Total de visualizações de página

quinta-feira, 25 de julho de 2019

ONDE ESTÁ [SEU] DEUS?

Salmo 37

Queridos, quando nos encontramos em uma situação de desafios pessoais, quando as circunstâncias e a situação nos são adversas, não são raras as vezes em que o adversário vem nos confrontar com essa pergunta, colocando esse questionamento em nossa mente, em nosso coração: 
"Onde está [o seu] Deus?"
Essa pergunta vem sobre nós com um grande peso. É uma pergunta perturbadora e se nos encontra emocionalmente vulneráveis - e em situações extremas, sempre estamos emocionalmente vulneráveis - é tudo o que o adversário precisa para colocar em nós a dúvida de quem somos, de quem é Deus ou onde Ele está. É quando passamos por uma crise de identidade espiritual.

E não devemos subestimar os ardis do adversário (2 Coríntios 10b,11). Ele está sempre à espreita (1 Pedro 5:8). Acredite você ou não, mas o mal é real. E existe um responsável que é nosso inimigo e ele não perde tempo e nem oportunidade para tentar nos derrubar. O interessante que assim como diz o versículo, ele fica ao derredor fazendo barulho, isso porque ele trabalha com a mentira, o engano e a confusão, fazendo com que nós mesmos façamos as escolhas erradas. Por isso devemos vigiar e guardar a Palavra de Deus, para podermos andar no caminho certo, evitando dor e sofrimento.

Os pensamentos de Deus X as mentiras do diabo


Veja o que diz Deus ao nosso respeito:
"'Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito', diz o Senhor; 'pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais'" (Jeremias 29:11).
E esta promessa foi confirmada por Jesus, veja:
"Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém" (Mateus 28:20).
E tem uma palavra na epístola de Judas que reforça - mesmo não sendo necessário nenhum reforço, já que nos basta o que foi dito por Jesus - ainda mais essa palavra ao nosso coração:
"Àquele que é poderoso para impedi-los de cair e para apresentá-los diante da sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém" (24,25).
Mas, uma coisa é certa. O inimigo sempre tentará contra nós e, já que não pode nos tocar (1 João 5:18b), ele, então, tem como alvo a nossa mente, o nosso intelecto, por isso que o apóstolo Paulo, ao escrever sua epístola à Igreja em Éfeso, nos orienta a que mantenhamos a cabeça coberta pelo capacete da salvação (Efésios 6:17). 

O capacete da salvação significa a segurança da salvação que protege a mente do crente das dúvidas e medos lançados por satanás - ele é usado em conjunto com o escudo da fé (que, inclusive, deve ser empunhado antes, ou seja, é a fé que impedi, que neutraliza o progresso da seta atirada pelo maligno em seu alvo: a nossa mente), para, conforme diz o apóstolo, apagar (ou seja, aniquilar, destruir mesmo) as sugestões de satanás, que são os chamadas de "dardos inflamados do maligno" (6:16). Confiando plenamente na fidelidade de Deus, todo cristão verdadeiro pode ser confortado com a certeza de sua salvação; e isto é fundamental na batalha espiritual durante esta vida terrena.

Uma das mentiras do diabo é nos fazer pensar que não haverá nenhuma empolgação ou alegria no céu. E que será um evento triste e melancólico. E que nenhuma emoção sentiremos ao receber a coroa da vitória. O inimigo sempre tenta nos convencer que a vida nos céus é uma vida fria, sem prazer algum. E assim, nos estimula a correr atrás de uma conquista temporal, passageira e perecível aqui na terra. 

O apóstolo também combina essa analogia com uma passagem do Antigo Testamento. Nela o profeta Isaías fala figuradamente do Senhor usando o capacete da salvação em Sua cabeça (Is 59:17). O interessante é que Paulo empresta essa referência para revelar que Deus concede esse capacete da salvação aos seus soldados eleitos. 

Um dos elementos dessa armadura é justamente o capacete da salvação. O capacete é fundamental na proteção da cabeça de um soldado. Nos tempos antigos o capacete de um soldado era geralmente feito de ferro, bronze e couro. Esse equipamento de segurança era amplamente usado, pois no campo de batalha a cabeça de um soldado era sempre um alvo muito procurado por seus inimigos.

E o diabo, em sua ousadia extrema, teve o desplante de tentar usar essa mesma estratégia contra o próprio Jesus. Veja a passagem na qual Jesus é tentado por ele. O tempo todo ele procura fazer com que Jesus tenha dúvidas de quem Ele era, de quem Deus é e do que em Deus Ele podia (Mateus 4:1-12):
"Se tu és filho de Deus..." (v.6a), "...se, prostrado me adorares..." (v.9b), 
Mas Jesus, que não tinha nenhuma crise de identidade, o venceu contra atacando-o com a Espada (a Palavra - Hebreus 4:12).

O diabo e seus ardis


Esta foi a linha de argumentação do diabo. A mesma linha de argumentação usada pelo gigante filisteu contra o exército de Israel (1 Samuel 17:8-11):
"...Escolhei dentre vós um homem que desça a mim. Se ele puder pelejar comigo..." (vs.8b,9a).
Foi essa a argumentação dele com Eva, lá no jardim do Éden: a sugestão, ele atuou justamente ali, na mente, no intelecto, no raciocínio, na razão, no entendimento, lançando dúvidas e distorcendo o que Deus havia dito (Gênesis 3:1-5).

O dilema de Asafe


Ainda teve o caso do salmista Asafe, que, alimentado pelo sentimento de dúvida em seu coração, se achou no direito de "colocar Deus na parede" (leia no Salmo 73, o "desabafo" do salmista e a que conclusão ele chegou no final). O salmo 73, o salmo de Asafe, um dos principais cantores em Israel nos dias de Davi, cuja idade devia oscilar entre os 60 e os 70 anos quando escreveu o salmo, homem dedicado e líder do coro, relata o conflito, o dilema, quando, em um determinado momento, seu autor passa a olhar a vida a partir de um único ângulo, de um único lado da história. Ele olha o mundo e percebe que está tudo errado e confuso demais para ele.

E qual era seu o dilema?


Por que o justo sofre, enquanto o ímpio prospera? Por que coisas boas acontecem com pessoas más e coisas más acontecem com pessoas boas? Porque homens santos como Jeremias, Isaías, João Batista, Estevão e o apóstolo Paulo são martirizados enquanto homens ímpios como Herodes e Nero governam o mundo? Por que aqueles que escarnecem de Deus se tornam ricos e desfrutam dos prazeres deste mundo e aqueles que são fiéis a Deus passam por dificuldades?

A fim de tentar entender um pouco esse dilema, do salmo 73, veremos, primeiro, em que Asafe acreditava sobre Deus.
  • 1 - Asafe, como todo judeu, tinha sua fé alicerçada na bondade de Deus. Para ele, Deus era o Deus de Israel e era bom para os israelitas que eram puros de coração. Este era o chão sólido que os pés de Asafe estavam firmados.
  • 2 – Não é assim que acreditamos também? Esperamos que a nossa fidelidade, a nossa dedicação, santificação, abnegação e renúncia seja retribuída com bênçãos por Deus. E é o fundamento da nossa compreensão de Deus também. Sabemos que Deus é bom, que Deus nos ama, que nos escolheu, que nunca nos abandonará, que cuidará de nós e nos abençoará se formos fiéis a Ele.
Esta também era a fé de Asafe. Ele cresceu ouvindo que Deus era bom para os justos, porém, ao olhar em volta, parece que a realidade do mundo está em desacordo com o que havia aprendido e acreditado.

No entanto, subitamente, ele começa a colocar em dúvida essa bondade de Deus. Apesar de ter crido na justiça e misericórdia do Senhor durante toda a existência, houve um dia no qual pressentiu estar pisando no terreno da apostasia. Ele disse: 
"Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés" (v.2).
Asafe percebeu que seus pensamentos o estavam guiando a um caminho escorregadio. Na realidade, ele descobriu que faltou muito pouco para que abandonasse a fé. Três coisas que Asafe invejou dos ímpios:
  1. A saúde dos ímpios (v. 4);
  2. Não há fardo no trabalho deles (v. 5);
  3. A vida deles é um sucesso (v. 12b).

As consequências dos dardos inflamados da dúvida


Asafe ficou como quem não raciocina direito. Como quem não sabia o que realmente estava falando. Estava cego como o moço (Geasi) de Elizeu. Só via o exército do inimigo na frente dele, não enxergava os carros e cavaleiros de fogo pelejando por ele (2 Reis 6:15-17). A cegueira de Asafe o fez esquecer-se de onde Deus o tirou, de onde Deus o salvou com mão forte.

Conclusão


Algumas vezes usamos nossos sentimentos para ajudar-nos a decidir o que deve ser feito. Muitas vezes baseamos nossas decisões em maus conselhos ou nas circunstâncias. Em gente mais cega que a gente, tentando nos guiar. Só que isso não é bom. Às vezes decidimos fazer algo só porque todo mundo está fazendo e é popular. Isso não é bom também. 

Mas só há uma orientação em que podemos confiar, que nos aponta a direção certa. Esse norte é a Bíblia Sagrada, a bússola dos salvos (Sl 119:105)!!! O importante não é o que as pessoas tem, mas o que elas são diante de Deus. Nada adianta ser bem sucedido aqui, mas não saber aonde vai passar a eternidade.

Sim, vale a pena servir a Deus. Vale a pena ser fiel.


As provações que nos sobrevêm mudam as nossas prioridades. Sentimos vontade de buscar o que é eterno e imaterial. De alguma forma a dor nos leva para mais perto do Senhor. Passamos pela prova mais íntimos de Deus do que quando entramos nela (Romanos 8:25-28; 2 Coríntios 4:15-18). 

O bem supremo na vida não é a prosperidade, nem a ausência de dor, mas a proximidade de Deus. O grande propósito de Deus neste tempo presente não é enriquecer o crente ou empobrecer o descrente, mas manter na sua presença pessoas dependentes Dele como eu e você. Onde o verdadeiro próspero na vida é o que toma posse da comunhão com Deus.

As certezas [que podemos chamar de: graça] que temos e que é o que nos basta:
  • A presença de Deus (vv. 23a, 26, 28a) - Asafe percebe a realidade da presença de Deus. Ele viu que tinha a maior riqueza de todas, que o ímpio não podia ter: a presença de Deus. 
  • O sustento de Deus (v. 23b) - Asafe, sendo da tribo de Levi, sabia muito bem que Deus era o seu sustento. Asafe não precisava invejar o ímpio, pois Deus o tomava pela mão todos os dias.
  • A direção de Deus (v. 24) - Asafe viveu um momento de dúvida da fé, mas, mesmo assim Deus o guiara e direcionara seus passos (v.24). Toda vez que Asafe tentava encontrar o caminho que deveria seguir, Deus lhe dava a direção, o conselho, a bússola, a sua Santa Palavra, que é a Bíblia Sagrada.
Não se deixe enganar: o que sair - ou passar - disso, ignore, vem do maligno.

A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso. 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

DISCOS QUE EU OUVI - 54: "SHE'S SO UNUSUAL", CYNDI LAUPER


Resultado de imagem para gif de disco de vinil






Quem, como eu, foi adolescente na década de 1980, certamente não conseguiu passar imune ao fenômeno que foi a cantora pop Cyndi Lauper. Numa época em que as paradas internacionais de sucesso, eram majoritariamente ocupadas por homens - Michael Jackson, Paul MacCartney, David Bowie, Prince, Elton John... Isto sem contar as bandas -, eis que surge uma garota feia, ruiva, de cabelos alaranjados, visual espalhafatoso e voz estridentemente fina, porém, marcante e inconfundível. E ninguém pode segurar aquela garota que só queria se divertir.

O disco


Depois de uma tentativa fracassada de alcançar o sucesso com uma banda estilo rockabilly (batizada de Blue Angel) - com um único disco lançado em 1980, que, devido ao fracasso de público e de vendas, não é nem lembrada - a banda logo se desfez, mesmo assim Cyndi não desanimou e continuou a cantar pelos barzinhos de Nova York, até que David Wolff, empresário e seu namorado na época, lhe consegue um contrato na Portrait no final de 1982 gerando uma das obras mais elogiadas da década de 80.

Cyndi Lauper lançou seu primeiro disco solo, o clássico "She's So Unusual" ("Ela é tão diferente", título, aliás, do qual ela fazia jus). O disco é uma mistura de auto-confidência, pop-rock, sentimentalismo e humor inteligente, comprovando que Cyndi, além de intérprete, é uma excelente compositora. Muitas das letras do álbum foram co-escritas por ela, algumas belas, outras contagiantes, mas todas fazendo um pop básico, sem pretensões de ser a maior cantora ou a mais popular. 

Vendeu 300 mil cópias somente no Brasil e 16 milhões pelo resto do mundo, o que lhe rendeu vários prêmios: Cantora do Ano, Melhor Vídeo ('Girls Just Want To Have Fun'), 
Revelação, etc; além de inúmeras indicações ao Grammy, ao MTV Awards e ao American Music Awards e foi eleita a Mulher do Ano.

Neste álbum antológico da música pop internacional, estão os clássicos 'Girls Just Want To Have Fun, 'Time After Time', 'She Bop', 'All Through The Night" e 'Money Changes Everything'. O álbum vendeu 16 milhões de cópias e ela se tornou a primeira mulher a ter quatro músicas consecutivas do top 5 das paradas americanas e inglesas. 

Faixa a Faixa


(1) 'Money Changes Everything' abre o álbum mas foi o último single, chegando à 27ª posição das paradas americanas, com bastante exibição na MTV de seu videoclipe ao vivo extraído da turnê de Cyndi Lauper pelos Estados Unidos em 1984, que utiliza bastante guitarra e a letra é bastante realista ao nos dizer que realmente conhecemos uma pessoa quando há dinheiro envolvido.

O primeiro single do álbum, (2) 'Girls Just Want To Have Fun', demorou um pouquinho para alcançar sucesso, mas com seu videoclipe extremamente engraçado, colorido e que conta a história de sua adolescência reprimida e seu desejo por liberdade, fez de Cyndi Lauper uma popstar.

No vídeo, a mãe de Cyndi interpreta a si mesma e tem a participação de parentes e amigos, Lou Albano (o gordo), que interpreta o pai, sempre participa dos vídeos e as participações dessas pessoas em seus futuros vídeos se tornou uma "marca registrada". O single alcançou o #2 nos EUA e Inglaterra, e ficou em 1.º lugar na Austrália e Japão, país onde Cyndi Lauper é idolatrada até os dias de hoje. E em toda coletânea ou festa temática dos anos 80 que se preza, o hit é faixa obrigatória.

(3) 'When You Were Mine', (4) 'Time After Time' é uma 
das lentas de maior sucesso da carreira de Cyndi, que co-escreveu a letra. Esse single chegou a ser número 1 nos Estados Unidos e o videoclipe é auto-biográfico, relembrando o momento em que Cyndi fugiu de casa. Claro que mamãe também aparece nesse vídeo e seu então namorado e empresário David Wolff.

Com (5) 'She Bop' (última faixa do Lado A da edição em vinil), Cyndi Lauper conseguiu escandlizar os mais 
conservadores com a polêmica letra sobre masturbação feminina... nada demais cantar sobre algo que "todo mundo faz" (ou, pelo menos, fez)... ato ousado mesmo para a década de 80, onde as mulheres já exerciam seu "girl power", mas vai explicar isso para uma sociedade hipócrita (principalmente a americana). 

Mesmo com toda a polêmica, o single foi um sucesso de vendas e rádio, atingindo a 3ª posição das paradas americanas. Conta com um videoclipe muito engraçado e irônico, mostrando Cyndi sendo perseguida por membros da sociedade por ter cometido ato tão obsceno (de novo lá estão sua mamãe, o namorado e o gordinho).

Em (6) 'All Throught The Night' (que abre o Lado B da edição em vinil), Cyndi abusa de sua voz utilizando 12 
segundos de nota nessa belíssima lenta, uma das melhores, que emociona até quem não é fã do gênero. 
  • Para quem não sabe, Cyndi Lauper possui extensão de 4 oitavas e é considerada Soprano Leggero.
O single, muito bem sucedido e executado nas rádios, emplacou o 5º do Hot 100 da Billboard americana.


Conclusão


O álbum de estreia de Cyndi Lauper, fez 30 anos de lançamento em outubro de 2013. Na época, a gravadora Sony resolveu comemorar o álbum trintão, com um re-lançamento que chegou às lojas em abril de 2014. A edição comemorativa se chamou "She's So Unusual: A 30th Anniversary Celebration" e foi lançado no dia 1º de Abril, como disco duplo contendo os hits clássicos pop, como 'Girls Just Want To Have Fun', 'Time After Time', 'She Bop' e 'All Through The Night'.

Ainda em 2014 Cindy Lauper recebeu o prêmio de Melhor Álbum de Musical de Teatro no Grammy deste ano, por sua peça "Kinky Boots". Surpreendentemente, a cantora já foi indicada ao prêmio mais importante da música 15 vezes, mas só ganhou uma vez, em 1985, na categoria Artista Revelação. Em 2008 ela se apresentou aqui no Brasil e até participou do programa Altas Horas, do Serginho Groismann (Rede Globo)
Em 2004, o disco foi eleito pela "Rolling Stone" americana como um dos 500 melhores de todos os tempos. De autoria de Cyndi, 'Time After Time' se transformou em uma das músicas mais tocadas e regravadas da música americana até hoje. Até Miles Davis fez sua versão para ela. Uma coisa é certa, mesmo na contramão do estilo "material girl", lançado posteriormente por sua "rival"(?), Madonna, com "She's So Unusual", Cyndi Lauper conseguiu escrever seu nome no hall da fama da música pop internacional. É claro que vou carimbar

A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso

ESCRITO NAS ESTRELAS, BY LIVROS QUE EU LI - ISAAC NEWTON

Imagem relacionada

Inúmeros são os livros sobre a vida de Isaac Newton. Tanto em português quanto em outros idiomas encontramos textos que se propõem a descrever a vida deste que foi um dos maiores cientistas de todos os tempos. Entretanto, poucos são os livros que conseguem atingir tanto o público leigo  - ao que eu pertenço - quanto o especializado. Sem qualquer sombra de dúvida, o livro sobre o qual foi feito o texto deste artigo encontra-se entre esses poucos. 

Devo confessar que Física, Matemática e disciplinas de exatas no geral, nunca foram as de minha preferência. Como grande parte dos brasileiros, desde o primário, sempre fui uma negação nessas disciplinas e só consegui passar por elas sob muita pressão, com muito custo (e sim, confesso, algumas colas) e com a pontuação necessária para aprovação. Nunca nada a mais. E continuo assim, a calculadora para mim é um objeto de sobrevivência. 

Mas, o que despertou meu interesse pela leitura do livro "A vida de Isaac Newton", da autoria de Richard S. Westfall (tradução de Vera Ribeiro), Editora Nova Fronteira, 328 pp. (1995), foi justamente, como é sugerido pelo próprio título, o livro se tratar da biografia de Isaac Newton, um nome que, inquestionavelmente, está por toda a eternidade, escrito nas estrelas.

Um homem, um gênio, uma vida, uma história, um legado


Imagem relacionada
Esta biografia retrata a vida pessoal - que, não sei se é do conhecimento de todos, foi um fervoroso cristão protestante e proeminente teólogo - e a carreira científica de Newton, fazendo uma descrição abrangente do homem, do cientista, do filósofo, do teólogo e da figura pública.
Trata-se de uma versão condensada da obra de grande porte, "Never at Rest: A Biography of Isaac Newton" ("Nunca em repouso: uma biografia de Isaac Newton", em livre tradução), publicada pelo mesmo autor em 1980. 

Conforme o autor deixa claro no prefácio, seu objetivo ao escrever este livro é o de produzir uma biografia completa da vida de Newton, tanto da sua carreira científica como da sua vida pessoal, de uma maneira acessível ao público em geral. Sendo este o objetivo, sem dúvidas ele foi alcançado. O livro é dividido em treze capítulos que procuram analisar os 84 anos de vida de Newton.

O capítulo 1, intitulado "Um garoto sóbrio, silencioso e pensativo"


Descreve a infância e adolescência de Newton, desde o seu nascimento no Natal de 1642 até sua transferência para o Trinity College em Cambridge, em junho de 1661. Neste capítulo o autor apresenta indícios de que Newton já quando criança demonstrava-se uma pessoa diferente, não só por suas habilidades para a invenção de aparelhos mecânicos como também por seu isolamento e aversão a outras crianças.

O capítulo 2, "O estudante solitário"


Retrata os quatro primeiros anos de Newton no Trinity College (1661-1664) em Cambridge. 
"Newton entrou no Trinity como um subsizar - o estudante pobre que ganhava seu sustento prestando serviços domésticos aos professores, aos alunos não subvencionados (estudantes ricos...) e aos pensionistas (alunos meramente abastados)." 
Newton não foi um aluno brilhante nos conteúdos da escola, pois não se interessava muito por eles, em geral estudava rapidamente tais conteúdos nas vésperas dos exames, ocupando a maior parte do seu tempo com outros assuntos mais complexos como a geometria de René Descartes. Entretanto, alguns indícios apontam que já nessa época Newton escreveu seu primeiro trabalho, não publicado, intitulado "Algumas questões filosóficas".

Em "Anni mirabiles", capítulo 3


O autor faz uma descrição do período mais fértil da vida intelectual de Newton (anos de 1664 a 1666). Neste período Newton teve que voltar para a fazenda de seus pais, pois a peste bubônica que assolou a Inglaterra forçou o fechamento das universidades. Em Woolsthorpe, sua terra natal, Newton desenvolveu as bases de toda a sua obra, como ele próprio relatou: 
"No início do ano de 1665, descobri o método de aproximação a uma série desse tipo & a regra para reduzir qualquer potência de qualquer binômio a tal série. No mesmo ano, em maio, descobri o método das tangentes de Gregory & Slusius e, em novembro obtive o método direto das fluxões, e no ano seguinte, em janeiro, a teoria das cores, e em maio seguinte desvendei o método inverso das fluxões. 
E no mesmo ano, comecei a pensar na gravidade como se estendendo até a órbita da Lua e... deduzi que as forças que mantêm os planetas em suas órbitas devem [variar], reciprocamente, com o quadrado de sua distância do centro em torno do qual eles giram... .  
Tudo isso foi nos dois anos da peste, 1665 - 1666. Pois, nessa época, eu estava no auge de minha fase de invenção e me interessava mais pela matemática e pela filosofia do que em qualquer ocasião posterior." 
O autor faz uma análise pormenorizada deste período da vida de Newton, destacando que neste três anos Newton lançara as bases sobre as quais construiria sua obra, porém, nada estava concluído no final de 1666.

O capítulo 4, intitulado "Professor lucasiano"


Retrata a trajetória que conduziu Newton à posição de professor lucasiano de Matemática do Trinity. Conta-se que Newton foi um professor medíocre, que não conseguia transmitir suas idéias com clareza e que freqüentemente faltava às aulas. Nesta mesma época começam as correspondências entre Newton e Oldenburg, secretário da Royal Society. A partir desta época Newton sai de seu anonimato para nunca mais voltar.

O capítulo 5, "Publicação e crise"


Ocupa-se em analisar as conseqüências da primeira publicação de Newton, o artigo sobre as cores, remetido à Royal Society no início de 1672. Este artigo foi alvo de muitas críticas rebatidas com irritação por Newton. A partir desta data, Newton trava uma batalha intelectual com três personagens que vão protagonizar outros episódios de sua vida: Robert Hooke, Christiaan Huygens e Leibniz. 

Correspondências calorosas são trocadas entre eles, o que vai contribuir para Newton tornar-se averso a qualquer tipo de publicação de seus trabalhos. Neste capítulo podemos perceber muitos traços da personalidade de Newton, herdados talvez de sua infância.

Em "Rebeldia", capítulo 6, Newton


Como forma de protesto às críticas recebidas por seus trabalhos, resolve abandonar seus estudos em filosofia e matemática dedicando-se à alquimia e teologia. Nesta época, Newton, que normalmente era um sujeito sovina, resolve gastar parte de suas economias na aquisição de livros sobre alquimia e também em equipamentos para a montagem de um pequeno laboratório em seu escritório. 

Newton escreveu alguns tratados de alquimia que não tiveram muita importância, até por que não foram publicados. Já em teologia, os tratados de Newton, caso tivessem sido publicados, provavelmente dariam o que falar e talvez até o condenassem à fogueira, isso por que Newton não era muito ortodoxo, seus artigos criticavam a santíssima trindade ou o trinitarismo em contraposição ao unitarismo.

Em 1679, morre a mãe de Newton e a partir desta época Newton vai viver seus 

"Anos de silêncio" (capítulo 7) 


em que vai mergulhar ainda mais em seus estudos teológicos e alquímicos. Neste capítulo, o autor faz uma descrição mais detalhada dos trabalhos de Newton nessas duas áreas, que serão deixadas de lado por volta de 1684 com a visita de Edmond Halley.

O capítulo 8, intitulado "Principia"


Como o próprio nome sugere trata da gênese da grande obra de Newton: Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural. O autor faz uma descrição detalhadíssima dos fatores que antecederam a publicação dos Principia e dos fatores que permearam o processo. Segundo palavras do autor: 
"Os Principia não foram apenas a realização monumental de Newton. Foram também a guinada decisiva em sua vida. Como sabemos por seus papéis, ele havia realizado prodígios em vários campos. E, como também sabemos, não concluíra nada. 
...Se Newton houvesse morrido em 1684 e seus papéis se preservassem, saberíamos por eles que um gênio tinha vivido. Mas, em vez de enaltecê-lo como uma figura que moldou a intelectualidade moderna, no máximo o mencionaríamos em pequenos parágrafos, lamentando a impossibilidade de atingir a plena realização." 
O capítulo traz também uma descrição da estruturação dos Principia, os assuntos que são tratados em cada volume, como se divide cada volume e assim por diante.

A "Revolução", capítulo 9


Apresenta as conseqüências da publicação dos Principia, não só na vida de Newton mas, em toda a sociedade da época. O capítulo conta um pouco sobre a divulgação da obra em toda a Europa e suas repercussões nos círculos intelectuais. O capítulo ainda trata do episódio, posterior à publicação dos Principia, do colapso nervoso de Newton que, segundo alguns relatos, teria durado cerca de um ano e meio.

O capítulo 10, intitulado "A Casa da Moeda"


Descreve o contexto que envolveu a nomeação de Newton para trabalhar na Casa da Moeda em Londres, em 1696, e os fatores que promoveram sua ascensão para o cargo de diretor em 1699. O autor apresenta detalhes do trabalho desenvolvido por Newton, merecendo destaque a caça aos falsificadores de moedas, atividade que Newton desempenhou como ninguém. O capítulo traz ainda relatos sobre a atividade de Newton no Parlamento Britânico, atividade que ele abandonou em 1705.

O capítulo 11, "Presidente da Royal Society"


Analisa a longa trajetória de Newton enquanto presidente da Royal Society, desde sua nomeação, em 1703 com a morte de Hooke, até sua morte, em 1727. Neste capítulo podemos perceber traços de mudanças na personalidade de Newton, segundo palavras do autor: 
"Em Newton, a impaciência diante da contradição, que em sua juventude se manifestara como uma disposição de jogar fora a cautela, contestando autoridades estabelecidas como Hooke, transformou-se na velhice, num desejo tirânico de dominação, um traço antipático que é impossível ignorar." 
Neste capítulo encontramos, também, detalhes sobre a publicação da segunda obra de Newton, a Opticks, datada de 16 de fevereiro de 1704.

No capítulo 12, intitulado "A disputa pela prioridade"


O autor procura fornecer uma leitura imparcial do episódio que envolveu Leibniz e Newton na disputa pela prioridade de invenção do cálculo. Segundo as palavras do autor, a disputa pela prioridade demonstrou a "incapacidade de ambos de compartilhá-la amistosamente". Esta disputa atingiu proporções tais que, mesmo com a morte de Leibniz em 1716, levaram-se mais seis anos para que ela se dissipasse.

Finalmente, o capítulo 13 trata dos "Anos de declínio"


O autor procura fazer uma análise da etapa final da vida de Newton, desde o fim da disputa pela prioridade, em 1723, até a sua morte em 1727. Como o título do capítulo sugere, esses foram anos de declínio, como era de se esperar num homem de sua idade.

Isaac Newton, o teólogo


Como vimos, Newton era uma pessoa fora do comum – distraído e generoso, sensível à crítica e modesto. Enfrentou uma série de crises psicológicas. Tinha dificuldade em manter boas relações sociais. Contudo, ele foi um dos raros gigantes da história – um físico brilhante, astrônomo e matemático extraordinário e um filósofo natural.

Quando Isaac Newton, aquele raro gênio inglês e cavalheiro, morreu em 1727 com a idade de 85 anos, deixou uma marca indelével em todo trabalho a que se dedicou. Conhecemos suas leis do movimento e a teoria da gravitação. Nós o conhecemos por suas contribuições à compreensão do Universo. Mas raramente conhecemos suas contribuições à teologia cristã. Depois de um estudo intenso de seus escritos, concluí que Newton era não só um grande cientista, mas também um grande teólogo – um verdadeiro adventista e criacionista.

Newton também se preocupava com a restauração da igreja cristã à sua pureza apostólica. Seu estudo das profecias o levou a concluir que afinal a igreja, a despeito de seus defeitos presentes, triunfaria. Newton cria num remanescente fiel que testemunharia até o fim dos tempos. 

