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sábado, 17 de novembro de 2018

PASTORES DEPRIMIDOS? UAI, PODE?!

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Quando o assunto é depressão, por mais que o tema receba muitos holofotes nestes dias, no meio cristão este é um assunto ainda permeado por muitas crendices bizarras, dúvidas, ignorâncias e, obviamente, muito preconceito. Sempre que ficamos sabendo que algum crente está enfrentando os problemas oriundos da depressão, não raramente escutamos aqueles comentários cruéis e insensíveis do tipo:

- É falta de Deus no coração. 
- Isso é coisa de quem "não tem fé". 
- Isso "é demônio"! 
E quando a pessoa deprimida em questão é um(a) pastor(a) e/ou alguma pessoa que exerça qualquer tipo de liderança ou atividade religiosa então, aí é que o negócio fica feio, pois, para muitos, tais pessoas são "super heróis da fé", fazem parte da "liga da justiça divina". 

No entanto, estes comentários são de seres que eles sim se sentem superiores aos outros. Que não conseguem ter empatia com quem sofre. Com quem não suportou mais tanta dor. E agora, amigos juízes de Facebook, integrantes da magistratura das redes sociais, me digam, os inúmeros pastores que sofrem de depressão - muitos ao ponto de chegarem ao extremo de tirarem a própria vida (pesquisas recentes dão conta do aumento no número de pastores que comentem suicídio) - não têm Deus no coração? Será mesmo? 

Não. Claro que não. Não acredito nisso. Eles têm sim Deus. Lutam por seus fiéis. Muitos carregam os desafios ministeriais nos ombros. Mas sofrem escondidos. Um sofrimento tão grande que sangra a alma. Que esfola a vida. Que torna tudo sem gosto. Sem graça. Insuportável continuar. Pensar em ir em frente. Quando encontram a caverna da depressão, por mais úmida, com odor de mofo e escura que seja, assim como fez o grande e tão aclamado (principalmente entre os pentecostais) profeta Elias (1 Reis 19), se abrigam nela e, ainda que sem o menor conforto, dela não desejam sair.

Depressão: o próximo alvo pode ser você


A depressão atinge fracos e fortes. Os que acreditam em Deus e os ateus. Todos somos alvos da sua seta macabra. Evangélicos, espíritas, católicos, umbandistas. E todas as religiões que eu possa ter aqui esquecido. Ser cristão não significa estar imune às doenças, mas em tempos difíceis é possível evitar depressão profunda. É importante trabalhar as causas da depressão e não apenas os sintomas dela. É vital para o cristão trabalhar sua vida em Deus e não nas emoções.

Depressão só dá em quem está vivo. Todos nós estamos sujeitos a passar por ela. Ninguém está livre. Pode ser pastor ou ovelha. Rico ou pobre. Da cor que for. Ter nascido nesse continente ou em outro. Ela não liga. Todos lhe interessam. Todos, o tempo todo são seu alvo em potencial. Não se iluda. Nesse exato momento a depressão está com uma seta apontada para sua alma e vê nela um possível alvo a ser acertado.

Por que? Porque somos feitos de carne, ossos, dores e traumas. Somos feitos de quedas e lutas. De conquistas e perdas. Tanto nos alegramos com a vitória, quanto podemos sucumbir na mesma proporção pelos dessabores da derrota, da frustração. E tem horas que dói além da conta. Mais do que a gente consegue suportar. Não porque a gente é fraco. Não é. Mas porque a gente pode estar doente. Isso faz a diferença.

Interessante e importante observar que nem mesmo o grande e aclamado apóstolo Paulo (principalmente entre os teólogos) não se viu imune à depressão. Veja o que ele escreveu:

"Porque, mesmo quando chegamos à macedônia, a nossa carne não teve repouso algum; antes em tudo fomos atribulados: por fora combates, temores por dentro. Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito" (2 Coríntios 7:5,6 - grifo meu).
Ora, que "temores por dentro" são estes dos quais o apóstolo relata? Pessoas saudáveis conseguem sofrer e superar. Sofrem. Dão a volta por cima. Vão meio mancando, mas vão. Pessoas depressivas não conseguem. Toda a vida vai sendo contaminada pela depressão.

Dormem demais ou de menos. Comem demais ou de menos. Até tomar banho começa a ficar difícil. Sair de casa então? Nem pensar. Tudo é muito custoso. A depressão é como areia movediça. A gente vai afundando. Assustado, disfarça. Tenta lutar sozinho. Quanto mais luta, mais fica preso. Mais afunda. E mais [se] esconde.

Depressão "é possessão demoníaca"?


NÃO, NÃO, NÃO E MIL VEZES NÃO!!! A depressão é a doença mais julgada do mundo. A mais apontada como defeito. Fraqueza. Relaxamento. Ingratidão. A mais desrespeitada de todas. A que tem mais dedo apontado. A que recebe mais ofensas e agressões.

A sociedade nos cobra perfeição. Somos obrigados a mostrar sucessos e vitórias o tempo todo (como se isso fosse algo possível). A ser feliz. O tempo todo. Não há essa felicidade o tempo todo. A gente cai. Erra. Sofre. Em silêncio para não ser julgado e ficar pior ainda.

É esse silêncio que mata. A solidão. A dor de se sentir errado. Incompetente. Incompreendido. Fraco. Covarde. De não ter com quem contar. Não poder falar o que sente come a alma por dentro.

Novamente recorro à fala do apóstolo Paulo:
"Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito" (2 Co 7:6, grifo meu).
Paulo se sentiu consolado com a presença do seu discípulo, o jovem pastor Tito. Isso mostra o quanto pessoas queridas são importantes e fundamentais para ajudar a quem se encontra em meio ao deserto da depressão. A Bíblia não dá detalhes sobre o que teria feito Tito para consolar Paulo e sua comitiva, mas, certo é que algo de muito importante ele fez.

Fico triste com cada morte por depressão. Mais ainda com os julgamentos insensíveis de quem nada compreende. Com os falsos justos. Com os pseudos santos e falsos espirituais. Com os donos da verdade. Com os juízes platonistas de redes sociais e suas sentenças cabais sem quaisquer jurisprudência. Com os falsos ícones dos púlpitos e suas encenações de resistência inviolável. 

"Help, I need somebody
Help, not just anybody
Help, you know I need someone, help!"


Esse é o refrão de um dos clássicos hits da icônica banda inglesa The Beatles, "Help", cuja tradução literal é
"Socorro, eu preciso de alguém 
Socorro, mas não qualquer pessoa 
Socorro, você sabe que eu preciso de alguém, socorro!"
E esse refrão define bem o que clama alma de um depressivo. Padres, pastores deprimidos. O que isso quer nos dizer? Que podemos, sim, deprimir. Sem ser fracos. Sem ser ingratos a Deus ou à vida. Porque ninguém deprime porque quer. Adoecer não é escolha. Apenas acontece.

Acredito que Deus é amor, pois assim a Bíblia o define (João 4:8). Que jamais iria querer o sofrimento de alguém. E que já deve ter recebido e posto no colo esses pastores sofridos.

O que eu me pergunto é o que será que Deus quer nos mostrar? Esses suicídios podem ser uma forma de nos dizer que não é bem assim como a gente imagina? Que a depressão não é falta dEle no coração? Que é apenas uma doença triste e que precisa ser entendida e respeitada?

Lembre-se que Deus escreve certo por linhas certas. Quem sabe esses suicídios não podem servir para abrir nossos olhos? Amolecer nossos corações? Ampliar nosso entendimento curto e amargo dessa doença horrorosa?

As pessoas escondem o suicídio. Têm medo de falar a respeito. Vergonha de admitir quando aconteceu na família delas. O suicídio se esconde num silêncio sabido e cortante. Mas está por aqui. Nos ronda. Acontece. É real. Mais frequente do que a gente imagina.

Quem deve cuidar do deprimido: um neurologista, um psicólogo ou um psiquiatra?


Em nossos dias, tem sido muito enfatizado o tratamento com medicamentos específicos, os chamados antidepressivos. Eles agem no nível das sinapses do sistema nervoso central, ativando a ação dos neurotransmissores (serotonina e noradrenalina, principalmente). 

