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domingo, 8 de fevereiro de 2026

TODO "AUÊ" SERÁ CASTIGADO?

'...Desculpe o auê, eu não queria magoar você...' (trecho da música 'Desculpe o Auê', da autoria de Rita Lee [✰1947/✞2023] e Roberto de Carvalho — faixa do álbum "Bombom", 1983, Som Livre).
Creio que muitos estão acompanhando a polêmica em torno da canção intitulada "Auê (A Fé Ganhou)", de Marco Telles & Coletivo Candiero. 

Para não ter visto o auê que essa tal música — que, sim, melodicamente a musiquinha é até interessante, de ritmo envolvente, do tipo que a galera mais, digamos, progressista gosta — só estando não apenas navegando, mas habitando, submerso no oceano do Espírito.

Então, o quiproquó gerado por essa música — com o envolvimento de personalidades do mainstream gospel, como o pragmático Marco Feliciano, dentre outros —, me fez lembrar da fala do apóstolo Paulo, registrada em sua carta aos filipenses. Ele foi, como sempre, direto e duro:
"Cuidado com os cães" (3:2).

Jesus: Use-o sem moderação!


Nem todo líder espiritual leva você para Jesus! Alguns usam o nome de Jesus, falam de Jesus, vestem Jesus, postam Jesus… mas não conduzem a Cristo.

Usam Jesus como ferramenta para manipular, controlar e angariar seguidores.

Isso não acontece só dentro da igreja. Acontece na política, nas redes, nos palcos motivacionais. Jesus virou slogan, amuleto, coach motivacional, argumento de autoridade.

É citado para legitimar discursos, justificar projetos pessoais e blindar ambições. O nome é santo, mas a intenção é humana. E quando isso acontece, pessoas são feridas em nome de Deus.

Ficar atento é questão de sobrevivência espiritual. Entenda de uma vez por todas: 
nem toda voz que cita Jesus serve a Jesus. 
E o mais interessante, é que desde a era apostólica isso acontecia, comprove:
"É verdade que alguns pregam Cristo por inveja e rivalidade, mas outros o fazem de boa vontade. 
Estes o fazem por amor, sabendo que aqui me encontro para a defesa do evangelho. 
Aqueles pregam Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando que podem aumentar a minha aflição na prisão. 
Mas que importa? O importante é que, de qualquer forma, seja por motivos falsos, seja por motivos verdadeiros, Cristo está sendo pregado, e por isso me alegro. De fato, continuarei a alegrar‑me" (Filipenses 1:15-18 — NVI, grifos acrescentados).
Observe o fruto, não o discurso. Onde há culto à personalidade, promessas de salvação humana, messias políticos ou ideológicos, ódio ao “outro lado”, medo constante, culpa crônica, dependência emocional e devoção incondicional, Cristo não está no centro.
O evangelho nunca sequestra a consciência. Ele a desperta. Jesus não manipula, não oprime, não constrange pela culpa, não governa pelo medo, não divide pessoas em inimigos, não inflama o ódio, não infla o ego de ninguém.

Ele não usa feridas para controlar, nem a fé para enriquecer, nem o sagrado para dominar. Jesus não constrói impérios pessoais.
Ele forma discípulos livres e conscientes não só dos direitos — espirituais, constituídos a eles na Cruz do Calvário, como os sociais, garantidos pela Constituição —, como, na mesma proporção, dos seus deveres e responsabilidades.

Por isso, cuidado quando Jesus vira isca. Quando Ele é usado para atrair, mas não para transformar. 

Quando é citado, mas não seguido. Quando serve a projetos humanos, e não ao Reino. Jesus não é ferramenta de controle nem escudo para abusos.
Se não conduz à cruz, não vem de Cristo. Se não tem VERDADE COM AMOR, não é Jesus! 
Se não gera arrependimento com graça, não é evangelho. 
Se não produz liberdade, restauração e vida, pode ter o nome de Jesus, mas não tem o coração dEle.
E Paulo continua ecoando para nós hoje, com a mesma urgência: cuidado.

Isto posto, vamos então, especificamente, à música da discórdia.

"Auê (A Fé Ganhou)"

Marco Telles & Coletivo Candiero feat. Ana Heloysa e Filipe da Guia

Pode entrar, eu ouvi
Alagou o olhar
Quando o lustre tá no chão
Onde os meus estão?
Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Auê (auê-auê, auê-ah, auê-auê)
(Auê-ah, auê-auê, auê-ah, auê-auê)

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar e diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu 
Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu (mas o céu coloriu)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu (que te abriu) as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora (e agora), e agora (e agora)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê (emolêbamemoê-ê-ê)
Dança na ciranda da fé (emolêbamemoê-ê-ê)
Que te abriu, abriu as portas (abriu as portas)
Auê, solta tua criança até
Explodir em (explodir) glória (emalêbamemoê-ê-ê

Um "auê" ou um "aleluia"?

Antes de fazer qualquer consideração sobre essa polêmica, que, na minha opinião, já está ultrapassando a linha limítrofe entre o exagero e a hipocrisia, fiz questão absoluta de ouvir todo o álbum "O Grande Banquete", para basear minha opinião não em achismos, recortes ou réplicas das opiniões alheias. Ser "papagaio de pirata", graças a Deus, não é o meu forte.
Penso que a problemática da tal canção 'Auê...' não está na estética musical ou na brasilidade cultural expressada no projeto. Vejo uma outra questão bem séria e já irei abordá-la.

Particularmente achei a estética linda: a disposição do público em volta do palco num formato arquibancada, com muita alegria, vigor e sinceridade nas expressões de louvor. O povo cantou como quem ama forte.

Os músicos em sinergia com toda expressividade do ambiente. E a musicalidade é linda! Não temos dificuldade com a brasilidade.

Está tão belo, com tantos temperos e camadas que dá dó ver que, terem colocado provocações, obviamente sabendo que a igreja iria polemizar (não acredito que os responsáveis pela produção dessa canção ignorassem — fazendo um trocadilho contextual — o auê que ela causaria), fez-se pouco notado tantos outros valores que o grupo carrega.

E para mim, o problema está aí. A igreja não tem dificuldade com brasilidade. 

Acho que a galera da MPB tem mais resistência com a tendência sonora e estética britânica na cena musical dos louvores das igrejas do que a própria turma do — penso eu, também assaz questionável — "worship".

Não vejo o pessoal do worship afetado pela brasilidade dos irmãos que louvam com forró.

Como ia dizendo, o problema está, ao meu ver, do Coletivo Candiero escolher o caminho da provocação, que, sabidamente daria discórdia e sentimentos facciosos e levaria irmãos a pecar utilizando réguas de julgamentos e ignorância que já estamos vendo na repercussão da polêmica canção 'Auê...'.

Só acho que poderia ser diferente. Marco Telles acertou em cheio na embalagem e conteúdo de "Colossenses e Suas Linhas de Amor" em parceria com FHOP.

Comunicou boa teologia, musicalidade original e congregacional (ao mesmo tempo), estética regionalista, sotaque brazuca com centralidade de Cristo.

Todos olharam para a essência, Cristo, e se deliciaram com a musicalidade e temperos compartilhados pelo Marco.

A análise da letra me levou a algumas perguntas:
  • Com quem eu aprendo a cair?
  • Quem estende a mão para me levantar da queda?
  • Quem é o Zé que entrou e todo mundo viu?
  • Onde o Zé entrou e como entrou?
  • E por que todo mundo riu?
  • Quem é a Maria que sambou e sua saia balançou?
  • Qual a cor que ela mostrou e ninguém se incomodou?
  • Que porta foi aberta pela ciranda da fé?
  • O que é a ciranda da fé?
  • Que criança deve ser solta até explodir em glória?
Quando uma canção que se pretende ser cristã levanta tantas perguntas, alguma coisa está errada.

Não existe nenhuma alusão a Deus, a Jesus ou ao Espírito Santo, nem mesmo indireta. Não existe nenhum elogio ao caráter e à natureza de Deus. 

Não existe absolutamente nada relacionado às obras do Deus Triúno da Bíblia. 

Portanto, a primeira conclusão a que podemos chegar é que não se trata de uma canção de louvor a Deus.

Pelo vocabulário do poeta, me pareceu mais uma canção de entretenimento que revela um sincretismo religioso bastante claro, particularmente ressaltando conceitos dos cultos de matriz africana praticados no Brasil.

Baseado no meu conhecimento bíblico e teológico, além da minha experiência pastoral de décadas, afirmo que esta canção não é absolutamente recomendável num culto cristão.

A música tem causado um auê tremendo!


Mas agora virou um problema, lacração ideológica, sutil tendência esquerdista, segregação, oposição e distanciamento de quem o grupo precisa trazer para perto.

Cristo saiu do centro e a cultura (não me refiro a brasilidade) da lacração a preço da divisão entre irmãos recebeu maior destaque.

Quem produziu sabe no que daria.

Acredito que o alvo foi alcançado, só não sei dizer se Cristo foi glorificado (se é pelos frutos que conhecemos a árvore, acredito poder afirmar que não).

Estourando bolhas


Não quero dar uma de profeta do caos, contudo, esse episódio da música, não deve ser encarado como um fato isolado ou que não mereça a devida atenção, pois sinaliza algo maior. 

Mas precisamos ser honestos. Estamos vivendo um dos momentos mais difíceis da história recente da igreja evangélica brasileira.

Há uma barragem prestes a estourar. E não é surpresa. São anos de má teologia acumulada. 

Um evangelho reduzido, raso, diluído, misturado com legalismo, ideologias e interesses que nunca deveriam ter ocupado o centro.

Uma teologia fast food que é tão saudável quanto uma dieta rica em macarrão instantâneo com molho de salsichas.

O resultado é devastador. E os sinais estão por toda parte.

Qualquer fala vira munição. Tudo é arrancado do contexto, lido por lentes ideológicas e não bíblicas. Igrejas são julgadas superficialmente.

Vídeos são postados com acusações sem qualquer compromisso com a verdade.

O importante é alarmar, lacrar, monetizar, ganhar engajamento, atrair quadrilhões de seguidores, preferencialmente ignorantes úteis, não precisa nem ter neurônios, basta ter agilidade motora na hora dos likes.

Pastores viram inimigos. Todo mundo vira especialista. Rápidos para falar, postar e condenar. Lentíssimos para ouvir, compreender e discernir.

Em vez de buscar reconciliação, praticar a comunicação direta e lidar biblicamente com conflitos, muitos preferem a exposição pública. 

Não para restaurar, mas para parecerem melhores que os outros. Velho farisaísmo com estética digital.

O mais preocupante é que boa parte da massa cristã perdeu a capacidade de pensar biblicamente. Falta critério. Falta filtro. Falta maturidade espiritual para analisar o que está acontecendo à luz das Escrituras, e não dos algoritmos.

Pior do que um país dividido é uma igreja dividida.

O que fazer diante desse cenário?

  • 1. Encontre uma igreja local saudável e viva a fé nela — A vida cristã não foi desenhada para ser vivida no Instagram. É local, comunitária, encarnada. É pertencer, servir, amar, se importar, congregar.
  • 2. Busque profundidade real na sua relação com Cristo  — por meio da Palavra (Colossenses 2:6,7). Saia da superficialidade. Menos influencers. Mais Bíblia.
  • 3. Resgate uma vida de oração   Como disse Spurgeon (✰1934/✞1892), viver sem oração é viver sem Cristo.

Conclusão


Talvez esse momento esteja expondo o que realmente somos. Não para nos destruir, mas para nos confrontar. 

O caminho não será mais barulho, nem mais eventos. 

Será arrependimento, maturidade e retorno ao essencial:
  • Cristo no centro.
  • A Palavra como filtro.
  • A igreja local como lugar de formação.
  • Menos reação.
  • Mais ação.
  • Mais testemunhos (ou seja, vivência do Evangelho puro e simples).
  • Menos discursos.
  • Mais discernimento.
  • Menos palco. 
  • Mais cruz.
Tudo é lícito... Mas nem tudo é conveniente.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

ESPECIAL — O SACERDÓCIO, À LUZ DA BÍBLIA

"Sucedeu, pois, que no dia seguinte Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que a vara de Arão, pela casa de Levi, florescia; porque produzira flores, e brotara renovos, e dera amêndoas" (Números 17:8).
Dentre os princípios fundamentais defendidos pelos reformadores do século XVI, está o "Sacerdócio Universal dos Fiéis" ou "Sacerdócio de Todos os Crentes".

Os outros princípios, dos quais este decorre, são as Escrituras como norma suprema de fé e vida e a salvação pela graça mediante a fé, alicerçada na obra redentora de Jesus Cristo.
A doutrina do sacerdócio universal dos crentes afirma que todos os crentes em Cristo compartilham de seu status sacerdotal; portanto, não há uma classe especial de pessoas que mediam o conhecimento, a presença e o perdão de Cristo para o restante dos crentes, e todos os crentes têm o direito e a autoridade para ler, interpretar e aplicar os ensinamentos das Escrituras.
Mas o fato é que muitos falam sobre o ministério sacerdotal sem, de fato, ter a noção bíblica/teológica do seu significado, que sobre o que iremos abordar no texto deste especial.

O Sacerdócio na Antiga Aliança


Embora o Velho Testamento apresente claramente a noção de um ofício sacerdotal exercido por elementos da tribo de Levi em benefício do povo de Israel, existem passagens que antecipam um entendimento mais amplo dessa função.
"Se diligentemente ouvirdes a minha voz, e guardardes a minha aliança, então sereis a minha propriedade particular dentre todos os povos… vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:5,6).
Outro texto relevante é Isaías 61:6:
"Vós sereis chamados sacerdotes do Senhor, e vos chamarão ministros de nosso Deus".
No Antigo Testamento, os sacerdotes tinham a responsabilidade de servir como intermediários entre Deus e o povo, oferecendo sacrifícios pelos pecados do povo para que pudessem ser reconciliados com Deus.

Esses sacrifícios eram contínuos, pois, como Hebreus 8 nos ensina, todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados.

O sacerdócio do Antigo Testamento era vital para manter a relação do povo de Israel com Deus.

No entanto, ele era limitado, pois os sacerdotes também eram pecadores e precisavam oferecer sacrifícios por si mesmos.

Além disso, os sacrifícios eram temporários e precisavam ser repetidos constantemente.

Não são palavras, mas procedimento.
"Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza" (1 Timóteo 4:12).
O renovo é a busca constante do Senhor em oração e crescimento na comunhão.

Sem isso, o sacerdote ficará enfraquecido (Salmo 51:17).

Se um sacerdócio não está produzindo frutos, fez-se necessário uma reflexão urgente de quem está ocupando o ofício sagrado.
"Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos" João 15:8 

A vara de Arão — Um sacerdócio aprovado por Deus!

O sacerdócio de Arão, instituído por Deus no Antigo Testamento, estabeleceu a linhagem dos primeiros sumo sacerdotes de Israel, sendo fundamental para a mediação entre Deus e o povo.

Arão foi o primeiro a oficiar o sistema sacrificial, garantindo a santidade no Tabernáculo, a expiação dos pecados e apontando para a intercessão de Jesus Cristo.

O sacerdócio aarônico foi fundamental para estruturar o culto, a obediência e o perdão no Antigo Testamento, estabelecendo a necessidade de intercessão no relacionamento entre a divindade e os israelitas.

Há detalhes que distinguem o sacerdócio aarônico que merecem ser destacados:
  • Arão não escolheu o sacerdócio —mas foi escolhido por Deus;

  • Arão não pediu para ser o porta-voz de Moisés — Deus o ordenou a assistir Moisés;

  • Arão não pediu a confirmação de sua vocação — Deus ordenou que Moisés tivesse essa iniciativa.

  • Resultado: Onze varas permaneceram secas — a de Arão floresceu. Floresceu — ficou diferenciada na aparência; brotou renovos — ficou mais fortificada do que antes; produziu amêndoas - deu frutos, "não ocupou a terra inutilmente".

  • Um ministério aprovado é produtivo — Tudo ao redor pode estar estagnado, parado; mas o servo fiel colherá grandes safras.
O florescimento é o bom testemunho social, familiar e espiritual.

O sacerdócio na Nova Aliança


No Antigo Testamento, como vimos, o sacerdócio era restrito a uma família específica, a de Aarão [Arão], da tribo de Levi, mas com a vinda de Cristo, o sacerdócio foi transformado radicalmente.
No Novo Testamento, todos nós, em Cristo, somos chamados a participar do sacerdócio real, com novas responsabilidades e privilégios (1 Pedro 2:9,10).
Isso significa que os cristãos não dependem dos sacerdotes dentro da igreja para interpretar as Escrituras ou para receber a bênção do perdão de Deus; todos os cristãos são igualmente sacerdotes por meio de Cristo e estão em pé de igualdade diante da cruz.

Embora houvesse um grupo seleto de sacerdotes no Antigo Testamento, que mediavam o conhecimento, a presença e o perdão de Deus para o restante de Israel, Cristo veio e cumpriu o papel sacerdotal por meio de sua vida, morte e ressurreição.

Portanto, Cristo foi o mediador sacerdotal final entre Deus e seu povo, e os cristãos compartilham desse papel por meio dEle.

Jesus, nosso "Sumo Sacerdote", ofereceu-se a si mesmo como sacrifício uma vez por todas, para nos redimir de nossos pecados (Hebreus 4:14-16).

Ao contrário dos sacerdotes do Antigo Testamento, que precisavam oferecer sacrifícios repetidamente, Jesus, com um único sacrifício, cumpriu completamente a obra da redenção.

Agora, os crentes participam do sacerdócio de Cristo. Isso significa que cada cristão, sem exceção, é chamado a ser um sacerdote, oferecendo suas vidas como "sacrifício vivo, santo e agradável a Deus".

Esta é uma mudança radical que democratiza o sacerdócio e nos convida a todos a participar da obra redentora de Cristo.

Como participantes do sacerdócio de Cristo, a Igreja carrega uma grande responsabilidade. Hebreus 7 nos lembra que Cristo vive para interceder por nós. 

Da mesma forma, nós, como sacerdotes no Novo Testamento, somos chamados a interceder uns pelos outros e por aqueles que ainda não conhecem a Deus. 

A intercessão é um aspecto crucial do nosso sacerdócio, refletindo o coração de Cristo que continuamente clama ao Pai em favor de Seu povo.

Além da intercessão, somos chamados a ser um povo que oferece "sacrifícios espirituais agradáveis a Deus" diz Pedro. Isso inclui não apenas a oração e o louvor, mas também o serviço abnegado aos outros, o testemunho fiel do Evangelho, e a vivência de uma vida santa e consagrada a Deus.

A Igreja, como corpo de Cristo, é a extensão do Seu sacerdócio no mundo. Nossa função é dupla: interceder pelos pecadores e levar o Evangelho de salvação a todas as nações. Este é o nosso papel sacerdotal — ser aqueles que, em Cristo, trazem reconciliação entre Deus e os homens.

Além disso, como sacerdotes, somos chamados a ter os mesmos sentimentos e responsabilidades de Cristo para com Seu povo e aqueles que ainda não O conhecem.

Cristo, pelo Seu sacrifício, resgatou a humanidade dos seus pecados e continua a viver para interceder por ela.
🚨Isso não significa que devemos abolir as autoridades pastorais ou ministeriais. 
Embora essas autoridades façam parte da maneira pela qual Deus abençoa sua igreja com instrução na sã doutrina, aqueles que detêm autoridade eclesiástica precisam do restante do corpo da igreja tanto quanto eles.🚨
Da mesma forma, somos chamados a nos identificar com as dores, necessidades e esperanças das pessoas ao nosso redor, apresentando-as a Deus em oração e serviço.

Jesus, Sacerdote real

A Bíblia diz que Jesus é o nosso Sumo Sacerdote. Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito e eterno.

Seu sacerdócio não tem origem na ordem levítica, mas pertence a uma ordem superior.

O escritor de Hebreus, por exemplo, aborda diretamente esse tema e destaca a superioridade do sacerdócio de Cristo em sua epístola.

Cristo é superior a Arão e à ordem levítica! O escritor de Hebreus afirma claramente essa condição em sua epístola.

Esse tema está presente na maior parte do conteúdo da Carta aos Hebreus.

A partir de Hb 4:14, o autor neotestamentário começa a fazer sua exposição sobre o sacerdócio de Cristo.

Antes, ele já havia mostrado a superioridade do Senhor em relação a Moisés e Josué.

Moisés é o servo fiel, mas Cristo é o Filho fiel. Josué conduziu o povo à conquista de um repouso terreno e temporário, mas Cristo conduz seu povo a um repouso celestial e definitivo (Hb 3-4).

Então no final do capítulo 4, o escritor bíblico indica pela primeira vez em sua carta o sacerdócio de Cristo (14-16).

Como mensageiro de Deus, Cristo é superior a Moisés e a Josué, e como Sumo Sacerdote, Ele é superior a Arão e à ordem levítica (Hb 4:14; 5:10).

Como ele era contemporâneo de Abraão, obviamente ele não pertencia a sua linhagem, portanto, ele não fazia parte do povo judeu.

Mesmo assim, a Bíblia diz que ele era sacerdote de El Elyon, isto é, do Deus Altíssimo, e seu sacerdócio era tão legitimo que o próprio Abraão pagou dizimo a ele e foi abençoado por ele (Gênesis 14).

Para tanto, ele recorre à figura veterotestamentária de Melquisedeque.

Dessa forma, ele faz exposição mostrando que Cristo é Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.

Isso faz com que muita gente fique em dúvida sobre o que é a "ordem de Melquisedeque" e qual o seu significado.

Quem foi Melquisedeque?

Para entendermos isso, primeiramente precisamos entender que Melquisedeque foi um rei que viveu no tempo do patriarca Abraão.

Melquisedeque. Um nome que aparece poucas vezes nas Escrituras Sagradas, porém, carrega um significado profundo e intrigante.

Mas afinal, quem foi Melquisedeque na Bíblia?

Melquisedeque é uma figura histórica e misteriosa que aparece na narrativa bíblica no livro de Gênesis.

Como ele é mencionado sem maiores informações, diferentes interpretações já surgiram sobre sua pessoa.

Já foi dito que ele era um anjo; uma aparição do próprio Cristo; uma manifestação visível do Espírito Santo; e até mesmo Enoque, aquele que foi arrebatado ao céu.

Todas essas sugestões são meras especulações que não encontram fundamento bíblico. Saiba mais sobre quem foi Melquisedeque.

A Bíblia simplesmente diz que Melquisedeque era um rei-sacerdote de uma cidade chamada Salém.

Seu nome, Melquisedeque, significa "rei de justiça".

Já o nome de sua cidade, Salém, significa "paz". É bem possível que Salém era o nome primitivo de Jerusalém.

O escritor de Hebreus utiliza inclusive esses significados para falar sobre como Melquisedeque foi um tipo de Cristo.

Seu nome, combinado ao nome de sua cidade, transmitem o sentido de "rei de justiça e de paz".

Obviamente essa é uma designação muito apropriada para alguém tipifica o Messias.

Melquisedeque não era qualquer sacerdote. A Bíblia diz que ele era sacerdote de El Elyon, isto é, ele era sacerdote do Deus Altíssimo.

Mas Melquisedeque viveu numa época em que o sacerdócio hebreu ainda não havia sido instituído. Isso significa que ele não pertencia à ordem levítica.

Na verdade ele foi contemporâneo de Abraão, o grande patriarca de quem se originou as tribos de Israel.

Abraão, quando o encontrou, pagou dizimo a Melquisedeque, e foi abençoado por Ele (Hb 7:4-10).

Portanto, ao se referir a Melquisedeque, o Salmo 110 está apontando para um sacerdócio que é diferente do sacerdócio levítico, um sacerdócio que combina as funções de rei e sacerdote.

Este é um sacerdócio eterno, não baseado na linhagem física, mas estabelecido pelo próprio juramento de Deus.

O salmista Davi escreveu sobre a maravilhosa promessa de um sacerdote real como Melquisedeque (Sl 110:4).

Portanto, ao se referir a Melquisedeque, o Salmo 110 está apontando para um sacerdócio que é diferente do sacerdócio levítico, um sacerdócio que combina as funções de rei e sacerdote.

Este é um sacerdócio eterno, não baseado na linhagem física, mas estabelecido pelo próprio juramento de Deus.

Tudo isso mostra a importância, autoridade e superioridade de Melquisedeque.

Por isso os escritores bíblicos falam de seu sacerdócio como prefigurando uma ordem superior, cumprida finalmente em Cristo. 

O sacerdócio na igreja medieval


O sacerdócio na Igreja medieval era a espinha dorsal da sociedade, agindo como mediador essencial entre Deus e os fiéis, com grande poder espiritual e influência social.

Os padres administravam os sete sacramentos, lideravam o culto e, frequentemente, eram os únicos instruídos em comunidades paroquiais, embora muitos fossem pouco instruídos antes de reformas tardias.

Segundo a visão da época, os clérigos eram "aqueles que oram" (oratores), responsáveis pela salvação das almas em uma estrutura social dividida entre quem guerreava e quem trabalhava.

O grande poder gerou crises, como a Questão das Investiduras (conflito sobre quem nomearia os bispos: o Papa ou os Reis) e problemas de corrupção, como a venda de cargos eclesiásticos (simonia).

Isso levou a reformas importantes, como a de Cluny e as mudanças impostas pelo Papa Gregório VII, que consolidaram o celibato e a autonomia da Igreja.

Em contraste com as crenças da igreja medieval, a doutrina protestante do sacerdócio universal dos crentes sustenta que não existe mais uma classe sacerdotal dentro do povo de Deus, mas que todos os crentes compartilham do status sacerdotal de Cristo em virtude de sua união com Ele.

Implicações


O fato de todos os crentes serem sacerdotes significa que não apenas os ministros, mas também o fiel comum, têm o direito e a autoridade para ler, interpretar e aplicar os ensinamentos da Bíblia. Uma casta de sacerdotes não possui esse direito.

Não precisamos mais depositar nossa fé implícita nos ensinamentos do magistério da igreja (o braço oficial de ensino da igreja), mas, como os bereanos nos dias do apóstolo Paulo, podemos aprender imediatamente com a palavra de Deus e a instrução do Espírito Santo (Atos 17:11).

Portanto, toda pessoa que está unida a Cristo participa do seu ofício sacerdotal, mas essa grande bênção não significa que devamos rejeitar a autoridade, a função e o ofício de ministro.

Somos, de fato, uma nação santa e um reino de sacerdotes. Cristo concede esse santo ofício a todos os cristãos por meio do derramamento do Espírito.

Mas, além dessa bênção, Cristo também deu dons à igreja:
"E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado" (Efésios 4:11,12).
Sacerdócio universal
TODOS somos sacerdotes (e sacerdotisas)

Imagem gerada com recurso da IA
Os pastores e mestres da igreja são sacerdotes como o restante do corpo de Cristo, mas o Espírito Santo os capacita de maneira singular para que possam equipar a igreja para o seu próprio crescimento na graça e na proclamação do evangelho.

Esses pastores e mestres não pertencem a uma ordem superior do ser, como na compreensão medieval. Em vez disso, são uma parte do corpo de Cristo, não maiores do que qualquer outra parte, mas necessários mesmo assim.
O pastor não pode dizer à pessoa no banco:
"Não preciso de você porque o Espírito me capacitou a ser pastor".
Por outro lado, a pessoa no banco não pode dizer ao pastor:
"Não preciso de você porque sou sacerdote em Cristo".
Deus, em sua soberania, organizou o corpo de Cristo de tal maneira que cada parte, embora diferente em função e dons, necessita de todas as outras partes (1 Coríntios 12:4-26).

Os pastores e mestres da igreja são sacerdotes como o restante do corpo de Cristo, mas o Espírito Santo os capacita de maneira singular para que possam equipar a igreja para o seu próprio crescimento na graça e na proclamação do evangelho.

Esses pastores e mestres não pertencem a uma ordem superior de existência, como na compreensão medieval. Em vez disso, são uma parte do corpo de Cristo, não maiores do que qualquer outra parte, mas necessários mesmo assim.

Conclusão

O sacerdócio de todos os cristãos é tanto uma responsabilidade quanto um privilégio, um serviço tanto quanto uma posição.

Deus fez-nos um corpo, um "bolo" (imagem favorita de Lutero). Nossa unidade e igualdade em Cristo é demonstrada por nosso amor mútuo e nosso cuidado uns pelos outros.
O fato de que somos todos sacerdotes e reis significa que cada um de nós, cristãos, pode ir perante Deus e interceder pelo outro. 
Tudo isso implica que ninguém pode ser um cristão sozinho. Assim como não podemos nascer de nós mesmos, ou batizar a nós mesmos, da mesma forma não podemos servir a Deus sozinhos.

Aqui, abordamos outra grande definição da igreja apresentada por Lutero: communio sanctorum , uma comunidade de santos.

Mas quem são os santos? Não são supercristãos que foram elevados à glória celeste, em cujos "méritos" podemos conseguir ajuda nos caminhos da vida. Todos os que creem em Cristo são santos.

Quando desejar fazer alguma coisa pelos santos, volte sua atenção para os vivos, não para os mortos.

O santo vivo é seu próximo, o nu, o faminto, o sedento, o pobre que tem esposa e filhos e sofre humilhações. Dirija sua ajuda a eles, comece seu trabalho aqui.

Uma comunidade de intercessores, um sacerdócio de amigos que se ajudam, uma família em que as cargas são compartilhadas e suportadas mutuamente — essa é a communio sanctorum.

Alegrem-se porque, por causa da sua união com Cristo, vocês participam de tudo o que Ele é e faz.

Nesse caso, o seu ofício de sumo sacerdote significa que vocês também são sacerdotes santos e reais.
Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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E nem 1% religioso.