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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

LIVROS QUE EU LI: "A METAMORFOSE" - FRANZ KAFKA


O mais famoso livro do escritor tcheco Franz Kafka não conta apenas a história do homem transformado em um inseto monstruoso. Ao narrar a trajetória do caixeiro-viajante Gregor Samsa - que ao acordar vê o próprio corpo metamorfoseado em um bicho com “dorso duro e inúmeras patas” - o escritor consegue, através de metáforas, contextualizar a condição humana e os dramas psíquicos da sociedade.

Análise psico-social


Considerando o conceito de que crítica sociológica, é aquela que procura ver o fenômeno da literatura como parte de um contexto maior, uma sociedade, uma cultura, a obra enquadra-se como exemplo concreto da concepção da produção literária como reflexo do contexto social de uma época.

A literatura não é um fenômeno independente, nem a obra literária é criada apenas a partir da vontade e da “inspiração” do artista. Ela é criada dentro de um contexto; numa determinada língua, dentro de um determinado país e numa determinada época, onde se pensa de uma certa maneira; portanto, ela carrega em si as marcas desse contexto. Estudando essas marcas dentro da literatura, podemos perceber como a sociedade na qual o texto foi produzido se estrutura, quais eram os seus valores.

O drama do personagem Samsa se assemelha à vida de um trabalhador comum que exerce atividades burocráticas. Ao relatar as experiências do inseto que se esperneia tentando voltar à posição natural, ele mostra as tentativas de se rebelar contra as imposições da sociedade. O caixeiro-viajante só consegue romper com o automatismo, a dominação e a alienação das atividades diárias e da rotina, na condição de inseto. Com ironia, Franz Kafka provoca o leitor para o questionamento.

O autor mescla a sátira com a tragédia ao longo da narrativa. Sem cerimônias, o leitor já se dá conta do teor da obra na primeira frase do livro, que já revela o quanto ele denso e complexo: 
“Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”.

Resenha que não dispensa a leitura da obra


A dimensão social que o autor dá para o livro se resume ao quarto do protagonista, onde se desencadeia praticamente toda a história. Mas nem por isso a narrativa deixa de associar a literatura como um fenômeno intrinsecamente ligado à vida social. A influência social na obra vai além dos lugares mencionados no livro. O apelo está muito mais para o contexto psicológico do personagem.

A obra foi escrita em 1912, dois anos antes do início da Primeira Guerra Mundial. O clima de agonia e pessimismo mantido por Kafka é apontado por alguns autores como relação direta com o cenário mundial da época em que a obra foi escrita. Apesar de ter sido escrita no início do século XVII, a obra permanece atual porque explora temas característicos da sociedade contemporânea, como a crise existencial, a desesperança do ser, pessimismo, a ausência de resposta, a solidão, impotência e a fuga – temas recorrentes da literatura de Franz Kafka.
  • Nota de advertência: Se você tem alguma tendência à depressão, por Deus, passe longe desse livro.


Uma obra impactante e influenciadora


A arte tanto é influenciada pela sociedade quanto a influencia. A influência da sociedade na obra aparece tanto na superfície do texto (descrição de casas, roupas, hábitos, etc) quanto na caracterização das personagens (sua psicologia, seus preconceitos, ambições). A influência da obra na sociedade acontece porque os indivíduos que leem o texto recebem dele certa influência que pode traduzir-se na prática, mudando de alguma maneira o comportamento dos leitores.

A maneira como a história se desenrola proporciona uma imersão de quem a lê. O atraso para o trabalho leva o chefe de Samsa a ir até a casa do funcionário. A demora obriga a família e o chefe a abrir a porta do quarto, quando se deparam com uma barata gigante. Um outro aspecto a ser considerado é que apesar de em nenhum momento da obra o autor fazer referência ao nome do inseto ao qual Samsa foi transformado, o leitor subentende que se trata de uma barata. Será porque?

A descrição pormenorizada garante condições para essa interpretação. O fato de não haver uma menção explícita à barata também reforça as sutilezas usadas pelo autor para abordar o assunto. Assim como Machado de Assis deixa dúvidas em relação a possível traição de Capitu e Bentinho no livro Dom Casmurro – característica que faz muitos críticos considerarem o aspecto como grande mérito do escritor.

Após a leitura de “A Metamorfose, o leitor pode ficar com uma incômoda sensação ao refletir sobre as contradições que envolvem as relações humanas. Quando a família descobre a transformação vivenciada por Samsa, ele passa a ser desprezível e deve ser eliminado. Mesmo quando a irmã mais nova começa a se aproximar dele com o objetivo de alimentá-lo, não esconde as esperanças de que voltasse à forma humana.

O problema e desconforto gerado pelo protagonista para a família se resolvem quando a barata morre. A partir de uma abordagem sociológica, a sensação de alívio da família com a morte de Samsa faz questionar sobre como os interesses pautam a convivência. Como o peso carregado pelo pai, a mãe e a irmã mais nova, que dependiam do dinheiro de Samsa para o próprio sustento, só acaba com o fim do inseto, cria-se a impressão de que ele só era bem quisto quando garantia um retorno prático, quando não estava impossibilitado de trabalhar e repassava a própria remuneração a eles.

Na medida em que não pode mais produzir renda, não serve para mais nada. Não é uma mera alusão à sociedade capitalista. Trata-se de uma forma – cruel, mas talvez verdadeira – de retratar a frieza e falta de escrúpulos do ser humano diante de situações de conflito. Quando a família passa a trabalhar e não depender mais dele, os problemas se resolvem. E ela faz questão de se livrar dele, como mostra esse trecho da obra:
“... quando nesse momento alguma coisa, atirada de leve, voou bem ao seu lado e rolou diante dele. Era uma maça; a segunda passou voando logo em seguida por cima dele. Gregor ficou paralisado de susto; continuar correndo era inútil, pois o pai tinha decidido bombardeá-lo. 
Da fruteira em cima do bufê, ele havia enchido os bolsos de maçãs e, por enquanto, sem mirar direito, as atirava uma a uma. As pequenas maçãs vermelhas rolavam como que eletrizadas pelo chão e batiam umas nas outras. Uma maçã atirada sem força raspou as costas de Gregor, mas escorregou sem causar danos. Uma que logo se seguiu, pelo contrário, literalmente penetrou nas costas dele. 
Gregor quis continuar se arrastando, como se a dor, surpreendente e inacreditável, pudesse passar com a mudança de lugar; mas ele se sentia como se estivesse pregado no chão e esticou o corpo numa total confusão de todos os sentidos...”
As maçãs arremessadas pelo pai ao filho demonstram toda a raiva e descontrole em lidar com o problema. A cena não transparece apenas a dor física de Samsa, ao ser atingido pelas maçãs, mas o sofrimento por não ser mais aceito pela família, sendo rejeitado. 


