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terça-feira, 28 de abril de 2026

TRIBUTO — MICHAEL JACKSON: ENTRE O HOMEM, A LENDA E O MITO

Recentemente chegou às telas nas salas de cinema em todo o Brasil, a cinebiografia de Michael Jackson (✮1958/✞2009).

O filme, muito aguardado pela enorme legião de fãs do astro pop, está tendo um impacto emocional fortíssimo.

Mas, aqui neste artigo, mais um capítulo da nossa série especial Tributo, não irei falar especificamente sobre o filme (já tem muita gente mais gabaritada do que eu, fazendo isso) e sim um resumo do complexo homem por trás da lenda mítica.

Um homem...


Imagem: reprodução da internet
Gênio precoce, o maior artista pop do século XX, megalomaníaco, polêmico, mistura de anjo e demônio, perigoso e mal ("dangerous" e "bad", como denominou dois de seus álbuns), Michael Jackson é sem dúvida um dos artistas mais controversos da história.

Ele suscita a paixão e a fúria, mas uma coisa é certa: ninguém fica indiferente à sua esmagadora presença.
Da infância difícil à sua glória posterior, a vida de Michael Jackson é uma sucessão de sofrimentos, alegrias, caídas e subidas. Uma vida traçada por ele mesmo como um conto de fadas.
Nascido em 29 de agosto de 1958, em Indiana (Estados Unidos), Michael Jackson e seus irmãos tiveram uma primeira infância difícil.

Filho de um pai violento e obstinado, que buscou na realização artística dos filhos a fortuna e o sucesso criando os Jackson Five (sob a influência dos cantores negros americanos Otis Redding [✮1941/✞1967] e Little Richard [✮1932/✞2020]), o cantor sofrerá desde a mais tenra infância, dois anos de idade, a força e o rigor do trabalho e da educação quase militar do pai, desenvolvendo o gosto pela música e pela dança sob essa mesma influência.

A lenda

Imagem: reprodução da internet

A carreira adulta de Michael Jackson começa em 1979 com seu fabuloso álbum "Off The Wall"
(Aliás, na minha opinião, é esse álbum e não "Thriller", como já se convencionou afirmar, a verdadeira obra-prima na carreira dele.),
produzido por Quincy Jones (✮1933/✞2024) que será durante anos seu melhor amigo e fiel colaborador.

Em 1982 sua carreira atinge o ápice, com seu mítico disco "Thriller", o álbum mais vendido da história da música.

Daí em diante ele se tornará um deus vivo, desbancando os Beatles e o rei Elvis (✮1935/✞1977). Começará a ser chamado, inclusive, de The King of Pop.

Para o mundo, Michael representava o ápice do sucesso, quase uma divindade intocável que governava o império do entretenimento.

Para si mesmo, ele se tornou um prisioneiro da própria imagem.

Ele era uma criança enjaulada no corpo de um gigante mítico, que não tinha mais o direito de errar, de envelhecer ou de ser apenas uma pessoa feliz fora dos palcos. 

Malgrado o extraordinário sucesso de público e a glória conquistada, a vida de Michael Jackson torna-se um calvário. 

Desde a adolescência sua vida foi coberta por acontecimentos infelizes, como o abuso e perseguição paterna, que explicam, como diz o próprio Michael, a origem de suas numerosas inclusões pelo universo da cirurgia plástica e uma sexualidade atípica.

Uma infância e juventude atordoadas que podem explicar, em parte, as futuras obsessões do cantor e sua megalomania. Não explicam, no entanto, sua genialidade sempre presente.

Aliás, quando olhamos para a trajetória de Michael Jackson, chegamos à conclusão que o pacto ilusionista estava se quebrando, Michael estava indo além dos limites tradicionalmente permitidos. 

A pergunta deixada no ar, desde muito antes de sua morte, era se tínhamos gostado tanto dele só porque era um gênio, ou também porque nos confortava secretamente vê-lo se destroçando diante de nossos olhos e ouvidos e fígados. 
Ora, se o cara mais famoso do planeta era mais desgraçado do que nós…

O mito

Imagem: reprodução da internet
A matemática da idolatria, no entanto, é implacável: quanto mais alto você eleva a sua imagem pública, maior é o abismo emocional que se abre dentro de você.

Tentar viver como um deus na Terra é a forma mais letal de tortura psicológica.

O filósofo alemão Georg W. F. Hegel (✮1770/✞1831) dissecou essa dor profunda no século XIX. Ele atingiu a lucidez máxima ao formular o conceito da "Consciência Infeliz".

Hegel cravou que essa é a tragédia da alma que se divide em duas partes conflitantes: uma parte projeta uma perfeição divina, pura e imutável, enquanto a outra sofre por ser terrena, falha e mortal.
Michael Jackson encarnou a Consciência Infeliz de forma literal.
Ele construiu uma persona inatingível — o Rei absoluto, o Peter Pan mágico e imortal em Neverland —, contudo, o homem de carne e osso por trás da máscara sangrava por nunca conseguir ser, na vida privada, a divindade que o mundo venerava nos palcos.

Essa fratura incurável entre a imperfeição da vida real e o peso de sustentar a ilusão da perfeição absoluta acabou por consumi-lo.

Do ponto de vista midiático, o filósofo francês Guy Debord (✮1931/✞1994) dissecou de forma cirúrgica essa engrenagem de moer pessoas no século XX.

Ele atingiu a lucidez para forjar o conceito de que o mundo moderno abandonou a realidade e passou a viver a "Sociedade do Espetáculo".

Debord cravou que o espetáculo não é apenas um conjunto de imagens brilhantes no cinema, e sim uma relação social entre pessoas que passa a ser mediada por essas imagens ilusórias.

Michael Jackson foi o maior produto dessa máquina.

Amar ou odiar Michael Jackson parece ter-se tornado uma questão de escolha entre duas narrativas que conseguiram polarizar o maior caso de idolatria do século 20.
  • Aos que o amam — Michael Jackson colocou sozinho a música pop em patamares numéricos nunca atingidos; ergueu, com Quincy Jones, Thriller, o álbum artisticamente mais vitorioso da história; e, flutuando no palco, se tornou o artista mais completo de sua era.

Conclusão


Imagem gerada por IA
O mundo ficou em estado de choque quando soube da morte de um dos heróis pop que mais lhe ofereceram alegria, diversão e prazer nas três últimas décadas do século passado.

Mas sejamos francos: fazia anos que a humanidade esperava que, qualquer hora dessas, acontecesse alguma tragédia com Michael Jackson.
Sejamos ainda mais transparentes: os fãs do Michael Jackson foram cúmplices impassíveis, quando não exultantes, de uma das mais prolongadas histórias de agonia pública de que se tem notícia. As transformações, deformações e mutilações físicas eram apenas a face mais visível do processo.
O espetáculo exige o sacrifício da humanidade do ídolo para alimentar a fantasia do público.

Qualquer coisa que se diga, se escreva ou se filme sobre a trajetória de Michael, deveria ser "expressamente proibido" de olhar criar conteúdo para mero entretenimento, levando os fãs a consumirem apenas as músicas, a dança e o brilho superficial.

Isso já vem sendo desde que o astro ascendeu e continuará sendo feito, pois a música de Michael é inquestionavelmente brilhante e irresistível.

Para se desvelar Michael Jackson, se faz necessário observar ativa e atentamente as rachaduras do homem por trás da lenda.

É preciso sentir a firmeza de reconhecer que a verdadeira genialidade sempre cobra um pedaço da alma, e questionar o quanto nós, como sociedade, somos os verdadeiros arquitetos das gaiolas que aprisionam os nossos ídolos.
  • Por Leonardo Sérgio da Silva
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.

Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blogue https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização frequentes dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade.
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E nem 1% religioso.

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