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terça-feira, 18 de janeiro de 2022

GRAMOFONE — "BOY", U2: QUATRO DÉCADAS DO COMEÇO

Capa original do álbum "Boy", do U2, Island Records Ltd, 20 de outubro 1980
Aqueles que acompanham com frequência as minhas postagens aqui no blog, já devem ter lido algum capítulo da série especial de artigos "Discos Que Eu Ouvi". Ao longo dos oito anos em que criei essa página, são 62 capítulos escritos para essa série especial. Foram minhas análises, resenhas e críticas sobre discos dos mais variados estilos musicais, aos quais eu ouvi durante minha vida.

Pois bem, a partir desse artigo, a série passa a se chamar "Gramofone". Entretanto, a única coisa que muda é mesmo o título, mas a essência e o objetivo irão continuar os mesmos. Você, amado(a) leitor(a) que tem acompanhado a outra série, pode continuar a fazê-lo. 

Eu ainda tenho muitos discos sobre os quais falar, contudo, sempre é tempo de fazer alguma mudança, ainda que seja mesmo só — no caso em questão — no título. O nome da série mudou, sua identidade, contudo, não. Antes de entrar no texto que abre essa nova fase, vamos a uma breve explicação sobre o título.

O que é Gramofone?


No dia 8 de novembro de 1887, o alemão Emil Berliner (☆1851/♰1929) obteve a patente do gramofone. A criação foi realizada nos Estados Unidos, para onde Berliner havia imigrado. 

O mundo já havia conhecido o sistema de gravações de sons em cilindros, mas a grande novidade foi trazida pelo gramofone, que acabou se consagrando e oferecendo a base para a indústria fonográfica.

A música passou a ser vendida e o seu formato era o disco. A matriz era feita de cera, goma laca, vinil, cobre ou acetato, onde as vibrações sonoras eram gravadas por uma agulha. 

Os impulsos, por meio de uma lâmina, chegavam ao disco através de uma agulha. Com a emissão do som, o ar movimentava-se vibrando a lâmina, que fazia a agulha riscar, em forma de ondas, a superfície do disco que estava girando.

De forma inversa, uma agulha, em contato com o sulco já riscado, sentia e transmitia as vibrações para uma corneta, que emitia o som. Na época, os alto-falantes ainda não tinham sido inventados. O processo não envolvia eletricidade: as gravações eram baseadas em um modelo mecânico acústico.

Feitas as apresentações do Gramofone, passemos ao disco.

"Boy", U2


U2, em foto atual — da esquerda para a direita: Larry Mullen Jr., bateria;
Bono Vox, vocal; Adam Clayton, baixo e The Edge, guitarra
É comum no rock/heavy metal o disco de estreia ser considerado o melhor ou mais importante das principais bandas; a maioria delas até supera o disco inicial tanto em vendas como em qualidade nos álbuns seguintes, mas o debut tem sempre aquele charme diferente.
 
É o caso do U2. A banda se tornou gigante em meados dos anos 80 com álbuns como "War" (escrevi artigo sobre ele ➫ aqui) e "The Joshua Tree" (escrevi sobre este também ➫ aqui), e hoje, assim como outros, já é uma verdadeira instituição musical, é algo muito maior que uma banda de rock, mesmo com seus altos e baixos, é difícil não ter o U2 como uma das grandes referências na música internacional.

"Boy" é o álbum de estreia de uma das maiores bandas dos últimos quarenta anos. Lançado em 20 de outubro de 1980, é o primeiro álbum da icônica banda de rock irlandesa U2. Seria produzido por Martin Hannett, mas antes de iniciar o trabalho ele desistiu, perturbado com a recente morte por suicídio de Ian Curtis (☆1956/♰1980) do Joy Division.

Foi quando Steve Lillywhite assumiu a produção. Em geral, o álbum recebeu resenhas positivas. Paul Morley, da NME, chamou "Boy" de 
"honesto, direto e distinto", 
enquanto Betty Page da Sounds apelidou o U2 de 
"jovens poetas do ano". 
Lyndyn Barber, do Melody Maker, saudou-o como um álbum "rico", escrevendo que
"'Boy' é mais do que apenas uma coleção de boas faixas montadas em uma ordem arbitrária", 
e que tinha 
"inocência e confusão juvenil".

O início de tudo


O U2 em 1980: Clayton e Vox (frente), Mullen e Edge (fundo)
Não passa de mais uma banda punk irlandesa. Assim um crítico musical inglês classificou o U2 após um show em Londres no finalzinho de 1979, quando o quarteto tinha somente uma demo com quatro músicas circulando pelo Reino Unido.

Alguns meses depois, o álbum "Boy" chegava às lojas com uma recepção bem fria na capital inglesa e em Dublin, a cidade natal.

O som mudara um pouco, ainda continha resquício de punk rock, mas já apontava para outros caminhos, incorporando elementos do hard rock e do pop e até mesmo do rock progressivo, com a medieval e climática 'An Cat Dubh'.

Há quatro décadas atrás o U2 era uma banda em busca de um som, como tantas e tantas surgem todos os dias.

Ambiciosos e corajosos, achavam que poderiam escrever uma nova página do rock, mas não contavam com a astúcia do Clash, que destruía tudo lançando o ábum "London Calling" em dezembro de 1979.

Ali os ingleses começavam a abandonar o punk e a mergulhar no reggae, no pop norte-americano e nas experimentações eletrônicas, entre outras coisas. Como fazer algo diferente depois daquilo?

Qualquer músico punk ou pós-punk ficou tenso depois que o Clash estabeleceu novos parâmetros. Tal qual quando do lançamento de "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" (escrevi sobre este disco ➫ aqui), dos Beatles, em 1967, todo mundo parou e refletiu sobre os novos caminhos a seguir.

"A guitarra é o caminho", 
decidiu a banda, e então The Edge iniciou a jornada em busca de seu timbre e seu som. E o U2 começou a mostrar que um som punk poderia casar com algo mais versátil e mas pesado.

"Boy" não foi um divisor de águas, nem um disco de estreia marcante. Teve o mérito de conter 'I Will Follow', um clássico da new wave nascente daquele periodo, mas foi só. Conseguiu posições medianas nas paradas de sucesso inglesas, embora tenha se tornado um hino para os fãs.

Como álbum de estreia do U2, apresentou boas ideias e algumas tendências, além de coragem para fazer canções difíceis como a já citada 'An Cat Dubh' ou 'Another Time, Another Place'.

O conceito do disco


Alguns indícios de messianismo de Bono Vox, o vocalista, podem ser apreciados na potente 'Twilight' ou na balada pungente 'Shadows and Tall Trees'. O punk está lá, com 'The Electric Co.', uma canção ganchuda que certamente inspirou bandas como Green Day 15 anos depois. 

A mistura de rock de arena com hard rock aparece em 'Stories For Boys' e na intensa 'Out of Control', provavelmente a melhor do disco. Ainda que não tenha estourado e catapultado a banda, "Boy" mostrou que o pós-punk tinha alternativas e que dava pra fazer boa música sem ser original ou bombástico. Esse álbum e o próximo, "October", de 1981, tiveram praticamente a mesma gênese e procuravam estabelecer um conceito.

A capa

Polêmica inútil


Peter Rowen na foto da capa de "Boy",
atualmente e aos 14 anos, na foto da capa de "War"
Houve um tempo em que reconhecer o garoto na capa de discos do U2, identificava o nível de fanatismo pela banda.

A capa americana era uma foto de alto contraste dos quatro membros da banda, esticados e amontoados. Nada na capa faz sentido. Não refletia a música e nem o título.

Os membros do U2 eram apenas garotos de 18 e 19 anos de idade, quando entraram em estúdio para gravarem o disco "Boy". Mas qual o motivo da polêmica com uma inocente capa trazendo a foto de um garoto?

Crianças e sexualidade (particularmente a homossexualidade) eram um tema quente no ciclo de notícias na época. Alguns pensavam que os homossexuais eram pedófilos, um estereótipo malicioso perpetuado pelo movimento anti-gay de 1977 "Save Our Children" de Anita Bryant. 