Conclusão


A Metamorfose explora a solidão, os sentimentos de exclusão e as crises do homem contemporâneo. Por abordar com profundidade aspectos sociais, é uma referência da literatura universal.

O mundo imaginário e surreal que marca as obras do autor faz surgir o termo kafkiano, característico de todo esse universo desconhecido e único. Em A Metamorfose, o fantástico norteia a história, mas uma leitura atenta pode revelar que a abordagem registrada na obra pode não ser tão imaginária como se pode pensar, em um primeiro momento. 

A impotência de Samsa perante ações que antes lhe eram rotineiras como sair da cama ou caminhar, faz uma alusão às fraquezas humanas diante de pressões sociais. Denuncia como a sociedade restringe o valor do ser humano ao que produz e às aparências. É um livro sensacional, intrigante, complexo, envolvente, desafiador, contestador... desde o título. Esse eu carimbo sem pestanejar:

  • Título: A Metamorfose
  • Título original: Die Verwandlung
  • Autor: Franz Kafka
  • Ano de Edição: 1915/2013
  • Páginas: 96
  • Editora: Leya





Deus toda glória. 
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E nem 1% religioso.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

ACONTECIMENTOS - OS 20 ANOS DA MORTE DO CB. VALÉRIO, O MÁRTIR DO MAIOR MOVIMENTO DA PMMG

Junho de 1997, a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG), iniciava as comemorações de seus 222 anos. Policiais militares, em sua grande maioria praças, deram início a um movimento reivindicatório inédito em toda sua história e que ficou marcado pela trágica morte do cabo Valério dos Santos Oliveira, à época, com 36 anos de idade. Cabo Valério se tornou o mártir do movimento que foi responsável por importantes mudanças na estrutura de toda a corporação.

Como nasceu o movimento


O movimento dos policiais, notadamente dos praças, não nasceu ao acaso. Já em 1988 a imprensa destacou a seguinte matéria: 
“Coronel afirma que governador corrompe comandantes da PM”.
A notícia era de um coronel reformado denunciando a miséria na Polícia Militar. De lá para cá encontramos - em 19 de maio de 1992 - a manifestação “Panela Vazias” protagonizada por cerca de 200 esposas de policiais militares da capital que saíram da Praça Duque de Caxias, passaram pelos 16º e 01º Batalhões até chegarem ao prédio do comando. 

Elas bateram panelas, fizeram orações e gritaram palavras de ordem. O movimento foi pacífico e pontual, mas não deixou de marcar na memória uma antiga reivindicação dos policiais, a isonomia salarial com os funcionários dos poderes judiciário e legislativo. 

Em setembro de 1995; novamente um coronel publicou na imprensa um manifesto incitando os praças a tomarem uma posição diante das condições objetivas por que passava os praças. As tímidas manifestações enunciadas não deixam de revelar o mal-estar que existia na Polícia Militar de Minas Gerais. Provavelmente, elas já evidenciavam um amadurecimento político dos integrantes da corporação caracterizado como uma “percepção tardia” de direitos e levada a efeito depois a partir das “performances familiares apreendidas” ao longo do tempo. 

No entanto, o que abalou “a disciplina e a hierarquia que constituem a base institucional da Polícia Militar” foi a sexta-feira do dia 13 de junho de 1997, o qual na visão das principais lideranças do movimento foi um “divisor de águas”. 


O estopim do Movimento


Em cinco de junho de 1997 o então governador Eduardo Azeredo (PSDB) concedeu um reajuste de 11% aos oficiais da Polícia Militar seguindo a primeira etapa da desejada equiparação com os delegados. A decisão política do governo, o qual acreditou na “histórica docilidade, disciplina e dedicação dos policiais de baixa patente da polícia mineira”, quebrou laços de solidariedade, reforçou uma espécie de darwinismo policial nas relações existentes entre oficiais e praças e precipitou a revolta dos praças que passaram a reclamar no interior das unidades da corporação. 

No dia seguinte ao anúncio de reajuste privilegiado aos oficiais, o cabo Glendyson Hércules de Moura Costa, 31 anos, foi alvejado por cinco tiros a queima roupa, quando tentava prender criminosos que roubavam uma casa lotérica. O episódio tencionou as relações no interior dos quartéis e, cinco dias após ser baleado, o policial militar não resistiu e morreu. O sepultamento do praça contou com a mobilização de aproximadamente 300 policiais.

As reivindicações


No 22º Batalhão da Polícia Militar (BPM) e no Batalhão de Choque colchões foram queimados nos alojamentos das praças. Acreditando na “docilidade da tropa” o comando da corporação minimizou os fatos e negou qualquer ato de rebeldia.

No dia 12 de junho de 1997, cerca de 300 praças do Batalhão de Choque recusaram as ordens para o policiamento. Neste mesmo dia ocorreram manifestações no 13º BPM, 16º BPM e 18º BPM. No dia seguinte a tropa do Batalhão de Choque ganhou as ruas de Belo Horizonte. Com um forte caráter de livre exercício da cidadania mesclado à cultura da caserna, muito bem conceituados como “uma atípica cerimônia militar”, os servidores policiais militares saíram em passeata reivindicativa no mesmo modus operandi dos trabalhadores celetistas. Durante o percurso, os PMs não interromperam o trânsito, ocuparam somente uma faixa da pista, ensaiaram palavras de ordem, orações, hino da corporação e o Hino Nacional.

A passeata chegou ao coração da capital mineira e os policiais abraçaram estrategicamente o “Pirulito” da Praça Sete. Naquele local era percebido o apoio dos policiais civis, dos policiais militares do Batalhão de Trânsito, da Cavalaria, do 01º, 16º e 18º Batalhões de Polícia. Em seguida, os policiais desfilaram em direção à Praça da Liberdade contando com muitos aplausos da população e chuva de papéis picados.

Em frente ao Palácio da Liberdade, a então sede do Governo, cerca de 1500 policiais entoaram o Hino Nacional, se ajoelharam e fizeram orações em memória aos companheiros que tombaram em confrontos com criminosos e por suicídio. Além disso, deram entrevistas ás redes de TV e queimaram os contracheques dando de costas ao Palácio da Liberdade.

Longe da liderança e representação dos oficiais de alta patente, soldados, cabos e sargentos constituíram uma comissão e partiram para a negociação direta com o chefe do executivo mineiro. 

A comissão composta por representantes das entidades de classe e três militares do Batalhão de Choque apresentou a seguinte pauta de reivindicações: piso salarial de R$ 800,00, promoção por tempo de serviço (dez anos) e não apenas por concursos internos, revisão imediata do RDPM, do Estatuto de Pessoal da Polícia Militar, a não punição dos manifestantes e uma política habitacional que atendesse principalmente aos cabos e soldados.

A tragédia


Colegas tentando socorrer o Cabo Valério, após ele ter sido
alvejado por um tiro na cabeça
Os fatos que se seguiram foram trágicos. Alguns manifestantes “atropelaram” parte dos servidores da Forleg que faziam o cordão de isolamento e tentaram invadir o prédio do Comando 

Geral. Muitos tiros foram disparados. O cabo Valério dos Santos de Oliveira, 36 anos, que tentava conter os ânimos dos amigos foi, infelizmente, atingido por um tiro na cabeça. Socorrido ao Hospital de Pronto Socorro, João XXIII, em estado gravíssimo, o policial militar não resistiu e morreu no dia 29 de junho de 1997.

Duas hipóteses foram apresentadas sobre quem teria atingido o Cabo Valério. O comando da polícia apresentou o Soldado PM Wedson Campos Gomes, como o autor do disparo que atingiu o militar fundamentado em imagens divulgadas por emissoras de TV. Já as lideranças do movimento, e uma praça do 18º BPM que testemunhou o fato, acusaram como autor do disparo o novo Comandante do Policiamento da Capital (CPC), coronel Eleutério Cardoso.
“Eu vi o cabo Valério caindo baleado e o coronel Eleutério trocando a arma com um cadete”.
Em meio à crise, o governador Eduardo Azeredo recorreu ao Governo Federal, que enviou as Tropas da 4ª Divisão do Exército sediadas na capital. Elas se concentraram nas imediações governamentais como o Palácio da Liberdade, dos Despachos e nas Mangabeiras (a residência oficial do governador).

No dia 26 de junho, o governo do Estado anunciou um piso salarial de R$ 615,00 para soldados e detetives em início de carreira, significando um aumento real de 48% nos salários. Às outras patentes, ficaram acordados aumentos escalonados dependendo do grau hierárquico. As praças conseguiram também a garantia de participação em comissões de revisão do Regulamento Disciplinar, no Estatuto de Pessoal da corporação e benefícios indiretos, como uma política habitacional que levasse em conta a capacidade de pagamento do servidor e maior transparência nas decisões da corporação.

Todavia, o comando da PMMG instaurou o primeiro Inquérito Policial Militar (IPM) em 27 de junho no intuito de apurar a morte do Cabo Valério. Outros dezessete inquéritos foram instaurados visando apurar a participação das praças no movimento reivindicatório. Unidos com as principais lideranças, encabeçada pelo Cabo Júlio (deputado, PMDB) e pelo Sargento Rodrigues (PDT-MG), uma centena de policiais militares foi condenada com a pena administrativa capital, a exclusão disciplinar. No dia 13 de fevereiro de 1998 o soldado Wedson Campos Gomes foi considerado culpado pelo homicídio do cabo Valério e, em seguida, condenado a oito anos de prisão.

A condução dos processos do movimento foi seguida por acusações de perseguição, falta de transparência e vingança por parte dos oficiais administradores. Tais relações produziram um novo movimento, “Anistia já para os PMs”.

Com a eleição de Itamar Franco em 1998 para o governado do Estado foi encaminhado à Assembléia Legislativa a Emenda à Constituição Estadual nº 39, de 24/05/19998, a qual por meio de um mecanismo administrativo tratou de separar o Bombeiro das atividades da Polícia Militar, enquadrando na corporação dos Bombeiros Militares as praças excluídas. 

A Emenda Constitucional nº 39 reconheceu a greve policial como uma questão trabalhista e baseados neste argumento os manifestantes foram anistiados. O projeto beneficiou 182 praças, 27 sargentos, 54 cabos e 101 soldados.

Conclusão


Acredito que o movimento reivindicatório das praças da Polícia Militar de Minas Gerais não nasceu espontaneamente tal como vem apregoando o senso comum. Ele é resultado de um processo socialmente construído em busca de direitos e das condições objetivas pelas quais passavam soldados, cabos e sargentos. Nada foi espontâneo; sem a insatisfação, a liderança de poucos, o interesse de muitos e o apoio de grande parte dos seus pares - inclusive boa parte dos oficiais de baixa patente –, pouco ou nada os praças teriam conseguido em termos de mobilização de pessoal.

Quanto à hierarquia e a disciplina, princípios abalados durante e após a mobilização, tudo indica que foram resignificados. Isto porque não foi um movimento que reivindicava a desmilitarização da polícia ou mesmo colocar em questão toda a gênese, maturação e desenvolvimento da instituição. No que concerne aos valores militares, as praças nada mais pediram do que o cumprimento da ética policial militar, assentadas no “respeito à dignidade da pessoa humana, a camaradagem, o espírito de cooperação” e a solidariedade dos comandantes. 

Como visto, os laços sociais, em conflito latente, foram quebrados pelos oficiais de alta patente quando decidiram por legislar em causa própria. Nesse sentido, não é por acaso que o movimento se constituiu como um fato histórico e singular na PMMG. Ela foi tão importante que não deixou de dar vida a novos movimentos por todo o país e, inegavelmente, proporcionou muitas mudanças no que hoje os administradores de polícia vem chamando de política de segurança pública. 

O legado


Foi inaugurado em 24/06/2016, o Instituto Cabo Valério de Cidadania (ICVC), no Salão de Artes e Eventos da Aspra/PMBM. Idealizado pelo deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG), o ICVC tem como principais aspirações manter vivos os ideais vivenciados por Cabo Valério, considerado o mártir do movimento reivindicatório de 1997, e prestar um trabalho de responsabilidade social aos policiais e bombeiros militares, bem como aos seus familiares. 

Quando levou um tiro na cabeça ao tentar acalmar os ânimos de outros militares na maior manifestação da história da categoria, o Cabo e irmão em Cristo Valério dos Santos Oliveira carregava no bolso o número de telefone do amigo Gilson. O rapaz era apenas mais uma das inúmeras pessoas que o policial ajudou a superar uma fase difícil com auxílio espiritual. Agora, passados 20 anos da morte que mudou a realidade da PM no Estado, o praça volta a amparar, indiretamente, outros mineiros por meio do ICVC. 

A morte do Cabo Valério colaborou para o fim do motim. Os militares receberam um aumento de 48% nos salários. O movimento de 97 serviu de exemplo para policiais de outras partes do país e mudou as regras da corporação mineira. A categoria ganhou visibilidade e direitos nunca imaginados.

Para a esposa e os dois filhos de Valério, que na época tinham 6 e 9 anos, o Cabo deixou um apartamento, um carro, o exemplo, a fé e o legado. Portanto, a morte de Cabo Valério não foi em vão, por isso ele deve sempre ser lembrado como um eterno representante do melhor da família PMMG.

Daqui fica o meu alerta e o puxão de orelha ao Sgt. Rodrigues e ao Cb. Júlio, os senhores como parlamentares têm mandatos na mão, podem propor a criação desde um busto em frente ao local onde Cabo Valério foi assassinado, bem como propor a criação de uma Comenda Oficial Cabo Valério, a qual comemoraria no dia da sua morte 13/09/1997, com a entrega desta para personalidades que valorizam a segurança pública, sejam militares, da imprensa, justiça, etc.

Se a PMMG é bi centenária, patrimônio e orgulho do povo mineiro, e se Cabo Valério, ainda que involuntariamente, através da sua morte, pôde trazer a reflexão para o  seio da tropa, consequentemente para nós civis, ouso dizer: qual a diferença de Cabo Valério para o Alferes Tiradentes na História? Está dívida com a História e a memória de Minas Gerais, ainda não foi "paga". Será que algum dia será?

[Fonte: Jornal Hoje Em Dia (Fotos); Jornal EM (04/11/88, pg. 7, 20/05/92, pg. 20 - Caderno Cidades)]

A Deus toda glória. 

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domingo, 21 de janeiro de 2018

OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO: 1) ARREPENDIMENTO

“Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus” (Mateus 3:2).
O arrependimento é o primeiro passo para os que querem ter uma vida de intimidade constante com Deus. Sem um profundo arrependimento não há remissão de pecados, ou seja, o perdão só se torna evidente em nossas vidas quando houver de fato quebrantamento gerado pelo arrependimento.

ARREPENDIMENTO É MUDANÇA DE MENTE


Comecemos este estudo com o seguinte versículo 2 do capítulo 3 do evangelho de Mateus. A palavra “arrependimento” é bem destacada aqui, e se encontra no modo imperativo, ou seja, é necessário e fundamental para a conquista de algo. “Arrependei-vos” no seu contexto original émetanoew/metanoeo que significa: mudança de mentalidade, mudar a mente para melhor. 

É interessante perceber que todo o processo e gestação do pecado está na mente, assim como o pecado é gerado primeiramente em nossa mente, sua concepção no sentido de “dar à luz” se dá no coração, e o texto principal para esta afirmação é: 
“...Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:15). 

ARGUMENTO É MUDANÇA DE ATITUDE 


Um dos principais alvos do arrependimento é a mudança de mentalidade, digo isso, por que há muitas pessoas que sempre estão confessando e pedindo que o Senhor os perdoe e sempre estão neste círculo vicioso, sempre praticando as mesmas coisas, os mesmos pecados e com isso tentam cauterizar sua consciência e muitas vezes escoram-se na graça dizendo: Deus é amor! Ele vai me perdoar. 

E tantos outros argumentos infundados a fim de aliviarem todo o fardo da culpa sobre suas vidas. Muitos se esquecem que, após toda mudança de mentalidade, deve sempre haver uma mudança de atitude, um estado verdadeiro de voltar-se para dentro de si mesmo fazendo assim, uma sondagem e uma auto-reflexão com o propósito de tão somente ver o seu estado, conscientizar-se segundo a Palavra de Deus e obedecer a voz do Eterno quando Ele diz: 
“… Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16). 

ARGUMENTO É O RECONHECIMENTO DA DEPENDÊNCIA DE DEUS 


Então, o primeiro passo para o arrependimento é ver o seu estado em pecado (sondagem, auto-reflexão). O segundo passo é o voltar-se para dentro de si mesmo, é admitir que de fato houve um pecado (conscientização), e o terceiro passo é obedecer a voz do Senhor (mudança de atitude). 

Estes são os três elementos de fundamental importância para se ter uma vida de propósito diante do Eterno. Elementos estes que mortificam a carne, onde o mortificar da carne torna-se também um ato de amar e obedecer ao Senhor. 

Veja o seguinte texto sobre a mortificação da nossa carne: 
“… Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (Gálatas 2:19,20). 
“Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive assentado à direita de Deus” (Colossenses 3:1). 
A morte de Cristo na cruz acabou com a nossa corrupção anterior. Pela morte de Cristo na cruz, tornei-me totalmente separado (morto para) da minha antiga forma de sentir e agir. 

Um pronome que se destaca neste texto, e de suma importância é a palavra “sou eu” – egw/ego, que apenas é expresso na Bíblia quando algo está sendo enfatizado. Preste bem atenção que o verbo “estar” é que está sendo crucificado, e que aqui está na primeira pessoa do singular “estou crucificado”, ou seja, quem está sendo crucificado é o próprio ego, o próprio “eu”

Podemos tirar várias verdades dessa consideração, como por exemplo: se eu verdadeiramente estiver disposto a ter uma vida de renúncia do pecado, mortificando o meu “eu” ou ego, experimentarei então, uma nova vida com Cristo Jesus, e só então poderei dizer assim como o apóstolo Paulo escreveu em Gálatas: 
“...Cristo vive em mim” (2:20b). 
Isso implica num senhorio absoluto de Cristo em nossas vidas, tendo assim, o controle sobre nossa mente, vontade e coração; corpo, alma e espírito e apresentando-nos perante Deus como um sacrifício vivo perfeito e agradável. 
“Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17).  
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1). 

ARREPENDIMENTO É SINÔNIMO DE VIDA 


É interessante que a palavra “vive”, vem do grego zwh/zoe que significa: Absoluta plenitude da vida, tanto em essência como no caráter, que pertence a Deus e, por meio dEle, ao “logos” ou o Verbo Eterno (Yeshua Ha Mashiach – Jesus Cristo, o Messias) em quem o “logos” ou o Verbo Eterno assumiu a natureza humana (João 1:1,10,14; 1 Jo 1:1; Apocalipse 19:13). 

Em João, denota Jesus Cristo como sendo a essência da Palavra de Deus, a sabedoria e poder pessoais em união com Deus. Denota também seu ministério na criação e governo do universo, a causa de toda a vida do mundo, tanto física quanto ética, que para a obtenção da salvação do ser humano, revestiu-se da natureza humana na pessoa de Jesus, o Filho de Deus, anunciado visivelmente através de suas palavras e obras. 

Este termo “Logos” é bem familiar para os judeus, e na sua literatura é muito usada para designar a razão ou plano divino que coordena um universo em constante mudança. É a palavra apropriada para o objetivo de João no capítulo 1 do seu evangelho. 

É de suma importância aplicar essa palavra em nossas vidas, pois o “Logos”, o Verbo Eterno vive em nós, trazendo-nos constante transformação em nosso caráter que é a sede da nossa conduta moral. E governando nossas vidas cumprindo assim, o plano de salvação em nós por meio do seu amor Eterno. 

ARREPENDIMENTO TAMBÉM ENVOLVE AS EMOÇÕES 


Para que haja o genuíno arrependimento em nós é preciso também que as nossas emoções sejam curadas, vejam o seguinte texto: 
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia” (Salmos 32:3). 
Eis aí uma palavra o qual nos revela não somente o confessar dos pecados do dia-dia, pecados o qual muitos tratam como se fossem “pecadinhos”, se é que existe tal grau de pecado. Pecado é pecado. O texto vai muito mais além, pois, fala-nos principalmente de pecados ocultos e não confessados, e as conseqüências que acarretam sobre aquele que encobre suas transgressões. 

O autor do texto o qual lemos anteriormente está agora relatando o seu estado o qual se encontra extremamente enfermo pelo fato de ter permanecido em silêncio ante o seu pecado. Observem bem esse fato, logo após esse relato e pelo fato de ter-se visto em condição de enfermidade o qual penso ser extrema. Há então, o ato de humilhar-se em quebrantamento perante Deus. 

O pecado de fato mata as emoções, fere a integridade de consciência e principalmente, nos afasta de Deus o que é mais lastimável. 

O único remédio é abrir o coração numa atitude de confissão perante o Eterno Deus. Não se esquecendo assim, que antes de toda confissão deve vir primeiro um genuíno arrependimento e consequentemente, uma mudança de atitude, e isso implica em mudar a rota, é dar um giro 360º rumo à vida eterna. 
“Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei. 'Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniquidade do meu pecado'” (Salmos 32:5).  
“O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13). 

CONCLUSÃO 


É bastante importante compreendermos que, quando confessamos nossos pecados a Deus, o “deixar” deve ser o alvo proposto e motivacional para nossas vidas. 

A solução que o apóstolo Paulo nos apresenta é primordial para alcançarmos o alvo proposto (a vida eterna – a Nova Jerusalém). 

Observem bem há duas realidades: o alvo proposto pelo pecado e do outro lado, alguns alvos o qual nos conduzirá ao principal (a Nova Jerusalém). O servo fiel em primeiro lugar procura caminhar em direção ao que o Senhor tem proposto sobre sua vida, rompendo assim, inteiramente com o pecado deixando para trás e prosseguindo para o alvo. 

O seu prazer é fazer a vontade do Senhor que sempre o respalda e o ajuda a vencer barreiras, assim como: pecados, traumas, dúvidas, vícios, bem como outras barreiras que o impedem de vencer. E é nesta tão grande perseverança que mora uma tão grande conquista.
  • Escrevi mais sobre esse assunto aqui.
A Deus toda glória. 
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E nem 1% religioso

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A UTOPIA DA FÉ E A REALIDADE DO REINO

Escrevo esse texto incomodado, entristecido, reflexivo e até escandalizado. Esse conjunto de sentimento me vem à tona devido as inúmeras demonstrações de ódio que repercutem nas redes/mídias sociais em período de pleito eleitoral. Principalmente porque a maioria dessas manifestações vem do meio do qual faço parte, que deveria propagar amor: os cristãos. 

São enxurradas de insultos como burro, idiota, herege, ladrão, desonesto, tudo para desqualificar o sujeito que votou diferente e/ou esse ou aquele candidato do partido oponente, que possui outra opinião. A guerrilha entre direitistas e esquerdistas, muitas vezes capitaneada por personalidades do segmento cristão, é algo tão deprimente que nos leva a questionar o nível de fé desses irmãos.

É triste ver pessoas que se declaram como irmãs em Cristo, que congregam na mesma igreja - e não me refiro aqui a denominação -, trocando ofensas apenas pelo fato de não saberem discordar opiniões. Aliás os cristãos são reconhecidos pela intolerância com opiniões contrárias, ou seja, te amo se você pensar como eu, te admiro se tua opinião for a mesma que a minha ou a do meu líder: isso é uma lástima. 

Nossa luta não é contra carne ou sangue... ou é?


Claro que entendo que quando o assunto são os alicerces da nossa fé, as instruções de nosso Mestre, as bases do Seu Evangelho, devemos lutar fortemente contra interpretações heréticas, combater todo sorte de ensino falso e blasfemo, além de nos distanciarmos dos apóstatas. 

Mas o que se vê manifestado nas redes-mídias sociais não tem nada a ver com isso, o que vemos não são manifestações inflamadas em prol de Cristo e seu Evangelho, as manifestações que vemos são comentários intolerantes em prol de um(a) candidato(a) e/ou um partido que em nada representa princípios instituídos por Cristo. 

Deus nos abençoou com a autonomia de escolhermos nossos governantes, e pasmem esses militantes religiosos, Deus colocou cada governante em seu lugar, ou seja, Deus nos deu a possibilidade de usar nosso intelecto e fazermos nossas escolhas, embora Ele já tivesse escolhido todas as coisas. Ele é Soberano e não minha escolha!

"Meu reino não é desse mundo..."


Todo esse movimento surgido, no Facebook principalmente, me fez refletir sobre um tema que entendo ser interessante para discussão na comunidade cristã atual: A utopia necessária para todo o cristão. O quão importante é que tenhamos a utopia que a Palavra nos orienta, pois a vida cristã é utópica, vivemos uma utopia que se realizará na eternidade. Para me fazer claro entendo ser importante explicar o que quero dizer com utopia.

A utopia fé, não a fé da utopia


O conceito básico de utopia é sistema ou plano que parece irrealizável, uma fantasia, ou ainda, o que se imagina como sendo perfeito, ideal, porém imaginário, que não se sabe ao certo se é possível alcançar ou realizar. Quando penso nesse conceito de utopia penso no que está escrito em Romanos 8:29 
"Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos", 
não parece uma utopia nos imaginar como à imagem de Cristo? Esse é um dos objetivos que temos como cristãos, sermos como Ele, Deus tem como propósito que sejamos como Jesus Cristo. 

Confesso que quando penso nisso, quando penso em Cristo e penso em mim vejo esse objetivo como um plano irrealizável. Mas porque Deus nos atribuiria objetivos impossíveis, utópicos?

Para essa reflexão quero me ater ao conceito do escritor Eduardo Galeano sobre utopia, ele define que: 
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.  
Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" (grifo acrescentado).
É exatamente assim que vejo alguns conceitos utópicos estabelecidos por Deus, Ele quer que, apesar de existir a impossibilidade de alcançar esse horizonte, não paremos de caminhar em busca desse horizonte. 

No entanto o que posso notar na comunidade cristã nos debates políticos é o contrário disso, ao invés de darmos dois passos em direção ao horizonte da eternidade, demos cinco passos na direção contrária. 

Um bom exemplo dessa minha afirmação foi uma frase difundida amplamente, talvez não com os mesmos termos, mas com a mesma ideia, que afirmava: "Povo Burro!", fazendo alusão a reeleição da então presidenta Dilma Rousseff, tendo o mesmo ocorrido quando o presidente Michel Temer assumiu o governo. 

Em 1 Tessalonicenses 5:15 diz 
"Tenham cuidado para que ninguém retribua o mal com o mal, mas sejam sempre bondosos uns para com os outros e para com todos (grifo meu)" 
talvez esse texto também seja uma utopia, mas temos que buscá-la. Sei que é difícil retribuir o bem a alguém que julgamos nos fazer mal, mas é o que Cristo quer que façamos, então tentemos. Porém não vi nos meus irmãos uma tentativa de caminhar ao horizonte, ao nosso alvo que é Cristo, vi o caminhar para uma direção contrária.

Há um versículo que amo ler que representa bem essa relação, de tentativa de alcançarmos algo que parece inalcançável. Esse versículo lê-se pouco em nossos púlpitos, talvez pela dificuldade de praticá-lo, o texto está em Filipenses 2:3 e diz: 
"Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo (grifo meu)."
Que extraordinário: a Palavra de Deus me instrui a considerar o outro superior a mim, mas como vou considerar alguém superior a mim se eu o julgo "burro", existe algo inferior a "burro"? Será que o fato de pensar ser minha opinião melhor, ou mais inteligente, a do meu irmão estou me postando com humildade ou vanglória? De que modo esse posicionamento me faz chegar cada vez mais perto de Cristo? 

Livre expressão ou soberana expressão?


Outro engano que cometemos é pensar que sou livre para tecer minha opinião, pois é minha opinião e ela é soberana, se alguém não gostar ou se ofender viva com isso. Talvez esse pensamento esteja encravado em nossa mente por uma mistura de conceitos não muito bem trabalhados ou mal compreendidos de liberdade de expressão e livre arbítrio (isso caberia outro grande texto então não irei desenvolver tal ideia agora). 

O que é importante para nós cristãos é entendermos que não temos soberania em nada, muito menos de opinião! Deus me fez um agente autônomo, mas não soberano, somente Deus e a opinião de Deus é soberana. Deus me deu a capacidade de independência moral e intelectual, Deus me deu a capacidade de escolher o curso que quero fazer na faculdade, os livros que vou ler nas férias e até mesmo o candidato(a) que irei votar, embora Ele já conheça todas as minhas escolhas. 

Porém em nenhum momento Deus me deu soberania, pois por soberania entendo ser a qualidade de deter o poder sem restrições (no caso de opiniões seria o poder de me expressar sem restrição) e isso nós não temos. Por exemplo: eu até posso achar que separar um dia na semana para o Senhor seja desnecessário, posso entender que todos os dias são do Senhor, porém não posso declarar que os que separam um dia ao Senhor sejam "burros". 

Minha restrição na opinião é o meu irmão, é o possível mal que posso causá-lo. Paulo fala sobre isso em Romanos, ele escreve:
"Aceitem o que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro, cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. 
Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. 
Há quem considere um dia mais sagrado que outro; há quem considere iguais todos os dias. Cada um deve estar plenamente convicto em sua própria mente. Aquele que considera um dia como especial, para o Senhor assim o faz. 
Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus. Pois nenhum de nós vive apenas para si, e nenhum de nós morre apenas para si. 
Se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Assim, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor" (Romanos 14:1-8, grifo meu),
Por isso entendo ser um engano pensarmos que como cristãos temos soberania em nossas opiniões. Na prática as opiniões que tenho devem ter em primeiro lugar a orientação da Bíblia, ou seja, minha restrição são os ensinos da Palavra, e em segundo lugar minhas opiniões devem sempre levar em consideração o outro. Assim como está exposto em 1 Coríntios 8:10-13:
"Porque, se alguém te vir a ti, que és dotado de saber, à mesa, em templo de ídolo, não será a consciência do que é fraco induzida a participar de comidas sacrificadas a ídolos? 
E assim, por causa do teu saber, perece o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. 
E deste modo, pecando contra os irmãos, golpeando-lhes a consciência fraca, é contra Cristo que pecais.E, por isso, se a comida serve de escândalo a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que não venha a escandaliza-lo"
Que prova linda de amor para com meu irmão. O apóstolo Paulo afirma aqui que nossa opinião não é soberana, pois se minha atitude faz perecer meu irmão eu estou pecando contra ele, e ao pecar contra meu irmão por qual Cristo foi crucificado estou pecado contra Cristo. Isso é forte!!! Será que vale a pena lutarmos tanto por nossa soberania de opinião em detrimento ao que pode causar ao nosso irmão?


Paz! Paz! Paz!


Outra questão que parece utópica, mas que é orientação de nosso Mestre é a necessidade de respondermos ao chamado para sermos pacificadores. Vejo muitas publicações em redes-mídias sociais nesses meses de campanha eleitoral, mas nada que lembrasse, nem de longe, um ambiente de paz. 

Ser pacificador não é insultar, ser pacificador não é condenar irmãos ao inferno, ser pacificador não é colocar em prova a honestidade do outro, apenas porque o outro diverge de minha opinião. Ser pacificador, como uma bem-aventurança descrita no Evangelho de Mateus é ter paz com Deus e semear a paz para com todos: 
"Bem-aventurado os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" (5:9).
É assustador verificar que irmãos podem passar anos congregando juntos, podem cantar os hinos da igreja abraçados, trocar os cálices na hora da ceia a pedido do pastor, olhar no olho do irmão e dizer o quão ele é importante e até orar em grupo pelo bem do outro, mas no primeiro sinal de confronto, uma simples campanha eleitoral, uma escolha diferente, e tudo se esquece. 

Não sou mais o irmão que comungo a mesa depois da reunião, não sou mais o irmão importante na hora de um evento, não sou mais o amado que compartilha o cálice da Ceia do Senhor e que viverá na eternidade com todos os santos pela graça de Deus: votei no X (ou no Y) não sou nada mais do que um BURRO!

Conclusão


Que possamos seguir discutindo política, faz bem, mas que possamos entender que muito mais sublime é o que nos une do que o que nos separa. Podemos divergir em opiniões políticas, podemos não torcer para o mesmo time, podemos ser pós ou pré milenista, mas o amor de Cristo nos une, o sangue dEle nos libertou de toda a condenação e a Sua vontade é soberana em nossa vida, independente de quem sejam nossos governantes. Que a Palavra de Deus seja nossa orientação e que a vontade Dele o nosso horizonte, mesmo que pareça uma utopia!
"E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos" (Tiago 1:22).
 A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://circuitogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade 
E nem 1% religioso.

SERÁ MESMO QUE A CULPA É DO (OU DA FALTA DE) TEMPO?

Hoje em dia a maioria das pessoas reclamam do tempo, ou da falta de tempo. Mas será mesmo que o tempo (ou a falta dele) é o grande vilão, o grande entrave, o grande desafio, o bicho papão no nosso cotidiano? 

Não considero o tempo como aliado nem como inimigo, mas como um recurso finito que deve ser utilizado com sabedoria e eficiência, a exemplo do dinheiro. 

Os verdadeiros aliados ou inimigos somos nós mesmos, os aplicadores do tempo. Não podemos julgar entidades inanimadas pelos males pessoais ou coletivos, pois a verdadeira causa é a ação (ou omissão) humana. 


Os inimigos reais são:

Falta de planejamento


Não fazer uma lista de tarefas para o dia, a semana e o mês, assim como atividades aleatórias e que tiram o foco das realmente importantes. 

Não estabelecer prioridades 


Quando escolhemos o que é mais importante para nós, fica mais fácil fazer o planejamento e excluir aquilo que não gera valor no momento. 

Falta de foco 


Com tarefas importantes a fazer, desperdiçar tempo com distrações ou outras atividades que não contribuem para o atingimento das metas pessoais. 

Utilização do tempo em atividades que não agregam valor, como filas de banco para pagar contas, em lojas para fazer compras ou resolvendo atividades de outras pessoas. Hoje é possível automatizar pagamentos e recebimentos, assim como fazer compras pela internet. 

Falta de conhecimento sobre técnicas de gerenciamento do tempo 


A maioria de nós aproveita mal o tempo pelo desconhecimento de técnicas para otimizar sua aplicação. 

Distrações e entretenimentos 


Perdemos de 3 a 5 horas por dia com TV, filmes, seriados, rádio e internet. Não há mal algum se cumprimos nossas metas e objetivos, mas pode-se achar tempo para tudo o que precisarmos facilmente se abrirmos mão desse tipo de lazer, quando necessário. 

Tempo no trânsito 


Especialmente aqui na capital, gasta-se muito tempo indo e vindo dos lugares. A utilização da tecnologia para evitar deslocamentos nos fará ganhar tempo precioso para fazer o que é mais importante. 

Caso o transporte seja imperativo, pode-se aproveitar o tempo absorvendo conteúdo e informações edificantes, como audiolivros, podcasts, notícias e até cursos. Assim, aproveita-se o tempo para adquirir cultura e ficar informado. 

Mudança de atitudes 


Reiterando os primeiros parágrafos, não podemos rotular uma entidade incorpórea como o tempo como aliado ou inimigo, pois ele é o reflexo de como nós mesmos o empregamos, nos parâmetros dos itens descritos acima. Para fazer uma análise coerente e honesta, precisamos tomar posse de nossa responsabilidade pessoal antes de tudo. 

Conclusão 


Quando julgamos o tempo como bom ou mau, na verdade julgamos a nós mesmos pelo modo como o empregamos. Deus criou o tempo. O mundo todo está sujeito às regras do tempo, ninguém pode fugir. Tudo passa com o tempo e há um tempo para tudo. Mas Deus é eterno. O tempo não o afeta. 

Nosso tempo na terra é curto. A salvação é agora, enquanto ainda há tempo! Essa é uma decisão que não deve ser adiada, porque não sabemos quanto tempo temos. 

A Bíblia nos ensina a usar o tempo de maneira boa. Não devemos desperdiçar nosso tempo com o pecado mas procurar fazer a vontade de Deus enquanto ainda temos tempo. 
"Senhor, tu és o nosso refúgio, sempre, de geração em geração. Antes de nascerem os montes e de criares a terra e o mundo, de eternidade a eternidade tu és Deus. Fazes os homens voltarem ao pó, dizendo: 'Retornem ao pó, seres humanos!' De fato, mil anos para ti são como o dia de ontem que passou, como as horas da noite. Como uma correnteza, tu arrastas os homens; são breves como o sono;são como a relva que brota ao amanhecer; germina e brota pela manhã, mas, à tarde, murcha e seca.  
Por isso diz: 'Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te alumiará. Olhai, portanto, cuidadosamente como andais, não como insipientes, mas como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão não vos torneis insensatos, mas entendei qual é a vontade do Senhor' (Salmos 90:1-6; Efésios 5:14-17)." 

A Deus toda glória. 
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES - ESPECIAL: "ZOMBIE" - THE CRANBERRIES








Foi com tristeza, surpresa e consternação que o mundo da música recebeu na tarde dessa segunda-feira, 15, a trágica notícia da morte cantora Dolores O'Riordan, a vocalista da banda de pop-rock irlandesa The Cranberries.

Neste capítulo especial da série Canções Eternas Canções, vamos conhecer a história de uma das músicas responsáveis pelo sucesso e visibilidade mundial da banda.

A história da banda


The Cranberries no início da carreira
The Cranberries é uma banda de rock alternativo irlandesa que ganhou notoriedade durante a década de 1990. 

A banda encerrou suas atividades temporariamente em 2003. E anunciou o retorno aos palcos em novembro de 2009 numa turnê pela América do Norte, que prosseguiu até no início de 2010 pela América do Sul e pela Europa.

A banda The Cranberries nasceu como muitas outras. No ano de 1989 na cidade de Limerick na Irlanda, Nial Quin (vocalista), Noel Hogan (baixista), Mike Hogan (guitarrista) e Feargal Lawlor (baterista) resolveram se juntar para montar uma banda. Em pouco tempo Nial acabou desistindo e a banda resolveu procurar um vocal mais suave para substituí-lo.

Após um anúncio de jornal, surgiu a cantora Dolores O'Riordan, que tinha apenas 17 anos, mas já possuía formação em música clássica. A primeira fita demo veio em 1990 e logo chamou a atenção de muitas gravadoras. Em 1991, já com um contrato na mão, a banda lançou o single 'Uncertain', que não emplacou em lugar algum.

O primeiro álbum "Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We?" de 1993, parecia seguir para o mesmo rumo. Depois de alguns meses veio o sucesso. A música 'Linger', originária da fita demo, estourou nos Estados Unidos e, levou o grupo a atravessar o oceano e mudar de continente.

Empolgada, a gravadora lançou um segundo disco em 1994. "No Need To Argue" é um dos trabalhos mais conhecidos do The Cranberries. A música 'Zombie' virou um clássico do pop rock e atingiu o topo das paradas. O sucesso era tanto que chegaram a dizer que este álbum era tão poderoso quanto "Nevermind" do Nirvana.

Após o sucesso absoluto, o The Cranberries acabou modificando um pouco seu próprio estilo. As canções do disco "To The Faithful Departed" de 1996, começaram a abordar uma temática diferente, falando sobre drogas, rebeldia e ausência. Três anos depois, a banda lançou "Bury The Hatchet" que continha apenas músicas inéditas.

