atento para o quê o que conservadorismo protege como segredo.

Os 'arquivos Epstein'

O escabroso arquivo de Epstein, tornou-se uma verdadeira bomba que, com certeza, está colocando em perigo muita gente poderosa, mesmo que blindadas em suas potências financeiras.  Ao todo, três milhões da páginas, 180 mil imagens e 2.000 vídeos foram publicados no dia 30/1/2026.
A divulgação aconteceu seis semanas depois do departamento perder o prazo legal assinado pelo presidente Donald Trump, que exigia que todos os documentos relacionados a Epstein fossem tornados públicos.
"A divulgação de hoje marca o fim de um processo amplo de identificação e revisão de documentos para garantir transparência ao povo americano e cumprimento das normas",
disse o vice-procurador-geral Todd Blanche.
Nomes de brasileiros que
estão nos Arquivos Epstein.
Além das imagens e conversas de Andrew, os arquivos incluem detalhes sobre o tempo de Jeffrey Epstein na prisão — incluindo um relatório psicológico — e sua morte enquanto estava encarcerado, juntamente com registros de investigação sobre Ghislaine Maxwell, associada de Epstein que foi condenada por ajudá-lo no tráfico de meninas menores de idade.

Eles também incluem e-mails entre Epstein e outras figuras públicas influentes.

Além do que a mídia possa [ou queira] mostrar

Todo escândalo possui uma anatomia. Talvez seja por isso a necessidade de mergulhar fundo, sair da superfície dos fatos que acabam por nutrir uma indústria da informação.

A midiatização de um acontecimento social é um aspecto relevante em torno de um problema tão grave como a formação de uma rede de tráfico de pessoas para fins de abuso e exploração sexual, e por isto é relevante discutir neste quesito:
  • a cultura que protege pedófilos,
  • a educação para a desigualdade,
  • a cultura do estupro,
  • a exploração sexual como um jogo perverso de poder normatizado, sobretudo por muitos homens. Ou por um tipo de ordem e lógica masculina de governança.
É um escândalo político que fala sobre a nossa vida cotidiana dentro e fora de casa.

A instauração no Brasil de um Pacto Nacional de Enfretamento ao Feminicídio, nos últimos dias, é uma decisão no centro de uma gestão pública dada a crise instalada na sociedade brasileira, mas para funcionar as medidas precisam ser entendidas e adotadas por todas as pessoas e instituições.

Um dos pontos importantes inclusive foi colocar os homens no centro do compromisso social para o enfrentamento as diferentes formas de violência contras meninas e mulheres, contra crianças. A começar pelo conteúdo das campanhas em torno do tema.

A luxuosa e aconchegante ilha do terror

Deputados democratas do Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos divulgaram no dia 3/12/25 fotos e vídeos que mostram como era uma das ilhas privadas de Jeffrey Epstein, um dos locais onde ele seus comparsas de alta estirpe cometiam seus crimes sexuais (essa ilha, inclusive, foi apelidada de 'ilha da pedofilia", para aqueles que sabiam todo o horror que acontecia lá).

As imagens, registradas por autoridades das Ilhas Virgens Americanas — um arquipélago no Caribe pertencente aos EUA — mostram quartos, banheiros, salas de massagem e um telefone fixo com nomes escritos nos botões de discagem rápida.

Em meio a todo o luxo e requinte do espaço, há também um quadro negro onde estão escritas palavras como "power" (poder) e "deception" (que pode significar fraude, farsa ou engano).

Conclusão


Prevenir, proteger, responsabilizar, educar, comunicar são atos de grande relevância para efetiva ruptura da violência estrutural contra crianças e mulheres.

A cooperação entre instituições torna-se base importante diante de um grave problema.

Uma das coisas igualmente violentas que o Caso Epstein joga na cara de todos e todas nós, é a proteção aos algozes, cujos nomes, em sua maioria, estão sob sigilo. O pacto com o segredo protege quem viola e massacra ainda mais as vítimas.

Por fim, enfatizamos a responsabilidade dos meios de comunicação no debate público, por seu papel no sistema político e a mediação que exerce.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário