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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DISCOS QUE EU OUVI - ESPECIAL: QUEEN - "A NIGHT AT THE OPERA"

Em mais uma edição especial dessa série, este artigo é uma singela homenagem à história de um dos cantores mais importantes do rock internacional, que saia de cena há exatos 25 anos: Freddie Mercury.


O ícone


Se a aids era sinônimo de sentença de morte até poucos anos atrás, parece óbvio que, quando Freddie Mercury anunciou ser portador da doença, em 1991, o pior estaria por vir. No entanto, poucos poderiam imaginar que o líder do Queen morreria apenas um dia depois de o mundo conhecer sua condição, no dia 24 de novembro, há exatamente 25 anos.

Considerado por muitos críticos especializados como o maior cantor da história do rock, Freddie tinha apenas 45 anos quando se foi, após anos de cuidados por parte de seu parceiro, o cabeleireiro Jim Hutton, também soropositivo. A constatação da portabilidade do vírus HIV veio em 1987, mas foi guardada em sigilo pelo cantor até a véspera de sua morte.

Famoso pelas performances teatrais frente a públicos imensos, Freddie foi responsável por alguns dos maiores sucessos do Queen, uma das bandas mais bem-sucedidas da história, com estimativas que cravam até 300 milhões de discos vendidos. Entre as composições de autoria do cantor, estão hits como 'Bohemian Rhapsody', 'We are the Champions' e 'Love of my Life' - esta última representativa de um dos fatores mais emblemáticos de sua vida: a sexualidade.

Nascido no protetorado britânico de Zanzibar - hoje território da Tanzânia -, oeste da África, no dia 5 de setembro de 1946, Freddie foi desde a infância incentivado pelos pais a se dedicar à música. Aos 7 anos de idade, quando ainda atendia pelo nome Farrokh Bulsara, começou a ter aulas de piano. Aos 12, já havia formado sua primeira banda na St. Peter's School, localizada em uma pequena cidade próxima a Mumbai, na Índia.

Já com o ensino médio concluído, mudou-se em 1964 para a Inglaterra, onde estudou artes no Ealing College of Art, em Londres. Foi lá que adquiriu as qualidades necessárias para criar o caprichado logotipo do Queen, banda que fundou ao lado do guitarrista Brian May e do baterista Roger Taylor - mais tarde, o baixista John Deacon se juntaria a eles.

Apesar de ter garantido a vida inteira nunca ter tido aulas de canto - apenas participado de corais -, no quarteto inglês se consagrou como um dos maiores vocalistas da história do rock. A qualidade, conferida pelos brasileiros em duas ocasiões - 1981, no Estádio do Morumbi, e 1985, na primeira edição do Rock in Rio - é até hoje aclamada pelos principais veículos especializados em música do mundo.

Além dos 14 álbuns de estúdio com o Queen, Freddie ainda lançou dois discos solo, ambos na década de 1980: "Mr. Bad Guy" , trabalho essencialmente pop, com fortes influências de música eletrônica, e 'Barcelona' , no qual canta ao lado da soprano espanhola Monserrat Caballé.

O Show deve continuar 


A despeito de ter pego de surpresa os fãs, os tabloides britânicos fizeram um cerco a Freddie no final de sua vida, alertando para o que estava por vir. Paparazzi o perseguiam para onde quer que fosse buscando algum flagra para justificar os rumores sobre sua saúde, e jornais, como o The Sun , faziam plantão em frente à sua casa e publicavam com regularidade matérias nas quais era abordada sua derrocada física.

Mas não era preciso ir tão longe, já que o próprio cantor e seus companheiros já previam claramente a proximidade do fim, vendo a necessidade de falar sobre ela. Última faixa do álbum "Innuendo" , lançado em fevereiro de 1991 no Reino Unido, 'The Show Must Go On' narra os esforços de Freddie em seguir em frente mesmo com a iminente tragédia que estava por vir.

No dia 24 de novembro do mesmo ano, no início de uma noite de domingo em sua mansão em Londres, Freddie não resistiu ao sofrimento de uma broncopneumonia violenta, consequência da aids, e morreu.

Mas, porque eu escolhi o álbum 'A Night At The Opera' para homenagear o Freddie? Por que para os especialistas em música esse disco é o alter ego dele. 

Sobre o disco


O Queen vinha em uma crescente na carreira, sendo coroado com o sucesso de "Sheer Heart Attack", lançado em 1974. O disco foi o primeiro sucesso internacional do grupo, sendo o single 'Killer Queen' o carro-chefe. Foi o primeiro registro a ganhar o disco de ouro nos Estados Unidos, os colocando em outro patamar, além de ter vendido muito bem em toda Europa, agradando ambos os lados do Atlântico – algo raro de acontecer até os dias atuais.

Graças ao sucesso do registro, a banda foi até os Estados Unidos para uma turnê como headliner pela primeira vez no início de 1975, com uma curta passagem pelo Canadá – também como atração principal. Como as vendagens fora muito altas, a gravadora e os membros do grupo decidiram incrementar um pouco o palco com um jogo de luzes e uma roupa mais apresentável.

Em setembro do mesmo ano, o Queen rompeu contrato com a gravadora Trident após várias recusas de liberação de um dinheiro que eles tinham direito para coisas simples, como a compra de instrumentos e pagamento de aluguel, deixando todos em sérias dificuldades financeiras. Depois de toda confusão, eles cogitaram até mesmo contratação de Peter Grant, que gerenciava a mão de ferro a carreira do Led Zeppelin, mas o acordo não rolou e eles fecharam com John Reid, então empresário de Elton John – Reid os acompanhou até o fim da banda, quando Freddie Mercury morreu. Sem a pressão da gravadora, puderam trabalhar em paz.

Com um punhado de canções nas mãos, os membros do Queen tiveram bastante trabalho no processo de finalização do que viria a ser "A Night At The Opera", porque eles tiveram a ideia de usarem estúdios diferentes (Roundhouse, Sarm East, Rockfield, Scorpio, Lansdowne e Olympic) para cada um dos membros. Para que tudo isso? Se cada um trouxesse sua parte pronta e finalizada, seria mais fácil descartar ou colocar no disco. 

Foram quatro meses nesse esquema, deixando todos esgotados física e psicologicamente – o disco é tratado por Brian May como o "Sgt Peppers do Queen". Falando da capa, o desenho era um projeto antigo de Mercury que acabou sendo atualizado para ser a apresentação do novo álbum, ganhando "um tratamento luxuoso" em cores. Dentro, havia uma série de imagens das últimas turnês do grupo.

Suuucesso!


Lançado em 21 de novembro de 1975, "A Night At The Opera", disco mais caro feito pelo Queen até então, foi um sucesso estrondoso no Reino Unido, chegando ao primeiro lugar das paradas no dia de sua estreia – ficou em quarto no mercado americano – e quatro semanas não consecutivas no topo. Em revisões antigas e novas, o disco é colocado como a grande obra-prima do Queen e um dos grandes da história, já que serviu para colocar para fora todo potencial criativo e musical deles.

Inesquecíveis


Não farei um "faixa a faixa" do disco para que o artigo não fique muito longo, mas não posso deixar de destacar duas faixas que simbolizam a marca desse álbum – quiçá, a da própria banda: 
  • 'Love Of My Life'
uma das baladas mais famosas da discografia da banda, escrita por Mercury para Mary Austin, sua namorada. O piano foi tocado pelo cantor, que fez sozinho todos os vocais. Brian May tocou a harpa, mas não com fluência. Ele gravou um acorde de cada vez e depois uniu todas as partes da forma correta na mesa de edição. 'Love of My Life' é uma das canções históricas do Queen, que Mercury nunca confirmou (nem negou) a homenagem a Mary Austin, sua antiga namorada.

É uma balada de ar clássico absurdo, muito por conta de a melodia ser toda no piano – a guitarra está muito discreta no início, porém aparece com mais vivacidade na parte final. Essa canção virou uma das marcas do Queen ao vivo, quando o público cantou junto muitas vezes durante as apresentações. A apresentação aqui no Brasil com um coral de nada mais nada menos do que 110 mil vozes fala, ou melhor, canta por si.
  • 'Bohemian Rhapsody' 
A principal música do disco e a mais ambiciosa de todas. Talvez "A Night At The Opera" não fosse o clássico que se tornou sem ela. Nas palavras de May, com essa faixa o Queen passou de banda de rock adolescente para a banda "com a música que toda dona de casa sabe de cor". Não é para menos: uma faixa totalmente inesperada para uma banda de rock, daquelas que são excelentes, mas sempre um risco ao serem escolhidas como single por serem diferentes demais do que a banda vinha apresentando, mais complexa do que geralmente rádio e televisão estão acostumados a promover e mais longa do que a maioria das músicas de trabalho. 

Mercury escreveu as diferentes partes da música numa agenda telefônica e a banda foi gravando cada parte sem saber exatamente como elas seriam encaixadas no final das contas. A faixa, sozinha, sintetiza de forma brilhante o que é uma opera rock. O cantor, segundo alguns relatos, foi ao estúdio com a letra pronta e o que queria do início ao fim, dirigindo os companheiros de banda no estúdio desde o primeiro acorde. O trabalho para transformá-la no que virou levou seis semanas, divididas em três de ensaio e três entre gravação, overdubs e correções.

Como a intenção era fazer uma ópera, com seções e tudo que tinha direito, May sugeriu que o solo de guitarra fosse algo único. Então, ele ouviu a faixa semipronta e decidiu fazer algo diferente. E ele foi tão decidido, que gravou o solo em apenas um take – o guitarrista foi o único que fez sua parte sozinho.

O projeto da música era tão excêntrico que chamavam a faixa de "o negócio do Freddie" durante as gravações. Na hora de escolher o single, pensaram em 'The Prophet’s Song' (justamente a outra faixa mais viajada do disco, indicando que o Queen estava mesmo confiante em 1975), mas chegaram a conclusão que 'Bohemian Rhapsody' era a canção da vez. Queriam inclusive cortá-la para lançar nas rádios, mas Freddie se recusou. 
"Se vamos lançá-la, tem que que ser inteira. Sabíamos que seria arriscado, mas confiávamos tanto naquela música. Senti que, se desse certo, ela ganharia muito respeito".

Conclusão


Quem conheceu o Queen apenas pelos discos ou pelas músicas mais marcadamente oitentistas pode se surpreender com a sua versão setentista e com o rock pesado que propunham nos primeiros discos e que culminam em "A Night At The Opera", ocupando um espaço modesto. Ainda não é o registro maduro da banda, mas o disco que sem dúvida definiu qual poderia ser o legado da banda para o futuro e que possibilidades poderiam explorar.

"A Night At The Opera" conseguiu consolidar a banda no além-mar: ficou no topo das paradas britânicas por quatro semanas e chegou ao número 4 da Billboard 200 nos Estados Unidos, conseguindo o primeiro disco de platina na América. Como se tornou um dos álbuns obrigatórios para qualquer interessado em Queen, as vendas já passaram das 12 milhões de cópias. 

É um trabalho impressionante por mostrar a versatilidade do Queen enquanto banda. Cada um a seu modo, os quatro mostraram que eram capazes de fazer muita coisa quando inspirados e vivendo grande fase. Só com isso, a banda estaria na história, mas suas apresentações ao vivo, muito graças ao repertório desse álbum, transformaram o grupo em uma lenda e Freddie Mercurie num ídolo.

[Fonte: "O Queen é uma religião" - blog especial sobre a banda]

BLACK FRIDAY? VIGIA, CRENTE!

A tendência natural de todos nós é seguir aquilo que amamos e desejar aquilo que nos agrada. Porém, se não nos precavermos, corremos o risco de cultivar em nós desejos que são desordenados e fora dos limites estabelecidos por Deus. 

No Brasil todos sabemos da crise que se alastra há anos. Desde que em 2008 foi chamada de "marolinha" pelo então presidente da república Luis Inácio Lula da Silva, a crise - que não se limita na área financeira, mas também na política e, consequentemente na social -, tem sido mais devastadora do que um tsunami. Como cristãos, é válido aqui recorrermos à inequívoca Palavra de Deus que nos adverte:
"Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. (...) "Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida..." - Gálatas 5:16; 1 João 2:16 

Quando o excesso do bom pode ser ruim


Tenho afirmado constantemente em minhas ministrações que "o excesso de coisas boas trazem resultados ruins e pecaminosos" e muitos, por não observarem este excesso, têm-se entregado aos seus desejos venenosos, traindo a si mesmos, a Deus e ao próximo. O texto de 1 João 2:16 traz, com muita precisão, três destes desejos mais peçonhentos.

  • A concupiscência da carne


Concupiscência da carne é marcada por práticas desvirtuadas em busca de satisfação do apetite sexual. São as imoralidades e toda espécie de perversões que se possa imaginar.

Uma vida realmente desregrada, sem limites. O indivíduo passa a ser escravo de si mesmo. É como se houvesse um monstro dentro dele, mais forte do que ele, convencendo-o constantemente a continuar satisfazendo seus apetites carnais que não possuem fronteiras.

Os prejuízos são enormes, além da perda da reputação, do pudor e do caráter, perde-se a salvação, a presença do Espírito Santo que deve habitar no homem. Enfim, é um pecado que conduz a alma para o inferno (Romanos 8:8; 13:14; Apocalipse 21:8). 

  • A concupiscência dos olhos


Concupiscência dos olhos é desejo intenso de aquisição de bens materiais, de desfrutar do gozo material. É o desejo de possuir, desejo de adquirir coisas, de acumular. Surge mediante a contemplação das vantagens terrenas, como riquezas, famas e prazeres. O indivíduo corre desenfreadamente atrás daquilo que ele não trouxe para este mundo (1 Timóteo 6:7).

Este desejo é também conhecido como "avareza". O avarento se apega demasiadamente às coisas materiais, esquecendo-se de Deus. Seus olhos não veem o vertical, de onde vem sua redenção; somente veem o horizontal, o mundo e as coisas que nele há.

O primeiro grande mandamento é "Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração..." Marcos 12:30). Quem deseja possuir, adquirir desta forma os bens desta vida está incapacitado de amar a Deus. Os seus olhos estão saturados, voltados tão somente para os elementos materiais, a riqueza, a economia, de tal forma que não conseguem mais ver Deus em seu caminho (1 Tm 6:10). 

  • A soberba da vida


A soberba é o desejo de posição. É querer estar acima de todos. Tenho afirmado que este tem sido um dos piores e mais demorado de todos os males a morrer no homem: o orgulho, o egoísmo. O indivíduo torna-se "deus" de si mesmo. Tudo que faz é só para se promover, para que seu ego seja massageado através dos elogios, dos parabéns, dos cargos que possui, das funções que exerce, da formação que tem, etc. Se tudo é necessário, mas se não for bem administrado pode ser um veneno mortífero para aqueles que almejam posições.

Há quem diga que "o poder pode embriagar". De fato, isso pode ocorrer, se não for canalizado de forma correta. Uma grande virtude em nossas vidas é quando "sentimos que somos o maior de todos os pecadores e o menor de todos os santos". Quando temos o próximo sempre superior a nós. Isto é uma bênção. Que Deus nos salve de nós mesmos e que nossos desejos sejam controlados pelo Espírito Santo.

E a Black Friday, onde entra nesse papo?


Entra agora. Nessa quinta feira é comemorado o Thanksgiving nos EUA, ou dia de Ação de Graças. Mas o feriado acabou sendo mais conhecido pelo dia seguinte, a Black Friday, ou sexta feira negra. Mas, seja sincero. Você sabe o que realmente significa essa data e qual sua origem?

  • Black Friday - o que é? 


Um pouco da historia dessa tradição. Após um ano com uma safra bem ruim, em 1621 a agricultura na região da Nova Inglaterra apresentou uma produção razoavelmente boa. Para agradecer a colheita a população resolveu dar uma festa de agradecimento e convidou os índios nativos para participar do banquete. Assim foi criado o feriado que é considerado o mais familiar dos Estados Unidos, é no Thanksgiving, mais do que no Natal, que as famílias se reúnem em torno de uma mesa farta para agradecer as bençãos que tiveram durante o ano.

Mas a tradição de Thanksgiving não chegou ao Brasil. Na verdade o então presidente Gaspar Dutra tendou instituir o feriado e a tradição no Brasil em 1949, mas a data não pegou.

Se o Thanksgiving não pegou, o mesmo não se pode falar da Black Friday. O dia das compras enlouquecidas. A origem do Black Friday, como pode-se esperar é bem menos nobre do que do Thanksgiving.

O termo foi criado provavelmente na década de 60 e era usado por policiais da Filadélfia para designar o caos que acontecia na cidade no dia após o Thanksgiving, que juntava o pessoal saindo para fazer as compras de natal com uma galera que ia assistir jogos de futebol americano na cidade. Como vocês podem imaginar não era um dia muito querido pelos policiais e ainda não é.

Mas a sede pelo lucro não para por aí. Os grandes varejistas competem em quem abre as suas lojas primeiro, o que acabou, como era de se esperar chegando até o dia do Thanksgiving em si. Uma das poucas datas em que o comércio fecha (ou fechava) nos EUA, fora isso só no Natal e no Ano Novo. Todos os outros dias do ano as lojas abrem normalmente.

Assim, o que era para ser um momento de agradecimento virou uma corrida para ver quem compra mais. Corrida não, guerra! Observou a inversão essencial dos valores? No dia da gratidão as pessoas se pegam a tapa para comprar uma televisão ou um computador novo. É vergonhoso.

  • Black Friday verde e amarelo


Como não existe promoção de verdade no Brasil e consumista que é consumista não quer ficar fora da festa, já existem excursões de brasileiros indo para os EUA para aproveitar a Black Friday por lá. É aquele momento que se um extraterrestre aterrizasse na Terra eu teria vergonha de dizer que faço parte da raça humana.

É tempo de comprar. Todo ano é a mesma coisa: ao se aproximar o final de novembro, a Black Friday abre a época das compras, dos presentes e dos gastos (muitas vezes do que não se tem). É sempre um alvoroço, com grandes filas formadas por pessoas "felizes" por estarem comprando o que tanto queriam, realizando seus "sonhos". 

As mídias fazem a farra. Sites congestionados, sistemas de mediação financeira travados, reclamações nas redes sociais, lamentos de pessoas que não conseguiram comprar o que tanto queriam pois os estoques acabaram. Comprar, comprar, comprar… Pode ser apenas um evento promovido pelo comércio para "aquecer as vendas", mas podemos fazer algumas leituras através dele.

O que me intriga é onde as pessoas tem colocado sua alegria e satisfação. Elas estão mais felizes por conseguir comprar algo, do que passar um tempo com alguém. Quanto de toda essa verba não poderia ser direcionado para viagens familiares (cada vez mais raras) ou para ver algum amigo que longe reside? Ou melhor (e mais urgente), quanto desse dinheiro não poderia ser usado para diminuir a miséria de quem não tem dinheiro, sequer, pra comer dignamente? 

Por favor, não me entenda mal, nem ache que estou defendendo que não possamos comprar coisas, tampouco quero que meu discurso seja interpretado como alguma visão "comunista" (que tenho aversão, diga-se de passagem). Jamais! Meu ponto é mais profundo, pois o buraco é mais embaixo. Minha reflexão está na motivação de tudo isso. Me impressiono (e entristeço) principalmente com a quantidade de cristãos, sendo eu um deles, aderindo cegamente essa data e encarando-a como "grande oportunidade". Não que não seja, mas essa postura é recorrente, constante. 

O quão consumistas não temos sido? Consumimos tudo. Consumimos objetos, maquiagens, roupas, tempo, eletrônicos e, fatalmente, consumimos até as pessoas. A Black Friday não é o problema, pois o problema somos nós, nossas prioridades. Elas revelam onde está nosso coração e, consequentemente, o que consideramos valioso (Mateus 6:21).

O ter em detrimento do ser


O livro Viva a Simplicidade, da Comissão Lausanne, fala do compromisso que o cristão deve (ou ao menos deveria) ter com um estilo de vida simples, tanto para melhorar o acesso das pessoas a eles (você acha que um pobre mal vestido se sente bem e à vontade para se aproximar de alguém que mantem uma postura altiva, ostentando bens?), quanto para aplicar de forma adequada nosso dinheiro. 

Ao lê-lo e ao olhar para a situação da igreja evangélica no Brasil em seu "crescimento" (ou inchaço?) acelerado, podemos nos perguntar: Por que a corrupção, fome, pobreza, desigualdade social, imoralidade, pecado, etc., não diminuíram? Que diferença os cristãos, que deveriam ser encarnação dos princípios de vida que Cristo ensinou na terra, estão fazendo? Que tipo de "boas novas" tem sido pregadas e disseminadas nos templos evangélicos, em sua grande maioria?

Como cristãos, é possível que estejamos deixando de cumprir com nossos compromissos diante de Deus ao "buscar os tesouros desse mundo", vivendo em uma vida despreocupada e de luxo, desconsiderando os milhões de pessoas que vivem em condições sub-humanas. O evangelho tem a mensagem de salvação e libertação para o ser humano como um todo, isso inclui sua alma, assim, como seu corpo. Ignorar qualquer um desses aspectos é transmitir um evangelho parcial, incompleto, que não contempla uma perspectiva antropologicamente bíblica. 

Quero ressaltar que não faço apologia à miséria, muito pelo contrário, mas resisto veementemente à peçonhenta teologia da prosperidade. Contudo, podemos viver confortavelmente, sim, porém o questionamento é: a que custo? O meu excesso de dinheiro, meu aumento de salário, não é para me "mudar de classe", nem para aumentar meu padrão. É, sim, para diminuir a miséria do meu próximo. Enquanto comemos do bom e melhor, vivemos "seguros" em condomínios fechados, há pessoas passando fome e sem moradia, e se isso não compungir nossos corações, há algo errado com o cristianismo que temos vivido. Generosidade e complacência devem ser uma de nossas marcas.

Conclusão


Uma pena. Vários estudos indicam que exercer a gratidão é uma das ações mais poderosas para encontrarmos mais felicidade no nosso dia a dia. Já o preto, da Black Friday, significa, na linguagem contábil transformar um prejuízo (em vermelho) em lucro. Pense nisso, quando achar que é você que está levando grande vantagem comprando nesse dia.

Creio ser impossível proclamar, com integridade, a salvação de Cristo, se ele, evidentemente não nos livrou da cobiça; é impossível proclamar com credibilidade, o senhorio e a soberania de Cristo se não somos bons mordomos de nossas posses; e não podemos proclamar o Seu amor com autenticidade se fechamos nossos corações para os necessitados. O Senhor Jesus, sendo rico, se fez pobre para que por meio de sua pobreza nos tornássemos ricos (2 Co 8:9) e assim, a Seu exemplo, devemos viver.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A SÃ DOUTRINA - OS LIVROS APÓCRIFOS

Dando continuidade à série especial A Sã Doutrina, vamos entender sobre o que são os Livros Apócrifos e o porque de eles não  constarem nas traduções das Bíblias Protestantes.

A Verdade X a Tradição


"Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ministrar a verdade, para repreender o mal, para corrigir os erros e para ensinar a maneira certa de viver; a fim de que todo homem de Deus tenha capacidade e pleno preparo para realizar todas as boas ações. (...) "Porquanto a Palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes; capaz de penetrar até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é sensível para perceber os pensamentos e intenções do coração." - 2 Timóteo 3:16, 17; Hebreus 4:12 [Versão King James Atualizada]

A Constituição Dogmática sobre Revelação Divina, o Concílio Vaticano II, declarou que "Ela (a igreja) sempre considerou as Escrituras junto com a tradição sagrada como a regra suprema de fé, e sempre as considerará assim".

Nós, cristãos protestantes, rejeitamos a tradição como regra de fé. Quando a Igreja Católica Romana se refere ao cânon [A palavra "cânon" significa régua, e em relação à Bíblia, significa a regra usada para determinar se um certo livro podia ser medido satisfatoriamente de acordo com um padrão. No entanto, é importante ressaltar que os manuscritos bíblicos eram canônicos no momento em que foram escritos. Escritura era Escritura quando a caneta tocou o pergaminho.]  do Velho Testamento inclui uma série de livros chamados "Apócrifos" [Do grego "apokryphos" falso, suspeito. Expressão usada quando um fato ou uma obra não tem sua autenticidade provada, ou seja, ela tem sua origem suspeita ou duvidosa.], os quais não aparecem nas versões evangélica e hebraica da Bíblia. 

O resultado disto foi que, na opinião popular dos católicos, existem duas Bíblias: uma católica e outra protestante. Mas semelhante asseveração não é certa. Só existe uma Bíblia, uma Palavra (escrita) de Deus.

Apócrifos, o que significa?


No grego clássico, a palavra apokrypha significava "oculto" ou "difícil de entender". Posteriormente, tomou o sentido de "esotérico" ou algo que só os iniciados podem entender; não os de fora. Na época de Irineu e de Jerônimo (séculos III e IV), o termo apokrypha veio a ser aplicado aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados previamente como "pseudepígrafos".

Como os apócrifos foram aprovados


A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 8 de Abril de 1546 para combater a Reforma protestante. Nessa época, os protestantes se opunham violentamente às doutrinas romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras etc. A primeira edição da Bíblia católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do papa Clemente VIII.

Os reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos, colocando-os entre o Antigo e o Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629. A famosa versão inglesa King James (Versão do Rei Tiago) de 1611 ainda os trouxe. Mas, após 1629, as igrejas reformadas excluíram totalmente os apócrifos das suas edições da Bíblia, e 
"induziram a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, sob pressão do puritanismo escocês, a declarar que não editaria Bíblias que tivessem os apócrifos, e de não colaborar com outras sociedades que incluíssem esses livros em suas edições". 
Melhor assim. Tinham em vista evitar confusão entre o povo simples, que nem sempre sabe discernir entre um livro canônico e um apócrifo.

Há várias razões porque rejeitamos os apócrifos. Eis algumas delas.


Porque rejeitamos os apócrifos?


Não temos nenhum registro de alguma controvérsia entre Jesus e os judeus sobre a extensão do cânon. Jesus e os autores do Novo Testamento citam, mais de 295 vezes, várias partes das Escrituras do Antigo Testamento como palavras autorizadas por Deus, mas nem uma vez sequer mencionam alguma declaração extraída dos livros apócrifos ou qualquer outro escrito como se tivesse autoridade divina.

  • Historicidade


A conquista da Palestina por Alexandre, o Grande, ocasionou uma nova dispersão dos judeus por todo o império greco-macedônico. Morrendo Alexandre, seu domínio dividiu-se em quatro ramos, ficando o Egito sob a dinastia dos Ptolomeus. O segundo deles, Ptolomeu Filadelfo, preocupou-se em enriquecer a famosa biblioteca que seu pai havia fundado. 

Muitos livros foram traduzidos para o grego. Segundo um relato de Josefo, o sumo sacerdote de Jerusalém, Eleazar, enviou, a pedido de Ptolomeu Filadelfo, uma embaixada de 72 tradutores a Alexandria, com um valioso manuscrito do Velho Testamento, do qual traduziram o Pentateuco. A tradução continuou depois, não se completando senão no ano 150 antes de Cristo.

Essa tradução, que se conhece com o nome de Septuaginta ou Versão dos Setenta, foi aceita pelo Sinédrio judaico de Alexandria; mas, não havendo tanto zelo ali como na Palestina e devido às tendências helenistas contemporâneas, os tradutores alexandrinos fizeram adições e alterações e, finalmente, sete dos livros apócrifos foram acrescentados ao texto grego como apêndice do Velho Testamento. Mas os judeus da Palestina nunca os aceitaram no cânon de seus livros sagrados.

Depois de referir-se aos cinco livros de Moisés, aos treze livros dos profetas e aos demais escritos (os quais "incluem hinos a Deus e conselhos pelos quais os homens podem pautar suas vidas"), ele continua afirmando: 
"Desde Artaxerxes (sucessor de Xerxes) até nossos dias, tudo tem sido registrado, mas não tem sido considerado digno de tanto crédito quanto aquilo que precedeu a esta época, visto que a sucessão dos profetas cessou. Mas a fé que depositamos em nossos próprios escritos é percebida através de nossa conduta; pois, apesar de ter-se passado tanto tempo, ninguém jamais ousou acrescentar coisa alguma a eles, nem tirar deles coisa alguma, nem alterar neles qualquer coisa que seja".

  • Testemunho dos pais da Igreja


Orígines ➡ No terceiro século a.D., Orígenes (que morreu em 254) deixou um catálogo de vinte e dois livros do Antigo Testamento, preservado na História Eclesiástica de Eusébio, VI: 25. Inclui a mesma lista do cânone de vinte e dois livros de Josefo (e do Texto Massorético), inclusive Ester, mas nenhum dos apócrifos é declarado canônico, e se diz explicitamente que os livros de Macabeus estão "fora desses [livros canônicos]".

Tertuliano ➡ Tertuliano (✟160-✩250 d.C.) era aproximadamente contemporâneo de Orígenes. Declara que os livros canônicos são vinte e quatro.

Hilário ➡ Hilário de Poitiers (✟305-✩366) os menciona como sendo vinte e dois.

Atanásio ➡ De modo semelhante, em 367 d.C., o grande líder da igreja, Atanásio, bispo de Alexandria, escreveu sua Carta Pascal e alistou todos os livros do nosso atual cânon do Novo Testamento e do Antigo Testamento, exceto Ester.

Jerônimo ➡ (✟340-✩420. a.D.) fez a seguinte citação:
"Este prólogo, como vanguarda, com capacete das Escrituras, pode ser aplicado a todos os livros que traduzimos do hebraico para o latim, de tal maneira que possamos saber que tudo quanto é separado destes deve ser colocado entre os apócrifos. Portanto, a sabedoria comumente chamada de Salomão, o livro de Jesus, filho de Siraque, e Judite e Tobias e o Pastor (supõe-se que seja o Pastor de Hermas), não fazem parte do cânon. Descobri o Primeiro Livro de Macabeus em hebraico; o Segundo foi escrito em grego, conforme testifica sua própria linguagem".

Melito ➡ A mais antiga lista cristã dos livros do Antigo Testamento que existe hoje é a de Melito, bispo de Sardes, que escreveu em cerca de 170 d.C.
"Quando cheguei ao Oriente e encontrei-me no lugar em que essas coisas foram proclamadas e feitas, e conheci com precisão os livros do Antigo Testamento, avaliei os fatos e os enviei a ti. São estes os seus nomes: cinco livros de Moisés, Gênesis, Êxodo, Números, Levítico, Deuteronômio, Josué, filho de Num, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, os dois livros de Crônicas, os Salmos de Davi, os Provérbios de Salomão e sua Sabedoria, Eclesiastes, o Cântico dos Cânticos, Jó, os profetas Isaías, Jeremias, os doze num único livro, Daniel, Ezequiel, Esdras".
É digno de nota que Melito não menciona aqui nenhum livro dos apócrifos, mas inclui todos os nossos atuais livros do Antigo Testamento, exceto Ester. Mas as autoridades católicas passam por cima de todos esses testemunhos para manter, em sua teimosia, os apócrifos!

As heresias dos apócrifos


  • Tobias - (200 a.C.) - É uma história novelística sobre a bondade de Tobiel (pai de Tobias) e alguns milagres preparados pelo anjo Rafael.
Apresenta:
➡ justificação pelas obras – 4:7-11; 12:8;
➡ mediação dos Santos – 12:12;
➡ superstições – 6:5, 7-9,19;
➡ um anjo engana Tobias e o ensina a mentir – 5:16 a 19.

  • Judite - (150 a.C.) É a história de uma heroína viúva e formosa que salva sua cidade enganando um general inimigo e decapitando-o. Grande heresia é a própria história onde os fins justificam os meios.
  • Baruque - (100 a.D.)  Apresenta-se como sendo escrito por Baruque, o cronista do profeta Jeremias, numa exortação aos judeus quando da destruição de Jerusalém. Mas é de data muito posterior, quando da segunda destruição de Jerusalém, no pós-Cristo. Traz, entre outras coisas, a intercessão pelos mortos – 3:4.
  • Eclesiástico - (180 a.C.) - É muito semelhante ao livro de Provérbios, não fosse as tantas heresias:
➡ justificação pelas obras – 3:33,34;
➡ trato cruel aos escravos – 33:26,30; 42.1, 5;
➡ incentiva o ódio aos samaritanos – 50:27,28
  • Sabedoria de Salomão - (40 a.D.) Livro escrito com finalidade exclusiva de lutar contra a incredulidade e idolatria do epicurismo (filosofia grega na era Cristã). Apresenta:
➡ corpo como prisão da alma – 9:15;
➡ doutrina estranha sobre a origem e o destino da alma – 8:19,20;
➡ salvação pela sabedoria – 9:19.
  • 1 Macabeus - (100 a.C.) - Descreve a história de três irmãos da família "Macabeus", que no chamado período interbíblico (400 a.C.  – 3 a.D) lutam contra inimigos dos judeus visando a preservação do seu povo e terra.
  • 2 Macabeus - (100 a.C.) Não é a continuação de 1 Macabeus, mas um relato paralelo, cheio de lendas e prodígios de Judas Macabeu. Apresenta:
➡ a oração pelos mortos – 12:44 - 46;
➡ culto e missa pelos mortos – 12:43;
➡ o próprio autor não se julga inspirado –15:38-40; 2:25-27;
➡ intercessão pelos santos – 7:28 e 15:14
  • Adições a Daniel:
➡ Capítulo 3:24-90 - o cântico dos três jovens na fornalha.
➡ Capítulo 13 - A história de Suzana – segundo esta lenda Daniel salva Suzana num julgamento fictício baseado em falsos testemunhos.
➡ Capítulo 14 - Bel e o Dragão – Contém histórias sobre a necessidade da idolatria.

Lendas, erros e outras heresias


1. Histórias fictícias, lendárias e absurdas. 


➡ Tobias 6:1-4
"Partiu, pois, Tobias, e o cão o seguiu, e parou na primeira pousada junto ao rio Tigre. E saiu a lavar os pés, e eis que saiu da água um peixe monstruoso para o devorar. À sua vista, Tobias, espavorido, clamou em alta voz, dizendo: 'Senhor, ele lançou-se a mim.' E o anjo disse-lhe: 'Pega-lhe pelas guelras, e puxa-o para ti.' Tendo assim feito, puxou-o para terra, e o começou a palpitar a seus pés".

2. Erros históricos e geográficos.


Esses livros contêm erros históricos, geográficos e cronológicos, além de doutrinas obviamente heréticas; eles até aconselham atos imorais (Judite 9:10,13). Os erros dos apócrifos são frequentemente apontados em obras de autoridade reconhecida. Por exemplo: o erudito bíblico DL René Pache (✟1904-✩1979, renomado teólogo e biblista francês) comenta: 
"Exceto no caso de determinada informação histórica interessante (especialmente em 1 Macabeus) e alguns belos pensamentos morais (por exemplo, Sabedoria de Salomão). Tobias contém certos erros históricos e geográficos, tais como a suposição de que Senaqueribe era filho de Salmaneser (1:15) em vez de Sargão II, e que Nínive foi tomada por Nabucodonosor e por Assuero (14:15) em vez de Nabopolassar e por Ciáxares... Judite não pode ser histórico porque contém erros evidentes... [Em 2 Macabeus]. Há também numerosas desordens e discrepâncias em assuntos cronológicos, históricos e numéricos, os quais refletem ignorância ou confusão."

3. Ensinam artes mágicas ou de feitiçaria como método de exorcismo


➡ Tobias 6.5-9 
"Então disse o anjo: 'Tira as entranhas a esse peixe, e guarda, porque estas coisas te serão úteis.' Feito isto, assou Tobias parte de sua carne, e levaram-na consigo para o caminho; salgaram o resto, para que lhes bastassem até que chegassem a Ragés, cidade dos Medos. Então Tobias perguntou ao anjo e disse-lhe: 'Irmão Azarias, suplico-lhe que me digas de que remédio servirá estas partes do peixe, que tu me mandaste guardar.' E o anjo, respondendo, disse-lhe: 'Se tu puseres um pedacinho do seu coração sobre brasas acesas, o seu fumo afugenta toda a casta de demônios, tanto do homem como da mulher, de sorte que não tornam mais a chegar a eles. E o fel é bom para untar os olhos que têm algumas névoas, e sararão'".
Este ensino de que o coração de um peixe tem poder para expulsar toda espécie de demônios contradiz tudo o que a Bíblia diz sobre superstição.

4. Ensinam que esmolas e boas obras limpam os pecados e salvam a alma


a) Tobias 12:8,9 
"É boa a oração acompanhada do jejum, dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro; porque a esmola livra da morte (eterna), e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna".
b) Eclesiástico 3:33  
"A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados".
A salvação por obras destrói todo o valor da obra vicária de Cristo em favor do pecador.

5. Ensinam o perdão dos pecados através das orações


➡ Eclesiástico 3:4 
"O que ama a Deus implorará o perdão dos seus pecados, e se absterá de tornar a cair neles, e será ouvido na sua oração de todos os dias".
O perdão dos pecados não está baseado na oração que se faz pedindo o perdão, não é fé na oração, e sim fé naquele que perdoa o pecado.

6. Ensinam a oração pelos mortos


➡ 2 Macabeus 12:43-46  
"...e tendo feito uma coleta, mandou 12 mil dracmas de prata a Jerusalém, para serem oferecidas em sacrifícios pelos pecados dos mortos, sentindo bem e religiosamente a ressurreição (porque, se ele não esperasse que os que tinham sido mortos, haviam um dia de ressuscitar, teria por uma coisa supérflua e vã orar pelos defuntos); e porque ele considerava que aos que tinham falecido na piedade estava reservada uma grandíssima misericórdia. É, pois, um santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados" (grifos meus).
É nesse texto de um livro não canônico que a Igreja Católica Romana baseia sua doutrina do purgatório.

7. Ensinam a existência de um lugar chamado purgatório


➡ Sabedoria 3:1-4 
"As almas dos justos estão na mão de Deus, e não os tocará o tormento da morte. Pareceu aos olhos dos insensatos que morriam; e a sua saída deste mundo foi considerada como uma aflição, e a sua separação de nós como um extermínio; mas eles estão em paz (no céu). E, se eles sofreram tormentos diante dos homens, a sua esperança está cheia de imortalidade" (grifos meus).
A Igreja Católica baseia a doutrina do purgatório na última parte desse texto. Afirmam os católicos que o tormento em que o justo está é o purgatório que o purifica para entrar na imortalidade. Isto é uma deturpação do próprio texto do livro apócrifo.

8. Tobias 5.15-19

"E o anjo disse-lhe: 'Eu o conduzirei e to reconduzirei.' Tobias respondeu: 'Peço-te que me digas de que família e de que tribo és tu?' O anjo Rafael disse-lhe: 'Procuras saber a família do mercenário, ou o mesmo mercenário que vá com teu filho? Mas para que te não ponhas em cuidados, eu sou Azarias, filho do grande Ananias.' E Tobias respondeu-lhe: 'Tu és de uma ilustre família. Mas peço-te que te não ofendas por eu desejar conhecer a tua geração'".
Um anjo de Deus não poderia mentir sobre a sua identidade sem violar a própria lei santa de Deus. Todos os anjos de Deus foram verdadeiros quando lhes perguntado a sua identidade. Veja Lucas 1:19.

Decisão polêmica e eivada de preconceito


Resumindo todos esses argumentos, essa postura afirma que o amplo emprego dos livros apócrifos por parte dos cristãos desde os tempos mais primitivos é evidência de sua aceitação pelo povo de Deus. Essa longa tradição culminou no reconhecimento oficial desses livros, no Concílio de Trento, como se tivessem sido inspirados por Deus. Mesmo não-católicos, até o presente momento, conferem aos livros apócrifos uma categoria de paracanônicos, o que se deduz do lugar que lhes dão em suas Bíblias e em suas igrejas.

O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros em hebraico, que, nas Bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do século IV a.C. Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria. Visto que alguns dos primeiros pais da igreja, de modo especial no Ocidente, mencionaram esses livros em seus escritos, a igreja (em grande parte por influência de Agostinho) deu-lhes uso mais amplo e eclesiástico. 

No entanto, até a época da Reforma esses livros não eram considerados canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da história. A decisão desse Concílio foi polêmica e eivada de preconceito.

Que os livros apócrifos, seja qual for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, não são canônicos, o que se comprova pelos seguintes fatos:

  1. A comunidade judaica jamais os aceitou como canônicos.
  2. Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores do Novo Testamento.
  3. A maior parte dos primeiros grandes pais da igreja rejeitou sua canonicidade.
  4. Nenhum concílio da igreja os considerou canônicos senão no final do século IV.
  5. Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor da Vulgata, rejeitou fortemente os livros apócrifos.
  6. Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao longo da Reforma, rejeitaram os livros apócrifos.
  7. Nenhuma igreja ortodoxa grega, anglicana ou protestante, até a presente data, reconheceu os apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido integral dessas palavras.
Em virtude desses fatos importantíssimos, torna-se absolutamente necessário que os cristãos de hoje jamais usem os livros apócrifos como se fossem Palavra de Deus, nem os citem em apoio autorizado a qualquer doutrina cristã. Com efeito, quando examinados segundo os critérios elevados de canonicidade estabelecidos, verificamos que aos livros apócrifos faltam:
  1. Os apócrifos não reivindicam ser proféticos.
  2. Não detêm a autoridade de Deus. O prólogo do livro apócrifo Eclesiástico (180 a.C.) diz: "Muitos e excelentes ensinamentos nos foram transmitidos pela Lei, pelos profetas, e por outros escritores que vieram depois deles, o que torna Israel digno de louvor por sua doutrina e sua sabedoria, visto não somente os autores destes discursos tiveram de ser instruídos, também os próprios estrangeiros se podem tomar (por meio deles) muito hábeis, tanto para falar como para escrever. Por isso, Jesus, meu avô, depois de se ter aplicado com grande cuidado à leitura da Lei, dos profetas e dos outros livros que nossos pais nos legaram, quis também escrever alguma coisa acerca da doutrina e sabedoria... Eu vos exorto, pois, a ver com benevolência, e a empreender esta leitura com uma atenção particular e a perdoar-nos, se algumas vezes parecer que, ao reproduzir este retrato da soberania, somos incapazes de dar o sentido (claro) das expressões" (grifo meu). 
Este prólogo é um auto-reconhecimento da falibilidade humana.


Conclusão


Diante de tudo isso, pergunto: Merecem confiança os livros Apócrifos? A resposta obvia é enfático e sonoro: NÃO!

Natureza e número dos apócrifos do Antigo Testamento


Há quinze livros chamados apócrifos (quatorze, se a Epístola de Jeremias se unir a Baruque, como ocorre nas versões católicas de Douai). Com exceção de 2 Esdras, esses livros preenchem a lacuna existente entre Malaquias e Mateus e compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.
  • Significado da palavra Pseudoepígrafado
Literalmente significa "escritos falsos" - Os apócrifos não são necessariamente escritos falsos, mas, sim, não-canônicos, embora também contenham ensinos errados ou hereges.

Diferença entre as Bíblias hebraicas, protestantes e católicas


  • 1. Bíblia hebraica [a Bíblia dos judeus]

a) Contém somente os 39 livros do VT

b) Rejeita os 27 do NT como inspirado, assim como rejeitou Cristo.

c) Não aceita os livros apócrifos incluídos na Vulgata (versão Católica Romana).

  • 2. Bíblia protestante

a) Aceita os 39 livros do VT e também os 27 do N.T.

b) Rejeita os livros apócrifos incluídos na Vulgata, como não canônicos.

  • 3. Bíblia católica

a) Contém os 39 livros do VT e os 27 do N.T.

b) Inclui, na versão Vulgata, os livros apócrifos ou não canônicos que são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1º e 2º de Macabeus, seis capítulos e dez versículos acrescentados no livro de Ester e dois capítulos de Daniel.

A seguir, a lista dos que se encontravam na Septuaginta:
  1. 3 Esdras
  2. 4 Esdras
  3. Oração de Azarias
  4. Tobias
  5. Adições a Ester
  6. A Sabedoria de Salomão
  7. Eclesiástico (Também chamado de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque).
  8. Baruque
  9. A Carta de Jeremias
  10. Os acréscimos de Daniel
  11. A Oração de Manassés
  12. 1 Macabeus
  13. 2 Macabeus
  14. Judite

[Fontes de pesquisas: ICP - Instituto Cristão Pesquisa; Revista Defesa da Fé, ano 6, nº41, dezembro, 2001, pág. 54-59]

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A VOLTA DE JESUS - O APOCALIPSE, SEGUNDO A CIÊNCIA

Notícias e previsões sobre o fim do mundo sempre dão ibope e ativa a atenção da maioria das pessoas. Os filmes catastróficos que enfocam o tema costumam ser campeões de bilheteria e também abocanham premiações por causa dos efeitos especiais, sempre, logicamente, futurísticos e inovadores, cada um ao seu tempo. Os cineastas não poupam na imaginação. Podemos dizer o mesmo de quadrinhos, livros, séries, quadros e vários tipos de arte. A humanidade tem uma obsessão em retratar o próprio fim. Abaixo vamos ver cinco teorias defendidas pela ciência sobre o fim do mundo.

1) O esfriamento da Terra


Essa teoria é pouco conhecida, mas amplamente estudada no meio científico. Dr. Michio Kaku, conhecido como o físico do impossível e professor da Universidade de Nova York, por exemplo, acredita que o universo está se expandido em um ritmo muito mais rápido do que os cientistas imaginavam. Para ele, "a energia escura puxa o nosso universo". Isso acontece porque, pela teoria do Big Bang, a explosão que originou o universo e possibilitou o nascimento da vida no planeta Terra nunca cessou, apenas diminuiu de velocidade. Por isso, o universo nunca deixou de se expandir. É provável que em algum momento a Terra fique tão longe do Sol a ponto de não receber luz suficiente para que a vida na Terra se sustente. "Ao contrário do que se pensa, vamos morrer em gelo, não em fogo", conta Dr. Kaku.

2) Explosão solar


A Terra depende do Sol para que exista vida por aqui. Porém, por se tratar de uma estrela, alguns cientistas acreditam que ela cresce constantemente. A partir disso, haverá um momento em que a radiação do Sol será extrema e evaporará toda a água do planeta. Além disso, como tudo que nasce morre, o Sol também vai chegar ao fim. Astrônomos acreditam que este fenômeno levará 7 bilhões de anos para acontecer. Enquanto isso não ocorre, o Sol poderá inchar e derreter muitas coisas. A estrela poderá até mesmo engolir a Terra. Aliás, esse é o medo que muitos enfrentam com as explosões solares, que constantemente chegam à Terra em forma de tempestades solares. A atual temporada de tempestades é a mais intensa desde setembro de 2005. Somente em janeiro de 2012 foram detectadas outras duas erupções em um período de quatro dias. O auge desse período deverá ocorrer no segundo semestre de 2013 porque o Sol tem ciclos de atividade de cerca de 11 anos, com períodos mais intensos, segundo informações da Nasa.

3) Asteroides


Em setembro de 2011, a Nasa anunciou que conseguiu catalogar cerca de 90% dos maiores asteroides cuja órbita pode passar pela Terra. Esse mapeamento feito pelos cientistas sugere que há cerca de mil asteroides próximos a Terra com o tamanho de uma montanha ou maior. Segundo os cientistas, mapear as órbitas desses asteroides potencialmente perigosos é uma tarefa crucial para a sobrevivência de nossa espécie no planeta. Em Pernambuco, existe o Projeto Impacton, que pretende instalar um observatório astronômico para detectar e monitorar asteroides que representem alguma ameaça para a vida na Terra. Para alguns pesquisadores, o grande problema é que esses asteroides são estudados apenas até terem sua órbita calculada, quando é afastada a hipótese de uma colisão com o planeta. Porém, alguns desses corpos celestes menores podem mudar de órbita e entrar na rota de colisão com a Terra.

4) Vírus


O extermínio da humanidade por um vírus letal que se espalha por vias orais parece cena de filme. Porém, a engenharia genética dispõe de ferramentas próprias para produzir um vírus letal, no caso de a própria natureza não se encarregar disso antes. Cientistas holandeses e americanos criaram uma mutação no vírus influenza A H5N1, responsável por causar a gripe aviária. Esta é uma possibilidade real e pode acontecer. Com isso, o vírus de tornou ainda mais perigoso. Em 2002, cientistas da Universidade de Nova York também recriaram o vírus da poliomielite, da mesma forma como recriaram o vírus da gripe espanhola, que matou quase 50 milhões de pessoas em 1918. A diferença é que nesses últimos casos, os estudos foram usados para ajudar os cientistas a entender melhor essas doenças. De qualquer forma, são exemplos sobre como é possível criar doenças altamente poderosas e que podem colocar a humanidade em risco. Trata-se de um risco semelhante ao de uma guerra nuclear, até mesmo porque além destas hipóteses, há também questões políticas.

5) Guerra nuclear


Assim como tudo é finito, os recursos naturais tão explorados na Terra - como a água e o petróleo - vão acabar. Conforme esse dia se aproxima, os países traçam novos acordos políticos, ao mesmo tempo em que criam inimizades, da mesma maneira como acontece antes de qualquer guerra começar. As armas nucleares produzidas atualmente têm uma potência pelo menos cinco vezes maior do que a de Hiroshima, a primeira cidade do mundo arrasada por uma bomba atômica. Ela foi lançada pelos EUA durante a segunda guerra mundial e o resultado do desastre foi um balanço de mais de 250 mil pessoas atingidas, entre feridos e mortos. Estimativas garantem que há 20 mil ogivas nucleares espalhadas pelo mundo. A maioria é controlada pelos Estados Unidos e Rússia. Apesar de as agências de espionagem americanas acreditarem que os iranianos pararam com seus esforços em construir uma bomba nuclear em 2003, caso o país anuncie a produção, existe a chance de começar uma corrida nuclear no Oriente Médio. Portanto, o início de uma guerra nuclear que ponha a vida na Terra em risco é mais fácil do que parece.

O fim do mundo segundo Stephen Hawking


Porém, Stephen Hawking, físico célebre que não exige introduções, não está fugindo desse barco e praticamente definiu um limite para existirmos no planeta Terra: 1 mil anos.

Durante um evento na Oxford Union, antes de comentar sobre o derradeiro fim, Hawking disse que
"o fato de que nós, humanos, que somos partículas meramente fundamentais na natureza, pudemos chegar tão perto de compreender as leis que nos governam e o universo é certamente um triunfo".
Segundo ele é preciso se lembrar de olhar para as estrelas e não para baixo dos pés

Sobre as últimas décadas, o físico de 74 anos, ateu confesso, disse que este é 

"um tempo glorioso para estar vivo e realizar pesquisas em física teórica (...) Talvez, um dia sejamos capazes de usar as ondas gravitacionais para olhar diretamente no coração do Big Bang. Mas nós precisamos continuar indo ao espaço para o futuro da humanidade. Eu não acho que sobreviveremos mais 1 mil anos sem escapar e ir além de nosso frágil planeta", 
definiu Hawking.

Segundo o professor, os próximos 100 anos serão os preocupantes, porque devem definir as nossas atitudes "espaciais" — e ele ainda não acredita que teremos colônias em Marte antes disso. Ainda, atualmente, Hawking acredita que devemos ter mais medo do capitalismo do que de robôs.

Antes de ir embora, após jogar esse "pensamento bomba", Stephen Hawking disse que ainda assim é preciso
"se lembrar de olhar para as estrelas e não para baixo dos pés". Tente dar sentido ao que você vê, pergunte sobre o que faz o universo existir. Seja curioso. No mais difícil que a vida possa parecer, sempre há algo que você pode fazer e ter sucesso. O mais importante é que você não desista".

Conclusão


No evangelho segundo Mateus, capítulos 24 e 25, temos uma revelação escatológica feita pelo próprio Mestre Jesus. Os capítulos sugeridos é a base para inúmeros estudos sobre os eventos que marcarão o advento do fim dos tempos. Apesar do respeito e do reconhecimento que precisamos ter pela Ciência, como cristãos, devemos nos submeter às revelações da Palavra de Deus e não às teorias baseadas em estudos científicos, mesmo porque, o fato de ser uma teoria é a prova de que a própria Ciência não se certifica.

Mas, sobre os acontecimentos descritos em Mateus 24 (que foi, inclusive, a base para o artigo com o qual abri essa série ➡http://circuitogeral2015.blogspot.com.br/2016/07/a-volta-de-jesus-entendendo-mateus-24.html) e 25, antes de sair por aí tirando conclusões antecipadas, é fundamental uma observação contextual e, assim, fazer a seguinte pergunta: a quem, em primeiro lugar, Jesus dirigiu essas palavras? E, conforme o entendimento retilíneo da própria Bíblia, a resposta é: especificamente aos judeus, e não à Igreja. E o ponto principal é o fato de que quando Jesus disse tais coisas, a Igreja ainda era um mistério. Somente no Pentecoste ela foi incluída no agir de Deus e, posteriormente, revelada através de Paulo.

Então, daí vem outra pergunta que temos de fazer: qual é a mensagem desses textos bíblicos para nós hoje?

Essa passagem tem forte significado para os crentes de hoje, pois sabemos que os impressionantes acontecimentos da Grande Tribulação lançam suas sombras diante de si e que, por essa razão, o arrebatamento da Igreja deve estar muito próximo.

Nosso mundo está muito inquieto. Há conflitos em muitos países e torna-se mais e mais evidente a possibilidade de guerras devastadoras em futuro próximo. Mais de 400.000 cientistas estão atualmente ocupados em melhorar sistemas bélicos ou em desenvolver novos armamentos. Grande parte da humanidade passa fome.

Terremotos, tempestades, inundações e doenças imprevisíveis, além de outros fenômenos e catástrofes da natureza, aumentam dramaticamente em progressão geométrica, como as dores de parto da que está para dar à luz.

Grande parte dos cristãos é perseguida. Muitos chegam a falar de uma "escalada" nas perseguições nos últimos anos.
Também a sedução e o engano através de falsas religiões é comparável a uma avalanche. O clamor pelo "homem forte" torna-se mais audível. Qualquer coisa passa a ser anunciada como "deus" ou "salvador" – e as pessoas agarram-se ansiosas a essas ofertas enganosas. Ao mesmo tempo acontece uma apostasia nunca vista, um crescente afastamento da Bíblia e do Deus vivo.

As dores da Grande Tribulação anunciarão a vinda do Filho do Homem. Não nos encontramos diante do fim do mundo, mas nos aproximamos do fim de nossa era (Mt 24.3). O Filho de Deus não nos trará o fim, mas um novo começo. Jesus Cristo não é apenas a esperança para o futuro do mundo, mas a esperança para toda pessoa, para cada um que invocar Seu Nome!


[Fonte de pesquisa: Chamada da Meia-Noite, Superinteressante]

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

CONSCIÊNCIA NEGRA: MAIS QUE UM DIA, UMA ETERNIDADE


O vinte de novembro neste ano caiu num domingo, "o dia do Senhor", e "passou em branco" para a maioria dos círculos evangélicos. Não se ouve falar de algum seminário, congresso e/ou qualquer festividade nas igrejas sobre o tema. Também não se vê nenhuma eloquente pregação que faça menção a data. Acredito até que a maioria esmagadora dos crentes nem sabem da existência dela.

Contudo, o dia já foi transformado em feriado em onze estados e foi comemorado em 217 cidades. A data é feriado estadual em grandes capitais tais como, São Paulo e Rio de Janeiro. Porém, para muitas pessoas, o dia, além de proporcionar uma oportunidade de ir pescar no feriado prolongado não traz importância alguma, e por isso "passará em branco". Muitas destas pessoas desconhecem a história real é a pessoa por trás da data. Para que isto mude é preciso que o Vinte de Novembro seja "DENEGRIDO", ou seja, se torne negro, por meio de uma maior divulgação e conscientização do povo, principalmente do próprio povo negro, que desconhece sua história, seus ícones, suas raízes.

Verde, amarelo, azul e BRANCO


Na realidade, se existe um país fora do continente africano, para quem o Vinte de Novembro deveria ser importante, este país é o Brasil. Sim, o povo brasileiro deveria conhecer desde cedo a história por trás desta data. Deveria conhecer a pessoa por trás desta data, assim como conhece a pessoa e a história por trás de datas como 21 e 22 de Abril, 7 de setembro e outras datas que fulguram no calendário cívico nacional. Teorizo que os brasileiros saibam mais sobre o Halloween, (o dia das bruxas) comemorado no 31 de outubro, do que sobre o 20 de Novembro. E olha que, além de uma comemoração essencial pagã, o Halloween é de origem inglesa.

O vinte de novembro está relacionado a um longo capitulo da história brasileira, escrito com escambos, sequestros, estupros, sangue, suores, lágrimas, cativeiro, castigos físicos e vidas ceifadas. A data esta ligada a um período, que muitos brasileiros preferiam que não tivesse existido na História nacional: A escravidão negra. Tal capítulo foi tão horrendo que o próprio Rui Barbosa (✞1849-☆1923) mandou queimar todos os arquivos da escravidão, onde estavam registrados as quantidades de negros trazidos para o Brasil e o preço de cada um. Tal atitude por parte de Rui Barbosa, tornou mais difícil o resgate da verdadeira história da escravidão negra. Portanto, para os diversos "Movimentos Negros" atuante no Brasil, seja de cunho politico ou religioso, a data é de resgate do passado dos descendentes de vários povos, tais como: Bantos, Mina, Jeje, Benguela, Youruba, Nago.

O Brasil foi o ultimo país nas Américas a abolir a escravidão, e só a aboliu sob pressão da Inglaterra industrializada, que ambicionava expandir seu campo comercial, e para tanto incentivava e criava mecanismos para abolir a escravidão visando a adoção do trabalho livre, que gerava novos consumidores. A nação colonizada por europeus tem também como base de sua formação os elementos: indígena e negro. Dos descendentes destas três etnias, os únicos que encontram grandes dificuldades em resgatar sua árvore genealógica é o afro-brasileiro, pois quando os (tumbeiros) navios negreiros aportavam no Brasil, e as "peças" eram levadas para o mercado escravista, as famílias eram separadas e vendido cada membro em separado, quebrando-se os laços familiares, indo pai para um lado, mãe para outro, se ela tivesse filhos ainda de colo, levava-os consigo, se não, eles também tomavam destinos diferentes. 

Devido a esta desagregação familiar, o desconhecimento da ancestralidade, do local de origem e povo de pertença é apenas uma das vigentes consequências da escravidão negra. Esta consequência geradora de um "vácuo genealógico" é apenas uma das consequências que somada a outras ainda piores precisam ser tratadas por meio do resgate da história dos afro-brasileiros e afro-latino-americanos.

Portanto, Vinte de Novembro é importante, pois é uma data preferida pelos afro-brasileiros em detrimento à data oficial da Abolição, em que se reconta a história e luta de seus ancestrais, e se reinvindica a sequência da libertação, pois a ocorrida a 13 de Maio de 1888 é ainda um projeto inacabado.

Lei Áurea?


É um projeto inacabado, pois ocorreu sob pressão, e com o propósito de beneficiar mais aos escravistas do que aos escravizados. É um projeto inacabado pois não houve por parte dos governantes brasileiros, medidas que buscassem - pós a assinatura da Lei Áurea, inserir o negro liberto a sociedade.

As medidas tomadas pelo governo visavam mais a exclusão do que a inserção social do povo negro, e assim houve projetos governamentais que visavam, por meio do abandono, o extermínio do povo negro. Dentro dessa funesta pretensão, os descendentes dos africanos anteriormente forçosamente inseridos no Brasil, e que sustentaram a economia por quase quatro séculos com sangue, suor, lágrimas e corpos castigados pelo frio, sol, chibatadas, quando libertos foram preteridos, jogados à própria sorte. 

A expectativa governamental era que morressem, dando lugar assim a um povo com traços europeus. O governo e grandes setores da sociedade acreditavam que, a população negra "diminuiria progressivamente devido à alta taxa de mortalidade, maior incidência de doenças e desorganização social. Os que sobrevivessem, via miscigenação produziria naturalmente uma população mais clara, uma vez que o gene branco era mais forte.

Além da expectativa que os negros libertos morressem, o governo por meio do "decreto de 28 de junho de 1890 determinava que agentes diplomáticos e consulares brasileiros e a policia dos portos deveriam impedir a entrada de criminosos, mendigos, indigentes e "indígenas da Ásia e da África". Somente o Congresso Nacional podia permitir alguma exceção. O Decreto - Lei nº 7967 de setembro de 1946 determinava que "os imigrantes serão admitidos de conformidade com a necessidade de preservar e desenvolver o Brasil, na composição de sua ascendência europeia".

Como podemos ver, a entrada do negro como peça era largamente permitida, até a supressão do tráfico negreiro ocorrido em setembro de 1850 por meio da Lei Eusébio de Queiroz, agora após a abolição a presença dos negros descendentes de escravo se torna estorvo e a entrada de "indígenas africanos" entenda-se negros, se torna caso de policia. Tudo isso com o propósito de preservar "a ascendência europeia nacional".

Neste propósito, o Governo investiu pesado na vinda de europeus para o Brasil, visando não somente substituir a mão-de-obra negra, mas também "embranquecer" a nação, pois acreditava que a imigração orientada reforçaria a predominância branca. A política do embranquecimento começou dois anos antes da assinatura da Lei Áurea, pois "ainda em 1886, foi criada a Sociedade Promotora da Imigração, que com o apoio do governo, subvencionava a imigração, pagando através de impostos, a vinda do imigrante. Chamo a isto de "cotas para brancos", pois os imigrantes com todo incentivo estatal chegavam a um país que após séculos fazendo uso do trabalho escravo, busca agora fugir dos traços negros e se adequarem a modernidade, criando pequenas propriedades e dando apoio ao trabalho livre e assalariado para os brancos.

Samba do crioulo doido


Hoje, cento e vinte um ano após a tentativa estatal de "branquear" o país, as estatísticas mostra que tal intento falhou, e o Brasil foi literalmente "denegrido", constituindo-se no segundo maior país do mundo em população negra, perdendo apenas para a Nigéria, um país africano. Em 2010, de acordo com pesquisas do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população brasileira será majoritariamente negra. Porém, na atualidade os negros ganham, em média, 53% da renda do branco, e segundo projeções do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), levará 32 anos, para haver uma equiparação.

Além dos dados de desemprego, analfabetismo, vitimas de chacinas e etc., a pessoa negra só alcança visibilidade nas Escolas de samba, cantando pagode, ou jogando futebol, pois sua ascensão social ainda está ligada ao entretenimento. Atualmente nas novelas as personagens vividas por artistas negros começam a atuar como protagonistas, deixando de ser personagens secundárias, como durante muito tempo atuaram, exercendo papeis de cozinheira, faxineira, motoristas, garçons, jardineiros e outras funções geralmente desempenhadas por pessoas negras na vida real. A indústria do entretenimento é um dos meios por onde o negro pode garantir sua ascensão social, contudo, são poucos os que mesmo tendo talentos, conseguem ascensão social por meio do esporte ou da vida artística, assim como: "Pelé" (Edson Arantes do Nascimento), Alexandre Pires, Taís Araújo, Lázaro Ramos, Camila Pitanga, Dudu Nobre e outras personalidades negras.

Os pioneiros do meio artístico sofreram bem mais do que os artistas negros da atualidade, muitos já morreram e talvez as pessoas não se lembrem mais sequer de seus nomes, mas não se esquecem de suas personagens. Dentre os que já morreram destaco a personagem do Sítio do Pica-pau Amarelo (Rede Globo, 1977 a 1985), Tia Anastácia, representada por Jacira Sampaio (☆1927-✞1988, que reproduzia a figura da negra de dentro da Casa grande, sempre confinada a cozinha, mas que recebia tratamento pouco melhor do que os escravos do eito que moravam na senzala. Destaco ainda o "Mussum", personagem de Antonio Carlos Bernardes Gomes (☆1941-✞1994), integrante de "Os Trapalhões". Mussum passava o estereótipo do negro malandro, amante do samba e bebedor de "cachaça". Estes personagens fizeram parte da infância de inúmeros brasileiros, e dificilmente existe um negro adulto na casa dos trinta ou quarenta anos hoje, que na escola quando criança não tenha sido chamada de: Mussum, Pelé, Saci Pererê e outros personagens negros, que com exceção do rei do futebol, dificilmente seriam abraçados como referenciais para as crianças negras.

Zumbi: vilão ou herói?


Vinte de novembro é para negros conscientes de seus valores enquanto pessoas humanas e cidadãs, dia de honrar a memória de Francisco, não de Assis, mas sim de Palmares, ou "esclarecendo", Zumbi dos Palmares (☆1655-✞1695), como é conhecido. Ele é o nome por trás da data nacionalmente conhecida como "Dia da Consciência Negra", contudo, ela não pretende apontar somente para o ícone que Zumbi se tornou, antes tenciona chamar atenção para a luta e resistência do povo negro que nele se inspira.

Dia da consciência negra só existe porque houve escravidão, Zumbi só é lembrado por que resistiu a esta escravidão. Ele é o herói negro nacional, ícone da resistência à escravidão, o Rei da "Tróia Negra", chamada Palmares, erguida por negros aquilombados na Serra da Barriga - Alagoas e que de 1954 até 1677 derrotou mais de 24 expedições militares, mas caiu em janeiro de 1694.

Palmares caiu quando Domingos Jorge Velho (☆1641-✞1705) a frente de um exército de mais de 8.000 homens munidos inclusive com canhões, após muita resistência conseguiu invadi-la e destruí-la. Zumbi e outros negros conseguiram fugir, porém, um dos negros, fora capturado, e sob tortura relatou onde se encontrava Zumbi, o qual no dia 20 de novembro de 1695, foi capturado por André Furtado de Mendonça (☆1558-✞1611)que o matou, cortou sua cabeça, exibindo-a em Recife. Palmares caiu, mas o sonho de Zumbi, o sonho de ser livre gozando de todas as consequências da liberdade vive no coração de cada afro-descendente que não se conforma com o mito da falsa democracia racial, que colaborou e ainda colabora para a manutenção de um racismo velado, que por ser velado se torna mais difícil de combater do que a segregação racial que existiu de forma institucionalizada nos EUA.

Lelerelê, lelerelê...


Mesmo que muitas pessoas não gostem da ideia, de um "Dia da consciência negra", ainda mais quando se fala em transformar a data em feriado nacional, o povo brasileiro é forçado a falar, ouvir, ler e escrever sobre consciência negra hoje, pois no passado os brancos no poder, após se locupletarem com o trabalho escravo, não tiveram consciência e pós o treze de maio de 1888, abandonaram milhares de pessoas negras a margem da sociedade. Assim, libertos, mas não inseridos a sociedade, os negros saíram das senzalas e foram para as favelas, sem reparação, sem identidades, sem destinos, sem condições dignas de vida, mas não sem esperança e alegria, sendo capaz de transformar o lamento em samba, assim como transformaram os restos em feijoada e a dança em arte de defesa e ataque.

Por isso a data em reflexão, exalta a memória de Zumbi, pois é preciso desconstruir no imaginário popular os estereótipos passivos passados pelos livros didáticos, que contam a história da escravidão de forma superficial, mostrando sempre um negro preso a um tronco e um branco com a chibata na mão. A história oficial, contada pelos descendentes dos opressores exalta mais o 13 de maio, omitindo as lutas, as revoltas, os abortos de muitas negras que preferiam abortar a "reproduzirem" filhos para serem escravos. Tal atitude de certa forma é mais digna do que a Lei do Ventre Livre que, determinava a permanência do filho com a mãe até a idade de 8 anos completos; depois dessa idade, o senhor da escrava mãe teria a opção de receber indenização do Império, no valor de 600$ réis, (o preço de um escravo adulto), ou então de utilizar dos serviços do pequeno escravo até idade de 21 anos. Não precisa de muito esforço para se concluir qual era a escolha dos "sinhozinhos".

Por trás da data do vinte de novembro há um passado que esta sendo resgatado pelos afro-descendentes brasileiros, que a cada dia tem sua auto estima restaurada, se orgulhando de ser, não descendentes de escravos somente, mas descendentes de povos africanos, que estão na base da construção do Brasil que cada vez mais assume sua herança afro. Muitos negros brasileiros descendem de príncipes e princesas africanas, filhos de reis africanos que tiveram suas tribos vencidas nas inúmeras batalhas tribais, amplamente incentivada pelos europeus, a fim de comprarem dos vencedores os vencidos e venderem-nos como escravos para as Américas.

Dia da Consciência Negra é dia de protestos, dia de festas, dia de cultos, dia de celebrações, e dia de rememorar e transmitir nossa história, mesma que ela possua capítulos tristes, é dia também de nos alegrarmos! É dia de rememorarmos, pois não podemos apagar tampouco nos esquecer do que se passou, pois as consequências de uma abolição mal feita ainda permanecem, separando negros e brancos numa "falsa democracia racial".

Não podemos deixar de falar daquilo que nossos ancestrais viveram, nosso rememorar deve ser a partir do que disse o sacerdote Rastafári e cantor de Reggae Bob Marley:
"Um povo que não conhece sua história reminiscências de seu passado, é igual a uma árvore sem raízes".
A partir do resgate de nossa negras raízes e reflexões sobre nossa história é preciso que passemos para a ação, tendo como referencial a Zumbi e seu sonho de Palmares, lutando com as armas da justiça, da verdade, da reparação, da educação, da quebra de preconceitos, do perdão, do amor, da superação das barreiras e do fosso social que ainda separam negros e brancos. Nesta luta vale tudo, menos a violência e o ódio e o acomodar-se ao status quo negando as coisas belas, puras e verdadeiras de nossa herança africana que devem ocupar nosso pensar e viver.

Conclusão


Vinte de novembro é data que convida à reflexão, comunhão e ação. Ela convida a todos os descendentes dos povos que formam os diversos matizes da gente brasileira. Ela nos desafia a movidos pelo amor de Deus, cujo Filho declarou: "Eu vim para que todos tenham vida, e que a tenha em plenitude" (João 10:10) a impelidos pela força do Espírito Santo trabalhar pela justiça e pela paz.

[Fonte: CNBB. Ouvi o clamor deste povo. Campanha da Fraternidade 1988, texto - base. Editora Gráfica Ipiranga LTDA. TREVISAN, Leonardo. Abolição, um suave jogo político? Editora Moderna . São Paulo, 1988. www1.folha.uol.com.br/folha/.../ult91u401394.shtml]