| Reprodução da internet |
A primeira e mais icônica versão cinematográfica de "O Morro dos Ventos Uivantes" (EUA, 1939), dirigida por William Wyler, é considerada uma das maiores obras-primas da era de ouro de Hollywood.
O longa transforma a atmosfera originalmente brutal do livro de Emily Brontë (✰1818/✞1848) em um melodrama gótico visualmente deslumbrante.
É sobre este verdadeiro e atemporal clássico da sétima arte, este novo capítulo da nossa série especial de artigos Contém Spoilers.
O longa transforma a atmosfera originalmente brutal do livro de Emily Brontë (✰1818/✞1848) em um melodrama gótico visualmente deslumbrante.
É sobre este verdadeiro e atemporal clássico da sétima arte, este novo capítulo da nossa série especial de artigos Contém Spoilers.
Curiosidade — O clássico de Emily Brontë já inspirou quase 35 adaptações audiovisuais, entre filmes para o cinema, minisséries de TV, novelas brasileiras e releituras modernas. A obra foi adaptada de inúmeras formas ao longo dos anos.
Sobre o longa
| Reprodução Cine Set |
O filme é um marco por transformar a atmosfera gótica e a obsessão destrutiva dos protagonistas em um melodrama romântico inesquecível, ancorado na forte química entre Laurence Olivier (✰1907/✞1989) e Merle Oberon (✰1911/✞1979).
O longa resume magistralmente a conexão visceral entre Heathcliff e Cathy Earnshaw.
Criados como irmãos de criação, eles desenvolvem um amor que transcende o físico, frequentemente descrito por falas onde Cathy proclama que a alma de ambos é a mesma.
O conflito central surge quando a ambição da moça a leva a um casamento sem amor com o aristocrata Edgar Linton, provocando a fúria e a sede de vingança de Heathcliff.
Criados como irmãos de criação, eles desenvolvem um amor que transcende o físico, frequentemente descrito por falas onde Cathy proclama que a alma de ambos é a mesma.
O conflito central surge quando a ambição da moça a leva a um casamento sem amor com o aristocrata Edgar Linton, provocando a fúria e a sede de vingança de Heathcliff.
Tragédia, Névoa e Obsessão:
Como o Clássico de 1939 Eternizou o Amor Maldito de Heathcliff e Cathy
| Reprodução Cine Set |
Em meio a produções grandiosas e coloridas que dominam as telas este ano, o diretor William Wyler decidiu arrastar o público para um território cinzento, gélido e psicologicamente devastador.
A estreia da primeira versão cinematográfica de "O Morro dos Ventos Uivantes" (Wuthering_Heights) não é apenas mais uma adaptação literária; é um marco que redefine o melodrama gótico em Hollywood.
Nas salas escuras, o espectador é imediatamente transportado para os pântanos isolados de Yorkshire, na Inglaterra. A narrativa se desenrola como uma memória fantasmagórica trazida pelo vento.
Acompanhamos a trajetória de Heathcliff, um órfão de origens misteriosas interpretado com uma intensidade feroz pelo ator britânico Laurence Olivier.
Adotado pela família Earnshaw, ele encontra sua alma gêmea na figura da jovem Catherine (Merle Oberon). No entanto, o preconceito social e a ambição burguesa erguem uma barreira intransponível entre os dois.
Sinópse
| Reprodução Cine Set |
Adotado pela família Earnshaw, ele encontra sua alma gêmea na figura da jovem Catherine (Merle Oberon). No entanto, o preconceito social e a ambição burguesa erguem uma barreira intransponível entre os dois.
O ponto de virada jornalístico desta crônica reside na escolha trágica de Cathy.
Dividida entre a paixão animal, quase transcendental, que nutre por Heathcliff e o desejo de ostentar um status social elevado, ela opta por se casar com o refinado e rico vizinho Edgar Linton (David Niven — ✰1910/✞1983).
Dividida entre a paixão animal, quase transcendental, que nutre por Heathcliff e o desejo de ostentar um status social elevado, ela opta por se casar com o refinado e rico vizinho Edgar Linton (David Niven — ✰1910/✞1983).
A decisão da protagonista sela o destino de todos ao redor. Rejeitado e humilhado, Heathcliff desaparece na noite, apenas para retornar anos mais tarde.
Mas ele não volta como o garoto estável de outrora; regressa como um homem rico, sofisticado e movido por um rancor absoluto.
A partir deste momento, o filme abandona o romance convencional para se transformar em uma crônica de vingança sistemática, onde o amor reprimido se converte em veneno puro.
Mas ele não volta como o garoto estável de outrora; regressa como um homem rico, sofisticado e movido por um rancor absoluto.
A partir deste momento, o filme abandona o romance convencional para se transformar em uma crônica de vingança sistemática, onde o amor reprimido se converte em veneno puro.
A Genialidade por Trás das Sombras
| Reprodução Cinéfilos Para Sempre |
Os desentendimentos entre o diretor William Wyler e o astro Laurence Olivier eram constantes.