Graças a lei das consequências não intencionais, os esforços de Bryant para derrubar leis impedindo a discriminação contra os gays deram origem a NAMBLA, uma organização fundada em 1978 com o objetivo de acabar com 
"a opressão extrema de homens e rapazes em relacionamentos mutuamente consensuais."

Então em 1980, uma capa de um álbum, apresentando um garoto com o peito nu e contendo canções como 'Stories For Boys' fez a gravadora do U2, a Island, nos EUA mudar a capa original. Adam Clayton relembra a história:

A capa de "Boy" veiculada nos EUA
"Houve uma controvérsia sobre a capa do álbum na América. Eu não sabia o que a palavra 'pedófilo' significava. Provavelmente foi a primeira vez que ouvi. 
E não entendia o conceito de homo-erotismo para aquilo. Foi explicado para mim que havia gente que gostava de fazer sexo com crianças, e que as imagens de Peter Rowen (irmão de uma amigo dos integrantes da banda) na capa poderiam ser interpretadas como algo sexual. 
Então, obviamente, quando pessoas colocam desta forma, parecia algo justo de se fazer. Assim mudamos a capa para uma foto estranhamente abstrata de nós, colocada através de uma fotocopiadora e esticada."
A foto original não foi completamente abandonada para esta versão, e acabou sendo colocada no encarte do álbum.

Rowen novamente sem camisa, foi colocado em 1983 na capa de "War", desta vez sem nenhuma polêmica ou controvérsia. E quando "Boy" foi re-lançado em 2008 nos EUA, a capa original foi restaurada.

Peter Rowen, além de "Boy" e "War", ainda estampou as capas do "U2-3", "The Best Of 1980-1990" e recebeu do U2 barras de chocolate como forma de "pagamento". Além disso, Peter (que é irmão do Guggi, melhor amigo do Bono desde a adolescência) também aparece no clipe da música 'Two Hearts Beat As One'.

O "menino" cresceu e virou fotógrafo profissional. Ele já teve algumas oportunidades de fotografar shows do U2 e não foi diferente na mais recente turnê da banda, a 360°. Inclusive a foto da capa do U22 — álbum duplo exclusivo para assinantes do U2com — é de autoria do Peter.

Vamos ao faixa a faixa de "Boy"


Contracapa do álbum

'I Will Follow' — É apropriadamente a primeira música do primeiro álbum, ela deu ao U2 seu primeiro gostinho de sucesso no mainstream. 

É a faixa mais forte do álbum, com uma bateria e um baixo marcante, os riffs da guitarra do Edge é um dos mais conhecidos do U2 e que virariam sua marca registrada, herança do punk dos anos 70. 

A letra sobre algo muito pessoal e forte, a relação do Bono com sua mãe, que morreu quando ele tinha 14 anos. 

Os sons de percussão enigmáticos e a batida dançante fornecem a base perfeita para essa canção que se tornou um dos grandes sucessos do U2 dos anos 80 e que até hoje agita o público nas apresentações ao vivo da banda.

'Twilight' — Com uma temática que remete a entrada na adolescência, o jovem protagonista nesta canção relata as crises de identidade que permeia a mente dos adolescentes. É uma canção pop bem trabalhada, possui uma atmosfera e arranjo que permitiu ao Edge mostrar sua versatilidade. 

Ele mostrou um estilo que seria imitado por muitos guitarristas posteriormente. O baixo do Adam também se destaca, conversa com guitarra do Edge a música inteira num diálogo perfeito. Há elementos do pós-punk e até um solo prolongado e estridente.

'An Cat Dubh' — Nessa canção vemos o perfeito casamento entre letra e melodia na criação de uma atmosfera de sedução que revela, alegoricamente, o florescimento da sexualidade do jovem Bono. Adam Clayton cria uma linha de base que dá sensualidade para a canção, enquanto Edge incensa o ambiente. 

Já Bono começa a mostrar sua criatividade como letrista ao usar uma metáfora para abordar o assunto. Assim como no ato sexual, a canção começa lenta e vai crescendo até atingir seu ápice no fim com um belo solo do Edge. Com todos esses elementos juntos eles exploram os mistérios do sexo. Curiosidade: o título dessa canção é a frase gaélica para "o gato preto".

'Into The Heart' — É a continuação da faixa anterior, mas o ritmo muda, serena, o efeito chorus na guitarra do Edge e o baixo do Adam agora são melancólicos, criam o cenário perfeito para Bono cantar os sentimentos de infância que ele não estava pronto para perder. 
Por fim vem o refrão acelerado que é quase um grito de desespero: 
"Dentro do coração, dentro do coração de uma criança. Eu não posso voltar. Eu não posso ficar...".
'Out Of Control' — Nessa letra Bono escreve sobre seus 18 anos e uma preocupação precoce com a crise existencial provocada pela certeza que um dia morremos. Provavelmente porque aos 14 anos, quando sua mãe morreu, esse tema ficou tatuado na sua alma. 

'Out of Control' é, ao lado de 'I Will Follow', a música mais punk-rock do "Boy". É enérgica, os ganchos de guitarra atraentes e afiados do Edge combinam com a base rítmica e sólida fornecida por Adam e Larry. Foi uma ótima escolha para balancear com as duas anteriores. 

As linhas cantadas pelo Bono é apoiada brilhantemente pelos riffs do Edge, que dão textura e complementam a voz do Bono (ao invés de roubar os holofotes desnecessariamente), o que virou uma marca da banda. 

A identidade única da banda é palpável nesta faixa e o carisma de Bono é manifesto. E, em meio a toda a fúria dessa canção, há uma pausa silenciosa construída para o tipo de explosão que Bono induziria na platéia, a famosa calmaria que precede a tempestade, no caso, de euforia.

'Stories For Boys' — As harmonias emocionantes e poderosas desta canção destacam a capacidade indiscutível da banda de escrever canções. O charme juvenil e cativante dos vocais do Bono, as linhas de baixo melódicas e impulsivas (inventadas por Peter Hook do Joy Division), os riffs apropriados para a letra criado pelo Edge e a bateria marcante do Larry fazem dessa canção um dos destaques do álbum. 

A letra é sobre histórias de heróis para garotos que, ao que tudo indica, era um hobby do Bono. Há um vídeo imperdível do U2 tocando essa música no programa "The Late Late Show", em 1980 (veja ➫ aqui).

'The Ocean' — Uma canção de experimentação, mais uma para quebrar o ritmo das canções agitadas do álbum. Aqui vemos o jovem Bono demonstrando seu amor aos escritores clássicos ao mencionar o famoso romance de Oscar Wilde (☆1854/♰1900), "The Picture of Dorian Gray". 

Nessa canção Edge, Adam e Larry criam uma sonoridade cinematográfica nebulosa, com sons de água, para ambientar a cena existencial que o Bono escreveu nessa letra. Quase sentimos os pés molhados pensando em Oscar Wilde.

'A Day Without Me' — Foi o primeiro single lançado do álbum "Boy", o quarto single do U2 no geral. Foi também o primeiro single do U2 a ser lançado fora do Reino Unido e Irlanda, desempenhou um papel fundamental para lançar a banda nos Estados Unidos. 

A letra dessa música é sobre o afastamento de alguém, uma pessoa que deixou o mundo para trás, refletindo sobre como seria o mundo sem sua presença. Muitos chegaram a acreditar que essa letra era sobre a morte de Ian Curtis, que morreu em maio de 1980, mas há registros que a banda cantou essa música em Dublin, em fevereiro de 1980, musical e liricamente inalterada em relação ao seu formato de lançamento. 

Na sonoridade se destacam a bateria do Larry, com batida forte e marcante, e os riffs do Edge com delay na guitarra, que criam um ambientação etérea e agradável.

'Another Time, Another Place' — Uma batida marcial forte e um riff gelado dão força a essa música agressiva, que, segundo o Bono, é sobre 
"sexo em Dublin quando era adolescente. É sobre encontrar um lugar onde você possa estar com sua namorada, o que foi um problema real na época".
É a angústia adolescente apresentada como um desfile militar. Mais um registro dos impecáveis e certeiros do riffs e solos de guitarra do Edge, que mostrou já no primeiro álbum o que se tornaria a marca registrada da sonoridade da banda.

'The Electric Co.'  — Esta música é sobre terapia de convulsão elétrica ("electric convulsion therapy"), que era dada a pacientes mentais em hospitais públicos da Irlanda. E aconteceu com um amigo da banda, então eles escreveram uma música raivosa sobre isso... 
"Se você não conhece, 'Electric Co.'"
E eles conseguiram expressar essa raiva de forma magistral nessa música. Outra marca registrada da sonoridade do U2 já surge nessa canção, que são essas partes ("bridge") em que os instrumentos parecem fazer um intervalo, mais "serenos", a fim de criarem a tensão necessária para o refrão final. 

Os riffs estridentes e nervosos do Edge junto com a bateria acelerada e forte do Larry criaram o ambiente perfeito para o Bono soltar sua voz com fúria e força, em alguns momentos até soou como um tenor. Aliás, não por acaso, Bono fazia snippet de 'Send In The Clowns' durante as apresentações ao vivo. Com essa canção a veia pós-punk do U2 ficou exposta.

'Shadows And Tall Trees' —  O título foi tirado do livro "Lord Of The Flies", de William Golding (☆1911/♰1993), cujo quinto capítulo leva o mesmo nome. A música e o álbum são sobre infância, inocência e conflitos, assim como o livro de Golding. 

A mensagem que permeia o "Boy" é a natureza psicológica da transição da infância e adolescência para a idade adulta, na qual se perde a inocência. A canção que encerra esse belíssimo álbum traz um violão acústico acompanhado de uma bateria cadenciada, forte e repleta de eco.

Conclusão


Quanto à recepção nas paradas de sucesso, na lista da Billboard 200 o álbum "Boy" alcançou a posição número #63. No Reino Unido atingiu a posição de número #52. O álbum terminou na #18 posição no "Melhores Álbuns" na lista da revista The Village Voice, dos críticos da enquete Pazz & Jop. 

E o tempo se encarregou de fazer justiça com o "Boy", dando-lhe justo reconhecimento por sua importância não só para o U2, mas para o mundo do rock. Em 2003, o álbum ficou na posição #417 na lista dos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos". 

Num artigo de 2013, a revista Rolling Stone considerou o "Boy" como um dos 100 melhores álbuns de estreia de todos os tempos. Por fim, a Uncut classificou o Boy no número #59 na sua lista dos "100 Greatest Debut Albums". Uma curiosidade: Boy é o único álbum do U2 que todas as músicas (assim como os B-sides) foram tocadas ao vivo pelo menos uma vez.

Essa é a leitura que faço sobre "Boy", álbum com influência do pós-punk, sincero, forte e com hits que — mesmo não tendo sido todos comerciais e/ou radiofônicos — viraram clássicos e iniciaram dignamente a jornada daquela que seria umas das maiores bandas de rock do mundo, U2. 

Prova disso é que após 40 anos o álbum "Boy" ganhou destaque nas principais listas das revistas especializadas. Acho que vale a pena ouvir o disco novamente atentando para todos esses detalhes, até é sempre um prazer ouvir esse grande álbum do U2.

[Fonte: U2 Brasil, original por Suderland Guimarães; U2 - Sombras e Árvores]

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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

BIOGRAFIA DOS HERÓIS E HEROÍNAS DA FÉ — JORGE MÜLLER (☆1805/♰1898)

"Pela fé, Abel... Pela fé, Noé... Pela fé, Abraão..."
As­sim é que o Espírito Santo conta as incríveis proezas que Deus fez por intermédio dos homens que ousavam confiar unicamente nele. Foi no século XIX que Deus acrescentou o seguinte a essa lista: 
"Pela fé, Jorge Müller levantou or­fanatos, alimentou milhares de órfãos, pregou a milhões de ouvintes em redor do globo e ganhou multidões de almas para Cristo".  

O pai dos órfãos e das viúvas


Jorge Müller nasceu em 1805, de pais que não conhe­ciam a Deus. Com a idade de dez anos, foi enviado a uma universidade, a fim de preparar-se para pregar o Evange­lho, não, porém, com o alvo de servir a Deus, mas para ter uma vida cômoda. 

Gastou esses primeiros anos de estudo nos mais desenfreados vícios, chegando, certa vez, a ser preso por vinte e quatro dias. Jorge, uma vez solto, esfor­çava-se nos estudos, levantando-se às quatro da manhã e estudando o dia inteiro até as dez da noite. Tudo isso, po­rém, ele fazia para alcançar uma vida descansada de pre­gador.

Metanóia (Romanos 12:2)!


Aos vinte anos de idade, contudo, houve uma completa transformação na vida desse moço. Assistiu a um culto onde os crentes, de joelhos, pediam que Deus fizesse cair sua bênção sobre a reunião. Nunca se esqueceu desse cul­to, em que viu, pela primeira vez, crentes orando ajoelha­dos; ficou profundamente comovido com o ambiente espi­ritual a ponto de buscar também a presença de Deus, cos­tume esse que não abandonou durante o resto da vida.

Foi nesses dias, depois de sentir-se chamado para ser missionário, que passou dois meses hospedado no famoso orfanato de A. H. Frank. Apesar de esse fervoroso servo de Deus, o senhor Frank, ter morrido quase cem anos antes (em 1727), o seu orfanato continuava a funcionar com as mesmas regras de confiar inteiramente em Deus para todo o sustento. 

Mais ou menos ao mesmo tempo em que Jorge Müller hospedou-se no orfanato, um certo dentista, o se­nhor Graves, abandonou as suas atividades que lhe davam um salário de 7.500 dólares por ano, a fim de ser missioná­rio na Pérsia, confiando só nas promessas de Deus para su­prir todo o seu sustento. Foi assim que Jorge Müller, o novo pregador, recebeu nessa visita a inspiração que o le­vou mais tarde a fundar seu orfanato sobre os mesmos princípios.

Logo depois de abandonar sua vida de vícios, para an­dar com Deus, chegou a reconhecer o erro, mais ou menos universal, de ler muito acerca da Bíblia e quase nada da Bíblia. Esse livro tornou-se a fonte de toda a sua inspira­ção e o segredo do seu maravilhoso crescimento espiritual. 

Ele mesmo escreveu: 
"O Senhor me ajudou a abandonar os comentários e a usar a simples leitura da Palavra de Deus como meditação. O resultado foi que, quando, a primeira noite, fechei a porta do meu quarto para orar e meditar sobre as Escrituras, aprendi mais em poucas horas do que antes durante alguns meses."
E acrescentou: 
"A maior di­ferença, porém, foi que recebi, assim, força verdadeira para a minha alma".
Antes de falecer, disse que lera a Bíblia inteira cerca de duzentas vezes; cem vezes o fez es­tando de joelhos.

Quando estava ainda no seminário, nos cultos domésti­cos de noite com os outros alunos, frequentemente continuou orando até a meia-noite. De manhã, ao acordar, cha­mava-os de novo para a oração, às seis horas.

Mais que uma história, um exemplo, um legado


Certo pregador, pouco tempo antes da morte de Jorge Müller, perguntou-lhe se orava muito. A resposta foi esta: 
"Algumas horas todos os dias. E ainda, vivo no espírito de oração; oro enquanto ando, enquanto deitado e quando me levanto. Estou constantemente recebendo respostas. Uma vez persuadido de que certa coisa é justa, continuo a orar até a receber. Nunca deixo de orar!... 
Milhares de almas têm sido salvas em respostas às minhas orações... Espero encontrar dezenas de milhares delas rio Céu... O grande ponto é nunca cansar de orar antes de receber a resposta. 
Tenho orado 52 anos, diariamente, por dois homens, filhos dum amigo da minha mocidade. Não são ainda converti­dos, porém, espero que o venham a ser. — Como pode ser de outra forma? Há promessas inabaláveis de Deus e sobre elas eu descanso".
Não muito antes de seu casamento, não se sentia bem com o costume de salário fixo, preferindo confiar em Deus em vez de confiar nas promessas dos irmãos. Deu sobre isso as três seguintes razões:
  • 1) "Um salário significa uma importância designada, geralmente adquirida do aluguel dos bancos. Mas a vontade de Deus não é alugar bancos (Tiago 2:1-6)". 
  • 2) "O preço fixo dum assento na igreja, às vezes, é pesado demais para alguns filhos de Deus e não quero colocar o menor obstáculo no caminho do progresso espiritual da igreja". 
  • 3) "Toda a idéia de alugar os assentos e ter salário torna-se tropeço para o pregador, levando-o a trabalhar mais pelo dinheiro do que por razões espiri­tuais".
Jorge Müller achava quase impossível ajuntar e guar­dar dinheiro para qualquer imprevisto, e não ir direto a Deus. Assim o crente confia no dinheiro em caixa, em vez de confiar em Deus.

Um mês depois de seu casamento, colocou uma caixa no salão de cultos e anunciou que podiam deitar lá as ofer­tas para o seu sustento e que, daí em diante, não pediria mais nada, nem a seus amados irmãos; porque, como ele disse, 
"Sem me aperceber, tenho sido levado a confiar no braço de carne, mas o melhor é ir diretamente ao Senhor."
O primeiro ano findou com grande triunfo e Jorge Müller disse aos irmãos que, apesar da pouca fé ao come­çar, o Senhor tinha ricamente suprido todas as suas neces­sidades materiais e, o que foi ainda mais importante, ti­nha-lhe concedido o privilégio de ser um instrumento na sua obra.

Milagre genuíno


O ano seguinte foi, porém, de grande provação, porque muitas vezes não lhe restava nem um xelim. E Jorge Müller acrescenta que no momento próprio a sua fé sem­pre foi recompensada com a chegada de dinheiro ou ali­mentos.

Certo dia, quando só restavam oito xelins, Müller pe­diu ao Senhor que lhe desse dinheiro. Esperou muitas ho­ras sem qualquer resposta. Então chegou uma senhora e perguntou:
"O irmão precisa de dinheiro?"
Foi uma grande prova da sua fé, porém, o pastor respondeu: 
"Mi­nha irmã, eu disse aos irmãos, quando abandonei meu sa­lário, que só informaria o Senhor a respeito das minhas ne­cessidades".
"Mas", respondeu a senhora, "Ele me disse que eu lhe desse isto", 
e colocou 42 xelins na mão do prega­dor.

Outra vez passaram-se três dias sem terem dinheiro em casa e foram fortemente assaltados pelo Diabo, a ponto de quase resolverem que tinham errado em aceitar a doutrina de fé nesse sentido. Quando, porém, voltou ao seu quarto achou 40 xelins que uma irmã deixara. E ele acrescentou então: 
"Assim triunfou o Senhor e nossa fé foi fortalecida".
Antes de findar o ano, acharam-se de novo inteiramen­te sem dinheiro, num dia em que tinham de pagar o alu­guel. Pediram a Deus e o dinheiro foi enviado. Nessa oca­sião, Jorge Müller fez para si a seguinte regra da qual nun­ca mais se desviou: 
"Não nos endividaremos, porque acha­mos que tal coisa não é bíblica (Rm 13:8), e assim não teremos contas a pagar. Somente compraremos o que pudermos, tendo o dinheiro em mãos, assim sempre sabe­remos quanto realmente possuímos e quanto temos o direi­to de gastar".
Deus, assim, gradualmente treinava o novo pregador a confiar nas suas promessas. Estava tão certo da fidelidade das promessas da Bíblia, que não se desviou, durante os longos anos da sua obra no orfanato, da resolução de não pedir ao próximo, e de não se endividar.

Um outro segredo que o levou a alcançar tão grande bênção de confiarem Deus, foi a sua resolução de usar o di­nheiro que recebia somente para o fim a que fora destina­do. Essa regra nunca infringiu, nem para tomar empresta­do de tais fundos, apesar de se ter achado milhares de ve­zes face a face com as maiores necessidades.

Nesses dias, quando começou a provar as promessas de Deus, ficou comovido pelo estado dos órfãos e pobres crian­ças que encontrava nas ruas. Ajuntou algumas dessas crianças para comer consigo às oito horas da manhã e a se­guir, durante uma hora e meia, ensinava-lhes as Escritu­ras. A obra aumentou rapidamente. Quanto mais crescia o número para comer, tanto mais recebia para alimentá-las até se achar cuidando de trinta a quarenta menores.

Ao mesmo tempo, Jorge Müller fundou a Junta para o Conhecimento das Escrituras na Nação e no Estrangeiro. O alvo era: 
  1. Auxiliar as escolas bíblicas e as escolas do­minicais. 
  2. Espalhar as Escrituras. 
  3. Aumentar a obra missionária. 
Não é necessário acrescentar que tudo foi fei­to com a mesma resolução de não se endividar, mas sem­pre pedir a Deus, em secreto, todo o necessário.

Testemunhos autênticos


Certa noite, quando lia a Bíblia, ficou profundamente impressionado com as palavras: 
"Abre bem a tua boca, e ta encherei" (Salmo 81:10). 
Foi levado a aplicar essas pa­lavras ao orfanato, sendo-lhe dada a fé de pedir mil libras ao Senhor; também pediu que Deus levantasse irmãos com qualificação para cuidar das crianças. Desde aquele mo­mento, esse texto (Salmo 81:10), serviu-lhe como lema e a promessa se tornou em poder que determinou todo o curso da sua vida.

Deus não demorou muito a dar a sua aprovação de alu­gar uma casa para os órfãos. Foi apenas dois dias depois de começar a pedir, que ele escreveu no seu diário: 
"Hoje re­cebi o primeiro xelim para a casa dos órfãos".
Quatro dias depois foi recebida a primeira contribuição de móveis: um guarda-roupa; e uma irmã ofereceu dar seus serviços para cuidar dos órfãos. Jorge Müller escreveu naquele dia que estava alegre no Senhor e confiante em que Ele ia completar tudo.

No dia seguinte, Jorge Müller recebeu uma carta com estas palavras: 
"Oferecemo-nos para o serviço do orfanato, se o irmão achar que temos as qualificações. Oferecemos também todos os móveis, etc, que o Senhor nos tem dado. Faremos tudo isto sem qualquer salário, crendo que, se for a vontade do Senhor usar-nos, Ele suprirá todas as nossas necessidades".
 
Desde aquele dia, nunca faltaram, no orfa­nato, auxiliares alegres e devotados, apesar de a obra au­mentar mais depressa do que Jorge Müller esperava.

Três meses depois, foi que conseguiu alugar uma gran­de casa e anunciou a data da inauguração do orfanato para o sexo feminino. No dia da inauguração, porém, ficou de­sapontado: nenhuma órfã foi recebida. 

Somente depois de chegar a casa é que se lembrou de que não as tinha pedido. Naquela noite humilhou-se rogando a Deus o que anelava. Ganhou a vitória de novo, pois veio uma órfã no dia se­guinte. Quarenta e duas pediram entrada antes de findar o mês, e já havia vinte e seis no orfanato.

Durante o ano, houve grandes e repetidas provas de fé. Aparece, por exemplo, no seu diário: 
"Sentindo grande ne­cessidade ontem de manhã, fui dirigido a pedir com insis­tência a Deus e, em resposta, à tarde, um irmão deu-me dez libras".
Muitos anos antes da sua morte, afirmou que, até aquela data, tinha recebido da mesma forma 5.000 ve­zes a resposta, sempre no mesmo dia em que fazia o pedi­do.

Era seu costume, e recomendava também aos irmãos, guardar um livro. Numa página assentava seu pedido com a data e no lado oposto a data em que recebera a resposta. Dessa maneira, foi levado a desejar respostas concretas aos seus pedidos e não havia dúvida acerca dessas respostas.

Com o aumento do orfanato e do serviço de pastorear os quatrocentos membros de sua igreja, Jorge Müller achou-se demasiadamente ocupado para orar. Foi nesse tempo que chegou a reconhecer que o crente podia fazer mais em quatro horas, depois de uma em oração, do que em cinco sem oração. Essa regra ele a observou fielmente durante 60 anos.

Quando alugou a segunda casa, para os órfãos de sexo masculino, disse: 
"Ao orar, estava lembrado de que pedia a Deus o que parecia impossível receber dos irmãos, mas que não era demasiado para o Senhor conceder".
Ele orava com noventa pessoas sentadas às mesas: 
"Senhor, olha para as necessidades de teu servo..." 
Essa foi uma oração a que Deus abundantemente respondeu. Antes de morrer, testificou que, pela fé, alimentava 2.000 órfãos, e nenhuma refeição se fez com atraso de mais de trinta minutos.

Muitas pessoas perguntavam a Jorge Müller como con­seguia ele saber a vontade de Deus, pois não fazia nada sem primeiro ter a certeza de ser da vontade do Senhor. Ele respondia:
  • 1) "Procuro manter o coração em tal estado que ele não tenha qualquer vontade própria no caso. De dez proble­mas, já temos a solução de nove, quando conseguimos ter um coração entregue para fazer a vontade do Senhor, seja essa qual for. Quando chegamos verdadeiramente a tal ponto, estamos, quase sempre, perto de saber qual é a sua vontade." 
  • 2) "Tenho o coração entregue para fazer a vontade do Senhor, não deixo o resultado ao mero sentimento ou a uma simples impressão. Se o faço, fico sujeito a grandes enganos." 
  • 3) "Procuro a vontade do Espírito de Deus por meio da sua Palavra. É essencial que o Espírito e a Palavra acom­panhem um ao outro. Se eu olhar para o Espírito, sem a Palavra, fico sujeito, também, a grandes ilusões." 
  • 4) "Depois considero as circunstâncias providenciais. Essas, ao lado da Palavra de Deus e do seu Espírito, indi­cam claramente a sua vontade." 
  • 5) "Peço a Deus em oração que me revele sua própria vontade." 
  • 6) "Assim, depois de orar a Deus, estudar a Palavra e refletir, chego à melhor resolução deliberada que posso com a minha capacidade e conhecimento; se eu continuar a sentir paz, no caso, depois de duas ou três petições mais, sigo conforme essa direção. Nos casos mínimos e nas tran­sações da maior responsabilidade, sempre acho esse méto­do eficiente".
Jorge Müller, três anos antes da sua morte, escreveu: 
"Não me lembro, em toda a minha vida de crente, num período de 69 anos, de que eu jamais buscasse, sincera­mente e com paciência, saber a vontade de Deus pelo ensi­namento do Espírito Santo por intermédio da Palavra de Deus, e que não fosse guiado certo. 
Se me faltava, porém, sinceramente de coração e pureza perante Deus, ou se eu não olhava para Deus, com paciência pela direção, ou se eu preferia o conselho do próximo ao da Palavra do Deus vivo, então errava gravemente".
Sua confiança no "Pai dos órfãos" era tal, que nem uma só vez recusou aceitar crianças no orfanato. Quando lhe perguntavam porque assumira o encargo do orfanato, respondeu que não fora apenas para alimentar os órfãos material e espiritualmente, mas 
"o primeiro objetivo bási­co do orfanato era — afirmava —, e ainda é, que Deus seja magnificado pelo fato de que os órfãos sob os meus cuida­dos foram e estão sendo supridos de todo o necessário, so­mente por oração e fé, sem eu nem meus companheiros de trabalho pedirmos ao próximo; por isso mesmo se pode ver que Deus continua fiel e ainda responde às nossas ora­ções".
Em resposta a muitos que queriam saber como o crente pode adquirir tão grande fé, deu as seguintes regras:
  • 1) Lendo a Bíblia e meditando sobre o texto lido, che­ga-se a conhecer a Deus, por meio de oração.
  • 2) Procurar manter um coração íntegro e uma boa consciência.
  • 3) Se desejamos que a nossa fé cresça, não devemos evitar aquilo que a prove e por meio do que ela seja fortale­cida.
"Ainda mais um ponto: para que a nossa fé se fortale­ça, é necessário que deixemos Deus agir por nós ao chegar a hora da provação, e não procurar a nossa própria liberta­ção." 
"Se o crente desejar grande fé, deve dar tempo para Deus trabalhar."
Os cinco prédios construídos de pedras lavradas e si­tuados em Ashley Hill, Bristol, Inglaterra, com 1.700 janelas e lugar para acomodar mais de 2.000 pessoas, são teste­munhas atuais dessa grande fé de que ele escreveu.

Cada uma dessas dádivas (devemo-nos lembrar) Jorge Müller lutou com Deus em oração para obter; orou com alvo certo e com perseverança, e Deus lhe respondeu.

São de Jorge Müller estas palavras: 
"Muitas repetidas vezes tenho-me encontrado em posição muito difícil, não só com 2.000 pessoas comendo diariamente às mesas, mas também com a obrigação de atender a todas as demais despesas, estando a nossa caixa com os fundos esgotados. 
Havia ainda 189 missionários para sustentar, cerca de 100 colégios com mais ou menos 9.000 alunos, além de 4.000.000 de tratados para distribuir, tudo sob nossa res­ponsabilidade, sem que houvesse dinheiro em caixa para as despesas".
Certa vez o doutor A. T. Pierson (☆1837/♰1911) foi hóspede de Jorge Müller no seu orfanato. Uma noite, depois que todos se deitaram, Jorge Müller o chamou para orar dizendo que não havia coisa alguma em casa para comer. 

O doutor Pierson quis lembrar-lhe que o comércio estava fechado, mas Jorge Müller bem sabia disso. Depois da oração deita­ram-se, dormiram e, ao amanhecer, a alimentação já esta­va suprida e em abundância para 2.000 crianças. 

Nem o doutor Pierson, nem Jorge Müller chegaram a saber como a alimentação foi suprida. A história foi contada naquela manhã, ao senhor Simão Short, sob a promessa de guardá-la em segredo até o dia da morte do benfeitor. 

O Senhor despertara essa pessoa do sono, à noite, e mandara que le­vasse alimentos suficientes para suprir o orfanato durante um mês. E isso sem a pessoa saber coisa alguma da oração de Jorge Müller e do doutor Pierson!

Com a idade de 69 anos Jorge Müller iniciou suas via­gens, nas quais pregou centenas de vezes em quarenta e duas nações, a mais de três milhões de pessoas. Recebeu, em resposta às suas orações, tudo de Deus para pagar as grandes despesas. Mais tarde, ele escreveu: 
"Digo com ra­zão: Creio que eu não fui dirigido a nenhum lugar onde não houvesse prova evidente de que o Senhor me mandara para lá". 
Ele não fez essas viagens com o plano de solicitar dinheiro para a junta; não recebeu o suficiente nem para as despesas de doze horas da junta. Segundo as suas pala­vras, o alvo era 
"que eu pudesse, por minha experiência e conhecimento das coisas divinas, comunicar uma bênção aos crentes... e que eu pudesse pregar o Evangelho aos que não conheciam o Senhor".
Assim escreveu ele sobre um seu problema espiritual: 
"Sinto constantemente a minha necessidade... Nada posso fazer sozinho, sem cair nas garras de Satanás. O orgulho, a incredulidade ou outros pecados me levariam à ruína. 
So­zinho não permaneço firme um momento. Que nenhum leitor pense que devido à minha dedicação, eu não me pos­sa 'inchar' ou me orgulhar, ou que eu não possa descrer de Deus!"
O estimado evangelista, Carlos Inglis, contou a respeito de Jorge Müller:
"Quando vim pela primeira vez à América, faz trinta e um anos, o comandante do navio era devoto tal que jamais conheci. Quando nos aproximamos da Terra Nova, ele me disse: 'Sr. Inglis, a última vez que passei aqui, há cinco se­manas, aconteceu uma coisa tão extraordinária que foi a causa de uma transformação de toda a minha vida de cren­te. 
Até aquele tempo eu era um crente comum. Havia a bordo conosco um homem de Deus, o senhor Jorge Müller, de Bristol. Eu tinha passado 22 horas sem me afastar da ponte de comando, nem por um momento, quando fui as­sustado por alguém que me tocou no ombro. Era o senhor Jorge Müller. Houve, então, entre nós o seguinte diálogo:
— Comandante - disse o senhor Müller, - vim dizer-lhe que tenho de estar em Quebec no sábado, à tarde.
Era quarta-feira.
— Impossível - respondi.
— Pois bem, se seu navio não pode levar-me, Deus acha­rá outro meio de transporte. Durante 57 anos nunca deixei de estar no lugar à hora em que me achava comprometido.
— Teria muito prazer em ajudá-lo, mas o que posso fa­zer? - Não há meios!
— Vamos aqui dentro para orar - sugeriu.
Olhei para aquele homem e disse a mim mesmo: 'De qual casa de doidos escapou este?' Nunca eu ouvira al­guém falar desse modo.
— Sr. Müller, o senhor vê como é espessa esta neblina.
— Não — respondeu ele — os meus olhos não estão na neblina, mas no Deus vivo que governa todas as circuns­tâncias da minha vida.
O senhor Müller caiu de joelhos e orou da forma mais simples possível. Eu pensei: 'É uma oração como a de uma criança de oito ou nove anos'. Foi mais ou menos assim que ele orou: 
'Ó Senhor, se for da tua vontade, retira esta neblina dentro de cinco minutos. Sabes como me compro­meti a estar em Quebec no sábado. Creio ser isso a tua von­tade."
Quando findou, eu queria orar também, mas o senhor Müller pôs a sua mão no meu ombro e pediu que não o fi­zesse, dizendo:
— Comandante, primeiro o senhor não crê que Deus faça isso, e, em segundo lugar, eu creio que Ele já o fez. Não há, pois, qualquer necessidade de o senhor orar nesse sentido. Conheço, comandante, o meu Senhor há cinquen­ta e sete anos e não há dia em que eu não tenha audiência com Ele. Levante-se, por favor, abra a porta e verá que a neblina já desapareceu.
Levantei-me, olhei, e a neblina havia desaparecido. No sábado, à tarde, Jorge Müller estava em Quebec.'"
Para o ajudar a levar a carga dos orfanatos e a apro­priar-se das promessas de Deus em oração, lado a lado com ele, Jorge Müller tinha consigo, havia quase quarenta anos, uma esposa sempre fiel. 

Quando ela faleceu, milha­res de pessoas assistiram ao seu enterro, das quais cerca de 1.200 eram órfãos. Ele mesmo, fortalecido pelo Senhor, conforme confessou, dirigiu os cultos fúnebres no templo e no cemitério.

Com a idade de 90 anos pregou o sermão fúnebre da se­gunda esposa, como o fizera na morte da primeira. Uma pessoa que assistiu a esse enterro, assim se expressou: 
— "Tive o privilégio, sexta-feira, de assistir ao enterro da se­nhora Müller... e presenciar um culto simples, que foi, tal­vez, pelas suas peculiaridades, o único na história do mun­do: Um venerável patriarca preside ao culto do início ao fim. 
Com a idade de noventa anos, permanece ainda cheio daquela grande fé que o tem habilitado a alcançar tanto, e que o tem sustentado em emergência, problemas e traba­lhos duma longa vida..."
No ano de 1898, com a idade de noventa e três anos, na última noite antes de partir para estar com Cristo, sem mostrar sinal de diminuição de suas forças físicas, deitou-se como de costume. Na manhã do dia seguinte foi "cha­mado", na expressão de um amigo ao receber as notícias que assim explicam a partida: 
"O querido ancião Müller desapareceu de nosso meio para o Lar, quando o Mestre abriu a porta e o chamou ternamente, dizendo: 'Vem!'"
Os jornais publicaram, meio século depois da sua mor­te, a seguinte notícia: 
"O orfanato de Jorge Müller, em Bristol, permanece como uma das maravilhas do mundo. 
Desde a sua fundação, em 1836, a cifra que Deus tem con­cedido, unicamente em resposta às orações, sobe a mais de vinte milhões de dólares e o número de órfãos ascende a 19.935. 
Apesar de os vidros de cerca de 400 janelas terem sido partidos recentemente por bombas (na segunda guer­ra mundial), nenhuma criança e nenhum auxiliar foi feri­do".

Conclusão

Sua vida ilustra o poder da oração


Ele recebeu em vida mais de um milhão e meio de libras esterlinas (algo equivalente a aproximadamente US$110.000.000 hoje) para sustentar os orfanatos que levantou em Bristol, no Reino Unido.

Isso sem nunca pedir dinheiro a ninguém ou realizar nenhum evento para levantar fundos. Cada centavo recebido (ou penny, melhor dizendo) foi resultado unicamente de constante oração.

Foi no dia 11 de abril de 1836 que George Müller abriu seu primeiro orfanato para trinta meninas na Rua Wilson, em Bristol.

Em 1870, trinta anos depois de ter aberto o primeiro orfanato puramente por fé, Müller estava administrando cinco orfanatos com mais de 2.000 crianças. Segundo o biógrafo A.T. Pierson, 
"cinquenta anos depois que Müller começou seu trabalho, pelo menos cem mil órfãos eram atendidos somente na Inglaterra" (George Müller de Bristol, 274).
Todo o dinheiro para o sustento das crianças e pagamento dos servidores era resultado das constantes orações de Müller e de sua equipe. Nunca nenhum pedido foi feito e suas necessidades nunca foram expostas a ninguém. Somente o Senhor as conhecia e as supria diariamente.

Sem dúvida alguma, Jorge Müller é um grande exemplo do que verdadeiramente podemos chamar de um homem de fé!

[Fonte: Extraído dos livros "Heróis da Fé"; Boyner, Orlando; CPAD; 248 páginas; 1985 e "Jorge Müller"; Manley, Jack; Betânia; 72 páginas; 1986]

A Deus toda glória.
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E nem 1% religioso.
O uso correto da máscara não precisava ser obrigatório, por se tratar de uma proteção individual extensiva ao coletivo. É tudo uma questão não de obrigação, mas de consciência.
Respeite a etiqueta e o distanciamento sociais e evite aglomerações. A pandemia não passou, a guerra não acabou.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

DIRETO AO PONTO — FÉ, FÉ; CIÊNCIA, CIÊNCIA: CADA UMA NA SUA, AS DUAS POR NÓS!

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!" (Romanos 11:33-36, grifos acrescentados)
Ciência e religião, apesar de terem gozado de longa amizade por séculos, começaram a ter turbulências em seu relacionamento a partir de Nicolau Copérnico (☆1473/✞1543)e Galileu Galilei (☆1564/✞1642). 

Com Charles Darwin (☆1809/✞1882 — escrevi artigo sobre ele ➫ aqui), parece que foi decretado o total antagonismo entre os dois campos. Cristalizou-se a chamada noção de conflito, que parece moldar os discursos sobre os mesmos na esfera pública mundial, inclusive na brasileira. 

Mas seria essa a única opção relacional para as duas áreas nos tempos atuais? Este artigo busca analisar de forma panorâmica as formas de relação que têm sido sugeridas na literatura para abordar o binômio ciência/religião.

Conceituando a fé em uma análise científica


"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem" (Hebreus 11:1).
Este é um conhecido versículo da Palavra de Deus, ele abre a seção da epístola aos Hebreus, teologicamente conhecida como "a Galeria dos Heróis da Fé". À despeito de extensas explanações teológicas sobre o que é a Fé, o escritor aos Hebreus, de uma forma bem resumida e objetiva, nos traz essa revelação.

Mas, a exposição que farei aqui neste parágrafo, não é especificamente sobre o conceito de Fé, no contexto espiritual, mas sim sob o prisma científico.

A fé é parte integrante do homem, está com ele desde o nascimento, associada à fé sempre existe uma religião, que seria como um estado mítico, para muitos, uma forma de explicação ultrapassada. 

Enquanto que a ciência seria o motor do progresso e do conhecimento, conhecimento esse que transforma o mundo proporcionando melhor qualidade de vida aos seres humanos. 

A religião embora detentora de conhecimentos metafísicos, não deixa de fornecer repostas para grandes questões que afligem a humanidade, como por exemplo: por que existimos? De onde viemos? Para onde vamos? Há vida após a morte? Por que estamos aqui? Etc. 

Existe conflito entre ciência e religião? 


O fato de que no passado a Igreja Romana era detentora do conhecimento teológico e científico é inegável, pois determinava o céu, o inferno e também a rotação dos planetas. O século XVIII trouxe consigo e ideia de que a religião estava associada ao engano devido a diversos escândalos do alto clero, ouve então o início de uma ruptura entre a ciência e a Igreja. 

