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sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

ESCRITO NAS ESTRELAS — CLARICE LISPECTOR, CEM ANOS DE ETERNIDADE

Em mais um capítulo dessa minha série especial de artigos Escrito nas Estrelas, trago um resumo biográfico da inqualificável escritora Clarice Lispector (✩1920/✞1977), cujo centenário foi comemorado neste tão atípico ano de 2020. Talvez, devido à ênfase dada à pandemia mundial do novo coronavírus — o que é até certo ponto relevante —, essa data tão marcante e importante para a cultura, justamente uma das áreas mais negativamente impactadas pela pandemia, não teve a divulgação que merecia, passando até mesmo desapecebida por muitos de nós.

Quem foi Clarice Lispector


A escritora nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, uma aldeia da Ucrânia, então pertencente à Rússia. Seu nome de nascença é Haia. Os pais, judeus russos, decidem emigrar três anos após a Revolução Bolchevique de 1917, devido à violência e a constante perseguição antissemita. 

A família chegou ao Brasil em 1922, na cidade de Maceió, onde adotam novos nomes. Haia, então com dois anos de idade, se tornou Clarice. Pouco tempo depois, a família se mudaria de Alagoas para Recife, em busca de melhores condições de vida. Após a morte da mãe, os familiares foram viver no Rio de Janeiro.

Naquela época, as mulheres ainda eram vistas como donas de casa e mães. Mas Clarice Lispector pôde estudar e trabalhou desde muito jovem. Ela começou a trabalhar como professora particular de português e matemática.

Em 1939, ingressou na faculdade de Direito, onde concluiu a graduação em 1943. Durante os estudos, começou a trabalhar como repórter na Agência Nacional. Começava aí uma carreira paralela como jornalista, com publicações na imprensa de textos jornalísticos e literários.

Poucos anos após a morte da mãe, Clarice se mudou para o Rio de Janeiro, aos 15 anos. Após terminar as aulas do ginásio, em 1937 ingressou no curso preparatório da então Universidade do Brasil para cursar Direito. Aprovada, iniciou o curso em 1939 e, no segundo ano de faculdade, iniciou sua carreira de jornalista na Agência Nacional.

Na faculdade, Clarice conheceu seu marido, o diplomata Maury Gurgel Valente (✩1921/✞1994), que à época era seu colega de turma. Em 1943, se casou com Maury e concluiu, junto a ele, o curso de Direito. No entanto, em razão das constantes viagens que fazia com o marido, somente em 23 de julho de 1952 Clarice e Maury receberam o grau de bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade, segundo informações da UFRJ.

A carreira diplomática do marido a fez morar em diversos países como Estados Unidos, Itália, Suíça e Inglaterra. O primeiro romance de Clarice foi publicado em 1943, chamado "Perto do Coração Selvagem". Em 1959 o casamento de Maury e Clarice chegou ao fim e a escritora retornou para o Rio de Janeiro.

No ano seguinte, 1960, publicou seu primeiro livro de contos, "Laços de Família", seguido dos livros "A Maçã no Escuro" e "A Paixão Segundo G. H." Em 1977 publicou o clássico "A Hora da Estrela", seu último romance, que foi adaptado para o cinema, em 1985, se tornando um dos grandes sucessos do cinema nacional, dirigido pela cineasta Suzana Amaral (✩1932/✞2020) e estrelado pela atriz Marcélia Cartaxo, no papel da protagonista Macabéia.

Uma Vida Dedicada à Literatura


Durante seus trinta anos de atividade literária, caracterizada por um árduo e apaixonante trabalho com as palavras e a linguagem, Clarice Lispector escreveu mais de quinze obras. A primeira obra publicada foi o romance "Perto do Coração" Selvagem. em 1944. Na época, a autora contava apenas dezoito anos de idade - uma estréia bastante precoce. 

Para alguns críticos, este romance é considerado o mais significativo, porque é um paradigma de todos os outros. Nesta primeira experiência Clarice encontrou algumas dificuldades editoriais para publicar o seu livro. A partir daí, até a última obra, "A hora da Estrela", publicada em 1971, dois meses antes de falecer, uma série de outros livros se seguiram, sem muitos entraves.

Como obras póstumas surgiram: "Um Sopro de Vida" (pulsações), "A Bela e a Fera" (contos) e "A Descoberta do Mundo". Este último reúne todas as crônicas que Clarice escreveu para o Jornal do Brasil. aos sábados, entre agosto de 1967 e dezembro de 1973. 

A precocidade de Clarice Lispector surge, contudo, bem antes da publicação de seu primeiro romance. Desde cedo, com apenas sete anos, Clarice já mandava pequenas histórias para uma seção infantil de um jornal do Recife, que, aliás, nunca foram publicadas. A esse respeito a própria autora comenta:
"( ... ) eu as enviava para a página infantil das quintas-feiras do jornal do Recife. e nenhuma foi jamais publicada. 
E era fácil de ver porquê. Nenhuma contava propriamente uma história. 
Eu lia as que eles publicavam e todas relatavam um acontecimento. Mas se eles eram teimosos eu também". 
Como podemos notar neste depoimento, já desde tenra idade Clarice revela um traço insistente que se tornaria marca essencial de sua produção literária. Realmente, em lugar de um texto que narre fatos e acontecimentos, ela preferirá sempre escutar as ressonâncias dos fatos na consciência do indivíduo. 

Ao lado desta característica, uma outra igualmente importante sempre mereceu o destaque dos estudiosos desta autora. Trata-se do fato de Clarice Lispector nunca ter separado sua própria vida e destino, do exercício da linguagem. Eis o que ela mesma nos revela numa bela e emocionante confissão:
"Há três coisas para as quais nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever e nasci para crjar meus filhos. 
( ... ) A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a minha infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. 
E não sei porque, foi esta a que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. 
Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever". 
Em 1959, após seu divórcio, Clarice Lispector volta a residir no Brasil e publica alguns de seus livros principais, como "Laços de Família" (1960), "A Paixão Segundo G.H." (1964), "Água Viva" (1973) e "A Hora da Estrela" (1977). Morando no Rio de Janeiro, a escritora também dedica parte de sua produção aos contos.

Perfil artístico


Clarice Lispector pertence à terceira fase do movimento modernista e imprimiu em suas obras uma literatura intimista, de sondagem psicológica e introspectiva, com mergulhos no pensamento e na condição humana. A personalidade da escritora também provocava curiosidade e admiração.

Pela imprensa, Clarice Lispector já foi chamada de "bruxa", "exótica" e "misteriosa". Mas ela gostava de se definir de uma forma mais simples: uma escritora e uma dona de casa. Também foi chamada de "Esfinge do Rio de Janeiro". O apelido lembra uma passagem da escritora pelo Egito. Em uma viagem, ela olhou fixamente para a esfinge e disse:
"Eu não a decifrei".
E, com um enigmático, porém revelador sorriso, completou: 
"Mas, ela também não me decifrou".
Quanto à receptividade da crítica brasileira à obra de Clarice Lispector, podemos notar, de uma maneira geral, que ela foi sempre bastante favorável. Desde a sua estréia em 1944, com Perto do coração selvagem. até Um sopro de vida (1978), a maioria dos críticos tem reagido com entusiasmo.

A busca na tentativa de exprimir o inexprimível e de "dizer o indizível" faz com que a obra de Clarice se insira entre aquelas que, na época moderna, salientaram o aspecto do paradoxo da linguagem, que pode se revelar, ao mesmo tempo, um fracasso e um triunfo. A este respeito, a própria autora meditou numa bela passagem:
"Eu tenho à medida que designo — e este é esplendor de se ter uma linguagem. Mas eu tenho muito mais à medida que não consigo designar. 
A realidade é a matéria-prima, a linguagem é o modo como vou buscá-la — e como não acho. Mas é do buscar e não achar que nasce o que eu não conhecia, e que. instantaneamente reconheço. 
A linguagem é o meu esforço humano. Por destino tenho que ir buscar e por destino volto com as mãos vazias. Mas, volto com o indizível. 
O indizível só me poderá ser dado através do fracasso da minha linguagem. Só quando falha a construção, é que obtenho o que ela não conseguiu".

Conclusão


Além de ser reconhecida por suas obras, Clarice Lispector se tornou uma das maiores influências do meio cultural brasileiro. Não foram poucos os escritores, músicos, artistas e pesquisadores que se inspiraram nas palavras dela para desenvolver seus trabalhos. Alguns deles fizeram questão de homenagear o centenário de nascimento da escritora, celebrado na quinta-feira (10).

Conhecida pela maneira reflexiva de escrever sobre cenas cotidianas, consciência e conflitos internos que permeiam a existência humana, Clarice Lispector celebraria, se viva, seu centenário de nascimento.

Lispector é uma das autoras brasileiras mais aclamadas do século XX, e a sua obra não se resume a apenas textos intimistas pelos quais guia o leitor por suas criações literárias. Em décadas de carreira, sua produção incluiu também obras para o público infanto-juvenil e um extenso acervo de crônicas, como a famosa coluna no Correio da Manhã, intitulada "Correio feminino", escrita sob o pseudônimo Helen Palmer. Clarice Lispector morreu de câncer, na véspera de seu aniversário de 57 anos, em 1977. Ela deixou dois filhos: Pedro Gurgel Valente e Paulo Gurgel Valente.

Principais obras de Clarice Lispector

  • Romances — "Perto do Coração Selvagem", 1943; "A Paixão Segundo G.H, 1964; "Água Viva", 1973. 
  • Novela — "A Hora da Estrela", 1977. 
  • Contos — "Laços de Família", 1960.
Ler a obra de Clarice Lispector, é uma experiência única, inenarrável, já que com toda sua sensibilidade, ela foi capaz de captar e, ao contrário da tal esfínge egípcia, decifrar nossas mais íntimas emoções. Por tudo isso Clarice Lispector tem com letras douradas, seu nome Escrito nas Estrelas.


A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso. 
O uso correto da máscara não precisava ser obrigatório, por se tratar de uma proteção individual extensiva ao coletivo. É tudo uma questão não de obrigação, mas de consciência.
Respeite a etiqueta e o distanciamento sociais e evite aglomerações. A pandemia não passou, a guerra não acabou.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

FAMÍLIA, MAIS QUE UMA INSTITUIÇÃO, UM PROJETO DE DEUS

"Porque derramarei água sobre o sedento, e rios, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade, e a minha bênção, sobre os teus descendentes" (Isaias 44:3).
A família é um fenômeno social presente em todas as sociedades. Sem família não existe sociedade. A sociedade pós-moderna tem enfrentado mudanças múltiplas e desestruturantes. A crise entre os papeis no contexto familiar, tem levado os membros da família ao caos. A ausência de referencias, tem gerado medos, inseguranças e condutas dispares. 

Neste contexto desfavorável, a família, principalmente cristã, tem sofrido com os constantes desafios, que por vezes, tentam romper com as estruturas milenares das famílias. Para muitos, as perspectivas são desmotivadoras, mas há possibilidades de uma retomada e reestruturação, baseado na observância de princípios sólidos, comprovadamente eficazes e eternos da Palavra de Deus (Deuteronômio 6:4-9).

O século XXI trouxe o desafio de um mandamento cultural na contramão do que foi vivido nos séculos passado. É preciso estar alicerçado em Deus não somente para compreender esse tempo, mas para viver sob a égide divina (Colossenses 2:8).

Família, criação de Deus


A família sempre foi o alvo principal das forças do mal. A Igreja deve sempre estar atenta a esses ataques, pois os tais não somente desestruturam a fé cristã, como também desintegram a sociedade de modo geral. A família é um tesouro e como tal, deve ser guardada e preservada (Mateus 6:21).

Família um tesouro


Segundo a Declaração Nacional dos Direitos Humanos, a família é o elemento natural, universal e fundamental da sociedade. Sem família não há sociedade. A degradação da sociedade acontece por causa da deterioração da família. A Igreja é uma família composta por famílias. Se uma família estiver edificada, a Igreja também estará. Todavia, se a família for destruída, a Igreja também será. É nosso dever cuidar das famílias. Se a sociedade se dissolve, o problema está na ausência de famílias solidificadas em Cristo.

A importância da família à luz da criação


Deus não uniu o homem e a mulher somente para que um suprisse as necessidades e carências do outro. Seu projeto vai além de companheirismo e procriação. Deus sempre quis ser conhecido através das famílias. Adão foi o modelo original, feito á imagem e semelhança de Deus. Isto significa que toda a humanidade descendente de Adão portaria consigo a mesma essência divina (Gênesis 1:26). 

Desse modo, os atributos e a grandeza de Deus surgiriam naturalmente através dos filhos gerados pelo primeiro casal. A grande comissão sempre foi um projeto do Éden (Mt 28:18-20). O plano do inimigo é sempre sabotar essa essência, como no Éden, e assim fazer com que a humanidade seja apartada de Deus, gerando filhos assassinos, violentos e cheios de promiscuidades (João 10:10).

A família e a sociedade atual


A sociedade atual vive uma mutação em comparação com a família dos séculos passados. A autoridade patriarcal e a divisão de papéis ganharam novos significados nesse século. Em geral, a mulher do século XXI é uma mulher independente, que gera seus próprios recursos e que, ao lado de seu esposo, soma na renda familiar. 

Ela já administra empresas, leciona em faculdades, lidera, pilota aviões e preside nações. Durante muito tempo, a mulher viveu estigmatizada, censurada e vista pela sociedade somente como uma ajudadora e procriadora. Esse projeto igualitário traz a compreensão de ajuda mútua (Eclesiastes 4:9,10). Por outro lado, os filhos têm sofrido com a ausência dos pais.

O pastor Elinaldo Renovato (líder da Assembléia de Deus em Parnamirim, RN, escritor, conferencista na área da família, professor universitário, bacharel em Ciências Econômicas, mestre em Administração, especialista em Economia Internacional e Administração Universitária, bacharel em Teologia e mestre em Ciência da Religião), revela vários perigos da pós-modernidade, conforme veremos de forma panorâmica, com possibilidade de maior pesquisa posterior: 
  • a) Educação materializada – o sistema pós-moderno nos valoriza pelo que temos, não pelo que somos. O que possuímos revela quem são nossos "amigos", lugares que frequentaremos, papeis que desempenharemos e nosso futuro. Mesmo não sendo o padrão bíblico, muitos cristãos estão algemados por este sistema materialista. O dinheiro não é mau, os bens também não, mas o amor a eles é idolatria, e totalmente contrário aos mandamentos do Senhor (Renovato, 2008, p.41,42).
  • b) Educação ateísta – com o enfoque materialista, consumista, influencia, poder, fama e tantos outros recursos humanos, o homens declara que não precisa de Deus. Muitas vezes pensamos numa filosofia ateísta na qual se nega a existência de Deus, mas nem sempre é se apresenta desta maneira. Muitos não crêem em Deus, pois seu deus é o trabalho, o dinheiro, o prazer, o sucesso, a fama, o poder, os vícios, ou mesmo sua filosofia de vida individual. O que muitos se esquecem que a vida não termina aqui neste plano terreno, ela simplesmente começa aqui. E no segundo plano de vida, o eterno, nenhum destes recursos poderão nos garantir a salvação eterna (Renovato, 2008, p.43,49).

  • c) Educação relativizada – a alguns anos atrás as verdades eram absolutas. Valores morais e éticos eram observados e repassados de pai para filho. Mas hoje tudo mudou. Temos dificuldade com a verdade. Temos dificuldades com valores absolutos. Temos dificuldades com padrões morais e éticos. A sociedade tornou-se autônoma, independente, e "cada cabeça é uma sentença". No mundo relativizado, cada qual interpreta a vida, as situações, os valores e até a bíblia com sua maneira de enxergar (Renovato, 2008, p.139-156).
  • d) Deseducação sexual – na antiguidade tínhamos o "tabu" de não falar em sexo na escola, ou mesmo em casa. Anos se passaram e alguns ícones começaram a puxar a filha na educação sexual, a fim de prevenir os males que hoje vemos. O problema é que o pendulo da educação sexual passou do prumo e chegou à deseducação sexual, aderindo princípios de libertinagem, do sexo livre, da promiscuidade, malícia, fornicação e prostituição. Vivemos numa sociedade erotizada, sensual, pornográfica, dominada pelos instintos carnais (Renovato, 2008, p.50-54).
  • e) Formação espiritual de baixa qualidade – Muitos estão perdidos dentro da igreja. Falta-lhes o alimento sólido, o pão da Vida. Movidos por muitos eventos e movimentos, muitos estão morrendo de fome dentro da casa do Pão, Igreja. Em muitos púlpitos se prega o pseudo-evangelho, intoxicando os ouvintes, minimizando-lhe a fé e matando-lhes espiritualmente (Renovato, 2008, p.59). 
  • f) Sistema de informação corrompido – desviados na rede mundial de computadores. As estatísticas revelam que milhares de adolescentes, jovens e até adultos sofrem com os efeitos danosos da pornografia e imoralidade virtual. O apelo direto, a facilidade ao acesso e o suposto sigilo virtual, tem levado muitos ao óbito espiritual. A mídia trabalha com um forte apelo sensual, e pelo que vemos a tendência é de quem é sujo, sujar-se cada vez mais (Renovato, 2008, p.58).

A Família e os desafios


Prevenção é a única maneira pela qual evitamos o mal. A vida cristã não é fácil e é ainda mais complicada porque lutamos contra o que não vemos. Nossos inimigos são invisíveis e atuam nas áreas de nossas vidas que não estão alicerçadas (Efésios 6:12).

Conflitos na família


Jesus disse que, antes de construir, devemos fazer cálculos da construção, para que, pondo os alicerces, não deixemos a obra sem terminar e sejamos escarnecidos (Lucas 14:28-30). Nosso século é o século dos casamentos precoces, onde meninas se tornam mães antes da maioridade e os jovens casais vão morar com os pais por falta de planejamento. 

Temos uma sociedade recheada de casais imaturos e o resultado dessa ausência de planejamento é um número sem fim de mães solteiras e filhos em pais. Estes, por falta de alicerces familiares, repetem os mesmos erros de seus pais em seus relacionamentos e, assim, a sociedade vai se transformando em um campo de batalha por causa da ausência dos padrões divinos estabelecidos para o matrimônio (Ef 5:31).

Comunicação entre pais e filhos


A ausência de diálogo entre pais e filhos é um dos grandes males deste século e o grande vilão é a falta de tempo. As responsabilidades do lar são parte integrante da vida do casal e isto inclui a tarefa de instruir os filhos. Infelizmente, em muitos lares, os filhos são instruídos pela TV, internet, entre outros. É dever dos pais ensinar (Provérbios 22:6). 

Deus ordenou aos pais que instruíssem seus filhos, que dialogassem com eles acerca da Lei (Dt 6:6,7). A semente do diálogo deve ser plantada já na infância. Pais e filhos precisam ser amigos e confiar um no outro. Quando Jesus disse: 
"Eu e o Pai somos um" (Jo 10:30), 
nos revelou a grandeza do relacionamento entre pais e filhos.

Relacionamentos entre pais e filhos


Nosso maior exemplo de filho é Jesus Cristo. Ele nos ensinou como um filho se relaciona com um pai, como respeita seu legado e como deve honrá-lo (Ef 6:2,3). Por não terem aprendido a se relacionar com seus pais e nem tampouco a respeitá-los, há muitos filhos maldizentes em nossa sociedade, que apenas pensam em si mesmos e não correspondem ao sacrifício feito por seus pais. 

Quanto aos pais, estes também devem honrar seus filhos, serem presentes em suas vidas, dar-lhes amor, amizade e atenção. Enquanto os filhos devem aprender a honrar seus pais, os pais devem funcionar como pais, não somente dando ordens, mas sendo amigos íntimos e exemplos de vida para eles.

A Família e a Igreja


A relação família e Igreja é fundamental para a existência de ambas. Enquanto os ditames do mundo bombardeiam as famílias moral e espiritualmente, a Igreja é a única instituição onde a família cristã pode refugiar-se e sobreviver aos ataques do maligno (Mt 16:18b).

O Discipulado e a Família


Deus nos ensinou que só existe uma coisa que conduz Seu povo à perdição: a falta de conhecimento (Oséias 4:6). O Discipulado é uma porta aberta para o ensino cristão. É um instrumento de crescimento espiritual para as famílias. Tanto a família quanto o Discipulado possuem o mesmo alvo: formar cristãos maduros e produtivos, que honram a Deus e o servem. Assim como os pais tem como obrigação instruir seus filhos no caminho do Senhor, o Discipulado age da mesma maneira com os filhos espirituais da Igreja.

