sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

POLÊMICAS BÍBLICAS — SAUL, SAMUEL E A PITONISA DE EN-DOR

Uma polêmica é uma discussão pública acentuada, caracterizada por opiniões divergentes e, muitas vezes, contraditórias sobre um determinado assunto.

O termo tem origem no grego polemos, que significa "guerra" ou "conflito", indicando uma "guerra de palavras".

As principais características de uma polêmica incluem:
  • Divergência de opiniões — Envolve pontos de vista opostos que geram debate.
  • Natureza pública — Geralmente ocorre em espaços onde muitas pessoas podem acompanhar ou participar, como redes sociais, mídia ou política.
  • Forte carga emocional — Costuma despertar reações intensas, como indignação, entusiasmo ou revolta.
  • Questionamento de valores — Frequentemente surge quando crenças morais, éticas, religiosas ou políticas são colocadas em xeque. Ou seja, algo se torna polêmico quando não há consenso e o debate sobre o tema divide a sociedade em grupos com visões conflitantes.
Entendido isso, iniciamos aqui, mais uma das nossas séries especiais de artigos, Polêmicas Bíblicas, onde enfocaremos aqueles temas bíblicos que causam debates de cunho teológicos e espirituais entre grupos e comunidades cristãs da vertente protestante.

Para abrir esse nova série especial, trouxemos um dos episódios bíblicos mais complexos, controversos que, portanto, ainda hoje causa imbróglio em seu entendimento.

Bem recentemente, houve uma dessas divergências entre dois conhecidos líderes da mesma comunidade cristã, os reverendos Augustus Nicodemus e Hernandes Dias Lopes, ambos da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), veja:
Reverendo Augustus Nicodemus

Reverendo Hernandes Dias Lopes
  • Como este vídeo é muito longo, caso não queira vê-lo na íntegra,
    adiante até 28'00 e veja até 31'10 minutos.
O relato da bruxa de En-dor invocando Samuel dentre os mortos está registrado em 1 Samuel 28:7-20. É o único relato bíblico de uma sessão espírita.

Como vimos, há diferenças de opinião em relação à história:
  • o próprio Samuel realmente apareceu, foi uma ilusão perpetrada pela bruxa ou foi um engano demoníaco?
Sem dúvida este é um dos textos mais complexos para a interpretação bíblica.

É óbvio que não temos a pretensão de ter a última palavra sobre o assunto com as ponderações que seguem.

Nosso propósito é apenas apresentar um comentário do texto na esperança de que Deus o use para sua honra e glória.

Interpretações diferentes sobre um determinado texto bíblico ou um acontecimento bíblico não devem surpreender ou chocar os crentes em nosso Senhor Jesus Cristo.

Há exemplos de tais divergências na própria Bíblia.

Quando o rei Davi fez um censo em Israel, de acordo com o escritor de 2 Samuel 24:1, foi a ira do Senhor que se acendeu contra Israel e incitou a Davi a fazer tal censo.

Mas de acordo com o autor de 1 Crônicas 21:1, aquilo foi obra de Satanás.

Por isso, podemos dizer que mesmo que duas pessoas sejam crentes, elas podem ter interpretações diferentes sobre um mesmo texto ou acontecimento bíblico.

O importante é que elas permaneçam unidas em amor a despeito das diferentes opiniões.

Que saibam se respeitar apesar das diferenças em termos de interpretação bíblica.

O contexto


Como Deus pôde permitir que a feiticeira de En-Dor tenha feito Samuel subir de entre os mortos, já que Deus condena a necromancia?

O encontro do rei Saul com a bruxa de En-dor ocorreu no final de seu reinado como rei.

Os filisteus haviam se preparado para a batalha contra Israel, e Saul
"...teve medo e apavorou-se" (1 Sm 28:5).
Samuel estava morto, então Saul buscou orientação do Senhor por outros meios, 
"mas este não lhe respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas".
O silêncio de Deus foi uma consequência da desobediência de Saul contra Deus (versículo 6).

Sem receber nenhuma palavra de Deus, Saul enviou seus servos para encontrar um médium, e eles lhe falaram de um na cidade de En-Dor (1 Sm 28:7).

Saul havia anteriormente expulsado todos os espíritas e médiuns da terra (versículo 3), mas obviamente alguns permaneceram.

Pela lei divina, os médiuns e espíritas foram banidos de Israel (Deuteronômio 18:9-11).

O fato de o rei, em desespero, buscar sabedoria em uma fonte oculta que ele mesmo havia proibido mostra sua hipocrisia e indica o quanto ele havia caído da graça de Deus.

O rei Saul jejuou o dia todo, disfarçou-se e visitou a bruxa de En-Dor com dois de seus servos.

Saul lhe disse:
"Peço-te que me adivinhes pela necromancia e me faças subir aquele que eu te disser" (1 Sm 28:8).
A mulher, desconfiada de uma armadilha, recusou o pedido.

Saul fez um juramento de que ela não seria punida (versículo 10) e indicou que desejava falar com Samuel. Durante a sessão, o profeta apareceu:
"Quando a mulher viu Samuel, gritou em alta voz e disse a Saul: Por que me enganaste? Tu és Saul!" (versículo 12).
Saul, que não viu o que a mulher viu, disse a ela que não tivesse medo e que descrevesse o que viu (1 Sm 28:13).

A feiticeira disse:
"Vejo um espírito que vem subindo do chão", descrevendo-o ainda como “um ancião coberto com uma capa... Saul percebeu que era Samuel, inclinou-se e prostrou-se com o rosto em terra" (versículos 13,14).
Na conversa que se seguiu, Samuel perguntou:
"Por que me perturbaste, fazendo-me subir?" (1 Sm 28:15). 
O rei explicou sobre os filisteus e como Deus não estava mais respondendo a ele (versículo 16).

Samuel então deu a Saul uma mensagem assustadora:
"Então Samuel disse: Por que me perguntas, se o SENHOR se afastou de ti e se tornou teu inimigo? 
O SENHOR te fez como tinha dito por meu intermédio; pois o SENHOR rasgou o reino da tua mão e o entregou a Davi, o teu próximo. 
O SENHOR te fez isso hoje, pois não obedeceste ao SENHOR e não executaste o furor da sua ira contra Amaleque. 
E contigo o SENHOR também entregará Israel na mão dos filisteus. 
Amanhã, tu e teus filhos estareis comigo, e o SENHOR entregará o acampamento de Israel na mão dos filisteus" (1 Sm 28:16-19).
Ao saber de seu destino, Saul ficou com muito medo.

A bruxa preparou uma refeição para Saul, que não havia comido durante todo o dia, e ela e os dois servos de Saul o convenceram a participar do que provavelmente seria sua última refeição (1 Sm 28:20-25).

No dia seguinte, em uma batalha, Saul e seus filhos morreram (capítulo 31).

As ponderações


A Bíblia condena com severidade toda feitiçaria e comunicação com os mortos (Êxodo 22:18; Levíticos 20:6, 27; Dt 18:9-12; Isaías 8:19).

No AT, os que praticassem essas coisas receberiam a pena de morte.

O rei Saul sabia disso e até mesmo expulsou todas as feiticeiras da terra de Israel (1 Sm 28:3).

Sabemos também, através das Escrituras, que os mortos não voltam e que o contato com os vivos é impossível (2 Sm 12:23; Hebreus 9:27).

Pontos a serem analisados:


Saul NÃO viu Samuel mas "entendeu" que era ele após a feiticeira dizer que via um ancião envolto em uma capa, entre os "deuses" que subiam da terra (1 Sm 28:13,14).

Assim, todo o evento se deu numa espécie de "sessão espírita", onde o suposto Samuel manteve contato com Saul, incorporado na médium de En-dor.

É sabido que nenhuma das palavras ditas por Samuel jamais caíram por terra, mas todas se cumpriram (1 Sm 3:19); No entanto, a profecia feita a Saul pelo suposto Samuel, que havia baixado na feiticeira, não se cumpriram em sua integridade:

Ele disse: 
"O Senhor entregará também a Israel contigo na mão dos Filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo..." —
Porém, o que seguiu-se não foi o profetizado, pois Saul não morreu pela mão dos filisteus, mas suicidou-se (1 Sm 31:4) —, também não morreram todos os seus filhos, mas apenas três: Jônatas, Abinadabe e Malquisua (1 Sm 31:2).

No mais, a Bíblia é clara ao dizer que as causas de morte de Saul foram as transgressões com que transgredira contra Deus, por causa da Palavra do Senhor, a qual não havia guardado; e também porque
"buscou a adivinhadora para a consultar",
e não buscou ao Senhor, pelo que o matou (1 Cr 10:13,14)

Portanto, está claro que Deus não aprovou as transgressões de Saul, nem sua consulta à feiticeira, e que Samuel não estava incorporado na médium de En-Dor. 

Se Deus estava se recusando a falar com Saul pelos meios "legais", e considerando também que nunca mais Samuel, em vida, havia procurado o rei Saul após sua transgressão (1 Sm 15:35), de forma alguma isso aconteceria mediante a quebra de vários princípios estabelecidos por Deus.

Conclusão


A passagem não dá nenhuma indicação de que a aparição que a bruxa de En-Dor viu era outra coisa que não o próprio Samuel.

Sabemos que a médium não estava produzindo uma ilusão porque ela grita de surpresa quando vê Samuel (1 Sm 28:12).

Admitir-se que o profeta Samuel apareceu naquela sessão espírita e conversou com o rei Saul é negar a moral de Deus. 

Se o Espírito do Senhor se afastara do rei Saul, se Deus não lhe respondera mais, ou seja, Deus não lhe respondia pelos meios legais, e se o profeta Samuel nunca mais o procurou até o dia em que faleceu, (1 Sm 15:35), será que o nosso Deus permitiria que Samuel falasse com Saul numa sessão espírita proibida por Ele, e através de "mãe de santo", uma "médium"?

A desobediência sempre traz o juízo divino. A consulta aos mortos é proibida por Deus (Dt 18:9-12) e qualquer tentativa de se estabelecer contato com eles é desobediência aos preceitos de Deus, e suas trágicas consequências não se farão esperar.
Bom, esse é o nosso posicionamento essa polêmica bíblica. Talvez, quem sabe, a sua seja diferente, nós a respeitamos e gostaríamos de conhecê-la. Você pode, caso queira, registrá-la nos comentários.
[Fonte: Igreja Batista Remição, por Fabrício Costa; Got Questions]

Ao Deus Todo-Poderoso e Perfeito Criador, toda glória.
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