No século XIX desenvolveu-se uma apologética para fazer frente à disseminação do conhecimento científico através do método experimental, que postula que todo conhecimento válido começa da observação e da experiência. Questões metafísicas não tinham lugar nesse tipo de conhecimento, no entanto, a religião nunca deixou de fornecer respostas que envolvem esse tipo de questões. 

Sabendo que cada uma dessas vertentes fala de coisas diferentes, é possível estabelecer conflito entre elas? Ou elas não têm como competir? É inegável que cada uma a sua maneira, religião e ciência têm oferecido recursos valiosos para uma mudança de consciência ética e de ação entre os seres humanos. 

Três pontos serão abordados nesse artigo, primeiro, como estava organizado o conhecimento científico antes do cristianismo, segundo a situação do conhecimento científico após o surgimento do cristianismo e terceiro, após a ruptura da ciência com a Igreja e faremos também uma análise acerca dessa ruptura, considerando se foi ou não benéfica.

O início (ou o fim?) do imbróglio


O antagonismo entre os termos "ciência" e "religião" é sobremodo fácil de ser percebido nos dias atuais. Basta ver quantos cientistas, principalmente das ciências naturais, se declaram abertamente "homens de fé" ou religiosos. 

"Cientista" e "religioso" é, na visão popular, um oximoro, uma contradição essencial. Em vista do atual cenário, é fácil esquecer que tais campos tiveram convivência pacífica por muitos séculos. 

De fato, muitos dos próprios artífices da ciência moderna eram teólogos, clérigos, e, não por acaso, cristãos piedosos. Isaac Newton (☆1643/✞1727 — escrevi artigo sobre ele ➫ aqui), por exemplo, pai da mecânica moderna, escreveu muito mais linhas sobre interpretação bíblica do que sobre as leis que regem o mundo físico.

Charles Darwin estudou para ser ministro da Igreja da Inglaterra, e Gregor Mendel (☆1822/✞1884), pai da genética, plantava suas ervilhas em um mosteiro em Brno, atual República Tcheca, onde era sacerdote. 

O ocidente, palco da chamada revolução científica, era terreno fértil para o avanço da investigação científica, pois, profundamente influenciados pela "teologia natural", entendia-se que o Criador se revelava nos seus dois livros: o da revelação escrita e o da própria natureza. Assim, a ciência através do método científico revelava a própria mente de Deus, o Supremo Criador.

Galileu, Copérnico, Darwin...: Deus acima de tudo e de todos!


A turbulência entre ciência e religião aparentemente iniciou-se com o famoso incidente de Galileu Galilei, quando este avançou as pesquisas de Nicolau Copérnico quanto à questão da heliocentricidade do sistema solar, e teve que por fim negar a aceitação de suas descobertas sob pena de ser lançado à fogueira — o que acabou acontecendo com seu contemporâneo Giordano Bruno (☆1548/✞1600). 

Mas o golpe final, que colocou Deus e a ciência frente a frente em uma aparente batalha, foi mesmo dado pelo naturalista britânico Charles Darwin, frequentemente citado no meio científico como "o homem que matou Deus" , ao publicar seu livro "A Origem das Espécies" em 24 de Novembro de 1859. 

Ali, ele afirmava que o homem, assim como todo e qualquer ser vivo que habita este planeta, além de ter uma descendência comum com todos os seres, era produto de um longo e gradual processo de modificação biológica, regido por leis naturais, conhecido como evolução. 

Esta ideia parecia destronar o ser humano da posição de destaque que ocupava como "coroa da Criação", criado sobrenaturalmente por Deus, colocando-o definitivamente como mais um entre os incontáveis galhos da árvore da vida, um ser efetivamente parte da natureza, e não separado dela.

Atualmente, mais de 150 anos após a publicação do livro, a teoria da evolução das espécies tem indiscutível aceitação nos circuitos científicos. Ela é considerada uma das teorias científicas mais bem embasada por dados empíricos, e é chamada frequentemente de "espinha dorsal da biologia", ou, nas palavras do geneticista cristão Theodosius Dobzhansky (☆1900/✞1975): 
"nada em biologia faz sentido, exceto à luz da evolução (DOBZHANSKY, 1964, p. 449)". 
Mas, surpreendentemente, ela falhou em alcançar este status de aceitação com grande parte da população, no Brasil e no exterior, e, ao que parece, um número expressivo de pessoas negam-na em favor da chamada "posição criacionista", que defende a literalidade absoluta dos capítulos iniciais de Gênesis no que tange às origens.

Principais etapas do método científico


O método científico é o caminho percorrido pelo cientista para se chegar a um conhecimento, caminho esse que deve basear-se em experimentações e lógicas matemáticas, com medições precisas e exatas, bem como a execução de vários experimentos para reforçar determinadas ideias. 

As principais etapas do método científico seguidas em geral pelas equipes de cientistas em institutos de pesquisas e universidades em todo o mundo são: 1) Observação, 2) Hipótese, 3) Experiências (ou Experimentos), 4) Teoria e 5) Lei. 

Vejamos em que consiste basicamente cada uma delas: 
  • 1) Observação — Leva o observador ao levantamento de questões que precisam ser estudadas para a solução de um problema. Essa observação pode ser a olho nu ou com a utilização de instrumentos de maior precisão, como microscópios. 
  • 2) Hipótese — Na tentativa de responder às questões levantadas na observação, o cientista propõe hipóteses, isto é, afirmações prévias que visam explicar os fenômenos. Essas hipóteses podem ser reforçadas ou descartadas, na próxima etapa. 
  • 3) Experimentação — Consiste em vários testes realizados para confirmar as hipóteses. As experimentações devem ser realizadas de forma bem criteriosa, envolvendo aspectos qualitativos e quantitativos, mas isso nem sempre acontece, pois, uma vez que seres humanos estão envolvidos nessas etapas, podem estar ocorrendo interferências políticas, sociais, morais, filosóficas ou religiosas. 
  • 4) Teoria — Com os experimentos repetidamente realizados, o cientista pode chegar à conclusões que ajudam na construção de teorias, que constituem explicações mais bem elaboradas de determinada situação, então as teorias são as nossas melhores explicações sobre um determinado fenômeno num determinado tempo. 
  • 5) Lei — Se os resultados da experimentação levam a alguma generalização, ou seja, se eles repetem sempre em quaisquer circunstâncias, surge então uma lei científica. A lei descreve uma sequência de eventos que ocorrem de forma uniforme e invariável, ou seja, é um conjunto de afirmações consideradas válidas pela comunidade científica para explicar um fenômeno, mas apesar de todo esse processo, não se pode falar em provar determinada ideia, pois em ciência nada pode ser provado, a história da ciência mostra que ela muda com o decorrer do tempo, além disso, ela é feita por seres humanos falíveis, mas que também podem aperfeiçoar os conhecimentos. Assim determinadas teorias não resistem ao longo do tempo e afirmações que são supostamente científicas, acabam sendo boas para os negócios, mas ruins para a ciência. Seguir um método científico é o que define uma área de estudo como uma ciência, tal qual são as ciências da natureza, como a Química, a Biologia e a Física etc. 
O método científico pode variar de acordo com a ciência, mas o que é atualmente usado, principalmente pelas ciências da natureza, foi derivado do trabalho de vários filósofos, como Francis Bacon (☆1561/✞1626) e René Descartes (☆1596/✞1650), e de cientistas como Galileu Galilei, Robert Boyle (☆1627/✞1691) e Antoine Laurent Lavoisier (☆1743/✞1794) e muitos dos que são atualmente considerados ancestrais da ciência moderna foram encontrar no cristianismo a legitimação de suas conquistas e de suas pesquisas, como exemplo disso citamos, René Descartes e Isaac Newton que eram cristãos.

O método científico nos ajuda a compreender os caminhos pelos quais passam a construção de uma teoria desde o seu nascimento até o seu desmoronamento, pois teorias são falíveis, não se constituem verdades incontestáveis. Quando uma teoria apesar de ser submetida ao falsificacionismo continua sendo válida, ela se torna uma lei. 

Conclusão


Parte da condição humana é buscar respostas sobre o nosso mundo na tentativa de entender nossa natureza. Descobertas científicas que enriqueceram nossa compreensão do inferência inequívoca de projeto sem que se façam necessários conhecimentos sobre o projetista, seus objetivos ou sobre os métodos por esse empregados na execução do projeto Universo e de nós mesmos fornecem muitas dessas respostas, no entanto, permanecem questões fundamentais de significado, valor e propósito que a ciência talvez nunca seja capaz de responder. 