Após o lançamento e a turnê do álbum "Wake Up And Smell The Coffee", a banda anunciou um hiato e não lançou nenhum trabalho novo. Foram lançadas algumas coletâneas, dentre as quais, destaca-se "Stars: The Best Of The Cranberries (1992-2002)", uma compilação contendo vinte músicas lançadas no período de dez anos. 


O retorno


The Cranberries em foto recente

Após se separar, em 2002, a banda irlandesa voltou a se reunir sete anos depois para iniciar uma turnê mundial de um ano, e em 2012 lançou o álbum "Roses". Em abril do ano passado, o grupo lançou "Something Else", com versões acústicas de suas principais músicas e com a participação da Orquestra de Câmara Irlandesa, além de três novas composições. No mês seguinte, durante a turnê europeia, o Cranberries se viu obrigado a cancelar os demais compromissos devido aos problemas de saúde de Dolores.

Nascida na cidade de Limerick, no sudoeste da Irlanda, a cantora também teve dois discos solo, "Are You Listening?" (2007) e "No Baggage" (2009). o Cranberries gravou ao todo seis álbuns. Sendo o último, "Roses", lançado em fevereiro de 2012. 


'Zombie', mais que uma canção, um manifesto


Vídeo clipe original da canção
A música 'Zombie', uma das mais famosas da banda, é um protesto contra a violência entre extremistas protestantes e católicos na Irlanda do Norte na época do conflito norte-irlandês.

Eu acho tanto a letra como a melodia realmente maravilhosas! Vejamos:

'Zombie' 


Another head hangs lowly
Child is slowly taken
And the violence caused such silence
Who are we mistaken?

But you see, it's not me, it's not my family
In your head, in your head they are fighting
With their tanks and their bombs
And their bones and their guns
In your head, in your head, they are crying...

In your head, in your head
Zombie, zombie, zombie hey, hey
What's in your head? In your head
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, oh, dou, dou, dou, dou, dou...

Another mother's breaking
Heart is taking over
When the violence causes silence
We must be mistaken

It's the same old theme since nineteen-sixteen
In your head, in your head they're still fighting
With their tanks and their bombs
And their bones and their guns
In your head, in your head, they are dying...

In your head, in your head
Zombie, zombie, zombie
Hey, hey. What's in your head
In your head
Zombie, zombie, zombie?
Hey, hey, hey, oh, oh, ohOh, oh, oh, oh, hey, oh, ya, ya-a...


Tradução

Zumbi

Outra cabeça se inclina humildemente...
Uma criança é lentamente tomada
E a violência causou tal silêncio
A quem estamos enganando?

Mas veja bem, não é comigo, não é a minha família
Na sua cabeça, na sua cabeça eles estão lutando
Com seus tanques e suas bombas
E seus ossos e suas armas
Na sua cabeça, na sua cabeça, eles estão chorando

Na sua cabeça, na sua cabeça
Zumbi, zumbi, zumbi hey, hey
O que há na sua cabeça? Na sua cabeça...
Zumbi, zumbi, zumbi?
Ei, ei, ei, oh, dou, dou, dou, dou, dou ...

Outra mãe está desmoronando
Seu coração é tomado
Quando a violência causa silêncio...
Nós devemos estar enganados

É o mesmo velho tema desde 1916
Na sua cabeça, na sua cabeça eles ainda estão lutando
Com seus tanques e bombas
E seus ossos e suas armas
Na sua cabeça, na sua cabeça, eles estão morrendo...

Na sua cabeça, na sua cabeça
Zumbi, zumbi, zumbi
Hey, hey. O que tem na sua cabeça
Na sua cabeça
Zumbi, zumbi, zumbi?


A história da música


Uma das coisas mais legais em se aprender ou conhecer um novo idioma é a possibilidade de compreender o significado daquelas canções que você escutou durante toda a sua vida!

Alguns de vocês podem pensar que a música 'Zombie' refere-se a um cenário apocalíptico com os mortos vivos tomando a terra — pelo menos era isso que eu pensava! A canção foi na verdade inspirada por um ataque à bombas realizado pelo IRA em Warrington, Cheshire em 1994, onde duas crianças, Jonathan Ball e Tim Parry, foram assassinados. O IRA (Irish Republican Army, Exército Republicado Irlandês, sigla em inglês) é um grupo militante determinado a remover tropas britânicas da Irlanda do Norte.

A cantora Dolores O'Riordan afirmou que 'Zombie' fala justamente sobre como "a luta irlandesa por independência parece durar para sempre." Repare na letra, especialmente no trecho que diz, "É o mesmo velho tema desde 1916."

A banda The Cranberries já contava com alguns êxitos, como 'Dreams' e 'Linger', mas foi em 1994, com a canção 'Zombie', que definiu realmente o seu estilo. A canção revelou ser aquela que tornou a irlandesa Dolores e os outros membros do grupo mais conhecidos do público. A
 música marcou a diferença daquilo que tinha sido feito pela banda até então.

"Essa foi a canção mais agressiva que fizemos. Foi diferente de tudo o que tínhamos feito antes", 
afirmou Dolores em entrevista ao site da BBC.

As crianças que serviram de mote para a letra foram vítimas da explosão de duas bombas, a 20 de março de 1993, colocadas pelo IRA. Além dos dois rapazes, mais de 50 pessoas ficaram feridas no ataque terrorista. O IRA foi a principal organização armada católica e republicana que lutou pela independência contra o Reino Unido.

A letra faz, assim, referência à onda de violência que perdurou na Irlanda do Norte durante várias décadas, entre 1970 e 1980, como resultado dos conflitos entre os militares britânicos e os nacionalistas irlandeses. A música pertence ao segundo álbum do grupo, 'No Need to Argue', de 1994, e chegou a ser premiada com distinções, como a de melhor composição, nos MTV Europe Music Awards do mesmo ano. O sucesso da música não se justificou simplesmente pela letra, mas também pelo próprio vídeo clipe, com imagens reais de guerra. O vídeo conta com quase 700 milhões de visualizações no YouTube.


Conclusão


Quem desconhecia a história por detrás de 'Zombie' era o próprio pai de Tim Parry, uma das crianças mortas nos ataques. Colin Parry só soube que a letra da música foi inspirada no seu filho agora, após a morte de Dolores O'Riordan, 23 anos depois de seu lançamento.
"Só ontem é que fiquei sabendo que o grupo, ou ela mesma, compôs a música em memória do que aconteceu em Warrington", 
explicou em entrevista à BBC. 
"A letra é, ao mesmo, sublime e muito real".
Dolores O'Riordan, morreu de forma repentina aos 46 anos, nesta segunda-feira. As causas da morte ainda não são conhecidas.

[Com informações de agências]

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