A Escatologia apologética, segundo Newton


Em Daniel 2 Newton viu o desenvolvimento da história da humanidade até o fim do tempo, quando Cristo estabeleceria Seu reino. Na interpretação de profecias relacionadas com tempo, Newton sustentava que "os dias de Daniel são anos". Ele aplicou este princípio às 70 semanas e aos "três tempos e meio" do período de apostasia. 

Newton deixa claro que o "dia profético" é "um ano solar", e que "tempo" na profecia também é equivalente a um "ano solar". 
"E tempos e leis foram daí em diante dados em sua mão, por um tempo, tempos e metade de um tempo, ou três tempos e meio; isto é, por 1.260 anos solares, calculando o tempo por um ano de 360 dias, e um dia por um ano solar."

Newton era muito cauteloso em suas crenças religiosas. Isso em parte explica por que não publicou suas obras teológicas em vida. Talvez Newton, cônscio do ambiente religioso inglês, não quisesse ser acusado de heresia, mas seguiu a verdade como a via na Bíblia. Felizmente, suas obras teológicas foram publicadas postumamente.

Mais do que um livro, a história de uma vida



Resultado de imagem para LIVRO A VIDA DE ISAAC NEWTON
O livro traz uma riqueza incrível de detalhes das diversas etapas da vida de Newton. Em alguns momentos o autor expõe fatos com tanta clareza e realismo que nos sentimos vivenciando tais fatos. A contextualização dos episódios também é outra característica marcante na obra. Além disso, visando atingir o público em geral, o autor poupa o uso de linguagem matemática e, mesmo quando esta é inevitável, é apresentada de forma a não prejudicar o entendimento dos fatos.

Em vários momentos do decurso da história o autor apresenta suas interpretações pessoais. Sempre que faz isso ele se justifica e apresenta argumentações muito plausíveis para defender seu ponto de vista. Sua argumentação sempre se baseia nos indícios históricos e ou na contextualização dos fatos. Em outros momentos em que pretende fazer uma leitura imparcial dos acontecimentos, como no caso da disputa pela prioridade, ele a faz de uma maneira admirável, conseguindo manter-se completamente neutro e externo às questões.

O autor mostra-se muito bem informado sobre o assunto que pretende analisar. Todos os fatos, por mais detalhados que sejam, apresentam um respaldo histórico bastante confiável, quer seja por meio de relatos de terceiros quer sejam por correspondências do próprio Newton transcritos ao longo do texto. 

Quando algum fato não possui uma documentação que garanta sua autenticidade o autor procura deixar isto bem claro para o leitor, o mesmo acontece quando as interpretações são baseadas em informações de outros biógrafos de Newton, nestes casos ele preocupa-se inclusive em citar as fontes. Além de tudo isso, no final do livro ele apresenta um ensaio bibliográfico de quatro páginas em que, não só cita bibliografias para consulta e aprofundamento como também comenta cada bibliografia citada.

Conclusão


Trata-se realmente de uma belíssima obra, a começar pela capa: o primeiro retrato pintado de Newton, aos 46 anos, dividindo espaço com algumas representações matemáticas, alguns instrumentos astronômico e mecânicos e uma grande nuvem preta envolvida por um brilho que pode ser entendido como uma metáfora à luz que Newton lançou às trevas em que se escondia a Ciência. 

A linguagem utilizada pelo autor também merece destaque. Uma linguagem clara porém polida, riquíssima em palavras envolventes e penetrantes como num bom romance. A leitura do livro torna-se muito agradável e estimulante. O texto também é rico em ilustrações, não em gravuras, que são poucas porém oportunas, mas, em correspondências originais entre Newton e os diversos personagens que fizeram parte de sua história, e em cópias de memorandos oficiais que ajudam a contar a história deste grande homem que foi Newton. Todas estas ilustrações fazem com que o leitor mergulhe na época em que Newton viveu e vibre com seus feitos ou se assuste com seu estranho comportamento.

Sobre o autor


Resultado de imagem para Imagem de Richard Westfall
Richard Westfall é um dos maiores biógrafos de Newton. Ele é professor emérito do Departamento de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Indiana. Sua grande obra sobre Newton, Never at Rest, ganhou o prêmio Leo Gershoy da Associação Americana de História.

A presente versão condensada da sua grande obra é literatura obrigatória para professores de Física e é uma ótima indicação de leitura, não só para aqueles que se interessam pela vida de Newton mas também para aqueles que simplesmente procuram uma literatura de qualidade.

[Fonte: SciElo - Revista Brasileira de Ensino de Física, por Renato Pontone Junior Mestrando em Educação em Ciências, FaE - UFMG, Coordenador do Departamento de Física do Colégio Batista Mineiro, Belo Horizonte - MG]

A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso. 

terça-feira, 23 de julho de 2019

A SANGUESSUGA, SUAS FILHAS E SEUS DISCÍPULOS

Resultado de imagem para Imagem de sanguessuga

"A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam, quatro que nunca dizem: basta. A sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que nunca dizem: Basta!" (Provérbios 30:15,16). 
A palavra traduzida do hebraico para sanguessuga é aluqah. Este termo parece unicamente em Provérbios 30:15, dando à raiz da palavra o significado literal de: chupadora.

O que é a sanguessuga


A sanguessuga, esse pequeno animal que vive somente para obter sangue faz parte de uma classe especializada de nome cientifico: Hirudínea ou Annelida, distinguidos por terem exatamente trinta e quatro segmentos nos corpos, dos quais os primeiros cinco ou seis formam a cabeça, que chupa, enquanto que os últimos sete formam a cauda, que chupa.

A sanguessuga é um verme hermafrodita (anelídeo, pois o corpo é formado por anéis) comum em todos os lugares do mundo, em todos os ecossistemas. Existem mais de 15 mil espécies de sanguessugas! Elas têm este nome, obviamente, porque se alimentam de sangue. São hematófagos.

Russel Norman Champlin (1933/2018) - escritor norte-americano, referência na teologia cristã por suas importantes obras, considerado um dos poucos, senão o único, a publicar um comentário português-greco no Brasil, durante os anos de 1970 e 1980, que viveu radicado na cidade de Guaratinguetá, interior de São Paulo, até seu falecimento, em 07 de julho de 2018 -  afirmava que:
morre Russell Norman Champlin 
"...metaforicamente, a sanguessuga refere-se a algum individuo ou alguma circunstancia debilitadora, gananciosa e extremamente egoísta em suas exigências." 
E ele disse mais: 
"A sanguessuga é o modelo do egoísmo e da ganância, e é vista como animal que vive do sangue de outro animal, uma apta metáfora para as pessoas gananciosas".

A sanguessuga na medicina


Elas são úmidas, gosmentas e ao longo da história foram temidas, odiadas e amadas pela humanidade. Mas não importa o quanto avancemos tecnologicamente, ainda não surgiu nada para substituir o seu uso. E sempre foram e são essenciais para a medicina.

O laboratório BioPharm, no País de Gales, cria dezenas de milhares desses anelídeos, parecidos com lesmas escuras, para uso em hospitais em várias partes do mundo. Os animais são deixados sem alimento entre seis e nove meses, para estarem famintos na hora de "trabalhar" – em outras palavras, sugar o sangue de um paciente. Esse é o seu papel como ferramenta fundamental na cirurgia reconstrutiva contemporânea.
"Um aspecto interessante sobre as sanguessugas é que elas aparecem de forma repetida ao longo da história da humanidade e em todas as culturas humanas"
afirmou Robert Kirk, professor de Humanidades e História da Medicina na Universidade de Manchester, na Inglaterra.

Os babilônios se referiam às sanguessugas como filhas da deusa da medicina, mas também eram consideradas criaturas perigosas capazes de drenar o sangue de qualquer um. 
"Nesta cultura ancestral, as sanguessugas representavam tanto uma ameaça à saúde como uma ferramenta de cura"
acrescenta.

Essa visão permaneceu ao longo dos tempos, à medida que as criaturas eram usadas pelos egípcios, gregos e romanos, e por povos na China, na Índia e na Europa Ocidental, até os dias de hoje.

Houve até um tempo em que os anelídeos eram muito caros, pois representavam a solução para qualquer mal-estar. Os médicos acreditavam na teoria dos quatro "humores": que determinados estados da mente eram causados por excesso de sangue no corpo – sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra.

Assim, para restaurar o equilíbrio do corpo e virtualmente curar qualquer doença, às vezes era preciso drenar parte do sangue do paciente. Após uso, é preciso eliminar a sanguessuga para evitar transmissão de doenças, assim como uma seringa descartável.

Sanguessuga de aluguel


"No século 19 a popularidade desses animais alcançou o apogeu"
conta Christopher Frayling, professor de História Cultural no Royal College of Art de Londres.
"Entre 1825 e 1850 as sanguessugas eram usadas para praticamente tudo. Você podia até ir a uma farmácia e alugar uma sanguessuga – algo que hoje em dia nos parece uma ideia completamente asquerosa"
afirma.
"Hoje sabemos que ela pode ser usada em apenas um paciente, pois do contrário seria como usar uma seringa suja"
afirma Bethany Sawyer, gerente dos laboratórios Biopharm.

Mas no passado não era assim: as pessoas iam a farmácias, pagavam uma boa quantidade de dinheiro e levavam um desses animais para uso no conforto do lar.

A sanguessuga deveria ser usada com cuidado, e se fosse colocada perto de algum orifício – como nariz e ouvidos – poderia entrar no corpo e causar problemas. 
"Para evitar que entrassem no corpo, cirurgiões costumavam costurar um fio no animal"
diz o professor Frayling.

A técnica também era usada em caso de dor de dente ou infecção de ouvido.

No auge da revolução industrial britânica, durante a chamada era vitoriana, estima-se que 42 milhões de sanguessugas tenham sido usadas em tratamentos médicos. Era um mercado estimado em US$ 1,5 bilhão por ano, aos preços do século 19.

Uso contemporâneo


A prática caiu em desuso no começo do século passado por diversos fatores. As sanguessugas chegaram à beira da extinção, os benefícios médicos do seu uso foram questionados e a Medicina começou a descobrir as verdadeiras causas das doenças.

No entanto, mesmo hoje o uso dessas criaturas – embora não tenha comparação com sua época de ouro – pode ser um negócio rentável.

As 60 mil sanguessugas distribuídas por ano a hospitais da Europa fazem da Biopharm Leech, em Swansea, no País de Gales, um dos maiores fornecedores desse item medicinal.

De acordo com Sawyer, a empresa decolou em 1985, após a repercussão mundial do caso de uma criança que quase perdeu uma orelha. 
"Ele tinha 5 anos e o cachorro de sua avó tinha arrancado sua orelha"
conta Sawyer.

Como era uma criança pequena, os cirurgiões tiveram dificuldade em recuperar os vasos sanguíneos na região afetada. O responsável pela intervenção havia trabalhado no Vietnã, onde os médicos usavam sanguessugas, e decidiu fazer desse o seu último recurso.
"Em uma semana ou dez dias usaram umas 2 mil sanguessugas"
completa a gerente. O garoto se salvou e a empresa cresceu como nunca.

O fato é que, até hoje, não há ferramenta tão eficaz como essas criaturas para evitar que o sangue se acumule nas regiões tratadas, reduzindo pressão sobre veias e formando novas conexões sanguíneas.

Contexto bíblico

Qual o ensinamento do sábio proverbista, usando como figura de linguagem a sanguessuga?


Na Bíblia, nenhum registro é por acaso. Absolutamente tudo tem um propósito divino de nos trazer ensinamentos que devemos incorporar em nossa prática diária. Por isso, o estudo sistemático e contumaz das Escrituras é fundamental para que o Espírito Santo nos leve além do que está escrito, através da revelação.

Após conhecermos um pouco sobre a vida desse ser tão asqueroso e que, em termos gerais, nos parece ser tão distante e insignificante, apesar de sua relevância na medicina, entendemos que quando Agur escreveu este texto, sua preocupação não era com a sanguessuga em si, mas, apresentar um princípio moral e espiritual que tem como parâmetro a vida da sanguessuga.