A verdade é que para bilhões de pessoas, religião e fé proporcionam conforto e significado, e que a ciência oferece apenas fatos ou nenhuma resposta, embora haja extremistas de ambos os lados e que provavelmente continuem batendo os punhos e exigindo uma separação entre ciência e cristianismo. 

Acredito que elas podem e devem coexistir pacificamente. Em suma, os autores que defendem o diálogo reconhecem que há diferenças significativas entre ciência e fé, principalmente metodológicas. No entanto, há paralelos significativos que merecem ser trabalhados, para enriquecimento de ambas.

[Fonte: Id On Line - Revista Multidisciplinar de Psicologia, por Júlio de Fátimo Rodrigues de Melo e Werner Bessa Vieira (DOI: 10.14295/idonline.v13i48.2310); ABC² Associação Brasileira de Cristãos na Ciência, por Por Tiago Garros]

A Deus toda glória.
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E nem 1% religioso.
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domingo, 9 de janeiro de 2022

PAPO RETO — CRÔNICA: CONECTADOS À INTOLERÂNCIA

"Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje, e atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: 'Assenta-te tu aqui num lugar de honra', e disserdes ao pobre: 'Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado', porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?  
Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam? Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais? Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado? Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis. Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores"(Tiago 2:1-9).
A intolerância, seja de qualquer espécie — raça, religião, opção sexual, política ou cor — fere a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Por isso, todo tipo de preconceito deve ser combatido para, no futuro, haver uma sociedade mais igualitária e livre.

Dar valor à sua identidade, às suas características e jeito de ser é importante. Infelizmente, muitas pessoas exageram um pouco e acabam criando uma aversão pelo que é diferente de si, seja fisicamente, intelectualmente, relacionado a classe social, fé e às vezes, até coisas absurdas como time de futebol rival. 

O ser humano evoluiu muito, mas o preconceito e o medo pela mudança sempre provou ser um dos obstáculos mais difíceis de ser superado. Ele está presente desde as atividades mais corriqueiras do dia a dia até às guerras que ceifam inúmeras vidas. 

Combatê-lo não é uma das tarefas mais simples, afinal, muita gente tem dificuldades em admitir que suas crenças e costumes estão errados. Às vezes, um preconceito (intolerância) pode vir desde o berço, inserido em métodos de educação ultrapassados.

A intolerância em nosso contexto social


Há intolerância no mundo todo, contudo o Brasil merece certo destaque nesse contexto, pois é um país plural, com diversas crenças, raças e etnias que mantém tratamento degradante a tantos grupos. 

No caso do preconceito racial, este está vinculado à submissão do negro ao branco desde a epóca do Brasil Colônia e perdura até os dias atuais, visto que os negros ainda buscam seu lugar na sociedade. 

Esta intolerância prejudica a todos, pois provoca atraso no desenvolvimento do país na medida em que esses indivíduos são humilhados e excluídos com frequência.

Confira alguns dos tipos de intolerâncias

  • Intolerância Racial — Esse preconceito está associado à raça, etnia e aspectos físicos de uma pessoa. O exemplo mais comum é o que ocorre entre brancos que se julgam superiores aos negros. Muitas sociedades e governos o combatem ativamente, sendo que o racismo é considerado crime em diversos países do mundo. 
  • Intolerância Social — Geralmente ocorre entre indivíduos de classes sociais diferentes. Ricos geralmente se sentem superiores aos pobres, com seu maior número de posses, facilidades e benefícios. 
  • Intolerância Religiosa — Está intimamente ligado à intolerância religiosa. Acontece quando uma pessoa simplesmente não aceita ou respeita outras religiões que não sejam a que ela segue. Os conflitos no Oriente Médio, em sua maior parte, têm como causa esse tipo de preconceito. 
  • Intolerância Sexual — A homofobia, sem dúvida, é um dos maiores exemplos de preconceito sexual, que se define pela intolerância no que diz respeito a pessoas que possuem relações afetivas com indivíduos do mesmo sexo. Apesar do alto índice de crimes, agressões e assassinatos contra homossexuais no Brasil, a situação é ainda pior em outros países, como Rússia e países de influência muçulmana, como Somália, Arábia Saudita, Iêmen, entre outros. 
  • Sexismo — Caracteriza-se pela crença de que um sexo é superior ao outro. No Brasil isso está bastante presente, pois na maior parte das empresas as mulheres ganham menos, são menos respeitadas, além de ser um dos países onde mais ocorrem crimes e violência contra as mulheres.
Muitas vezes, podemos praticar esses tipos de atitudes sem mesmo perceber. É sempre importante meditar e analisar nossas atitudes, por mais insignificantes que sejam. 

Nunca se sabe quando podemos estar contribuindo negativamente, sem perceber. Ser você mesmo é importante, mas respeitar a identidade alheia, por mais diferente que seja, é sempre fundamental.

Deixando bem claro, bem explícito que eu sei muito o que signifaca intolerância, vamos à minha crônica.

Então estamos sob o "império da tolerância"?


Que bom! Esta é uma conquista extraordinária. Eis os preceitos fundamentais desta era:
  • 1 — Todos são obrigados a tolerar todos os costumes e valores que forem definidos como toleráveis.
  • 2 — As minorias e os que se sentem "não representados" são responsáveis por definir o que é tolerável, obviamente, levando em conta, prioritariamente, suas próprias perspectivas e valores, mesmo que eles afrontem a maioria esmagadoras da comunidade.
  • 3 — A mídia, as redes sociais, os "formadores de opinião", os "politicamente corretos" são nomeados, juntamente com as minorias, os únicos responsáveis por defender e divulgar o que é tolerável.
  • 4 — Qualquer pessoa ou instituição que questione, discuta ou mesmo opine de modo contrário ao que foi definido como tolerável, não deve ser tolerada.
  • 5 — Não é intolerância não tolerar os que forem considerados intolerantes, mesmo que apenas tenham se mostrados inconformados com o que foi definido como tolerável.
  • 6 — Todos que manifestarem qualquer pensamento, imagem ou palavra que se oponha à tolerância, nos termos aqui expostos, serão sumariamente "cancelados", perseguidos, odiados, sendo demitidos de seus empregos, criticados e execrados publicamente por todos os meios e todas as mídias e todos os que se sentirem vitimas de sua suposta intolerância.
  • 7 — Nenhum comportamento expresso no item 6 destes preceitos será considerado ato de intolerância, mas apenas o exercício legítimo do "dever" de não tolerar quem não se comportar como definem os tolerantes nomeados pelo "império".
  • 8 — Fica definido que toda tolerância que foi definida pelos tolerantes será a única tolerância tolerável. Tudo que não se enquadrar nos critérios estabelecidos será considerado intolerância e não poderá ser tolerado pelos tolerantes.
  • 9 — Ficam revogadas todas as possibilidades de debates, questionamentos, opiniões e mesmo pensamentos que ousem se opor ao que é tolerável, segundo as preceitos acima expostos pelo "império da tolerância".
  • 10 — Fica determinada a aplicação imediata destes preceitos sendo, portanto, condenado, sem direito a nenhuma tolerância, os que foram considerados intolerantes.

Conclusão


É claro que a parte crônica deste texto é apenas fictício e nada disso pode ser concebido como realidade em algum momento da história. Nós somos a sociedade mais tolerante da história e jamais admitiríamos um "império" nestes termos. Impérios sempre tendem à tirania, portanto não podemos tolerar que algum império ainda pretenda se levantar.

Sigamos sem nenhum temor de que algo assim um dia aconteça, afinal somos uma comunidade pensante, evoluída e sim muito tolerante — e isso, quer muitos queiram ou não, quer muitos acreditem ou não.

A Deus toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.
O uso correto da máscara não precisava ser obrigatório, por se tratar de uma proteção individual extensiva ao coletivo. É tudo uma questão não de obrigação, mas de consciência.
Respeite a etiqueta e o distanciamento sociais e evite aglomerações. A pandemia não passou, a guerra não acabou.