A relevância do culto doméstico


Quando um lar cristão abre as portas para a Palavra, abre tanto para a felicidade quanto para o êxito. Cultuar a Deus no lar nada mais é que cumprir uma ordenança divina (Dt 6:6-9; Pv 1:7-9; 6:20). Quando nos esforçamos em conduzir nossos filhos e família a um relacionamento pessoal com Deus através do ensino da Palavra, estamos não somente preparando-os para a salvação, mas conduzindo-os a uma vida saudável e sem contaminação. A igreja tanto é uma extensão de nossa casa, quanto nossa casa deve ser uma extensão da igreja. Tudo começa no lar e não existirá igreja forte se as famílias estiverem fracas.

Família servindo a Deus


O que conduz qualquer família ao desmoronamento é a ausência de Deus. A presença de Deus torna um lar agradável e pacífico. Numa casa onde há tempo para se buscar a Deus e adorá-lo a atmosfera é agradável e santa. A Bíblia nos ensina que se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam (Salmo 127:1). O Senhor bate a nossa porta e devemos abrir para que ele entre, sente à nossa mesa e ceie conosco (Apocalipse 3:20). Quanto mais íntimos de Deus, mais afastados seremos do mundo.

Conclusão


Identificamos vários desafios da família em tempos pós-modernos, e as possíveis consequências caso estes comportamentos sejam incorporados. Listamos as más influencias recebidas pelas mídias seculares e pelo comportamento líquido adotado pela sociedade descrente, que reverbera dentro de nossos lares e igrejas. 

Mas registramos possibilidade de resgate, da moralidade, ética, fraternidade e dos valores cristãos tão bem explícitos nas sagradas escrituras. Pontuando comportamentos práticos que reduzirão significantemente as influencias danosas na família cristã. Lembrando que somente em Cristo e em sua Palavra, poderemos obter êxito para salvaguardar nossos lares. 

Nosso Deus é um Deus pessoal. Ele é um Deus de relacionamentos. O Pai da Eternidade é um pai extremamente amoroso. Ele deseja ser íntimo de todos os filhos gerados á Sua imagem e semelhança (Gn 1:26).

[Fonte: Seara de Cristo; RENOVATO, Elinaldo. Perigos da Pós-modernidade. Rio de janeiro, CPAD, 2008]

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E nem 1% religioso. 
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

CANÇÕES ETERNAS CANÇÕES — "TENTE OUTRA VEZ", RAUL SEIXAS

"Acaso pode sair água doce e água amarga da mesma fonte? Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Da mesma forma, uma fonte de água salgada não pode produzir água doce" (Tiago 3:11,12, NVI).
Essa canção da autoria de Raul Seixas em parceria  com o escritor Paulo Coelho e Marcelo Motta, é uma das mais conhecidas do repertório do cantor baiano. Inclusive no círculo evangélico, essa música também faz sucesso, já tendo sido cantada por um dos nomes mais conhecidos da música gospel, o grupo Voz da Verdade, em uma perfomance bastante questionável e de gosto bem duvidoso, diga-se de passagem. Há também muitos evangélicos que consideram essa música "um hino". Antes de fazer uma análise da letra dessa música, acho interessante conhecer a história de seu intérprete.

Quem foi Raul Seixas?


Raul Santos Seixas (✩ Salvador, 28 de junho de 1945 / ✞ São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da gravadora CBS, durante sua estada na cidade do Rio de Janeiro, por vezes, é chamado de Pai do Rock Brasileiro e Maluco Beleza. Sua obra musical é composta por dezessete discos lançados durante 26 anos de carreira. É dele a famosa frase:
"O diabo é o pai do rock."
Seu estilo musical é tradicionalmente classificado como rock e baião, e de fato conseguiu unir ambos os gêneros em músicas como 'Let me Sing, Let me Sing'. 

Seu álbum de estreia, "Raulzito e os Panteras" (1968) foi produzido quando integrava o grupo Raulzito e os Panteras, mas só ganhou notoriedade crítica e de público com músicas como 'Ouro de Tolo', 'Mosca na Sopa' e 'Metamorfose Ambulante', do álbum "Krig-ha, Bandolo", de 1973. 

Raul Seixas tinha um estilo musical que era chamado de "contestador e místico". Isso se deve aos ideais que defendia, como a Sociedade Alternativa apresentada no álbum "Gita", lançado em 1974, influenciado por figuras como o satanista britânico Aleister Crowley (✩1875/✞1947), autodenominado "A Grande Besta 666".

Cético e agnóstico, Raul se interessava por filosofia (principalmente metafísica e ontologia), psicologia, história, literatura e latim. Algumas ideias dessas correntes foram muito aproveitadas em sua obra, que possuía uma recepção boa ou de curiosidade por conta disso.

Ele conseguiu gozar de uma audiência relativamente alta durante sua vida. Nos anos 80, continuou produzindo álbuns que venderam bem, como "Abre-te Sésamo" (1980), "Raul Seixas" (1983), "Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!" (1987) e "A Panela do Diabo" (1989), esse último em parceria com o também baiano e amigo Marcelo Nova.

Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Raul Seixas na 19.ª posição, superando nomes como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Heitor Villa-Lobos (✩1887/✞1959) e outros.

No ano anterior, a mesma revista promoveu a Lista dos Cem Maiores Discos da Música Brasileira, onde dois de seus álbuns apareceram: "Krig-ha, Bandolo!", na 12.ª posição e "Novo Aeon" — de onde 'Tente Outra Vez' é faixa —, na 53.ª posição.

Há exatamente 31 anos Raul Seixas morria de forma precoce, vítima de parada cardíaca, em São Paulo, cerca de dois meses após completar 44 anos. Ele sofria de alcoolismo, diabetes e outros problemas de saúde. Foi encontrado morto em sua cama. 

Agora sim, vamos fazer uma análise da canção.

'Tente Outra Vez' 

Raul Seixas, Paulo Coelho e Marcelo Motta 


Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!

Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!

Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça aguenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!

Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!

Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai! Tente outra vez!
Humrum!

Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han! Tente outra vez!

Análise da letra


Raul Seixas, apesar de ser apontado como louco, conseguia fazer com que nas letras de suas músicas, passar para muitos mensagens positivas e tem até quem considere algumas de suas canções como "proféticas" e "apocaliptícas", a exemplo de 'O Dia em Que a Terra Parou', considerada por muitos, uma "mensagem profética" referente aos dias atuais.

Na canção 'Tente Outra Vez', Seixas "ataca de psicólogo" e anima os desesperados, os deprimidos, os fracassados, a não desistirem, na busca dos seus objetivos.
"Veja / Não diga que a canção está perdida / Tenha fé em Deus tenha fé na vida / Tente outra vez".
De acordo com a letra, não devemos nunca achar que tudo está perdido, imaginar que não vale mais a pena cantar o prazer de viver. A maneira de vencer essa desesperança é colocar nas mãos de Deus a sua vida e acreditar nela, como um sopro divino para cumprir a missão que nos foi determinada na passagem terrena.
"Beba / Pois a água viva ainda está na fonte / Você tem dois pés para cruzar a ponte / Nada acabou, não, não, não".
Os crentes que defendem essa música como um hino, afirmam que a "água viva" sobre a qual Seixas canta, seria Jesus, por causa do que está escrito em João 4:13,14. Só que não mesmo! De acordo com as crenças metafísicas de Raul Seixas, a água viva à qual ele se refere é a sabedoria que a vida nos oferece como aprendizado, é a fonte da nossa existência.

O que importa é a consciência de que temos capacidade de atravessar a ponte, sair de uma situação para outra com a segurança de quem sabe que pode seguir adiante. Temos dois pés, então caminhemos. Eles existem para nos dar a possibilidade de andarmos em frente, nunca pararmos. Afinal de contas nenhum caminho se acaba enquanto tivermos vida. Ou seja, independência total, nada a ver com o princípio da dependência de Deus que as Escrituras Sagradas nos ensina.
"Tente / Levante sua mão sedenta e recomece a andar / Não pense que a cabeça aguenta se você parar / Não, não, não".
Aqui Raul Seixas estaria indicando que devemos orar? É o que afirmam os que sacralizaram a letra, já que o tentar sempre e erguer as mãos aos céus pedindo forças e reiniciar a luta do dia-a-dia, de acordo com eles, sinaliza a prática cristã da oração.

Na hora em que se desiste de algo a cabeça se acomoda e trabalha em seu desfavor, leva à depressão, ao desalento, ao esmorecimento. Portanto, que reaja, que se evite a renúncia de ir em frente, que se recuse a aceitar a passividade como postura na batalha da vida. Realmente, esse tipo de mensagem é praticamente um clichê em muitas músicas gospel e nas mensagens pregadas pelos teólogos da prosperidade e da confissão positiva.
"Há uma voz que canta, / Uma voz que dança, / Uma voz que gira... / Bailando no ar". 
Há quem afirme que Rauzito está se referindo novamente aqui ao Altíssimo. Essa "voz que canta, dança e gira bailando no ar" seria a voz de Deus. Só que não outra vez. De acordo com a filosofia metafísica, somos guiados por uma voz que define a nossa existência. Faz-se necessário saber ouvir e entender essa voz que vem do alto. Ela está no canto da natureza, na dança da dinâmica do cotidiano, girando em torno de cada um de nós sem que a percebamos tão facilmente. Está no ar. É a voz de um deus, não especificamente a voz de Deus.
"Queira / Basta ser sincero e desejar profundo / Você será capaz de sacudir o mundo, vai / Tente outra vez".
De acordo com o contexto da composição, o querer é poder. Confiar em si mesmo, na capacidade própria de fazer as coisas acontecerem. A vontade, a persistência e a perseverança, vencerão obstáculos. Jamais abandonar qualquer sonho, qualquer ideal, qualquer projeto, porque no primeiro instante não deu certo. Porque não tentar outra vez? Bonito, né? Incentivador, essencialmente antibíblico, já que a Palavra de Deus nos orienta justamente o contrário, veja em Jeremias 17:5-10.
"Tente / E não diga que a vitória está perdida / Se é de batalhas que se vive a vida / Tente outra vez".
Mais uma mensagem positiva e que sim, também é facilmente encontrada nas letras de muitas músicas gospel. Afinal, é fato que não existem derrotas antes da batalha. Nossa vida é uma constante luta. Nem sempre somos vitoriosos. No entanto, os insucessos devem servir como estímulo a tentar novamente, renovar forças, redirecionar os caminhos que levarão ao êxito. Quem de nós nunca ouviu e/ou nunca disse algo assim em nossas ministrações?

Como identificar uma música sacra?


Há diferentes opiniões a respeito do que seja música sacra. Tradicionalmente entende-se por música que não lembra a "música do mundo" (secular) e que desperta sentimentos de espiritualidade, santidade e adoração a Deus. Deve ser lembrado que uma música não se torna sacra simplesmente porque é composta para ser tocada na igreja, e nem só porque é tocada na igreja. Convém ainda saber, que toda a música sacra é religiosa, mas nem toda música religiosa é música sacra.

Uma música não é considerada sacra apenas porque o seu autor é um cristão, a sua letra fala de Cristo, ou porque pertence ao repertório de alguma Religião. Ela deve ser santa em si mesma, em sua inspiração, em sua origem, em sua essência porque música sacra, é música santa.

Principais Características da Música Sacra:

  1. Promove uma correta visão de Deus, de Sua justiça e de Seu amor.
  2. Sua letra deve comunicar uma mensagem bíblica doutrinária, de gratidão, e/ou de louvor ao Nome do nosso Criador.
  3. Não desperta sentimentos humanos do passado ou do presente, vividos em experiências alheias aos propósitos da Salvação.
  4. Impulsiona a viver por Cristo e para Cristo.
  5. Não lembra a música secular em quaisquer de suas formas.
  6. A letra deve ser uma oração, e por conta disso, todo o seu conteúdo deve ser bem claro para merecer um AMÉM no final.
  7. Os elementos musicais são submissos aos elementos espirituais em toda sua composição.
  8. Sua forma musical deve comunicar espiritualidade em linha com os princípios divinos.
  9. Desenvolve no pecador, uma correta visão de si mesmo e do seu estado pecaminoso.
  10. Conscientiza o pecador da importância do sacrifício na cruz em seu favor, e desenvolve a sua fé.
  11. Desperta e desenvolve os sentimentos espirituais que motivam a reverência e a adoração ao Criador.
  12. A música deverá não ter nenhum outro alvo ou objetivo senão a glória de Deus.

Conclusão


Bem, eu não gosto dessa canção. Acho ela extremamente chata. Mas, então porque ela está aqui? É por que ela é um clássico, isso não se discute, tanto que já foi gravada por diversos outros artistas como:
Fábio Jr., Chitãozinho & Xororó (estes, inclusive, dizem que a música foi uma inspiração para que eles não desistissem de tentar o sucesso no início de suas carreiras), Zezé di Camargo & Luciano, Nenhum de Nós e muitos outros. 

E, como vimos acima, o fato de em sua letra ter a palavra "Deus" e muitas mensagens que levamos aos púlpitos, não a torna uma música sacra — mesmo porque, devido ao ceticismo, à ideologia ocultista de Raul Seixas e a cultura esotérica do "bruxo" Paulo Coelho, esse "deus" descrito na letra pode ser qualquer um, menos o da Bíblia — e, certamente, seus autores jamais tiveram a intensão que ela fosse uma música sacra. 

Portanto, essa música pode até funcionar como um "placebo espiritual", ou seja, um "hino" sim, mas, de autoajuda e absolutamente nada mais do que isso. Eu vou dar meu carimbo, claro. Pela origem, pelo contexto, pela inspiração e pela essência:
A Deus toda glória. 
Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog https://conexaogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos sempre com um comprometimento cristão, porém sem religiosidade. 
E nem 1% religioso. 
O uso correto da máscara não precisava ser obrigatório, por se tratar de uma proteção individual extensiva ao coletivo. É tudo uma questão não de obrigação, mas de consciência.
Respeite a etiqueta e o distanciamento sociais e evite aglomerações. A pandemia não passou, a guerra não acabou.

AS CARACTERÍSTICAS DO AMOR AO SENHOR


"Mas quem ama a Deus, este é conhecido por Deus" (1 Coríntios 8:3).
  • O texto deste artigo é o esboço da mensagem que eu ministrei ontem, 06/12, no culto dominical realizado no salão congregacional do Ministério Evangélico Gilgal, onde sirvo como pastor.

Amor, uma linguagem do céu


O amor é a força mais poderosa do mundo. É o elo que liga pessoas umas com as outras e com Deus. O verdadeiro amor não depende de quem recebe amor. A pessoa que ama decide amar porque quer amar. O amor é uma decisão poderosa. Não existe um amor igual ao amor de Deus, porque só esse amor, através de Jesus, pode transformar as nossas vidas e nos completar. Deus é amor. Seu amor serve de exemplo. 

O amor de Deus é a maior força que existe. Ele é incomparável, ilimitado e pode quebrar qualquer barreira. Esse amor tem o poder de transformar qualquer situação, de mudar até o coração mais endurecido. Foi o amor de Deus que originou o plano da salvação, e sem esse amor Jesus nunca teria morrido na cruz para nos resgatar do poder do pecado e da morte.

Todas as pessoas precisam de amor. Um amor verdadeiro traz sentido à vida do ser humano, traz conforto e um propósito. A essência do amor vem de Deus, pois Deus é amor! Muitas vezes podemos procurar o amor verdadeiro de maneiras erradas. Algumas pessoas até podem te amar verdadeiramente, mas ninguém te ama como Deus ama. O Seu amor é infalível e infindável. Porque Ele te ama, Deus enviou o Seu Filho amado para morrer na cruz pelos teus pecados. Essa é a maior prova de amor de sempre!

O amor como um princípio bíblico


Por ser uma linguagem divina, a Bíblia fala sobre o amor do Gênesis ao Apocalipse. Sempre que a Bíblia fala sobre amor, não se trata do tipo de "amor" que é divulgado, ensinado e praticado no mundo. Quando esse amor é no sentido vertical, de cima para baixo, ou seja, do Senhor em relaçã a nós, ele tem características bem específicas e especiais que o definem:
Entretanto, embora Deus não impor condições para nos liberar o Seu amor, Ele se importa sim que correspondamos ao Seu amor (Jo 14:21). Amar ao Senhor só nos discursos ou nas letras dos cânticos é muito fácil e qualquer um — até mesmo que de fato não O ame — pode fazer. 

Portanto, é necessário então que entendamos alguns detalhes que caracterizam e definem a relação de amor entre nós e o Senhor. Essas características são muitas e podem ser expressas de várias formas. Eu as resumi em três, sendo que nessas três, estão incluídos, inseridos todos os demais. Vamos conhecê-los.

O amor ao Senhor é um amor com propósitos — Jo 21:15-17


Entendendo o contexto dessa passagem, Pedro foi um dos discípulos mais proeminentes dentre os 12. Ele foi um tipo de líder dos discípulos. Aquele que tomava as grandes decisões, aquele ao qual foi Jesus deu revelações mais profundas e sobre qual, consequentemente, também foi dada a maior responsabilidade, pois
"...A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido" (Lucas 12:48b). 
Pois é, Pedro também foi o protagonista de um dos episódios mais emblemáticos e significativos dos evangelhos, o da negação a Jesus, registrado em Jo 18:15-18. Pois bem, logo após ter negado ao Senhor, Pedro tem esse reencontro com Ele, um reencontro muito importante e definitivo para o discípulo.

Aqui, Jesus faz com que Pedro se posicione em relação ao seu compromisso com o chamado para o exercício ministerial, feito anteriormente pelo próprio Jesus (Mateus 16:18). Entendemos, então que o amo ao Senhor implica em atendermos o Seus chamado. É um amor que gera frutos.

O amor ao Senhor deve ser profundo, intenso e forte — Salmo 42:1, 2a; 63:1a


Profundidade sinaliza que o nosso amor a Deus precisa ter raízes, ser firme, solidificado. Não há como oferecer a Ele um amor instável, flexível, submisso às circunstâncias ou às intempéries da vida. Quando Jesus nos deu o mandamento do amor, Ele foi enfático:
"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de TODO o teu coração, e de TODA a tua alma, e de TODO o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento" (Marcos 12:30, ÊNFASE acrescentada).
Quando Jesus diz que devemos amar a Deus de TODO, Ele nos indica que esse amor deve nos envolver por inteiro.

Amar de todo o teu coração, e de toda a tua alma significa que por vezes é necessário coragem para fazer o que nos é mandado, mesmo quando não entendermos de imediato o que nos está sendo por Ele mandado. Ele sabe todas as coisas, nós não. Isto é ser profundo, é ter raíz, é estar equilibrado em uma base sólida.

Intensidade fala atitudes. Uma pessoa intensa não faz nada mais ou menos, ou seja, ela sempre se entrega a tudo que realiza de forma profunda, colocando toda a sua energia na execução do que a ela foi confiado. Quando amamos ao Senhor com intensidade, não negociamos os valores e princípios que nos são ensinados em Sua Palavra

Forte, obviamente, nos indica resistência. Amar com todas as forças é quando precisamos dar nosso máximo para amar mesmo quando somos disciplinados. Você tem que decidir amar, mesmo quando é difícil, pois nem sempre é fácil amar. Muitas vezes Deus nos disciplina, nos corrige, nos exorta, nos diz não e até nessa hora precisamos amá-lO. Afinal, 
"[o verdadeiro amor] ...é paciente (...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta..." (1 Co 13:4a, 7).
Ou seja, o amor a Deus, trata-se de uma relação de intimidade, uma entrega toral, sem restrições, um desejo incontrolável de estar junto dEle, uma total satisfação em conhecer e saciar não os próprios desejos, mas os desejos dEle.

O amor ao Senhor gera resultados — Jo 14:15, 16


O amor é uma relação de troca e de fidelidade e isso não muda quado se trata do amor ao Senhor e dEle por nós. Deus nos chamou, nos designou para propósitos específicos e, potanto, espera que O ofereçamos, que O apresentemos frutos em espécie com o que nos tem dado como sementes. A maior semente do Senhor para nós, é justamente o seu tão grande e indescritível amor, manifesto na pessoa de Jesus. E foi Ele mesmo quem disse:
"Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto" (Jo 15:8).
De maneira simples eu diria que fruto é a mudança de vida, uma vida centrada em Cristo, uma vida onde morremos para nós mesmos para que Cristo possa viver em nós. (Gálatas 2:19,20); uma vida que busca satisfazer Deus em vez de satisfazer as pessoas ou a si mesmo. Uma vida cujo tema central, foco e prioridade é Deus. E, isso, sem sombra de dúvida, é uma manifestação do amor que temos por Ele.

Conclusão


O amor ao Senhor está relacionado com uma vida de entrega total a Ele e se manifesta na proporção em que o revelamos através da no maneira de viver. Em Romanos 8:35-39, o apóstolo Paulo, de forma bem explícita, nos ensina como o efeito de ação e reação sobre essa verticalidade do amor ao Senhor. Que não percamos a oportunidade de viver e revelar a Ele o nosso amor.
Canção: 'Amo o Senhor'; Intérprete: Fernanda Brum; Composição: Fernanda Brum e Emerson Pinheiro;
Faixa do álbum: "Quebrantado Coração", MK Music, 2002.

A Deus toda glória. 
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

ACONTECIMENTOS — O CASO FAMÍLIA PESSEGHINI

A imagem feliz da Família Pesseghini
O que levaria uma tradiocional família paulistana, militar, de classe média e aparentemente feliz ser dizimada em uma chacina? E, pior, como imaginar que um garoto de apenas 13 anos pudesse ser o autor suicida dessa chacina? Não, não estou falando sobre o roteiro de uma das séries de suspense policial da Netflix. O caso com contornos chocantes e até hoje obscuros, é real.

Em 2013, uma família foi assassinada em sua casa. O casal de policiais, Luis e Andreia, a mãe de Andreia, Benedita, e sua irmã, Bernardete, foram mortos a tiros. O último membro da família que morreu foi Marcelo, de 13 anos, filho do casal, foi considerado pela justiça como o autor dos crimes. Manipulações, ameaças, interesses e panos quentes. Sete anos após os assassinatos, a chacina que ficou conhecida como o Caso Família Pesseghini permanece repleto de perguntas sem respostas.

O assustador cenário do crime


05 de agosto de 2013, São Paulo, Bairro Brasilândia, no interior da residência de um casal de militares, uma cena de horror:
  • O pai Luís Marcelo Pesseghini — sargento da ROTA/SP —, foi morto com um tiro atrás da orelha esquerda, mas a arma não foi encostada em sua cabeça. Luís demorou um pouco para morrer, segundo laudo.
                                                                                                              Luis Marcelo ao lado de seu filho, Marcelinho
  • A mãe, Andréia Regina Bovo Pesseghini — cabo da 1ª Cia. do 18º BPMSP, com base na Freguesia do Ó —, levou um tiro na nuca que veio de cima para baixo pois estava ajoelhada em frente à cama. Ela morreu na hora.
  • A avó do menino, Benedita de Oliveira Bovo, levou um tiro à queima roupa na boca. Ela também agonizou antes de morrer.
                      Andreia ao lado de seu filho
  • A tia-avó, Bernadete Oliveira da Silva, morreu com dois tiros. O primeiro atingiu o rosto, um pouco acima do maxilar. O disparo foi feito a uma distância entre 50 e 75 centímetros. O segundo acertou a região entre o nariz e a boca. Ela também agonizou antes de morrer.

As investigações

e as especulações


                    Imagem de Marcelo Pesseghini indo a escola
Após a investigação da polícia, foi descoberto que depois dos pais de Marcelo morrerem, o garoto, pela manhã, foi até sua escola utilizando o carro dos falecidos pais.

O veículo foi deixado na rua e o menino caminhou sozinho até a escola, onde assistiu a aula normalmente.

No fim da aula, Marcelo foi deixado na porta de casa, pelo pai de um colega que o ofereceu carona. Um amigo dele disse que ele pretendia ser um policial como o pai, mas ultimamente tinha apresentado um "comportamento estranho".

Outro garoto disse que Marcelo tinha planos de matar os pais e depois fugir no carro da família. O colega afirmou também que Marcelo pretendia ser "matador de aluguel". Os tiros não foram ouvidos pelos vizinhos. Não havia sinais de resistência das vítimas nos aposentos.
  • Assim que Marcelo chegou em casa, ele, supostamente, atirou na própria cabeça. A bala entrou do lado esquerdo e saiu do lado direito, pouco acima da orelha. A arma estava encostada na cabeça e ele morreu na hora.
                                                                       Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini

As controvérsias

Marcelinho, assassino ou vítima de uma trama macabra?


Em sua mochila foi encontrada outra arma de fogo, que pertencia ao avô, e uma faca. Marcelo teria sido o autor e depois se suicidou? Para que esta hipótese seja verdadeira — e pode ser — vários fatos teriam que ter ocorrido.

Duas semanas antes das mortes, no dia 5, na residência da família na Brasilândia, zona norte de São Paulo, Marcelo teria apontado a arma do pai para parentes e tentado ir à escola vestindo uma touca ninja. Um dos amigos do único suspeito pelo crime chorou no depoimento.

Amigos disseram que ele criou no colégio um grupo chamado "Os Mercenários", que defendia os assassinatos dos pais e de pessoas importantes, baseado em jogos de violência. Desde o início das investigações, essa foi a primeira vez que alguém revelou as palavras de Marcelo.

Um dos amigos disse que se arrependeu de não ter feito nada para evitar o "possível suicídio" de Marcelo. Um dos alunos afirmou que ele o perguntou: 
"Se eu morrer, você vai sentir minha falta?"

Pontos obscuros

Marcelinho e os pais se divertindo em um parque aquático
Marcelo teria que se assegurar que todos estariam dormindo e também que o primeiro tiro não despertaria ninguém em casa. Seus pais eram policiais treinados e depois do primeiro tiro, os demais acordariam.
  • Teria a família Pesseghini tomado veneno ou tranquilizantes para que todos estivessem dormindo no mesmo instante para não acordarem com o barulho?
Depois de matar a família, seria fácil sair de casa e consumar o plano, mas contrariamente, ele foi para a escola, e pode ter voltado para casa para realmente se matar. Um tiro de uma .40 causa um estrago no cérebro, impulsionando-o para o lado do sentido do movimento da bala.

Peritos atestam que se ele o fizesse estando sentado ou em pé, o corpo não ficaria "arrumado". O braço esquerdo estaria afastado do corpo e torcido. A arma seria impelida pelo tranco numa direção e a cabeça na direção contraria. Assim, as vítimas teriam sido mortas por terceiros, o que exclui Marcelo como autor.

Nessa hipótese, e como os vizinhos não ouviram os tiros, também não devem ter escutado qualquer veículo nas imediações, e mesmo por volta das seis ou sete da manhã, o carro dos pais de Marcelo não pareceria estranho ao dirigir-se à escola. No caso, alguém poderia estar dirigindo.