Pois bem, a sanguessuga tem duas filhas: Dá e Dá. Mas o que isto quer dizer? E o que isto tem haver com a vida cristã? É muito simples: você precisa saber que muitas pessoas vão querer sugar de você todas as energias, a inteligência, a generosidade, o tempo, etc. Há pessoas que nunca se fartam. Quanto mais você lhes oferece, mais elas exigem. Elas, o quanto puderem, sugarão o seu sangue [sua vida].

Princípio moral


O princípio moral e espiritual é o da ganância, do egoísmo, da autossatisfação que leva pessoas, grupos, entidades a se beneficiarem de coisas de forma desonesta, de maneira ilimitada e insaciável, querendo sempre mais e mais, sugando, chupando, extraindo, explorando para proveito próprio.

Quando se observa a vida da sanguessuga percebe-se claramente que Agur está descrevendo o agir egoísta e interesseiro do ser humano. Vejamos, com base no que vimos acima sobre esses vermes:
  • 1) As sanguessugas são bastante espalhadas pelo mundo, podendo habitar na água ou em terra úmida, como em Prefeituras, governos estaduais e federais, como em todos os setores ou repartições públicas ou privadas.
  • 2) Alimentam-se principalmente de sangue, e chupam tão prodigiosas quantidades, que seus corpos distendem-se quais balões. Isto é: suas contas bancárias no Brasil e no exterior, seus patrimônios dentro e fora do país.
  • 3) As sanguessugas têm o seu corpo formado por 34 segmentos, subdivididos externamente. Sãos os testas de ferros, os laranjas, os limões, os inocentes úteis usados para esconder o sangue sugado.
  • 4) As sanguessugas são vermes possuidores de ventosas, por meio das quais chupam o sangue de animais. São parasitas que se instalam em setores da sociedade para absorverem de forma desonesta e escabrosa tudo que é possível.
  • 5) A sanguessuga suga o sangue da vitima podendo inserir uma quantidade de sangue 500 vezes superior ao seu volume.
O sábio Agur, do ápice de sua sabedoria, afirma que a sanguessuga tem duas filhas. Dá, Dá. Isto é, quanto mais sangue bebe, mais sangue quer. Quanto mais se tira, quanto mais se desvia, quanto mais se locupleta, mais se quer, mais se deseja, mais se inventa uma maneira de se tirar mais e mais e mais.

Um escritor afirmou: 
"Há pessoas tão excessivamente gananciosas e cobiçosas que elas deixarão sem nada qualquer ser vivo, elas se agarram a qualquer coisa que possa dar lucro e nunca largarão até que tenham extraído até a última porção que haja de bom."

Geração sanguessuga


Infelizmente, estamos vivendo em nossa sociedade este princípio moral e espiritual da sanguessuga.

Cuidado com os sanguessugas! Eles podem estar em qualquer lugar em nossa sociedade, em qualquer instituição pública, privada ou religiosa, pois os sanguessugas usam tudo e todos para satisfazer a sua volúpia de sangue, ou seja, de poder, de dinheiro, de fama. 

Fazem de tudo para obter o que não é seu. Sugam todas as forças de seu próximo. São egoístas cujo deus é o próprio ventre Por isso já dizia Horácio
"Se ele se apoderar de você, então a tortura será uma coisa temível. Ele se agarra a você até ver você morto. 
Ele é como uma sanguessuga, voraz pelo seu sangue. Ele não desiste de seu cruel domínio sobre você até explodir, cheio de tanto sangue".
Agur, neste texto, ilustra os homens que anelam por mais e mais, uma natureza destrutiva de indivíduos sanguinários que nunca matam ou aleijam o suficiente, ou roubam o suficiente, ou corrompem o suficiente, ou exploram o povo o suficiente. Agur, portanto, revela a cobiça humana que jamais se satisfaz; a concupiscência de certas pessoas que sempre desejam mais e mais.

Conclusão

Quem as filhas da sanguessuga e seus discípulos


De acordo com Salomão, a sanguessuga é mãe de gêmeos homônimos. Suas crias são conhecidas com o sugestivo nome de "Dá". Elas são comparadas a três coisas que nunca se fartam, e quatro que jamais dizem "basta": a sepultura, a madre estéril, a terra que não se farta de água, e o fogo, que em sua fúria, jamais se sacia.

Dá e Dá são a "igreja", as instituições públicas, nós mesmos que numa relação incestuosa com o pecado, geram cada vez mais sanguessugas, ávidas de poder, fama e dinheiro. Talvez hoje, Salomão as chamasse de "Toma lá" e "Dá cá".

A sepultura é aquela que recebe o cadáver, e o decompõe. Não há exceção: todos os que nela são colocados se corrompem (nos dois sentidos). A sepultura é semelhante às filhas da sanguessuga. No caso em questão, a sepultura é aquela igreja institucionalizada, que se tornou o ambiente onde cadáveres vivos, verdadeiros zumbis, estão se decompondo em plena luz do dia. A ética é relativizada e flexibilizada de acordo com os mais escusos interesses. Engolem-se camelos, enquanto mosquitos são cuidadosamente coados.

A madre estéril somos nós quando já não geramos filhos, pois vive de adesões, e não mais de conversões.

A terra, por sua vez, tem um incrível poder de absorção. Não importa o volume de água, ela sempre o absorve. Assim, por vezes, nós a igreja do Senhor viemos absorvendo as práticas do mundo, sob o pretexto de contextualizar-se, tornando-se menos intransigente, e mais atraente aos olhos do mundo, principalmente dos poderosos.

O fogo voraz não pode ser detido. Por onde passa, deixa um lastro de destruição e prejuízo. Tal é o apetite das filhas da sanguessuga.

A igreja dos sonhos de Deus é bem diferentes da sanguessuga e suas filhas. Enquanto estas jamais dizem "basta", a genuína igreja é a que declara em uníssono com Paulo: 
"A Tua Graça me basta!"

[Fonte: O Bom Samaritano, por Pr. Sérgio Pereira – Pastor Setorial na AD Floripa, bacharel em Teologia, especializado em teologia prática, professor, conferencista e escritor; Revista Comunhão; Saúde iG.]

A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso