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segunda-feira, 15 de junho de 2026

ESPECIAL — IGREJA CRISTÃ MARANATA: SEITA?

Reprodução da internet
O filme "Midsommar: O mal não espera a noite", dirigido por Ari Aster e lançado em 2019, conta a história de um casal que viaja até a Suécia para participar de um festival de solstício e se depara com uma "seita" pagã.

O documentário "Wild, Wild Country" (Netflix, 2018) retrata a história real de um líder de "seita" indiano que tenta construir uma comunidade independente nos Estados Unidos.

O podcast O Ateliê, da Folha de São Paulo, expõe os abusos do fundador da escola de arte conhecida como Atelier do Centro e a "seita" criada pelo homem.

O horror de Jonestown


Um dos casos mais macabros, é o do suicídio coletivo dos membros do Templo do Povo em 18 de novembro de 1978, em Jonestown, Guiana, marca um dos eventos mais trágicos da história moderna, resultando na morte de mais de 900 pessoas, incluindo mais de 200 crianças.

Liderado por Jim Jones (✩1931/✞1978), o Templo do Povo foi inicialmente estabelecido como uma comunidade focada em justiça social, direitos civis e causas humanitárias.

No entanto, evoluiu para um ambiente altamente controlado, caracterizado pela liderança autoritária de Jones e extrema manipulação psicológica, incluindo práticas como "simulações de suicídio" que dessensibilizavam os membros a pensamentos de automutilação.
  • A Netflix possui um catálogo dedicado a documentários sobre o líder do culto Jim Jones e a tragédia do massacre de Jonestown.
Essas são histórias reais e ficcionais que abordam, de maneiras diferentes, o mesmo tema: grupos denominados como seitas.

Constantemente, esse assunto levanta questionamentos sobre seu funcionamento, quem são seus participantes e como podem ser identificados.

Para além das definições, a nomenclatura seita muitas vezes também é usada de forma a desqualificar um grupo religioso ou organização.

Um grupo que pertence a uma igreja evangélica pode dizer que outra igreja é uma seita, porque não concorda com suas doutrinas.

Assim, no imaginário evangélico brasileiro, as seitas seriam aquelas igrejas que, supostamente, pregam doutrinas contrárias a determinados princípios bíblicos e não seguem a ortodoxia evangelical.

Como nasceu a Igreja Cristã Maranata


Sede inaugural da Igreja Maranata em Rio Marinho, Vila Velha em 1968
N o dia 3 de janeiro de 1968, foi inaugurada em Vila Velha, no Espírito Santo, uma igreja com 73 membros, sendo que 21 deles foram batizados durante a cerimônia de inauguração.

E assim tinha início a Igreja Cristã Maranata. Maranata é a palavra usada pelo apóstolo Paulo para falar sobre a grande mensagem da igreja, que é: o Rei vem, ou seja, Jesus voltará.

O fundador foi o Pastor Gedelti Victalino Teixeira Gueiros (✩1931/✞2025). Ele esteve à frente da instituição, desde o seu início em 1968, até o seu falecimento, aos 98 anos.
"A Igreja surgiu no seio da comunidade evangélica como resultado de um acontecimento previsto para o tempo presente",
afirma o pastor Valter Babo,
"como está escrito no livro do profeta Joel 2:28".
Valter dos Santos Babo foi um líder religioso de destaque e membro do Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata, que faleceu em 26 de junho de 2024. Ele dedicou sua vida ao ministério e era conhecido por seu trabalho na coordenação de ações sociais e evangelização
Começava ali o esforço missionário da instituição, que se espalhou por todos os continentes.

A Igreja atua em países como Haiti, Cuba, Macedônia, Burkina Faso, Uganda, Uzbequistão, Paquistão, Malásia, China e Nova Zelândia.

Fatos marcantes no Brasil


No Brasil, a força da Igreja Cristã Maranata ficou visível em três ocasiões, quando foram realizados grandes encontros:
  • Em 1976, 35 000 pessoas se reuniram no Estádio Engenheiro Alencar Araripe, em Cariacica (ES).

  • Em 2006, 100 000 pessoas participaram do segundo evento, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte (MG).

  • Em 2013, na praça de eventos da enseada de Suá, em Vitória (ES), foram 125 000 pessoas, acompanhadas por um coro de 1 200 vozes.

A instituição hoje tem grande atividade na internet, com canal e rádio nas principais plataformas.


Linha doutrinária


Ao longo dessas quase 6 décadas, a Igreja Cristã Maranata sustentou uma série de conceitos e práticas que a diferenciam.

Identifica-se como uma igreja ortodoxa e busca viver um evangelho vivo, sem contaminações por tradições religiosas que, muitas vezes, levam à apatia.

Segue uma linha teológica protestante, pentecostal e restauracionista.

Sua base de crença, conforme consta na página de apresentação do site oficia da instituição, é fortemente fundamentada na Bíblia Sagrada, considerada a única regra de fé e prática, enfatizando a salvação pela graça e a manifestação contínua dos dons espirituais, como profecias, revelações e línguas estranhas.

A liderança e o corpo ministerial são compostos por voluntários não remunerados, que realizam as atividades da igreja.

Inclui rituais específicos, como o "Clamor pelo Sangue de Jesus" (oração de proteção), a observância de orientações recebidas por revelação divina e reuniões frequentes de oração logo pela manhã.

Por que a ICM é considerada seita por alguns?



