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terça-feira, 22 de setembro de 2015

GLOBO X RECORD, ALÉM DA AUDIÊNCIA

O Brasil passando por uma turbulência no cenário político e financeiro que culminou numa crise há muito anunciada e agora materializada, que nos fez retroceder há décadas, ressuscitando "figuras" aterrorizantes como o dragão da inflação, o monstro da recessão e o vampiro do desemprego. Trazendo de volta siglas de significados indecorosos como a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. Era uma cobrança que incidia sobre as movimentações bancárias dos contribuintes e vigorou entre 1997 e 2007. A alíquota inicial era de 0,25% aumentando para 0,38% em 2002.) e outras constrangedoras como Impeachment (uma palavra de origem inglesa que significa "impedimento" ou "impugnação", utilizada como um modelo de processo instaurado contra altas autoridades governamentais acusadas de infringir os seus deveres funcionais), fazendo descer ladeira abaixo um rio de lavas fétidas e destruidoras ocasionadas pela erupção vulcânica da corrupção, tornando incertas quaisquer perspectivas e expectativas para o sofrido povo brasileiro em um prazo de pelo menos cinco anos. 

Pois bem, à despeito da nação nessa efervescência toda, dois assuntos assumiram as manchetes da mídia jornalística em todas as suas plataformas: a separação do "casal calypso", a cantora Joelma e o músico Chimbinha e a guerra de audiência entre as principais redes de televisão aberta do Brasil, Globo e Record. Como o meu blog não é de fofocas (Cruz credo!), vou fazer uma análise do segundo tema sob outro prisma que não o do ibope. Afinal, tem muito mais por trás dessa disputa do que somente altos índices de audiência.

Nova batalha na guerra que já completou 6 anos


Na noite de terça-feira (1/9), a briga de audiência na faixa das 20h30 e 22h entre Globo e Record chegou a níveis estratosféricos e impensáveis até mesmo para o fã que acompanha diariamente os bastidores da televisão. Conforme já esperado, a Globo atrasou sua programação para que sua atual novela das 21h, "A Regra do Jogo", não tivesse qualquer tipo de enfrentamento com a novela bíblica da Record, "Os Dez Mandamentos", que começou às 20h40 - devido ao horário político obrigatório. Afinal, após o "suicídio coletivo" com a horrível e rejeitadíssima "Babilônia", a vênus platinada não pode mais errar. Então, enquanto a emissora do bispo Edir Macedo "enrolava" com seus mandamentos, a Globo "esticava" sua regra esculhambando todo o jogo. No meio desse imbróglio os telespectadores que, em tempos de crise, não podem se dar ao luxo de desfrutar da tv paga. 

Muito além da audiência 


Não há mocinhos em nenhum dos lados da recente briga entre a Globo e a Record de. Muito pelo contrário. Também não há mentiras nos ataques de uma contra a outra: os Marinho sempre tiveram uma relação espúria com o poder e a Record, uma interação promíscua com a Igreja Universal do Reino de Deus. Mas o problema central nessa guerra é que estão guerreando com armas alheias. Estão guerreando com armas públicas. 

É ingenuidade de pouco eco crer que não existem interesses econômicos e ideológicos guiando os grandes grupos de comunicação do país. A comunicação de massa tem papel estratégico na organização social e criação de valores e a informação também sofre diversos tipos de manipulações, das mais explícitas – edições de texto/imagens, escolha das fontes, qualificações – às mais sutis – o que é silenciado, o “tom” sobre o informado, as relações de uma notícia com outra, a ordem de apresentação. 

É por isso que a luta pela democratização da comunicação não se restringe à criação de normas de conduta ao jornalismo hoje praticado, buscando a isenção e objetividade. Essa luta tem de visar a possibilidade de multiplicação de vozes, a multiplicação do que é informado e como é informado, permitindo ao cidadão obter mais dados sobre uma determinada realidade para que, com eles, forme seu juízo. Com o monopólio ou oligopólio da informação, restringem-se as versões da realidade, orientando visões de mundo. 

Qual o problema, então, com a disputa entre a Rede Globo e a Rede Record? Que armas dispõem para esse duelo de titãs? Esta última expondo a milhões de telespectadores informações que antes só eram conhecidas de um grupo restrito sobre a tenebrosa história da maior emissora do país. A Globo, por sua vez, ataca o sistema nervoso da segunda maior emissora, os incontáveis problemas da Igreja Universal do Reino de Deus e o envolvimento de pessoas ligadas à ela com a corrupção. O conflito quebra um tácito pacto de não agressão entre os poderosos, e mais informações são disponibilizadas ao público. Quando dois gigantes brigam, os pequenos podem tirar proveito, imagina-se. 

Só que esta “guerra” escancara de uma forma sem precedentes uma prática ilegal e imoral: os interesses privados estão sendo defendidos com armas públicas, as concessões de TV entregues aos Marinho e a Edir Macedo. Ao lançarem mão destas “armas”, comprometem a função social dos meios de comunicação e, mais, infringem normas de utilização de uma concessão pública de radiodifusão. 

Diferentemente de um jornal impresso, que é privado e responde atualmente somente às leis dos códigos Civil e Penal (já que não existe mais a Lei de Imprensa…), as emissoras de televisão operam por meio de concessões públicas e, como tais, estão obrigadas a cumprir determinações legais para o seu funcionamento. Não podem fazer o que bem entender com a sua programação, uma vez que só possuem o direito de chegar aos lares de praticamente todos os brasileiros porque o Estado brasileiro, em nome do povo, as tornou concessionárias públicas de radiodifusão. 

Conclusão 


Portanto, não importa quem tem razão nessa guerra privada entre Globo e Record. As duas cometem um gravíssimo erro ao utilizar a arena pública da radiodifusão de forma privilegiada para travarem as batalhas privadas que lhes interessam. A Rede Globo, caminhando por mais anos nessa estrada, tem mais expertise. Seus interesses são mais bem travestidos de “notícias” relevantes apresentadas à sociedade nos seus telejornais. A Record peca por um amadorismo tacanho, com a edição de “reportagens” em que nem sequer se preocupam em fazer a clássica divisão da objetividade aparente entre “opinião” e “informação”. 

Mas não importa o nível de sofisticação de cada uma delas. A disputa Globo x Record é a mais recente e nítida apropriação do público pelo privado. 

[Fonte: Revistas Veja, Época e IstoÉ, Observátorio da Imprensa]

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

TRANSGÊNEROS: DEUS "ERROU"?!

Bianca Bowser (esquerda), nasceu como 'Jason'. Já Nick Bowser, 27, nasceu como 'Nicole', e ficou ''grávido'' duas vezes. O "diferente" casal fez sucesso nos EUA. Transgêneros, eles mantiveram seus órgãos sexuais e se casaram. Já têm três filhos.

Ontem (20/9), o programa Fantástico da Rede Globo exibiu reportagem especial (abaixo) sobre um fenômeno que vem se tornando cada vez mais comum na sociedade: os transgêneros. Apesar de não ser novo e muito menos raro, por causa das polêmicas e do preconceito sobre o tema, há pouca - praticamente nenhuma - informação. Além dos meios psíquicos e acadêmicos, até bem pouco tempo a população desconhecia o fenômeno. Famílias onde há crianças e adolescentes transgêneros, também por causa do preconceito, se mantinham em sigilo absoluto, o que, certamente, aumenta ainda mais o sofrimento ao terem que enfrentar essa situação um tanto quanto complicada. Neste artigo, com base na reportagem citada e algumas pesquisas, trago um resumo sobre esse tema à luz da psicanálise e, claro, da Palavra de Deus.

No divã


No decorrer de algumas décadas, houve uma dramática mudança, tanto em termos psicológicos quanto de direitos civis, na convulsiva arena social e cultural em que os travestis, os transexuais e os assim chamados transgêneros vivem, são definidos e se definem. Embora seja um fenômeno numericamente limitado, a atenção da mídia e o consequente envolvimento da opinião pública tem sido de “grande visibilidade”, ainda que concentrada em casos excepcionais a que a imprensa tem dado ênfase especial.

Mas além dessas situações extremas, com certeza tem havido um aumento enorme de casos de “trans”, bem como um número cada vez maior de pedidos mais discretos de “reatribuição de gênero sexual”, nos centros especializados (mais de cinquenta por mês só em um serviço de saúde pública no norte da Itália), que parecem sugerir um desejo de integração e de “normalidade”. É preciso examinar se tem havido realmente um aumento dessa patologia ou se simplesmente ela veio à tona. Ou, ainda, como tendo a pensar, se são as circunstâncias psicossociais reais que favorecem esse tipo de organização defensiva.

O problema é que, entre escândalos e litígios civis, o desejo de compreender tem diminuído cada vez mais. Há muitas opiniões e pouca reflexão, enquanto a batalha continua, principalmente no terreno midiático, sob a forma de slogans e declarações públicas; entre os apelos repressores dos pensadores convencionais e as exigências das associações e grupos dos “trans” por direitos legais e civis. Os especialistas pensam, portanto, que a psicanálise deve recuperar laboriosamente seu próprio espaço autônomo teórico e clínico, distante da confusão e da chantagem das ideologias.

Do ponto de vista psicanalítico, os transtornos da identidade sexual de gênero levaram a princípio a rubrica da nosografia psiquiátrica do começo do século 20, segundo um critério prevalentemente descritivo e fenomenológico. Fazia-se uma distinção clara entre travestismo (homens com ânsia compulsiva de vestir roupas femininas, mas que queriam preservar sua masculinidade psicofísica), e transexualismo (homens que odiavam a própria anatomia e queriam desesperadamente mudá-la a qualquer custo para a anatomia feminina) - lembrando que o caso atinge tanto homens quanto mulheres. Ambas as síndromes foram de qualquer modo colocadas firmemente na categoria das perversões.

A primeira questão é se travestismo e transexualismo podem ser reunidos em uma única síndrome. A segunda pergunta é sobre a adequação de enquadrá-los como perversões. Tudo depende inevitavelmente da nossa teorização a respeito do conceito de perversão. Em tempos pós-freudianos, o termo adquiriu, de fato, significados diferentes e progressivamente ampliados, diluídos e diversificados. A literatura sobre o tema é infinita, ainda que nem sempre seja fácil entender quanto os novos autores devem às afirmações primárias de Freud. Do ponto de vista das patologias, há uma disparidade de pontos de vista: alguns põem a transexualidade entre as psicoses, outros a consideram um precursor do travestismo ou da homossexualidade, um transtorno narcísico ou um transtornoborderline; outros, distinguem a transexualidade psicótica das formas neuróticas ou perversas de transexualismo.

Levando em conta as diversas formas ambíguas, mescladas e fugazes, penso que ainda devemos reconhecer como base do quadro clínico de travestismo e transexualismo a negação, mecanismo de defesa típico da perversão, e a consequente cisão estrutural discrepante do ego. Isso explicaria, tanto em transexuais quanto em travestis, o contraste paradoxal entre a parte do ego, que funciona relativamente bem e está em contato com a realidade, e o delírio circunscrito relativo ao gênero sexual.

Deus "errou"?!


Saindo do campo da Psicanálise, vamos agora ver o posicionamento cristão. A sociedade ocidental experimenta, atualmente, o que pode se chamar de fato uma revolução moral. O código moral de nossa sociedade e a avaliação ética coletiva acerca de uma questão particular sofreram não apenas pequenos ajustes, mas uma completa inversão. O que antes era condenado, agora, é celebrado; e a recusa a celebrar, agora, é condenada.

O que torna a presente revolução sexual e moral tão diferente das revoluções morais anteriores é que ela está acontecendo a uma velocidade absolutamente sem precedentes. As gerações anteriores experimentaram revoluções morais ao longo de décadas, até mesmo séculos. A presente revolução está acontecendo à velocidade da luz.

À medida que a igreja responde a essa revolução, devemos nos lembrar de que os atuais debates acerca da sexualidade apresentam à igreja uma crise que é irredutível e inescapavelmente teológica. A crise é equivalente ao tipo de crise teológica que o gnosticismo apresentou à igreja primitiva, ou que o pelagianismo apresentou à igreja no tempo de Agostinho. Em outras palavras, a crise da sexualidade desafia o entendimento da igreja acerca do evangelho, do pecado, da salvação e da santificação. Advogados da nova sexualidade exigem uma completa reescrita da metanarrativa da Escritura, uma completa reordenação da teologia, uma mudança fundamental em como nós pensamos o ministério da igreja.

“Transgênero” está na concordância bíblica?

Textos-prova são a primeira reação de protestantes conservadores em busca de uma estratégia de resistência e reafirmação teológica. Essa reação hermenêutica ocorre naturalmente com os cristãos evangélicos porque nós cremos na Bíblia como a inerrante e infalível Palavra de Deus. Nós entendemos, como B.B. Warfield - renomado teólogo - disse, que “quando a Escritura fala, Deus fala”. Eu devo deixar claro que essa reação não é inteiramente errada, mas também não é inteiramente certa. Não é inteiramente errada porque certas Escrituras (isto é, “textos-prova”) falam acerca de questões específicas de um modo direto e identificável.

Contudo, existem óbvias limitações a esse tipo de método teológico – o que eu gosto de chamar de “reação da concordância bíblica”. O que acontece quando você lida com uma questão teológica para a qual nenhuma palavra correspondente aparece na concordância? Muitas das questões teológicas mais importantes não podem ser reduzidas meramente a encontrar palavras relevantes e seus versículos correspondentes em uma concordância bíblica. Tente encontrar “transgênero” em sua concordância. Que tal “lésbica”? Ou “fertilização in vitro”? Elas certamente não estão no final da minha Bíblia e, creio eu, nem da sua.

Não é que a Escritura seja insuficiente. O problema não é uma falha da Escritura, mas uma falha de nossa abordagem da Escritura. A abordagem-concordância da teologia produz uma Bíblia rasa, sem contexto, sem aliança ou pacto, sem uma narrativa principal – três fundamentos hermenêuticos essenciais para entender a Escritura corretamente.

Uma teologia bíblica do corpo

A teologia bíblica é absolutamente indispensável para que a igreja molde uma resposta apropriada à presente crise sexual. A igreja precisa aprender a ler a Escritura de acordo com o seu contexto, envolta em sua narrativa principal e progressivamente revelada em linhas pactuais. Nós precisamos aprender a interpretar cada questão teológica por meio da metanarrativa bíblica da criação, queda, redenção e nova criação. Especificamente, os evangélicos precisam de uma teologia do corpo que esteja ancorada no próprio desvelar do drama da redenção ao longo da Bíblia.

Criação: Deus NÃO errou!

Gênesis 1:26-28 indica que Deus criou o homem – diferentemente do resto da criação – à sua própria imagem. Essa passagem também demonstra que o propósito de Deus para a humanidade era uma existência corporal. Gênesis 2:7 também enfatiza esse ponto. Deus criou o homem do pó da terra e, depois, soprou nele o fôlego de vida. Isso indica que éramos corpo antes de sermos pessoa. O corpo, como se vê, não é incidental à nossa personalidade. Adão e Eva recebem a comissão de multiplicarem-se e sujeitarem a terra. Os seus corpos lhes permitem, pela criação de Deus e por seu plano soberano, cumprirem aquele mandato como portadores da imagem divina.

A narrativa de Gênesis também sugere que o corpo vem com necessidades. Adão sentiria fome, então Deus lhe deu o fruto do jardim. Essas necessidades revelam, no bojo da ordem criada, que Adão é um ser finito, dependente e derivado.

Além disso, Adão teria a necessidade de companhia, então Deus lhe deu uma esposa, Eva. Tanto Adão como Eva deveriam cumprir o mandato de multiplicar-se e encher a terra com portadores da imagem divina, mediante o uso apropriado das habilidades reprodutivas com as quais foram criados. Ligado a isso está o prazer corporal que ambos experimentariam ao se tornarem uma só carne – isto é, um só corpo.

A narrativa de Gênesis também demonstra que o gênero é parte da bondade da criação de Deus. Gênero não é meramente uma construção sociológica imposta a seres humanos que, de outro modo, poderiam negociar um número indefinido de permutas.

Ao contrário, Gênesis nos ensina que o gênero é criado por Deus para o nosso bem e para a sua glória. O gênero é planejado para o florescimento humano e é estabelecido pela determinação do Criador – assim como ele determina quando, onde e que nós devemos existir.

Em suma, Deus criou sua imagem como uma pessoa corpórea. Como seres corpóreos, recebemos do próprio Deus o dom e a mordomia da sexualidade. Nós somos feitos de um modo que testifica os propósitos de Deus a esse respeito.

Gênesis também molda toda essa discussão em uma perspectiva pactual. A reprodução humana não é simplesmente para propagar a raça. Em vez disso, a reprodução enfatiza que Adão e Eva devem multiplicar-se a fim de encher a terra com a glória de Deus refletida nos portadores de sua imagem.

Queda


A queda, o segundo movimento na história da redenção, corrompe a boa dádiva divina do corpo. A entrada do pecado traz a mortalidade ao corpo. Em termos de sexualidade, a Queda subverte os bons planos de Deus para a complementaridade sexual. O desejo de Eva é de dominar o seu marido (Gn 3:16). A liderança de Adão será cruel (3:17-19). Eva experimentará dor ao dar à luz filhos (3:16).

As narrativas que seguem demonstram o desenvolvimento de práticas sexuais aberrantes, desde a poligamia até o estupro, as quais a Escritura aborda com notável franqueza. Esses relatos em Gênesis são seguidos pela entrega da Lei, a qual é planejada para refrear o comportamento sexual aberrante. Ela regula a sexualidade e as expressões de gênero ao fazer pronunciamentos claros acerca da moralidade sexual, travestismo, divórcio e uma miríade de outras questões corporais e sexuais.

O Antigo Testamento também associa o pecado sexual à idolatria. Adoração por meio de orgias, prostituição cultual e outras horrendas distorções da boa dádiva divina do corpo são todas vistas como parte da adoração idólatra. As mesmas associações são feitas por Paulo em Romanos 1. Havendo mudado “a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (Romanos 1:23), e havendo mudado “a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador”  (1:25), homem e mulher mudaram suas relações naturais um com o outro (1:26, 27).

Redenção

No tocante à redenção, precisamos notar que um dos mais importantes aspectos de nossa redenção é que ela vem por meio de um Salvador com um corpo. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14; cf. Filipenses 2:5-11). A redenção humana é realizada pelo Filho de Deus encarnado – que permanece encarnado eternamente.

Paulo indica que esta salvação inclui não meramente a nossa alma, mas também o nosso corpo. Romanos 6:12 fala do pecado que reina em nosso “corpo mortal” – o que implica a esperança da futura redenção corporal. Romanos 8:23 indica que parte de nossa esperança escatológica é a “redenção do nosso corpo”. Mesmo agora, em nossa vida de santificação, nós somos ordenados a apresentar o nosso corpo como um sacrifício vivo a Deus, em adoração (Romanos 12:1). Além disso, Paulo descreve o corpo redimido como um templo do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19) e, claramente, devemos entender a santificação como tendo efeitos sobre o corpo.

A ética sexual no Novo Testamento, assim como no Antigo, regula as nossas expressões de gênero e sexualidade. Porneia, a imoralidade sexual de qualquer espécie, é categoricamente condenada por Jesus e os apóstolos. Semelhantemente, Paulo claramente indica à igreja de Corinto que os pecados sexuais – pecados cometidos no corpo (1 Coríntios 6:18) – são o que traz má reputação à igreja e ao evangelho, porque proclamam ao mundo que nos observa que o evangelho não possui qualquer eficácia (1 Coríntios 5-6).

Nova criação


Finalmente, chegamos ao quarto e último ato do drama da redenção – a nova criação. Em 1 Coríntios 15:42-57, Paulo nos aponta não apenas a ressurreição de nosso próprio corpo na nova criação, mas também o fato de que a ressurreição corporal de Cristo é a promessa e o poder dessa esperança futura. Nossa ressurreição será a experiência da glória eterna, no corpo. Esse corpo será uma continuação transformada e consumada da nossa existência corporal presente, do mesmo modo como o corpo de Jesus é o mesmo corpo que ele possuía na terra, embora absolutamente glorificado.

A nova criação não será simplesmente uma recomposição do jardim. Será melhor do que o Éden. Como Calvino observou, na nova criação, nós conheceremos a Deus não apenas como Criador, mas como Redentor – e essa redenção inclui nosso corpo. Reinaremos com Cristo corporalmente, assim como ele também está reinando corporalmente como o Senhor do cosmo.

Em termos de nossa sexualidade, embora o gênero permaneça na nova criação, o mesmo não ocorrerá com a atividade sexual. Não é que o sexo seja nulificado na ressurreição; em vez disso, ele é cumprido. A ceia escatológica de casamento do Cordeiro, para a qual o casamento e a sexualidade apontam, terá finalmente chegado. Nunca mais haverá qualquer necessidade de encher a terra com portadores da imagem divina, como era o caso em Gênesis 1. Em vez disso, a terra estará cheia do conhecimento da glória de Deus, como as águas cobrem o mar.

Conclusão


A indispensabilidade da teologia bíblica

A crise da sexualidade tem demonstrado o fracasso do método teológico adotado por muitos pastores. A “reação da concordância” simplesmente não pode alcançar o tipo de pensamento teológico rigoroso que se exige nos púlpitos hoje. Pastores e igrejas devem aprender a indispensabilidade da teologia bíblica e devem praticar a leitura da Escritura de acordo com a sua própria lógica interna – a lógica de uma história que se move da criação para a nova criação. A tarefa hermenêutica diante de nós é imensa, mas é também indispensável para um fiel engajamento evangélico com a cultura. 

É muito simples (ou seria simplório?) demonizar. Atribuir todos estes desvios morais que geram tantos transtornos (ou seriam "equívocos"?) à sexualidade. Dizer que alguém que se identifique como gay, lésbica (e "variantes") ou transgêneros estão sobre a influência de demônios, espíritos maus e afins é muito mais fácil (e cômodo) do que se debruçar em estudos sérios sobre o assunto e, com conhecimentos sustentáveis tanto das Escrituras, quanto da ciência abordá-lo de frente com equilíbrio e sabedoria. Se o povo de Deus persiste em perecer por falta de conhecimento o faz porque quer, pois o conhecimento está disponível, acessível, contudo, é  um tesouro que requer investimentos para ser garimpado.



O Fantástico foi conhecer os dois únicos hospitais brasileiros que pesquisam e cuidam de crianças e adolescentes transgêneros: o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Hospital das Clínicas da USP, em São Paulo. O fenômeno é pouco conhecido pela ciência. Acredita-se que tenha causas genéticas e hormonais. A reportagem mostra histórias de famílias que estão sendo tratadas nesses hospitais, mas também uma adolescente transgênero que vive em um abrigo para menores em Recife.
[Fonte: Psicanálise.com, UOL, Youtube]


domingo, 20 de setembro de 2015

ENTENDENDO A ORAÇÃO - PARTE 3

Na terceira parte dessa série, vou falar sobre as diversas formas de oração. A posição e o local onde fazemos nossa oração devem ser convenientes. É óbvio que não se trata de uma regra. Podemos e devemos orar o tempo todo e em qualquer lugar, mas, sendo possível, é muito bom que escolhemos um lugar apropriado para o nosso diálogo com o Pai.

Formas de oração


Privada - Mateus 14:23; Marcos 6:46; Lucas 6:12 - Quando Jesus se retirava para montes ou desertos para orar não era apenas para não ser interrompido, mas também para falar ao Pai em secreto. Como um casal vai amadurecendo seu diálogo, assim também acontece com o discípulo e o Mestre (ou, na analogia judaica, entre a noiva e o Noivo). A oração privada é, portanto, o diálogo que temos com o nosso Pai na intimidade.

Concordância - Lc 9:28; Mt 18:18, 19; Mc 10:51, 52 - Em algumas ocasiões o Senhor Jesus perguntava aos que iam ser curados qual era o desejo deles para, com isso, gerar a concordância (Gênesis 11:6). Pedro e João (Atos 3:1-3), Paulo e Barnabé (14:6-12) e Paulo e Silas (16:25-31) também fizeram o mesmo nas passagens indicadas. A oração de concordância é uma arma poderosa e aponta para a unidade e gera sinergia.

Coletiva (ou em grupo) - At 4:24-31 - É de concordância multiplicada. Um grupo ou toda Igreja local unida no mesmo propósito, apresentando juntos a sua petição, Deus opera poderosamente o Seu poder nesta forma de oração. É quando nos tornamos unânimes em espírito na construção, execução e resultado de uma oração. 

Onde, quando e como orar


Muita coisa se tem falado e ouvido a respeito desse assunto e a maioria das pessoas continua com suas dúvidas ou segue preceitos humanos. Vamos ver o que a Bíblia nos diz quanto a isso. Descobriremos orações sendo realizadas em lugares mais improváveis, insólitos, nos indicando que considerando as circunstância onde estivermos, podemos e devemos orar.

Quanto ao local (posicionamento geográfico) - Gn 24:63, Isaque ora no campo; Mt 14:23, Jesus subiu ao monte para orar; João 11:41, 42, Jesus orou em um cemitério; At 21:5, Paulo ora na praia; 22:16, Paulo ora no templo; 9:11, Paulo ora na casa do seu amigo; 16:25, Paulo e Silas oram no cárcere; Jonas 2:1, Jonas ora no ventre da baleia; Em Mt 6:6 Jesus manda orar no quarto. O que você acha disso? Descubra o local ideal de orar lendo os seguintes textos: Jo 4:20-24 e 1 Timóteo 2:8.

Quanto ao horário - Gn 24:63, Isaque ora ao cair da tarde; Salmo 5:3, Davi ora ao amanhecer; 42:8, Davi ora ao anoitecer; 119:63, Davi ora à meia-noite; Daniel 6:10, Daniel ora 3 vezes ao dia: ao amanhecer, ao entardecer e ao anoitecer; Mt 26:36, Jesus ora de madrugada; At 16:25, Paulo e Silas oram perto da meia-noite. Descubra a hora ideal para orar lendo o seguinte texto: 1 Tessalonicenses 5:17.

Quanto à maneira (posicionamento físico) - Gn 24:63, Abraão ora ajoelhado; Êxodo 17:12, Moisés ora assentado; Sl 5:3, Ezequias ora deitado; 42:8, Davi ora em pé; Dn 6:10, Daniel ora de joelhos.  

Paulo ora assentado e acorrentado. - At 16:25 - Existe um ensinamento corrente sobre fecharmos os olhos para orar. Essa atitude se refere à nossa capacidade de nos concentrarmos mais na oração quando não vemos o que acontece ao nosso redor. Para algumas crianças ensina-se também que devem ajuntar as duas mãos de forma que ela também não se distraia com movimentos das mãos ou dedos. 

Creio que o fechar dos olhos é uma boa ferramenta para os momentos de oração, visto que nem todos conseguem se concentrar se permanecer com os olhos abertos, porém existem certas situações em que se deve necessariamente orar de olhos abertos, como nesse caso de Paulo, por exemplo. Importante salientar que o seu posicionamento físico na ora da oração dependerá essencialmente do seu posicionamento espiritual que determinará o seu nível de sensibilidade ao Espírito.

Quando se está andando, dirigindo ou fazendo alguma outa coisa - Quando se está orando por pessoas potencialmente endemoniadas a posição de joelhos talvez seja a preferida por muitos crentes, porém, a atitude de oração deve estar primeiro no coração, depois, conforme a situação, necessidade ou local obedecer o princípio da reverência e humildade diante do Senhor. Descubra a maneira ideal de orar lendo o seguinte texto: Hebreus 10:22

Conclusão


Na próxima sequência veremos o que a Bíblia nos ensina sobre as respostas às nossas orações, quando e como elas vêm e como elas podem ser ou estar sendo impedidas. Até lá, então.

sábado, 19 de setembro de 2015

TÉTELESTAI!

O termo Soteriologia vem do vocábulo grego 'soteria' e significa salvação, libertação de um perigo iminente, livramento do poder da maldição do pecado, restituição do homem à plena comunhão com Deus. A salvação do ser humano é obtida pela graça, ou seja, é um dom gratuito e imerecido que o pecador recebe - Efésios 2: 8-9. 

Quando João 19:30 diz: “está consumado”, que é a expressão grega tételestai, ele quer dizer quer tudo está pago. Isto representa a salvação para o cristão. Tudo foi comprado no calvário. Abrange cada fase de nossas necessidades e dura de eternidade a eternidade. Inclui a libertação do pecado no presente e a apresentação contra as invasões do pecado no futuro, Judas 1:24-25; Tito 2:11-13. Então, para melhor entendimento, vejamos em detalhes suas fases: salvação: arrependimento, fé, conversão, regeneração, justificação, adoção e santificação. 

Arrependimento 


Arrependimento é o ato pelo qual a pessoa reconhece o seu pecado e o abandona, confessando-o a Deus. O arrependimento é diferente do remorso. Por exemplo: João e Pedro colam na prova escolar. João confessa, pede perdão e aceita a punição. Isto é arrependimento. Zequinha é surpreendido pelo professor, tem remorso e no coração diz que na próxima prova, se tiver oportunidade, vai colar novamente. Nessa ilustração, Zequinha sentiu apenas remorso. O remorso é a tristeza do mundo que produz morte. O arrependimento verdadeiro é a tristeza que, segundo Deus, conduz à salvação, 2 Co 7:10. No Novo Testamento, Pedro e Zaqueu são exemplos de arrependimento, Mateus 26:75; Lucas 19:8, e Judas, um exemplo de remorso do seu pecado, Mt 27:3-5. 

Fé 


Quando se fala em fé, há alguns textos que muitos já sabem de cor: “...fé é a certeza das coisas que se esperam, a convicção de fatos que não se vêem...”, Hebreus 11:1; “A fé vem pelo ouvir, e o ouvir da palavra de Deus”, Romanos 10:17; “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”, Rm 10:9-10. 

No idioma grego, língua em que foi escrito originalmente o Novo Testamento, há duas expressões para a palavra fé: pistis – uma crença ou convicção intelectual; uma completa confiança em Deus, ou mais particularmente, em Cristo, com vista à redenção do pecado; pisteuein – confiança plena em Deus. Há dois tipos de fé: a fé salvadora e a fé como um dom. 

Conversão 


O termo grego para conversão é metanoia, ou seja, mudança de mente e transformação. Deve-se distinguir a conversão cristã de outras qualidades de conversão. O vocabulário conversão, literalmente, significa voltar ou mudar de direção. Portanto, neste sentido literal, podemos ser convertidos dum ponto de vista para outro. Pode-se mudar de partido político, e assim dá uma conversão política. Mudar de denominação, e assim se dá uma conversão religiosa. 

A conversão cristã é o ato pelo qual a pessoa se volta do pecado para Jesus Cristo, tanto para obter perdão dos pecados, como para se libertar deles. Isso inclui livramento da pena do pecado. A conversão está intimamente ligada ao arrependimento, porque o arrependimento enfatiza o aspecto negativo do abandono ou saída do pecado, enquanto a conversão enfatiza o aspecto positivo da volta para Cristo. O arrependimento produz tristeza pelo pecado, já a conversão produz alegria por causa do recebimento do perdão e livramento da pena do pecado. O arrependimento nos leva à cruz. Já a conversão nos leva ao túmulo vazio e ao Cristo ressurreto. 

Regeneração ou novo nascimento 


O sentido etimológico da palavra regeneração vem do vocábulo grego paliggenesia e significa novo nascimento ou nascer de novo. Refere-se a uma nova criação. Regeneração é uma mudança sobrenatural e instantânea operada pelo Espírito Santo na natureza da pessoa que recebe Jesus Cristo como Salvador. 

O apóstolo João descreve a regeneração como novo nascimento, Jo 3:3-8. Jesus fala que é como passar da morte para a vida, Jo 5:24. Já o apóstolo Paulo chama de nova criatura, 2 Co 5:17; Gálatas 6:15. Regeneração não é uma reforma no ser humano. Essa reforma pertence ao plano humano, a regeneração, ao divino. A reforma é algo ligado ao exterior; já a regeneração é a mudança interior, que vem de dentro. A reforma afeta a conduta, já a regeneração modifica o caráter, Tt 3:5. 

Justificação 


A palavra justificação vem do verbo grego dikaioo e significa declarar que uma pessoa é justa, tornar justo. Já o substantivo dikaiósis significa justificação, que é o ato da graça divina pelo qual Deus declara justa a pessoa que põe sua fé em Jesus Cristo como seu salvador. Podemos ilustrar isso com um criminoso que pode até ser perdoado pelo governo e deixa a prisão, porém leva a culpa consigo em sua consciência, mesmo já em liberdade. 

Nesse caso, ele foi perdoado, mas não justificado, visto que era culpado do crime pelo qual o levou a prisão. Mas, no caso da pessoa justificada, ela é isentada, não porque não mereça punição, e não pelo fato de já não mais carregar a lembrança de sua culpa, mas porque as exigências da lei divina foram satisfeitas. Outra pessoa tomou o lugar dele e padeceu a execução destinada a ele. A lei não tem mais o que alegar contra ele. 

Na justificação, Jesus literalmente assumiu as nossas dívidas e pagou por nós: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso senhor Jesus Cristo”, Rm 5:1; “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito”, Rm 8:1; “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz”, Colossenses 2:14. 

Adoção de Filho 


Adoção é o ato da graça de Deus que toma como filhos aqueles que aceitaram a Jesus Cristo, concedendo-lhes os direitos e privilégios de Jesus. A regeneração é uma mudança de nossa natureza. A justificação é uma mudança de nossa situação diante de Deus. A adoção é uma mudança de nossa ordem e posição de mera criatura, para Filho: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor”, Cl 1:13. Jo 1:12-13 afirma: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Todo ser humano pode fazer parte da família divina através de Jesus Cristo. É fundamental aceitá-lo como único e suficiente Salvador e Senhor de sua vida. Aqueles que já tomaram essa decisão filhos de Deus. 

Conclusão 1


O cristão é salvo através de Jesus. Uma parte desse processo é o ser humano que tem de executar e a outra a divina. Por isso, é fundamental na vida cristã que tenhamos a certeza de que o nosso lugar na nova Jerusalém está garantido através de graça divina. 

Enfatizando a Justificação pela Fé


Quando o apóstolo Pedro (Cefas, veja Jo 1:41-42) visitou Antioquia, Paulo viu que ele não praticava a mesma coisa que pregava (2:11-14). Até o fiel Barnabé (veja Atos 11:22-24) começou a praticar erro devido ao mau exemplo de Pedro (2:13). Se esses homens erraram, pessoas honestas podem errar em questões de fé hoje em dia.  Pedro errou porque temia “os da circuncisão”. O foco dele estava em homens e não em Deus. Deus revelou o evangelho e nos julgará por ele (Jo 12:47-49). Muitas pessoas praticam erro porque querem agradar seus cônjuges, pais, amigos ou pastores ao invés de focalizar Deus e sua palavra (1:10; veja Mt 10:28). 

Os judeus procuraram ser justificados por Deus devido às suas obras da lei (o Velho Testamento). Mas o evangelho de Cristo revela que homens não são justificados por obras da lei, e sim pela fé em Cristo Jesus (2:16). Enquanto Pedro tinha sido justificado pela fé em Cristo, ele voltou à prática da lei como se a sua justificação pela fé não fosse suficiente. Muitos hoje que alegam ter fé em Cristo caem no mesmo erro de Pedro observando práticas que foram contextualmente do regime da Lei. Mas voltando à lei nega a graça de Cristo, e invalida a morte dele (2:21).
 
Obras da lei podem justificar uma pessoa somente se ela guardar perfeitamente toda a lei (veja Tg 2:10). Cristo morreu porque todos são pecadores — tanto judeus como gentios. Todos têm desobedecido a lei de Deus (2:17; veja Rm 3:23). Aquele que foi justificado pela fé em Cristo tem morrido para a lei, “a fim de viver para Deus” (2:19). Morrer relativamente à lei não quer dizer viver sem lei (veja 1 Co 9:19-21). Antes, quer dizer fazer as obras de Deus (Ef 2:10) como pessoa justificada, não como pessoa que procura se justificar pelas suas próprias obras. Viver pela fé exige uma vida de sacrifícios diários, para que possamos nos entregar àquele que nos justificou (2:19-20; veja Rm 12:1-2). 

Obras da lei ou pregação da fé? (3:1-5). Os gálatas haviam sido justificados pela fé em Cristo Jesus sem saber nada sobre a lei de Moisés. Seria tolice para eles voltarem a uma lei que não justifica, uma vez que já foram justificados em Cristo (3:1). 

Os gálatas haviam recebido o Espírito Santo como a confirmação do evangelho (3:2; veja Marcos 16:15-20; 2 Co 12:12; Hb 2:4). Se Deus lhes tinha confirmado o evangelho pelo Espírito, como é que eles procuraram o aperfeiçoamento através de leis que pertencem à carne: circuncisão, restrições sobre alimentos, etc. (3:3-5)? 

Muitos, hoje em dia, ainda procuram a perfeição por meios carnais, impondo regras baseadas no Velho Testamento. Mas, a justificação vem somente pela fé em Cristo e obediência ao evangelho dele (veja Cl 2:20-23; 2 Jo 9). 

Conclusão 2


Sou salvo pela fé ou pelas obras? Esta talvez seja a mais importante pergunta em toda a Teologia Cristã. Esta pergunta motivou a Reforma: a separação entre a igreja Protestante e a igreja Católica. Nesta pergunta está a diferença crucial entre o Cristianismo Bíblico e a maioria dos cultos “Cristãos”. A salvação se dá somente pela fé ou pela fé mais as obras? Sou salvo apenas por crer em Jesus ou tenho que crer em Jesus e fazer certas coisas? 

A questão da fé somente ou fé mais as obras se faz difícil por causa de algumas passagens bíblicas de difícil correlação. Compare Rm 3:28, 5:1 e Gl 3:24 com Tg 2:24. Há quem veja uma diferença entre Paulo (a Salvação é somente pela fé) e Tiago (a Salvação é pela fé mais as obras). Na verdade, Paulo e Tiago, de maneira alguma, discordam entre si. O único ponto de discordância que alguns afirmam existir é a respeito da relação entre fé e obras. 

Paulo dogmaticamente diz que a justificação se dá somente pela fé (Ef 2:8-9) enquanto Tiago aparentemente está dizendo que a justificação é pela fé mais as obras. Este aparente problema é resolvido ao examinarmos com precisão sobre o que discorre Tiago. Tiago está negando a crença de que a pessoa possa ter fé sem produzir quaisquer boas obras (Tg 2:17-18). Tiago está enfatizando o argumento de que a fé genuína em Cristo produzirá uma vida transformada e boas obras (Tg 2:20-26). 

Tiago não está dizendo que a justificação se dá pela fé mais as obras, mas, ao invés disso, diz que a pessoa que é verdadeiramente justificada pela fé produzirá boas obras em sua vida. Se uma pessoa afirma ser crente, mas não produz boas obras em sua vida - então ela provavelmente não tem fé genuína em Cristo (2:14, 17, 20, 26). 

Paulo escreve o mesmo. O bom fruto que os crentes devem produzir em suas vidas é citado em Gl 5:22-23. Logo depois de nos dizer que somos salvos pela fé, não por obras (Ef 2:8,9), Paulo nos informa que fomos criados para as boas obras (2:10). Paulo espera tanto de uma vida transformada quanto Tiago. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5:17)! 

Tiago e Paulo não discordam em seus ensinamentos sobre a salvação. Eles abordam o mesmo assunto sob diferentes prismas. Paulo simplesmente enfatizou que a justificação vem somente pela fé enquanto Tiago enfatizou o fato de que a fé em Cristo produz boas obras. Simples assim.

ADVOGANDO PARA O DIABO

Todos nós possuímos certos mecanismos que, em psicologia, chamam-se mecanismos de defesa. Eles têm por finalidade reduzir manifestações que podem colocar em perigo a integridade do “ego” – uma instância da personalidade definida como o nosso eu mais perceptível. Quando o indivíduo não consegue lidar com determinadas situações, entra em ação estes mecanismos de defesa, processos subconscientes ou mesmo inconscientes que acabam permitindo a mente encontrar uma solução para o conflito que não pôde ser resolvido no nível da consciência. 

Esses mecanismos de defesa têm por base a angústia. Quanto mais angústia, mas fortemente atuam. Freud estudou bastante este tema e nos revelou que um dos mais importantes destes mecanismos é a “Projeção”. Trata-se da transferência de atributos pessoais de determinado indivíduo – pensamentos inaceitáveis ou indesejados, por exemplo – a outra pessoa. 

O filósofo Ludwig Feuerbach, estabeleceu paralelos entre sua teoria da religião com a idéia de projeção psicológica, e escreveu como uma de suas conclusões que, “a concepção de uma divindade antropomórfica, trata, na verdade, de uma projeção dos medos e ansiedades dos homens”. Foi dentro deste contexto que escreveu uma de suas frases mais famosas: “Deus foi criado à imagem e semelhança do homem”.

Posto isto, base mínimia para as argumentações que se seguem, quero especular sobre um fenômeno que, como cristão, tenho presenciado sistematicamente nas minhas duas décadas em processo de conversão: a atribuição ou transferência de culpa de atitudes das pessoas para a figura do “diabo”. Em nossos dias, o “diabo” é o grande culpado por boa parte dos problemas que enfrentamos e este “fenômeno”, pasmem, carrega em si até certo grau de espiritualidade, pois, afinal de contas, o sujeito está sendo “atacado por “satanás”! 

Dessa forma, o diabo na “igreja” é a criatura das mais conhecidas e reverenciadas. Não raro, é tratado com status de ator Hollywoodiano, pop star gospel, chega a dividir com Deus boa parte das citações em um sermão. Isso quando não rouba cena com suas performances quando colocam suas "mulas" possuídas em uma exposição dantesca aos urros, "mãos pra trás", caretas...

Em "defesa" do diabo


Só que, até hoje, ninguém nunca havia avaliado os supostos “estragos” que eventuais acusações e transferências causaram na “alma” do “tinhoso”. De tanto ser culpado por coisas que jamais realizou, atos que não cometeu e situações das quais não participou, o diabo começou a desenvolver certas deformidades comportamentais. No começo era apenas um leve sentimento de culpa, mas a coisa se aprofundou e começou a virar disfunção de auto-imagem. Em seguida, baixa auto-estima, depressão e, por fim, síndrome do pânico! Apavorado com a situação e, de forma recorrente sendo acusado pelos “crentes” como culpado de tudo que lhes sobrevém, o diabo resolveu, como recurso último, já num grau de desespero extremo, ir ao analista. Será que o "rabudo" irá "se curar"?

Obsessão pelo diabo

Achei engraçado um artigo que li na Internet mostrando situações do cotidiano que pode acontecer com qualquer de nós, crentes no Senhor, e que, invariavelmente, a responsabilidade sempre acaba sobrando para o inimigo:

  • Deu uma topada no pé da mesa, a culpa é do diabo.
  • Queimou o arroz, a culpa é do inimigo.
  • Bateu o carro, o diabo se colocou no caminho.
  • Martelou o dedo, o diabo é culpado.
  • Levou multa de transito, o diabo está se levantando contra mim.
  • O chefe me deu uma chamada de atenção, o inimigo está furioso querendo fechar a porta que Deus abril.
  • Levei um fora da namorada, o diabo está lutando contra minha vida sentimental.

Diante de afirmativas como essas, fiquei pensando - como começou essa obsessão que se transformou em paranoia para uma boa parcela dos crentes? Da Bíblia é que não foi, pois isso é coisa da religiosidade popular que nem sempre tem um bom embasamento na Palavra. Lembrei-me do apóstolo Paulo quando tomou um navio que foi sacudido por uma terrível tempestade, bateu nas rochas, sofreu naufrágio e quase que morreram todos. Não se ouve uma só palavra do apóstolo contra Satanás. Pelo contrário, ele havia percebido condições climáticas que desaconselhavam uma viagem de navio, e com bom senso deduziu que seria melhor permanecer onde estavam (ah, como falta bom senso em tantas decisões que tomamos, e depois a culpa sobra pra "ele"). De qualquer maneira, quando desembarcaram na ilha de Malta ele curou um homem enfermo e testemunhou do Deus vivo.

Virou moda culpar o diabo pelos desvios de caráter: preguiça, prostituição, adultério, corrupção, infidelidade, ingratidão... dizem que é coisa do demo. Opinião equivocadíssima, pois a Bíblia diz que isso é "defeito" nosso, nascemos com ele, homem carnal. Está lá no nosso "DNA espiritual". Portanto assumamos e mudemos de comportamento. Ao preguiçoso, por exemplo, Salomão manda observar as formigas: "Vai ter com a formiga, ó preguiçoso". Não há nenhum "demônio da preguiça" na pessoa - ela que é "folgada" mesmo. O próprio Jesus já ensinava: "De onde procedem a prostituição, o adultério, a malícia (Marcos :.21 )? Mais uma vez a origem do problema não vem de fora, mas de dentro: "É de dentro do coração do homem". Mau comportamento, xingamento, gritaria é coisa do diabo? Pode ser que sim, mas normalmente é ignorância mesmo, falta de educação, falta de temor a Deus.

E Paulo não manda expulsar nada, mas dá um conselho: "Longe de vós toda cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmia, e bem assim toda malícia" (Efésios 4:31). Ou seja, ele manda a pessoa tomar consciência desse comportamento inadequado, ridículo para um crente e parar com isso. E quanto aos impedimentos que há em nossa vida? Será tudo obra do "coisa-ruim"? É verdade que aos tessalonicenses Paulo diz que "Satanás lhe barrou o caminho". Muito bem, houve aí um discernimento espiritual e não uma obsessão do apóstolo. Ele próprio, no livro de Atos, diz que "...tentamos ir para Bitínia, mas o Espírito Santo nos impediu" (At 16:7). E mais: o Espírito também o impediu de pregar a palavra na Ásia (At 16.6). 

Vejam: não foi Satanás, foi o Espírito Santo de Deus! Deus também muitas vezes nos barra o caminho. Deus também coloca impedimentos. Se você não tiver um discernimento espiritual vindo do Alto não diga que é Satanás o que o Senhor está fazendo, pois você pode se ver lutando contra os céus. Imagine quantas vezes o próprio Senhor Jesus lhe impediu de continuar o seu caminho, impediu uma viagem sua, fechou-lhe uma porta, frustrou-lhe um plano... 

O jovem estudante que leva "bomba", aquele que não consegue passar no concurso tão disputado, o outro que não foi aprovado para uma determinada vaga de emprego, e o que não conseguiu passar no exame para habilitação... Obra do diabo? Não! Não! E não! Culpa dos envolvidos que não investiram em preparo, em qualificação e deixaram por conta do Espírito Santo aquilo que não é da competência dEle.

Toda enfermidade tem origem no diabo? Depende. Foram poucos os casos de cura que Jesus mencionou tal coisa. Quando Paulo escreve a Timóteo, que sofria de "freqüentes enfermidades do estômago", ele simplesmente manda tomar "um pouco de vinho" (como remédio), e ponto final. Não há nenhuma menção, nenhuma advertência, nenhuma explicação sobrenatural para a doença do jovem Timóteo. E o conselho de Paulo é simples: se cuida, e toma o remédio regularmente! Em outras palavras: para fatos e acontecimentos de origem natural, lida-se de forma natural. O Deus do sobrenatural também é o Deus do cotidiano. O Senhor do extraordinário também se manifesta no ordinário.

Com certeza evitaríamos muitos problemas e acidentes simplesmente se cuidássemos e fizéssemos aquilo que precisa ser feito. Vejam os exemplos que iniciei esse artigo:

  • Deu uma topada no dedão? Olha por onde anda, seja cuidadoso.
  • Queimou o arroz? Desliga o celular!
  • Bateu o carro? Ah, sim, o farol estava vermelho e você achou que dava tempo.
  • Levou multa no trânsito? Ah sim, entendo. Você não viu a sinalização informando o limite de velocidade, né?!
  • O chefe lhe deu bronca? Não seria por causa de sua 4ª falta no mês? Não seria por causa de seus atrasos? Não seria porque você foi flagrado usando o WhatsApp em horário de expediente?...
  • Levou fora da namorada? Será que Deus não tem coisa melhor pra você? Ore mais,vaso!

Conclusão


Normalmente procuramos uma desculpa para tentar ocultar nossos erros, e não há nada melhor que jogar a culpa em outro (Se for no diabo, melhor. Afinal ele já está mesmo condenado.). Foi dada uma prova a um grupo de seminaristas, o tempo era de 60 minutos para concluir, o tema era: Fale sobre Deus e fale sobre o diabo. Um seminarista começou a escrever sobre Deus, sua grandeza, sua obra e quando viu faltava 1 minuto para esgotar o tempo. Pegou rapidamente uma folha em branco escreveu o titulo Satanás. E logo abaixo escreveu: "Não ha tempo para Satanás". Ganhou em primeiro lugar.

Quero deixar claro: creio que o diabo existe e que, segundo Jesus e o Evangelho, ele veio para “roubar, matar e destruir”. Creio que é o “acusador dos irmãos”, que precipitou-se do céu por querer ser igual a Deus, que subverte toda a beleza da criação e conspira contra o que é bom e faz o bem aos filhos de Deus. Creio que anda ao derredor como “leão que ruge”, louco para tragar algum incauto. Agora, dizer que tudo o que ocorre no meio “gospel/evangélico”, na vida de gente que não tem temor nem de Deus, quanto mais do diabo, é coisa do capeta, aí já é demais para mim! Diante disso, meu mano, só dá para pensar o seguinte: durma o diabo com um barulho desses...

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

FEMINISMO OU VIRTUOSIDADE, EIS A QUESTÃO


Feminismo (ao lado a imagem do símbolo mundial) é um movimento político, filosófico e social que defende a igualdade de direitos entre mulheres e homens. O "embrião" do movimento feminista surgiu na Europa em meados do século XIX, como uma consequência dos ideais propostos pela Revolução Francesa, que tinha como lema a "Igualdade, Liberdade e Fraternidade". As mulheres queriam estar inseridas no turbilhão de mudanças sociais que estas revoluções traziam, principalmente para se sentirem mais cidadãs em uma sociedade historicamente regida pelo patriarquismo. Logo, Feminismo cristão é um aspecto da teologia feminista que visa o avanço e a compreensão da igualdade entre homens e mulheres moralmente, socialmente, espiritualmente e a partir de uma perspectiva cristã.

Jesus Cristo tinha um comportamento completamente revolucionário em seu relacionamento com as mulheres de sua época. Ao contrário de parcela significativa dos líderes religiosos, políticos e filosóficos influentes de seu contexto histórico, convivia com o gênero feminino de forma igualitária. São numerosas as passagens bíblicas que revelam diálogos surpreendentes entre Cristo e personagens femininas, sendo que, em determinados casos, o próprio mestre deixou-se persuadir pelos argumentos de desprezadas mulheres, mudando, até mesmo, de opinião (Marcos 7:24-30). Os quatro evangelhos narram a participação decisiva de mulheres no ministério de Jesus, destacando-se a figura de Maria Madalena, considerada por verdadeiros gigantes da teologia cristã, como Gregório de Antioquia e Pedro Abelardo, apóstola dos apóstolos. 

Ainda no início do movimento cristão, a participação feminina, até mesmo em postos de comando e influência, foi atestada pela própria Bíblia. Personagens como Lídia, Febe, Priscila, Junia, Evódia, Síntique comprovam esta tese. No entanto, com o passar do tempo e com a institucionalização do cristianismo, este absorveu boa parte do machismo predominante na sociedade como um todo. Desta forma, a influência feminina na jovem igreja cristã foi, gradativamente, relegada a segundo plano. 

Que a mulher durante muito tempo foi tratada apenas como uma subserviente à mercê da autoridade masculina é fato, entretanto, de uns tempos pra cá vemos a invasão de um conceito humanista, cuja filosofia vai frontalmente contra o que as Escrituras apresentam em relação à posição do homem e da mulher na construção da sociedade. É o que veremos neste artigo.

Feminismo gospel


No seu inicio, o movimento feminista, acompanhado pela revolução sexual, fez uma séria de atraentes promessas muito interessantes para as mulheres. Promessas que soaram tão bem que algumas mulheres abandonaram maridos e filhos e rejeitaram toda noção de casamento e família em busca de si e de uma carreira. Essas perseguições que enfatizaram a auto-suficiência e o individualismo, foram supostamente para melhorar a qualidade de vida, bem como suas relações com os homens. Agora, décadas mais tarde, as mulheres tiveram que enfrentar o fato, de que, em muitos aspectos, o feminismo ou libertação feminina, fez promessas que não pode cumprir:

1 - A mulher pode ter tudo

Foi alimentada a ilusão de que as mulheres, sendo o sexo superior, têm uma fonte inesgotável de energia física e emocional que as permite conciliar: carreira, família, amizades e outros serviços. Os defensores do feminismo declararam que as mulheres podem não só fazer o que os homens fazem, mas que devem sim fazer o que os homens fazem. Acontece, que homens não podem fazer o que mulheres fazem, por exemplo: ter filhos. Isso coloca uma dupla carga sobre as mulheres.

Deus fez mulheres diferentes de homens. As Escrituras não proíbem que mulheres exerçam atividade profissional, na verdade, a mulher virtuosa de provérbios 31 está envolvida em vários empreendimentos de tempo parcial: mercado imobiliário e fabricação. No entanto, é o excelente entendimento de seu marido, filhos , sua casa e comunidade que inspira o devido louvor. A força dada por Deus as mulheres, foi dada para trazer glória a Deus através das diferenças femininas.

2 - Homens e mulheres são fundamentalmente o mesmo

Para além de algumas diferenças biológicas, o feminismo fortemente sugeriu que machos e fêmeas são fundamentalmente o mesmo. Não é verdade. Homens e mulheres inclusive, se comportam de forma diferente no ambiente de trabalho. A verdade é que Deus criou diferenças significativas entre machos e fêmeas. Podemos ver evidências disso, no fato de que a Bíblia dá comandos diferentes para maridos e esposas, que estão enraizados nas diferentes necessidades. Deus nomeou divinamente papéis de homens e mulheres.

3 - A oportunidade é reforçada pela realização

A terceira mentira do feminismo é que quanto mais uma mulher consegue, mais atraente e desejável ela se torna para os homens. O feminismo declarou que conseguir algo, deixar uma marca no mundo, era a única medida de sucesso que mereceria o respeito dos outros. As mulheres que acreditavam nesse mito, se viram competindo desesperadamente com os homens. A concorrência se tornou adequada para o mundo profissional dos negócios, mas é um desastre nos relacionamentos.

As mulheres têm sido decepcionadas ao descobrir que suas conquistas não resultam em grandes relacionamentos com homens, mas que elas são terrivelmente prejudicadas pela competição profissional dentro do relacionamento. Não é raro encontrar mulheres bem sucedidas no trabalho, porém frustradas no amor, como se sua ascensão lhe garantisse estabilidade financeira, mas se tornado um fardo na área sentimental.

Sim, algumas mulheres têm deixado sua marca no mundo: Débora do livro de Juízes, Margaret Thatcher e outras, mas a conquista, não deve ser causa de separação e disputas, mas de amar e apoiar aqueles que nos rodeiam, tocando os corações. As conquistas, devem estar fundamentadas no amor.

4 - Mulheres têm um potencial não explorado

Ser médio não adianta, você tem que ser grande. Ficamos em apuros quando operamos sob um conjunto de crenças que não coincidem com a realidade. Consequentemente, muitas mulheres estão operando sob perspectivas irreais de si mesmas. Isso nos leva a um segundo problema: muitas mulheres se sentem fracassadas por não realizar esse modelo de grandeza.Em vez de aproveitarem a vida fazendo o que podem fazer, elas chorarão o que não são. Romanos 12:3 nos diz: não pense de si mesmo mais altamente do que deveriam". Ao invés de nos preocuparmos com o "potencial não realizado", devemos ser fiel e obedecer a Deus nas coisas que Ele nos deu para fazer, confiando Nele para os resultados finais. Não temamos ser normais como se houvesse algum estigma.

A Bíblia diz que Deus se agrada em usar pessoas comuns, porque é assim que Ele recebe a maior glória ,  1 Coríntios 1:26-31. É uma honra ser uma pessoa comum nas mãos de um Deus extraordinário!

5 - Homens e mulheres são sexualmente iguais

Essa mentira vem da mesma fonte que nos trouxe as mentiras da revolução sexual. A verdade é que mulheres não podem separar sexo de amor tão facilmente quanto os homens podem. Para mulheres, o sexo precisa ser uma expressão de amor e compromisso. sem essas qualidades, sexo é humilhante, nada mais que hormônios enlouquecendo. Cada vez que uma mulher dá o corpo a um homem, ela dá parte de seu coração também. "Liberdade" sexual trouxe novos graus de sofrimento para milhões de mulheres. A mentira da igualdade sexual, produziu promiscuidade generalizada e doença epidêmica. Não é de se admirar que tantas mulheres estejam lutando com a auto-estima.

Os mandamentos de Deus para o sexo é que homens e mulheres são diferentes, e não deve ser de outra maneira. Ele nos diz para exercer o autocontrole antes do casamento, guardar toda expressão sexual para o relacionamento conjugal , e em seguida, manter o leito conjugal puro, sem mácula. Quando seguimos essas diretrizes, descobrimos que o plano de Deus é fornecer proteção às mulheres, proporcionando: segurança no relacionamento, saúde sexual e um ambiente familiar estável. Esse alto padrão também protege os homens, fornecendo um canal seguro para as suas energias sexuais. Homens e mulheres fiéis no casamento, são mantidos a salvo de doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada fora do casamento (parceiras amantes e filhos frutos de infidelidade) e também culpa por pecados de sexualidade.

6 - A negação da maternidade

Muitas mulheres começaram a adiar casamento e maternidade para buscar objetivos de carreira. esta perspectiva nega a realidade do sistema reprodutivo de uma mulher e as limitações do tempo. A mulher entre os 20 e 30 anos é mais fértil que aos 40. Além disso, tem um custo físico, a ciência tem confirmado que mulheres mais velhas são mais propensas a ter problemas para engravidar. O risco de conceber filhos com síndrome de Down é consideravelmente maior em mães mais velhas.

Há também uma dimensão espiritual em negar a maternidade. 1 Timóteo 2:15 é um versículo intrigante: "Mas as mulheres serão salvas através da procriação". A tradução correta seria: "As mulheres vão ser mantidos em segurança por meio do parto". Quando as mulheres mantém suas prioridades na família, são mantidas em segurança. Não é raro encontrar mulheres solteiras já de uma certa idade e que optaram pela carreira profissional, viverem dilemas de ceder ou não as tentações de uma vida de solteira. O problema, portanto, não é ter uma carreira, mas desequilibrar as prioridades sob um ponto de vista Bíblico.

7 - Ser feminina é ser fraca

Na tentativa de borrar distinções de gênero, as feministas declararam guerra ao conceito de gênero. As qualidades que marcam mulheres como femininas: suavidade, doçura, bondade, capacidade de relacionar-se entre outras, foram julgadas como bobo, estúpido e fraco. Ter características masculinas de agressividade e competitividade, foram consideradas valiosas.

Mas quando mulheres tentam assumir qualidades masculinas, o resultado final é uma distorção que não é nem feminino, nem masculino. Não há realmente um estereótipo de que "as mulheres são todas assim" e isso deve ser demolido. Um monte de homens são ameaçados por mulheres fortes, de opiniões e agendas próprias. Mas a verdade é que as características tradicionalmente masculinas se tornaram atraentes para o feminismo.

A harmonia e o poder dos sexos, está nas diferenças. Aprouve ao Senhor, criar a mulher para completar o homem, não para competir com ele, ou ser uma cópia dele. 1 Co 11:7 diz que o homem é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem. Feminilidade não é fraqueza, é coroa gloriosa magnifica sobre a humanidade.

8 - Fazer é melhor que ser

Em seu livro 'Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus', John Gray apontou que os homens encontram sentido na auto realização e que as mulheres, recebem sentido através da auto realização dos relacionamentos. O feminismo, por sua vez declarou que a única coisa que realmente importa é o que você faz. Quem você é não é importante para as pessoas.

Essa mentira diz que mulheres devem ser sempre ativas, ser passiva não serve. E comportamentos tradicionais de humildade como: ouvir sempre o outro, receber o outro de coração e mente abertos, foram denunciados. A maioria das mulheres fazem isso naturalmente, mas muitas passaram a se sentir desconfortáveis nesse papel. Em vez disso, passaram a trabalhar freneticamente valorizando a agressão, assertividade e poder loucamente suprimindo seus instintos no amor e relacionamentos.

O plano de Deus é que devemos viver uma vida equilibrada: as vezes passiva, outras ativa, algumas vezes indagando, outras respondendo, em todos os momentos nos submetendo ao senhorio de Cristo.

9 - O mito da auto-suficiência

Lembre-se do famoso slogan feminista que apareceu no mundo inteiro, desde adesivos e camisetas, até cadernos e blocos de notas? "Uma mulher sem um homem é como um peixe sem bicicleta". A mensagem era clara: "mulheres não precisam de homens, eles são inferiores". O próximo passo para "as mulheres não precisam de homens", seria, lógico: as mulheres não precisam de ninguém. Elas podem cuidar de si mesmas. A música de Helen Reddy "I Am Woman" tornou-se música tema do feminismo, com o refrão memorável: '...se eu precisar de alguém, não posso fazer nada, eu sou forte, sou invencível, sou mulher'.

Claro que se as mulheres não precisam de ninguém além de si mesmas, certamente não precisam de Deus. Particularmente um Deus masculino, patriarcal, que faz regras que elas não gostam e que insiste em dizer que só Ele é Deus. E como a capacidade de adorar está arraigada em nós, o pensamento feminista deu origem ao culto à deusa. A deusa era apenas uma imagem feminina que se podia tocar. Na realidade, adorar a deusa, era como adorar a si mesma.

A mentira da auto-suficiência é a mesma que Satanás apregoou no jardim do éden, enganando Eva e Adão: 'Você precisa de Deus para que, se você pode conhecer o bem e o mal?' Entristecemos o coração do senhor quando acreditamos nessa mentira. Jeremias 2:13 diz: "O meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram o manancial de águas vivas e cavaram cisternas, cisternas rotas que não detém as águas". Deus não criou a auto-suficiência. ele não nos fez para agradarmos apenas a nós mesmos.

10 - Mulheres, aproveitem a feminilização dos homens!

As feministas acreditavam que a única maneira de alcançar a igualdade dos sexos era acabar com as distinções de papéis. Então, a sociedade tinha que acabar com as distinções de gênero. Mulheres abraçaram valores masculinos e homens foram encorajados a adotar características femininas. Isso resolveria o problema, mas não foi o que aconteceu. O problema é que mulheres não querem "homens moles", mas fortes, firmes e corajosos, querem um homem viril. Há uma grande razão pelo qual livros e filmes com heróis masculinos fortes, continuam a apelar para um público tão grande. Os desígnios de Deus para liderança masculina, são: proteção e força.

Conclusão


A leitura das origens e desenvolvimentos do movimento feminista, tanto o secular quanto o cristão, deixa claro que a ordenação de mulheres ao ministério é apenas um item da agenda muito mais ampla dos feministas radicais dentro da igreja cristã.

É claro que nem todos os que defendem a ordenação de mulheres concordam com tudo que se contém na agenda do movimento feminista cristão. É preciso deixar isto muito claro. Há casos de líderes preciosos que são a favor da ordenação de mulheres ao pastorado mas que repudiam as demais teses do movimento feminista radical. O que estou descrevendo aqui principalmente é a postura dos radicais dentro do feminismo evangélico.

O movimento de libertação das mulheres, é uma atitude de raiva e insubmissão que é alimentado pelas mentiras do engano. É bom saber o que são mentiras, e o que a Palavra de Deus diz para combatermos a mentira com o poder de Sua verdade.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ENTENDENDO A ORAÇÃO - PARTE 2

Nesta sessão falarei sobre os vários tipos de oração. Como já vimos na primeira parte, oração é um diálogo precedido de uma atitude. Portanto, há que se ter critérios para que a nossa oração não se transforme em uma confusão desconexa, uma réplica da torre de babel. Todo diálogo deve ser bem construído para que emissor e interlocutor consigam se entender. 

Diálogo: em grego antigo: διάλογος (diálogos), substantivo masculino. "O diálogo é uma busca em comum, por comunicações contraditórias, de uma proposição julgada verdadeira ou de uma solução considerada justa por dois interlocutores que aceitam critérios compatíveis de verdade e justiça." — François Perroux - 1. fala em que há a interação entre dois ou mais indivíduos; colóquio, conversa. 2. contato e discussão entre duas partes (p.ex., em busca de um acordo); troca de ideias.

Pois bem, em nosso diálogo com Deus não é diferente. Assim como existiam vários tipos diferentes de sacrifícios diferentes que os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam a Deus (cf. Levíticos 2, 3, 4, 5 e 6) também a oração - que em Apocalipse é uma espécie de ingrediente em um incenso especial, veja: "E veio outro anjo, e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono. E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus." — Apocalipse 8:3,4 - também a oração precisa ser entendida em como ser apresentada a Deus pelos diferentes tipos e formas que veremos abaixo:

Tipos de oração


  • Oração de Ação de Graças - João 11:42; Salmos 35:18; 50:23; 69:30; Jeremias 33:11; 2 Coríntios 4:15; Efésios 5:4, 20; Filipenses 4:6 — Atitudes ou atos de gratidão não são simplesmente fato de agradecer ou dizer obrigado, mas a expressão de um coração agradecido.
  • Oração de Louvor - Salmos 18:19, 75; 81; 84; Mateus 6:13c — Significa elogio. Portanto, aplicando isto a Deus é justamente elogiá-lO por tudo quanto Ele faz (me deu a vida, me dá a paz, me livra do mal, me sustenta, me abençoa, me ama, me perdoa...) e, principalmente, por tudo o que Ele é (Poderoso, Santo, Tremendo, Perfeito, Gracioso, Misericordioso, Maravilhoso, Rei, Senhor, Pai, Criador, Magnífico, Vitorioso, Invencível, Eterno, Imutável...)
  • Oração de adoração - 1 Crônicas 29:10-12; Neemias 9:5, 6 — O homem foi criado para adorar ao Criador (Ef 1:5-12), e nunca estará completo se não for nesta posição. E neste tipo de oração estão envolvidas quatro atitudes em relação a Deus: 1) quebrantamento - atitude de entrega, 2) humildade - atitude servidão, 3) amor - atitude de sinceridade e 4) dádiva - atitude de exaltação. 
  • Oração de petição - É o tipo de oração mais usado, o mais comum; arriscamos dizer até que na maioria das vezes não fazemos outro tipo de oração. Mas o Senhor Jesus a ensinou (Mt 7:7; Jo 14:13, 14; 16:23, 24) e seus apóstolos também (Fp 4:6; Tiago 4:2, 4; 1 Pedro 5:6, 7). Com certeza temos que respaldar os nossos pedidos na legislação do Reino de Deus: a Bíblia. É bom que tenhamos uma promessa na Palavra para cada pedido que fizermos. Antes de pedir, defina e identifique a necessidade, certifique-se de que ela é real e de que a Palavra de Deus lhe dá a garantia quanto à tal necessidade. Destaquemos duas atitudes necessárias ao orar, pedindo algo: 1ª. Fé - Mt 21:22, Mc 11:23, 24; Hb 4:16 e, 2ª. Persistência - Lc 18:1-7.
  • Oração de Dedicação - Gênesis 22:1-18; Mt 26:39 — É o tipo de oração que expressa renúncia, quando estamos em conflito em relação à vontade de Deus voluntariamente nos consagramos e começamos a orar "se for da tua vontade" e mais adiante estamos orando "seja feita a tua vontade" damos mais um passo e oramos "seja feita a tua vontade e não a minha" e mais um pouco estamos orando "Senhor, eu só quero fazer a tua vontade" e, no ápice, chegamos a dizer: "Pai, eu consagro a ti o meu livre-arbítrio (ou seja, o meu direito de não ter direito algum a não ser o de fazer a tua vontade)".
  • Oração de Entrega - Quando os ataques do mundo coincidem com os da carne, resultando angústia, frustração e desânimo, gerando um conflito entre o homem interior e o homem exterior, e a preocupação parece não ter fim, é a hora de entregar tudo ao Senhor, tomar os fardos e colocá-los ao pé da cruz e descansar nEle  — Sl 37:5; Lc 23:46; Fp 4:6, 7; 1 Pe 5:6, 7.
  • Oração de Intercessão - Jo 17:9 — É tomar o lugar de alguém numa necessidade ou problema, pleiteando a sua causa como se fosse própria. Esta é uma arma muito eficaz na batalha espiritual. Quando alguém está desanimado e até pensando em desistir de seguir a Jesus, levanta-se o intercessor (Jeremias 1:12). A intercessão muda as circunstâncias (Gn 18:22, 23). Ela faz parte do viver diário dos santos (Ef 6:18).

Conclusão


Podemos citar outros tipos de oração como de consagração, de renúncia, de libertação, de guerra etc. Precisamos fazer a oração específica para o momento oportuno porque "orarei com o espírito mas também com o entendimento" (1 Co 14:15). Além dos diversos tipos de oração precisamos saber que existem também formas diferentes de orar. Na próxima sessão citaremos as três mais importantes. Até lá.