Os resultados do uso dessas substâncias têm sido animadores. Entretanto, deve-se lembrar que a depressão é uma experiência vivencial profunda, das mais perturbadoras para o ser humano. Como tal, ela implica sempre numa reconsideração existencial, que leva a reavaliação de atividades, compromissos, relacionamentos, valores e crenças. 

Sabe-se mesmo que a sua superação está relacionada à elaboração do significado que a experiência passa a ter na história de vida pessoal. Assim sendo, é indispensável que se propicie espaços terapêuticos em que a expressão dos sentimentos seja valorizada e estimulada, com vistas à sua adequada integração. 

Vê-se, portanto, que há ações que podem ser providas por diferentes fontes que atuem, preferencialmente, de forma coordenada e convergente. Algumas competências são específicas dos profissionais da saúde, como o ato de diagnosticar, medicar, exercer a psicoterapia, orientar sobre atitudes e riscos. 

Outras medidas de suporte podem ser supridas por familiares e amigos habilidosos, especialmente aqueles que já passaram por experiência semelhante, bem como por pastores e conselheiros capacitados. Papel destacado pode ocupar a igreja, desde que seja uma comunidade de acolhimento e estímulo aos que sofrem e às suas famílias.

É preciso falar a respeito. Mostrar que há saída. Incentivar a pedir ajuda. Espere por milagres sempre. Mas levante para buscar ajuda.

Está lá na Bíblia. Só olhar. Todos os milagres que Jesus fazia, ele  contava com a ajuda de alguém. Alguém trazia a água para transformar em vinho. Um pão e um peixe. O homem era Deus. Precisava disso? Claro que não.

Então por que fazia? Para mostrar que o milagre passa pela ação. Pela ajuda. Pela parceria. Pela busca de soluções. Essa é a lição. Quer um milagre para sua depressão? Ótimo. ore, então. E vá procurar uma terapia. Um psicólogo. Um psiquiatra.

Aí você se ofende com a minha indicação e grita agressivo:
- Eu não sou louco!
Não. Não é. Senão você não iria. Seria levado à força. Psiquiatras e psicólogos não são para loucos. São para quem sofre.

Tem horas na vida que o sofrimento é tão intenso que impossibilita a vida. A gente paralisa. Desnorteado, não sabe mais o que fazer. Que rumo tomar. O psiquiatra entra nessa hora. Ele medica afetos para diminuir a intensidade. Para você conseguir levar a vida até essa fase passar.

O psicólogo é quem vai, junto com você, entender o que está acontecendo. Os motivos de você estar passando por tudo isso. A razão de você não conseguir abrir mão de mágoas velhas e seguir em frente. O porquê de você não se dar valor.

Em casos de depressão, essa dupla psicólogo/psiquiatra bate um bolão. Eles podem salvar vidas. Eles podem ser o milagre que você ora pedindo que aconteça. Não tenha vergonha. Procure ajuda. O preconceito sim, esse mata.

Conclusão


Quando me perguntam se fé cura, digo que ela é suficiente para manter o ânimo. A depressão pode ser chamada de doença das emoções e cerca de uma em 20 pessoas são afetadas por essa doença que provoca distúrbio de humor caracterizado por vários graus de tristeza, solidão, desespero, insegurança ou culpa.

Não há na Bíblia menção a depressão propriamente dita, mas há características de pessoas depressivas. A Bíblia não menciona a palavra depressão embora descreve pessoas que poderiam se chamar de depressivos. Um exemplo bíblico de depressão foi o caso de Jonas, o próprio Elias que pediu a morte, Jeremias em Lamentações, Davi em muitos de seus Salmos cita situações de completa angústia. 

A doença pode resultar das seguintes questões: rejeição, abusos, estresse, raiva, fatores biológicos. E existem atividades que ajudam a combater a depressão como não ficar sozinho, procurar ajuda dos outros. A música pode elevar o espírito, como fez com Saul, quando Davi tocou a harpa. Leia firmemente a Palavra de Deus e descanse, confie nEle e em todos quantos, ao exemplo de Tito, Ele enviar para te consolar.
  • Há quem interessar possa, escrevi mais sobre esse tema: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, E, com certeza ainda voltarei a abordar esse assunto.
A Deus toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://circuitogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
E nem 1% religioso.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

DINHEIRO, PODER E SEXO: QUE LUGAR ESSA TRÍADE OCUPA EM SEU CORAÇÃO?


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"Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar" (1 Coríntios 10:13). 
"Se você quer saber quem domina você, descubra quem você está proibido de criticar" (Voltaire).
A trilogia dinheiro, sexo e poder é sempre atual, afinal, são três fatores que estiveram envolvidos em quase todos os movimentos sociais, políticos e econômicos desde as primeiras civilizações. Eles motivaram o início, a ascensão, o auge, o declínio e a derrocada de homens e mulheres, famílias e etnias, povoados e nações, iniciativas simples ou ideologias inteiras. 

É impossível pensar em um período histórico que não tenha sido motivado ou, pelo menos, influenciado por um dos elementos dessa tríade, ou por todos eles. E essa tríade também tem sido a principal causa da queda de servos(as) de Deus. Mas, antes de entrarmos no assunto, vamos entende à luz da Bíblia, a diferença entre provação e tentação. 
  • Provação
Vem de Deus (Gênesis 22:1);
Busca desenvolver o melhor em nós (Salmo 40:1);
Aproxima do padrão moral de Deus (Tiago 1:4);
Visa a fortalecer a pessoa (2:4);
Prova a fé (1 Pedro 4:12,13).
  • Tentação
Afasta do padrão moral de Deus (Romanos 7:18);
Visa ao mal (Tg 1:13);
Busca desenvolver o pior em nós (1:14);
Vem do diabo (1 Pd 5:8-10);
Leva à perdição (1 Timóteo 6:9).

Voltemos ao tema do artigo


Se as três irmãs da graça são fé, esperança e amor, também podemos dizer que as três irmãs da carne são sexo, poder e dinheiro. Anos atrás, eu fui alertado sobre essas irmãs da carne.

Todos nós somos constituídos de maneira diferente em corpo e alma. E nossas constituições naturais alimentam desejos particulares, pois o corpo e alma possuem um relacionamento orgânico entre si. Além disso, a posição social de uma pessoa também tem implicações para os tipos de pecado que ela comete: aqueles que são prósperos são inclinados a certos pecados, aqueles que são pobres a outros. Aqueles que têm grande intelecto são inclinados ao orgulho. Os pais devem ser cuidadosos antes de chamar seus filhos de o próximo Einstein.

Certos pecados são mais dominantes em diferentes estágios da vida. Uma criança possui um coração que será inclinado a certos pecados somente mais tarde. Além disso, os desejos pecaminosos dos indivíduos duram de acordo com suas variadas vocações. Judas roubou porque ele era pecador, e também porque, como tesoureiro, foi colocado diante de uma oportunidade fácil de roubar.

Para responder à objeção de que certos pecados são contrários a outros e que os homens não são dados a todos os tipos de cobiça, Thomas Goodwin explica que as pessoas são inclinadas a diferentes pecados em diferentes estágios de suas vidas. Assim, o jovem pródigo pode tornar-se cobiçoso quando for idoso. Também é verdade que algumas pessoas têm antipatia por certos pecados, mas essa antipatia não é moral, mas física, 
"ou porque seus corpos não suportam ou por algum outro incômodo que eles veem naquilo" (Goodwin). 
Um hipocondríaco pode não visitar uma prostituta por temor de ficar doente, em vez de temor de Deus.

A tentação para Davi ter Bate-Seba foi fortalecida pelo fato de que ele podia ter Bate-Seba. Essa tentação para a lascívia foi obviamente diferente para Davi quando ele era velho. Se nós pudéssemos ter qualquer mulher que quiséssemos, provavelmente lutaríamos muito mais com tentação sexual do que fazemos. O quaterback bonitão da universidade normalmente tem tentações maiores com mulheres que o capitão-assistente da equipe de xadrez.

Talvez nós devamos agradecer a Deus agora porque não somos particularmente atraentes ou bonitos; nós podemos agradecer a Deus porque não desfrutamos de muitos sucesso; nós podemos descobrir um dia que Ele nos manteve pobres (ou com a aparência relativamente mediana) para nos salvar e guardar de muitos pecados.

Alexandre "o Grande"


Estamos diante da corrida que mais recebe inscritos no planeta Terra, a busca desenfreada pelo dinheiro, o sexo em todas as suas formas mais inescrupulosas, possíveis e o desejo de galgar o poder a todo custo – e isso, diga-se de passagem, é um fato terrivelmente lamentável.

Uma das figuras que marcou a História por suas grandes conquistas, e sendo ainda tão jovem, foi Alexandre "o Grande", que, certamente, enveredou por todo esse tripé, alucinadamente perseguido pela maioria das pessoas. Ao chegar ao topo de cada faceta desse tripé, fica uma lição para se refletir, se vale ou não atingir "tal conquista".

Pare, pense e reflita: Havia um sábio e bom rei que já se encontrava no fim da vida. Pressentindo a chegada da morte, chamou seu único filho, tirou do dedo um anel e deu ao filho dizendo: 
"Meu filho, quando fores rei, leva sempre contigo este anel. Nele há uma inscrição. Quando estiveres vivendo situações extremas, de glória ou de dor, tira-o e lê o que há nele".
O rei morreu e seu filho passou a reinar usando sempre o anel que o Pai lhe deu. Passado algum tempo, surgiram conflitos com um reino vizinho que acabaram culminando em uma terrível guerra. À frente de seus soldados, o jovem rei partiu para enfrentar o inimigo. No auge da batalha, seus companheiros lutavam bravamente, mas havia muitos mortos, feridos, tristeza, dor… 

O rei, quase em desespero, lembrou-se do anel, tirou-o e leu a inscrição: 
"Isto também passará!". 
E ele continuou a luta, perdeu batalhas, venceu outras, mas ao final saiu vitorioso. Retornou ao seu reino e, coberto de glória, entrou em triunfo na cidade. O povo aclamou ardorosamente o rei, o herói; foi um momento de orgulho e honra. Nesse momento, ele se lembrou de seu velho e sábio pai, tirou o anel e leu: 
"Isto também passará!"
Todas as coisas na Terra passam. Os dias de dificuldades passarão, os dias de triunfo e de glória igualmente passarão.

Alexandre "o Grande" também entendeu isso. À beira da morte, convocou seus generais para que cumprissem seus três últimos desejos: 
  1. que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos mais importantes médicos da época; 
  2. que fossem espalhados no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (ouro, prata, pedras preciosas), e 
  3. que suas duas mãos fossem deixadas fora do caixão, à vista de todos.
Um dos generais, admirado com desejos tão estranhos, perguntou a Alexandre quais as razões. E ele explicou: 
  1. quero que os importantes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles não tiveram poder de cura perante a morte. Por mais inteligente e importante que seja um homem ele é limitado; 
  2. quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui permanecem, e 
  3. quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

Salomão "o Sábio"


A Bíblia descreve a vida de Salomão, a quem Deus concedeu riquezas e glórias que nenhum mortal conseguiu conquistar até hoje. Uma rainha, ao visitá-lo, admirada, exclamou: 
"Metade não me contaram..." (2 Crônicas 9:6). 
Ele conheceu muito bem essa estrada do dinheiro, do poder e do sexo. Atente-se para os conselhos deixados por ele: 
"Tudo quanto desejaram os meus olhos, não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma…" "Tudo quanto desejaram os meus olhos, não lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma…"; "Afasta o teu caminho da mulher adúltera… Para que teus bens não se fartem os estranhos, e o fruto do teu trabalho não entre em casa alheia, e gemas no fim da tua vida…" (Provérbios 2;10; 5:11). 
Veja mais exemplos em Eclesiastes 4:10, 12:8-13Que tal ouvir a voz da sabedoria?

O cuidado com esses perigos é ressaltado em João 2:15-16: 
"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não são do Pai, mas do mundo". 
O dicionário define concupiscência da carne (fome, sexo, conforto entre outros), dos olhos (desejos, dinheiro, bens, cobiça) e soberba da vida (ambição ao poder e ao prestígio).

Mas e quando se cede à tentação, está tudo acabado? O que se deve fazer? Salomão nos ensina em Provérbios 28:13:
"O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e as deixa alcançará misericórdia".
Nós podemos não achar que dinheiro é tentação até que a porta para o dinheiro se abra um pouquinho. Logo, como um leão provando sangue pela primeira vez, a porta se abre, nossos bolsos começam a ficar cheio daquilo que nos controla, e estamos indefesos contra a putrefação que se iniciou. 

Tudo isso para dizer que não sabemos o quanto amamos o dinheiro até que se torne realmente uma tentação real. Fique alerta: aqueles que lhe dão dinheiro provavelmente também controlam você de alguma forma. E, assim, você rapidamente é incapaz de criticá-los de qualquer maneira, forma ou jeito. Você se torna cada vez mais cego, como os ídolos a quem você serve (Salmo 115). Eu fico feliz que meu empregador é Deus e nenhuma organização tem controle sobre mim porque me pagam um monte de dinheiro.

Conclusão


Nós podemos não achar que amamos o poder até que tenhamos um gosto do poder. Tudo o que eu tenho visto até agora em círculos reformados tem somente me convencido que não somente o dinheiro corrompe, mas o poder corrompe ainda mais. De fato, quanto mais dinheiro, mais poder. Aqueles que estão no poder podem rapidamente cultivar uma cultura do medo. Como Voltaire disse, 
"Se você quer saber quem domina você, descubra quem você está proibido de criticar". 
Eu acho que alguns de nós poderiam achar esse exame bastante desconfortável.

M'Cheyne disse bem: 
"As sementes de todos os pecados estão em meu coração e talvez o mais perigoso é que eu não as vejo". 
Imagine ter amigos que realmente desafiarão você e lhe dirão que você está sendo estúpido! Espero que com o texto deste artigo eu possa tê-lo ajudado a colocar o dinheiro, o sexo e o poder no lugar certo, pois, quando isso acontece, embelezam a vida e abençoam relacionamentos.

A Deus toda glória.
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terça-feira, 13 de novembro de 2018

DISCOS QUE EU OUVI - 46: "MAIS DOCE QUE O MEL", REBANHÃO

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Você é capaz de imaginar um disco de música essencialmente gospel ser um símbolo de contestação? Pois é o caso do disco que trago no quadragésimo quinto capítulo da série especial de artigos Discos Que Eu Ouvi. "Mais Doce Que o Mel", da icônica banda Rebanhão, foi lançado no ano de 1981, em pleno período de censura pela ditadura militar. Uma época em que os artistas de todos os segmentos sofriam e muito com o punho forte dos censores e seus critérios nada convincentes para vetar e/ou liberar ao bel prazer alguma manifestação artística.

E, no caso do disco da Rebanhão, além dos rigores da censura, ele ainda passou pelo crivo da perseguição dentro do próprio círculo evangélico, que julgou a obra inapropriada para os rigorosos conceitos doutrinários de algumas denominações. O disco começou a causar desde sua capa. A foto da capa trazia os integrantes da banda. Até aí tudo bem, não fosse um detalhe que chocou os líderes religiosos da época: o líder e vocalista Janires - sem dúvida alguma, um dos nomes mais marcantes e importantes na história da música cristã nacional - pousou para a foto trajando uma camisa com os botões abertos e com o peitoral à mostra! Pronto. Estava causado o "escândalo".


A pastorada desceu sem dó o cajado na banda e muitos chegaram mesmo a proibir os jovens de suas igrejas de adquirirem o disco e/ou de ouvir aquela "música do diabo". Para resolver o "problemão" da capa, a gravadora, então, relançou o disco com uma enorme tarja preta tapando o peitão do Janires. Às favas com a estética! Ridículo, né? Pois é, mas para a época foi o que se pode fazer. Afinal, o disco por si só trazia um som que já era rejeitado pelos crentes daquela época em que os pastores afirmavam e os fiéis acreditavam que "o diabo é o pai do rock". Estupidez de quem falava tal asneira e burrice de quem acreditava.

Conhecendo o disco


Regime militar, libertação sexual, drogas, e desigualdade social e econômica. É o contexto em que o disco "Mais Doce Que o Mel", da banda Rebanhão, nasceu. A obra veio à existência em 1981, época em que festivais de rock e a cultura hippie, como o Woodstock, foram a marca dos jovens. Também, no período, bandas do gênero pregavam e viviam o lema "Drogas, Sexo e Rock & Roll". 

"Paz, Amor e Rock & Roll"


O grupo brasileiro, então liderado por um dos vocalistas, Janires Magalhães Manso, fora sensível a esses intensos fenômenos sociais e econômicos que atravessavam o país. Além disso, resgatou o apreço da cristandade pelo seu poder de contextualização cultural, o que os teólogos enquadrariam como tarefa do conceito de "movimento apostólico" da Igreja. 

Estas adaptações, sem, contudo, negar bases doutrinárias, tornam-se mais identificáveis nas influências musicais do disco, como o art rock, rock progressivo e pop rock, os quais, em geral, possuíam uma forte correlação com valores libertários do momento e que até hoje permeiam a cultura moderna (ou pós-moderna, ou hipermoderna). Sabiamente, misturou tais influências com estilos genericamente brasileiros, como a tropicália, solidificando o contexto nacional em suas faixas. 

Faixa a Faixa

A capa original, sem a famigerada tarja da censura religiosa


Isto é perceptível na canção (05/B) 'Casinha', um dos pontos altos do disco, escrita por Janires. Um choro que retrata, por meio de uma rica poesia, as facetas da desigualdade social e econômica nacional.

Tal contraste é enaltecido pela brasilidade contida na harmonia da faixa, por meio das belas execuções de violão ovation do compositor e acordeon por parte de Rick, escolha perfeita para se proclamar um dilema do nosso país.

Manso evoca não somente guetos de hiper desenvolvimento econômico e social, mas a própria idealização humana de cidade sem problemas, mentalização sinalizada em vários projetos [r]evolucionários de nosso tempo. Esta projeção, com tal riqueza filosófica, foi expressa por Fiodor Dostoievski, em Irmãos Karamazov, como o ato de trazer, por meio da ação humana, o céu a terra, na qual o mesmo condena como a atitude dos construtores da Torre de Babel.

Contrariando esse idealismo, mesmo que presente aparentemente no mundo, existe uma realidade de caos, violência e desgraças, a qual é expressa na segunda parte da canção. O cantor finaliza conclamando a existência da cidade eterna que Jesus construiu por meio de seu sacrifício na cruz, contestando todo tipo de planos de felicidade terrena. 

(02/B) 'Baião' é outro momento rico do álbum. No estilo nordestino baião, acompanhado pelo outro vocalista, Carlinhos Felix, Janires faz uma importante crítica. Ao som de triângulo, acordeom, guitarra e um baixo bem marcado de Paulo Marotta, o autor evoca vários temas de dimensões sociais, econômicas e culturais. Entre elas, o músico aborda a idealização de salvadores e o messianismo presente na nossa cultura. 

Desta forma, reflete o papel das universidades enquanto formadoras de certo tipo de personalidade. Caso refletirmos sobre todo o contexto histórico da educação, desde o nível fundamental ao superior, as principais influências são a Revolução Iluminista que, mesmo com todo o momento pós-moderno o qual vivemos, ainda presenciamos princípios que vão de encontro contra as ideias positivistas do movimento francês. 

Desta fonte, bebe-se a concepção da razão como um fim em si mesma, e, sob tal aspecto, teria um papel como um fundamento da virtude. Entretanto, a ilusão positivista não consegue enxergar que a razão serve também a algum propósito, é teleológica, como diria Aristóteles. Janires foi perspicaz ao cantar 
"até parece que as 'facurdade' só tá formando lampiões". 
Negando o seu rudimento teleológico, os racionalistas dão pano de fundo para as piores barbáries, quando eles mesmos não abdicam do racionalismo para se tornarem ideólogos, salvadores da queda humana. Como diria o poeta do Rebanhão, ainda tão atual, 
"...e Lampião e Lamparina, vela acesa e candeeiro, nunca vai salvar ninguém, inda se vai gastar dinheiro". 
O disco oferece, também, outras opções. (01/A) 'Tudo Passa' entra com um conjunto de metais, num estilo disco music, e já a mostrar um dos principais pratos da obra, o teclado de Pedro Braconnot, enquanto Carlinhos Felix proclama, em versos eclesiásticos, a temporalidade da vida e o fundamento absoluto em Jesus, o que pode ser até mesmo associado com a decadência do gênero naquele período.

A balada quase romântica e melancólica da segunda faixa (lado A do LP) 'Monte', com solos de sax tenor e cantada também por Felix, também é uma das melhores dádivas musicais da obra. Passageiro, num estilo funk blues, finaliza com solos de metais numa sonoridade próxima ao jazz e fala sobre o exílio de um cristão na Terra, enquanto um mero peregrino. 


Já o folk rock em (04/B) 'Amizade' enfoca nas seis cordas. Outra excelente opção do registro, (06/B) 'Tudo é Meu', segue o folk rock presente na faixa analisada anteriormente, mas trazendo como prenda solos de gaita, ao mesmo tempo em que conclama a promessa divina da herança de todas as coisas na realidade vindoura, em frente às falsas ofertas de identidade terrenas. As cinco canções foram todas compostas por Carlinhos Felix. 

(03/B) 'Refúgio', a única composição de Braconnot do disco, é uma faixa mais progressiva, com ênfase no teclado, a principal marca da canção. (03/A) 'Mel', de Janires, é construída por elementos do rock progressivo, com solos agudos e distorcidos de guitarra. O pout-pourri do cantor, em (04/A) 'Salas de Jantar/Jesus Cristo pode Te dar/Glória pra Jesus/Jesus Filho do Homem/Glória ao Pai, ao Filho, ao Espírito Santo', possui o detalhe de ter solos de guitarra, teclado e metais e ser a mais longa da obra (8:22). 

É, de certa forma, interessante o diálogo que algumas músicas estabelecem entre si. Versos que cantam a brevidade e a queda do homem em 'Tudo Passa', 'Mel', 'Refúgio', (01/B) 'Passageiro' e outras, são os mesmos que proclamam a incapacidade do homem de salvar a si mesmo, seja qual for a tentativa. Assim, tece críticas contra projetos humanos de redenção. Conforme canta Janires no pout-pourri
"...a poesia que fala que as flores iam crescer, estão amarrotadas, abandonadas no bolso dos poetas...". 
Porém, revela a salvação encontrada na cruz, no sacrifício de Jesus, como contraponto a esses projetos e a solução ao dilema da queda. 


Obra primorosa

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Dois tópicos merecem ser ressaltados. O projeto, antes de tudo, cumpriu um papel, que, até o momento, era menosprezado pelos músicos cristãos no Brasil: a contextualização da visão protestante para os mínimos aspectos da vida social. Este dever, que hoje se encontra como tema para discussão em vários grupos teológicos nacionais, principalmente no neocalvinismo, já estava sendo abordado em 1981, com a banda Rebanhão, principalmente pelo finado Janires. 

O outro ponto está na musicalidade do grupo. Ao experimentar o rock, um gênero marginalizado por parte de alguns cristãos mais religiosos e pouco utilizado na época em que foi lançada a obra, o Rebanhão conseguiu influenciar uma geração posterior, principalmente dentro do rock, e fundamentar o papel do músico enquanto contextualizador da mensagem protestante. 

É válido perceber também a influência do Keith Green, confessada por Braconnot, na visão da banda. Janires foi uma espécie de Green brasileiro, tanto pela história de vida semelhante, como pela visão musical. Resgatado de um vício em uma casa de recuperação para dependentes químicos, o Desafio Jovem, ligada ao Teen Challenge, do importante evangelista e pastor norte-americano David Wilkerson, Manso concebeu a banda como uma forma de levar o evangelho a uma geração presa ao lema "Drogas, Sexo e Rock & Roll"

Keith, um judeu que aprendeu o evangelho desde cedo, veio também de um contexto ligado às drogas e amor livre. Convertido, teve sua vida dedicada a propagar a mesma mensagem a um público também imerso nessa cultura libertária. Ambos tiveram suas histórias devotadas à mesma missão, até o fim precoce de suas vidas. Assim, o legado é outro aspecto positivo do disco, revelado nas suas boas influências. 

"Mais Doce Que o Mel" representa um pilar para uma arte e musicalidade mais holística, e também como obra prima realizada pelos cristãos. Ofereceu diversos elementos que mais tarde seriam intensamente tratados por bandas como Resgate, Fruto Sagrado, e os grupos oriundos do chamado Novo Movimento. Apesar dos variados detalhes estéticos na área musical, o que mais marcou a obra foi o art rock, principalmente pelo teclado de Pedro, que sobrepõe mesmo à guitarra de Felix. Este traço é pouco comum dentro do rock como um todo, porém popular dentro do art rock.

Conclusão


"Mais Doce Que o Mel" (vale a pena ouvir o disco completo, é só clicar no link) é uma obra primorosa e que merece sempre ser lembrada com menção honrosa, ainda mais nos nesses dias em que a música cristã tem capengado na criatividade, na qualidade espiritual, mesmo que tendo a seu favor os holofotes da mídia e os aparatos da tecnologia. 

O que vemos e/ou ouvimos é uma enxurrada de modinhas copiando os originais americanos, cheios de parafernalhas tecnológicas, mas com total ausência de criatividade e unção (ok, tudo bem, válido salientar as raríssimas, mas raríssimas mesmo, exceções) que inundam os púlpitos das igrejas e as mentes dos alienados que, presos nos tentáculos do preconceito e na cegueira da modernidade evanescente, viram a cara para os clássicos. Dou sem mais demoras o meu carimbo de 
 

[Fonte: Super Gospel]

A Deus toda glória.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ESCRITO NAS ESTRELAS - ESPECIAL: MORRE STAN LEE, O "SUPER HERÓI" DA MARVEL

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Terça-Feira 4 de Janeiro de 2011 entra para a história como o dia em que Stan Lee recebeu uma estrela na famosa calçada da fama em Hollywood.

Stanley Martin Lieber, mais conhecido como Stan Lee, morreu hoje, 12 de novembro de 2018, aos 95 anos, segundo o site TMZ. O famoso roteirista e editor nova-iorquino de histórias em quadrinhos passou mal em sua casa e foi levado ao hospital Cedars-Sinai de Los Angeles.

A causa de sua morte ainda não foi confirmada, mas ele vinha sofrendo de diversos problemas de saúde nos últimos tempos. Ele também havia sofrido uma cirurgia há alguns anos para colocar um marca-passo.

Criador e criaturas


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Lee foi uma das personalidades-chave da editora Marvel e, ao lado de uma equipe de desenhistas, tais como Steve Ditko e Jack Kirby, criou alguns dos super-heróis que protagonizaram as histórias em quadrinhos mais emblemáticas de todos os tempos.

Co-criador do Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, X-Men, Hulk e muitos outros heróis, ele também fez várias participações especiais nos longa-metragens baseados em personagens da Marvel.

Lee nasceu em Manhattan, no dia 28 de dezembro de 1922, filho do casal Jack e Celia Lieber, ambos judeus imigrantes da Romênia. Seu pai, um alfaiate, e sua mãe, dona-de-casa, tiveram ainda mais um filho, Larry, nascido em 1931 (e que assim como o irmão mais velho também fez carreira no mundo dos quadrinhos). 

Desde pequeno, Lee gostava de escrever, e seu sonho durante a adolescência era escrever um dia um grande romance. Ainda na adolescência, Lee trabalhou na Timely Comics, que mais tarde se tornaria a Marvel Comics. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, Lee alistou-se no Exército dos Estados Unidos e serviu na parte de comunicação, escrevendo manuais, slogans, filmes de treinamento e ocasionalmente desenhando. Após a Segunda Guerra Mundial, Lee voltou para a sua posição naquela que se tornaria a Marvel Comics. 

Nos anos 1960, Lee estava chegando aos 40 anos e se considerava velho para escrever histórias de super-heróis estereotipados. Foi então que sua mulher, Joan, sugeriu que ele deveria realmente criar seus próprios personagens, a seu modo. 

Com a ajuda de Jack Kirby, Lee deu a seus novos super-heróis sentimentos mais humanos. Seus personagens eram melancólicos e cometiam erros humanos. Preocupavam-se em pagar suas contas e impressionar suas namoradas e às vezes ficavam até doentes fisicamente. 

O primeiro trabalho conjunto entre Lee e Jack Kirby foi o grupo de super-heróis conhecido como O Quarteto Fantástico. Sua popularidade imediata fez com que Lee e os ilustradores da Marvel produzissem vários novos títulos. Lee criou o Incrível Hulk, o Homem de Ferro, Thor e os X-Men com Kirby; Demolidor com Bill Everett; e o personagem de maior sucesso da Marvel, o Homem-Aranha, criado com Steve Ditko. 

Nos últimos anos, Lee tornou-se um ícone e a cara pública da Marvel Comics. Ele fazia aparições em convenções de histórias em quadrinhos pelos EUA, palestrando e participando em discussões. Ele também se mudou para a Califórnia em 1981 para desenvolver as propriedades de televisão e filmes da Marvel.

As empresas DC Comics e Walt Disney Company se manifestaram nas redes sociais sobre a morte do escritor:
"Stan Lee era tão extraordinário quanto os personagens que criou. Um super-herói por direito próprio para os fãs da Marvel ao redor do mundo, Stan tinha o poder de inspirar, entreter e conectar. A escala de sua imaginação só foi superada pelo tamanho de seu coração"
disse Bob Iger, CEO e presidente da Walt Disney.

Em tweet, a DC –principal concorrente da Marvel– escreveu uma mensagem para o escritor:

*"He changed the way we look at heroes, and modern comics will always bear his indelible mark. His infectious enthusiasm reminded us why we all fell in love with these stories in the first place. Excelsior, Stan."
*Tradução: "Ele mudou a maneira como olhamos os heróis e os quadrinhos modernos sempre terão sua marca indelével. Seu entusiasmo contagiante nos lembrou por que todos nós nos apaixonamos por essas histórias em primeiro lugar. Excelsior, Stan."

Escritor mais bem pago de 2018


Conforme dito acima, durante a adolescência, Lee trabalhou para os publicadores Martin Goodman, na Timely Comics. A publicação tornou-se, mais tarde, a Marvel Comics.

O primeiro trabalho publicado do autor foi uma página para preencher texto assinada com o nome Stan Lee. A aparição foi em revista do Capitão América de 1941.

Em 2018, a revista People With Money noticiou que Lee foi o escritor mais bem pago no mundo. O norte-americano faturou US$46 milhões entre outubro de 2017 e outubro de 2018, quase US$20 milhões de vantagem à frente do 2º colocado.

Lee Processa POW!


Recentemente, o editor e roteirista processou – com 1 pedido de US$ 1 bilhão (R$ 3,67 bilhões) – a empresa POW!, da qual ele foi um dos fundadores. O autor afirmou que a empresa tentou se aproveitar de sua idade, de acordo com documentos judiciais.

Lee sofria de degeneração macular, um problema de vista vinculado à idade e não teve conhecimento de todos os pontos no momento da assinatura dos documentos sobre as condições de contrato com a empresa.

Conclusão


Lee fez participação especial em vários dos filmes dos heróis criados por ele
Stan Lee é uma lenda. Conhecido não apenas por fãs da Marvel, mas por qualquer pessoa que acompanha a nona arte, o quadrinista conseguiu deixar sua marca nas HQs não apenas criando personagens históricos para Casa de Ideias, mas também mudando a maneira de criar uma história em quadrinhos.

Seja por necessidade e falta de tempo ou para fazer com que os leitores se conectassem ainda mais com a Marvel, Lee fez mudanças que são sentidas até os dias de hoje e seguem como referência em diversas editoras pelo mundo. Eu, confesso, não sou fã de HQs e nem de filmes sobre super heróis, mas negar a importância do nome de Stan Lee seria alienação cultural e tentativa de negação do óbvio. Descanse em paz, Stan Lee. Excelsior!


A Deus toda glória.
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sábado, 10 de novembro de 2018

O "ESTILO DESPOJADO" DA NOIVA DO CORDEIRO NA ATUALIDADE

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Eu sou cristão protestante desde os 28 anos de idade, me converti exatamente no dia 21 de abril de 1995, ou seja, há 23 anos venho sendo dia a dia reformado. De lá até aqui, já vivi muita coisa nessa minha caminhada cristã. Já vi coisas que só Deus não duvida, pois Ele, em sua infinita sabedoria, sabe bem com quem está lidando.

Me sinto orgulhosamente um cristão protestante por escolha e iniciativa próprias, não fui levado por ninguém ao Caminho. Pra minha sorte, mesmo tendo à frente inúmeros atalhos e até mesmo tendo me aventurado por alguns deles, eu O encontrei e escolhi segui-lO e nEle prossigo avante rumo à carreira que me foi proposta. Já sofri muitos preconceitos por causa de minha confissão de fé e no texto desse artigo quero tentar esclarecer alguns conceitos sobre os seguidores do estilo de vida cristão que hoje em dia é amplamente exposto na mídia (agora ser "evangélico" é cult) mas, paradoxalmente, é desconhecida da maior parte dos brasileiros.

Muitos remendos e moldes


"Não tratem com desprezo as escrituras, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom" (Tessalonicenses 5:20,21 - grifo meu).
"Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos amoldeis com a forma desse mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento" (Romanos 12:1,2 - grifo meu).
Como você enxerga a igreja atual? Ao compará-la com a Igreja da época do seu início, o que mudou? Será que nós enxergamos a Igreja atual da mesma forma que Jesus, o noivo, a enxerga? Se fôssemos desenhar a noiva do Cordeiro de hoje, como ela seria?

Noiva Atual 


É com essa noiva que Cristo se unirá? Qual noivo se sujeitaria a isso? Cristo? Você se casaria com alguém nessas condições? 

Ela tem o olho grande para um monte de coisas que não a edificam, mas a visão pequena demais para enxergar o propósito que Deus planejou pra ela desde a eternidade! Seus braços são compridos para fazer muitas obras, mas curtos o suficiente para impedi-la de fazer o que realmente importa.

Ela possui pés grandes que a levam a todos os lugares, mas que não conseguem ir, de fato, a lugar algum. Suas vestes brancas estão manchadas de pecado e remendadas pelas muitas e várias denominações e doutrinas que a rodeiam, mas que só servem para desviá-la do foco: ser pura, santa, livre, ágil, limpa e poderosa.
"…para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém, santa e sem defeito" (Efésios 5:26,27). 
Segundo o texto, o quê purificará a noiva? A enxurrada da palavra revelada! A Igreja será lavada pela verdade do evangelho, da qual ela foi privada por tanto tempo. Observe que, somente quem está impuro precisa ser lavado!

Ao ser lavada, a Igreja se tornará santa e sem defeito, como a Bíblia afirma, também em outros textos: crer nessas verdades é participar disso! Somente em estado de glória e pureza, a Igreja na terra possibilitará a vinda de Jesus e sua união com ela!

Noiva Ataviada para o Cordeiro

Essa é a noiva que Jesus espera encontrar na sua vinda!

"Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos" (Apocalipse 19:7,8).
Note a semelhança deste texto com o anterior: a palavra purificadora vem de Cristo, o Noivo, mas a purificação é um papel da noiva! Há um engano mortal no entendimento da Igreja, de que seremos purificados das nossas transgressões na vinda de Jesus e tudo vai se resolver ali. NÃO! Esse papel é do crente no seu dia-a-dia! Temos crido que Jesus apenas morreu pelos nossos pecados, mas tudo vai muito além disso! A questão também não se resolveu completamente na cruz, pois ela foi apenas o desfecho de uma trajetória de morte diária, de santidade e obediência de Jesus, que O tornou vencedor até a morte!

O que aconteceu na cruz não nos deu um habeas corpus para pecar, com a certeza de que, na vinda de Cristo, seríamos simplesmente transformados do jeito que estivéssemos. Se fosse assim, teríamos corpos glorificados com manchas de pecado para sempre. Mas o Noivo não se coaduna com o pecado! Assim como aconteceu com Jesus, conosco se dará o mesmo: a palavra da verdade vai nos purificando na medida das nossas escolhas.

Essa purificação se dará diariamente, com o vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro, conforme o texto. E que linho é esse? São os atos de justiça dos santos. Atos de justiça são as escolhas que fazemos todo dia, como fruto da nossa justificação em Cristo. Cada escolha que você faz neste mundo, que o aproxima de Deus, está vestindo-o desse linho espiritualmente. É o linho finíssimo como consequência de atos de justiça que geram salvação em nós, entende? Somente os filhos vestidos com linho finíssimo reinarão com Cristo, como diz o apóstolo Paulo,
"…para que sejamos encontrados vestidos, e não nus".

"O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos" (3:5). 
Não fujamos da realidade de que, aquele que não vencer, não poderá vestir-se devidamente para o casamento, pois já não se vestiu antes! Além disso, terá o seu nome riscado do livro da vida! O nome será retirado porque já foi escrito na eternidade, e não na hora da "conversão", conforme veremos mais adiante. Todos os atos dos filhos de Deus neste mundo o tornam apto, dia a dia, a vestir-se para reinar ou não.
"Tens, contudo, em Sardes, umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestiduras e andarão de branco junto comigo, pois são dignas" (3:4).
As Igrejas da Ásia, de Apocalipse 3, são uma pré-figura da Igreja de todos os tempos, em várias épocas de sua trajetória. A cor branca, na Bíblia, simboliza pureza e santidade.
"...Pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu. Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas" (3:17,18). 
Todos os filhos que alcançarem o entendimento, no espírito, para enxergar que precisam tomar VERDADEIRA posição de santidade e compromisso com o Senhor, receberão estas vestes e vão reinar com Ele! É isso que significa "desenvolver" nossa salvação! Ser salvo é muito diferente de levantar a mão em uma igreja e, automaticamente, passar a fazer parte da "família de Deus", achando que já estamos com o passaporte carimbado para o "céu": essa visão está matando a necessidade e o desejo de santificação da noiva! A questão é que até hoje, a Igreja ainda não se deu conta do que significa, de fato, reinar com Cristo, porque o verdadeiro entendimento do Reino de Deus estava encoberto.
"E o Deus de paz em breve esmagará a Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco" (Romanos 16:20). 
Ao ler esse texto, nós temos nos acomodado em achar que Deus destruirá satanás por nós. Se Ele quisesse, poderia fazê-lo com um "estalar de dedos", mas esse privilégio e responsabilidade são da Igreja, conforme Efésios 1:22,23, que diz: 
"E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o Cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas". 
O embate com satanás está aberto e franco desde o início, mas no tempo do fim, não será essa Igreja confusa e desmotivada que conseguirá esmagá-lo debaixo dos seus pés.

Conclusão



Talvez a Igreja esteja aguardando Jesus voltar para dar um jeitinho de limpar a noiva antes do casamento. Se você pensa assim, pode estar correndo um grande risco de, ao não se preocupar em tornar-se um Filho de Deus vencedor, de nunca reinar com Cristo, pois o fato de fazer parte do rol de membros de uma igreja, necessariamente não o habilita para tal.
"…até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo; e veio o tempo em que os santos possuíram o reino" (Daniel 7:22). 
Veja que, se os santos ainda possuirão o reino, é porque não o possuem atualmente. É POR ISSO QUE LUTAMOS EM SANTIDADE! A justiça de Deus manifesta na Igreja, fará com que o reino que, até então, estava sob o domínio do mal, passe para as mãos dos santos de Deus de todos os tempos!
"O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão" (7:27).
Gloriosa e unida a Jesus, a Igreja receberá do Pai o reino, que está debaixo de todo o céu, ou seja, na TERRA, para que reinem eternamente. Entenda bem: todo o governo, o poder e as riquezas das nações pertencerão aos filhos que reinarão com Cristo. Quem reina, reina sobre alguém! Os filhos vencedores nasceram para reinar sobre os povos e abençoá-los!

Há um texto não canônico, ou seja, apócrifo, que é bastante interessante. Mesmo sem considerar sua validade no cânon sagrado, seu conteúdo é de considerável relevância com a Sagrada Escritura e serve sim para uma meditação. Com ele encerro a conclusão desse artigo e evoco sua meditação. Ele diz:
"Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo o Evangelho que nos pregaram… Eles receberam instruções e, repletos de certeza, por causa da ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, fortificados pela palavra de Deus e com a plena certeza dada pelo Espírito Santo, saíram anunciando que o Reino de Deus estava para chegar" (Clemente aos Coríntios 42:1; 3/65-93 d.C.).
  • A Primeira Epístola de Clemente, também conhecida literalmente como Clemente aos Coríntios (em grego: Κλήμεντος πρὸς Κορινθίους, Klēmentos pros Korinthious), abreviada como I Clemente, é uma carta endereçada aos cristãos da cidade de Corinto. A carta foi datada como sendo do final do século I ou começo do século II d.C. e, juntamente com o Didaquê e o Evangelho de Tomé, é um dos mais antigos – se não o mais antigo – documento cristão sobrevivente fora dos Evangelhos canônicos. Como o próprio nome indica, existe também uma Segunda Epístola de Clemente (hoje considerada como espúria.).
A Deus toda glória.
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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

"CRENTE OSTENTAÇÃO": SERVINDO AO DEUS DA GANÂNCIA

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"E disse-lhe um da multidão: 'Mestre, dize a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas ele lhe disse: 'Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?' E disse-lhes: 'Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui'" (Lucas 12:13-15, grifo meu).
Vivemos em uma sociedade impregnada pela ganância. O dinheiro e o ganho material ocupam o primeiro lugar como critério de decisão de muitas pessoas. É possível que você e eu estejamos entre essas pessoas. Somos facilmente influenciados pelo poder do dinheiro e dos bens materiais e pela falsa segurança que oferecem.

Precisamos aprender a resistir a essa influência. No texto bíblico acima lemos sobre um homem que foi até Jesus muito interessado em parte da herança do seu irmão. A palavra "irmão" no verso 13 talvez não esteja referindo a um "irmão de sangue", mas um amigo ou conhecido da sua comunidade.

Lendo atentamente o texto, qual você acha que foi a motivação desse homem ao desejar parte da herança? Será que ele estava querendo beneficiar seu "irmão" ou outras pessoas, ou estava em busca de seus próprios interesses? O início da resposta de Jesus, no verso 14, mostra que o Mestre captou as intenções e motivações do homem. E como de costume, aproveitou uma circunstância do dia-a-dia no seu convívio com as pessoas para expor e confrontar o pecado dos homens.

Para não cultuarmos o deus "escolha" da nossa época


Consumismo é a forma exagerada de materialismo que envolve os nossos cinco sentidos. Sustenta que a felicidade é alcançada quando se exerce o direito de escolha. Não vai dar tempo de curtir o que você adquiriu porque... "você descobre" mais uma necessidade.

O consumismo produziu um impacto forte e negativo nas áreas da ecologia, justiça e espiritualidade. E mina a evangelização. Uma igreja de consumistas não tem uma mensagem salvadora para a sociedade.

Em 1978, um pouco antes da sra. Margareth Thatcher chegar ao poder na Inglaterra, John Stott escreveu seu conhecido comentário sobre o Sermão da Montanha, intitulado Christian Counter-culture (Contracultura Cristã). Mas agora, olhando para a igreja vinte ou mais anos depois, me pergunto: o que aconteceu com a contracultura? De que maneira os cristãos estão diferentes?

Parecemos frequentemente tão envolvidos e imersos na promessa de felicidade proposta pelo consumismo quanto qualquer outra pessoa. No entanto, a Palavra de Deus nos revela coisas que nos causam desconforto. Nada há de errado com o mundo material, mas os cristãos estão sendo cada vez mais levados a adorar as coisas criadas. É provável que a nossa alegria esteja alicerçada nas criaturas em vez de firmada no Criador. 

Muitos que se dizem cristãos estão apenas interessados em um Deus que os encha de "saúde e riqueza" por intermédio dos assim chamados pregadores da Palavra da Fé do evangelho da prosperidade. Muitos de nós se tornaram amantes mais dos prazeres do que de Deus (2 Timóteo 3:4). Isso acontece para a nossa vergonha e nos coloca em risco espiritual.
 
Mesmo sem a ameaça do mundo tentando fazer com que apostatemos da fé em Cristo e nos oferecendo seus prazeres materiais, a causa principal da impotência da igreja cristã nos dias de hoje não são necessariamente os grandes pecados, mas o simples fato de que os cristãos se distraem com o que é trivial, com a infinidade de opções para ocupar o tempo na sociedade de consumo. 

Estas coisas talvez não sejam más em si mesmas, talvez não haja nada de errado com certas coisas que podemos comprar, mas o problema é que a nossa vida fica tumultuada e absorvida por coisas, atividades, diversão e tudo o mais que achamos tempo para fazer. Enquanto isso acontece, nosso foco na afirmação "Não terás outros deuses diante de ti" desaparece sem que se perceba. Nossa vida cristã é contaminada, não necessariamente por grandes corrupções, mas por assuntos triviais. Nos desviamos na Campina. Em linguagem antiga, nos tornamos mundanos.

Consumismo e ostentação X Fé 

 
O consumismo leva você às compras e diz: "A escolha é sua! Depende de você - se expresse". As escolhas pessoais fazem as pessoas se sentirem importantes. É uma forma de auto-afirmação. As coisas que escolho comprar expressam quem eu sou, ou a imagem que quero mostrar aos outros. As redes sociais que o digam!

Precisamos estar conscientes de que este é o mundo em que vivemos. Enquanto buscamos a liberdade, enquanto estamos engajados neste conflito entre a natureza pecaminosa e o Espírito, precisamos nos conscientizar de que estamos envolvidos neste marasmo geral do consumismo que nos levará a um caminho sem volta. 

Shopping Center da fé


Não é triste ver que até o cristianismo chega a nós em uma embalagem de consumo? Até a religião nos é vendida. Algumas das grandes conferências evangélicas se ajustam à mentalidade de consumo: há opções de seminários, e matérias, e diferentes estilos de adoração para atender a todo tipo de cultura religiosa. 

Depois há a área de apresentação e venda. Tudo está disposto como as mercadorias em um grande shopping center. Todos os livros dos principais oradores chamam a nossa atenção no estande. Todos os discursos e louvores de adoração apresentados na conferência estão instantaneamente disponíveis em mídias. São quase vendidos de forma que, por pouco, não pensamos que podemos comprar a espiritualidade se comprarmos estas coisas. 

E, mais uma vez, somente algumas empresas cristãs têm permissão para fazer propaganda desses produtos de maneira que possam proteger a parcela de mercado desta livraria ou daquela gravadora. Isso se tornou um grande negócio. Tudo isso parece tão diferente do espírito cristão das conferências evangélicas de anos atrás, quando a grande ênfase era fazer da convenção um momento de comunhão e encontro com Deus. 

É óbvio que não sou contra livros cristãos ou qualquer outra mídia de conteúdo evangélico, mas tudo parece tão centrado no lado comercial que podemos imaginar o que Deus realmente pensa de tudo isso. Sim, as conferências tinham de ser lugares onde as pessoas pudessem apresentar suas ofertas e tudo mais que fosse necessário para adorar a Deus, mas será que havia necessidade de transformar o templo de Deus em um mercado em vez de uma casa de oração? 

O ter X o ser


A mentalidade consumista não somente deturpou a nossa fé pessoal, como também enfraqueceu a importância das igrejas para a sociedade que está ao seu redor. Preferimos ir atrás do sonho de morar em uma casa bonita. Preferimos morar em um lugar onde podemos comprar uma casa melhor pelo preço que oferecemos. Uma vez que as pessoas optaram por ir "de carro" para a igreja, então as igrejas não estão mais ligadas às suas comunidades locais. 

Morando longe do local onde a igreja se reúne, torna-se mais difícil para a congregação se envolver em questões sociais e de boas obras que nos foram imputadas por Jesus e pelo evangelho como dever para com a comunidade. Em vez de os cristãos morarem e cultuarem a Deus em seus próprios bairros e sua fé sobreviver em um contexto que naturalmente esteja relacionado à fé e vida, o que ocorre é uma separação. 

As pessoas que moram no local onde se situa a igreja apenas veem muitos carros chegando e saindo aos domingos. As pessoas que moram nos bairros em que os cristãos residem apenas veem os carros saindo aos domingos e, depois de algum tempo, retornando. Nenhum grupo relaciona a vida dos cristãos ao amor de Deus manifestado por meio do cuidado de sua igreja. Como disse, grande parte deste deslocamento acontece porque há cristãos que vão atrás do que basicamente são valores do consumismo no que se refere à moradia e conforto. 

Onde está o compromisso com Cristo que não tinha onde reclinar a cabeça? Onde estão os valores do Senhor Jesus que estava preparado para "levar a vida com dificuldade", deixando as glórias do céu, tornando-se um simples carpinteiro e pregando sem rumo para seguir por nos amar e pelo bem do reino de Deus? Os cristãos precisam encarar estes fatos. Formar uma igreja para Deus requer compromisso. 

Galhos suspensos


Todos nós agora pensamos no medo do compromisso. Claro que há uma hesitação natural e justa antes de assumirmos um compromisso. É tolice não ter medo. Devemos pensar bem e saber no que estamos nos envolvendo, antes de firmarmos qualquer coisa na vida. Há, portanto, uma preocupação justa sobre o custo de todo compromisso antes de o assumirmos, e o próprio Jesus ressalta este fato.
 
Em Lucas 14:27 ele diz: 
"E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo". 
Portanto, ser um verdadeiro discípulo de Jesus tem um custo. Então, ele diz que devemos avaliar o preço: 
"Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar todos os que a virem zombem dele dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar" (Lc 14:28-30)
Na realidade, Jesus está dizendo: 
"Não quero que o mesmo aconteça com vocês. Se estiverem prestes a se tornarem cristãos, parem para pensar cuidadosamente em tudo que isto envolve". 

A importância do planejamento


É necessário que se faça um cálculo correto. A pessoa tem de se perguntar sobre quanto estas questões são sérias. Ela tem de refletir à luz da eternidade. É necessário o abandono dos prazeres do pecado. Haverá oposição de todos os tipos quando a proposta é ser um discípulo de Jesus. Há um custo. 

Contudo, lembre-se de que há um céu a ser conquistado e um inferno a ser evitado. Quando fizer isso e observar o custo, você verá que o preço não é tão alto assim. No entanto, Cristo quer que saibamos o que estamos ganhando com isso. É necessário que se pense bem na questão de se tornar um cristão. 

Não há recriminações por parte de Cristo quando há uma hesitação justa. Ele quer que façamos uma reflexão acertada e, à luz da eternidade, um compromisso sério. Feito este compromisso, ele quer que sejamos verdadeiros pelo resto da vida. 

Que cada um de nós esteja comprometido com Cristo na prática, nos trabalhos de sua igreja, na perseverança para alcançar o reino de Deus, na divulgação do evangelho e na busca em servir uns aos outros em Cristo. 

Sal que salga, luz que ilumina


Como os cristãos podem ser diferentes na sociedade de hoje? Como podemos dar um testemunho distintivo da forma como vivemos? Onde foram parar a essência do testemunho e o traço distintivo do estilo de vida do cristão do Ocidente? 

Além da necessidade de uma pureza de vida em uma cultura em decadência, creio de todo o meu coração que esta questão do contentamento é a essência necessária.
 
Vivemos na era do consumismo. Há uma preocupação constante em conseguir padrões de vida cada vez mais altos, ainda que a ecologia do planeta sofra danos com isso. Estamos expostos a uma vasta e sofisticada indústria de propaganda que contínua e deliberadamente busca estimular o descontentamento. Ela diz constantemente ao indivíduo: "Você precisa de mais". 

Em uma época em que todo o direcionamento da vida das pessoas se volta para a ascensão na vida profissional, aquisição de bens materiais que nunca satisfazem, um cristão ser capaz de dizer "Estou bem assim; não preciso de nada" é um tremendo e maravilhoso choque para o sistema dos não-cristãos. Este é o fator principal. Ser conhecidos como alguém que é capaz e, contudo, não tem ambição maior do que estar contente em Deus é tão surpreendente que desperta as pessoas. 

É tão chocante quanto ver um apóstolo velho, preso e malcuidado (Paulo), que prega uma religião desprezada, e perceber que ele está completamente em paz e radiante com a alegria celestial, a despeito de todas as circunstâncias. Não é de admirar que as novas do evangelho tenham se espalhado por toda a guarda pretoriana em Roma (Filipenses 1:13). 

Este homem era diferente de todos os prisioneiros que já tinham visto. Eles normalmente estavam mal-humorados e tinham muitas reclamações compreensíveis. Contudo, a cela deste homem era um lugar de alegria. Um coração repleto de alegria em Cristo é o segredo para causar este tipo de impacto em nossos vizinhos e colegas em nossa sociedade de consumo. 

Sem dúvida, o contentamento cristão é muito importante também por outras razões. É uma bênção pessoal. 
"De fato, grande fonte de lucro é a piedade com contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com o que nos vestir, estejamos contentes. 
Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitos sofrimentos" (1 Tm 6:6-10). 
Mas aqui, simplesmente observemos que é o contentamento que causará um impacto a favor de Cristo. Em contrapartida, ter a preocupação de enriquecer não apenas levará a ter problemas espirituais, como convencerá o mundo de que não somos diferentes dele. 

Conclusão


Veja no dicionário o que significa "ganância" ou "avareza". Na Bíblia, a expressão "amor ao dinheiro" também tem esse significado. Ganância é pecado? Sim! (Veja Ef 5:3,5; Colossenses 3:5-6; 1 Tm 6.9,10; Hebreus 13:5; Lc 11:39). E ter muito dinheiro é pecado? Em si, não! É possível que haja pessoas muito pobres extremamente gananciosas. E certamente há pessoas muito ricas que obtiveram sua riqueza pela ganância, com desonestidade e exploração, às quais a advertência do texto de hoje é dirigida. Mas, há também pessoas muito ricas extremamente generosas e livres da ganância. 

Assim como Deus capacita pessoas a abrir mão da busca por dinheiro e prosperidade material (como o próprio Jesus, seus discípulos e o apóstolo Paulo), Deus também prepara e capacita pessoas para administrarem riqueza segundo o Seu propósito (como José e Jó). E o que é realmente maravilhoso: o Evangelho tem poder para transformar pessoas gananciosas em pessoas honestas e generosas (como Zaqueu).

A você Deus concedeu talento empreendedor e capacidade de ganhar muito dinheiro? Use isso não para seu próprio benefício ou glória, mas para honrar e glorificar ao Senhor. Cuide para que o seu coração não seja dominado pela ganância e a advertência de hoje recaia sobre você. Ou a você Deus permite obter apenas o suficiente para suprir suas necessidades? Alegre-se, honre e glorifique ao Senhor, desenvolvendo uma vida de contentamento.

Fomos chamados por Deus. Ele pede que "abandonemos" a sociedade de consumo que tende a dominar as nações e até a igreja do Ocidente. Temos de ser diferentes no mundo que nos rodeia de várias maneiras. Devemos ser santos. E um ponto importante sobre esta santidade na atual geração é encher o coração do poder que vem de Cristo, que nos dá um contentamento sereno em todas as circunstâncias.
 
É por meio de Cristo que podemos fazer com que a sociedade desperte e perceba isso. Deus nos desafia para que sejamos visivelmente diferentes. Ele desafia esta geração de cristãos a ser transformada. Ele nos desafia a abandonar a falsa segurança do estilo de vida marcado pela ganância. A igreja de Cristo precisa se libertar dos grilhões do consumismo e, assim, ser capaz de glorificar a Deus aos olhos de um mundo atônito nos anos que estão por vir.

A Deus toda glória.
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