Reprodução ICM
A rotulação da Igreja Cristã Maranata (ICM) como "seita" por alguns críticos, teólogos — como o pastor Pedro Reis, Caio Modesto e Maurílio Borges, os três já falaram sobre o assunto em vídeos postados nos seus respectivos canais nas redes sociais —, e ex-membros não possui um caráter oficial ou jurídico, mas decorre de divergências teológicas e comportamentais específicas que geram debates no meio cristão tradicional.

De um lado, críticos apontam o exclusivismo religioso e o foco em revelações extrabíblicas como traços sectários. De outro, a instituição se defende afirmando seguir rigorosamente os preceitos bíblicos evangélicos.

Para que não restem dúvidas de que a Igreja Cristã Maranata é considerada uma seita religiosa, é recomendável que todos leiam o Comunicado 46 emitido pela Presidência da igreja, que foi compartilhado em todas as congregações locais da Maranata.

Neste comunicado acima, o Presbitério da Igreja Maranata deixa explícito que Jesus e o Espírito Santo são "propriedade exclusiva" da ICM, e que esta informação deve ser levada em consideração por todos os membros que cogitam sair da Maranata.

Abaixo estão os principais motivos que levam críticos e apologistas evangélicos a utilizarem esse termo:
  • Fatores que geram as críticas de "seita"
Sectarismo Religioso — Críticos apontam que a instituição frequentemente se autodenomina como "A Obra", gerando em círculos internos a percepção de que seriam o único grupo que detém a "revelação" correta dos tempos atuais.

A convivência próxima ou participação em cultos de outras denominações evangélicas já foi apontada por críticos locais como desencorajada.

Quando você é convidado insistentemente, o membro o faz pois dele é cobrado esta atitude.

Ou muitas vezes dependendo do pastor de sua unidade (ministério), o membro sente no ápice de seu fanatismo converter todos a Igreja, como se membro dela for, será salvo.

Sendo que a verdadeira salvação está somente em Jesus Cristo para quem deseja ser cristão e ler a Bíblia.

A mistura Igreja, Cristo, Espírito e Deus é tamanha, a ponto de muitos acreditarem que estão na casa do Altíssimo, ou aquela é a obra verdadeira, revelada, autentica da trindade.

Uso da "Palavra Revelada" — O grupo adota uma forte vertente teológica alegórica.

Nela, decisões administrativas, escolhas pessoais de membros e interpretações bíblicas dependem diretamente de dons proféticos (como visões, sonhos e revelações).

Teólogos tradicionais criticam essa prática por entenderem que ela coloca revelações cotidianas no mesmo nível de autoridade da Bíblia. 

Centralização e Rigidez Institucional — A liderança exercida pelo Presbitério Central (com sede em Vila Velha, ES) possui decisões altamente centralizadas.

Relatos de ex-membros na internet apontam que questionamentos à liderança ou desobediência às orientações dos pastores são por vezes tratados como "idolatria" ou falta de submissão espiritual. 

Histórico de Escândalos Judiciais — Em 2013, investigações do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) envolvendo membros da cúpula da igreja sob acusações de estelionato, falsidade ideológica e desvio financeiros abalaram a imagem pública da instituição, alimentando críticas externas.

Os Manaains


Os Maanains são grandes centros de treinamento bíblico, retiros espirituais e convenções pertencentes à Igreja Cristã Maranata (ICM).

A palavra "Maanaim" possui origem hebraica e significa "acampamento de anjos" ou "dois acampamentos", fazendo referência à passagem bíblica de Gênesis 32:2, onde o patriarca Jacó se deparou com um exército celestial.

Quase todos os Maanains são construídos em áreas rurais ou de preservação ambiental, integrando a arquitetura local com áreas verdes e matas nativas.

A instituição utiliza esses locais para centralizar o ensino e o fortalecimento espiritual da comunidade.

O primeiro e maior complexo é o Maanaim de Domingos Martins, localizado na região serrana do Espírito Santo.
  • Propósitos Principais
Ensino Doutrinário — Realização periódica de seminários voltados para pastores, diáconos, jovens, crianças e grupos de louvor.

Comunhão e Retiro — Espaços isolados das atividades cotidianas das cidades para que os membros busquem renovo espiritual e fortalecimento da fé.

Unificação da Obra — Padronização dos ensinamentos e práticas litúrgicas adotados em todos os templos locais do Brasil e do exterior.
Existem dezenas de Maanains espalhados por diversos estados do Brasil (como o Maanaim de Belo Horizonte e o de Juiz de Fora em Minas Gerais) e também em outros países.

Conclusão

A defesa e o posicionamento da Igreja Cristã Maranata


Ausência de Pedidos de Dinheiro — Diferente de diversas vertentes neopentecostais, a Maranata não realiza coleta de ofertas ou dinheiro publicamente durante os seus cultos. 
A manutenção dos templos é feita de forma reservada por dízimos voluntários.  
Ministério Voluntário — Praticamente todos os seus pastores e obreiros são profissionais liberais (como médicos, advogados e militares) que não recebem salário da igreja, exercendo suas funções de forma estritamente voluntária.
Bom, neste artigo, vimos os dois lados. Por fim, cabe a cada um fazer o que é orientado na Palavra, pelo apóstolo Paulo:
"...mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. 
(1 Tessalonicenses 5:21, grifo meu).
  • Por Leonardo Sérgio da Silva
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.


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E nem 1% religioso.

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