Olivier, acostumado com os palcos teatrais de Shakespeare (✰1564/✞1616), inicialmente subestimou a linguagem sutil do cinema.
O resultado dessa colisão, contudo, é brilhante: a atuação de Olivier oscila perfeitamente entre a vulnerabilidade ferida e a crueldade demoníaca.
Visualmente, o longa é uma obra-prima de vanguarda. O diretor de fotografia Gregg Toland (✰1904/✞1948) — que já desponta como um dos nomes mais inovadores da indústria — utiliza sombras profundas e um foco de câmera que mantém tanto o primeiro plano quanto o fundo perfeitamente nítidos.
Cada frame do filme parece sufocado pela névoa e pelo isolamento da mansão que dá título à obra, espelhando a decadência mental de seus habitantes.
Cada frame do filme parece sufocado pela névoa e pelo isolamento da mansão que dá título à obra, espelhando a decadência mental de seus habitantes.
O Sacrifício Literário para a Tela Grande
| Reprodução Cine Set |
Os roteiristas Ben Hecht (✰1894/✞1964) e Charles MacArthur (✰1895/✞1956) tomaram a drástica decisão jornalística de cortar exatamente a metade final do livro. Toda a saga de sofrimento da segunda geração de personagens foi eliminada.
Além disso, a brutalidade crua da obra original foi levemente suavizada para atender aos padrões morais e comerciais da Hollywood atual.
No papel, o romance de Brontë é uma história sobre pessoas detestáveis destruindo umas às outras; na tela de Wyler, transformou-se no ápice do romantismo trágico.
No papel, o romance de Brontë é uma história sobre pessoas detestáveis destruindo umas às outras; na tela de Wyler, transformou-se no ápice do romantismo trágico.
Ao final da projeção, o que fica gravado na retina do público não é o horror da vingança, mas a imagem de dois amantes condenados a vagar juntos, além da própria morte, pelos campos gelados.
"O Morro dos Ventos Uivantes", a versão de 1939 — não a fraca releitura de 1992 ou a controversa releitura que chegou aos cinemas em 14 de fevereiro de 2026 —, consagra-se não por ser fiel à risca ao texto, mas por entender que o cinema necessita de sua própria poesia para imortalizar o mito do amor maldito.
"O Morro dos Ventos Uivantes", a versão de 1939 — não a fraca releitura de 1992 ou a controversa releitura que chegou aos cinemas em 14 de fevereiro de 2026 —, consagra-se não por ser fiel à risca ao texto, mas por entender que o cinema necessita de sua própria poesia para imortalizar o mito do amor maldito.
Avaliação
Pontos Fortes
- Atuações memoráveis
A direção de William Wyler equilibra com maestria o suspense e o romantismo. Laurence Olivier entrega uma performance marcante como um Heathcliff selvagem e sedutor, enquanto a trilha sonora de Alfred Newman (✰1900/✞1970) conduz o espectador pelas nuances psicológicas da obra.
A adaptação, que conquistou oito indicações ao Oscar, é amplamente considerada por críticos como o melhor filme já feito sobre o material.
A adaptação, que conquistou oito indicações ao Oscar, é amplamente considerada por críticos como o melhor filme já feito sobre o material.
- Fotografia premiada
- Trilha sonora
A música de Alfred Newman intensifica com precisão as oscilações psicológicas e a angústia dos protagonistas.
Pontos Fracos e Adaptação Literária
- Corte da metade do livro
Para focar na tragédia do casal principal, o roteiro omite a segunda geração de personagens (a história de Linton, Hareton e a jovem Cathy).
Isso suaviza levemente o ódio e a degradação presentes na obra literária, transformando-a em uma história que prioriza o melodrama trágico em detrimento do tom sombrio e de horror do romance original de 1847.
Isso suaviza levemente o ódio e a degradação presentes na obra literária, transformando-a em uma história que prioriza o melodrama trágico em detrimento do tom sombrio e de horror do romance original de 1847.
- Suavização do tom
Conclusão
"O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights)", 1939 — Completo | Legendado
Para os leitores mais puristas, o filme de 1939 pode desapontar pelas severas mudanças estruturais em relação ao livro.
No entanto, avaliado estritamente como cinema, é um clássico indispensável que definiu o padrão de romance trágico em Hollywood e eternizou o sofrimento de Heathcliff na cultura pop.
No entanto, avaliado estritamente como cinema, é um clássico indispensável que definiu o padrão de romance trágico em Hollywood e eternizou o sofrimento de Heathcliff na cultura pop.
- Por Leonardo Sérgio da Silva
- [Fonte: Leitura Fílmica; Adorocinema; Cineset]
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
- O blogue CONEXÃO GERAL presa pelo respeito à lei de direitos autorais (L9610. Lei nº 9.610, de 19/02/1998), creditando ao final de cada texto postado, todas as fontes citadas e/ou os originais usados como referências, assim como seus respectivos autores.

E nem 1% religioso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário