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sábado, 19 de julho de 2025

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES — "FLORES", TITÃS

🚨Atenção: O tema central deste texto não é recomendado à pessoas sensíveis.🚨
Em mais um capítulo da nossa série especial de artigos "Canções Eternas Canções", vamos analisar a letra de uma música que curto muito, mesmo o significado de sua letra não estar em sintonia com sua linha melódica: 'Flores'.

Essa música, que foi gravada pelos Titãs, fala basicamente de um tema sensível, delicado e que, portanto, deve sempre ser tratado com muita responsabilidade: a visão de um suicida após sua morte (ou após o livramento dela).

A verdade é que quando comecei a analisar essa letra duas ideias me vieram à mente: a de um suicida que após sua morte narra o que vê da sua condição de morto, e a do mesmo suicida que consegue sobreviver após a tentativa de suicídio e aprende com seu ato, eu preferi ficar com a segunda opção.

Sobre a banda


A formação clássica dos Titãs — da esquerda para a direita: Branco Mello, Sérgio Britto, Paulo Miklos, Toni Belloto, Arnaldo Antunes, Charles Gavin, Marcelo Frommer e Nando Reis
Com mais de quatro décadas, o Titãs é uma das bandas mais misteriosas e longevas do rock nacional.

No início, os nove integrantes apostaram na diversidade, misturando estilos como punk, funk, hard rock, pop, new wave e MPB. 

Mudaram de imagem e intenções diversas vezes, e conseguiram realizar uma façanha: mantiveram por todos esses anos um público fiel e, com certeza, causaram muita controvérsia, pois não pensavam duas vezes antes de fazer duras críticas a sociedade e incluir palavrões em suas músicas.

Em 1982, com um grande número de integrantes, a banda já causava estranheza no público, eram nove: Arnaldo Antunes (vocal), Paulo Miklos (vocal, sax, guitarra), Marcelo Frommer (✰1961/✞2001 — guitarra), Sérgio Britto (vocal, teclado), Toni Belloto (guitarra), Branco Mello (vocal), Nando Reis (baixo, vocal), André Jung (bateria) e Ciro Pessoa (vocal).

Essa formação surgia com o nome de "Titãs do Iê-Iê" (e não "Iê Iê Iê" como muitos contam) e a proposta inicial era fazer apenas uma releitura da Jovem Guarda.

Dois anos depois, com a saída de Ciro Pessoa em 84, assinaram com o selo WEA e lançaram o primeiro disco, auto-intitulado.

Sem estilo definido, o único sucesso do disco foi
'Sonífera Ilha', que chegava a ser cantada de 3 a 4 vezes durante os shows.

Segundo Sérgio Britto, a falta de um estilo próprio, de um direcionamento musical definido era proposital, uma ideologia da banda.

Com vários discos que fizeram muito sucesso e outros nem tantos (Os Titãs gravaram um total de 16 álbuns de estúdio, 9 álbuns ao vivo, uma coletânea e 9 álbuns de vídeo até hoje.), durante esses quarenta anos, a banda passou por várias transformações, com as saídas de vários membros da formação original e a trágica morte do guitarrista Marcelo Frommer.

Hoje os Titãs são apenas um trio: Branco, Toni e Sérgio, mas continuam na ativa, mesmo sem a mesma expressividade de antes.

'Flores'

A letra

'Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes

Flores, flores...
As flores de plástico não morrem

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes

Flores, flores...
As flores de plástico não morrem
Flores, flores...
As flores de plástico não morrem'

A música 'Flores', dos Titãs, é uma crítica social contundente que explora a violência e a fragilidade da vida em um contexto urbano, utilizando a metáfora das flores para representar tanto a beleza quanto a fragilidade humana.

A letra aborda a banalização da violência e a sensação de impotência diante de um cenário de destruição e morte.

A música, lançada no álbum "Õ Blésq Blom" em 1989, é assinada por Tony Bellotto, Sérgio Britto, Charles Gavin e Paulo Miklos, e foi produzida por Liminha. 

A canção se destaca pela sua melodia marcante e pela interpretação intensa, que enfatiza a mensagem de alerta e reflexão sobre a realidade da época.

Analisando a letra

  • Uma alusão ao suicídio
'Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho...
Nesse primeiro verso ele mostra um grande sentimento de frustração e  insatisfação, consigo mesmo e com a vida, nos passando um grande desgosto e angustia depressiva.
...Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro...
Aqui ele usa uma metáfora comparando as flores do canteiro com pessoas do seu convívio que ele magoou, pessoas especiais que ele as considerava como flores, talvez sua família.
...Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro...
Nesse ponto o Eu lírico demonstra um desgosto pela vida que ele deixa transparecer no primeiro verso, que o leva a tentar o suicídio, ele revela os pulsos cortados, na segunda frase ele deixa claro o motivo que o levou a tal ato, ele deixa a sensação de que cortou os pulsos, pois já se sentia como que todo cortado, talvez suas aflições e angústias, suas tristezas e mágoas, lhe fizessem se sentir assim todo cortado.

Finda-se a esperança e a vontade de viver


Depois que a esperança vai embora — as flores despedaçadas no canteiro — não resta mais nada.

A vida começa a acabar no momento em que alguém decide cortar os punhos e os pulsos. 

Na minha opinião, a frase "...e o resto do corpo inteiro..." é uma metáfora para a dor que a pessoa sente ao tomar a decisão de acabar com tudo — não acredito que necessariamente a pessoa protagonista na letra da música se cortou inteira.

Uma coisa que acho curiosa, contudo, é a transformação das flores nessa estrofe: se no início elas representavam a esperança que lentamente se esvai, agora as flores me remetem ao luto e à homenagem que prestamos a alguém que morreu durante seu velório.

Veja que, na sequência, as flores cobrem o telhado, estão debaixo do travesseiro, por toda parte, como se a pessoa na música já estivesse partindo e estivesse prestes a cruzar a linha da vida e da morte. Agora ela não precisa de esperança: ela precisa que a velem com flores.
...Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo...
Nesse verso que segue após a tentativa de suicídio revelada no verso anterior o Eu lírico no caso o personagem narrado no texto, talvez já inconsciente contempla sua própria morte, ele deixa essa ideia quando diz 
"...Há flores cobrindo o telhado..."
que da a ideia do caixão coberto de flores, e nos demais versos a ideia do túmulo onde se deposita muitas flores fica claro.

A primeira parte me remete aos dias ruins em que tudo o que a gente consegue fazer é chorar e tentar sobreviver aos tormentos existenciais e sucessão de acontecimentos caóticos da vida.

A gente chora e depois tem o costume de se olhar no espelho, pra ter o prazer mórbido de ver o estrago que o choro causa no nosso rosto: olhos inchados, vermelhos injetados. A gente olha até ficar cansado.

A meu ver, as flores na música representam, paradoxalmente a esperança, com suas cores, sua beleza e seus perfumes — a pessoa do início da canção chora por ter despedaçado as flores no canteiro, por ter exterminado a esperança.
...A dor vai curar essas lástimas
O soro [não "o choro", como muitos cantam] têm gosto de lágrimas...
Esses dois versos, me dão a sensação de arrependimento, como que se ele tivesse aprendido a lição quando se viu à beira da morte ele me remete a essa ideia quando diz, 
'...A dor vai curar essas lástimas...'
 quer dizer, com a dor a gente aprende a valorizar a vida, e continua, 
'...o soro tem gosto de lágrimas...'
Ou seja,  o que te traz dor é o que vai te curar, a ideia de que antes da tentativa de suicídio ele não valorizava a vida é muito forte, e fica também a ideia de que ele se recupera talvez num hospital ou clínica a base de soro.
...As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes...
Aqui ele deixa essa ideia do desejo que tinha de se matar, pois existe uma superstição que diz, que sentir cheiro de flores está relacionado à morte ou que alguém vai morrer, por isso ele diz 
'...As flores têm cheiro de morte...',
 evidenciando o desejo que tinha de morrer, e mais uma vez ele deixa claro que aprendeu uma lição, a dor traz aprendizado e cura.

Uma mudança acontece na terceira estrofe: a pessoa, afinal, não morreu. 
O mais curioso na música, no entanto, é que antes de ler a letra, eu sempre entendi — como a maioria — que diziam '...o choro tem gosto de lágrimas...' (que, pra mim, faria muito sentido), e só depois que eu descobri que, na verdade, o correto é '...o soro tem gosto de lágrimas..., foi que meu entendimento sobre a canção mudou.
A pessoa na música não morreu — ela foi salva antes que o sangue se esvaísse por completo de seus punhos e pulsos cortados, e por algum motivo que não fica claro na música, eu imagino, nessa estrofe, alguém deitado numa cama de hospital conectado a tubos e aparelhos, logo após uma tentativa frustrada de suicídio.

Morte ou vida?

Vida ou morte?


Agora que a pessoa se encontra novamente viva, pensa que a dor, afinal, vai curar as lástimas que a levaram a querer acabar com tudo, e que essa mesma dor vai fechar os cortes que ela mesma provocou.
  • As flores têm cheiro de morte — as mesmas flores com que velamos alguém num velório também são enviadas para alguém que está enfermo. 
  • O soro tem gosto de lágrimas — as lágrimas que ela verteu ao tentar acabar com tudo, e o soro que agora a mantém viva dentro do hospital.
...Flores, flores
As flores de plástico não morrem...'
Nessa parte eu entendo que ele após sua tentativa frustrada de suicídio se comparou com as flores de plástico, vazias ocas por dentro, sem vida e que não morrem, mas também pode ser que essa seria uma forma dele dizer que as coisas inertes não sofrem.

Pela primeira vez, vemos a menção às flores de plástico, o que me leva a crer que a esperança retorna (ainda que parcialmente), mas que dessa vez, vem na forma de algo imortal, como o plástico, ao contrário das flores naturais, que murcham e morrem mais cedo ou mais tarde.

Seria então uma alusão a uma esperança impossível de morrer? Ora, se a esperança não morre, então também não precisamos acabar com tudo… Um ciclo interminável de estar bem e estar mal, de morte e de vida...
Porém, quando tudo parece acabar bem, a música repete as três primeiras estrofes exatamente do mesmo jeito, o que me leva a pensar que talvez a vida seja mesmo um ciclo eterno de estar bem e estar mal, de morrer e reviver, de chorar e rir, de esperanças que morrem e esperanças que nascem, assim, do nada, como num dia que acordamos nunca mais querendo dormir e em outro onde dormimos nunca mais querendo acordar.

Conclusão


De tão enigmática e plástica, com suas imagens concretistas do tema, a letra de 'Flores' — que, com seu ritmo melódico alegre, animado e dançante, também expressa o contraste entre a alegria de viver e a tristeza causada pela morte — chega a ser difícil de ser interpretada numa primeira investigação sonora.

Mas logo ficamos familiarizados com a proposta da faixa, uma das mais pulsantes do rock brasileiro que se tornou um dos grandes sucessos na carreira da banda paulista, com sua dramaticidade pop da morte na voz de Branco Mello.

Mas, não se deixe enganar pelas batidas e pelo ritmo agitado. Essa música é sobre dor, sobre depressão, sobre morte. É melancólica. Essa música é sobre sofrimento. Essa música é sobre suicídio. Não se deixe enganar.

Pela forma lúdica e inteligente que os Titãs abordaram um tema tão pesado que um dos muitos problemas de saúde pública, por isso, não deve ser ignorado, a canção é eterna e leva meu carimbo de 


Em 1997, a música foi toda retrabalhada e recebeu uma versão acústica, mais suave, com Branco Mello dividindo os vocais com a cantora Marisa Monte.

Essa releitura fez parte do projeto "MTV Acústico Titãs", que originou o álbum homônimo (até que ficou bom, mas eu prefiro a versão original).

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🧠PAPO DE PSICANALISTA🧠— PORQUE SOMOS ATRAÍDOS PELO QUE É PROBIDO?

Você já reparou que quando alguma coisa é proibida, perigosa, inacessível ou difícil, ela se torna mais atrativa? No entanto, quando as coisas são fáceis demais ou estamos muito seguros de que as temos, acabamos por ficar entediados ou por perder o interesse. Isto se denomina, na psicanálise, "efeito fruto proibido". Vamos a mais um capítulo da nossa série especial de artigos "Papo de Psicanalista".

Efeito Fruto Proibido


Em tempo: a imagem ao lado é meramente ilustrativa para contextualização. O "fruto proibido" na narrativa bíblica, em Gênesis 2:16,17 NÃO É A MAÇÃ, como se convencionou acreditar o inconsciente coletivo.
A aura que reveste o proibido é irresistível.

As pessoas que são seduzidas por ele não se contentam enquanto não realizam os desejos que as situações não permitidas despertam.

E, se não conseguem realizá-los, caem no eterno questionamento: 
"e se eu tivesse feito?", 
vivendo para sempre nessas ilusões.

O comportamento transgressor sempre exerceu fascínio sobre o homem — do mais libertino ao mais puritano —, de modo que, na literatura universal, por exemplo, muitos foram os autores que criaram personagens femininos adúlteros. 

Imortalizadas por Liev Tolstoi (✰1828/✞1910), Gustav Flaubert (✰1821/✞1880), Eça de Queiroz (✰1845/✞1900) e Machado de Assis (✰1839/✞1908), entre tantos outros gênios literários, expressivas protagonistas infiéis personificaram a urgência de descumprir as leis sociais em que somos condicionados.

Anna Karenina, Emma Bovary, Luiza e Capitu pagaram caro por desafiar os cânones da sociedade do século XIX. As heroínas transviadas tiveram, na morte, seu destino. 

Sufocadas por seus criadores, censurados ou temerosos da reação da sociedade, essas mulheres foram silenciadas pelo conservadorismo.

Suas passagens pela literatura, porém, sinalizaram os sentimentos de desejo e aventura que desafiaram o sistema social da época, não sendo, obviamente e portanto, uma característica restrita apenas às mulheres.

Identificando o efeito fruto proibido

O efeito fruto proibido acontece em todos os seres humanos e é o resultado do desejo do homem de saber mais sobre o desconhecido, de conhecer as consequências daquilo que, supostamente (e/ou efetivamente), é perigoso.
Os seres humanos não gostam de proibições nem de imposições pois veem sua liberdade ameaçada, algo extremamente valioso para nós.

Nos dias de hoje, existem muitas outras proibições frequentemente burladas, a maioria delas por jovens, mas seria impossível dar uma medida estatística da incidência dos atos ilícitos. 

Mesmo obedecendo à lei, o ser humano vive transgredindo normas sociais e até as próprias regras a que ele se submete.
Independentemente de idade ou sexo, contudo, atire a primeira pedra quem nunca fez algo proibido (já atirei minhas pedras... no chão!)
Segundo a psicologia, é natural que as pessoas queiram cessar a curiosidade e, principalmente, experimentar coisas novas, pois o sentimento de liberdade, segurança e independência são os mais saborosos. 

Assim como a história bíblica que diz que Eva não resistiu à tentação e provou do fruto proibido, nós também temos sempre muitos frutos proibidos que despertam vontades e constantemente imaginamos o prazer que eles podem nos proporcionar.

Quando nasce o efeito fruto proibido?


Isso acontece desde o nascimento em que, a cada momento, o ser humano está em constante aprendizado acerca dos limites morais, éticos e sociais, cada qual com seus valores e regras.

Assim, a criança desde sempre já aprende o que é certo ou errado e as primeiras pessoas que ditarão esse caminho são os pais e, logo em seguida, a sociedade, que continua injetando limites e pontos que não podem ser ultrapassados.

Consequentemente, a nossa própria condição e proibição nos leva a experimentos e a nos atrair pelo que é negado, afinal, conforme a maioria de nós acredita, "o proibido é mais gostoso".

Isso porque precisamos sempre conhecer mais e testar até que ponto podemos chegar, conhecer novos ares, se aventurar, mesmo que depois nos deparemos com a avaliação das consequências — às quais, embora inerentes, quase nunca são lembradas e/ou consideradas.

É a partir da análise de transgressões e tabus que podemos questionar e repensar os valores simbólicos da sociedade.

Desafiar o código, infringir normas e desobedecer a convenções morais são um aspecto fundamental do desenvolvimento da cultura e do aprimoramento da arte. 

É ela que leva à reflexão e se choca contra a ordem estabelecida, viabilizando a reciclagem de ideias e a renovação da estrutura social.

Segundo a psicanálise, o psiquismo é tão forte que esses pensamentos insistem em retornar, numa tentativa de serem realizados, burlando a barreira que nos impusemos e nossa vontade de esconder aquilo que nos proibimos. 

Para a psicanálise, portanto, nossa consciência freia nossos atos, mas eles aparecem sob a forma de atos falhos, sonhos e sintomas.

Quem nos disse o que é ou não proibido?

Portanto, desde pequenos, a família, a escola e a sociedade nos dizem o que é certo e o que é errado, e vão nos impondo certos limites que não devemos ultrapassar, pois se isso acontecer, teremos que enfrentar consequências negativas.
Mas o ser humano gosta de experimentar na própria pele essas consequências sobre as quais nos advertem, já que o fato de alguém nos dizer que há um lado obscuro desperta a nossa atenção para experimentar e saber onde estão os limites.

Ultrapassar essas barreiras que o mundo e os outros nos ditam nos dá um certo prazer, devido ao que se conhece como "medo consciente", isto é, temos medo por essas consequências que poderiam ocorrer, mas somos conscientes de que controlamos a situação e que, se quisermos, podemos parar a nossa aventura e nos afastar.

Isso é o que acreditamos, porque em pouco tempo percebemos que a coisa não é tão simples como imaginamos, mas essa sensação de controle é responsável por gostarmos de transgredir certas normas ou regras…
  • A infância e o instinto do novo
Tudo se inicia na infância — o mundo é feito de novidades e tudo que queremos é conhecê-lo.

Por isso, estamos interessados no que nos rodeia: as experiências nas relações, as descoberta do corpo, palavras, sensações, etc.

Consequentemente, vamos levar esses momentos para toda a nossa vida, pelo sentimento de adrenalina e curiosidade que tudo isso nos causou.
Por isso, a psicologia também sugere que não se deve proibir uma criança, mas criar alternativas que sejam atraentes o suficientes para direcionar a curiosidade e intenção.
  • Adolescência e o instinto de independência
Com essa fase, a autoafirmação acompanha todas as atitudes — É o momento de se afirmar e descobrir a si mesmo e, por isso, normalmente os adolescentes procuram ser diferentes do padrão dos pais e definem a sua própria maneira de agir e de pensar.

É nessa fase também que toda a atenção do mundo ainda será pouco, porque o processo de amadurecimento estará acontecendo e o jovem precisa ter o próprio espaço para conseguir tomar todas as decisões.

Nesta etapa, a proibição será ainda mais tentadora, será motivo para questionar e imaginar milhões de situações. 

O proibido, assim, se torna extremamente perigoso, mas ao mesmo tempo é um modo único, diferente e corajoso de se reafirmar, sem contar os sentimentos de satisfação e adrenalina. 

Ao realizar o proibido, o adolescente testa sua lei interna e o quanto ele consegue se submeter a ela.
  • A vida adulta — uma questão de escolha
E assim, se inicia a maturidade, responsabilidade e compromissos.

É o momento em que a pessoa poderá decidir sua vida livremente, desde que tenha ciência de todas as consequências e mudanças.

É por isso que nesta fase, toda proibição causa uma certa rejeição, com o objetivo de cumprir os valores e a aparência, mas se torna algo cada vez mais atraente, e, principalmente da premissa de que somos donos das nossas próprias vidas e ninguém deve decidir por nós.

Como podemos lidar com o efeito fruto proibido para que ele nos beneficie?

Lidar com o efeito fruto proibido pode ser benéfico se nos conscientizarmos de sua existência e se aprendermos a dirigi-lo de forma adequada.
A seguir indicamos algumas diretrizes para fazer isso:
  • Nas relações sociais  
Nunca exija nada de ninguém, muito menos proíba ou censure — Para começar, quem somos nós para criticar, censurar ou proibir algo a alguém?

Lembre-se de que as pessoas não gostam de nada que lhes tire a liberdade. No entanto, você pode sempre dar conselhos ou sugestões com carinho e amor, o que aumenta muito as possibilidades de que as pessoas ao seu redor comecem a modificar aquilo que você não gosta.
  • Na hora de paquerar
Aprenda a ser interessante — Se você quer conquistar alguém, tem que jogar um pouco e flertar antes de se oferecer por inteiro(a).

Mesmo se estiver querendo enviar uma mensagem fofa no WhatsApp para essa pessoa ou chamá-la para sair, faça com que ela sinta a sua falta, mas com moderação.

É importante que a outra pessoa não pense que já está tudo feito e que te tem seguro, pois isso diminui o interesse.

O imediatismo nos relacionantos atualmente, os tem tornado cada vez mais fluídos e descartáveis. Portanto, faça com que a pessoa pense que você é um pouco "difícil".
"Não há maior tentação do que não ser tentado" (Antonio de Guevara — ✰1480/✞1545).
  • Se você está fazendo um regime
Não se imponha dietas muito rigorosas — Isso só vai fazer com que você passe fome e no final acabe comendo demais. 

Também não se proíba de comer nenhum alimento, em vez disso, permita-se uma exceção de vez em quando. 

Comer um doce, um sanduíche... uma vez por semana, um refrigerante ou batatas fritas não faz tão mal assim, e faz com que a tentação diminua. 

Pesquisas comprovam que as dietas proibitivas são as que menos dão resultado, isso porque que se propõe a fazê-las, não conseguem obedecer suas retrições. 

Por isso, hoje, entre os especialistas em nutrição, não se fala tanto em proibir, mas sim em moderar.
  • Educando 
As crianças e os adolescentes precisam ter limites — Mas devemos sempre dar-lhes explicações de por que algo se deve ou não se deve fazer. 

As pessoas precisam que lhes expliquem as coisas e que as entendam, senão as crianças e os adolecentes vão acabar violando essas normas por mera curiosidade.

Também é importante oferecer alternativas em vez de proibir em absoluto.

Conclusão


A proibição gera diversos sentimentos e atitudes e,consequentemente, comportamentos contrários aos pretendidos.

Isso porque sentimos a necessidade do novo, de nos encantar e de, principalmente, achar outras maneiras para se expressar e sentir.

O proibido não é necessariamente mais gostoso, e sim mais culpável. Na vida social, a neurose é a melhor forma de funcionamento do sujeito e também a mais comum. 

Somos todos neuróticos, e só um neurótico é marcado pela culpa, resultado da realização de um ato ilícito. 

É importante conhecer o efeito fruto proibido para lidarmos melhor com as pessoas ao nosso redor ou em certas circunstâncias. 

Devemos ser muito conscientes de que o mais importante tanto para nós quanto para os outros é conquistar a liberdade, mas todos temos capacidade de escolha e de autocontrole.


Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
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quinta-feira, 17 de julho de 2025

DIRETO AO PONTO — UMA IGREJA JOVEM..., MAS E OS IDOSOS?

"Vida longa eu lhe darei, e lhe mostrarei a minha salvação (...) Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. 
Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei. (...) Mesmo na velhice darão fruto, permanecerão viçosos e verdejantes" (Salmo 91:16, Isaías 46:4; Sl 92:14).
Igrejas cada vez mais esteticamente jovens (em seus cenários, liturgias, linguagens e objetivos) contrastam com o desafio de incluir a população com 60 anos ou mais.

Não poucas vezes, a incompreensão e o esquecimento fazem parte dessa faixa etária que necessita ser pastorada e desafiada a continuar cumprindo a missão de Deus no mundo.

O preconceito etário (chamado de etarismo) praticado pela igreja evangélica atual é o tema de mais um capítulo da nossa série especial de artigos Direto ao Ponto.

A importância dos idosos para a comunidade cristã

"O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e obtém-se mediante uma vida justa" (Provérbios 16:31).
Os velhos ainda sonham (Joel 2:28; Atos 2:17) e o legado vivo de gerações antigas é essencial para a construção de uma nova geração edificada pelo passado, consciente do presente e impulsionada para o futuro.

Essa mudança demográfica já apresenta desafios para o governo, sobretudo em áreas como saúde e previdência social, mas também podemos considerar grandes oportunidades para a igreja brasileira.

Esse cenário exige preparação e estratégias específicas para atender a essa crescente parcela da sociedade.

A Igreja diante de um Brasil mais velho. Esse é um fato do qual não há como nenhuma área social fugir ou ignorar, o que exige de todos os poderes políticos e lideranças religiosas, maior atenção e investimentos que alcancem esse público.

É imprescindível que  a igreja, reconhecendo a importância dos idosos no seu contexto, explore questões como: a igreja como uma expressão intergeracional, os desafios pastorais quanto às pessoas idosas, a linguagem e a comunicação inclusiva, as oportunidades vocacionais aos idosos, entre outros.

A Bíblia e os idosos


A Bíblia nos ensina a honrar e respeitar os idosos (Levítico 19:32). Isso significa que devemos mostrar reverência aos mais velhos e tratar os idosos com dignidade, reconhecendo a sabedoria que eles adquiriram ao longo da vida.

A primeira carta de Timóteo 5:1 também enfatiza a importância de tratar os idosos com gentileza:
“Não repreendas asperamente a um velho, mas admoesta-o como a um pai; aos moços, como a irmãos.” 
A admoestação deve ser feita com respeito, como se estivessem falando com um pai ou irmão mais velho.

Os idosos merecem ser valorizados por sua experiência de vida (Provérbios 20:29). A Bíblia reconhece que a beleza dos cabelos brancos é um sinal de sabedoria e experiência acumulada ao longo dos anos.

Os jovens também podem aprender muito com os idosos. Salmo 71:18 diz:
“Agora, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração, e o teu poder a todos os vindouros.”
Os idosos têm muito a ensinar aos jovens sobre a vida, a fé e o amor de Deus.

A Bíblia também aconselha os idosos a viverem com temperança e sabedoria. Tito 2:2-5 diz:
“Exorta os velhos a que sejam temperantes, sérios, sóbrios, sãos na fé, no amor, e na constância; as mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada.”
Os idosos devem viver com sabedoria e dar bons exemplos, especialmente às gerações mais jovens, para que a palavra de Deus seja respeitada e valorizada.

Concluindo, podemos afirmar que esses textos das Escrituras alimentam nossas esperanças, de um lado, e, de outro, nossa inconformidade com a falta de amor e de compreensão, com a insensibilidade e a exploração em relação às pessoas idosas.

Cenário atual


Os mais recentes dados do IBGE registraram o aumento de na população brasileira com 60 anos de idade ou mais: de 11,3% em 2012 para 15,1% em 2022.

O Sudeste tem o maior percentual de idosos, com 17% da população total. O Sul acompanha de perto, com 16,5%. A região com menos idosos é o Norte, com apenas 10,2%. Centro-Oeste tem 12,1%. Nordeste, 14%.

Cada vez mais o tema do envelhecimento vem sendo abordado, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países do terceiro mundo.

No Brasil, o envelhecimento da população é um fenômeno relativamente recente; entretanto estudos têm apontado, de forma recorrente, que o processo de envelhecimento da população brasileira é considerado irreversível — diante do comportamento da fecundidade e da mortalidade registrado nas últimas décadas e do esperado para as próximas.

Segundo o IBGE, em 2050 seremos 259,8 milhões de brasileiros e nossa expectativa de vida, ao nascer, será de 81,3 anos, a mesma dos japoneses hoje. 

Estima-se que nos próximos vinte anos a população de idosos no Brasil poderá alcançar e até mesmo ultrapassar a cifra dos trinta milhões de pessoas, o que representará aproximadamente 13% da população. 

Esse crescimento traz a consciência da existência da velhice como uma questão social. 

Questão esta que pede grande atenção, pois está diretamente relacionada com crise de identidade, mudança de papéis, aposentadoria, perdas diversas e diminuição dos contatos sociais.

Perspectiva


Como crente num evangelho integral, creio que o envelhecimento da população enquanto questão social urgente deveria estar na pauta, senão de todas, da maioria das igrejas, dos ministérios, das agências missionárias etc. 

Mas como várias outras questões urgentes do mundo contemporâneo, a velhice está longe de ser importante para a maioria dos líderes cristãos. 

O descaso é tamanho, que foge à lógica não só do “mundo”, como da teologia de muitas igrejas.

A membresia da maior parte das igrejas históricas, pentecostais e neopentecostais é constituída por um número expressivo de pessoas com faixa etária acima de 60 anos ou muito próxima disso. 

É comum ver igrejas que têm os idosos como grupo majoritário em sua membresia. 

São pessoas que, se não ajudaram a fundar a igreja, são responsáveis diretas para que o estabelecimento continue de pé. 
No linguajar evangélico é nessa faixa etária que está a maior parte dos “membros fiéis”. Apesar do maior “tempo de casa” e do maior comprometimento, apesar dos serviços prestados e do momento atual demandar necessidades das mais diversas (bio-pscico-espiritual), o que a igreja faz por eles? Nada.
Enquanto isso para outros grupos etários e sociais a criatividade para criar programas e reuniões é tamanha que beira ao ridículo não poucas vezes. 

É um festival de incoerências e ideias fora do lugar que daria várias páginas pra descrever, contudo, para muitos líderes está tudo certo “como dois e dois são cinco”.

A falta de lógica em não abraçar essa questão é também teológica, pois sabemos que a doutrina de salvação de muitas denominações garante ao individuo ser livre do inferno até minutos antes de sua morte, desde que este aceite Jesus e confesse seus pecados.

Sendo assim, não seriam os idosos, os que estão mais próximos de seu destino eterno, o maior grupo de risco? 

Contrariando as estatísticas e as doutrinas, o que vemos são os recursos financeiros e humanos da maioria das igrejas serem destinados a tudo, ou quase tudo, menos, é claro, àquela que é chamada pelo “mundo” de melhor idade.

Conclusão


Valorizar os idosos não é apenas uma questão de obediência a Deus, mas também uma oportunidade para a igreja aprender com sua sabedoria e experiência acumuladas. 

Em um mundo que frequentemente despreza o que é antigo, a igreja deve ser um exemplo de contracultura, demonstrando honra e cuidado para com aqueles que tanto contribuíram para o Reino de Deus e ainda possuem um legado a ser passado adiante.

Os idosos são uma parte essencial da comunidade cristã. Eles carregam histórias de fé, testemunhos de perseverança e lições valiosas que podem guiar as gerações mais jovens em tempos de dúvida e dificuldade. 

Ao criar ministérios específicos para a terceira idade, a igreja não só oferece suporte prático e emocional, mas também resgata uma perspectiva bíblica de respeito e dignidade.

Além disso, ao integrar os idosos em atividades e serviços, a igreja fortalece seus laços como corpo de Cristo, onde cada membro tem um papel significativo. 

Os idosos podem ser mentores, intercessores, conselheiros e até pioneiros em novas iniciativas que abençoem a igreja e a sociedade.
A importância do envolvimento dos idosos vai além da igreja local. 
Em um contexto social onde muitos enfrentam o isolamento e o abandono, a igreja pode ser uma luz na escuridão, demonstrando o amor de Cristo de maneira prática e transformadora. 
Cuidar dos idosos é, também, uma forma de testemunho para o mundo, mostrando que o Reino de Deus valoriza cada fase da vida.
Portanto, que possamos enxergar a velhice como um dom e os idosos como pessoas muito preciosas em nosso meio.

Que eles sejam ouvidos, respeitados e envolvidos em todas as esferas da vida comunitária. 

Assim, estaremos não apenas obedecendo aos mandamentos de Deus, mas também edificando uma igreja mais forte, unida e fiel ao chamado do Senhor.

Que a graça de Deus nos capacite a honrar e valorizar os anciãos em nosso meio, reconhecendo neles um reflexo do próprio caráter divino, cheio de sabedoria, paciência e amor. 

Ao fazermos isso, experimentaremos um crescimento saudável, onde todas as gerações caminham juntas, glorificando ao Senhor.

[Fonte: Visão Mundial; Ultimato, original por Leandro Gonçalves Lança graduando em Ciências Sociais; Teologia Brasileira, original por Franck Neuwirth Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, EUA, em parceria com o Centro de Pós-graduação Andrew Jumper; Good Prime]

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sábado, 12 de julho de 2025

🗣️PAPO DE PSICANALISTA🧠 — "SÍNDROME DO PAPA-LÉGUAS"

Os da minha geração, 50+, por certo se lembram de um divertido desenho animado, O Coiote e o Papa-Léguas (na versão original, "Wile E. Coyote and the Road Runner").

Esta clássica animação da Warner Bros. mostra um coiote faminto tentando capturar um veloz papa-léguas, com espetacular rapidez, o uso de armadilhas e engenhosos planos que sempre falham, geralmente com consequências desastrosas para o próprio coiote.

Leia este texto até o final e verá o porquê do título deste artigo, mais um capítulo da minha série especial "Papo de Psicanalista".
Quando tudo é urgente, negligenciamos o que é importante, inclusive, a saúde mental.

O hábito de acelerar a velocidade de áudios e vídeos pode causar efeitos negativos na saúde. 

Psicólogos e pesquisadores afirmam que pessoas expostas frequentemente a estímulos frenéticos podem desenvolver dificuldade em reter informações.
"É como se você desenvolvesse, com a passagem do tempo, uma incapacidade de se aprofundar nos temas. Não é necessariamente que você fica ansioso, mas você não sabe mais o que fazer com uma informação que demora um pouco. Tem que associar, mas você perdeu a habilidade de associar", 
explicou o psicólogo Cristiano Nabuco em recente entrevista à TV Brasil.
Uma pesquisa do Conselho Nacional de Secretários de Saúde aponta que 31,6% dos jovens, entre 18 e 24 anos, já receberam diagnóstico de ansiedade.

Os desconhecidos e/ou ignorados males no comum hábito de aceleração das mensagens de áudio


Os especialistas alertam para os sinais que indicam efeitos do uso excessivo da internet e seus recursos, como aceleração da velocidade.

Entre eles o uso de aplicativos e redes sociais por muito tempo, sensação de angústia ao identificar que a bateria do celular está acabando ou sem acesso à internet e retomada do bem-estar somente quando está conectado.

A aceleração de tudo virou tendência. A vida se tornou urgente. Tudo é para ontem e vivemos na angústia de que "o agora" não faz sentido. 

O olhar está sempre voltado para o futuro ou para o que ainda vai acontecer ou pode acontecer. 

Um exemplo disso é a prática de acelerar os áudios no WhatsApp. Você sabe o que isso pode indicar em relação à saúde mental dos indivíduos? 

E quais os impactos dessa simples ação na resposta comportamental e psíquica do ser humano?

Excesso de ansiedade


Em primeiro lugar, podemos citar o excesso de ansiedade como um dos maiores indicativos provocadores desta prática. 

Isso se deve muito em função de que, nos últimos dois anos, o número de pessoas acometidas por sintomas e sensações desagradáveis relacionadas à ansiedade e ao estresse agudo aumentou consideravelmente. 
Acelerar os áudios no WhatsApp apenas evidenciou que os transtornos ansiosos têm sido apontados como um dos desequilíbrios mentais mais comuns entre as pessoas.
Além disso, não é de hoje que o aplicativo do WhatsApp tem sido usado de forma quase onipresente. 

Bate-papo entre amigos, grupo da família, de trabalho, compras e vendas, reunião, negócios, troca de conhecimentos, tudo parece passar por ali. 

E, já algum tempo, uma atualização na plataforma permitiu acelerar os áudios recebidos.

Por que é tão prejudicial acelerar os áudios no WhatsApp?


À primeira vista, parece ser uma solução para os longos registros enviados pelos interlocutores mais prolixos. 
No entanto, é preciso fazer a pergunta: por que aceleramos os áudios, os vídeos... e a vida? 
Acelerar áudios de WhatsApp é apenas mais um sintoma da ansiedade com a qual estamos lidando na vida e principalmente, no trabalho.

Ouvir um áudio acelerado é um estímulo externo que avisa o sistema para ficar em alerta. 

Então, inconscientemente, você avisa ao sistema nervoso para permanecer acelerado, o que é extremamente prejudicial, pois você vai ativar um aceleramento no seu organismo. Mas nós não temos o botão de desligar.
Depois de ouvir um áudio assim, a tendência é que o indivíduo continue acelerado, mesmo sem perceber. 
Tal comportamento acarreta mais um componente de sobrecarga mental, sendo que, ao final do dia, pode supervalorizar a sensação de frustração por não ter dado conta de tudo.

Sequelas


Sem que você se dê conta, passa a ter pensamentos de que não fez o suficiente, de que poderia produzir mais, alimentando o sentimento de que estamos sempre devendo, sendo que o dia continua tendo 24 horas. 
Ou seja, é possível afirmar que acelerar áudios e vídeos acabam por deixar as pessoas em um estado de hipervigilância, gerando gatilhos que desembocam em uma possível crise de ansiedade.
Portanto, são pequenas ações que consideramos inofensivas, mas que enviam mensagens subliminares ao nosso cérebro, alterando o comportamento e modificando sentimentos e emoções. 

O que fazer?


O segredo é ter cuidado com o outro para não acelerar e provocar ansiedade através dos áudios que envia. 

Mande áudios de até 1 minuto apenas. Se o assunto for extenso, quebre em vários áudios de 1 minuto para não se transformar em um podcast. 

E, ao ouvir áudios, nunca os acelere. Entenda o quanto esse ato simples pode impactar em sua saúde mental e no ritmo do seu dia. 
A aceleração de tudo promove a sociedade do cansaço, doente psicologicamente.

Indo mais fundo


Como um profissional na área de saúde mental, falanco com conhecimento de causa e não por hipótese, considero um completo absurdo cognitivo. 

É como forçar qualquer estrutura do corpo a dar muito mais do que ela foi projetada para suportar. Vemos isso acontecendo nas academias mundo afora. Até quando um corpo aguenta tanto crossfit?

Vamos pensar que, assim como um bíceps, nosso cérebro seja "um músculo" que exige respeito e não aceita desaforo. 

A natureza é sábia e nosso cérebro é até bondoso conosco. Vai aguentando todas as novidades que trazemos a ele, até que a dor seja insuportável. 

Aí vem depressão, ansiedade, pânico e todos os gatilhos os quais convivemos. Depois, parar religar os fios, dá um trabalhão danado, isso quando ainda é possível religar alguns.

Tudo bem, eu também não suporto aqueles áudios gigantes, tipo podcasts que me mandam. 

O poder de síntese nem sempre é fácil. Se numa conversa face to face já é um desafio, imagina quando a pessoa prolixa tem a chance de gravar sem ser interrompida.

Aos prolixos, meu maior respeito até mesmo porque, eu sou um, mas também minha maior resiliência.

Sinceramente, e daí? Quem já não teve que suportar longos discursos de um chefe ou colega chatos em uma interminável reunião presencial? E o que dizer das palestras   em ambientes acadêmicos?

Aí entra o exercício da escuta ativa, do respirar fundo e da paciência. Nós queremos que nos ouçam, que nos compreendam. 

Os outros, também. Mas tem muito mais. Para não ficar só no terreno das opiniões, nessa aberração de acelerar áudios, especialistas parecem concordar.

Transtornos de ansiedade

  • Ansiedade, confusão mental, sentido de improdutividade

"Acelerar áudios de WhatsApp é apenas mais um sintoma da ansiedade com a qual estamos lidando com a vida, principalmente, com o trabalho" (Psicólogo Kleber Marinho — Jornal Metrópole, por Mariana Vieira | 20/06/2021).
Como já dito, mais é válido salientar, segundo este especialista, o cérebro assimila este estímulo com a necessidade de fazer mais, pois terminamos o dia com a sensação de que ficamos devendo. 

Esta sobrecarga mental induz a estados de hipervigiância, disparando crises de ansiedade.

Não é á toa que, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o Brasil é o primeiro país no mundo em transtornos de ansiedade (e olha que tem muita gente em guerra pelo mundo). 9,3% da população tem algum transtorno de ansiedade.

  • Falta de Empatia

Acelerar o áudio leva á falta de empatia. Um dos nossos gatilhos naturais de empatia é assimilar a voz alheia, suas expressões, a entonação. 

Isso se perde quando distorcemos digitalmente a voz de quem está do outro lado. Não dá para saber se o outro está feliz, angustiado, triste. 

E isso altera completamente o propósito das relações, desumanizando o contato. Triste, não?

  • Prejuízo à da saúde mental

"O recurso acaba integrando o movimento de aceleração que tanto nos prejudica. Afinal, todos nós conhecemos alguém que está correndo contra o tempo. 
São padrões de estar sempre à frente, sempre correndo e nunca no presente" (Psicóloga Fabiane de Faria, especialista em Terapia Cognitivo Comportamental — Revista Vogue, editorial | 25/06/2021).
Para esta especialista, os principais sintomas desse "apressar o tempo" são a ansiedade (de novo, ela) e a falta de foco. 

Ser multitarefa pode parecer produtivo e descolado, até a página dois. É preciso parar, elaborar cada coisa, resolver uma demanda por vez. Isto contribui para cultivar hábitos que preservam a saúde mental.

  • Prejuízo às relações interpessoais

"A gente acelera tudo, em vários contextos: vídeos, áudios…Daqui a pouco, quando a pessoa estiver na sua frente, não saberá lidar com quem fala um pouco mais devagar.

É um problema sério, pois nem sempre o outro consegue ser rápido e objetivo"
(Psiquiatra Regiane Kunz Em entrevista concedida ao programa Marco Zero, Rádio Clube FM | 20/04/2022).
Ao mecanizarmos demais a interação com o outro, ao invés de nos aproximarmos, nos afastamos das pessoas. 

Geramos imediatismos que não existem e colocamos no colo do interlocutor as nossas próprias ansiedades.

Sem falar que deixamos de apreciar coisas simples do dia a dia, como ver o outro dar uma boa gargalhada, um jantar em família, uma boa conversa sobre temas interessantes e a nossa capacidade de ouvir e fazer reflexões.

Isso porque, no ato de acelerar a interação, tudo o que não for dentro daquele ambiente artificial, passa a ser secundário, perda de tempo.

E tempo, talvez seja o atributo mais caro de nossas vidas.

Conclusão

Matéria exibida no telejornal Repórter Brasil, 07 de setembro de 2023
Conseguimos banalizar a urgência de tal forma que, quando dizemos que algo é realmente urgente, ninguém mais acredita.

Quando percebermos o quanto o acelerar áudios de Whatsapp nos fez perder em qualidade de vida e saúde mental, pode ser tarde demais.

É viver o presente, preservando momentos que não voltam

Por fim

Me nego a acelerar o áudio do Zap, mesmo que seja longo. Quero garantir o respeito que tenho pela voz de quem estiver do outro lado.
Como comunicador, tenho como disciplina, trabalhar a síntese nas minhas mensagens, para facilitar a compreensão de quem está do outro lado (aliás, minha preferência é a comunica por textos e, assim, enfrento ainda, o problema com os que não gostam de ler 🤦🏿‍♂️ 🤷🏿‍♂️).

Gravo para o outro e não para mim mesmo. Gravo 10 vezes se precisar, para, em poucos segundos, conseguir me expressar.

Se o tema é muito complexo, me permito o máximo absurdo de um minuto e meio.

Senão, ligo para a pessoa. É a forma que tenho de preservar as boas interações e exercitar a empatia.
"Mas e, se apesar de tudo isso, a pessoa do outro lado acelera a sua gravação?"
Sinto muito por ela, pois a vida já é difícil demais para que nós mesmos adoeçamos por conta própria. Ajo sobre aquilo que posso.

Quero conversar muito, me expressar, exercitar meu poder de síntese, mas sobretudo, apreciar o que o outro tem a me dizer, sem intermediários nem truques ou fugas digitais.

[Fonte: LinkedIn - original, por Daniel Souza]

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sábado, 5 de julho de 2025

PRONTO, FALEI! — O TRISTE PANORAMA DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL

"Mas, se eu demorar, você saberá como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade" (1 Timóteo 3:15).
A igreja evangélica no Brasil está passando por um período de mudanças significativas, com um crescimento notável nas últimas décadas, mas também enfrentando desafios como a perda de fiéis e debates sobre o envolvimento político.

Fico imaginando, o que aconteceu, com nossas igrejas, é muito triste o que vemos no cenário nacional, já parou para observar o comportamento das igrejas evangélicas no Brasil?

É o que veremos em mais um capítulo da minha série especial de artigos Pronto, Falei! Mas, antes de entrar no tema propriamente dito, vamos fazer uma análise exegética e hermenêutica do versículo escolhido como base para este texto.

Coluna — não fundamento — da verdade


1 Timóteo 3:15 é o fim da descrição de Paulo sobre a conduta adequada para os membros da igreja — ou seja, a congressão dos crentes em Jesus Cristo, também biblicamente chamada de "assembleia dos santos" e "corpo de Cristo" —, incluindo líderes.
Ele não menciona em lugar nenhum um poder único desses líderes para tomarem decisões doutrinárias ou interpretativas. Também ele não declara membros do corpo incapazes de fazer essas interpretações por si mesmos.
Na verdade, no versículo 14, Paulo especificamente diz que suas palavras escritas são o que definem a conduta adequada.

Isso realmente sugere o conceito de sola scriptura; Paulo está atribuindo autoridade à Palavra escrita. Ele não diz: "A igreja lhe dirá o que significa esta carta".

No início da epístola, Paulo explicitamente diz a Timóteo para se opor àqueles que ensinam doutrina incorreta (1:3-7, 18,19). Ele não diz a Timóteo para se opor àqueles que discordam da "igreja" ou dos líderes da igreja.

Isso ecoa outras afirmações de Paulo que indicam que o conteúdo de uma crença é o que importa, não a pessoa que a proclama (2 Coríntios 11:14; Gálatas 1:6-8).

Paulo se refere àqueles que proclamam o evangelho como ministros da verdade, não a fonte dela (1 Co 4:1; 9:17). Em outros lugares, Paulo diz explicitamente que há apenas um "verdadeiro" alicerce para nossa fé, que é Cristo (3:11), então o que ele diz em 1 Timóteo 3:15 deve ser entendido nesse contexto.

Como, então, 1 Timóteo 3:15 deve ser interpretado? Julgando pelo contexto de 1 Timóteo, bem como pelo restante das Escrituras, certamente não que "a igreja" tem uma compreensão infalível da verdade.
Neste caso — numa compreesão exegética do contexto — Paulo parece estar dizendo que a ekklesia — o corpo de crentes, "a igreja" — é a estrutura que sustenta e proclama o evangelho ao mundo.
Por essa razão, a conduta do corpo e sua seleção de líderes são de grande importância.

Essa interpretação é fortemente apoiada pelo uso de Paulo de duas palavras gregas, stulos e hedraioma, traduzidas como "coluna" e "fundamento".
  • Stulos — significa "coluna, pilar, suporte" e é encontrado no Novo Testamento apenas aqui, em Apocalipse 3:12 e 10:1.
  • Hedraioma — significa "suporte" e é encontrado apenas neste versículo.
Ambas as palavras vêm de raízes gregas que implicam algo que endurece, estabiliza, firma ou sustenta.

Estas são palavras completamente diferentes das que são usadas em outras ocorrências de "fundamento" nas Bíblias em inglês.

Por exemplo, a referência de Paulo a Cristo como nosso "fundamento" em 1 Coríntios 3:11 usa a palavra themelios, que significa "fundamento de um edifício" ou "princípios iniciais e fundadores de uma ideia".
Portanto, em 1 Timóteo 3:15, Paulo não está se referindo a "a igreja" como a fonte da verdade ou a criadora da verdade. 
Ele está dizendo que "a igreja" é o que sustenta e mantém firmemente a verdade no mundo.
Novamente, esta interpretação se encaixa com as advertências de Paulo para não se deixar levar por filosofias carnais (Colossenses 2:8), falsos mestres (2 Tm 4:3) ou qualquer pessoa que mude o evangelho (Gl 1:8).

Em vez de cair em doutrina falsa, devemos comparar os mestres com a Palavra de Deus (Atos 17:11; 1 Co 4:6; 2 Tm 3:16; Romanos 15:4).

"A igreja", ou seja, toda a população de crentes cristãos, tem a responsabilidade terrena de sustentar a verdade do evangelho. A base final dessa verdade é Cristo, não as proclamações ou infalibilidade dos membros desse corpo.

Paulo está convocando os crentes a cuidarem da estrutura que "sustenta" ou "apoia" nossa mensagem ao mundo. 1 Timóteo 3:15 não pode ser entendido como significando que a igreja em si é a fonte ou padrão para a verdade.

Entendido isto, vamos ao cerne do artigo.

A controversa realidade da igreja evangélica


Dizem que somos o povo do avivamento, que o Brasil é um celeiro de cristãos, com um potencial enorme para evangelizar o mundo! Será?

Realmente, o Brasil, segundo dados do último censo demográfico é uma das nações onde as igrejas evangélicas mais crescem (detalhes em artigo anterior, clique no link), mas crescem em qualidade ou em quantidade?

Síndrome de Laodiceia


São números impressionantes, como dizem alguns, "números Evangelásticos", e realmente impressiona, a forma como cresceu e cresce a igreja evangélica em nosso País, mais infelizmente, o que muito me entristece, é constatar que quanto mais cresce em números, menor é a qualidade de nossas igrejas e consequentemente dos nossos irmãos que seguem cada vez mais, igrejas pobres e desnutridas espiritualmente, templos muitas vezes riquíssimos belos e imponentes, mais espiritualmente doentes, consequentemente, geram crentes doentes também.

Não quero ser pessimista, mas é o que enxergo quando olho para o quadro em que se encontram nossas igrejas. De um lado vemos, igrejas neopentecostais e algumas pentecostais pregando uma prosperidade louca, que gera um monte de cristãos egoístas, correndo em busca de uma riqueza material, que se não alcançam, logo abandonam a fé, frustrados por não conseguir o que buscavam.

Muitas das vezes taxados por culpados por seus lideres, que afirmam; se não conseguiu é porque não têm fé. Outros em busca de um milagre urgente em igrejas que vivem de explorar o desespero das pessoas que sofrem a dor de uma doença, muitas das vezes desenganadas pela medicina.

E DEUS realmente cura, não se questiona isso aqui, Ele é misericordioso e cura a pessoa independentemente de quem está orando por ela, o nosso Deus realmente cura, o problema é que certos pastores que tentam levar a fama de curandeiros, esquecem que DEUS não divide a glória dEle com ninguém.

E que o evangelho que deve ser pregado é o evangelho da salvação, e não o da cura, pois se por algum motivo DEUS não curar o indivíduo Ele nunca mais volta na igreja, e DEUS tem os seus propósitos em tudo, há pessoas que decepcionadas por não ter tido a cura imediata, nunca mais volta a igreja.

De outro lado vemos as igrejas pentecostais enfatizando demais a busca do inacreditável, emocionante e sobrenatural.

E óbvio que o sobrenatural acontecerá sempre em nosso meio, mas não pode ser o principal motivo de nosso culto, não da maneira que estamos querendo que seja.

Nossos cultos são pura emoção e pouca salvação, não dá para viver um evangelho assim, no culto pentecostal geralmente, os crentes se preocupam demais, em ver o sobrenatural, ser arrebatado, entregar ou buscar uma profecia, falar em línguas, sapatear, pular, fazer aviãozinho, e outras coisas mais, ou seja, queremos um culto extraordinário, que nos satisfaça e nos encha de paz e alegria momentâneas, para sairmos renovados, nada contra, mas estamos fazendo culto pra crente. E os perdidos, como ficam?

Além do mais, o nosso maior desafio não é apenas o que acontece em um ambiente de culto, mas, principalmente, o que acontece quando saímos dele.

E as igrejas históricas e tradicionais, que em busca de um "avivamento" que muitas das vezes não tem nada de espiritual, estão se perdendo também nesse cenário evangélico da atualidade.

Isto porque, as igrejas tradicionais, sem dúvida crescem bem menos que as pentecostais e neo-pentecostais, e muita das vezes, em busca de um uma "renovação," acaba se perdendo em meio a shows, eventos, louvorzão e outras coisas mais.

O problema é que a igreja, seja ela Reformada, Histórica, Tradicional, Pentecostal, Neopentecostal ou o que for, ela precisa saber, que o seu papel, é "ganhar almas" para CRISTO.

O problema é que em todos os exemplos que citei acima, em nenhum deles, se prega o verdadeiro evangelho de JESUS CRISTO, se enfatiza muito o financeiro, o emocional ou a cura, ou as bênçãos, ou o entretenimento.

Estão esquecendo-se de dizer que só JESUS CRISTO SALVA, não estão pregando o evangelho da salvação, porque pensam eles: não da ibope, likes, não gera visualizações, compartilhamentos e não atrai seguidores em redes sociais.

Crescimento e Expansão


O número de igrejas evangélicas no Brasil cresceu exponencialmente, com estimativas de mais de 100.000 templos em 2019, em comparação com cerca de 20.000 em 2015.

Esse crescimento é impulsionado principalmente pelas igrejas de bairro, localizadas nas periferias e no interior, que funcionam como centros de fé, solidariedade e apoio comunitário.

A proliferação de templos é atribuída a diversos fatores, incluindo o crescimento da população evangélica e a busca por locais de culto que atendam às necessidades espirituais e sociais das pessoas.

Resumo do atual panorama da igreja evangélica no Brasil

Desafios e Mudanças


Apesar do crescimento, há relatos de insatisfação entre jovens evangélicos e desencanto com o forte envolvimento político de algumas igrejas, o que tem levado à perda de fiéis.

O fenômeno dos "desigrejados", pessoas que abandonam a igreja formal, mas mantêm sua fé, também tem ganhado destaque.

Questões como a decepção com promessas não cumpridas, desapontamentos relacionais e práticas e ensinos questionáveis em algumas igrejas também são apontadas como razões para o abandono.

As igrejas evangélicas também estão enfrentando disputas de poder e investigações por suspeitas de desvio de dinheiro, o que pode afetar a confiança dos fiéis.

Influência e impacto


As igrejas evangélicas têm se mostrado um importante ator social, com grande influência na vida de seus membros e na sociedade como um todo.

O envolvimento político das igrejas tem sido alvo de debates, com alguns defendendo a importância da atuação política para a defesa de valores cristãos, enquanto outros criticam o excesso de politização.

Apesar dos desafios, as igrejas evangélicas continuam a desempenhar um papel relevante na vida de milhões de brasileiros, oferecendo apoio espiritual, social e comunitário.

Progressismo ideológico


Esse tópico merece um capítulo específico e mais detalhado.

O fenômeno das igrejas inclusivas refere-se ao surgimento e crescimento de comunidades religiosas que buscam acolher e integrar pessoas LGBTQIAPN+ em suas práticas e lideranças, muitas vezes desafiando interpretações tradicionais de textos religiosos que condenam a homossexualidade.

Essas igrejas representam uma alternativa para aqueles que se sentem excluídos ou não se identificam com denominações religiosas mais conservadoras.

A principal marca dessas igrejas é a aceitação e inclusão de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, não-binárias, queer e demais identidades de gênero e orientações sexuais, oferecendo um espaço seguro e livre de julgamentos.

As igrejas inclusivas oferecem um espaço de pertencimento e espiritualidade para pessoas que podem ter sido marginalizadas por outras denominações religiosas, permitindo que vivam sua fé de forma autêntica.

Principais caracteríticas

  • Acolhimento LGBTQIAPN+ — A principal marca dessas igrejas é a aceitação e inclusão de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, não-binárias, queer e demais identidades de gênero e orientações sexuais, oferecendo um espaço seguro e livre de julgamentos.
  • Interpretação não literal da Bíblia — Igrejas inclusivas frequentemente reinterpretam passagens bíblicas que tradicionalmente são usadas para condenar a homossexualidade, considerando-as em um contexto cultural e histórico diferente, ou atribuindo-lhes significados mais amplos de amor e aceitação.
  • Liderança diversa — Em muitas igrejas inclusivas, pessoas LGBTQIAPN+ ocupam posições de liderança pastoral e ministerial, o que contribui para a representatividade e identificação dentro da comunidade.
  • Enfrentamento da discriminação — Essas igrejas se posicionam ativamente contra a homofobia e a transfobia, promovendo a igualdade e o respeito dentro e fora de suas congregações.
  • Diversidade de expressões religiosas — As igrejas inclusivas podem variar em suas práticas e liturgias, mas compartilham o objetivo de criar um ambiente onde todos se sintam acolhidos e livres para expressar sua fé.
  • Desafios às igrejas tradicionais — O crescimento das igrejas inclusivas tem gerado debates e tensões dentro do cenário religioso, especialmente com igrejas mais conservadoras que defendem interpretações tradicionais dos textos religiosos.
  • Contradições e complexidades — O fenômeno das igrejas inclusivas também enfrenta desafios internos, como a necessidade de equilibrar a inclusão com a preservação de certas tradições e práticas religiosas, além de lidar com as tensões entre diferentes identidades e perspectivas dentro da comunidade LGBTQIAPN+.
Em síntese, as igrejas inclusivas representam um movimento importante na busca por uma religiosidade mais aberta e acolhedora, que reconhece a diversidade e a dignidade de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Conclusão


Em resumo, a igreja evangélica no Brasil vive um momento de transformação, com crescimento, expansão e desafios simultâneos.

O futuro da igreja evangélica no Brasil dependerá da capacidade de suas lideranças em lidar com as mudanças e demandas da sociedade, mantendo-se relevante e fiel aos seus princípios.

[Fonte: Ultimato, por Adriano Montes; Got Questions, por redação]

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