O menino, segundo familiares, queria ser policial, em oposição aos comentários que teria feito com o seu amigo de escola, segundo o qual, queria matar os pais e ser um matador de aluguel.

Talvez por vingança, ou queima de arquivo, algum criminoso ou até um policial poderia ter entrado na casa e atirado com abafadores de som (podendo ter sido mais de um). Isso explicaria porque os vizinhos não ouviram os tiros.

É possível que Marcelo tenha aberto a porta. Só há uma vítima que estava acordada: a mãe de Marcelo, Andreia, que morreu de joelhos em frente à cama. Ela pode ter sido a primeira a ser atingida, por estar acordada.

Isso explicaria a hipótese de todas as demais vítimas estarem dormindo, não dopadas. Tiros certeiros (como devem ter sido a julgar pela posição arrumada do corpo de Marcelo) denotam que o autor é um exímio atirador, coisa que o Marcelo, aparentemente, não era.

Para confundir as investigações, mandam Marcelo à escola sob a promessa de que garantiriam sua sobrevivência se o fizesse, mas na volta para casa, atiraram nele, o que explicaria o motivo de Marcelo não apresentar vestígios de pólvora nos dedos.

Explicaria também o porquê Marcelo foi encontrado com a arma na mão esquerda, o colocando como canhoto, contrariamente às afirmações de familiares de que ele era destro.

Ao analisar as fotos da sala em que eles foram encontrados mortos, afirma-se que a posição do corpo dele é compatível com a de um assassinato. Há muita clareza nas posições dos corpos, que mostram que os três foram assassinados. Peritos criminais dizem que "os cadáveres falam"!

Uma coisa que chama bastante atenção na cena de crime: o corpo de Marcelo, em uma das imagens tiradas na cena do crime, estava com roupa. Já em outra, ele está sem as roupas e a posição do corpo foi trocada, o que indica que a cena de crime foi alterada.

Ao fazer os cálculos de corpos com estatura semelhantes à da mãe e do filho, podemos observar que todos foram mortos por outra pessoa. O médico legista questionou porquê a equipe de criminalistas não realizou exame em microscópio para observar resíduos dos tiros na derme e na epiderme do garoto. Foram feitos somente a lavagem das mãos em soro, mas deviam ter retirado pedaços da pele para investigar.

O laudo feito por George Sanguinetti, famoso médico legista, revelou que a mão esquerda de Marcelo apresentou na região palmar, equimoses, contusões resultantes de ação traumática por objeto contuso. Lesões de defesa, indicando que o Marcelo tentou resistir de uma agressão. Ele também tinha lesões no antebraço esquerdo e no punho. 

A motivação


Andreia estava para denunciar um esquema criminoso que envolvia policiais e Marcelo, como suspeito de matar os pais, a avó, a tia-avó e depois se suicidar, teria mudado de comportamento antes dos crimes, de acordo com os depoimentos ouvidos no inquérito.

Andreia Regina Pesseghini Bovo, a mãe de Marcelo, aos 36 anos, havia denunciado policiais criminosos que estariam atuando em roubo de caixas eletrônicos alguns meses antes do crime.

Foi afirmado que poucas pessoas sabiam das denúncias feita por Andreia e a informação não chegou a nenhuma conclusão, mas policiais foram transferidos para o setor administrativo e até para outros batalhões.

Conclusão


Perfil do Marcelo Pesseghini no Facebook
O motivo do crime, de acordo com a polícia, foi uma doença mental que levou Marcelinho a acreditar que era o personagem de um videogame — um laudo psiquiátrico anexado aos autos do processo de investigação indicou que o garoto sofria de uma doença mental, agravada pela influência de jogos violentos. O caso nunca foi oficialmente solucionado e não se sabe o que realmente aconteceu. 

A investigação do caso foi arquivada quando a polícia concluiu que Marcelinho, como era chamado, matou sua família e se suicidou em 5 de agosto de 2013, utilizando o vídeo que o mostra indo para a escola como um dos pontos para acreditarem no assassinato seguido de suicídio.

Em 2017, a advogada da família pediu a reabertura da investigação, afim de fazer com que a polícia procurasse novos suspeitos e provasse a inocência de Marcelo, alegando que o vídeo possuía falhas, como repetição de cenas. Porém, até os dias de hoje, o pedido não foi atendido. Para a investigação, como Marcelinho se matou em seguida, o caso foi encerrado e arquivado sem responsabilizar mais ninguém.

A versão da polícia não convenceu os avós de Marcelinho nem os vizinhos da família. Falhas e omissões durante a investigação colocam em xeque a conclusão da DHPP. Para a advogada, a polícia ignorou várias pistas, como as câmeras de segurança em frente de uma escola infantil que ficava em frente ao colégio de Marcelo. Uma responsável pelo local chegou a admitir que nas imagens aparece um homem ao lado do garoto, mas elas não foram anexadas ao processo.

Há também contradições no depoimento da testemunha que encontrou os corpos, mas estas foram desconsideradas. Além disso, a polícia não investigou se a chacina não estaria relacionada ao fato de que Andréia teria denunciado um esquema de furto de caixas eletrônicos envolvendo policiais militares. O DHPP, no entanto, nega omissão e afirma ter depoimentos e laudos de balística que comprovam ser Marcelo o autor do crime.

O que não ficou esclarecido:

  1. Imagens de câmeras de segurança, incluindo as gravadas por uma escola infantil em frente ao colégio em que Marcelinho estudava, não foram incluídas no inquérito.
  2. Uma página do Facebook em homenagem a memória do sargento Luis Marcelo Pesseghini foi criada às 16h48 do dia 5 de agosto, antes de a família morta ter sido encontrada, após as 18 horas.
  3. De acordo com a polícia, Marcelinho matou a família em dez minutos. O cadáver de Luis Marcelo, porém, estava em adiantado estado de putrefação, diferentemente dos demais.
  4. Ligações e mensagens recebidas no celular de Luis Marcelo antes de o corpo ser encontrado foram totalmente apagadas. A única mensagem que ficou no celular foi enviada pelo irmão de Marcelo após a PM já estar no local.
  5. O sargento Luís Marcelo teria que estar às 5h no Batalhão da ROTA para uma operação. Ele não apareceu e ninguém foi atrás.
  6. Testemunhas afirmam que viram uma moto com dois indivíduos em frente da casa de Luis pulando o muro no dia do crime, mas a situação foi ignorada.
  7. As manchas de sangue encontradas nas paredes são incompatíveis com tiros efetuados por alguém da altura de Marcelinho.
O fato é que, mesmo com o passar do tempo e com o encerramento do caso pela polícia, a opinião pública não foi convencida de que o Caso Família Pesseghini — que além da comoção nacional (com repercussão internacional), virou pauta de estudos acadêmicos em cursos das áreas criminalística e de direito —, tenha sido um familicídio e sim uma brutal chacina executada como queima de arquivo.


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