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domingo, 11 de agosto de 2024

O QUE AS TRAGÉDIAS NOS ENSINAM?

"Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Salmo 50:15).
O trágico acidente, ocorrido com o avião, que transportava 58 passageiros e quatro tripulantes, totalizando 62 pessoas a bordo, quando caiu em um condomínio no bairro Capela, em Vinhedo (SP), na sexta-feira (9) [Inicialmente, a Voepass noticiou que 61 pessoas tinham morrido após a queda do avião, porém,  na manhã de sábado (10), o número de mortes subiu para 62.], me despertou uma necessária reflexão: 

Temos algo a aprender com as tragédias?


Acontecimentos trágicos revelam nossas dúvidas mais profundas e pessoais acerca de Deus. Muitos observaram, por exemplo, que a assiduidade das pessoas a igrejas nos Estados Unidos aumentou depois dos ataques terroristas de 11 de Setembro. O mesmo ocorreu recentemente, durante o auge da pandemia mundial de Covid-19, quando, mesmo sem poder ter encontros presenciais, era notório o quanto as redes sociais foram invadidas de lives e postagens com conteúdos de cunhos espirituais e religiosos, todas sendo acompanhadas por milhares de pessoas online

Em ambos os casos, as pessoas estavam buscando por respostas. Se a dificuldade é grande ou pequena, se nos atinge pessoalmente ou se apenas assistimos a ela pela TV e/ou as acompanhamos pela internet, temos a tendência, em tempos de adversidade, de procurar respostas para nossos questionamentos mais profundos.

É claro, algumas pessoas menosprezam a Deus e chegam até a expressar raiva dEle. Nos dias em que somos atingidos pela adversidade pessoal — ou quando crises enormes surgem nas plataformas midiáticas —, até o cristão se sente tentado a perguntar: 
"Onde Deus está? Ele não se importa com os milhares que passam fome no leste da África, ou com os civis inocentes sendo brutalmente assassinados em muitos países pelo mundo que estão devastados pela guerra? Ele não se importa comigo?"
Em uma escala bem menor, quem está livre de grande dor ainda assim experimenta os frequentes acontecimentos da vida cotidiana que frustram ou causam ansiedade, os quais se apoderam da nossa atenção a qualquer momento e nos roubam a paz de espírito. 

Férias planejadas há muito tempo têm de ser canceladas por causa de uma doença, a máquina de lavar quebra no dia em que chegam visitas, suas anotações de aula se perdem ou são roubadas um dia antes de uma prova importante, seu vestido favorito rasga a caminho da igreja e assim por diante. Exemplos dessa magnitude são numerosos. A vida está repleta deles.

É verdade que ocorrências assim banais são apenas temporárias e são rebaixadas a nível de insignificância ao lado dos eventos de fato trágicos da vida. Contudo, para a maioria de nós, a vida é cheia desses pequenos acontecimentos, pequenas frustrações, pequenas ansiedades e pequenos desapontamentos que nos provocam — tentando nos afligir, enfurecer e preocupar. Mas mesmo em meio a essas pequenas adversidades, somos tentados a perguntar: 

"Posso confiar em Deus?"

Portanto, a pergunta surge com naturalidade: 
"Onde está Deus em tudo isso?"
Você pode mesmo confiar em Deus quando a adversidade o atinge e enche sua vida de dor? Ele de fato vem em resgate daqueles que o buscam? Ele livra quem o invoca no dia da angústia, como o texto no início afirma? O amor infalível do Senhor cerca a pessoa que nele confia? (veja Sl 32:10).
Deus está mesmo no controle? É digno de confiança? Ele vai ajudar?
Só nas Escrituras encontramos uma visão adequada do relacionamento e do envolvimento de Deus com nossas circunstâncias dolorosas. É apenas das Escrituras, aplicadas a nosso coração pelo Espírito Santo, que recebemos a graça de confiar em Deus na adversidade.

Na arena da adversidade, as Escrituras nos ensinam três verdades essenciais acerca de Deus — verdades em que devemos crer, se pretendermos confiar nEle na tribulação. São elas:
  • Deus é absolutamente soberano;
  • Deus é infinito em sabedoria;
  • Deus é perfeito em amor.
Dito isto, continuemos nossa reflexão.

Quais as lições aprendemos com as tragédias da vida?


Aprender com os acontecimentos negativos ou mesmo tragédias em nossa vida é uma das melhores maneiras de crescer como pessoa, dizem, em concordância uníssona, psicólogos, psicanalistas e psiquiatras. É importante lembrar, dizem esses especialistas em saúde mental, que, em vez de somente lamentar o que aconteceu, devemos nos esforçar para usar essas experiências para aprender e até nos tornarmos melhores. Esse é o maior desafio.
Aprender com os acontecimentos significa que devemos olhar para o que aconteceu e tentar entender o que pode ser feito no futuro, para evitar que aquilo ou aquele tipo de evento aconteça novamente.
Muitas vezes um acontecimento pesado ou mesmo trágico, pode nos dar lições muito fortes para que mudemos nossa vida ou mesmo nossa maneira pensar e de encarar a vida e a realidade.

Isso significa que devemos olhar para o que aconteceu e tentar entender quais lições podemos tirar para melhorar nossa saúde, nossa vida profissional, nossa forma de trabalhar, nossos relacionamentos familiares, de amizade, nossa vida espiritual, nosso engajamento etc.

Muitas vezes podemos tirar dos acontecimentos lições que nos façam ter maior envolvimento com a comunidade, ajudar pessoas mais necessitadas, trabalhar como voluntários em ações sociais e de benemerência, deixando um pouco do nosso egoísmo e nos doando mais à sociedade. 

Vejamos na sequência sete lições fundamentais que podemos aprender com as tragédias, quer sejam as pessoais quanto com as coletivas, em menor ou maior escala:
  • A primeira delas é a consciência de nossa pequenez e impotência. Sejamos ricos, pobres ou remediados, brancos, negros, homens, mulheres, gays... somos todos impotentes, por exemplo, frente à fúria da natureza sobre a qual não temos controle algum.
  • A segunda lição é reconhecer que nada é mais importante que a vida e que em fração de segundos, minutos ou horas, tudo pode mudar e assim aprendemos pela tragédia que só a vida importa e que todos os nossos bens, fama ou poder podem desaparecer numa enxurrada — como ocorreu também recentemente no Rio Grande do Sul, ou enterradas na lama — como o ocorrido em Brumadinho, MG, em 25 de janeiro de 2019.
  • A terceira lição é aprender com o que disse Alexis Carrel (✰1873/✞1944), cirurgião e fisiologista francês, nasceu em 1873, em Sainte-Foy-lès-Lyon, e faleceu em 1944, em Paris. Prêmio Nobel de Medicina de 1912, que em seu livro "O Homem, esse desconhecido" afirmou que 'Ninguém ultrapassa, impunemente, os limites da natureza'.
  • A quarta lição é que devemos aprender com o passado. Em 1941 — quando nem se falava em efeito estufa ou crise climática — houve uma enchente que deixou Porto Alegre debaixo d'água por 40 dias e 83 anos depois a mesma tragédia se repetiu. Ou seja, faltou o que? Uma análise do que ocorreu no passado, para ao menos tentar evitar que algo igual pudesse acontecer. 
Mas, a certeza utópica e arrogante dos homens, sempre os leva a ignorar o quão impotentes são diante do porvir.
  • A quinta lição é a da força da compaixão e da solidariedade humanas. A força de mobilização causada pela comoção em nível nacional, leva  a um movimento de ajuda impressionante e numa rapidez que deixa desnudada a morosidade das ações dos governos com sua burocracia e ações politizadas que chegam a nos envergonhar.
  • A sexta lição é a da força da resiliência que temos que ter para recomeçar, muitasvezes do zero, após uma tragédia desta magnitude. Temos que seguir a vida. Jogar a toalha não é e não pode ser uma opção.
  • A sétima lição é sobre o valor da fé, da esperança e da caridade — as três virtudes teologais. Sem elas e sem um forte alicerce espiritual tudo perde o sentido, a vida não valerá a pena, pois tudo o que era material se foi e sempre poderá desaparecer num piscar de olhos, num deslizamento, numa enchente.

Conclusão

Falar é fácil?


Sei que quem foi vítima de uma tragédia — como os familiares enlutados das 62 vítimas do acidente com o avião —, pode pensar ou mesmo vir a dizer que é fácil falar e escrever sobre esse tema, mas muito difícil viver e superar. As marcas ficam. As perdas quase nunca voltam. A dor permanece.
Mesmo reconhecendo todas as dificuldades e sabendo ser esse um enorme desafio, é importante lembrar que aprender com os acontecimentos negativos e mesmo tragédias é uma maneira importante de crescer como pessoa. 
É importante lembrar que, em vez de somente lamentar o que aconteceu, é melhor usar essas experiências para nos tornarmos melhores a cada dia e esse aprendizado nunca deve parar.
E não se trata apenas de aprender com as grandes tragédias. Há eventos como pequenos acidentes, pequenas perdas, doenças inesperadas, desilusões afetivas, perda de emprego e tantos outros acontecimentos dos quais devemos tirar lições para nossa vida e cuidar para não entrarmos numa eterna atitude de lamentação que não nos levará a lugar algum.

Ao aprender com os acontecimentos, podemos, portanto nos tornar pessoas melhores, como mais fé, com mais caridade, solidariedade, empatia, sabedoria e amor. Agora, pare por um momento, pense em tudo o que está acontecendo e faça, você também, uma lista de outras lições que esta tragédia nos está dando.

Pense nisso.

[Fonte: Anthropos Consulting, original por Prof. Luiz Marins, acessado em 11/08/2024; Setcesp — Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo, original acessado em 11/08/2024]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

domingo, 14 de julho de 2024

O PODER DA RENÚNCIA

“E Jesus disse: ‘se alguém Me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz de cada dia e siga-Me'” (Evangelho segundo a narrativa de Lucas, 9:23).
O convite do mestre Jesus é para segui-Lo, mas todo seguimento exige condições; e para seguir a Jesus não é diferente. Muitos querem segui-Lo e não dão conta, outros começam a segui-Lo, porém, O abandonam, porque os caminhos do mundo parecem mais fáceis e atrativos. Porém, para seguir a Jesus, primeiro, é preciso renunciar a si mesmo.

A palavra “renúncia” parece muito pesada, mas, acima de tudo, ela é abandono, esvaziamento. Nós somos muito “cheios de nós”, “cheios de vontade própria”, “cheios de querer”; e como nós nos “enchemos muito”, nos tornamos incapazes de nos esvaziarmos.
Renunciar é, acima de tudo, esvaziar a alma, a vontade, os pensamentos, os sentimentos e em alguns casos até as emoções para que, assim, possamos nos encher dos sentimentos de Deus e para que eles estejam em nós! Por isso, trabalhemos a renúncia em cada dia de nossa vida, embora, verdade seja dita, não seja uma tarefa fácil.
Renunciemos às pequenas coisas. Renunciemos a essa vontade que temos de aparecer, a essas discussões que travamos em casa, com a família, nas redes sociais; renunciemos a essas vaidades que nos cercam a cada dia; renunciemos a nossa petulância, o nosso orgulho, nossa soberba; renunciemos o ressentimento, o rancor, a mágoa; renunciemos a esse sentimento de vingança que alimentamos dentro de nós; renunciemos a maldade que está na alma. É necessário renunciar para poder avançar e crescer na intimidade, na espiritualidade e na nossa relação com Deus.

Entendendo sobre o significado da renúncia

Renunciar tem significado abandonar, rejeitar, sacrificar.
A regra é clara: segue-O e renuncia a si mesmo quem tem coragem, obedece-O quem tem juízo. Renunciar tem significado abandonar, rejeitar, sacrificar. Abandonar a si mesmo, em propósito. Sacrificar vontades e prazeres em prol de algo maior. Renunciar, é obedecer e seguir com a cruz.

Os cristãos atualmente ouvem muito a respeito da vida de renúncia. Mas o que isto significa exatamente? A vida de renúncia é o ato de devolver a Jesus a vida que Ele lhe concedeu. É abandonar o controle, os direitos, o poder, a direção, tudo o que você faz e diz. É entregar totalmente a vida em Suas mãos, para que Ele a conduza como quiser.

Eu me pergunto: onde os santos dos registros bíblicos conseguiram a autoridade espiritual e o vigor para fazerem tudo o que fizeram? Eles eram um outro tipo de gente, servos de um tipo totalmente diferente daquele que vemos hoje na igreja. Eu simplesmente não consigo me ver relacionado a eles, e ao seu caminhar. Sei que não sou totalmente do tipo deles. E não conheço um único cristão que seja.

O próprio Jesus viveu uma vida de renúncia: 
"Eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6:38). 
"Eu não procuro a minha própria glória" (8:50). 
Cristo nunca fez algo da própria vontade. Ele nunca deu um passo, nem disse uma palavra, sem ser instruído pelo Pai. 
"Eu nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou...porque faço sempre o que lhe agrada" (8:28,29).
A submissão total de Jesus ao Pai é um exemplo de como todos nós deveríamos viver. Você pode dizer: 
"Jesus era Deus na forma humana. Sua vida estava entregue antes mesmo de vir à Terra". 
Mas a vida de renúncia não é imposta a ninguém, incluindo Jesus. Renunciar é uma decisão, não uma imposição!

Cristo pronunciou estas palavras sendo um homem de carne e osso. Afinal, Ele veio ao mundo não para viver como Deus, mas como ser humano. Ele viveu a vida do mesmo modo que nós. E, como nós, tinha vontade própria. Ele optou por entregar esta vontade totalmente ao Pai: 
"Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou. Tenho autoridade para a entregar, e também para reavê-la" (João 10:17,18).
Jesus estava nos dizendo: 
"Não se enganem. Este ato de autoentrega está totalmente sob a Minha vontade. Estou optando por dar a Minha vida. E não estou fazendo isto porque alguém Me disse para fazê-lo. Ninguém está tomando a Minha vida de Mim. Meu Pai Me deu o direito e o privilégio de entregá-la. Ele também deu a opção de Eu passar de Mim este cálice e evitar a cruz. Mas escolho fazê-lo, por amor e completa submissão a Ele".
Nosso Pai celeste deu a todos nós este mesmo direito: o privilégio de escolhermos uma vida de renúncia. Ninguém é forçado a abrir mão de sua vida para Deus. Nosso Senhor não nos faz sacrificar nossa vontade, devolvendo-Lhe nossas vidas. Ele nos oferece livremente uma terra prometida, cheia de leite, mel e frutas. Mas podemos optar por não entrar neste lugar de plenitude.

O poder da renúncia


Ao renunciar há total entrega, colocando o Mestre em pódio, em primeiro lugar, no protagonismo. Ao renunciar, você se coloca ao dispor de ouvir a voz e vontade de Deus, colocando assim, os desejos banais em segundo plano. E isso não é ruim, pois assim, compreendemos a dependência de Deus e o amor dEle para conosco, em que somente Ele basta, pois Ele preenche tudo e nos dá tudo, conforme nossa necessidade.

Veja, o próprio Cristo se esvaziou de si mesmo tomando forma humana a nos salvar (Filipenses 2:6-11). Deus renunciou algo importantíssimo para Ele: Seu Filho. A renúncia é salvação. É propósito de vida eterna. E diferente do que se pensa, a renúncia não machuca, mas cura. Cura o orgulho, o egoísmo, a podridão. Quando você renuncia das suas vontades a favor da obra de Deus ou em causa do seu irmão, é ali que você oferece o melhor dízimo, a melhor oferta.

Quando sua vida está direcionada à Deus, focando na vontade de Deus, centralizando Ele, colocando Ele em patamar, buscando Ele, sendo perseverante nEle, confiando nEle e renunciando coisas de sua vida por Ele e para Ele, você entendeu tudo. 

Ele basta. Ele transborda. Ele encoraja. Ele revigora. Ele aponta a direção. E por vezes, Ele vai pedir para você renunciar certas coisas, mas Ele tem uma visão muito mais ampla, Ele sabe o que é bom e ruim para você. Se Ele pede a renúncia dessas coisas é por não te faz falta. Não é teu. Não te faz bem. A renúncia pode estar num relacionamento que te faz parar, numa amizade que te faz chorar, um ambiente que te faz estagnar. Toda renúncia tem um propósito, mas e aí, vai ter juízo para obedecer?
A palavra “renúncia” parece muito pesada, mas, acima de tudo, ela é abandono
Então, a primeira necessidade para seguir a Jesus é a disposição de renunciar; depois, tome e abrace a sua cruz, porque não adianta só a tomar e dizer: 
“Ai que cruz pesada”
também é preciso abraçá-la. Abraçar a cruz como a salvação da própria vida é dar sentido à própria vida e existência. 

Em vez de ficar reclamando das circunstâncias da vida, da dor, da enfermidade; das situações que enfrentamos: o casamento que não está tão bem ou está, mas não do jeito que queríamos ou da família que enfrenta “essa ou aquela” situação, abrace a essa cruz. Aquilo que você reclama, rejeita, que não toma para si: você não O abraçou, não amou. Cruz é para ser amada; Cristo abraçou a cruz e a carregou com todo o Seu coração.

Conclusão

Nós somos convidados a vivermos a espiritualidade do Cristo ressurreto, de cuja cruz só foi liberto quando nela consumou o ápice do processo no cumprimento do propósito da renúncia.
Muitos são os que ostentam uma cruz suspensa no lado de fora do peito, mas a recusam no interior. Devemos é abraçar a cruz da vida, da existência com todas as suas circunstâncias e transforma-la pela luz do Evangelho, pela luz de Cristo Jesus. Sem cruz ninguém segue a Jesus.

A verdade é que podemos ter tanto de Cristo quanto quisermos. Podemos nos aprofundar nEle o quanto optarmos, vivendo plenamente segundo Sua palavra e direção.
"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim" (Gálatas 2:20 — ARC).
O apóstolo Paulo sabia disso. E escolheu seguir o exemplo de Jesus - o de uma vida de submissão total. Sejamos discípulos do mestre, renunciando, a cada dia, o nosso ego e abraçando as cruzes que estão ao longo da vida.

Deus abençoe você!

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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segunda-feira, 1 de julho de 2024

BÍBLIA ABERTA — "EU ESTOU COM RAIVA DE DEUS!"

Não precisa me olhar com a expressão do desenho da ilustração acima, pois, mesmo sendo algo essencialmente descabido, afirmo sem medo de errar que muitos de nós já sentiram não pouca, mas, muita raiva de Deus!

Ter raiva de Deus é algo com o qual muitas pessoas, crentes e descrentes, têm lutado por muito tempo. Quando algo trágico acontece em nossas vidas, fazemos a pergunta "Por quê?" a Deus 
(a pergunta certa, na verdade, é: "pra que?", uma plausível sondagem sobre quais os propósitos do Altíssimo em relação à nós) 
por ser essa a nossa resposta natural. 

O que realmente estamos perguntando, porém, não é necessariamente "Por quê, Deus?", mas "Por que eu, Deus?" Essa resposta indica duas falhas no nosso pensamento. Em primeiro lugar, como crentes, muitas vezes operamos sob a impressão de que a vida deva ser fácil e que Deus deva impedir que tragédias aconteçam a nós. Equívoco religioso, alimentado pelos propagadores do triunfalismo da prosperidade. Quando Ele permite, ficamos com raiva dEle. 

Segundo, quando não compreendemos a extensão da soberania de Deus, perdemos a confiança na Sua capacidade de controlar as circunstâncias, outras pessoas e a forma em que nos afetam. Então ficamos com raiva de Deus porque parece que Ele perdeu o controle do universo e especialmente das nossas vidas. 

Quando perdemos a fé na soberania de Deus, isso indica que a nossa frágil natureza humana está lutando com a nossa própria frustração e falta de controle sobre os eventos. Quando coisas boas acontecem, muitas vezes atribuímo-las às nossas próprias realizações e sucesso. 
Quando coisas ruins acontecem, porém, rapidamente culpamos a Deus, e ficamos com raiva dEle por não preveni-las, o que indica a primeira falha no nosso pensamento  que merecemos ser imunes de situações desagradáveis.

Onde está escrito na Bíblia que a Fé é uma blindagem contra as adversidades e os desafios da vida?


Tragédias trazem à tona a terrível verdade de que não estamos no comando. Todos pensamos em um momento ou outro quando podemos controlar os resultados de situações, mas na realidade é Deus quem se encarrega de toda a Sua criação. 
Tudo o que acontece ou é causado ou permitido por Deus. Nem um pardal cai no chão nem um cabelo cai de nossa cabeça sem que Deus o saiba (Mateus 10:29-31). Podemos reclamar, ficar com raiva e culpar a Deus pelo que está acontecendo. No entanto, se confiarmos nEle e submetermos a nossa amargura e dor a Ele, reconhecendo o pecado orgulhoso de tentar forçar a nossa vontade à dEle, Ele pode e vai nos conceder a Sua paz e força para passarmos por qualquer situação difícil (1 Coríntios 10:13).
Muitos crentes em Jesus Cristo podem atestar esse fato. Podemos ficar com raiva de Deus por muitas razões, por isso todos temos que aceitar em algum ponto que certas coisas não podemos controlar nem compreender com nossa mente finita.

Nosso entendimento da soberania de Deus em todas as circunstâncias deve ser acompanhado de nossa compreensão dos seus outros atributos: Seu amor, misericórdia, benignidade, bondade, justiça, retidão e santidade. Quando vemos nossas dificuldades através da verdade da Palavra de Deus — a qual nos diz que o nosso Deus amoroso e santo faz todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8:28), e que Ele tem um plano e propósito perfeito que não pode ser contrariado (Isaías 14:24; 46:9,10) — começamos a enxergar nossos problemas em uma luz diferente. Sabemos também pelas Escrituras que esta vida nunca será uma de alegria e felicidade contínuas. 

Em vez disso, Jó nos lembra: 
"No entanto o homem nasce para as dificuldades tão certamente como as fagulhas voam para cima" (5:7), 
e que a vida é curta e 
"passa por muitas dificuldades" (14:1). 
Só porque nos aproximamos de Cristo para a salvação do pecado não significa que temos a garantia de uma vida livre de problemas. De fato, Jesus disse: 
"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo" (João 16:33), 
permitindo-nos ter a paz interior, independente das tempestades ao nosso redor (14:27).

Uma coisa é certa: raiva inadequada é pecado (Gálatas 5:20, Efésios 4:26-27, 31; Colossenses 3:8). A ira ímpia é auto-destrutiva, dá ao diabo um lugar em nossas vidas e pode destruir a nossa paz e alegria se nos prendermos a ela. Agarrar-se à ira permitirá que a amargura e ressentimento brotem em nossos corações. Devemos confessá-la ao Senhor e então, em Seu perdão, podemos liberar esses sentimentos a Ele. Devemos sempre ir diante do Senhor em oração com a nossa dor, raiva e sofrimento. 

A Bíblia nos diz em 2 Samuel 12:15-23 que Davi aproximou-se do trono da graça a favor do seu bebê doente, jejuando, chorando e orando para que ele sobrevivesse. Quando o bebê morreu, Davi levantou-se, adorou ao Senhor e disse aos seus servos que sabia onde seu bebê estava e que um dia estaria com ele na presença de Deus. 

Davi clamou a Deus durante a doença do bebê, e depois inclinou-se diante dEle em adoração. Isso é um testemunho maravilhoso. Deus conhece nossos corações e é inútil tentar esconder como nos sentimos, portanto, falar com Ele é uma das melhores maneiras de lidar com a nossa dor. Se fizermos isso humildemente, derramando-lhe nosso coração, Ele trabalhará através de nós e, no processo, cresceremos em semelhança com o nosso Criador.

A pergunta principal é esta: podemos confiar tudo a Deus, incluindo nossas próprias vidas e as vidas dos nossos entes queridos? Claro que podemos! O nosso Deus é compassivo, cheio de graça e amor e, como discípulos de Cristo, podemos confiar nEle com todas as coisas. Quando as tragédias acontecem em nossas vidas, sabemos que Deus pode usá-las para nos aproximar Dele e fortalecer a nossa fé, trazendo-nos à maturidade e integridade (Salmo 34:18; Tiago 1:2-4). 

Então poderemos ser um testemunho reconfortante para os outros (2 Coríntios 1:3-5). Entretanto, isso é mais fácil dizer do que fazer, pois exige uma entrega diária da nossa vontade à dEle, um estudo fiel de seus atributos como vistos na Palavra de Deus, muita oração e a aplicação do que aprendemos a nossa própria situação. Ao fazermos isso, nossa fé vai progressivamente crescer e amadurecer, facilitando a nossa confiança nEle quando tivermos que enfrentar a próxima tragédia que certamente ocorrerá.

Aprendendo com Noemi


A Bíblia mostra a história de uma mulher que perdeu o marido, os dois filhos e isso a deixou tão desgostosa que decidiu mudar até de nome. Ela se chamava Noemi, que significa doce, e mudou para Mara, que significa amarga, e dizia:
"grande amargura me tem dado o Todo-Poderoso" (Rute 1:21).
A história de Noemi na Bíblia é encontrada no livro de Rute, é uma narrativa de resiliência, fé e esperança diante das adversidades. Ela e seu marido Elimeleque saem de Belém para Moabe devido à escassez de alimentos, mas enfrentam a perda de seus entes queridos. Noemi retorna a Belém com Rute, sua nora moabita, que demonstra lealdade e devoção.

Ela foi uma mulher de fé e sabedoria, aconselha Rute a buscar proteção com Boaz, um parente próximo.

O auge dessa história acontece com a redenção de sua família, quando Boaz casa-se com Rute, garantindo a segurança delas. O casamento resultou no nascimento de Obede, avô do rei Davi, incluindo Noemi na linhagem do Messias.
A vida dela ensina a enfrentar desafios com humildade, buscando sabedoria e orientação divina, e a história mostra a fidelidade de Deus em meio às circunstâncias mais difíceis. Noemi é um exemplo de coragem, confiança em Deus e como Ele trabalha constantemente em prol de seus filhos.
Ela culpava a Deus pelos seus males, nunca se recuperou do baque que sofreu, vomitava amargura quando falava e pensava que nunca mais seria feliz.
Por outro lado, sua nora, Rute, passou pela mesma tragédia, perdeu o marido e, para piorar, era estrangeira. As chances dela se casar de novo eram mínimas. Mas, ao contrário da sogra, ela estava com o espírito alegre, disposto a dar a volta por cima e creu. Tanto que se casou com Boaz, se tornou avó do rei Davi e entrou na genealogia do Senhor Jesus. Veja a diferença de atitude.
Eu até já soube a história de pessoas que se desviaram do caminho da Fé depois de passar por uma perda e isso é um verdadeiro tiro no pé. Afinal, onde está a lógica em se voltar contra a Única pessoa que pode te ajudar?
A verdade é que se você não entende os porquês da vida, significa que você não é Deus. Eu também não entendo muitos porquês e Ele permitiu isso para que a gente confie mesmo sem entender.

Por exemplo, eu não entendo de aviação, não entendo como o avião consegue voar com todo aquele peso e nem por isso eu deixo de viajar nele. Eu confio nos pilotos e que Deus vai manter o clima favorável para um voo seguro. 

As pessoas confiam quando tomam um remédio, mesmo sem entender como ele funciona, acreditando que ele vai resolver o problema. Mas aí quando chega em Deus ela quer razões, explicações, tudo detalhado. Eu tenho algo a te dizer que não sei se você vai gostar:
Deus não nos deve absolutamente nenhuma explicação e/ou satisfação de nada! Ele é Deus e pronto! Se Ele quiser, até nos responde aos questionamentos sobre Seus feitos, mas, se não quiser, não nos dirá nada e isso não o fará ser mais ou menos Deus do que é: o nome disso é SOBERANIA!

Conclusão

As pessoas amargas, assim como foi Noemi, se acham tão superiores que se veem capaz de levar Deus para um tribunal. Precisam de uma dose maior de humildade.
Assim, para concluir, sim, é errado ter raiva de Deus. Essa raiva surge como resultado de uma incapacidade ou relutância em confiar em Deus mesmo quando não entendemos o que Ele está fazendo. Ter raiva de Deus é essencialmente o mesmo que dizer que Ele fez alguma coisa errada, o que nunca é o caso. 

Será que Deus entende quando estamos com raiva, frustrados ou decepcionados com Ele? Sim, Ele conhece nossos corações e sabe quão difícil e dolorosa a vida neste mundo pode ser. Será que isso faz com que seja certo ter raiva de Deus? 

Absolutamente não. Em vez de estar zangado com Deus, devemos derramar nossos corações a Ele em oração e então confiar que o Senhor está no controle e que Seu plano é perfeito (Romanos 12:1,2).

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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sábado, 29 de junho de 2024

PAPO RETO — "JOGO DO TIGRINHO", MAIS UMA ARMADILHA NA [NÃO DA] INTERNET

Se você acessa a internet, provavelmente já leu algum anúncio de apostas on-line. As propagandas das chamadas "bets" estão em sites, nas camisas de esportistas nacionais e estrangeiros, nos programas esportivos e nas placas de publicidade que ficam em torno dos campos e quadras. Elas pegam carona na paixão das pessoas por esportes, como futebol, vôlei e basquete, e tentam motivar os incautos a apostar.

A estratégia tem dado certo. Segundo uma estimativa recente do jornal Folha de S. Paulo, com base em dados do Banco Central, 
os gastos de brasileiros com apostas on-line entre janeiro e novembro de 2023 chegaram a R$ 54 bilhões. O número supera, por exemplo, o total das exportações brasileiras de carne bovina no mesmo ano (R$ 46,3 bilhões, segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
As apostas são mais frequentes entre os jovens (30% de quem tem entre 16 e 24 anos, ante 15% da média nacional) e entre os homens (21%, contra 9% das mulheres). O gasto médio mensal é de R$ 263. 
A pesquisa apontou ainda que 15% dos brasileiros já fizeram apostas esportivas online e que metade perdeu mais dinheiro do que ganhou. O dinheiro vai parar nos países-sede das empresas, em geral paraísos fiscais, onde a legislação é mais flexível.
Dentre essa modalidade de jogos on-line, sem dúvida alguma, um dos que nas últimas semanas chamou mais atenção na mídia, foi o tal "Jogo do Tigrinho", e o que tem de crente enfiado nessa jogatina ilegal sob todos os aspectos, é algo assustador e preocupante. É este o tema de mais um capítulo da minha série especial de artigos Papo Reto.

Nem tudo o que reluz é ouro


A popularidade do famigerado "Jogo do Tigrinho" saiu das telas dos celulares e alcançou as manchetes policiais dos jornais. O chamado Fortune Tiger, ou Jogo do Tigrinho, é investigado pela Polícia Civil de todo o Brasil por esquema criminoso de apostas on-line.

O "Jogo do Tigrinho" tomou a internet e pagou por isso. O caça-níqueis adaptado para tela de celular, oficialmente chamado de Fortune Tiger, está se disseminando pelas redes sociais, apesar das limitações previstas por grandes empresas de tecnologia por trás do Instagram, WhatsApp, Facebook, X (ex-Twitter) e TikTok.
A face mais visível desse fenômeno está no Instagram. Nas últimas semanas, usuários têm reportado assédio de perfis falsos que fazem solicitações de amizade, marcações em publicações sobre o tigrinho e abordagens com promessas de bônus em dinheiro para aqueles que fizerem apostas através de suas investidas.
Mas essa é só a ponta do iceberg. Há evidências de que programas de afiliados, com método de funcionamento semelhante ao de esquemas de pirâmide, estejam por trás da produção em massa de spam. Neste negócio, a pessoa que publica o link para a casa de apostas recebe uma parte do dinheiro perdido pelos internautas convencidos a apostar.

Dinheiro fácil, quem não quer? Eu!!!


O game promete ganhos rápidos e fáceis de altas quantias de dinheiro por meio de apostas. Com a ajuda de influenciadores digitais, como Sthe Matos, Kevi Jonny e Cristian Bell (eu só conheço essas criaturas de ouvir falar e sei que elas juntas acumulam e ostentam suas fortunas para milhares de seguidores imbecializados), o Fortune Tiger viralizou nas redes sociais e chamou a atenção das autoridades brasileiras.

Saiba mais porque o Jogo do Tigrinho é proibido no Brasil e o que aconteceu com os influenciadores que promoviam o jogo de azar responsável pelos problemas financeiros e emocionais de centenas de jogadores em nosso país.

Como funciona o jogo do Tigrinho?

O Fortune Tiger é um jogo de azar com temática inspirada no zodíaco chinês.
Para jogá-los, as pessoas devem se inscrever na plataforma, fazer depósitos de dinheiro e rodas as bobinas para apostar na roleta.

Vence a partida quem tiver a "sorte" de combinar 3 símbolos nas linhas de pagamento. Os valores de aposta vão de R$0,50 a R$600 a cada rodada. 
Segundo os sites dos cassinos on-line que disponibilizam o jogo do tigrinho, seu RTP (Return-To-Player) é de 96,96% — percentual que indica a probabilidade do jogador ter retorno do dinheiro apostado.
O Fortune Tiger foi lançado em 2022 pela PG Soft. A empresa estrangeira é fornecedora dos jogos de slots (caça-níqueis digitais) mais populares do Brasil, apesar do seu sistema do game ser hospedado no exterior e não possui registro ou representantes no país.

Ela também é a desenvolvedora de outros jogos que seguem a mesma lógica que a do Jogo do Tigrinho, como Fortune Rabbit (jogo do coelho), Fortune Mouse (jogo do rato), Fortune Gods (jogo dos deuses) e Fortune Ox (jogo do boi).

Quais são as falsas promessas por trás do jogo de azar?


Parte da propaganda do jogo do tigre está nas possibilidades de altos ganhos. A promessa se baseia no multiplicador de 10x da roleta e em rodadas bônus re-spin, o que elevaria até 2.500 vezes o retorno da aposta feita.
No entanto, há diversos relatos na internet acusando o jogo de não pagar os ganhos acumulados na roleta e de jogadores que ficaram viciados nas apostas do jogo, perdendo todas as suas economias.
O diretor da faculdade de direito da UFPR, Sérgio Staut Júnior, explica a ilegalidade cometida por games como o Fortune Tiger: 
"São jogos que não tem regulamentação aqui no Brasil. São considerados jogos ilegais, de azar, e muitas vezes esses jogos são em sites fora do Brasil. 
Já as bets elas têm uma regulamentação, tem uma lei que permite esse tipo de aposta, em que você aposta no resultado. Se vai ser positivo ou negativo para um time, se o sujeito fez um gol".
A legislação brasileira proíbe os jogos de azar no país desde 1946 pela gestão do general Eurico Gaspar Dutra. Recentemente, esse cenário sofreu algumas mudanças para diferenciar os jogos de azar das apostas dos jogos esportivos on-line.
A constituição classificava os jogos de azar em jogos cujo ganho ou perda dependam da sorte, apostas sobre corridas de cavalos e apostas sobre qualquer outra competição esportiva. Com a lei 13.756/2018, aprovada pelo ex-presidente Temer, as apostas esportivas passaram a ser enquadradas como loteria, o que é permitido no Brasil.

Divulgação dos influencers: a prática ilegal nas redes sociais


Grupo de Curitiba investigado por aliciamento do jogo do tigrinho: Reprodução Rede Globo
Nas redes sociais, há influenciadores digitais que se tornaram porta-vozes do jogo do tigrinho, ensinando como jogar, promovendo rifas eletrônicas e fazendo publicidade ao contar suas histórias de superação após fazerem apostas no game.

Nos discursos propagados em vídeos e imagens, o Fortune Tiger seria a fonte de renda desses tais famigerados "influencers", proporcionando uma vida luxuosa com direito a compra de carros de luxo, joias, mansões e viagens para paraísos como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A investigação da Polícia Civil descobriu a realidade por trás dos bastidores dessa ostentação. Segundo as autoridades da operação, os influenciadores praticavam uma ilegalidade ao divulgar o jogo do tigrinho nas redes sociais, atuando como aliciadores do esquema criminoso.
Conforme reportagem exibida dia 03 de junho, no programa Fantástico, da Rede Globo em Curitiba, quatro influenciadores com cerca de 1 milhão de seguidores chegavam a ganhar de R$ 5 mil a R$ 15 mil por campanha semanal, além do lucro obtido pelo cadastro de novos jogadores, de R$ 10 a R$ 30 por inscrição.

Pirâmide financeira: a investigação policial em andamento


A promessa de ganhos elevados nas redes sociais foi o que chamou a atenção dos policiais, que passaram a suspeita do esquema de pirâmide financeira. Na web, os vídeos de influenciadores ganhando R$ 250 em um clique e usando notas de R$ 100 para se abanar ganhavam milhares de curtidas e compartilhamentos.

A primeira operação policial, Quebrando a Banca, veio a público em setembro. A Polícia Civil do Maranhão fez buscas na casa da influenciadora Skarlete Mello, que divulgava o jogo do tigrinho no seu perfil e agora está sendo investigada por promover jogos de azar, loteria não autorizada, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
"Mais de R$ 1 milhão em dinheiro foi apreendido, tivemos a apreensão de pelo menos três veículos importados", 
afirma o delegado da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros. Outros 15 influenciadores já foram ouvidos pelas autoridades e o caso levou à a criação e implementação de uma lei que proíbe a divulgação das plataformas de jogos de azar no estado.

Implicação psicanalítica


Para Rosângela Casseano, psicóloga, terapeuta cognitivo-comportamental e CEO da PsicoPass, plataforma de atendimento psicológico on-line, a publicidade pode influenciar as pessoas a fazerem apostas esportivas: 
"muitas vezes, ela utiliza estratégias de persuasão para atrair os apostadores em potencial, destacando os benefícios e as possibilidades de ganhos. 
Embora a publicidade não seja restrita a uma faixa etária específica, é importante considerar que crianças, jovens e pessoas mais maduras podem ser impactadas de maneiras diferentes”.
E tem mais: 
“a influência do futebol, que é um esporte muito popular no Brasil, também tem contribuído muito para o aumento do interesse nas apostas esportivas. Algumas pessoas são atraídas pela emoção e pela adrenalina geradas ao jogar e outras veem nas apostas uma oportunidade de ganhar dinheiro rápido”, 
observa Rosângela, em entrevista concedida ao portal Universal.org.

Mas é claro que agir assim é perigoso. Rosângela esclarece que é possível se viciar em apostas: 
"esse vício é conhecido como ludopatia, considerado um transtorno do controle dos impulsos e está incluído na classificação de transtornos mentais da medicina. 
Embora não haja uma denominação específica para o vício em jogos on-line, ele pode ser comparado a outros tipos de dependência em razão de seus aspectos comportamentais e psicológicos".
Há sinais que evidenciam o vício, como explica Rosângela: 
"a dependência em jogos de aposta é caracterizada por um padrão de comportamento persistente e recorrente em que o indivíduo tem dificuldade em controlar ou interromper o ato de apostar, apesar das consequências negativas. 
Alguns sintomas comuns incluem necessidade de apostar com frequência crescente, irritabilidade quando se tenta parar de apostar e perda de interesse por outras atividades".
Ela afirma que existem também doenças que podem estar relacionadas ao vício em apostas, como ansiedade e depressão, e fala das consequências da dependência:

Jovem é presa suspeita de roubar R$ 179 mil
do avô para usar no Jogo do Tigrinho.
A suspeita negou o crime,
mas foi flagrada por câmeras de segurança
da agência bancária realizando as transferências,
caso aconteceu em Paraná.
"elas podem ser trágicas tanto para o indivíduo quanto para as pessoas ao seu redor. Situações como endividamento, perda de relacionamentos, problemas legais e comprometimento da saúde mental são exemplos dos possíveis efeitos negativos e incluem até o suicídio".
Ela afirma ainda que quem se vicia em apostas tem dificuldade em reconhecer que está nesta situação: 
"uma das razões é a negação. O vício em apostas pode gerar sentimentos de vergonha, culpa e estigma, o que dificulta a busca por ajuda. Além disso, a natureza do vício em jogos de aposta, muitas vezes, leva as pessoas a acreditarem que podem recuperar as perdas com mais apostas, o que pode agravar ainda mais o problema".

Não é investimento: é contravenção penal!


Se equivoca quem acredita que a aposta on-line é um investimento. 
"Os investimentos envolvem análise de dados, estratégias e conhecimento do mercado financeiro. Já as apostas esportivas dependem principalmente de sorte e de eventos aleatórios. 

É importante ressaltar que elas envolvem jogos de azar, o que significa que os resultados são imprevisíveis e que os apostadores estão sujeitos a perdas financeiras. 
A probabilidade de perder na maioria dos casos é maior do que a de ganhar, pois as casas de apostas têm uma vantagem estatística embutida em suas probabilidades"
diz.

Mas é possível vencer o vício. 
"O primeiro passo é reconhecer que existe um problema e buscar ajuda. Reconhecer os sinais precocemente pode ser extremamente útil, pois quanto mais cedo o tratamento for iniciado, maiores serão as chances de recuperação", 
finaliza.

Conclusão


Até 2025, não há obrigação legal para que essas empresas estejam hospedadas em domínios brasileiros. Depois de janeiro, as casas de apostas que quiserem estar adequadas à regulação terão que adotar o endereço ".bet.br".

É fácil hospedar o Jogo do Tigrinho a um site recém criado, uma vez que a desenvolvedora do jogo, a empresa baseada em Malta PG Soft, adota uma estratégia de distribuição baseada em parcerias e cobra comissão dos lucros pela licença de uso.

Assim, os cassinos on-line se disseminam pela rede mundial de computadores. Esses sites, em geral, atuam sob o modelo "white label", em que uma marca responde pela relação comercial com o cliente, mas todo o serviço é terceirizado.

Como evitar contas falsas e grupos indesejados nas redes sociais


No Instagram, é possível analisar e remover possíveis contas de spam. Para isso:
  • Toque na sua foto do perfil, no canto inferior direito;
  • Toque na sua lista de seguidores e em Possível spam;
  • Toque em Remover todos os seguidores que são spam e em Remover.
Também é possível denunciar contas suspeitas. Para isso:
  • Toque em "..." na parte superior direita da publicação;
  • Toque em "Denunciar";
  • Siga as instruções na tela
Já no WhatsApp, é possível restringir quem pode adicionar sua conta a grupos, além de também ser possível bloquear e denunciar contas ou mensagens.

Para concluir, recorramos à Bíblia

Mesmo sabendo dos perigos do envolvimento nessa jogatina perniciosa, ainda há muitos ditos crentes que têm a cara de pau de defender a participação nesse engodo digital (tem até os que dizem que é "uma porta aberta por Deus"). Mas, vejamos o que nos orienta a Bíblia:
  • 1 Timóteo 6:10 nos diz: 
"Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores."
  • Hebreus 13:5 declara: 
"Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque Ele (Deus) disse: 'Não te deixarei, nem te desampararei.'" 
  • Mateus 6:24 proclama: 
"Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas."
[Fonte: TecMundo, original por Bianca Seabra; Núcleo de Informações, original por Pedro S. Teixeira e Tamara Nassif; Folha Universal]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.

domingo, 23 de junho de 2024

DIRETO AO PONTO — "GOSTO MAIS DE BICHO DO QUE DE GENTE!" ESTE PENSAMENTO É CORRETO?

Eu sou funcionário numa grande rede de supermercados e a loja onde trabalho está localizada na região centro-sul, uma das regiões consideradas como "nobres", na grande Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.

No meu exercício laboral é comum, diariamente, observar duas realidades bem paralelas, porém, essencialmente opostas: de um extremo, pessoas que tratam seus cachorrinhos de raças como se gente fossem. 

No outro extremo, pessoas pedintes, integrantes da cada vez mais crescente população em situação de rua, que são tratadas com desprezo, indiferença, preconceito e descaso por seus semelhantes "da nobreza", os tais que tratam os seus lindos animaizinhos melhor que seus semelhantes.

Pois bem, essas duas realidades paralelas, porém opostas, me levaram a fazer uma análise do tema, inserindo com plausibilidade contextual, o mais recente imbróglio político/religioso/social referente à prática X a licitude na prática do aborto. É este o assunto de mais um capítulo da minha série especial de artigos "Direto ao Ponto".

Vamos analisar os extremos?


Muita gente (confesso que eu também) desabafa com a frase 
"Gosto mais de bicho do que de gente!".
Mas, se não acreditarmos no lado bom das pessoas, como poderemos acreditar que um dia a humanidade entenderá que os animais não estão aqui para nos servir?

Quem diz gostar mais de animais do que de seres humanos tem seus motivos. De fato, somos a única espécie que mata por prazer, que explora, tortura e destrói o próprio ambiente onde vive. 

A raça humana é uma espécie de câncer sobre a Terra, em uma análise mais radical do problema. Porém, não somos todos ruins. Na verdade, as pessoas nascem boas e tornam-se mais revoltadas e agressivas de acordo com o ambiente em que são criadas e se convivem com amor ou com ódio.

Há quem acredite que as pessoas não nascem boas e que já "vêm de fábrica" com a maldade embutida. Isso realmente é discutível, mas o que não se pode discutir é que exemplos de amor e compaixão são capazes de mudar até os corações mais duros. 

Dizer que você não gosta tanto de pessoas quanto gosta de animais só faz seus amigos e familiares pensarem que não têm valor para você, que não merecem seu voto de confiança. 

Para piorar, eles vão entender que você se acha superior e desconsiderar seus argumentos em prol dos animais. Uma vez que você não mais acredita na capacidade humana de melhorar, está desacreditando também que um dia haverá a tão sonhada abolição animal. Acreditar nas pessoas é ter energia para lutar também pelos animais não humanos.

De um lado a outro


Talvez a frase que consta no título deste artigo possa ser aparentemente inocente, tenha surgido da decepção de miutos com a degradação do comportamento humano. Há, porém, que se considerar os desdobramento desse conceito. 

Em 2013, um acontecimento em um parque público da região de Villa Groggia, em Veneza, foi parar nas manchetes de diversos jornais italianos: uma senhora solicitou às autoridades que as crianças fossem proibidas de brincar no local sob a alegação que de que pertubavam seu cachorro. O pedido foi acatado e crianças de 2 a 8 anos foram, de fato, proibidas de brincar ali.

Outro exemplo do que acontece quando a sociedade perde a mão é uma frase que se tornou comum entre os amantes dos felinos e chegou a virar estampa de camiseta:
"Nos livramos das crianças, o gato era alérgico."
Imagine o que aconteceria a uma lanchonete que criasse um hambúguer simulando o gosto e a textura de carne canina. Certamente amargaria tremendo boicote. 

Por outro lado, em 2014, o restaurante Terminus Tavern, em Londres, lançou um sanduíche "sabor carne humana", batizado de "hambúrguer canibal". 

Para dar um ar de realismo à coisa, os criadores afirmaram terem lido a declaração de um homem que praticava canibalismo descrevendo o sabor: uma mistura de carne suína, costela, vitela e fígado de frango. Alguma comoção? Algum protesto? Alguma manifestação de repulsa ou indignação? Não, absolutamente nenhuma! Ao contrário o tal bizarro sanduíche foi utilizado para promover a quinta temporada da icônica série "The Walking Dead", que tinha entre seus temas, justamente o canibalismo por parte de zumbis.

No artigo intulado O Projeto Tamar (2005), o jurista Ives Granda Martins afirma que, para alguns parlamentares brasileiros, as tartarugas são mais importantes do que os seres humanos.
"O denominado Projeto Tamar protege a vida das tartarugas desde 1980, com equipe especializada monitorando tdas as noites, de setembro a março, 1.100 praias no litoral, e de janeiro a junho, as ilhas oceânicas. Protege-se, desta forma, 14 mil ninhos, algo em torno de 650 mil filhotes. Quem destruir um único ovo de tartaruga, comete crime contra a fauna e poderá ir para a cadeia (Lei 9,605/93)",
diz o artigo.

Não é preciso dizer que o cidadão comum não tem a mesma proteção, porém o objetivo do jurista é traçar um contraponto com um projeto da deputada Jandira Feghali (PCdoB0, apresentado à época, em que um bebê pode ser abortado sob qualquer circunstancia e motivo até o último minuto antes do parto — ou seja, como podemos ver, essa polêmica acerca da legalidade X a licitude da prática do aborto não é nova. 
Se o ovo de tartaruga não ser destruído para preservação da espécie, por que um feto humano é tratado de forma diferente?
Para citar mais um exemplo, veja o artigo 49 da Lei 9605/98:
"Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em qualquer propriedade privada alheia: pena de detenção de três meses a um ano, ou multa, ou ambas as penas cumulativamente".
Segundo análise publicada no site Jusbrasil, essa lei considera crime ambiental o ato de destruir ou danificar mesmo quando não há intenção.

A desproporcionalidade quando se trata de direito humanos, animais e ambientais é latente, mas não é de hoje. 

Preserve o animal e sacrifique o humano!


No Antigo Egito, onde diversos anivmais eram adorados, as práticas religiosa envolvendo sacrifícios em seus rituais poupavam os animais, mas ofereciam seres humanos, preferencialemente crianças, por sua pureza, mas também adultos, desde que tivessem um físico perfeito. Sobre isso, o escritor inglês G.K. Chersterton (✰1874/✞1936), cunhou uma frase tão emblemática quanto real:
"onde quer que haja adoração a animais, ali haverá sacrifício humano".
Recentemente, o salvamento do cavalo denominado Caramelo de Canoas (RS) foi muito mais cobrado e comemorado do que os salvamentos das pessoas atingidas pela tragédia gaúcha. 

Também não é preciso dizer que as diversas pessoas que aguardarvam resgate sobre os telhados não causaram a mesma comoção.
É evidente que todos devemos cuidar do meio ambiente e dos animais e que as leis que os protegem acabam protegendo o mundo como um todo. Esse endeusamento demedido, porém, tem promovido a a desvalorização da vida humana, o que, por fim, coloca em risco o mundo todo.

Conclusão


Se você quer que as pessoas olhem com mais respeito para todos os animais, acredite nelas, acredite que elas podem melhorar neste sentido assim como você melhorou um dia e lembre-se que muitas pessoas são mais desenvolvidas que você em diversos outros aspectos da vida.

Um bom exemplo de bondade e o exemplo de compaixão humanos podem fazer com que tenhamos uma convivência pacífica entre todas as espécies. Defender a prática indiscriminada do aborto, num discurso pra lá de frágil sobre os direitos da mulher ao seu próprio corpo, ao mesmo tempo que se trata de animais com regalias e privilégios, mais do que uma inversão total de valores é uma total indiferença aos princípios divinos em relação a ambos. Pessoas mais sensíveis aos problemas sociais estão a um passo de se sensibilizarem com a causa animal (e vice-versa). Está tudo interligado.

[Fonte: Vista-se - Portal Vegano; Folha Universal, original por Patrícia Lage/Jornalista; Jusbrasil]

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  • O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.
E nem 1% religioso.

domingo, 2 de junho de 2024

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES — "WHAT A WONDERFUL WORLD", LOUIS ARMSTRONG

Após um longo hiato e atendendo aos pedidos de muitos dos seguidores do blogue Circuito Geral, trago um novo capítulo da minha série especial de artigos "Canções Eternas Canções". A música escolhida para este retorno, é uma das mais lindas e emocionantes baladas de todos os tempos. A icônica 'What A Wonderful World', interpretada pelo também icônico cantor e trompetista de jazz, o norte-americano Louis Armstrong (✞1971).

Além de uma melodia emocionante, essa belíssima canção tem uma letra inspiradora, cuja composição traz uma mensagem de esperança que todos têm: a de um mundo melhor. Inclusive, na época da recente pandemia mundial de covid-19, essa canção foi entoada como, justamente uma mensagem sonora de esperança, na tentativa de amenizar o pânico coletivo que a ameaça mortal do vírus invisível causou em nível mundial. 
E é muito triste a gente constatar que, passada a pandemia, a mensagem da música continua sendo nada mais que uma utopia poética, pois, o mundo continua sendo tudo, menos um lugar maravilhoso (ou mesmo ideal) para se viver.

Sobre o intérprete


Quem foi Louis Armstrong


Figura central para o jazz norte-americano, Louis Armstrong nasceu no dia 4 de agosto de 1901 em Luisiana, nos Estados Unidos. 

De origem pobre, o menino foi criado pela mãe (Mayann) e precisou abandonar a escola cedo para ganhar a vida.

Carreira


O lendário cantor e trompetista de Nova Orleans Louis "Satchmo" Armstrong fazia discos desde 1923, mas em fevereiro de 1968, aos 66 anos, ele lançou "What A Wonderful World", que se tornaria a canção mais vendida de sua carreira.

Foi trabalhando para a família Karnofsky que o jovem conseguiu juntar dinheiro para comprar a sua primeira corneta. Na véspera do ano-novo de 1912, Louis foi preso e mandado para uma casa de correção. Foi lá que aprendeu propriamente a tocar corneta com rigor e disciplina.

Tornou-se líder da Brass Band da Waif e virou músico profissional. Armstrong recebeu o apadrinhamento de Joe "King" Oliver, o maior cornetista da cidade, e assim foi começando a trabalhar, tocando especialmente em barcos.

Em 1922, o padrinho Oliver pediu que Armstrong se juntasse a sua banda em Chicago. No ano a seguir já começaram a gravar discos juntos. Foi na banda que o músico conheceu aquela que viria ser sua esposa, Lillian Hardin, a pianista de Oliver. A pedido da esposa, em 1924, Louis começou desenvolver uma carreira solo.

Embora conhecido como um dos pioneiros do jazz no estilo Dixieland na década de 1920, Armstrong não era um estranho nas paradas pop dos anos 1960, tendo liderado o Hot 100 da Billboard com o single vencedor do Grammy, "Hello, Dolly", em 1964. Mas 'What A Wonderful World' era muito diferente do que ele havia feito antes; uma balada pop lenta que capturou Armstrong em um raro humor reflexivo. 
Com sua voz áspera e desgastada, ele cantou uma canção de esperança, com menos de três minutos de duração, que parecia ressoar com as pessoas em todos os lugares. O que tornou sua atuação magnética foi sua pungência: era como se Armstrong, que estava em seus anos de crepúsculo e sofrendo de um problema cardíaco, estivesse dando uma última olhada apreciativa na vida e fazendo um balanço das coisas simples que a maioria das pessoas considera naturais.

A letra

I see trees of green,
Red roses too
I see them bloom
For me and you
And I think to myself,
What a wonderful world

I see skies of blue
And clouds of white,
The bright blessed day,
The dark sacred night
And I think to myself,
What a wonderful world

The colors of the rainbow
So pretty in the sky
Are also on the faces
Of people going by
I see friends shaking hands,
Saying: 'How do you do?'
They're really saying
'I love you'

I hear babies crying,
I watch them grow
They'll learn much more,
than I'll never know
And I think to myself,
What a wonderful world

Yes, I think to myself,
What a wonderful world

A tradução

Vejo árvores verdes
Rosas vermelhas também
Vejo-as florescer
Para mim e para você
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso

Eu vejo o céu azul
E nuvens brancas
O abençoado dia claro
A sagrada noite escura
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris
Tão bonitas no céu
Estão também nos rostos
Das pessoas a passar
Eu vejo amigos se cumprimentando
Dizendo: 'Como você vai?'
Eles estão realmente dizendo
'Eu te amo'

Eu ouço bebês chorando
eu os vejo crescendo
Eles vão aprender muito mais
do que eu jamais vou saber
E eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso

Sim, eu penso comigo mesmo
Que mundo maravilhoso

Conhecendo a história da canção


Lançada como single em 1968, a música 'What A Wonderful World' ficou consagrada na voz rouca do cantor de jazz norte-americano Louis Armstrong. A composição, no entanto, não é de sua autoria, trata-se de uma criação feita em parceria entre Bob Thiele (✰1922/✞1996) e George David Weiss (✰1921/✞2010).
Quando lançada pela primeira vez, durante o outono de 1967, o intuito era acalmar os ânimos exaltados devido a conflitos sociais, políticos e raciais nos Estados Unidos.
'What A Wonderful World', portanto, foi escrita em 1967 por George David Weiss junto com George Douglas, um pseudônimo de Bob Thiele, produtor de Armstrong na ABC Records. 
Em seu livro de 2005, "What A Wonderful World: A Lifetime Of Recordings" (que eu saiba, sem tradução para o português), Thiele disse que a canção pretendia ser um antídoto tranquilizador para os crescentes problemas que os Estados Unidos enfrentavam no final dos anos 60; uma época definida pelo que ele descreveu como 
"o aprofundamento dos traumas nacionais do assassinato de Kennedy, Vietnã, conflito racial e turbulência em toda parte".
Os compositores Thiele e Weiss e escolheram:
"...o embaixador perfeito para restaurar as relações entre pessoas brancas como eles e a comunidade afro-americana".

Sobre o lançamento da música

As polêmicas, os perrengues


Capa do single original, lançado pela ABC Records.
Depois de ouvir a fita demo de Thiele para 'What A Wonderful World', Armstrong fez questão de gravar a música, mas Larry Newton, o presidente da ABC, supostamente odiou e vetou a ideia. 

Apesar dos protestos de Newton, Armstrong secretamente começou a gravar a música em Las Vegas imediatamente após um show lá em setembro de 1967. Seus vocais foram gravados ao vivo com uma orquestra, mas a sessão não correu bem: duas tomadas foram apagadas após apitos altos trens de carga foram captados pelos microfones do estúdio.

Mas esse não foi o único problema que Armstrong enfrentou. Larry Newton tinha vindo a Las Vegas para tirar algumas fotos promocionais do cantor-trompetista e, quando soube da sessão de gravação, tentou desligá-la. Thiele acabou deixando-o de fora, mas Newton vingou-se ao recusar promover o single quando foi lançado na América.

Lembramos que Armstrong não era nenhum garoto quando a canção foi gravada. O cantor já havia completado 66 anos quando recebeu de presente a música composta por Thiele e Weiss especialmente para ele.

Tanto Thiele quanto Weiss eram nomes conhecidos no universo da música americana. Thiele foi produtor da gravadora ABC Records e Weiss ajudou a compor uma das versões da famosa "The Lion Sleeps Tonight", com o grupo The Tokens.

O single que abrigava What a wonderful world foi lançado durante um período político bastante delicado. A população norte-americana temia uma guerra civil e a escalada de violência era evidente nos ataques a lojas judaicas.

A recepção


Apesar de ter sido divulgada nos Estados Unidos, a música interpretada por Armstrong não fez muito sucesso inicialmente na América. Como visto acima o imbróglio, o diretor da gravadora não gostou da canção e praticamente não a promoveu.

Embora tenha fracassado no país natal de Armstrong, em outros lugares do mundo, especialmente na Europa, 'What A Wonderful World' foi um enorme sucesso; alcançou o primeiro lugar no Reino Unido, onde vendeu 600.000 cópias na época.

Em 1988, a música voltou às paradas quando sua aparição na trilha sonora do filme de sucesso "Good Morning Vietnam (Bom dia, Vietnã)" chamou a atenção de uma nova geração de ouvintes. Onze anos depois, foi incluído no Grammy Hall of Fame. Desde então, uma grande variedade de versões de covers  — de Tony Bennett (✰1926/✞2023) a Joey Ramone (✰1951/✞2001) e Celine Dion a Flaming Lips — ajudaram a consolidar o estatus de ícone de 'What A Wonderful World'.











'What A Wonderful World'
veio a estourar primeiro do outro lado do oceano, no Reino Unido, e depois regressou ao seu país de origem já como um hit. Aqui no Brasil, ela foi incluída na trilha sonora internacional da novela "Vamp", de Antônio Calmon, exibida pela Rede Globo, na faixa das 19 hora, entre 1991 e 1992.

Análise da letra

A composição criada por Thiele e Weiss pretende mostrar o que há de belo na vida e muitas vezes passa despercebido diante da pressa da nossa rotina. Os músicos chamam a atenção para detalhes simples do nosso cotidiano como as cores do céu, das árvores, do arco-íris e deixam claro para o ouvinte que a beleza pode ser encontrada nas miudezas do dia-a-dia.

Com um olhar extremamente otimista e solar, o que a canção faz é tentar mostrar o "copo meio cheio", as coisas boas da vida, a perspectiva solar do planeta. A letra começa transmitindo as cores e a beleza da natureza,
"I see trees of green, (Vejo árvores verdes)
Red roses too (Rosas vermelhas também)...
A natureza mencionada na canção é aquela que podemos encontrar no nosso cotidiano, passeando na rua, olhando para a vitrine de uma floricultura qualquer. Thiele e Weiss escolhem elementos muito banais e corriqueiros, justamente para demonstrar que todos temos acesso a eles, basta ter olhos para ver.

O eu-lírico observa então o processo de crescimento da natureza, o ciclo da vida, do desenvolvimento das plantas. Como sabe que a maior parte das pessoas não se dá conta desses pequenos milagres cotidianos, ele sublinha que repara na beleza em seu próprio nome, mas também em nome dos outros:
...I see them bloom (Vejo-as florescer)
For me and you (Para mim e para você)
And I think to myself, (E eu penso comigo mesmo)
What a wonderful world (Que mundo maravilhoso)...
Além de enfatizar as exuberâncias da natureza, do amadurecer da vida, e de passar em revista as belezas do clima (o céu azul, as nuvens brancas, o arco-íris colorido), a canção norte-americana sublinha os encontros do ser humano, a comunhão entre os amigos, a partilha entre as pessoas que se querem bem:
...see friends shaking hands, (Eu vejo amigos se cumprimentando)
Saying: 'How do you do?' (Dizendo: 'Como você vai?')
They're really saying (Eles estão realmente dizendo)
'I love you' ('Eu te amo')...
Além de olhar para o presente e encontrar beleza no aqui e no agora, o eu-lírico mira o futuro. Ele repara nos bebês e observa o privilégio de poder assistir o crescimento e o amadurecimento das próximas gerações, que irão produzir muito mais progressos do que a nossa:
...I hear babies crying, (Eu ouço bebês chorando)
I watch them grow (eu os vejo crescendo)
They'll learn much more, (Eles vão aprender muito mais)
than I'll never know (do que eu jamais vou saber)...

Conclusão


Cartaz original do filme Good Morning Vietnam.
Em síntese, a música cantada por Armstrong é extremamente solar, otimista, positiva e transmite sobretudo uma mensagem de amor, de esperança e de crença em dias melhores.

A música 'What A wonderful World' ganhou maior visibilidade na América após ter sido usada como trilha sonora no filme "Good Morning Vietnam" (foi, inclusive, através desse filme, que eu a conheci), do diretor Barry Levinson e estrelado por Robin Willians (✰1951/✞2014).

O uso da música como tema de fundo em um filme que tratava de uma violenta guerra era evidentemente uma forma sarcástica de provocar a audiência.

Trilha sonora do filme "Madagascar"


Lançado em junho de 2005, o filme de animação "Madagascar", também  trouxe a clássica música de Armstrong como trilha sonora. 'What A Wonderful World' ilustra as aventuras do leão Alex com os seus amigos Marty (a zebra), Melman (a girafa) e Gloria (a hipopótamo).

Gravação feita em 1967


Agora, sem dúvida alguma, uma das primeiras apresentações da música estrelada por Louis Armstrong, que se encontra-se gravada e está disponível no YouTube é uma das melhores. Trata-se de uma pérola de 1967, quando a canção havia sido recém-lançada. Por essas e por outras, 'What A Wonderful World' está aqui merecidamente registrada como uma eterna canção.

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

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