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quinta-feira, 27 de abril de 2017

EVANGELISMO: A ARTE DE ATRAIR VIDAS PARA O REINO DE DEUS -3

Para muitos, equivocadamente, pode até parecer contraditório tentar conciliar método e estratégia com uma atitude de dependência e fé quando nos referimos à tarefa evangelística/missionária. Não é o que percebemos, entretanto, no ministério do apóstolo Paulo. 

A questão que levantamos nesta breve reflexão é: tinha Paulo um método, uma estratégia de missão definida? A própria ideia de missões, com base na Grande Comissão do Senhor Jesus, em Mateus 28:19,20, pressupõe uma ação estratégica, com um objetivo definido! Esse objetivo final da ação missionária é glorificar a Deus mediante a formação de discípulos (adoradores) de todas as nações. 

Independentemente de ter uma estratégia formal definida, é certo que Paulo tinha um propósito claro para seu ministério pessoal e que esse propósito se posicionava dentro do propósito maior de Deus: alcançar tanto judeus quanto gentios com a mensagem do Evangelho. Toda a ação missionária de Paulo, portanto, segue esse propósito e desenvolve-se como um desdobramento natural da Grande Comissão. Olhemos, brevemente, para alguns dos aspectos da visão estratégica no ministério do apóstolo Paulo.



Missões, evangelismo em abrangência geográfica


Primeiramente, no que diz respeito ao aspecto geográfico de sua ação missionária, vemos que Paulo trabalhava na perspectiva de Atos 1:8. Nesse texto, Jesus define a abrangência geográfica da ação missionária da Igreja, indicando uma estratégia de alcance que começa em Jerusalém, mas tem como fim a pregação do Evangelho a todas as nações. Ao apresentar sua defesa, no capítulo 22 de Atos, Paulo deixa clara a visão de Deus para seu ministério no que diz respeito à sua abrangência geográfica: 
"Vai, porque eu te enviarei para longe, aos gentios" (vs. 21). 
Novamente, quando se defende perante o Rei Agripa, no capítulo 26 de Atos, Paulo afirma: 
"Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial, mas anunciei primeiramente aos de Damasco e em Jerusalém, por toda a região da Judéia, e aos gentios, que se arrependessem e se convertessem a Deus, praticando obras dignas de arrependimento" (vs. 19,20). 
Uma análise das viagens missionárias de Paulo mostra que ele avançava e depois retornava. Havia a preocupação de Paulo em fortalecer as igrejas que haviam sido plantadas (Atos 15:36), mas é evidente que Paulo tinha também a preocupação de ir mais longe. Um exemplo claro disso está em Romanos 15:24 e 28 onde vemos a intenção de seguir até a Espanha. Paulo parece compactuar com a visão de que a igreja tem um chamado apostólico, uma missão apostólica para proclamar o Evangelho às nações. 

Olhando para aquele que seria o método de Paulo para a expansão do Reino, podemos destacar o discipulado e a plantação de igrejas. Assim como no ministério do Senhor Jesus, o discipulado para Paulo foi o meio divinamente orientado para o fortalecimento dos convertidos e para a plantação de igrejas maduras. 

A formação de discípulos de Cristo era, portanto, não somente o objetivo final do ministério de Paulo, mas também o principal recurso para enfrentar as principais forças que agiam contra a fé cristã. Paulo mostrava grande preocupação em fortalecer as igrejas que iam sendo plantadas. Havia muitas forças agindo no sentido de barrar seu ministério e o crescimento da Igreja. Essas forças consistiam tanto na idolatria que dominava muitas das cidades onde o Evangelho havia sido pregado, como também na resistência dos judeus incrédulos. 

Em Beréia (Atos 17:10-15), por exemplo, logo após os ensinamentos de Paulo e Silas, e da boa aceitação do Evangelho por parte daquelas pessoas, vemos a resistência dos judeus que 
"...foram lá excitar e perturbar o povo" (vs. 13). 
Essas "forças perturbadoras" do povo não foram exclusividade do ministério dos apóstolos. O Senhor Jesus também havia enfrentado essa oposição, daí a ênfase de seu ministério no discipulado de alguns homens, preparando-os para ensinar e conduzir aqueles que eram salvos. 


Discipulado, a base do êxito no evangelismo


O discipulado continua sendo ação básica, elementar, e uma ferramenta fundamental dentro de nossa estratégia missionária atual. Qualquer estratégia de plantação e crescimento de igreja que negligencie o discipulado pode ser considerada, no mínimo, equivocada. A plantação de novas igrejas é o resultado natural do discipulado e é também uma maneira de permitir que o fruto permaneça. 

Em resumo, a estratégia de missão do Novo Testamento enfatiza o evangelismo, ganhando convertidos, e multiplicando igrejas. Olhando agora para o teor da mensagem de Paulo, chamamos a atenção para sua capacidade de manter-se fiel à verdade das Escrituras e apresentá-la de forma relevante aos seus ouvintes. Como bem escreve Michael Green [no seu livro Evangelização na Igreja Primitiva, pg. 140], 
"A evangelização jamais é proclamação num vácuo; é sempre a pessoas, e por isto a mensagem deve ser transmitida em termos que façam sentido para elas. Paulo compreendia bem esse princípio. Ao pregar nas sinagogas, começava seu discurso pelas Escrituras, mas ao falar aos atenienses em Atos 17, o ponto de partida é outro: a religiosidade dos ouvintes e a apresentação do 'Deus que fez o mundo (...)', vs. 24" (grifo acrescentado).  
Outra característica da mensagem de Paulo, no que diz respeito ao seu conteúdo, era a ênfase na doutrina da reconciliação. Segundo ele, quando a igreja per- de o contato com a verdade dessa doutrina, ela foge da essência de sua missão em comunicar a mensagem de reconciliação do homem com Deus.
 É triste vermos como muitas igrejas hoje têm sido tentadas a trocar a mensagem simples do Evangelho e a doutrina da re-conciliação do homem com Deus por algo novo ou mais "sofisticado". 

É certo que devemos procurar apresentar o Evangelho de forma contemporânea e relevante para os ouvintes de hoje, mas os princípios que nortearam a ação estratégica de Paulo ainda são válidos para nossa estratégia evangelística/missionária hoje. Certamente, temos muito a aprender com o modelo estratégico de Paulo, que se desenvolve em plena sintonia com a Grande Comissão do Senhor Jesus, sempre movido e orientado pelo Espírito. 

O que temos visto atualmente, porém, é uma tentativa de lançar mão de estratégias e métodos complexos, mas sem uma genuína perspectiva missionária fundamentada nas Escrituras. Algumas igrejas simplesmente perderam o foco, fugiram de seu propósito como Igreja de Cristo, se afastaram da Missão de Deus. Paulo incorporava o modelo natural estratégico da Grande Comissão que começava com o alcance de indivíduos com vistas ao alcance do mundo.



Conclusão


Não é possível chegarmos a outra conclusão após uma reflexão sobre estratégia de missão a partir do exemplo de Paulo senão que, segundo as palavras de Robert Coleman [no seu livro O plano mestre de evangelismo, pg. 129]: 
"Não há necessidade de melhores métodos, e, sim, de melhores homens (e mulheres!)... que queiram tão somente que Cristo produza a Sua vida neles e através deles, de acordo com a Sua boa vontade" (grifo acrescentado).
Ou seja, homens e mulheres que, antes de lançar mãos de métodos, se lançam nas mãos de Deus. Homens e mulheres com atitude estratégica, mas movidos pelo Espírito.

A Deus toda glória.
 Fique sempre atualizado! Acompanhe todas as postagens do nosso blog
https://circuitogeral2015.blogspot.com.br/. Temos atualização diária dos mais variados assuntos, sempre com um viés cristão, porém sem religiosidade.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

EVANGELISMO: A ARTE DE ATRAIR VIDAS PARA O REINO DE DEUS - 2

Sabemos que só há um meio para a salvação – JESUS CRISTO.

E somente nós, os cristãos, temos este pleno conhecimento. Como poderíamos, então, deixar de falar de Cristo? Tendo conhecimento das motivações anteriores, chegamos a conclusão que o ato de não evangelizar é um ato de profundo egoísmo. Sendo, assim, um pecado. 
  • Devemos evangelizar porque amamos o nosso próximo e não queremos vê-lo perdido eternamente.
Paulo, dominado por este amor, estava disposto a sacrificar a própria vida na pregação do evangelho:
"Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram; como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus, e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. E agora, eis que, ligado eu pelo espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que lá me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus" (Atos 20:19-24, grifo acrescentado).
Nem toda mensagem é evangelística. Muitos tentam evangelizar sem dar ao pecador a mínima orientação sobre a salvação e como obtê-la. Muitos tentam tornar mais agradável aos outros a mensagem do Evangelho.

Por isso não falam de pecado, de arrependimento e renúncia. É o pseudo-evangelho das conveniências humanas, da vida sem problemas e da inexistência de crises. Com isso a igreja cresce, mas as almas continuam perdidas.
  • Proclamação – Seria a comunicação ao pecador a respeito de sua condição de escravo do pecado, da natureza e consequência dessa escravidão, do amor de Deus e Sua providência em Jesus Cristo para salvação deste e da chamada divina para uma decisão por Cristo Jesus.
  • Integração – Depois da conversão do pecador, este deve ser levado a um compromisso com o corpo visível de Cristo (a Igreja), onde seria discipulado e levado ao desenvolvimento e amadurecimento da sua fé em Cristo Jesus:
"Tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo" (Efésios 4:12-13). 
"Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o Evangelho!" (1 Coríntios 9:16) 
"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tendes fé em Deus" (Marcos 11:22). 

Mas, por que eu devo evangelizar?


  •  a) É um mandamento que o Senhor nos deu:
"Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mateus 28:19-20) 
"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados" (Marcos 16:15-18).
O Senhor nos ordenou pregar o Evangelho, pois Ele quer que a sua mensagem atinja:
  • A toda a criatura (Evangelismo pessoal) – "... Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda criatura" (Marcos 16:15);
  • A todas as nações (Evangelismo regional) – "Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo" (Mateus 28:19);
  • A todo o mundo (Missão universal)  –  "...Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho..." (Marcos 16:15);
  • A todas as aldeias (Missão transcultural)  – "E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades" (Mateus 9:35);
  • A todo o lugar (Missão universal)  – "Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam" (Atos 17:30). 

  • b) É uma obrigação de todo salvo:
"...Me é imposta esta obrigação; e ai de mim, se não anunciar o Evangelho" (1 Coríntios 9:16).
Esse texto não significa que o crente deva pregar a palavra, constrangido ou forçado; e sim que, por tratar de uma testemunha do Senhor Jesus  –  
"Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra" (Atos 1:8) – , 
foi convidado para testificar da sua salvação e não pode se esquivar desse convite sob nenhuma desculpa. Não há justificativa diante de Deus para quem não prega o Evangelho.

  • c) É um privilégio de cada salvo:
"Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus" (Mateus 10:32).
Um dos maiores privilégios do crente é poder cooperar com Deus  –  
"Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam" (Marcos 16:20)  
– neste mister de ganhar almas para o seu Reino.

Que privilégio glorioso é pregar a Palavra, pois fomos escolhidos por Deus para este trabalho
"Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia" (João 15:19).

  • d) É uma responsabilidade de cada crente:

"O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (1 Timóteo 2:4). 
"Se eu disser ao ímpio: O ímpio, certamente morrerás; e tu não falares para dissuadir o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniquidade, mas o seu sangue eu o requererei da tua mão" (Ezequiel 33:8).

  • e) É uma prova de que temos a natureza de Deus:

O crente é descrito na Bíblia como tendo a natureza divina – 
"Pelas quais ele nos tem dado as suas preciosas e grandíssimas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo" (2 Pedro 1:4).
Ou seja:
"...o mesmo sentimento que houve também em Cristo"(Filipenses 2:5).
A mente de Cristo – 
"Para uns, na verdade, cheiro de morte para morte; mas para outros cheiro de vida para vida. E para estas coisas quem é idôneo?" (2 Coríntios 2:16).
A vida de Cristo  –  
"Porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus" (Colossenses 3:3).

E qual é a natureza divina? 


É certamente o amor.
"Aquele que não ama não conhece a Deus; PORQUE DEUS É AMOR" (1 João 4:8, ênfase acrescentada),
O amor pelas almas: 
"Disse-lhes Jesus: 'A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e completar a sua obra'." (João 4:34). 
"Assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor." (João 10:15-16)

Conclusão


Realmente, o que o Senhor fez na nossa vida é motivo de muita gratidão. E a maior prova de gratidão que podemos apresentá-lO é a condução de outras vidas a Ele. Qualquer outra coisas que façamos, por melhor que seja, será maior do que isso.

Quando lembramos da nossa situação pecaminosa, sem Deus, sem paz, dominados pelo pecado, e do fim triste que nos estava reservado na eternidade, isto é razão sobeja para empregarmos todos os nossos esforços, a fim de levarmos outras pessoas a Jesus. 
  • Portanto, evangelizar é um ato de obediência e amor a Deus e a sua Palavra.
Esperamos que esta verdade se torne viva e eficaz na vida diária de todos aqueles que confessam a Cristo como Senhor e Salvador.

Vale lembrar João 9:4:
"Importa que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem a noite, quando ninguém pode trabalhar."
Até o próximo artigo.

A Deus toda glória.
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EVANGELISMO: A ARTE DE ATRAIR VIDAS PARA O REINO DE DEUS - 1

Vou dar início aqui a uma série especial de artigos sobre Evangelismo (ou Evangelização). Todo cristão sabe que a pregação do Evangelho é a ordenança máxima de Jesus:
"E disse-lhes [Jesus]: 'Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura'" (Marcos 16:15).
Este é o mandamento máximo do cristianismo. É o chamado para todo aquele que recebe Jesus em sua vida.
"Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século" (Mateus 28:19,20).

Deus nos chama a ser representantes de Jesus


A Bíblia diz:
"De sorte que somos embaixadores por Cristo, como se Deus por nós vos exortasse. Rogamo-vos, pois, por Cristo que vos reconcilieis com Deus" (2 Coríntios 5:20). 
"Livra os que estão destinados à morte e salva os que são levados para a matança, se os puderes retirar" (Provérbios 24:11). 
  • Apesar deste versículo estar no Antigo Testamento, entretanto,  serve para nós hoje.
Esses versículos não foram escritos para ficar na história e muito menos para enfeitar a Bíblia. Foram escritos para serem obedecidos e através dessa obediência o nome do nosso Senhor Jesus será propagado nas nossas vidas. Amém!


Aprendendo com Jesus


Reconhecemos que nenhum outro homem que já perlustrou esta terra teve tamanha capacidade em organização e desenvolvimento de ideias brilhantes ou capacitação em formação de inteligentes estratégias em: "Evangelização e Missões" igual ao Nosso Senhor Jesus Cristo.

O evangelista Mateus diz que o Senhor Jesus 
"Percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles [Judeus], pregando o evangelho do Reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo" (4:23-25; 9:35-38 - ênfase acrescentada). 
Nestes textos desponta-se uma grande curiosidade! Pois dizem os estudiosos que naquela época havia em Israel duzentas e oito povoações, distribuídas entre cidades, vilas e aldeias. Os referidos textos acima citados, dizem que Ele percorria todas as localidades que havia em Israel. No desejo e ardor de cumprir tudo que o Pai lhe havia determinado. Assim Ele evangelizou até no exterior, indo às cidades de Tiro e Sidom, que ficavam localizadas na antiga Fenícia, hoje Líbano (Mc 7:24-30).

Outra curiosidade que deve ser observada, é que Ele evangelizou e fez missões por todo Israel, com exceção de duas cidades em que foram fundadas por governo romano. Tais como "Cesareia Romana" nas margens do Mar Mediterrâneo e "Tiberíades" nas margens do Mar da Galiléia. 

É notório que nos dias de Cristo, essas cidades já eram grandes comunidades e que estavam localizadas no centro de Israel. Contudo, o Senhor Jesus nunca as incluiu nos seus roteiros de evangelização! Motivo? Sinceramente, não sei. A Bíblia não revela e eu vou ficar, aceitar e me contentar com o que está escrito (Deuteronômio 29:29).

Lucas revela várias estratégias usadas pelo o Senhor Jesus durante o seu Ministério de Evangelização que durou por quarenta e dois meses. Que por falta de espaço falarei somente de duas das muitas estratégias.

A Primeira estratégia


"E, depois disso, designou o Senhor ainda outros setenta e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde Ele haveria de ir" (Lucas 10:1). 
Todos nós temos completo conhecimento que no início do Ministério de Jesus, Ele mesmo escolheu doze homens, chamando-os para perto de si quem Ele quis (Mc 3:13)! E passou a instruí-los para o Ministério da Palavra. Atenção!: 
  • Estes foram preparados e enviados EXCLUSIVAMENTE para pregar o Evangelho. Detalhe: o poder (autoridade) para expulsar os demônios NÃO ERA o principal objetivo, mas sim um combustível que seria necessário para a pregação do Evangelho. Inverter a ordem das coisas é um erro que pode comprometer o êxito em uma estratégia de evangelismo.
E logo após conforme Lucas, Ele designou ainda outros setenta para outra importante missão. Diz o texto:
"E mandou-os adiante de sua face, de dois em dois, a todos as cidades e lugares aonde Ele havia de ir" (Lc 10:1).
Aqui fica mais do que claro que a missão destes setenta homens enviados de dois em dois formando assim trinta e cinco pares de trabalhadores não era a de pregadores, mas de mensageiros. A missão deles era de falar de Cristo, preparando assim o povo, por todos os lugares por onde Ele haveria de passar. Dizendo-lhes, em que mês, dia e hora que Cristo estaria passando naquela localidade. Era uma mensagem informativa. Com a finalidade de preparar o povo para receber o Cristo Filho de Deus. E alcançarem os milagres operados por Ele.
  • Estes setenta homens NÃO ERAM pregadores do Evangelho do Reino e sim da anunciadores do Cristo - há uma essencial distinção entre uma coisa e outra e a Bíblia deixa isso bem claro.
Vamos às provas: 
  • a) Os dois cegos na saída de Jericó (Mt 20:29-34). Foram instruídos que aquele momento seria a sua última esperança de voltarem a vê. Por isto ninguém conseguiu fazer os dois cegos ficarem calados. Quanto mais pressionavam o silêncio deles, mais alto eles clamavam. Quem havia os convencidos para agirem daquela forma? É claro que a notícia recebida através daqueles dois enviados responsáveis por esse serviço. 
  • b) O Bartimeu, cego filho de Timeu (Mc 11:46-51). Estava na saída do Nova Jericó, percebendo um estranho movimento perguntou o que estava acontecendo e tomando conhecimento que era Jesus de Nazaré que passa, não teve quem controlasse a ficar calado. Por que? Os dois enviados para aquela localidade haviam dito para ele que aquela era a sua vez. Trabalho dos dois enviados foi excelente. 
  • c) A mulher Cananéia (Mc 7:24-29). Ela não morava em Israel, mas os dois enviados foram até a cidade onde ela morava e lhes convenceram que o Senhor Jesus bem poderia libertar a sua filha da possessão maligna. Quando Jesus chegou ali, embora não querendo ser visto. Mas aquela mulher descobriu e não cessou de clamar ao Senhor, até quando foi atendida, recebendo assim a libertação de sua filha. Quem naquela distância havia informado aquela mulher quem era o Cristo e do que Ele poderia fazer? Provavelmente os dois mensageiros. 
  • d) Os dez leprosos da aldeia dos samaritanos (Lc 17.11-19). "(…), e, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe. E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!" Quem conseguiu reuniu estes dez leprosos e lhes ensinou que Jesus era 'Mestre' e tinha poder de curá-los? Sem dúvida alguma, foram os dois mensageiros que haviam sido designados para aquela aldeia. Conforme (Lucas 10:1).
  • e) A mulher do fluxo de sangue (Mc 5:25-34). "(...) E certa mulher que a doze anos sofria de fluxo de sangue, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua vestimenta." Ela estava instruída e convencida das verdades de Deus, tanto que dizia consigo: "Se tão somente tocar nas suas vestes sararei." E aconteceu! O fluxo desapareceu. Marcos 5:27 diz: "ela ouviu falar de Jesus" neste texto diz: que ela ouviu falar de Jesus e perguntamos quem estava comissionado e habilitado a testificar de Jesus por todos os lugares por onde o Senhor estivesse programado passar? A resposta e clara os dois mensageiros. 
Temos outros textos dentro deste contexto bíblico. Contudo, julgo que estes são suficientes para nos fazer entender que a missão dos setenta foi muito útil na obra e causa de Cristo, quanto à evangelização dos povos.

A Segunda estratégia


"Aconteceu, depois disso, que andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus, e os doze iam com Ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que serviam com suas fazendas" (Lc 8:1-3, ênfase acrescentada).
Vejamos outro texto: 
"Estavam ali muitas mulheres, observando de longe: eram as que vinham seguindo a Jesus desde a Galiléia, para o servirem [= contribuírem]. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mulher de Zebedeu (Mt 27:55-57, grifo acrescentado). 

Estas mulheres faziam parte dos mantenedores e mantenedoras que compartilhavam com os seus bens com Aquele que se tornou pobre para fazer-nos ricos (2 Coríntios 8:9). Aqui está um dos segredos da expansão e do crescimento da Evangelização e Missão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Esta foi uma das formas adotadas pelo o Senhor Jesus Cristo para o avanço, crescimento e estabilidade do trabalho que o Pai lhe havia confiado aqui na terra. Ele tinha mantenedores fiéis, para o sustento da obra que Ele estava empenhado. Que durou por quarenta e dois meses de árduo e laborioso trabalho de Evangelização e Missões. Ou seja 
  • É IMPRESCINDÍVEL O INVESTIMENTO FINANCEIRO!
Falar sobre questões financeiras na igreja hoje não é tarefa fácil, pois geralmente as pessoas se nivelam por baixo para fazerem suas ponderações. Que há um sem número de ladrões, manipuladores, enganadores, exploradores... em cima dos púlpitos usando a fé como fonte de renda é um triste (e antigo) fato, contudo, não são tais pessoas o nosso parâmetro de conduta e sim Jesus Cristo, rei dos Reis e Senhor dos senhores, o dono de todo ouro, prata e riquezas do céu e da terra.


Conclusão


Assim temos o bonito exemplo deixado pelo o Divino Mestre Jesus, refletidas nas experiências do apóstolo Pedro quando diz: 
"Porque para isto fostes chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou enganos" (2:21-22). 
Companheiros, procuremos como lealdade e esmero façamos um dedicado trabalho de Evangelização e Missões. Este foi o modelo que Ele nos deixou e podemos (e devemos) adotá-lo, copiá-lo a fim de fazermos alguma coisa nestes violentos dias que estamos vivendo. E com cuidado e presteza observemos isto: 
"Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (João 13:15, ênfase acrescentada).
Uma vez que Cristo no deixou o modelo de trabalho aplicado por Ele, na Evangelização e Missões dos povos. Nós que vivemos neste tempo, porque não usarmos das mesmas estratégias? Percebemos que nenhum dos setenta foi contratado, não existiu um só acerto de valores. Tudo foi feito por amor e sentimento cristão. Por que naquela época deu certo? 

Os setenta dos dias de Cristo também comiam, bebiam, vestiam, viajavam diariamente, da mesma forma de hoje. Porque o missionário de hoje, até para fazer o treinamento tem que acertar valores? 

Finalmente, onde está registrado a chamada desta gente? Onde ficou o ardor de ganhar almas para Deus? Creio que as estratégias usadas por Jesus deram certas simplesmente por terem sido feitas através de um compromisso real e sincero com Ele, que os ensinou a adquirir um amor especial pelas as almas. E esse continua sendo o grande segredo para o sucesso do trabalho evangelístico e missionário também nos nossos dias:
  • compromisso com Deus e amor pelas almas!
Até o próximo artigo.

A Deus toda glória.
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segunda-feira, 24 de abril de 2017

ACONTECIMENTOS - O CASO ELOÁ PIMENTEL E A ESPETACULARIZAÇÃO DE UMA TRAGÉDIA

Em mais um capítulo da série especial Acontecimentos, vou relembrar um dos casos de feminicídio (quando essa lei ainda nem existia) de grande repercussão e polêmicas na história policial brasileiro.

De acordo com o Ministério Público tratou-se de crime passional (e não premeditado), assim como nos casos Daniella Perez, Sandra Gomide, Mércia Nakashima e Eliza Samúdio. Delitos estes fruto de uma sociedade machista e sexista, como se os homens fossem "Deuses do Olimpo" (personagens da mitologia grega).

São 11 mulheres vitimadas por dia em nosso país, e a máxima é sempre a mesma: "se não for minha não será de mais ninguém", por isso o fim do relacionamento levou o acusado ao desespero e a consequente perda do senso de controle sobre suas atitudes. Aliás, é exatamente isso que leva muitas pessoas ao cárcere: a influência do álcool, drogas, ou alguma forte emoção faz as pessoas perderem a razão, o controle e, como se sabe, o homem é naturalmente mau, sendo-lhe ínsito o animus necandi (intenção de matar).


O caso

Eloá e Nayara

Era uma segunda-feira, dia 13 de outubro de 2008, quando o auxiliar de produção Lindemberg Alves Fernandes, de 22 anos, invadiu o apartamento da ex-namorada, a estudante Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, em Santo André (SP), e a manteve em cárcere privado junto com mais três amigos. Após mais de cem horas como refém, Eloá levou dois tiros e morreu. Nayara Rodrigues, 15, foi baleada no rosto, mas sobreviveu. Os garotos Vitor Lopes de Campos e Iago Vilera de Oliveira foram liberados ilesos no primeiro dia de sequestro. Lindemberg foi levado detido ao presídio de Tremembé (SP).

Antes do crime, Eloá e os três amigos chegaram ao conjunto habitacional de Santo André (SP), onde ela morava, para fazer um trabalho escolar. Às 13h30, Lindemberg invadiu o local portando um revólver e fez os quatro jovens reféns. Ele estava inconformado com o fim do relacionamento de quase três anos com a garota.

Com um comportamento agressivo, Lindemberg discutia com Eloá o tempo todo, dizendo que ela tinha que sofrer. Ele ficou ainda mais irritado quando viu uma mensagem deixada por um garoto no celular da adolescente. Chegou a puxar os cabelos de Eloá e dar-lhe pontapés.

No fim da tarde, o irmão de Eloá, Douglas Pimentel, chegou próximo à porta do apartamento. Lindemberg ordenou que ele se afastasse. Foi aí que a família tomou conhecimento do que estava acontecendo lá dentro. À noite, uma equipe do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), da Polícia Militar, foi ao local para negociar a entrega dos reféns.

Por volta das 20h, os dois garotos rendidos foram libertados. Em seguida, Lindemberg foi até a janela e disparou um tiro na direção das pessoas que acompanhavam o caso do lado de fora do prédio. Não houve feridos.

Na terça-feira, o sequestro prosseguiu. Em uma estratégia para forçar a soltura das meninas, a energia elétrica do apartamento foi cortada, mas teve de ser restabelecida pouco tempo depois, diante da recusa de negociação de Lindemberg. Por volta das 23h, Nayara também foi libertada. 

Eloá Cristina Pimentel durante o sequestro em 2008,
em um dos momentos em que apareceu na janela do apartamento
Na quarta-feira, as negociações emperraram. Eloá apareceu na janela do apartamento para içar a comida levada por policiais e fez um gesto pedindo calma à multidão. Neste mesmo dia, Lindemberg deu entrevistas por telefone a emissoras de TV. Em uma delas, chegou a declarar que não teria a intenção de matar Eloá.

O sequestro continuou na quinta-feira, quando Lindemberg exigiu falar com Nayara para libertar Eloá. Pela manhã, a adolescente então voltou às imediações do prédio para tentar negociar com ele. Orientada pelo rapaz, via celular, ela subiu as escadas do edifício para, conforme ele havia prometido, descer os três juntos. Mas, quando chegou à porta do apartamento, ela foi rendida novamente para o cativeiro.

Durante a tarde, depois que Lindemberg colocou uma camisa do São Paulo Futebol Clube na janela, o superintendente do clube, Marco Aurélio Cunha, foi ao local para tentar ajudar nas negociações, mas não obteve permissão da polícia.

Na sexta-feira, o promotor de Justiça Augusto Eduardo de Souza Rossini entregou um documento do Ministério Público para garantir a integridade física de Lindemberg em uma possível rendição.

Neste mesmo dia, os policiais notaram que o comportamento de Lindemberg estava mais agressivo. Pela manhã, o rapaz chegou a discutir com Eloá e disse que Nayara era culpada pelo fim do relacionamento, pois teria "envenenado" a amiga contra ele.

Pouco antes das 18h, o sequestrador conversou com o negociador do Gate, o capitão Adriano Giovaninni, dizendo que o caso estava chegando ao fim. Em seguida, colocou uma mesa em frente à porta, para tentar impedir ou retardar a invasão dos policiais.

Entretanto, às 18h10, policiais afirmaram ter ouvido um disparo e, por isso, decidiram invadir o apartamento. Eles explodiram a porta e entraram no local.

Durante a ação, houve disparos. Eloá estava deitada no sofá e foi baleada na cabeça e na virilha. Nayara, que estava ao lado da amiga, em um colchonete no chão, ficou ferida no rosto. As duas foram levadas para o hospital. Lindemberg foi preso.


A polêmica sobre a atuação da polícia no caso


Lindemberg sendo levado preso
A atuação da polícia no caso foi bastante criticada. Primeiramente, pela volta de Nayara ao cativeiro e, depois, pela invasão ao apartamento. Os policiais reiteraram que só entraram no apartamento após ouvirem um disparo. Porém, em depoimento, Nayara afirma que Lindemberg só atirou depois do arrombamento da porta.

No dia seguinte, Lindemberg foi transferido da carceragem de Santo André para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, em São Paulo. Enquanto isso, Eloá permanecia no hospital em estado gravíssimo. Nayara também ficou internada.

Por volta das 23h30, foi divulgada a morte cerebral de Eloá. Depois de ter os órgãos doados, o corpo da jovem foi enterrado na terça-feira, 21 de outubro. Nayara recebeu alta na quarta-feira.

Dias depois, o Instituto de Criminalística de Santo André constatou, segundo a polícia, que as balas que atingiram as reféns eram compatíveis com as da arma utilizada por Lindemberg no sequestro.


A polêmica atuação da mídia no caso


No decorrer do sequestro a mídia teve papel fundamental para o desfecho do caso Eloá. Como a jornalista Sonia Abrão, do programa "A Tarde É Sua", que entrevistou ao vivo, por telefone, diretamente do cativeiro, o sequestrador Lindemberg Fernandes, no dia 15. 

A jornalista da RedeTV, contrariando o Código de Ética do Jornalista, deixou de cumprir a função de informar com responsabilidade social, e, principalmente, feriu a integridade das fontes expondo pessoas sob risco de morte. Além de infringir a ética e a moral, Sonia Abrão entrevistou Lindemberg visando a audiência. 

O artigo 11º do Código de Ética dos Jornalistas, diz que o profissional da comunicação não pode divulgar informações visando o interesse pessoal ou vantagem econômica, e informações de caráter mórbido, sensacionalistas ou contrárias aos valores humanos, especialmente em coberturas de crimes e acidentes.

Na sociedade há muitas relações de força e poder como o Estado, a polícia, a opinião pública e a imprensa, isto é, o quarto poder, que pode manipular a verdade de acordo com os interesses pessoais e comerciais do veículo de comunicação visando a audiência. Porém, o jornalista tem a função de informar com veracidade, imparcialidade, credibilidade e qualidade. Qualquer jornalista sabe disso.


A arte imitando a vida


Na cobertura jornalística feita pela comunicadora Sonia Abrão, e diversos profissionais de comunicação, é perceptível que a imprensa pode ser considerada o quarto poder na sociedade. No filme "O quarto poder" (1997), do diretor Costa Gravas, o repórter Max Brackett (Dustin Hoffman) manipula as informações do sequestro e do sequestrador Sam Baily (John Travolta) para favorecer interesses econômicos da emissora de televisão. 

No filme é bem visível o poder da mídia e a ausência de ética e moral do jornalista, contrariando nitidamente a função de informar os fatos com confiabilidade. A ficção do diretor Gravas não é muito diferente da realidade, pois em busca do "furo" e de ganhar prestígio Sonia Abrão e muitos jornalistas repetem as atitudes de Max Brackett e contribuem de forma direta ou indireta para desfechos trágicos como o do caso Eloá.
Em muitas situações cruciais há questionamentos se os fins justificam os meios, contudo, no caso Eloá os fins foram trágicos e inesperados, já os meios foram impensáveis e imprudentes por parte da mídia.

O Julgamento


Lindemberg no dia do julgamento
Enquanto o STF decidia o "futuro do país" em julgamento da Lei da Ficha Limpa, a imprensa de um modo geral acompanhava de perto o Júri marcado pelo mais longo cárcere privado (quase 100 horas) do estado de São Paulo e pelo homicídio de Eloá Cristina Pimentel, sendo o acusado Lindemberg Alves Farias condenado pelo Conselho de Sentença pela prática de 12 crimes, a uma pena total de 98 anos e 10 meses de reclusão.

Em síntese, os delitos foram os seguintes: 
  • homicídio qualificado pelo motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima (Eloá Pimentel), 
  • homicídio tentado qualificado pelo motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima (Nayara), 
  • homicídio qualificado tentado (vítima Atos Valeriano), 
  • cinco crimes de cárcere privado (de Eloá e os amigos) e quatro crimes de disparo de arma de fogo.
De acordo com o Ministério Público tratou-se de crime passional (e não premeditado. O julgamento de Lindemberg ocorreu em fevereiro de 2012). Ele foi condenado a 98 anos e dez meses de prisão. Pela primeira vez ele falou e confessou que atirou em Eloá . Em junho de 2011, ele prestou depoimento no Fórum de Tremembé (SP), onde está preso, mas permaneceu calado. Esta era a última etapa da fase de instrução do processo que o levou a júri popular pela morte da ex-namorada.

Em janeiro de 2009, a Justiça já havia determinado que o rapaz fosse a júri popular, mas o STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu anular a fase de instrução do processo, considerando haver falhas de procedimento que comprometeram o direto à ampla defesa.


Conclusão


Lindemberg segue preso até que as brechas existentes em nossa arcaica, bolorenta e carcomida legislação - como a tal questionável progressão de pena - o coloque novamente na rua. Após o assassinato de Eloá, o Brasil foi impactado por outros casos semelhantes, onde só mudam os personagens e os endereços, mas o funesto enredo é o mesmo. Quantas Eloás, Daniellas, Mércias, Elisas... ainda terão de ser mortas para que haja mudanças nas nossas leis? Com a palavra nossos ilustres legisladores.

[Fonte: Publicações na Internet]

A Deus toda glória.
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DEUS ORGANIZANDO A BAGUNÇA - ENTENDENDO EZEQUIEL 37

"Veio sobre mim a mão do SENHOR; Ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles. Eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos. 

Então, me perguntou: 'Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos?' Respondi: 'SENHOR Deus, tu o sabes'. 

Disse-me ele: 'Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. Assim diz o SENHOR Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis. Porei tendões sobre vós, farei crescer carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que eu sou o SENHOR.' 

Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso. Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles; mas não havia neles o espírito. 

Então, Ele me disse: 'Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o SENHOR Deus: Vem dos quatro ventos, ó Espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam.' 

Profetizei como Ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso. 

Então, me disse: 'Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados.' 

Portanto, profetiza e dize-lhes: 'Assim diz o SENHOR Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu sou o SENHOR, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR' (Ezequiel 37:1-14, grifos e ênfases acrescentadas). 
Com certeza essa passagem é uma das mais conhecidas e já foi pregada e cantada incontáveis vezes. Mas é importante observamos alguns detalhes que geram uma interpretação equivocada nessa passagem. Os detalhes são aos que referem ao espírito. Na passagem, temos a atuação e discrição bem delineadas de dois espíritos: o do SENHOR e o humano (e/ou de vida).

O problema é que não raramente os dois espíritos são descritos como sendo o Espírito Santo. E esse erro é grave sob a análise hermenêutica e exegética do texto. Apontando esse detalhe, vamos a uma análise geral do contexto para melhor compreensão.

Porque Deus dá essa visão à Ezequiel? 


O profeta havia relatado a desolação que aconteceu na terra prometida nestes versículos: 5:14; 12:20; 23:33; 36:34. A despeito disso, o capítulo 37 é uma resposta de Deus para uma pergunta feita pela nação de Israel no capítulo 33:10: 
"Assim falais vós: Visto que as nossas prevaricações e os nossos pecados estão sobre nós, e nós desfalecemos neles, como, pois, viveremos?" (grifos e ênfases acrescentados) 
Nesta visão dada por Deus à Ezequiel, o profeta entende que o Espírito de Deus reconstruiria os ossos mortos em uma nação, dando-lhes tendões, carne, pele e o sopro (espírito) da vida. 

Importa destacar que estes versículos devem ser lidos e interpretados em conjunto com a mensagem que se iniciou no capítulo 34 do livro de Ezequiel. A partir deste capítulo, o Senhor falou de um novo pastor (liderança) e novas oportunidades na terra de Israel (capítulo 35), com a esperança renovada para o crescimento e prosperidade (capítulo 36). 

A importância da análise circunstancial 


Estas promessas tão esplêndidas foram recebidas, logicamente, com dúvidas e incredulidade pelo povo de Israel. Vários exilados tinham testemunhado a total devastação de suas cidades. Além disso, estavam vivendo sob o punho de ferro dos babilônios, um país tão poderoso que uma mudança de dominação mundial parecia impossível nos próximos séculos. O povo de Israel via muitos aspectos negativos que os impedia de terem uma esperança de uma nação renovada. Como poderia vir, então, a restauração? 

A resposta é: somente pelo poder de Deus! Deus regeneraria a nação de Israel, tornando-a forte e poderosa. 

O Espírito do Senhor pôs Ezequiel 
"no meio de um vale" (v.1). 
Este vale havia sido o cenário de uma grande batalha e um enorme massacre: 
"o vale estava cheio de ossos" (v.1). 
Os mortos foram deixados onde caíram e ninguém se preocupou em sepultá-los. Ou seja, não era uma "visão espiritual" como pensam e até pregam alguns: era um verdadeiro cemitério a céu aberto! 

Deus fez Ezequiel 
"...andar ao redor dos ossos" (v.2), 
pois queria que o profeta tivesse uma ideia do número de vítimas e entendesse que ali não havia mais esperança de vida. Entretanto, Deus reafirma ao Seu povo, através desta visão (entenda: o tal vale realmente existia e Ezequiel é que foi levado lá em visão), que Ele tem o poder de dar vida ao que está morto e que para Ele nada é impossível (Marcos 10:27). 

Deus explicou a Ezequiel que 
"...estes ossos eram (ou seja, representavam) toda a nação de Israel" (v.11), 
pois representavam a multidão de Seu povo. A aplicação havia de ser a toda casa de Israel, que incluía tanto o Reino do Norte como o Reino do Sul. 

Alguns eruditos acham que Ezequiel teve a visão do vale dos ossos secos por volta de 585 a.C. Isto indica que a maioria dos cativos levados a Babilônia com o rei Joaquim haviam estado no exílio por mais de uma década. Muitos outros, como Daniel e reféns reais que os precederam, já estavam no cativeiro há pelo menos 20 anos (desde a primeira deportação em 606 a.C.). 

A destruição de Samaria em 722 a.C, e mais tarde a de Jerusalém, no ano 587 a.C, foram experiências dramáticas e traumáticas. Muitos israelitas "perderam a fé", ou pelo menos viram suas esperanças reduzidas a pedaços por um Deus que parecia ter abandonado Seu povo à triste sorte (Isaías 49:14). 

Os falsos profetas haviam anunciado que Israel ficaria pouco tempo (dois anos) no exílio babilônico. Mas, com o passar dos anos, a esperança dos exilados foram frustradas. Desvanecera-se toda a esperança de um exílio de pouca duração. Desalentados, os judeus consideravam-se como ossos mortos, branqueados pelo tempo, e espalhados à entrada da sepultura, incapazes de viver outra vez como nação. 

Segundo o profeta Ezequiel, muitos deportados estavam mais do que desanimados. Esta situação levou os exilados Israelitas a dizerem: 
"Nossos ossos se secaram e nossa esperança desvaneceu-se; fomos exterminados" (v. 11), 
visto que também o povo foi espalhado por todas as nações e isolados uns dos outros (conforme afirmam os livros de Jeremias e Segundo Reis). 

O povo não tinha mais esperança de um futuro melhor. A esperança é essencial à sanidade mental das pessoas. Por isso o sábio declarou: 
"A esperança que se adia faz adoecer o coração" (Provérbios 13:12). 
A perda da esperança produz cada vez mais a separação de Deus. Por isso, o Senhor tomou a iniciativa e deu ao profeta Ezequiel uma visão maravilhosa – uma mensagem de esperança para o povo. 

Quanto à quantidade de ossos, Ezequiel observou que eram 
"mui numerosos" (v.2). 
Isso ilustra o grande número de israelitas no exílio. A nação que outrora fora muito poderosa era agora um vale de ossos. Além disso, os ossos estavam muito secos. Eles foram branqueados em consequência da exposição ao sol. Aparentemente, não havia mais esperança de restauração. 

Deus perguntou a Ezequiel: 
"Filho do homem [quer dizer: "homem mortal", um trocadilho proposital de Deus, que estava identificando o profeta à sua essência, para que ele não tivesse dúvida da atuação sobrenatural que viria a seguir], acaso poderão reviver estes ossos?" (v.3). 
O que Ezequiel poderia lhe responder? A resposta para aquela pergunta parecia óbvia. O que nós responderíamos? Humanamente falando, deveríamos responder com um sonoro "não" àquela pergunta divina. Os céticos e os incrédulos diriam: "Isso é impossível!" 

No entanto, Ezequiel conhecia o incrível poder de Deus, de modo que respondeu, dizendo: 
"Eu não sei, mas Tu o sabes." 
Seu senso como homem mortal lhe dizia que era impossível; mas por reverência a Deus, respondeu: 
"Senhor Deus, Tu o sabes." 
Ezequiel sabia que estes ossos secos poderiam reviver por que Deus podia criar algo do nada absoluto, ademais, o profeta sabia que Deus sempre cumpre Suas promessas. É por isso que o apóstolo Paulo disse: 
"Pois tantas quantas forem as promessas feitas por Deus, todas elas têm em Cristo o 'sim'. Por isso, por meio dele, o 'Amém' é pronunciado por nós para a glória de Deus" (2 Coríntios 1:20). 
Deus havia advertido séculos antes que os israelitas seriam levados ao cativeiro, mas também fez promessas de que os traria de volta das terras estrangeiras (Deuteronômio 4:27-29; 30:1-3; 2 Crônicas 6:36-38; Is 10:22; Oseias 3:5; Jeremias 30:10, etc.). A confortante mensagem para Ezequiel era que os ossos secos poderiam viver novamente, porque esse era o plano de Deus. Sobre isso, Deus falou por meio do profeta Jeremias: 
"Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado por vós, diz o SENHOR, e farei mudar a vossa sorte; congregar-vos-ei de todas as nações e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o SENHOR, e tornarei a trazer-vos ao lugar donde vos mandei para o exílio" (29:11-14, ênfase acrescentada). 
O que Deus planejou pode tardar por causa das rebeliões humanas, mas os Seus planos jamais podem ser frustrados: 
"Bem sei que tudo podes, e que nenhum dos teus planos pode ser frustrado" (Jó 42:2). 
O Senhor levara adiante os planos que tem para com o seu povo ao longo da história. Deus demonstrou que o processo de reavivamento em Israel ocorreria respectivamente em duas etapas: 

A primeira etapa consistiria na pregação da Palavra de Deus: 
"Então ele me disse: Profetize a estes ossos e diga-lhes: Ossos secos ouçam a palavra do Senhor!" (v. 4). 
Conforme se observa na criação e por toda a Escritura, a palavra de Deus tem um tremendo poder. Ele trouxe o mundo à existência com as palavras de Sua boca e a Sua palavra fará que o mundo chegue a seu fim (2 Pedro 3:7). 

Deus disse a Ezequiel para profetizar sobre aqueles ossos e dizer-lhes: 
"Ossos secos, ouçam a palavra do Senhor!". 
Ironicamente, Ezequiel alcançaria melhores resultados profetizando sobre aqueles ossos secos do que pregando para as pessoas vivas em Israel. 

O Senhor deu a Ezequiel uma visão das coisas que haveriam de acontecer. Disse que poria tendões e faria crescer carne naqueles ossos secos e os cobriria de pele. Finalmente, poria dentro deles o "fôlego (o espírito) de vida" e os faria viver novamente (vs. 5, 6). 

Ezequiel, então, profetizou para aqueles ossos e, enquanto estava falando, Deus começou sua surpreendente obra. Durante o sermão de Ezequiel, ocorreu uma comoção. Um tremor perturbou sua mensagem. Era o ruído que os ossos secos faziam ao articularem-se, enquanto se juntavam uns aos outros, movendo-se cada um ao lugar que lhe correspondia no corpo.
 
A versão da Sociedade Bíblica Brasileira traduz o verso 7 como segue: 
"Assim profetizei, como fui ordenado. Enquanto eu profetizava, houve um estrondo, e eis que se fez um terremoto, e os ossos se achegaram osso ao seu osso". 
O "ruído" que se descreve não foi um terremoto no sentido literal, mas o barulho dos ossos que se encaixavam. Todos os 206 ossos do corpo humano se encaixaram em seu lugar. A frase "cada osso ao seu osso" representa uma completa e perfeita restauração da nação israelita, algo que só poderia ser feito pelo Deus Criador. 

Logo após, os tendões, a carne e a pele apareceram sobre os ossos. Todo o vale estava cheio de corpos humanos. Porém, faltava algo. Ao final, o profeta fez uma constatação significativa: 
"não havia neles o fôlego de vida" (v. 8). 
O que havia acontecido era algo extraordinário, mas os "ouvintes", no entanto, ainda consistiam em homens sem vida. 

Da mesma forma como havia sucedido com outros grandes profetas de Deus, que haviam pregado grandes mensagens àquele povo, que se estilhaçaram contra ouvidos surdos (Is 6:10), pode ser que aos servos de Deus se lhes mande pregar a uma "igreja morta". Não obstante, homens fiéis pregam seus sermões, crendo no poder da Palavra de Deus, para levar vida àqueles que estão mortos. 

A segunda etapa do reavivamento consistiria na manifestação da vida através da atuação do Espírito Santo: 
"E Ele me disse: 'Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó Espírito [ou seja, o profeta profetizaria ao espírito do homem, o poder da vida que viria do Espírito de Deus], e assopra sobre estes mortos, para que vivam. E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito [não o de Deus, mas o de vida, sob uma atuação do Espírito de Deus] entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo'" (v. 9,10). 
Assim como Deus amorosamente soprou o "fôlego (o espírito) de vida" nas narinas de Adão, de modo que este "se tornou um ser vivente" (Gênesis 2:7), Deus mandou que Ezequiel profetizasse ao Espírito pedindo a Ele para que outorgasse vida a este vasto exército de cadáveres. 

Afirmar que o espírito viria dos "quatro ventos", significa dizer que ele viria de todas as direções, ou seja, dos quatro cantos da terra (Ezequiel 7:2). O Espírito do Senhor não procede dos ventos, no sentido de identidade com eles, mas de todos os cantos da terra. Temos aqui, portanto, o sentido da onipresença e plenitude do Espírito, para infundir naqueles corpos mortos o fôlego de vida. 

Qual é o significado dessas duas etapas? 


A diferença entre elas certamente se encontra no sentido das expressões proféticas de Ezequiel: primeiro ele dirige-se aos ossos, ordenando que eles ouçam; e depois, ao Espírito de Deus, invocando a sua inspiração. A primeira etapa deve ter sido muito semelhante à ocupação de Ezequiel, exortando pessoas sem vida a ouvirem a palavra de Deus. 

O efeito era limitado: aconteceu algo fora do comum, houve barulho, houve movimentação, mas os ouvintes ainda eram pessoas mortas. A segunda ação equivaleu ao ato de orar, pois Ezequiel suplicou que o Espírito de Deus efetuasse o milagre da recriação, soprando o fôlego de vida nas narinas dos seres viventes. Desta vez o efeito foi surpreendente. O que a pregação não conseguiu realizar por si mesma, tornou-se uma realidade pela oração. 

Moral da história 


O fiel profeta fez como lhe foi mandado e, igualmente como suas demais profecias, viu os resultados imediatos. 

É interessante notar que, em toda a visão, Ezequiel havia atuado recebendo ordens e descreveu sua obediência implícita aos mandamentos de Deus (vs. 7 e 10). Ao fazer isto, ele realça que o avivamento é obra de Deus, do princípio ao fim. Se o homem desempenha alguma parte dela, somente o faz por obedecer a direção de Deus. O mesmo se pode dizer da contribuição do homem a qualquer avivamento espiritual. 

O Espírito fez sua obra e um exército grande em extremo se encheu de vida, estando sobre seus pés e atentos. Foi deste modo que a visão terminou. 

Deus prometeu que daria vida a Seu povo morto, colocando neles o seu Espírito e o traria de volta a terra de Israel. Ele disse: 
"Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra" (v.14). 
O poder humano jamais poderia dar vida àquela nação morta. Pelo poder do Espírito, eles seriam libertos de suas sepulturas no cativeiro, se lhes restituiria o favor divino, e haveriam de retornar à terra amada: 
"Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel" (v.12, ênfase acrescentada). 
"Trazer" é uma palavra chave, que aparece com frequência neste livro (56 vezes) e em Jeremias (cerca de 40 vezes). Seu significado é visto neste evento como algo que acontece por intervenção divina. Somente Deus poderia trazer os israelitas de volta à sua terra. 

Ao repetir uma das frases chave do livro de Ezequiel, Deus declarou que esta ação ensinaria a Israel que Ele é Senhor Jeová: 
"Sabereis que eu sou o SENHOR" (v.13). 
Esses eventos lhes ensinariam a lição mais importante de que Deus é o Senhor Jeová e que Ele é Soberano. 

O povo exilado reconhecia que não tinham esperança, pois tudo dava sinais de estarem perdidos. Deus referiu-se a eles como se estivessem sendo sepultados. Mas o Senhor procurou aquietar a lamentação e o pranto de Seu povo com a gloriosa promessa de que "ressuscitaria" a nação e tornaria a estabelecê-la na terra que lhe havia dado. Quando eles saíssem de suas sepulturas, ninguém poderia reivindicar reconhecimento para si mesmo: 
"Então, sabereis que eu, o SENHOR, disse isto e o fiz, diz o SENHOR" (v.14). 
Aquele seria um ato exclusivo de Deus! 

Agora, o plano estava completo. Em primeiro lugar, deveria haver a restauração física, a qual Deus fez quando ressuscitou a nação morta, levantando-os da sepultura (cativeiro). Em segundo lugar, a restauração espiritual era necessária, pois um povo espiritualmente vivo teria condições de obedecer às exigências da Aliança feita com o Senhor (Ez 36:27). 

De maneira sobrenatural, o Espírito de Deus usou o rei Ciro como instrumento na "ressurreição" de Israel como nação. O decreto do rei, divulgado por todo o seu reino (Esdras 1), como que foi para os exilados um sopro revivificador. A nação pôde se levantar da sepultura do seu exílio, como um poderoso exército, marchando harmoniosamente em direção à pátria, para reassumir sua posição entre os países vizinhos. 

Conclusão 


O vale de ossos secos contém muitos ensinamentos. Ele retrata uma nação em ruínas, que Deus prometeu vivificar, reformar e restaurar, como antecipação da vinda do Messias. O poderoso Espírito que reavivou a Israel ainda é capaz de avivar todos aqueles que estão mortos espiritualmente: 
"Pelo que diz: 'Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e Cristo te iluminará'" (Efésios 5:14). 

O que essa passagem nos ensina: 

  • O contexto é de desolação. 
  • O povo está no exílio. 
  • Ezequiel 20: 32 diz que eles não criam mais em Deus. 
  • 37:2 e 37:11. Ossos, não apenas secos, sequíssimos. 
  • Nosso Deus é o Deus da esperança. 
  • Diante das pressões do mundo, vem o desânimo. 
  • Vale a pena ser um cristão? Nos sentimos como ossos secos. 
  • Em Deus está toda a nossa esperança. 
  • 37:1,2: "Veio sobre mim a mão do Senhor". A imprescindível condução e presença de Deus. 
  • Nosso Deus é o Deus do impossível. 
  • 37:3. "Poderão viver esses ossos?" – Ilustração: Gênesis 18:14. Existe coisa difícil ao Senhor?A resposta humana à pergunta de Deus é não. A resposta do profeta: "Tu o sabes Senhor". É uma resposta de um homem de Deus. 
  • Nosso Deus é o Deus que vivifica. 37:6 "...e poreis o Espírito e vivereis..." – Ilustração: Nós somos que ficamos esgotados. Deus jamais. Para a frieza, o desânimo, o remédio é uma ação do Espírito Santo. 
  • Nosso Deus fala e cumpre 37:14b. "Eu o Senhor disse e fiz". 12:25. A mesma palavra. Isaías 43:13 "... operando eu, quem impedirá?" Só Ele tem o poder para cumprir o que fala.
Deus da esperança. Deus do impossível. Deus que vivifica. Deus que fala e cumpre. Vamos deixar este Deus, o único Deus, ser o nosso Deus.
                            
Esta é a primeira versão original desse maravilhoso hino "Vento Que Vem", que foi gravado no álbum solo "Primícias" (1999) de Alda Célia e posteriormente pela Comunidade Cristã em Goiânia, da qual ela e Kleber Lucas foram integrantes. Esse hino foi regravado por diversos outros cantores e ministérios ao longo do tempo e tem sido fonte de bênção e inspiração em muitas vidas.

A Deus toda glória. 
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